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Viradão de Cinema Fantástico no Festival de Cinema de Vitória

Posted in Arte e Cultura with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 11, 2016 by canibuk

O cinema fantástico nacional está na moda e está ganhando visibilidade em inúmeras mostras de cinema que não tem tradição na exibição de produções neste gênero. Em 2014 já havia ganho a “Mostra Bendita” na Mostra de Cinema de Tiradentes com a exibição do longa “As Fábulas Negras” de José Mojica Marins, Rodrigo Aragão, Joel Caetano e Petter Baiestorf e a produção “Noite” de Paula Gaitán. Leia a história do Cinema Fantástico Brasileiro aqui no Canibuk.

Agora é a vez do Festival de Cinema de Vitória incluir em sua programação uma pequena mostra, intitulada “Viradão Novo Cinema de Horror“, na sua programação, atestando que finalmente os grandes festivais de cinema estão percebendo que o Cinema Fantástico brasileiro tem um grande apelo junto ao público.

No dia 19 de novembro, um sábado, com início à 01 hora da madrugada no Teatro Carlos Gomes, com previsão de acabar somente às 07 da manhã do mesmo sábado, o viradão promete uma divertida noitada aos cinéfilos que se aventurarem pelos domínios do gênero fantástico brasileiro. Acompanhe as novidades do Festival pelo site oficial: http://festivaldevitoria.com.br/23fv/

Os seguintes filmes estão programados no Viradão:

“13 Histórias Estranhas” (Ficção, 90′, SC, 2015), de Fernando Mantelli, Ricardo Ghiorzi, Cláudia Borba, Petter Baiestorf, Marcio Toson, Cesar Coffin Souza, Rafael Duarte, Taísa Ennes Marques, Gustavo Fogaça, Renato Souza, Leo Dias de los Muertos, Paulo Biscaia Filho, Felipe M. Guerra, Filipe Ferreira, Cristian Verardi. Filme coletânea. São 13 histórias curtas, onde o numeral é a base do roteiro.
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“A Casa de Cecília” (Ficção, 102′, RJ, 2015), de Clarissa Alpett. Cecília tem 14 anos e está sozinha em casa há duas semanas. Após dias intercalados de solidão e euforia, Lorena, uma adolescente misteriosa, surge em sua casa. Apesar da nova companhia, a casa parece ficar cada vez mais vazia e os eventos, cada vez mais peculiares.
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“Encontro Às Cegas” (Ficção, 10′, RJ, 2016), de Isabela Costa. Quando um vampiro cego, em pleno 2016, atrai suas vítimas por meio de aplicativos de celular, uma surpreendente chegada muda o rumo da noite.
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“O Diabo Mora Aqui” (Ficção, 80′, SP, 2015), de Dante Vescio e Rodrigo Gasparini. Jovens numa casa assombrada.
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“O Duplo” (Ficção, 25′, SP, 2012), de Juliana Rojas. Silvia é uma jovem professora em uma escola de ensino fundamental.  Certo dia, sua aula é interrompida quando um dos alunos vê um duplo da professora andando no outro lado da rua. Silvia tenta ignorar a aparição, mas este evento perturbador passa a impregnar seu cotidiano e alterar sua personalidade.
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“O Segredo da Família Urso” (Ficção, 20′ SC, 2014), de Cíntia Domitt Bittar. 1970, ditadura militar brasileira. Geórgia, uma menina de 8 anos, é proibida de entrar no porão de sua casa, onde costumava brincar. Longe dos olhos dos pais e da velha babá, Geórgia encontra a porta destrancada: há alguém lá dentro.
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Quem estiver em Vitória/ES nesta data, fica aqui a dica para aproveitar o viradão. O fantástico brasileiro é o gênero cinematográfico nacional que mais tem conseguido, por conta própria, espaço em importantes festivais pelo mundo. “Zombio 2” (Petter Baiestorf), “Mar Negro” (Rodrigo Aragão), “Cabrito” (Luciano de Azevedo), “Encosto” (Joel Caetano), “Bom Dia, Carlos!” (Gurcius Gewdner), “FantastiCozzi” (Felipe M. Guerra), “Nervo Craniano Zero” (Paulo Biscaia) são apenas alguns dos filmes brasileiros que tem sido exibidos em vários festivais importantes do gênero fantástico por todas as partes do mundo. E é muito bom ver o gênero sendo reconhecido, também, em festivais de cinema brasileiro.
Bom Viradão à todos e obrigado por prestigiarem o cinema fantástico nacional!
Assista o documentário que o Canal Brasil produziu sobre o cinema fantástico brasileiro:
https://www.youtube.com/watch?v=XiSl3sb0MTY

 

 

Mirindas Asesinas

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Mirindas Asesinas (1991, 11 min.) de Alex de la Iglesia.

Em seu curta de estreia Alex de la Iglesia já exercita seu peculiar senso de humor doentio. Aqui um psicótico (Álex Angulo, sempre genial) não consegue entender porque estão cobrando por uma Mirinda (um refrigerante de laranja que também era produzido no Brasil até o início dos anos 90) e mata o bodegueiro, obrigando um cliente do bar a substituí-lo.

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É interessante perceber vários elementos que depois acompanharam a carreira de Alex de la Iglesia, como a construção do absurdo das situações que geralmente tem conclusões hilárias. Já neste seu curta de estreia vemos atores e técnicos que lhe acompanharam nos filmes seguintes, como Álex Angulo (1953-2014) que esteve presente nos longas “Accion Mutante” (1993), “El Dia de la Bestia” (1995) e “Muertos de Risa” (1999); Ramón Barea presente em “Accion Mutante” e “800 Balas” (2002) e o c0-roteirista Jorge Guerricaechevarría que também escreveu para Iglesia praticamente todos seus, sempre ótimos, roteiros. A Parceria Iglesia-Guerricaechevarría é uma das mais felizes e criativas do cinema atual. Aliás, já está em pós-produção “El Bar”, com lançamento previsto para 2017, a nova comédia doente da dupla.

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Em “Mirindas Asesinas”, a título de curiosidade, Alex de la Iglesia também é o diretor de arte, repetindo a função que ele havia desempenhado de modo brilhante no curta “Mama” (1988) de Pablo Berger, diretor do excepcional longa “Torremolinos 73” (2003), lançado no Brasil com o ridículo título de “Da Cama para a Fama”.

Baixe “MIRINDAS ASESINAS” clicando no título do curta.

Veja outros curtas de Alex de la Iglesia aqui:

“Hitler Está Vivo” (2006)

“El Código” (2006):

Pequeno trecho de “Mama” (1988) de Pablo Berger:

Aftermath – A Origem

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 12, 2012 by canibuk

“Aftermath” (1994, 30 min.) de Nacho Cerdà. Com: Pep Tosar.

Apesar dos poucos trabalhos realizados por Nacho Cerdà, “Aftermath” não é fruto da casualidade, muito pelo contrário, está intimamente ligada ao primeiro curta-metragem filmado por este catalão de 25 anos, “The Awakening” (que participou da vigéssima quarta edição do Festival de Sitges, em 1991), filmado durante um curso de cinema organizado pela universidade do Sul da Califórnia, em 1990. Após finalizar “Aftermath”, Nacho Cerdà declarou: “Minha intenção era filmar a morte da alma com um tratamento aséptico, distanciado; “Aftermath” é como a segunda parte, mostrando a morte do ponto de vista do corpo, da carne!”.

Depois de rodar outro curta-metragem em parceria com Walt Morton (“Casebreakers”, comédia de humor negro que foi lançada durante o Festival de Valencia), a idéia de morte seguia presente em todos os projetos. Um de seus roteiros, “Inmolación”, começou a tomar forma e Cerdà iniciou a pré-produção para filmá-lo em co-produção com a universidade da Califórnia. Após sucessivas mexidas no roteiro, “Inmolación” acabou se tornando um média-metragem de 40 minutos, mas como o orçamento inicial não era suficiente para produzi-lo, acabaram abortando o projeto. Frustrado, Nacho Cerdà começou a trabalhar num novo curta sobre a morte, com orçamento mais modesto, porém intenções igualmente ambiciosas. Assim, em fevereiro de 1994, nasce “Aftermath”, onde predominava sua fixação por morte, médicos e autópsias.

Antes de escrever o roteiro, Nacho Cerdà realizou uma entrevista com um médico legista sobre o tenebroso mundo dos tórax abertos e se ofereceu para assistir uma dissecação no Instituto Anatômico Forense do Hospital Clínico. Acabou presenciando três autópsias consecutivas, encontrando o que seria a linha de seu roteiro, feito de detalhes sórdidos e reais como as toalhas introduzidas nos crânios dos cadáveres para absorver o sangue ou os orgãos metidos de forma desordenada nas bacias. Cerdà reciclou toda essa informação e pôs-se a escrever o roteiro definitivo. O material estava pronto para ser filmado.

Nacho Cerdà fala:

Sobre o título: “Aftermath é uma expressão que significa algo como “o que há depois de…”, e creio que era o título perfeito para o que me interessava contar: O estado do corpo depois da morte, sua desolação e o nada!”.

Sobre a cor: “É um filme que fala da morte física e, portanto, da degradação da carne. Por isso sua cor precisava ter uma textura física, que se aproxima-se da cor do sangue, da pele morta.”.

Sobre o formato: “Rodei “The Awakening” em 16mm, porém isso não quer dizer que todos meus curtas precisam ter esse formato. Apesar de ser uma produção independente, eu queria ir além do que já havia feito. E 35mm parecia ser mais adequado às necessidades da história!”.

Sobre o silêncio: “Creio que um filme deve ter o poder de explicar-se com a presença da imagem e dos efeitos sonoros. As palavras não são necessárias, ainda mais quando se trata de uma história narrada do ponto de vista dos mortos. E eles vivem num mundo morbidamente silencioso!”.

Sobre a iluminação: “Idealizamos a iluminação levando-se em conta a enfermidade dos protagonistas. A medida que avança a história, fomos deixando a luz mais tenebrosa, mais metálica, mais triste. É como uma volta ao estado primitivo do ser humano: A escuridão!”.

Sobre a montagem: “Era importante que a montagem do filme desse as informações aos poucos, gota à gota, para provocar a sensação de que tudo passa sem pressa. Por isso há longos planos e na segunda parte da históriaadquire um ritmo de cerimônia. A montagem também ajuda à deixar o espectador perturbado!”.

Sobre a interpretação: “Pep Tosar, o ator, queria uma interpretação puramente mecânica. De algum modo desejava converter os mortos em personagens vivos e os vivos em personagens mortos!”.

Sobre o espectador: “Com os movimentos  de câmera eu quis introduzir o espectador na história, como se fosse um terceiro personagem. Transformar o espectador num voyeur necrófilo!”.

