Arquivo para el baron del terror

La Mujer Murcielago e a Criatura Anfíbia Humana

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 28, 2011 by canibuk

“La Mujer Murcielago” (1968, 80 min.) de René Cardona. Com: Maura Monti, Roberto Cañedo, Héctor Godoy e Jorge Mondragón.

Cinco atletas aparecem misteriosamente assassinados e um agente especial é chamado para resolver o caso, antes mesmo dele fazer qualquer coisa, já avisa: “A única pessoa que pode resolver isso é a Mujer Murcielago!”. E logo a Mujer Murcielago em pessoa chega em Acapulco para ajudar o agente a resolver o mistério. Seu uniforme é um achado, usa um diminuto bikini com capa, luvas e máscara de morcego (que lembra muito o visual da mulher-gato). Logo ficamos sabendo que o responsável pelas mortes é o Dr. Eric Williams, um cientista louco que tem até um assistente demente chamado… Igor!!! A dupla está matando os atletas para extrair a glândula pineal e assim criar a criatura anfíbia humana (essa dupla rende os momentos mais divertidos com seus exageros canastrões). Durante a investigação os agentes ficam encantados com a beleza da Mujer Murcielago e seus ousados (para a época) decotes. Logo, sem ajuda de ninguém, ela entra escondida no iate do Dr. Williams e fica sabendo dos planos dele. Seguindo a lógica do cinema mexicano a Mujer Murcielago escapa do iate e vai treinar luta livre ao invés de resolver o problema e assim passa a ser perseguida pelos capangas do Dr. (que passam a usar aquelas máscaras de ladrões de quadrinhos) que são incumbidos de descobrir a identidade dela para aí, somente então, matá-la (não seria mais fácil só matar ela?). Paralelo a essa confusão toda, Dr. Eric Williams e Igor conseguem criar a criatura anfíbia humana (um monstro aquático vermelho inspirado no Monstro da Lagoa Negra) que é controlado por um zumbido e enviado para capturar a Mujer Murcielago que serviria perfeitamente para ser a fêmea da criatura (diante do sucesso de sua criação, Dr. Williams começa a delirar sobre a criação de um exército destas criaturas para dominar todos os Oceanos e dominar o mundo, HAUAHAUAAHAU – risadas de dominar o mundo!). Com o primeiro ataque da criatura falhando, o Dr. manda um de seus assistentes colocar um transmissor na capa da Mujer Murcielago e a criatura anfíbia humana é enviada outra vez para raptá-la durante a noite, o que rende uma das mais legais lutas do filme, com a Mujer Murcielago derrotando a criatura vestindo uma camisola transparente curtinha, ficando com um visual extremamente sexy. Com mais essa falhada magistral da criatura (que aparentemente não serve prá nada), Dr. Eric Williams muda de estratégia e resolve raptar o agente e o capitão da polícia para que a Mujer Murcielago venha ao sei iate resgatá-los (numa interessante inversão do clichê “mocinho salva mocinha”). No finalzinho do filme há uma piada com a coragem da Mujer Murcielago: depois de enfrentar cientistas loucos, capangas malvados, monstros vermelhos e resolver tudo no braço, ela fica histérica ao ver um rato na sua casa e salta nos braços do agente que salvou horas antes. Hilário!!!

Assim como num filme do lutador mascarado Santo, a Mujer Murcielago faz tudo usando máscara (apenas o agente sabe sua identidade). Essa sexy heroína ganhou vida sendo interpretada pela gostosa atriz Maura Monti, uma italiana que se mudou para a Venezuela aos 5 anos de idade e se tornou modelo. Das passarelas para o cinema foi rápido e estrelou vários filmes ótimos como “El Planeta de las Mujeres Invasoras” (1966) de Alfredo B. Crevenna, “La Muerte en Bikini” (1967) de Arturo Martínez, “Santo contra la Invasión de los Marcianos” (1967) também de Crevenna, “S.O.S. Conspiracion Bikini” (1967) de René Cardona Jr., “Muñecas Peligrosas” (1967) de Rafael Baledón, “Las Vampiras” (1969) de Federico Curiel e o clássico “The Incredible Invasion” (também conhecido como “Alien Terror” e que se chamou “Invasão Sinistra” aqui no Brasil, 1971) de José Luis González de León (com as cenas americanas dirigidas por Jack Hill e as mexicanas por Juan Ibáñez), filme vagabundérrimo que se destaca por ter Boris Karloff em fim de carreira no elenco. Nos anos da década de 1970 Maura Monti desiste do cinema (por causa das cenas de nudez) e passa a interpretar em produções da TV mexicana.

A espetacular trilha sonora de “La Mujer Murcielago” foi interpretada por Leo Acosta y su Conjunto de Jazz, o que deixou o filme com um ritmo alucinante. René Cardona, o diretor, é também ator no clássico “El Baron del Terror” (1962) de Chano Urueta, pai do diretor René Cardona Jr. e dirigiu 145 longa-metragens, se tornando uma referência do cinema popular mexicano. Já o produtor de “La Mujer Murcielago” é Guillermo Calderón que foi o responsável por inúmeros filmes de lutadores mascarados e outras temáticas exploitation/populares, como produções explorando rock’n’roll, westerns, filmes de horror, dramas adolescentes e romances bregas envolventes. Vários filmes de René Cardona, como “Santa Claus” (1959), “Las Luchadoras contra la Momia” (1964) e “La Horripilante Bestia Humana” (1969), foram produzidas por Calderón. E o roteirista Alfredo Salazar é irmão do ator, produtor e diretor Abel Salazar (“El Baron del Terror”), dirigiu 10 longas (entre eles “Bikinis y Rock” de 1972 e “Herencia Diabólica” de 1994) e roteirizou outros 63 filmes. O make-up do filme é de Margarita Ortega e o monstro (não dou certeza porque não consegui confirmar a informação) parece que foi elaborado por Alfonso Bárcenas.

“La Mujer Murcielago” é uma mistura de Santo e 007 com muita ação, cenários kitsch com cores berrantes (na melhor tradição festiva mexicana), história absurda cheia de furos que dão o charme classe Z necessário para tornar essa produção uma peça rara do incrivelmente colorido cinema psychotrônico made in México.

por Petter Baiestorf.

El Baron del Terror e a Arte de Comer Cérebros Humanos

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , on dezembro 22, 2011 by canibuk

“El Baron del Terror” (“Brainiac”, 1962, 77 min.) de Chano Urueta. Com: Abel Salazar, Ariadna Welter, David Silva, Luis Aragón e René Cardona.

No ano de 1661 a Santa Igreja Católica, representada por um bando de inquisidores escrotos, condena a barão Vitelius de Astara (interpretado por Abel Salazar, também produtor do filme) à fogueira. Antes de morrer o barão jura vingança contra os descendentes de seus assassinos enquanto observa a passagem de um comenta nos céus do planeta Terra (que nada mais é do que um cometa desenhado numa folha, levemente desfocado, sendo mexido aos poucos). 300 anos depois este mesmo cometa pintado numa folha passa pela Terra novamente trazendo de volta o vingativo barão (o cometa caindo/pousando na Terra, com o fio de nylon que o segura a mostra, só não é mais ridículo do que a aparição do monstro que o barão se tornou – uma grotesca máscara de borracha pulsante, com uma colossal língua de lagarto usada para sugar o cérebro de suas vítimas e uma roupa em frangalhos com pelos colados em algumas partes dela), que logo trata de achar os descendentes de seus inimigos para sugar os cérebros de todos numa orgia de gosmas.

Após uma festa, onde o barão reencontra todas suas vítimas, as mortes começam a surgir em ritmo alucinante, obrigando uma dupla de investigadores (que psicologicamente lembram o Tor Johnson no “Plan 9 from Outer Space”, ou seja, verdadeiros inúteis) a trocar os mais estúpidos diálogos investigativos.

Filmado em estúdio, em duas semanas de trabalhos, “El Baron del Terror” tem os cenários mais falsos (e por isso mesmo divertidos) que já vi, um verdadeiro colírio camp aos olhos. E as mortes são todas bem engraçadas graças as caretas do inspiradíssimo elenco canastrão. Impossível não rolar de rir com a morte de uma das vítimas que, dominado telepateticamente pelo barão, é obrigado a abrir uma caldeira e se deixar consumir pela chamas do fogo. Aliás, cada vez que o barão se transforma no monstrengo (para matar as vítimas ele sempre se transforma), é um espetáculo único da completa falta de noção dos produtores (ainda bem) e com o andar do filme novas surpresas macabras vão sendo reveladas, como o baú do barão que em seu interior há um cálice gigante de cérebros humanos d’onde nosso vilão se serve de colherzinha. Aqui vou contar o final do filme, se você não quer saber, pule para o próximo parágrafo: No final temos a dupla de investigadores palermas que, como dois inquisidores modernos, aparecem portando lança-chamas e cozinham o barão pela segunda vez.

Chano Urueta (1904-1979) já era um veterano da indústria de cinema mexicano (seu primeiro filme, “The Fate”, é de 1928, ao todo ele dirigiu 117 filmes) quando dirigiu este clássico da vagabundagem para o produtor Abel Salazar, que foi o responsável por outros filmaços como “El Ataud del Vampiro” (1957), “El Hombre y El Monstruo” (1958), “El Mundo de los Vampiros” (1960), entre vários outros. O diretor e produtor René Cardona faz uma participação como as personagens Baltasar de Meneses/Luis Meneses e era outra lenda do cinema mexicano envolvida em “El Baron del Terror”. Cardona, além de ter dirigido diversos filmes com o lutador mascarado Santo, foi o responsável por mais de 145 títulos, coisas como “The Living Idol” (1957), “El Jinete Justiciero en Retando a la Muerte” (1966), “La Mujer Murciélago” (1968), “Entre Monjas Anda el Diablo” (1973) e muitos outros.

Salazar nos cenários pintados de "El Baron del Terror".

“El Baron del Terror” é um filme mexicano único (assim como em “La Nave de los Monstruos“, aqui todas as cenas tem importância, mesmo que absurdas, para a trama e o ritmo do filme é alucinante, com uma idéia exagerada atropelando outras duas), não há como imaginar que a dupla Urueta-Salazar tenha concebido “El Baron del Terror” como um filme sério cujo objetivo seria assustar os espectadores. É um filme para ser assistido em turma e para se encantar com sua cara de pau.

Veja aqui o filme completo: