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Cinema de Garagem – Panorama da Produção Brasileira Independente do Novo Século

Posted in Cinema, Literatura, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 12, 2012 by canibuk

“Cinema de Garagem – Panorama da Produção Brasileira Independente do Novo Século” (280 páginas, Caixa Cultural), coletânea de textos sobre a produção independente brasileira organizada pela dupla Marcelo Ikeda e Dellani Lima.

O cinema independente brasileiro, nos últimos 10 anos, voltou com força total por conta da facilidade de produção por meios digitais (filmadoras e computadores estão cada vez mais acessíveis).  Novos realizadores estão surgindo em todos os cantos do Brasil, pequenas cidadezinhas começam a se tornar polos de cinema, festivais e mostras são organizadas em capitais e cidades de médio porte do território brasileiro, na net os produtores encontram um local onde escoar sua produção tendo contato direto com um público informado e até alguns livros de teoria cinematográfica, como a série de livros do “Cinema de Bordas” ou este “Cinema de Garagem”, surgem, ainda que timidamente, aqui e ali.

Este “Cinema de Garagem” é um livro-catálogo lançado junto da Mostra de Cinema de Garagem que a Caixa Cultural do Rio de Janeiro realizou, em parceria com a WSET, entre julho e agosto de 2012 com a exibição de 25 longas e uma incrível quantidade de curtas sem nunca repetir os realizadores (de modo que foi possível exibir trabalhos de inúmeros diretores). O livro é uma coletânea de textos escritos por realizadores, críticos e cinéfilos que possuem afinidade com o cinema independente brasileiro e versa sobre os seguintes assuntos: “Cinema Contemporâneo e Artes Plásticas” de Ana Moravi; “Economia de Gestos: Uma Política da Intimidade” de Arthur Tuoto, sobre as possibilidades da câmera; “Minha Memória, Senhor, é como um Depósito de Lixo” de Bruno de Andrade, crítico de cinema aqui de Santa Catarina que versa sobre a crítica e seu olhar ao “novíssimo cinema” (rótulos bestas, nossa crítica é mais perdida que os próprios realizadores); “Mosaico em Construção: Breve Panorama da Nova Produção Audiovisual Cearense” de Camila Vieira; “Filmes de uma Nota Só” da pesquisadora Carla Maia, considerações sobre os filmes “Vida” (2008) de Paula Gaitán e “A Casa de Sandro” (2009) de Gustavo Beck; “Gregarismo e Teatralidade” de Carlos Alberto Mattos sobre a relação entre o cinema independente de agora e o cinema independente brasileiro do passado; “Cinema Inclassificável, Urgente e Afetivo” do realizador Dellani Lima, sobre as formas de produzir/distribuir cinema; “Lições do Fracasso” do professor Denilson Lopes, texto extremamente sóbrio sobre o novo cinema independente brasileiro que coloca no papel o que penso deste novo modo de produzir: Ainda é cedo demais para qualquer tipo de conclusões; “O Cinema Pernambucano Entre Gerações” de Rodrigo Almeida e Fernando Mendonça; “O Nevoeiro”, onde Marcelo Ikeda dá um panorama geral do que está sendo produzido no Brasil; “O Trânsito Intenso nas Garagens de Minas Gerais” de Marcelo Miranda, sobre o cinema mineiro e, fechando o livro, o texto Manifesto Canibal de minha autoria onde teorizei, em 2002, sobre as possibilidades de se fazer filmes independentes com produção caseira e que algumas pessoas levaram a sério (mas prefiro pensar que ninguém me leva a sério porque assim me mantenho jovial).

“Cinema de Garagem” foi organizado por dois realizadores (que juntos já haviam lançado o livro “Cinema de Garagem: Um Inventário Afetivo Sobre o Jovem Cinema Brasileiro do Século XXI“), o que faz com que a abordagem do assunto no livro não seja acadêmica xarope (nada pior do que ler textos acadêmicos sobre cinema). Dellani Lima nasceu em Campina Grande/PB e formou-se em dramaturgia e realização de cinema no Ceará, mas foi em Belo Horizonte/MG que vimos seu cinema vigoroso surgir em grande estilo. Clique em “Dellani Lima e a Arte de Experimentar Sensações” e assista os longas-metragens dele (tive o prazer de ser ator no longa “O Sonho Segue Sua Boca” que Dellani dirigiu em 2008 e pretendo repetir a parceria num futuro próximo). Marcelo Ikeda trabalhou na Ancine entre 2002 e 2010 e já realizou diversos curtas-metragens como “O Posto” (2005) e “Carta de um Jovem Suicida” (2008). É curador da Mostra do Filme Livre, professor de cinema e mantêm o blog Cinecasulofilia.

“Cinema de Garagem” tem sua venda proibida (por ter sido bancado pela Caixa Cultural), não sei como os interessados podem conseguir um exemplar, mas adianto aqui que é um livro imperdível para qualquer cinéfilo ou historiador do cinema independente brasileiro. Estamos, ainda, no comecinho de algo. Para onde iremos ninguém tem como prever. Eu, na qualidade de cinéfilo, espero apenas que bons filmes continuem sendo produzidos e mais canais exibidores sejam criados. O resto é teoria prá passar o tempo enquanto se espera o horário do voo!!!

por Petter Baiestorf.

Dellani Lima e a Arte de Experimentar Sensações

Posted in Cinema, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 9, 2012 by canibuk

Dellani Lima, nascido em Campina Grande/PB, é um cineasta experimentador de narrativas estéticas que trabalha em Belo Horizonte/MG realizando filmes pessoais-universais de grande sensibilidade poética (assim que meu tempo livre normalizar, vou entrevistá-lo para o Canibuk). Além da produção dos filmes, Dellani é o curador da sessão Cinema de Garagem que acontece sempre no Festival Indie de BH e lançou o livro “Cinema de Garagem” em parceria com Marcelo Ikeda.

Este post-dica é para divulgar os links dos longas de Dellani que agora estão disponíveis para download (para baixar os filmes, clique no título dele).

Netsplit – Queda de Conexão” (2003, 63 min.) de Dellani Lima.

Sobre o Amor em Tempos Difíceis” (2004, 63 min.) de Dellani Lima.

O Céu Está Azul com Nuvens Vermelhas” (2006, 70 min.) de Dellani Lima.

O Sonho Segue sua Boca” (2008, 63 min.) de Dellani Lima. Este, para curiosidade dos leitores do Canibuk, trás minha participação como ator (sou o barbudo gordo apaixonado pela vizinha que fica teorizando sobre filmes).

Sociedade dos Amigos do Crime” (2009, 73 min.) de Dellani Lima.

Cinema de Garagem

Posted in Cinema, Literatura, Vídeo Independente with tags , , , , , , , on maio 15, 2011 by canibuk

“Cinema de Garagem” (170 páginas) de Dellani Lima e Marcelo Ikeda, lançado em 2011, faz um inventário afetivo sobre o jovem cinema brasileiro do século XXI. Mais do que necessário, a iniciativa da dupla traça um perfil das produções independentes nacionais que ganharam força com a popularização das filmadoras digitais que baratearam os custos e tornaram o cinema independente uma realidade. Nos dias de hoje só não faz filme quem não quer. Como os próprios autores escrevem sobre a publicação:

“Cinema de Garagem é um mapeamento da produção independente audiovisual brasileira da última década (2001-2010).

(…)

Esta publicação busca as conexões para compreender esta geração, que apresenta conceitos e uma série de pesquisas, geralmente bastante distintas, que na maioria das vezes se opõem às práticas comerciais do mainstream. O mapeamento não pretende abranger todos os artistas, coletivos, obras ou ações do período, mesmo que aborde diversas manifestações do audiovisual. A intenção é abrir novos caminhos, novas indagações.”

“Cinema de Garagem”, assim como os dois volumes do livro “Cinema de Bordas” (Bernadette Lyra e Gelson Santana, 2006) e o “Manifesto Canibal” (Petter Baiestorf e Coffin Souza, 2004), é um daqueles livros necessários para chamar atenção para produções marginalizadas que não encontram espaço nos meios de exibição oficiais. Como o cinema que produzo (que eu chamo de “Kanibaru Sinema” mas que na prática é a mesma coisa que “cinema de bordas” ou “cinema de garagem”) transita entre essas duas novíssimas “escolas estéticas”, eu queria muito ver os cine-bordeiros dialogando com os cine-garageiros e formando parcerias de exibição/divulgação. Parece uma idéia louca misturar cinema de gênero com cinema autoral mas, na minha opinião, é uma ótima forma de apresentar essas produções independentes para um leque maior de espectadores. A riqueza de todos esses filmes está na diferença que existe entre eles.

No “Cinema de Garagem”, Dellani & Ikeda, perguntam (ainda em 2001): “O que significaria ser independente?” e procuram mostrar essa independência tanto econômica, quanto culturalmente:

“No caso econômico seria um cinema que conseguiria prover os meios para se sustentar mesmo sem a megaestrutura dos estúdios. Isto é, com orçamentos reduzidos, equipes mínimas, produção ágil, e atendendo a um público específico, com um interesse especial em projetos que fujam do protótipo do cinemão.

(…)

O lado mais complexo da questão no entanto é o conceito cultural. Um filme independente , nessecaso, seria um filme que abordasse valores, costumes, hábitos que não são abordados pelo cinemão. Enquanto o cinemão pensa exclusivamente nas leis de mercado, como um puro negócio cujo objetivo principal é a geração de lucros, o cinema independente pode exercitar linguagem, questionar a sociedade, as estruturas do poder propor uma espécie de ensaio audiovisual, ser um cinema político, enfim, não ser primordialmente um produto a ser consumido.”

“Cinema de Garagem” é um livro imperdível para um primeiro contato com o cinema independente autoral brasileiro (assim como os livros do “Cinema de Bordas” o são para um primeiro contato com o cinema independente de gênero brasileiro), escrito por dois autores que fazem do cinema sua vida: Marcelo Ikeda é professor de cinema na Universidade Federal do Ceará e já realizou vários curtas, entre eles, “O Posto” (2005), “É Hoje” (2007), “Eu Te Amo” (2007) e “Carta de um Jovem Suicida” (2008). Já Dellani Lima realiza diversos projetos independentes (inclusive musicais), já tive o privilégio de ser ator no seu longa-metragem “O Sonho Segue Sua Boca” (2008) e posso afirmar que foi uma ótima experiência ser dirigido pelo Dellani.

Diz o Dellani que o livro não está disponível para vendas pelo correio (somente na mão, comprado diretamente com eles, em festivais/mostras de cinema), mas se você ficou interessado escreva para ele e tente comprar um exemplar (depositando valor do livro + valores postais) pelo e-mail: dellanilima@gmail.com

O cinema brasileiro independente precisa de mais livros na linha deste “Cinema de Garagem”!!!!!

Marcelo Ikeda & Dellani Lima