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Assassinas Voadoras Promovem Carnificina no Festival do Peixe Frito

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 31, 2012 by canibuk

“Piranha 2 – The Spawning” (“Piranhas 2 – Assassinas Voadoras”, 1981, 84 min.) de James Cameron. Produção de Ovidio G. Assonitis. Com: Tricia O’Neil, Lance Henriksen e Steve Marachuk.

No calor da noite jamaicana  um casal de turistas mergulha no local onde há os destroços de um navio afundado para ter um pouquinho de sexo nas profundezas do mar azul. Peitinhos a mostra, sunga rasgada e os corpos do casal de amantes assanhados são devorados por piranhas famintas!… Hum, espere aí, piranhas em água salgada?… Sim, este é o brilhante ponto de partida do genial (e muito tosco) roteiro do produtor Ovidio Assonitis (com alguns pitacos do diretor James Cameron em seu único trabalho que admiro). Aqui somos apresentados ao Clube Elysium, uma espécie de hotel cheio dos mais variados tipos humanos que somente o cinema italiano tem a capacidade de criar. Entre uma e outra cena idiota, somos apresentados à Anne Kimbrough (Tricia O’Neil), instrutora de mergulho que trabalha ali com seu filho tapado, caçadoras de homens ricos, velhas ninfomaníacas, pescadores que usam dinamite, ricaços egocentricos, o xerife boa pinta, dentistas otários e, lógico, como não poderia faltar, o dono de hotel ganancioso que, a todo custo, quer fazer um festival do peixe frito na praia.

Em uma de suas aulas de mergulho Anne leva seus alunos até os destroços do navio onde as piranhas vivem. Um dos alunos entra no navio e é comido pelas piranhas. Assim o xerife, que se revela marido de Anne, começa as investigações. Anne, auxiliado por um aluno que quer comer ela, invade o necrotério para analizar o corpo podre do aluno morto. Enquanto estão fotografando o cadáver uma enfermeira descobre a farra e os expulsa. Ao arrumar o corpo do morto a enfermeira tem a surpresa que todos estão esperando, ou seja, uma piranha voadora sai de dentro do corpo e voa até sua jugular estraçalhando-a (as piranhas são de borracha, quando atacam os próprios atores precisam segurá-las e simular que estão vivas e violentas, rendendo momentos impagáveis de humor involuntário). Já em sua casa, Anne e seu aluno estão vendo as fotos do cadáver quando, como seria normal num caso assim, pinta um clima de tesão e eles se beijam e vão prá cama para uma foda revigorante. Deste ponto em diante o filme fica cada vez mais divertido, com as piranhas voadoras saindo da água como um cardume/bando sedento por carne humana. Logo Anne está implorando para o dono do Clube Elysium cancelar todas as atividades na água, mas ele não aceita isso (Assonitis e Cameron perdem aqui uma ótima oportunidade de esculhambar este clichê, já que como as piranhas voam e respiram fora da água, se todas todas as atividades da água fossem canceladas, ainda teríamos os deliciosos ataques).

Quando o aluno de Anne se revela um bioquímico, ficamos sabendo que ele sabia que no navio afundado havia ovos de piranhas modificadas geneticamente para serem utilizadas como armas pelos militares americanos. Como o festival do peixe frito não foi cancelado, todos os hóspedes que esperavam comer um peixinho frito de graça viram a refeição principal das piranhas que promovem uma carnificina gore repleta de feridas pustulentas, sangue grosso e membros amputados. A última esperança de todos é Anne mergulhar até o navio, ninho das piranhas, e explodir tudo com bananas de dinamite, promovendo assim um dos finais mais toscos que o cinema trash já filmou.

Com uma equipe-técnica completamente italiana (onde ninguém falava inglês), James Cameron deve ter se sentido um peixe fora d’água nesta produção do picareta Assonitis. “Piranha 2” era para ter sido dirigido por Miller Drake (assistente de direção no clássico “Alligator” de Lewis Teague, filmado um ano antes) que havia trabalhado com Roger Corman e Joe Dante no primeiro “Piranha” (1978) que traria de volta as personagens de Kevin McCarthy (que reapareceria todo cheio de cicatrizes porque foi vítima das piranhas no primeiro filme) e de Barbara Steele. James Cameron havia sido contratado para fazer os efeitos especiais do filme e, quando Drake foi despedido da produção, Cameron pode realizar seu sonho de dirigir um filme, mas, para azar do americano, Assonitis resolveu acompanhar as filmagens de perto e discutia quase sobre tudo com Cameron (nada pior para um produtor do que ter um diretor que não faz o que lhe é ordenado) e assim proibiu Cameron de ver as filmagens do dia e, depois, não o deixou acompanhar a edição do filme. Aliás, James Cameron se refere ao “The Terminator/O Exterminador do Futuro” (1984) como seu primeiro filme (há um curta-metragem de Cameron de 1978, intitulado “Xenogenesis” que merece ser redescoberto).

Ovidio G. Assonitis (1943) nasceu no Egito e é produtor de cinema independente. Nos anos de 1960 se tornou distribuidor de filmes no sudoeste da Ásia (em apenas 10 anos como distribuidor colocou no mercado mais de 900 filmes). Entre 1970 e 2000 produziu cerca de 50 filmes, muitos deles coproduções com produtoras como American International Pictures, Nippon Herald Films Inc. e Toho-Towa, geralmente com lucros absurdos como “Chi Sei?/Beyond the Door/Espírito Maligno” (1974), filme de baixo orçamento dirigido por ele mesmo, que teve arrecadação mundial de mais de 40 milhões de dólares. Com o pseudônimo de Oliver Hellman, além de “Chi Sei?”, dirigiu ainda “Tentacoli” (1977), trasheira estrelada por John Huston, sobre polvos assassinos; “There Was a Little Girl/Madhouse” (1981), sobre uma professora de surdos atormentada por sua irmã gêmea e a comédia “Desperate Moves” (1981). Como produtor trabalhou com os mais variados tipos de diretores italianos possíveis, realizando belíssimos filmes de baixo orçamento como “Nel Labirinto del Sesso” (1969) de Alfonso Brescia; “Il Paese del Sesso Selvaggio/The Man from the Deep River” (1972) de Umberto lenzi, um dos primeiros filmes do ciclo de filmes de canibais italianos; “Dedicato a una Stella” (1976) de Luigi Cozzi, um drama romantico; “Stridulum/Herdeiros da Morte” (1979) de Giulio Paradisi, sci-fi de horror sobre o bem e o mal em luta secular; “Iron Warrior/O Guerreiro de Aço” (1987) também de Alfonso Brescia; “Curse 2 – The Bite” (1989) de Frederico Prosperi, sobre um mané que é mordido por uma cobra radioativa e o resto pode ser imaginado; “Lambada” (1991) de Fábio Barreto, trasheira musical que tentava lucrar com a moda da lambada; “American Ninja 5” (1993) de Bobby Gene Leonard, com Pat Morita no elenco; entre vários outros exemplos de como ser um exploitation man do cinema.

Giannetto De Rossi (1942), responsável pelos ótimos momentos gores de “Piranha 2”, começou como maquiador em filmes como “Le Ore Dell”Amore” (1963) de Luciano Salce, comédia romântica estrelada por Ugo Tognazzi e Barbara Steele, “C’era una Volta il West/Era uma vez no Oeste” (1969) de Sergio Leone e “Quando le Donne Avevano la Coda/Quando as Mulheres Tinham Rabo” (1971) de Pasquale Festa Companile, comédia incorreta com Senta Berger. Em 1972 trabalhou na comédia “All’Onorevole Piacciono le Donne…/O Deputado Erótico”, dirigido por Lucio Fulci, trampo que colocou os dois em contato. Logo em seguida De Rossi trabalhou com Jorge Grau no clássico “Non si Deve Profanare il Sono dei Morti/Let Sleeping Corpse Lie/Zumbi 3”, onde criou efeitos de maquiagens gores convincentes. Mas foi com Lucio Fulci que extrapolou todos os limites do bom gosto ao elaborar os efeitos ultra gores de filmes como “Zumbi 2” (1979); “… E Tu Vivrai nel Terrore! L’Aldilà/Terror nas Trevas” (1981) e “Quella Villa Accanto al Cimitero/The House by the Cemetery/A Casa dos Mortos-Vivos” (1981). Sempre metido nas produções mais divertidas, De Rossi trabalhou em inúmeros filmes que marcaram época, como “L’Umanoide/O Humanóide” (1979), sci-fi cara de pau de Aldo lado; “Conan The Destroyer/Conan, O Destruidor” (1984) de Richard Fleischer, fantasia com Schwarzenegger; “Rambo III” (1988) de Peter McDonald, ação com Stallone; “Killer Crocodille” (1989), horror sobre um crocodilo gigante de Fabrizio de Angelis; entre vários outros. Giannetto De Rossi também foi responsável pela criação dos efeitos realistas do “snuff movie” que é projetado em “Emanuelle in America” (1977) de Joe D’Amato, estrelado por Laura Gemser. Giannetto ainda dirigiu três longas: “Cyborg, il Guerriero D’Acciaio” (1989), sci-fi de ação; “Killer Crocodille II” (1990), continuação sangrenta das aventuras do crocodilo gigante; e o filme em vídeo “Tummy” (1995), sobre um garoto que foge do orfanato com duas criaturas mágicas.

“Piranha 2 – Assassinas Voadoras” foi lançado em DVD no Brasil pela Columbia Tri Star Home Video e é ótimo para ver que todos os gigantes da indústria cinematográfica mundial começam pequenos.

por Petter Baiestorf.

Island of Terror

Posted in Cinema, Entrevista with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 4, 2012 by canibuk

“Island of Terror” (1966, 89 min.) de Terence Fisher. Com: Peter Cushing, Edward Judd e Carole Gray.

Numa ilha isolada desaparece um fazendeiro, sua esposa chama a polícia e as buscas revelam que ele foi morto numa caverna e está sem um único osso em seu corpo. Diante de tal mistério, o médico da ilha vai atrás de um especialista em doenças ósseas para lhe ajudar a elucidar o problema. Os médicos sabem que nesta mesma ilha um grupo de oncologia está pesquisando a cura do câncer e vão até o castelo onde o grupo faz experimentos para ter a opinião dos cientistas. No castelo descobrem todos os pesquisadores mortos, sem um único osso em seus corpos, e uma nova forma de vida é encontrada ali (um monstrengo que parece uma estranha cruza entre arraia e tartaruga). Logo nossos heróis chegam a conclusão de que os pesquisadores criaram as criaturas por acidente apartir do átomo silício e que estas desajeitadas criaturas se alimentam de ossos. As criaturas são apelidadas de “Silicatos” (por causa do silício, nada mais lógico!) e os médicos preparam a resistência armada contra a nova e faminta espécie, envolvendo todos os moradores da ilha numa batalha pela sobrevivência.

Com um clima bem sério característico do cinema de horror britânico, “Island of Terror” é uma deliciosa bobagem envolvente onde Peter Cushing parece se divertir o tempo todo em seu papel. Lançado em 1966 pela Planet Film Productions (e no ano seguinte distribuido nos USA pela Universal Studios em programa duplo com “The Projected Man” (1967) de Ian Curteis), é uma produção de baixo orçamento e grande aproveitamento, nunca ficando chato ou parado em sua sucessão de acontecimentos macabros e efeitos especiais simples, mas bem elaborados e executados. Inspirado em “The Night the Silicates Came”, de Gerry Fernback, a ameaça do desconhecido é eliminada bem nos moldes dos anos 1960: “Se não compreendo, mato e destruo!”.

O diretor, Terence Fisher, se tornou um grande artesão do cinema de horror britânico graças às suas produções para a Hammer. Nascido em 1904 (e morto em 1980), estreiou como diretor em 1948 com o drama “A Song for Tomorrow”. Com o sci-fi romantico “Four Sided Triangle” (1953), estrelado por Barbara Payton (recém saída do cult “Bride of the Gorilla”), se tornou conhecido como um ótimo diretor de filmes de baixo orçamento. No mesmo ano fez ainda a sci-fi “Spaceways” e o thriller “Blood Orange”. Se alternando entre produções de todos os gêneros para o cinema e TV, Fisher foi escalado para dirigir “The Curse of Frankenstein/A Maldição de Frankenstein” (1957, warner home video), horror à cores bancado pela Hammer com Peter Cushing, Christopher Lee e Hazel Court no elenco. Daí em diante se tornou especialista em construir filmes sombrios e realizou filmaços como “Dracula/Horror of Dracula” (1958, warner home video), também com Cushing e Lee no elenco; “The Revenge of Frankenstein” (1958); “The Hound of the Baskervilles/O Cão dos Baskervilles” (1959), horror e mistério com Cushing no papel de Sherlock Holmes; “The Mummy” (1959), versão da Hammer para a história de maldições de múmias; “The Brides of Dracula/As Noivas de Drácula” (1960), sempre com Cushing no papel de Van Helsing; “The Two Faces of Dr. Jekyll/O Monstro de Duas Caras” (1960), sua contribuição para o romance “O Médico e o Monstro”; “The Curse of the Werewolf” (1961), sobre lobisomens na Espanha; “The Phantom of the Opera” (1962), com Herbert Lom no papel do atormentado professor de música; “The Gorgon” (1964), grande clássico da Hammer, também estrelado pela dupla Cushing-Lee; “The Earth Dies Screaming” (1964), pequeno clássico de sci-fi sobre o planeta Terra sendo invadido por aliens; “Dracula: Prince of Darkness” (1964) com Christopher Lee repetindo o papel de Drácula e mais três filmes lindos com Frankenstein: “Frankenstein Created Woman/Frankenstein Criou a Mulher” (1967, London Films); “Frankenstein Must Be Destroyed/Frankenstein Tem Que Ser Destruído” (1969, Warner Home Video) e “Frankenstein and the Monster From Hell” (1974), todos estrelados por Peter Cushing. Os filmes de Terence Fischer são imperdíveis.

Peter Cushing é a cara definitiva do Barão Frankenstein, de Van Helsing, de Sherlock Holmes, do Dr. Who. Nascido em 1913 (morto em 1994), logo começou a trabalhar no teatro e em 1939 se mandou para Hollywood onde trabalhou em “The Man in the Iron Mask” de James Whale. De volta à Inglaterra sobreviveu trabalhando como figurante em filmes até fazer TV ao vivo, onde ficou conhecido e foi chamado para viver o Barão Victor Frankenstein em “The Curse of Frankenstein” (1957), iniciando uma longa parceria com o diretor Terence Fisher e o ator Christopher Lee, de quem logo virou um de seus melhores amigos. Devia ser uma diversão ver essa dupla bebendo cervejas em algum pub londrino. Em 1971 tentou o suicídio na noite em que sua esposa morreu, para sorte de todos os fãs de filmes de horror ele sobreviveu. Poucos anos depois apareceu no “Star Wars” (1977) de George Lucas, onde interpretou sua personagem usando sempre chinelos, pois as botas que sua personagem era para usar apertavam seus pés. Com uma filmografia que ultrapassa mais de 130 filmes, Cushing se tornou uma grande lenda do cinema de horror mundial.

“Island of Terror” é um grande momento do cinema de horror britânico, com aquele clima nostálgico das velhas produções onde atores com rosto de pessoas comuns (e adultos, sem a presença dos insuportáveis adolescentes dos filmes de horror de hoje) tinham que combater uma força desconhecida. Continua inédito em DVD no Brasil.

por Petter Baiestorf.

Veja “Island of Terror” aqui:

Segue abaixo alguns momentos da entrevista que o fanzine “Quatermass” publicou com Peter Cushing, quem quiser ler a entrevista na íntegra deve procurar o “Quatermass” número 2 (de outubro de 1995), extraordinário fanzine espanhol.

Quatermass: Como você compôs o Barão Frankenstein quando o representou pela primeira vez em “The Curse of Frankenstein”?

Peter Cushing: Todos os papéis se abordam da mesma maneira, buscando-se todos os dados criados pelo autor em sua criação e, quando necessário, trazendo novos elementos para a personagem, enriquecendo-a! Para o Barão Frankenstein me inspirei muito na vida real do anatomista Dr. Robert Knox. Não concordo que Frankenstein seja um homem malvado, mas como muitos gênios da vida real é mal compreendido.

Quatermass: Os filmes da Hammer foram bastante criticados por suas altas doses de sangue e violência. O que pensas sobre isso?

Cushing: A maioria dos filmes refletem a época em que foram feitos. Para mim filmes como “The Goodfather/O Poderoso Chefão” são filmes de horror, por mais charmosos que sejam. Um homem numa mesa de massagem que recebe um tiro e lhe saltam os olhos é muito mais violento do que Drácula sendo empalado por uma estaca de madeira.

Quatermass: No livro de Bram Stoker, Van Helsing é um velho professor alemão. Você teve, em algum momento, intenção de interpretá-lo nesta linha?

Cushing: Tivemos uma reunião sobre este assunto porque me preocupava muito. Eu disse: “Olhem, aqui está a descrição: um pequeno velho que fala de maneira absurda. Porque estão me dando este papel?”. Mas naquela época eu era bastante popular neste estilo de filmes e me responderam: “Cremos, do ponto de vista comercial, que deve interpretá-lo como tu és, ficará grotesco te maquiar como um velho!”. Foi isso que aconteceu e concordei com a decisão. Eles poderiam ter contratado algum ator mais velho, mas não o fizeram.

Quatermass: Interpretando um Van Helsing mais jovem você pode deixar a personagem com mais energia e vigor.

Cushing: A cena final de “Drácula” tem bons efeitos e muita ação, teria sido lamentável não fazê-lo assim, porque sempre penso que um filme precisa de emoção e impacto. Me lembro dos filmes de Errol Flynn, onde sempre acontece algo excitante, e creio que isso tem grande importância para o público.

Quatermass: Como foi aparecer em programas de Tv na década de 1950?

Cushing: Naquele tempo era tudo ao vivo. Ensaiávamos durante três semanas, que era mais ou menos o mesmo tempo que no teatro. Foi Horrível! Fiz aquilo durante dez anos. Essa é a razão por meus nervos estarem destroçados hoje. Mas, com certeza, foi a época que o público britânico ficou conhecendo meu nome.

Quatermass: E o declínio da Hammer?

Cushing: Quando James Carreras se retirou da Hammer, seu filho Michael ficou encarregado da produtora e ele acreditava que o tempo dos filmes de horror já haviam passado. Tentou fazer coisas diferentes, mas não se saiu bem. Hammer tinha uma reputação e seu público não queria ver outros tipos de filmes.

Invasion of the Bee Girls

Posted in Cinema with tags , , , , , on fevereiro 24, 2011 by canibuk

“Invasion of the Bee Girls” (1973, 86 min.) de Denis Sanders.

Trashão maravilhoso dos anos 70 que mostra uma investigação para descobrir porque vários homens estão morrendo de exaustão durante o ato sexual, logo, o investigador começa a suspeitar que mulheres-abelhas estão por trás dos estranhos crimes. “Invasion of the Bee Girls” é uma divertida Sci-Fi com momentos de horror, a primeira experiência cinematográfica do escritor Nicholas Meyer. Se tornou um cult movie com o passar dos anos e se encontra em domínio público, veja o filme completo no youtube:

American International Pictures & Roger Corman

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , on fevereiro 2, 2011 by canibuk

Um ano após terem se encontrado, em 1954, o advogado Samuel Z. Arkoff (na foto com os cartazes) e James H. Nicholson formaram uma pequena companhia de distrivuição chamada American Releasing Corporation. No ano seguinte resolveram lançar-se na produção de filmes e alteraram o nome da companhia para American International Productions. A companhia não produziu impacto na indústria cinematográfica de Hollywood e possivelmente poucas pessoas se deram conta de sua existência. Os seus filmes, como títulos como “Apache Woman”, “The Beast With a Milion Eyes” e “Swamp Women”, eram de muito baixa qualidade, mas feitos tão depressa que não podiam deixar de dar lucros. A companhia cresceu rapidamente, como também cresceram os filmes feitos – de quatro em 1955 para vinte e dois em 1958. Neste mesmo ano, acharam que já estavam suficientemente fortes para terem um estúdio próprio e alugaram um espaço no velho estúdio de Charlie Chaplin em Sunset Boulevard. No ano seguinte os ventos mudaram, e para pior, e o estúdio tornou-se uma pesada responsabilidade. Assim Arkoff e Nicholson mudaram-se para a Itália onde fizeram um filme barato do tipo Hércules com Steve Reeves. Produzido com pouco dinheiro, o filme faturou mais de hum milhão de doláres nos Estados Unidos e a AIP estava de novo por cima e vinham aí melhores tempos.

Uma das grandes razões para o sucesso da AIP foi o fato de terem sido os primeiros produtores a perceberem de que os “teenagers” (os adolescentes) constituíam a maioria dos espectadores de cinema na América dos anos 50 (com o aparecimento da televisão as pessoas mais velhas tinham a tendência de ficar em casa, ao passo que os adolescentes enchiam os Drive-Ins), e assim faziam filmes diretamente centrados no mercado juvenil.”Há pessoas pouco simpáticas que dizem que nós fizemos filmes que influenciavam de maneira negativa a juventude. É uma questão de semântica. Nós fizemos filmes que agradavam à juventude e, ao fazê-lo, tínhamos uma posição diferente dos outros produtores e não procurávamos dar licões de moral!”, diz Arkoff. Filmes onde os adultos não apareciam, a não ser como vilões, agradavam claramente aos jovens dos fins dos anos 50. E filmes como “I Was a Teenage Werewolf”, “Teenage Caveman”, “Teenage Doll” e “I Was a Teenage Frankenstein” faziam muito sucesso. A AIP voltou a repetir seu êxito no mercado juvenil, nos anos 60, com seus filmes de praia e da série de biker movies.

Filmes de terror e ficção científica tinham constituído, desde o princípio da AIP, uma parte da sua produção, mas em 1960 arriscou um bocado ao gastar 300.000 dólares (um grande orçamento para os moldes da AIP) ao fazer um filme de terror gótico chamado “The Fall of the House of Usher, baseado num conto de Edgar Allan Poe. Para alívio da AIP foi um sucesso e outros filmes semelhantes se seguiram. Richard Matheson, roteirista da maioria dos roteiros deste ciclo baseado em Poe, relembra: “Não tinham, inicialmente, a idéia de fazer uma série inspirada em Poe, mas quando Usher teve tão bom acolhimento, quer financeiramente, quer por parte da crítica, agarraram-se à idéia. Foi assim que comecei a fazer mais. Eu acho que Usher foi o melhor que escrevi. Era o único que era puro Poe, sem contar “Masque of the Red Death” que foi escrito por Charles Beaumont. Os restantes apoiavam-se muito menos em Poe. “The Pit and the Pendulum” tinha uma pequena cena inspirada em Poe apartir da qual eu tinha escrito toda a história. “The Raven” era só um poema, o que não era muito para trabalhar. Nos “Tales of Terror” segui Poe de perto, mas misturando as histórias. “The Raven” foi engraçado, os patrões da AIP tinham descoberto que a parte do meio de “Tales of Terror”, feita para rir, tinha tido muito êxito e então resolveram fazer um filme que fosse, todo ele, para rir. Nunca tive nenhum interesse especial por Poe, nem mesmo o fato de trabalhar nestes filmes me provocaram interesse. Trabalhar no “Comedy of Terrors” foi, também, muito divertido. Nós tínhamos Boris Karloff, Peter Lorre, Basil Rathbone e Vincent Price (na foto ao lado com Lorre), eram todos muito simpáticos e foi uma experiência deliciosa falar com eles durante as filmagens. Adoraram fazer o “Comedy of Terrors”. Lembro-me da primeira refeição em conjunto, eles ansiavam pelo momento das filmagens. O argumento era bom mas não se conseguia transpor com facilidade, falei com a AIP para que contratassem Jacques Tourneur – eu acho que ele é um realizador maravilhoso mas com um programa de filmagens de duas semanas não se pode dispender muito tempo, seja no que for. E esse era o tempo que a AIP dispunha para cada um desses filmes, era assim que eles ganhavam dinheiro”.

