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Blood Sabbath

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 26, 2016 by canibuk

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Blood Sabbath (1972, 86 min.) de Brianne Murphy. Com: Anthony Geary, Dyanne Thorne, Susan Damante, Sam Gilman, Steve Gravers, Kathy Hilton, Jane Tsentas e Uschi Digard.

Um veterano do Vietnã está viajando a pé pelos USA quando sofre um acidente e é encontrado por uma ninfa d’água por quem se apaixona. Alotta (Dyanne Throne), a rainha das bruxas e inimiga da ninfa d’água quer o jovem soldado para ela e, com seu clã de feiticeiras, seduz não só o soldado como, também, um padre e Lonzo, um andarilho da floresta que abrigou o soldado em sua casinha.

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Filmado em apenas 10 dias, “Blood Sabbath” é uma grande diversão que não se leva a sério em momento algum. O roteiro é todo furado, todas as atrizes ficam peladas o tempo todo, o trabalho de câmera é toscão e os diálogos nonsenses foram captados num sistema de som extremamente vagabundo, bem no clima das produções sem grana que produtores exploitations realizavam de qualquer jeito no início dos anos de 1970 para suprir a demanda por lixos cinematográficos em drive-ins e grindhouses.

blood_sabbath2“Blood Sabbath” foi dirigido pela atriz inglesa Brianne Murphy em clima de curtição (o filme parece uma grande brincadeira de amigos). Em 1960 Brianne atuou em “Teenage Zombies” de Jerry Warren e se apaixonou pela produção vagabunda americana (tendo se casado com o ator/produtor/diretor Ralph Brooke que concebeu asneiras como “Bloodlust!” de 1961). Ainda no início da década de 1960 se tornou diretora de fotografia e trabalhou em filmes de Hollywood como “Fatso” (1980) de Anne Bancroft e inúmeras séries de TV. Curiosidade: Brianne foi a primeira diretora de fotografia a trabalhar num grande estúdio de Hollywood (a função é dominada por homens).

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Ainda na equipe técnica de “Blood Sabbath” encontramos Lex Baxter assinando (como Bax) a trilha sonora do filme. Com mais de 100 trilhas nas costas, Baxter já havia trabalhado em filmes como as produções de baixo orçamento “The Bride and the Beast” (1958), de Adrian Weiss, e realizações da A.I.P., muitas dirigidas por Roger Corman, como “House of Usher/O Solar Maldito” (1960); “Tales of Terror/Muralhas do Pavor” (1962) e “The Raven/O Corvo” (1963).

blood-sabbath_frame2No elenco vemos Dyanne Thorne se divertindo horrores no papel da bruxa Alotta. Nascida em 1943 se tornou atriz e surpreendeu no softcore “Sin in the Suburbs” (1964) de Joe Sarno. Sempre adepta das produções de baixo orçamento esteve no pequeno clássico da ruindade “Wham! Bam! Thank You, Spaceman!” (1975), de William A. Levey, e entrou definitivamente para a história do cinema vagabundo ao encarnar a oficial nazista Ilsa em uma série de nazixploitations de Don Edmonds com “Ilsa: The She Wolf of the SS” (1975); “Ilsa, Harem Keeper of the Oil Sheiks” (1976) e “Ilsa the Tigress of Siberia” (1977), desta vez dirigida por Jean LaFleur (sem contar “Greta Haus Ohne Männer/Ilsa – The Wicked Warden” (1977), uma picaretagem do Jesus Franco). Sem nunca ter se livrado da personagem Ilsa, Dyanne Thorne apareceu em “House of Forbidden Secrets” (2013), produção do videomaker Todd Sheets, onde contracenou com Lloyd Kaufman da Troma. Entre as garotas peladas de “Blood Sabbath” encontramos ainda Jane Tsentas (atriz em mais de 40 sexploitations, incluindo deliciosas bobagens como “The Exotic Dreams of Casanova” (1971) de Dwayne Avery e “Terror at Orgy Castle” (1972) do especialista em satanismo retardado Zoltan G. Spencer), Kathy Hilton (atriz em mais de 60 produções, incluindo “Sex Ritual of the Cult” (1970) de Robert Caramico, um filme satânico tão imbecil quanto “Blood Sabbath”; “The Toy Box” (1971) de Ron Garcia e “Invasion of the Bee Girls/Invasão das Mulheres Abelhas” (1973) de Denis Sanders) e, segundo o site IMDB, Uschi Digard (atriz que dispensa apresentações aos fanáticos por filmes bagaceiros), que não consegui identificar na cópia ruim que tenho do inacreditável “Blood Sabbath”.