Pré-Produção

Devido ao baixo orçamento de “Aftermath”, houve o máximo de aproveitamento dos elementos disponíveis. Por vezes os elementos mais próximos (e mais baratos) são os ideais para a realização de um filme, como foi o caso desta produção. Estava claro que para uma maior credibilidade à história, era necessário um cenário real. Um cenário com as sombras da morte real, como o instituto Anatômico de Barcelona, que possue a sala de autópsias mais completa da Espanha. Depois de conseguir a sala de autópsia, Cerdà realizou os story-boards onde 125 páginas ilustram plano à plano como seria filmado a película. Por sua temática os detalhes deveriam ser extremamente realistas, e para isso os efeitos especiais deveriam ser perfeitos. A empresa DDT, dirigida por David Alcalde e David Marti, contava com um currículo extenso e brilhante no mundo da publicidade e curta-metragens. Atraídos pelas possibilidades do roteiro no que se referia aos efeitos, acreditaram no trabalho, descartando já de cara a possibilidade de aplicar próteses em atores vivos, pois a iluminação e os ângulos de câmera idealizados pelo diretor revelariam o truque. Os técnicos da DDT resolveram construir cadáveres humanos inteiros, usando skin-flex, que com sua textura e cor parecida com a carne humana, já superou o velho látex.

A equipe da DDT tinha pela frente um interessante desafio: construir um cadáver inteiro com um material que só haviam trabalhado em pequenas doses. O skin-flex é um produto fabricado nos USA pela indústria Burman, que já trabalhou em filmes como “Body Snatchers” de Abel Ferrara. Primeiro os técnicos utilizaram modelos reais, que se apresentaram como voluntários à passar umas cinco horas deitados, até ter-se pronto os moldes dos cadáveres, um homem e uma mulher, co-protagonistas do filme. O processo durou aproximadamente um mês.

A busca pelo ator ideal para o papel do legista também foi díficil, até que David Alcalde, da DDT, sugeriu a Cerdà o nome de Pep Tosar, que estava trabalhando num pequeno teatro de Barcelona e meses atrás tinha atuado num curta com efeitos da DDT. Cerdà gostou da força da interpretação de Pep Tosar e o contactou para ser o legista.

Pela falta de diálogos era preciso de uma música densa para o filme. Quase que por acaso Cerdà escolheu “Requiem de Mozart”, ao ouvi-la na casa de Javier Sánchez, um dos produtores executivos do curta.

Apesar de ter sido rodado integralmente em Barcelona, há técnicos de vários países, como por exemplo Christopher Baffa (diretor de fotografia) e Raul Almazan (montador), que eram norte americanos. Baffa constantemente trabalha em produções independentes e já foi diretor de fotografia de segunda unidade de “God’s Army” e “Carnossauro 2” e Almanzan já havia montado “Casebreakers”, curta anterior de Cerdà.

A Filmagem

As filmagens iniciaram no dia 28 de maio (de 1994) e se estenderam até 04 de junho. No primeiro dia foi filmado o epílogo do filme, que acontece na casa do protagonista. No dia 29 de maio iniciou-se as filmagens no Instituto Anatômico. O horário de trabalho da equipe devia adaptar-se as exigências do centro e seus horários. Somente após a última autopsia do dia que a equipe estava autorizada a iniciar seus trabalhos madrugada a dentro, com umas dez horas diárias de muito trabalho.

Curiosidades das Filmagens

– O ambiente das filmagens foi sempre muito cordial, contando-se o cenário mórbido que se fazia presente à todo instante. Logo os membros da equpe estavam acostumados com o cotidiano funesto do local de trabalho.

– Num dos dias de filmagem chegou um cadáver já morto a meses, totalmente decomposto. O fedor era tão intenso que parte da equipe teve que deixar de trabalhar.

– As filmagens aconteceram em tri-língüe: Cerdà dirigia-se aos seus colaboradores em catalão, castelhano e inglês. A salada de idiomas não causou problemas de maior importância.

– O Cachorro que aparece no epílogo do filme esteve o dia todo sem comer para devorar a carne como um animal esfomeado. Na quarta tomada seu apetite já estava saciado e essa foi a tomada que saiu melhor.

– No primeiro dia a equipe trabalhou 18 horas seguidas.

– Na pós-produção, Cerdà utilizou-se de efeitos digitais. Em alguma seqüências que teriam problemas de continuidade, uma máquina chamada “Harry” fez milagres: entre vazios e tomadas com muito sangue, os técnicos conseguiram um balanço onde a continuidade lógica prevalecia.

A Montagem

Dia 15 de junho Raul Almazan, com a constante supervisão de Cerdà, começou a montar “Aftermath”. Antes de mais nada, montaram um trailer promocional de 3 minutos para deixar o filme conhecido pelos mais diferentes festivais de cinema. Logo depois dedicaram-se ao curta. Das duas horas e pouco de material, começaram a selecionar o que faria parte do curta, que deveria ter meia hora de duração. Em quatro semanas tinham nas mãos um filme de 38 minutos, mas segundo as próprias palavras do diretor: “Naquela primeira versão a montagem estava péssima, com algumas coisas que ocorriam depressa demais e outras demasiadamente lentas!”. Voltaram à trabalhar na montagem até chegar na versão definitiva de 30 minutos.

por Ricardo Spencer, originalmente publicado no fanzine “Arghhh” número 21 (editado por Petter Baiestorf em junho de 1997).

* Veja a filmografia de Nacho Cerdà no IMDB.

Sombras de Shimamoto

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Resolvi resgatar hoje a HQ “Samurai”, roteirizada e desenhada pelo mestre Júlio Y. Shimamoto (leia entrevista que fiz com ele clicando em “Shimamoto“), que foi publicada em 1999 através de um álbum  chamado “Sombras” (da editora Opera Graphics). Se você estiver em algum sebo e achar essa revista, pegue-a na mesma hora porque é ótima! Vale a pena lembrar aos fãs de Shimamoto que o Márcio Júnior realizou o ótimo curta-metragem “O Ogro” que transforma em desenho animado os traços macabros de Shimamoto. Além de digitalizar a HQ “Samurai”, resolvi scannear também o prefácio escrito pelo desenhista Laudo Ferreira Jr. e o texto “A Arte de Júlio Shimamoto” de autoria do desenhista Mozart Couto. Para ler a HQ e os textos digitalizados é só clicar em cima de cada página e elas se abrirão em tamanho grande.

Talvez Amanhã

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“Talvez Amanhã” (2012, 10 min.) de Robson Clério. Com: Dul Victor, Isabela Pàáschoa e Miguel Lieira. Fotografia: Robson Clério e Carlos Tavares. Música: Alberto Cohon. Edição: Robson Clério. Produção: Carlos Tavares e Robson Clério.

Dois irmãos pegam carona com estranho numa estrada deserta e vão atrás de seu padrasto em sua última morada. Este é o ponto de partida de “Talvez Amanhã” de Robson Clério, curta de baixo orçamento com vários momentos carregados de clima mórbido que fazem o espectador sempre esperar pelo momento de maldade que pode, ou não, surgir na seqüência. Filmado com quase nenhuma grana, o curta tem um roteiro bem simples (jovens cineastas, este é o segredo para conseguir realizar seus primeiros filmes) que explora situações cotidianas com um trabalho de câmera/edição contemplativo. Em um mundo como o de hoje, onde todos sofrem de ansiedade, este ritmo contemplativo causa desconforto e agônia. Você fica querendo que algo maldoso aconteça e aconteça já.

O diretor Robson Clério nasceu em Valinhos/SP, com 15 anos foi trabalhar num escritório de contabilidade e viu que não levava jeito prá essa vida de empregado. Por um bom tempo trabalhou como designer gráfico, até que em 2006 realizou o curta “Estradas Brancas” com câmeras e microfones emprestados. No início de 2010 abriu a Arttería Filmes para a produção de seus próprios roteiros e organizou também a primeira edição do Ciclo de Cinema Fantástico de Campinas no MIS Capinas.

Produtores independentes que queiram seus filmes exibidos no Ciclo de Cinema fantástico de Campinas, escrevam para Robson: artteriafilmes@artteriafilmes.com.br

Veja o curta “Talvez Amanhã” e leia uma rápida entrevista que realizei com Robson Clério.

Petter Baiestorf: Conte-nos o que te levou a abrir a Artteria Filmes e qual a
proposta da produtora?
Robson Clério: A Arttería Filmes faz parte do projeto de ter autonomia para fazer meus filmes, depois da experiência de ficar dependendo de outro para gravar e editar quando pode logo no primeiro curta, decidi não passar mais pela mesma experiência, comprei uma câmera, aprendi editar e abri uma produtora.  A Arttería Filmes é uma produtora muito nova, abri em janeiro de 2010. De 2001 a 2004 era um estúdio de designer gráfico, ficou inativa por um tempo, não soube administrar então fui trabalhar para os outros até onde consegui agüentar.  Precisava fazer meus filmes  então reabri como  Arttería Filmes para acessar Editais. “Arttería” vem do conceito de local de fazer arte, “Confeitaría” faz confeitos, “Sapataría”, sapatos e Arttería para arte.  A proposta é fazer um cinema autoral de ficção e documentário com a mesma intensidade. Produzir filmes de outros diretores não esta fora do projeto, mas a prioridade são os meus filmes.
Baiestorf: Você também organiza o Ciclo de Cinema Fantástico de Campinas, conte como funciona, que filmes já foram exibidos e como os diretores brasileiros podem ter seus filmes exibidos na mostra:
Clério: O Ciclo de Cinema Fantástico teve duração de 4 dias, no primeiro fim de semana dos meses de março e abril de 2012. Foram exibidos 1 longa metragem e 19 curtas, teve participação de diversos estados brasileiros, incluindo de um brasileiro que vive no Canadá, o Dimitri Kozma. Este foi o primeiro Ciclo de Exibição que organizei no MIS CAMPINAS – MUSEU DA IMAGEM E DO SOM,  foi uma experiência intensa, esperar o publico para assistir os filmes e ficar olhando a reação é como esperar reações sobre um filme meu, senti insegurança, ansiedade como numa estréia.  A idéia veio depois de participar de uma oficina sobre Cinema Independente com a organizadora do Cine Fantasy, fiquei impressionado com a qualidade e a quantidade de filmes de boa qualidade e baixo orçamento.  A seleção para montar o Ciclo teve inicio enviando e-mails para a organizadora do “Cine Fantasy”, que passou e-mails de alguns Cineastas que faziam Cinema Fantástico, entre eles estavam Joel Caetano e Liz Vamp Marins que foram indicando outros diretores, alguns encontrei no Youtube como o Rodrigo Brandão, encontrei “A MALETA” , os filmes foram chegando, queria fazer um evento de maior proporção, exibir os filmes num paredão externo (num jardim de inverno gigante que tem no interior do  MIS CAMPINAS), o Rodrigo Brandão chegou a sugerir de colocar monstros gigantes no jardim, achei ótimo, falei com a Secretaria de Cultura  de Campinas  e sugeriram que eu entrasse no Ficc – Edital “Fundo de Investimento a Cultura de Campinas”. Como tive que parar o projeto para tocar produções da Arttería Filmes que gerariam receita para continuar em pé, o “Ciclo de Cinema Fantástico” ficou parado, alguns diretores já estavam me perguntando se aconteceria mesmo e decidi fazer um ciclo de exibições mesmo.  Qualquer cineasta brasileiro de Cinema Fantástico, que tem uma característica muito bem definida que “ironicamente é a não definição entre o real e o fantástico” acontecendo no roteiro. Exibimos filmes do diretor Rubens Melo, Joel Caetano, Petter Baiestorf (este que me entrevista agora), Joel Caetano, Rodrigo Aragão, Rodrigo Brandão, Geisla Fernandes, Dimitri Kozma, Liz Marins  que são apenas alguns dos cineastas fazendo cinema independente no Brasil.  Procurei selecionar filmes que estão bem dentro do contexto do Cinema Fantástico.  É um ciclo e exibição, não uma Mostra ou Festival, as sessões são gratuitas.  A situação de poder mostrar cineastas que a maioria do publico não conhecia e ver que ficaram impressionados com o trabalho deles não tem preço, sou deste grupo estou no mesmo barco e a necessidade de exibir é e mesma, é um Cinema Fantástico! Para exibir um filme no MIS CAMPINAS, fora do Ciclo de Cinema Fantástico só é preciso entrar em contato com o Sr. Orestes Augusto que uma data será agendada para a exibição.
Baiestorf: Fale um pouco sobre teus curtas anteriores.
Clério: Houve um momento que precisava fazer um filme de curta metragem, dar um “start” no processo de fazer cinema, de qualquer jeito então escrevi um roteiro e mostrei para um cara que tinha uma produtora com pouco tempo de mercado, ele estava querendo ganhar experiência como cinegrafista e topou gravar e editar e então fiz o “ESTRADAS BRANCAS” – http://www.youtube.com/watch?v=XOnQdUehFuA –  foi a primeira experiência dirigindo atores, cinegrafista, edição e então senti toda a ansiedade de ficar dependendo dos outros para gravar e editar quando pode o seu filme.  Depois juntei grana para comprar uma câmera e aprendi a editar para ter mais autonomia,  gravei e editei alguns curtas para o festival do minuto e o curta “TRANSITÓRIOS”  – http://www.youtube.com/watch?v=a2lQCMj6EPA&feature=relmfu –  para um concurso com prêmio em dinheiro realizado por uma empresa de transporte coletivo aqui de Campinas, perdi o prazo de inscrição e inscrevi na MOSTRA CURTA AUDIOVISUAL  CAMPINAS  organizada no Mis Campinas e fui selecionado para exibição, este curta já gravei com uma câmera Sony/Mini DV editei na versão Premiere 6.5. Então passei a gravar e editar o tempo todo para movimentar o audiovisual e ganhar experiência, com esta mesma câmera gravei um documentário sobre uma artista plástica que expõe na Feira de Artesanato mais tradicional de Campinas, o “VERA COR” –http://www.youtube.com/watch?v=4uV-o63UX9s&feature=relmfu – que foi gravado com 3 câmeras  Hand Cam diferentes, não ao mesmo tempo, acontece que uma quebrou, outra foi roubada, então fui trocando de câmera mas continuei gravando, editei umas três vezes e ainda não exibi em nenhuma mostra ou festival.  Escrevi outro roteiro de curta metragem “TUNEL” que inscrevi no edital de Paulínia e ainda não gravei e o roteiro de um longa que ainda esta em andamento.
Baiestorf: Como surgiu a idéia para rodar o curta “Talvez Amanhã”?
Clério: “Talvez Amanhã” é um curta feito para participar do Ciclo de Cinema Fantástico, depois de alguma insistência do próprio Orestes de que seria muito interessante que eu colocasse um filme na programação, passei alguns dias pensando num roteiro e quando consegui montar uma história na cabeça coloquei o nome do curta no cartaz com tempo de 5:00 minutos (acabou ficando com 10:47 minutos.) de duração já que não havia tempo para fazer um filme muito longo, tinha cerca de 40 dias até a data da exibição.  Não é um filme que fui elaborando  durante meses, que eu realmente planejei fazer, é um filme de exercício de produção e resolvemos tratá-lo com carinho apesar de ser um “filme de encomenda”  como comentou o Orestes durante o debate. Então falei como Carlos Tavares, que estava a fim de se envolver em algum projeto, e contei a idéia do filme a ele que imediatamente começou a fazer anotações e disse: –  Mas preciso do roteiro e respondi: Esta bem vou escrever amanhã. Com a idéia já formada na minha cabeça, em dois dias escrevi o roteiro do curta.  Decidimos fazer um “casting” apesar do prazo curto, O padrasto seria um ator que já havia gravado comigo em um comercial de conclusão de curso de uma turma do IPEP, mas quando falei do “casting” ele amarelou, então lembrei de um ator de teatro que tinha as características do personagem, não avisamos que seria o único a fazer o teste, ele veio e arrebentou na apresentação do personagem. Ficamos muito satisfeitos e seguros que teríamos uma boa atuação dele. Os jovens também vieram para o teste e percebi que teria que dirigir muito para chegar no resultado das cenas, nas gravações do cemitério passamos o texto por duas horas até gravar e chegamos a um resultado razoável para o tempo que tivemos para acertar as cenas. “Talvez Amanhã” é um filme feito em muito  pouco tempo, detalhes que poderiam ser melhorados serão feitos agora antes de inscrevê-lo nas mostras e festivais.  A trilha ficou pronta 3 dias antes da exibição , fomos para a casa do musico Alberto Cohon na quinta feira a noite para ouvir as musicas e fazer ajustes. Sábado a tarde o filme estava sendo exibido. Conseguimos o clima do cinema fantástico no curta “Talvez Amanhã”, um filme feito para entrar no Ciclo de Cinema Fantástico do MIS-Campinas.
Baiestorf: Qual foi o custo da produção? Conte-nos curiosidades sobre as filmagens.
Clério: O custo da produção não sei dizer exatamente, as anotações ficaram com o Carlos Tavares, mas foram gastos com gasolina, um óculos espelhado para o motorista que da carona, algumas garrafas de água mineral, um maço de cigarros  e os ingredientes para fazer o macarrão que o padrasto come enquanto fuma e bebe em frente da TV.  O Dul Victor que fez o padrasto não fuma a mais de 20 anos e teve que acender e fumar vários cigarros, no debate disse que passou alguns dias com o gosto do cigarro na boca e não foi esse o único pepino para o ator descascar, teve que comer muito macarrão ( feito por mim) até que eu conseguisse gravar as três tomadas diferentes da mesma cena. Logo na primeira cena ele parou e disse: – Tem como colar um salzinho?  Muita coisa pra pensar e esqueci o sal! Um ator sério, já teve uma companhia de teatro em Campinas e é capaz de fazer papéis mais complexos. Dificuldades não faltaram para um curta com o prazo final apertado. O motorista do utilitário que faz o cara que dá carona aos adolescentes, foi com um boné que não estava nos meus planos e foi recusando-se a tira-lo de Campinas a Joaquim Egídio, onde gravaríamos a cena da estrada, chegando lá o garoto levou uma touca para caracteriza um visual Emo, preferi ele sem touca, entreguei a touca para o produtor Carlos Tavares e disse para levar a touca para o Alfeu (motorista) e disse:  Se ele usar a touca eu topo, senão quem vai fazer o motorista é você. O Alfeu colocou a touca e fico ótimo. Toda a sala onde o padrasto fica comendo e bebendo é a sala da casa onde moro e foi totalmente montada com aqueles objetos, com aquelas caixas cheias de garrafas de cachaça vazias que fomos buscar no Mercadinho ali do bairro. O Carlos Tavares queria colocar um ventilador  bem debilitado na cena mas estava com uma cor azul muito aguçada  nas hélices e ficaria fora do tom marrom da cena e acabei tirando. O telefone preto, uma peça de arte que esta sobre o sofá e os cinzeiros  foram emprestados pelo Luiz Humberto, ator de teatro e produtor que mora em uma casa tomada por objetos antigos e peças que ele mesmo faz.  A poltrona e o sofá vermelho foram encontrados na rua em dias e locais diferentes. Gravamos a cena do padrasto com duas câmeras CANNON EOS REBEL T2I, na cena do cemitério não conseguimos a segunda câmera e gravamos com uma repetindo a cena e gravando de ângulo diferente.
Baiestorf: Como será a distribuição do curta? Você acha que seria interessante vários produtores independentes realizarem coletâneas de curtas com seus filmes num mesmo DVD?
Clério: Não consigo ver uma saída para distribuição de curta metragem sem essa proposta de vários diretores num mesmo DVD proporcionando assim uma divulgação do trabalho de cada um. A mostras e festivais vão “distribuir” o filme, de certo modo o mesmo acontece com as visualizações na internet. Tive a idéia montar um DVD com os filmes e os debates do Ciclo de cinema Fantástico do MIS CAMPINAS  para registrar o evento e disponibilizá-lo no acervo do MIS, talvez na loja virtual do site da Arttería Filmes mas isso já envolve uma serie de cuidados e ainda não como farei.  O que farei com certeza será um DVD contendo todos os debates e disponibilizar no acervo do MIS CAMPINAS.
Baiestorf: Como formar um público consumidor de curtas?
Clério: Já vi um site que dizia fazer distribuição de curtas mas  não acompanhei para saber se funcionou. Os festivais que disponibilizam os curtas nos sites para serem revistos estão distribuído, mas a melhor forma que vejo é a idéia do DVD com vários curtas do mesmo segmento e estive pensando em fazer isso com o Cinema Fantástico. O curta está caracterizado como exposição do trabalho de um cineasta, mas é muito mais que isto. Como dissee o Orestes num debate, num curta você não tem tempo para ganhar o publico por pontos como num longa,  tem que ser por nocaute. Não é simples fazer um curta! Este ciclo tem material para um DVD de curtas de ótima qualidade e vou pensar nessa possibilidade. Um DVD com curtas de vários diretores reunidos é muito bom pela diversidade cinematográfica e deve ser mais explorado.
Baiestorf: “Talvez Amanhã” é um bom filme, com atores esforçados e produção bem aproveitada. A Artteria Filmes tem essa preocupação de formar um núcleo de colaboradores em Campinas?
Clério: Campinas é uma cidade com grupos de teatro antigos e tradicionais de onde o cinema se abastece de atores, precisamos de mais que isto. No MIS-CAMPINAS existe um grupo que freqüenta, assiste e debate os filmes, no “Talvez Amanhã” temos o Luiz Humberto que cedeu peças de cena, Carlos Tavares que agarrou a produção, Alfeu que fez o motorista, Alberto Cohon que fez a trilha, os meninos são do Teatro de Sumaré e eu que freqüentam o MIS-CAMPINAS e que formou um grupo espontâneo de colaboradores. Desde o inicio eu e o Carlos Tavares falamos de montar uma cooperativa de produção onde haveria participantes se ajudando em produções com pessoas e equipamentos, acreditamos que isso ocorra quase que espontaneamente.  Sem duvida a idéia de um Núcleo de Colaboradores é genial e quero trabalhar nisso.
Baiestorf: Quais suas influências básicas na hora de produzir um filme?
Clério: Quando meus pais separaram-se fui morar na casa da minha avó materna. Ela tinha uma TV preto e branco. Via sessão da tarde deitado quase dabaixo da TV no chão de taco e levava bronca da Vó Dozolina, a noite assistia “Sessão Bang Bang”. Se sofro alguma influência na hora de produzir os filmes isso ocorre inconscientemente. Minha inspiração vem da criatividade e da ousadia de diretores autorais que foram fazer cinema apesar de todas as dificuldades. Quando estou produzindo um filme as dificuldades são apenas mais um desafio, é empolgante pensar em uma solução criativa para resolver o posicionamento de uma câmera ou como vamos gravar em determinada locação. Detesto trabalhar com pessoas que ficam fazendo uma lista dos problemas que poderia dar se fizéssemos isso ou aquilo.  Glauber Rocha não mediu esforços para gravar e exibir em uma época difícil de fazer cinema e no entanto fazia.  Isso me inspira muito! Cinematográfico sou influenciado por vários cineastas, sou eclético para filmes, gosto desde a câmera do Antonioni que passeia por uma cena, quanto a câmera nervosa do Fernando Meireles, gosto da seqüência atemporal do Tarantino e de uma linearidade as vezes no roteiro.  Devo admitir que estou num processo de formação cinematográfica quanto ao modo de produzir meus filmes, o primeiro curta “Estradas Brancas” e o “TRANSITORIOS” tem um ritmo muito diferente do “Talvez Amanhã”, onde fiz cenas mais  longas com a câmera fixa, sem pressa de sair da tela, sem cortar a cena toda. Comecei ir ao Cinema no inicio dos anos 80 e vi todas aquelas superproduções “hollywoodanas”, fiquei na fila que dava voltas no quarteirão para ver o lançamento dos filmes do Stallone e Arnold Swarzzeneger e isso contaminou um pouco o jeito de gravar e cortar demais. Não acho ruim, penso que cinema é edição e se cortar mais, chego mais onde quero.  Freqüentando um circuito de filmes independentes e o MIS-CAMPINAS e tendo acesso a diretores europeus e passei a ver outro cinema que me fez gravar planos fixos e longos no inicio e no final do “Talvez Amanhã “. No entanto quando produzo um filme não sinto uma influência básica, mas uma apropriação de várias formas de filmar e montar. Gosto muito do “plongee” e de enquadramentos de onde não seria comum olhar, essa mistura de influências ou de nenhuma influência especifica pode ser bem positiva e produzir filmes interessantes.
Baiestorf: Porque fazer filmes, uma arte complicada e cara?
Clério: Já foi muito mais caro, e quase utópico fazer filmes! Veja o Glauber e outros cineastas da época o que passaram para fazer cinema? Depois que vi cidade de Deus senti que o cinema brasileiro seria mais possível e acessível, sobretudo por conta da tecnologia digital que possibilitou um custo beneficio bem mais interessante que chegar na película, as pessoas passaram a aceitar outra textura de imagem por conta da internet e fazer filmes em digital não causou tanto impacto, cobrar a qualidade da película é coisa de uma minoria e de quem faz. É comum as pessoas ao saber que estou fazendo filmes perguntarem, mas isso da dinheiro e vejo logo que não entenderam que minha alma esta nisso e que o dinheiro é a conseqüência dessa entrega. Gasta-se muito dinheiro para fazer cinema e ganha-se muito dinheiro para fazer cinema, sabemos que á difícil e complicado chegar lá,  difícil e complicado quase toda atividade é, com perseverança e criatividade as coisas vão acontecer.  No mínimo o prazer de passar a vida fazendo aquilo esta no coração haverá de retorno, mas acredito em mais que isso, o que se faz co a alma reflete forte e o retorno é grande em todos os sentidos. Não há mais como conter de contar historias que possam entreter e influenciar as pessoas para de alguma forma mostrar algumas saídas para uma vida melhor mesmo que as vezes seja a alegria de rir se envolver na historia de um filme. Vejo o cinema com esta função que tem a arte de melhorar a vida das pessoas. Faço filmes porque não posso evitar este impulso, a vida faz mais sentido.
Baiestorf: Nos últimos anos o Brasil vê o surgimento de toda uma nova geração de cineastas independentes, na sua opinião de produtor e divulgador de filmes, a que se deve isso? E essa produção tente à aumentar?
Clério: Petter, quero esclarecer que é a primeira vez que faço um Ciclo de Exibição e que estou pensando muito sobre fazer novamente. O retorno é positivo, entrei em contato com diversos cineastas, diretores e pude ver que filmes de baixo orçamento podem ter qualidade e ser impressionantes. Fui inserido nesta comunidade cinematográfica e sem duvida este é o maior do retorno que tive. O prazer de divulgar esses diretores não tem preço e as pessoas precisam saber deles. Ouvi muito as pessoas dizerem na sala de exibição: – Nossa que qualidade, que domínio da linguagem e a gente nem sabe desses diretores!  Esta produção vai aumentar, em quantidade e qualidade e avançar  para o circuito convencional, o brasileiro tem criatividade para isto. Como disse antes, hoje existe um cinema possível, digital, a internet contribui muito.  O mercado esta de olho em novas idéias e linguagens. Vejo um futuro prospero no cinema nacional e devemos juntar forças para seguir caminho e fazer acontecer.

