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A Dama Sinistra

Posted in Quadrinhos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 7, 2012 by canibuk

“A Dama Sinistra” é uma HQ do desenhista/roteirista Mano, originalmente publicada na revista “Pesadelo” número 3 (novembro de 1980) pela editora Vecchi. Elmano Silva Santos é o verdadeiro nome deste versátil artista que durante as décadas de 1970 e 1980 publicou na “Spektro”, “Sobrenatural”, “Calafrio”, “Mestres do Terror”, “Coleção Assombração” e várias outras revistas, tendo criado interessantes séries/personagens que envolviam o folclore brasileiro, como “Boiúna”, “O Homem do Patuá”, “Sinhá Preta”, “A Botija Sinistra”, entre outras. Nascido em Recife/PE, Mano vive atualmente no Rio de Janeiro e continua produzindo quadrinhos (embora hoje o mercado editorial de quadrinhos no Brasil se encontre estagnado). Para ler mais uma história de Mano, clique em “O Papa-Figo“.

Zsa Zsa: A Pequena Orfã que fez Justiça com os Próprios Peitos

Posted in Musas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 5, 2012 by canibuk

“Eu não era uma garota estúpida com um peito grande!”, diz Lillian Stello, uma simpática senhora com peitos enormes que nos anos de 1960/1970 causou furor nas casas noturnas americanas como dançarina exótica que atendia pelo nome de Zsa Zsa, posteriormente, seguindo a sugestão de um proprietário destas casas de espetáculos burlescos, modificado para Chesty Morgan.

Chesty Morgan nasceu em 1937 na Polônia e ainda muito pequena tem sua vida modificada para sempre quando as tropas nazistas invadem a Varsóvia e seus pais perdem sua loja, sendo obrigados à viver no gueto da cidade. Logo perde sua mãe, que foi enviada a um campo de concentração, e também seu pai, morto pouco depois à tiros numa revolta que aconteceu no gueto. A pequena orfã, assim que acaba a guerra, é enviada para Israel onde passa a viver em orfanatos. Ao completar 20 anos conhece um americano e, cinco dias depois já casados, partem para os Estados Unidos. Como em um dramalhão cinematográfico, em 1965 o bondoso marido de Chesty é assassinado por ladrões dentro de seu açougue. Com pouco dinheiro, dívidas, falando um inglês carregado de sotaque polonês, ela não sabe como ganhar a vida naquela terra tão estranha. Por ser bonita, vários homens fazem propostas de casamento, mas Chesty resolve tentar a sorte como dançarina exótica numa esfumaçada boate de terceira categoria.

Seus peitos naturais que, segundo a edição de 1988 do “Guinness Movie Facts and Feats”, são os maiores já registrados numa atriz de cinema, garantem casas noturnas lotadas de homens excitados com a possibilidade de verem ela dançar e se desnudar. Logo a diretora de sexploitations Doris Wishman se interessa pela dançarina e a contrata para estrelar dois filmes, os hoje cults “Double Agent 73” e “Deadly Weapons”. No primeiro Chesty é uma agente secreta chamada Jane Genet que se infiltra numa organização criminosa e, com uma câmera fotográfica implantada em seus peitos gigantes, levanta provas para prender os criminosos. Já em “Deadly Weapons”, que conta com o ator pornô Harry Reems no elenco, Chesty interpreta Crystal, uma mulher que se vinga de mafiosos que surraram seu namorado se utilizando de seus enormes atributos mamários para fazer justiça com os próprios peitos. Seguindo a tradição das produções de Wishman, estes dois filmes são produções de orçamento irrisório e técnica amadora, mas extremamente divertidos.

Quando Federico Fellini estava em New York promovendo seu clássico “Amarcord” viu um show de Chesty e a convida para uma pequena participação em “Fellini’s Casanova” (1976), seu novo filme, infelizmente as cenas com Chesty acabaram não sendo incluídas na edição final, privando o mundo da visão dos famosos seios da dançarina exótica que enchia casas noturnas na América. No IMDB há menção de um quarto filme na filmografia de Zsa Zsa, “Dai Dai Feng Liu Dai Dai Chun, Di San Zhi Shou” (1981) de Mu Chu e Yao Hua Wen, mas é um filme que não vi e não tenho maiores informações, então não posso opinar.

No final dos anos 70 se casou novamente, desta vez com Richard Stello (de quem herdou o sobrenome que usa até hoje em seus documentos oficiais), um árbitro da liga profissional de beisebol. O casamento dura pouco com a separação acontecendo em 1979. Os dois continuaram bons amigos até 1987, ano em que Richard foi atropelado por um carro. John Waters, o papa do kitsch, escreveu um papel especialmente pensado para Chesty Morgan em seu “Flamingos Forever”, filme nunca realizado. Anos depois ele a homenageou em seu filme “Serial Mom/Mamãe é de Morte” (1994, lançado em DVD no Brasil pela Spectra Nova).

Hoje em dia ela vive numa casa em Tampa Bay e está aposentada do showbizz, mas suas formas estão imortalizadas no “Burlesque Hall of Fame”, na Califórnia, ao lado de outras mulheres incríveis como Mae West e Bettie Page.

Lifeforce: Vampiras Peladas e seus Zumbis Elétricos

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 13, 2012 by canibuk

“Lifeforce” (Força Sinistra, 1985, 116 min.) de Tobe Hooper. Com: Mathilda May, Steve Railsback, Peter Firth e Frank Finlay.

Primeiro dois fatos introdutórios: Em 1986 eu tinha 12 anos e na época éramos bombardeados pela imprensa sobre a aparição do cometa Halley que iria acontecer em breve, minha geração (na época tudo pré-adolescente) ficou empolgada e ansiosa pela expectativa do aparecimento do cometa que “visita” nossa órbita a cada 76 anos. Lembro que naquele ano o objeto de desejo de todo pré-adolescente era uma luneta. Pulo para 1989 (ou 1990, não lembro mais as datas) quando a rede Globo exibiu “Força Sinistra” em sua programação, meninos que em 1985/1986 tinham 11/12 anos, agora estavam com seus 15/16 anos, já colecionavam filmes de horror e sci-fi em suas memórias (os videocassetes ainda não eram tão populares), os mistérios do cometa Halley ainda estavam frescos em suas cabeças e toda essa geração se surpreendeu com a mistura gore, horror, sci-fi e erotismo que a dupla O’Bannon-Hooper havia levado às telas com “Lifeforce”.

A história do filme é um primor: Após investigar o cometa Halley, os tripulantes do ônibus espacial Churchill encontram uma espaçonave alienígena escondida na corona do cometa e dentro da nave três criaturas humanóides nuas em animação suspensa (entre elas Mathilda May, então no auge de sua beleza), que são levadas à bordo do ônibus espacial. Na viagem de regresso o controle da missão perde contato e uma missão de resgate é enviada, encontrando o ônibus espacial completamente destruido, com excessão dos três aliens. Já no Planeta Terra, cientistas e militares se preparam para estudar os corpos dos aliens quando descobrem que eles estão vivos e se alimentam de energia vital dos seres humanos. Logo a vampira gostosa está andando livre (e nua, para nossa felicidade) por Londres e, para desespero de todos, os cientistas descobrem que as vítimas dela, depois de duas horas, voltam como vampiros zumbis, eslhando pelas ruas de Londres caos e destruição, em magníficas seqüências envolvendo muito gore e violência.

“Lifeforce” foi o primeiro de três filmes que Hooper realizou para a Cannon Group (dos picaretas Menahem Golan e Yoram Globus), os outros dois foram “Invaders from Mars”, refilmagem do filme homônimo de William Cameron Menzies, de 1953) e “The Texas Chainsaw Massacre 2” (1986). O roteiro de “Lifeforce” toma como base o livro “The Space Vampires” (1976) de Colin Wilson e teve o orçamento de 25 milhões de dólares (uma quantia muito alta para os anos 80), se transformando num mega-fracasso de bilheteria. Várias cenas previstas para serem filmadas acabaram sendo suspensas porque o estúdio ficou sem dinheiro durante a produção. Mesmo assim Hooper tentou, em vão, lançar uma versão de 128 minutos (que acabou sendo podada para essa versão de 116 minutos que tanto adoramos). Antes de Hooper entrar no projeto, o filme tinha sido oferecido à Michael Winner (diretor do clássico “Death Wish/Desejo de Matar”). Um dos roteiristas do filme é Dan O’Bannon, responsável pela direção do clássico “The Return of the Living Dead/A Volta dos Mortos-Vivos” (1985) e por ter escrito grandes clássicos da sci-fi, como “Dark Star” (1974) de John Carpenter, “Alien” (1979) de Ridley Scott e “Total Recall/O Vingador do Futuro” (1990) de Paul Verhoeven.

Tobe Hooper ficou mundialmente conhecido em 1974 quando lançou o cult “The Texas Chainsaw Massacre/O Massacre da Serra-Elétrica”. Nascido em 1943 na cidade de Austin, Texas, começou a chamar atenção já com seus curtas “The Heisters” (1965) e “Eggshells” (1969). Quando juntou 60 mil dólares com amigos e colegas de faculdade para filmar “The Texas Chainsaw Massacre”, já havia trabalhado em mais de 60 documentários. Com o sucesso deste pequeno filme de horror, Hooper acabou conseguindo realizar “Eaten Alive” (1977), seu primeiro filme com aval finaceiro de Hollywood. Em 1981 dirigiu outro clássico do gênero horror, “Funhouse/Pague para Entrar, Reze para Sair”, filme bastante elogiado que o aproximou de Steven Spielberg que lhe ofereceu um roteiro de invasão alienígena chamado “Night Skies”, sobre uma família sendo atacada por aliens. Hooper recusou e “Night Skies” acabou virando “ET – The Extra-Terrestre” (1982). Juntos a dupla Hooper-Spielberg realizou “Poltergeist”, um dos mais xaropes filmes de Tobe, na minha opinião. Depois dos filmes que dirigiu para a Cannon Group, Hooper nunca mais realizou nenhum filme relevante (apesar de continuar na ativa dirigindo filmes medíocres).

Em 1979 a Cannon Group foi comprada pelos primos israelenses Menahem Golan e Yoram Globus e ganharam muito dinheiro nos anos de 1980 produzindo clássicos de ação estrelados por Chuck Norris (“The Delta Force”, “Invasion USA”, entre muitos outros) e as seqüências de “Death Wish” (estreladas por Charles Bronson em grande forma). Golam-Globus, como eram conhecidos, produziam todo tipo de filmes, de “Barfly” (inspirado em Bukowski) até “The Last American Virgin/O Último Americano Virgem”, passando por filmes de horror, sci-fi, romances, musicais, policiais e qualquer outro gênero que lhes parecesse lucrativo, chegando a produzirem 43 filmes em 1986. Claro que uma produção tão intensa assim teve inúmeros fracassos comerciais e, em 1988, a francesa Pathé Communications tomou controle da Cannon Group, depois do fracasso “Superman IV: The Quest for Peace”.

“Lifeforce” foi lançado em DVD no Brasil, sem extras, pela MGM DVD logo no começo do mercado de DVD’s brasileiros. É imperdível!

por Petter Baiestorf.

O Professor Filósofo – Marquês de Sade

Posted in Arte Erótica, erótico, Literatura with tags , , , , , , , , on agosto 23, 2011 by canibuk

De todas as ciências que se inculca na cabeça de uma criança quando se trabalha em sua educação, os mistérios do cristianismo, ainda que uma das mais sublimes matérias dessa educação, sem dúvida não são, entretanto, aquelas que se introjetam com mais facilidade no seu jovem espírito. Persuadir, por exemplo, um jovem de catorze ou quinze anos de que Deus pai e Deus filho são apenas um, de que o filho é consubstancial com respeito ao pai e que o pai o é com respeito ao filho, etc, tudo isso, por mais necessário à felicidade da vida, é, contudo, mais difícil de fazer entender do que a álgebra, e quando queremos obter êxito, somos obrigados a empregar certos procedimentos físicos, certas explicações concretas que, por mais que desproporcionais, facultam, todavia, a um jovem, compreensão do objeto misterioso.

Ninguém estava mais profundamente afeito a esse método do que o abade Du Parquet, preceptor do jovem conde de Nerceuil, de mais ou menos quinze anos e com o mais belo rosto que é possível ver.

– Senhor abade, – dizia diariamente o pequeno conde a seu professor – na verdade, a consubstanciação é algo que está além das minhas forças; é-me absolutamente impossível compreender que duas pessoas possam formar uma só: explicai-me esse mistério, rogo-vos, ou pelo menos colocai-o a meu alcance.

O honesto abade, orgulhoso de obter êxito em sua educação, contente de poder proporcionar ao aluno tudo o que poderia fazer dele, um dia, uma pessoa de bem, imaginou um meio bastante agradável de dirimir as dificuldades que embaraçavam o conde, e esse meio, tomado à natureza, devia necessariamente surtir efeito. Mandou que buscassem em sua casa uma jovem de treze a catorze anos, e, tendo instruído bem a mimosa, fez com que se unisse a seu jovem aluno.

– Pois bem, – disse-lhe o abade – agora, meu amigo, concebas o mistério da consubstanciação: compreendes com menos dificuldade que é possível que duas pessoas constituam uma só?