Por Petter Baiestorf para seu livro “Arrepios Divertidos”.

Assista “Blood Sabbath” aqui:

She Demons Blog

Posted in Fanzines with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 25, 2012 by canibuk

Hoje quero indicar o blog She Demons feito pelo meu parceiro de produções de longa data Coffin Souza (amparado pela ajuda da atriz Gisele Ferran) que está na net desde o carnaval deste ano e tem publicado muito material lindo sobre Scream Queens e femmes fatales de todas as épocas, principalmente garotas autênticas e talentosas que tem muito o que dizer (e mostrar) nas artes obscuras do submundo psychotronic mundial.

She Demons foi, inicialmente, um fanzine editado na metade da década de 1990 pelo ator e maquiador Coffin Souza. Foram cinco edições especiais do zine “Suspiria” (outra publicação de Coffin Souza que marcou época) publicadas entre a primavera de 1995 e o reveillon de 1997. O primeiro número saiu com tiragem de 50 exemplares e a última com 500 exemplares e deixou muita saudades após o cancelamento de sua publicação. Era distribuido no Brasil e objeto de culto para colecionadores especializados em tranqueiras cinematográficas de países como Espanha, Itália, Turquia, Japão, USA, Argentina, Suécia, Bélgica e Portugal.

Sobre essa época Coffin Souza nos deu o seguinte depoimento: “Depois que o zine foi divulgado na Psychotronic, recebi correspondência de todo o mundo, de Scream Queens como Debbie Rochon a diretores como Jim Wynorski, e até uma carta de um presidiário Suiço. Ele fora preso por porte de MUITA droga e cumpria pena de muitos anos, era fanático por filmes de terror vagabundo e dizia que tinha uma grande coleção em casa, ele realmente curtia o zine escrito em português, comentando pelas fotos que identificava. Uma vez ele pediu para publicar uma carta dele pedindo contato por correspondência com meninas brasileiras, publiquei, mas não sei se ele recebeu alguma carta de meninas brasileiras. Um dos últimos fanzines que enviei chegou ao presídio em que ele estava, depois dele já ter sido tranferido para o presídio de outra cidade, mas o sistema presidiário suiço e o correio suiço o acharam e lhe remeteram o fanzine assim mesmo!!!”

Para os leitores do Canibuk uma linda surpresa, Leyla Buk (co-criadora do Canibuk), pintora, escultura, ilustradora, designer e, entre tantas outras coisa, minha amada, foi entrevistada pela Gisele Ferran e fala sobre sua arte. A entrevista está imperdível e fica aqui a dica para que os leitores do Canibuk dêem uma conferida na entrevista clicando aqui (e passem a visitar regularmente o She Demons porque eles estão trazendo muita informação valiosa sobre a subcultura cinematográfica). Leyla também fez uma ilustração exclusiva, intitulada “Demonia – Sadistic Desires”, para o blog. Outras matérias ótimas já publicadas pelo She Demons foram sobre Sasha Grey, Dyanne Thorne, Pam Grier, Pamela Green e artigos sobre Scream Queens, Milo Manara, Tanya’s Island, Urotsukidoji e Demonia.

abaixo as capas do fanzine quando era editado em papel: