Arquivo para edgard navarro

Mostra do Filme Livre 2012

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 3, 2012 by canibuk

Começou no dia primeiro de março a décima primeira edição da Mostra do Filme Livre (sem medo de afirmar, atualmente é a mostra de cinema mais divertida do Brasil). A mostra conta com patrocínio do Banco do Brasil e nesta edição bateu recorde de inscrições com 801 filmes, dos quais 180 filmes foram selecionados para exibição junto de outros 50 títulos convidados, mostrando um panorama do que de mais ousado é produzido pelos cineastas independentes brasileiros (meu filme “O Doce Avanço da Faca” está entre estes filmes convidados). As exibições dos filmes já estão acontecendo no CCBB carioca (Rua Primeiro de Março, 66, centro – fone: 21-3808-2020).

Criada e organizada pelo produtor Guilherme Whitaker, a MFL existe desde 2002 e sempre destaca a exibição de longas, médias e curtas que fujam do lugar comum. Whitaker diz: “A mostra tem por característica exibir filmes atuais, de baixo custo e que em sua grande maioria não tiveram qualquer tipo de apoio estatal”.

Neste ano o grande homenageado da MFL é o cineasta baiano Edgar Navarro, que exibrá toda sua obra e, também, o ainda inédito “O Homem que Não Dormia”. O evento carioca (MFL deste ano acontece também em São Paulo e Brasília) traz também a sessão “Curta Rio” (só com filmes da cidade), “Oficinando” (filmes produzidos nas oficinas da MFL) e a famosa e imperdível sessão “Invisível” (já fui nesta sessão, em outra edição da mostra, e é diversão pura), que é composta de filmes rejeitados pela curadoria da mostra e que passarão pelo julgamento popular (cada pessoa do público recebe um apito e se realmente acha o filme exibido pavoroso pode apitar e gritar a vontade). A maior novidade deste ano será a “Cabine Livre”, onde diversos filmes em looping serão projetados. Outro destaque é que, entre os filmes selecionados, está o fantástico “Leonora” (2011) de minha amiga Eliane Lima que é o último trabalho do genial George Kuchar, que faz parte do elenco do curta e merece ser conferido. “Ivan” (2011) de Fernando Rick, que é um dos melhores curtas nacionais que vi nos últimos anos, também está entre os selecionados.

"Leonora".

Nesta edição da MFL a oficina de vídeo será ministrada por Petter Baiestorf (este seu escriba aqui do Canibuk) e Christian Caselli e tem um sugestivo nome: “Oficina do Fim do Mundo”.

SERVIÇO

11ª Mostra do Filme Livre – MFL 2012

Cinema I – 102 lugares (espaço especial para cadeirantes)

Cinema II – 50 lugares (espaço especial para cadeirantes)

Data – 1º a 22 de março

Entrada franca – Com distribuição de senhas 1h antes de cada sessão

Local – CCBB RJ – Rua Primeiro de Março, 66 – Centro (21) 3808.2020

http://www.bb.com.br/cultura e http://www.twitter.com/ccbb_rj

Mais informações:

http://www.mostradofilmelivre.com/12/

http://www.facebook.com/mostradofilmelivre

O Rei do Cagaço

Posted in Cinema, Entrevista with tags , , , , , , on março 31, 2011 by canibuk

Brazilian Trash Cinema era um fanzine que Coffin Souza e eu fazíamos entre os anos de 2000 e 2001, durou apenas 3 edições (a primeira de Maio de 2000 com 48 páginas, a segunda de Novembro de 2000 com 60 páginas e a terceira de Junho de 2001 com 68 páginas), neste fanzine a gente cobria o cinema marginal, cinema sexploitation (e pornô), cinema de gênero brasileiro, cinema de vanguarda e as produções em vídeo da época, publicamos nele matérias e entrevista com gente como Nilo Machado, Ivan Cardoso, Mojica, Andrea Tonacci, Jairo Ferreira, Diomédio M., Rajá de Aragão e muitos outros caras fodas que faziam uma arte autêntica. Devagar vou disponibilizando aqui no blog algumas coisas publicadas neste fanzine que era um barato fazer! Hoje segue uma entrevista com o Edgard Navarro (que não foi a gente quem fez, simplesmente encontramos ela em algum lugar – que minha memória não permite lembrar que local era – e disponibilizamos para o nosso público tomar contato com as experimentações do Navarro). A mini-entrevista é ilustrada pelas páginas do “Brazilian Trash Cinema” (e não tem relação alguma com a entrevista do Navarro).

EGDAR NAVARRO:

Filmar é desvendar o mistério do ser

Alguém: Você continua achando que pessoas prudentes não fazem revolução?

Navarro: (risos) Felizmente eu não sou uma pessoa prudente!

Alguém: Como tudo começou?

Navarro: Uma das primeiras coisas que filmei foi um cu cagando. Uma coisa esquisita mas que tem haver com minha personalidade transgressora, a vontade de falar palavrões na cara de uma sociedade hipócrita. Afinal todos cagam, peidam e trepam.

Alguém: Fale sobre a filmagem dessa cena, trata-se do filme “O Rei do Cagaço”?

Navarro: A cena do cocô dura um minuto e meio. É uma cena que toca muito. Foi inspirada num livro de Salvador dali. Na verdade esta cena representa o cu da humanidade. Quando filmei esta cena tinha a certeza de que estava vendo aquilo pela primeira vez. Se o Louis Armstrong (nota do blog: Navarro confundiu o jazzista com o astronauta Neil Armstrong) foi o primeiro homem a pisar na lua eu tinha a sensação de ser o primeiro homem a ver um cu cagando daquela proximidade, com aquele close todo. Na hora, confesso que fiquei descabaçado!

Alguém: Como são as reações das pessoas quando assistem esta cena?

Navarro: Eu percebo que os primeiros segundos são de sorrisos e gargalhadas. Mas depois elas passam a ficar incomodadas com isso. Chega o momento que elas passam a se entre-olharem e rirem de nervosas.

Alguém: E você?

Navarro: A imagem mais contundente que fiz era uma merda, teve momento que eu entrei numa viagem de que não poderia mostrar esta cena. Aquilo era uma coisa demoníaca, que poderia ser amaldiçoado, que não podia fazer mais nada. Deveria desistir de tudo? Resolvi continuar!!!

Alguém: Por que você filma?

Navarro: Parafraseando Artaud, eu filmo para acabar de vez com o juízo de Deus. Filmar é desvendar o mistério do ser. Quando começo a escrever um roteiro eu entro numa espécie de transe. Aquilo quer sair de mim e precisa sair de mim. É daquela forma que vou atingir o meu companheiro, meu igual, ser humano. Essa é a única coisa importante que faço na vida além de comer, cagar e ter uma vida orgânica.