– Oh! meu Deus, sim, senhor abade, – diz o encantador energúmeno – agora compreendo tudo com uma facilidade surpreendente; não me admira esse mistério constituir, segundo se diz, toda a alegria das pessoas celestiais, pois é bem agradável quando se é dois a divertir-se em fazer um só.

Dias depois, o pequeno conde pediu ao professor que lhe desse outra aula, porque, conforme afirmava, algo havia ainda “no mistério” que ele não compreendia muito bem, e que só poderia ser explicado celebrando-o uma vez mais, assim como já o fizera. O complacente abade, a quem tal cena diverte tanto quanto a seu aluno, manda trazer de volta a jovem, e a lição recomeça, mas desta vez, o abade particularmente emocionado com a deliciosa visão que lhe apresentava o belo pequeno de Nerceuil consubstanciando-se com sua companheira, não pôde evitar colocar-se como o terceiro na explicação da parábola evangélica, e as belezas por que suas mãos haviam de deslizar para tanto acabaram inflamando-o totalmente.

– Parece-me que vai demasiado rápido, – diz Du Parquet, agarrando os quadris do pequeno conde muita elasticidade nos movimentos, de onde resulta que a conjunção, não sendo mais tão íntima, apresenta bem menos a imagem do mistério que se procura aqui demonstrar… Se fixássemos, sim… dessa maneira, diz o velhaco, devolvendo a seu aluno o que este empresta à jovem.

– Ah! Oh! meu Deus, o senhor me faz mal – diz o jovem – mas essa cerimônia parece-me inútil; o que ela me acrescenta com relação ao mistério?

– Por Deus! – diz o abade, balbuciando de prazer – não vês, caro amigo, que te ensino tudo ao mesmo tempo? É a trindade, meu filho… É a trindade que hoje te explico; mais cinco ou seis lições iguais a esta e serás doutor na Sorbornne.

Donatien Alphonse François de Sade, o  Marquês de Sade,  foi um aristocrata francês e escritor libertino. Muitas das suas obras foram escritas enquanto estava na Prisão da Bastilha, encarcerado diversas vezes, inclusive por Napoleão Bonaparte. De seu nome surge o termo médio sadismo, que define a perversão sexual de ter prazer na dor física ou moral do parceiro ou parceiros. Foi perseguido tanto pela monarquia (Antigo Regime) como pelos revolucionários vitoriosos de 1789 e depois por Napoleão.Sade era adepto do ateísmo e era caracterizado por fazer apologia ao crime (já que enfrentar a religião na época era um crime) e a afrontas à religião dominante, sendo, por isso, um dos principais autores libertinos – na concepção moderna do termo. Em suas obras, Sade, como livre pensador, usava-se do grotesco para tecer suas críticas morais à sociedade urbana. Evidenciava, ao contrário de várias obras acerca da moralidade – como por exemplo o “Princípios da Moral e Legislação” de Jeremy Betham – uma moralidade baseada em princípios contrários ao que os “bons costumes” da época aceitavam; moralidade essa que mostrava homens que sentiam prazer na dor dos demais e outras cenas, por vezes bizarras, que não estavam distantes da realidade. Em seu romance 12o Dias de Sodoma, por exemplo, nobres devassos abusam de crianças raptadas encerrados num castelo de luxo, num clima de crescente violência, com coprofagia, mutilações e assassinatos – verdadeiro mergulho nos infernos.

Tanto o surrealismo como a psicanalise encamparam a visão da crueldade egoísta que a obra de Sade expõe despudoradamente. Um exemplo de influência do Marquês de Sade na arte do século 20 é o cineasta espanhol Luis Buñuel, que em vários filmes faz referências explícitas a Sade: em A Idade do Ouro, por exemplo, retrata a saída de Cristo e dos libertinos do castelo das orgias de “Os 120 Dias de Sodoma“. O sadismo também está explícito nas imagens mais surrealistas produzidas por Buñuel, como a navalha cegando o olho da mulher em “O Cão Andaluz“. Também há fortes referências sadianas em “A Bela da Tarde” e em “Via Láctea”, no qual aparece uma Cena em que Sade converte uma indefesa menina ao ateísmo. A influência de Sade pode ser notada também em autores como o dramaturgo francês Jean Gente, homossexual, ladrão e presidiário, que retoma muitos dos temas do marquês, também desenvolvidos em ambientes carcerários franceses. (Fonte: Wikipédia)