Baiestorf: Fale sobre seus novos projetos:
Clério: Dois longas e um curta estão na fila de espera. O Curta foi inscrito no Edital de Paulínia que esta enrolado e provavelmente não sai. Quando não sai via edital, produzo  assim mesmo. Os longas estão no roteiro, no tempo certo vou começar produzir.  Sinto uma motivação para continuar  com o Ciclo de Cinema Fantástico anualmente. No universo cinematográfico as cosas acontecem quase que involuntariamente, quando vi estava gravando o ”Talvez Amanhã” – http://www.youtube.com/watch?v=fWWoAaM9wmQ –  e percebi que é preciso analisar melhor o que filmar, principalmente porque filmar determinado roteiro. Quase todos envolvidos no curta tinham um texto e queria ver se a gente não queria produzir, não é simples, da um trabalho enorme e precisa ser um tempo gasto com algo que realmente tenha tocado o coração.  Estou muito interessado nas parcerias, quando for possível, para produzir com maior qualidade e apresentar filmes empolgantes. Uma regra básica é estar sempre produzindo.  Muito agradecido ao Petter Biestorf e ao Canibuk. Avante Cinema Independente!

Dicionário de Filmes Brasileiros – Curta e Média Metragem

Posted in Cinema, Literatura with tags , , , , , , , , on dezembro 11, 2011 by canibuk

No final do mês de novembro aconteceu o lançamento do livro “Dicionário de Filmes Brasileiros – Curta e Média Metragem – Segunda Edição Revista e Atualizada” (2011, 1.275 páginas, editora do IBAC – Instituto Brasileiro de Arte e Cultura), escrito, pesquisado e organizado por Antônio Leão da Silva Neto, que é uma inesgotável fonte de pesquisa para qualquer históriador, pesquisador ou cinéfilo com interesse pelo cinema brasileiro. São 21.686 curtas e médias catalogados por Leão, com informações como ficha-técnica das produções, elenco, bitola, ano de produção, sinópse, festivais e mostras onde foram exibidos e comentários com curiosidades sobre as produções. No final do livro Leão incrementou com algumas estatísticas interessantes: de 2005 em diante, por conta das facilidades em se conseguir equipamentos digitais de alta qualidade por um baixo preço, a produção de filmes brasileiros praticamente dobrou. Em 2005 foram produzidos 1.014 curtas/média (os longas não estão incluídos nesta conta), e nos anos seguintes essa produção se manteve numa média de mais de 900 filmes (curtas/médias) por ano, número comparável aos anos de 1979 (com 927 curtas/médias) e 1980 (com 608 produções), quando produtores usavam uma lei que obrigava os exibidores de filmes a colocar um curta antes dos longas estrangeiros exibidos no Brasil. Outro fato interessante é que entre os anos de 2000 e 2010, foram produzidos 6.597 curtas/médias, tornando este início do século XXI o mais produtivo da história do cinema brasileiro.

E o melhor de tudo é que essa maravilhosa fonte de pesquisa não é vendida, para adquirí-la você deve enviar e-mail para o IBAC solicitando o livro (será cobrado apenas as despesas postais). Já peguei minha cópia dele e recebi rapidamente na minha casa pelo simbólico valor de R$ 17.50, quem perder este livro é um mané!!!

Escreva para IBAC, e-mail dicionariodefilmes@ibacbr.com.br e peça o livro o quanto antes que é certeza que vai esgotar rápido.

Lançamento do Dicionário de Filmes Brasileiros – Curta e Média Metragem

Posted in Arte e Cultura, Cinema, Literatura with tags , , , , , , , , , on novembro 21, 2011 by canibuk

Dia 23 de novembro (quarta-feira), a partir das 20 horas, na escola da Cidade, rua General Jardim 65, Vila Buarque, São Paulo (capital) – atrás da Praça da República, quase em frente a sede da Aliança Francesa – vai rolar o lançamento do novo livro de Antônio Leão da Silva Neto, “Dicionário de Filmes Brasileiros – Curta e Média Metragem – Segunda Edição, revista, Corrigida e Ampliada”, editado pelo Instituto Brasileiro de Arte e Cultura, com patrocínio do Fundo Nacional de Cultura.

Essa nova edição do dicionário de curtas e médias de Leão registra 22 mil filmes em 1.270 páginas, em todos os formatos, inclusive digital. Apresentação do livro é de Raquel Hallaq, prefácio de Francisco César Filho e orelha de Alfredo Sternheim.

Conheço o trabalho de Antônio Leão já há vários anos e posso atestar que é mais um lançamento imperdível, o “Dicionário de Longas Brasileiros” é fantástico e tenho a plena certeza que este novo livro segue o padrão de qualidade de Leão. Qualquer cinéfilo que se preze precisa ter esses dicionários de Leão na coleção!

Informações pelos fones:

(11) 3258-8108 (Escola da Cidade)

(11) 6944-7850 (IBAC)