Roger Corman (na foto ao lado), que produziu o primeiro filme que a AIP lançou, “Fast and Furious” (1954), desde então realizou inúmeros filmes para a companhia. Nasceu em Los Angeles dia 5 de abril de 1926 e estudou na Stanford University se formando em engenharia. Corman, após ter passado pela Marinha, foi garoto de recados na 20th Century Fox. Depois de ter conseguido chegar ao departamento de argumentos da companhia , partiu para Oxford para estudar Literatura Inglesa. De regresso à Hollywood, começou a escrever roteiros e o primeiro que vendeu foi “Highway Dragnet”, co-produzido pelo próprio Corman e dirigido por Nathan Juran. Formou então sua própria companhia e fez “The Monster from the Ocean’s Floor”, seguido por “Fast and Furious”. Corman financiou estes dois filmes, arranjando ele próprio o dinheiro, mas depois de completar o último, resolveu entrar num acordo com a récem-constituída American Releasing Corporation, quando percebeu que teria de esperar bastante tempo antes de receber o lucro do seu investimento. Na época Corman disse: “Eles queriam ficar com o meu filme e eu disse-lhes que estava de acordo se me fizessem um adiantamento sobre o lançamento do filme, deste modo eu poderia fazer filmes e receber, pelo menos, parte do custo do negativo sem ter que ficar esperando”.

Roger Corman adquiriu a reputação de fazer filmes a uma velocidade incrível e com pequenos orçamentos. A maioria de seus primeiros filmes foram realizados com prazos de filmagens entre cinco e dez dias e com custos que iam de 40.000 dólares à 100.000 dólares (“Monster from the Ocean’s Floor”, que produziu em 1954, custou 12.000 dólares). Um realizador medíocre mas competente, como é o caso, foi levado a posição de culto pela nova geração de críticos de cinema, tal como aconteceu com Terence Fisher. Como resultado disso, Corman é hoje, provavelmente, um dos mais subestimados realizadores da história do cinema. Mas Corman permanece um realizador comercial, e parece estar consciente dos perigos de se levar à sério demais, Corman disse: “Quando fizemos as pequenas comédias “Little Shop of Horrors” em dois dias e uma noite, “Bucket of Blood” em cinco dias, “Creature from the Haunted Sea” em seis, levávamos o trabalho à sério, mas não éramos esmagados por ele, mas sim pelo tempo de que dispúnhamos. Havia, nestes dias, um ambiente de camaradagem e boas relações. Eu gosto dos filmes, não são pretenciosos, são divertidos e agradáveis”.

Ao falar do trabalho dos atores veteranos como Karloff (na foto ao lado de Jack Nicholson em seu primeiro papel no cinema), Lorre e Price, Corman certa vez disse: “Todos tem essa grande capacidade de dar tudo o que pedimos. Com a maior parte dos atores tem de se estar bastante em cima deles para fazer com que nos dêem o seu melhor. Mas com esses veteranos eles dão logo tudo de uma vez!”. Karloff deu uma idéia diferente dos métodos de trabalho de Corman: “James Whale era um técnico notável com a Câmera, bem como no resto, tal como Corman. Isso é o lado mais forte de Corman. Mas creio que Whale era melhor por ser mais velho, tinha mais experiência. Corman espera que um ator se solte sozinho. Trabalhei com ele duas vezes. A primeira foi no “The Raven” e sei que tanto eu como Vincent Price e Peter Lorre, tivemos que fazer tudo por nós porque Corman não se importava com essas coisas. Ele dizia: “Vocês são atores com experiência, aproveitem-na. Eu tenho que tratar da iluminação e dos enquadramentos. Eu sei como é que vou juntar tudo isso!”. E se lhe pedissem algum conselho sobre determinada cena, respondia “Isso é contigo, continuem, estou ocupado!”

Tanto a AIP como Corman foram os que, durante muitos anos, mais deram oportunidades de trabalho para jovens realizadores e atores na indústria cinematográfica, não por razões altruístas, mas porque eram mais baratos. Alguns nomes famosos que foram ajudados pela AIP e Corman incluem gente como John Milius, Peter Bogdanovich, Francis Ford Coppola, Dennis Hopper, Jack Nicholson, Peter Fonda, Monte Hellman, entre vários outros.

escrito por John Brosnan.

abaixo trailers de alguns filmes citados neste artigo:

Cemitério Perdido dos Filmes B

Posted in Literatura with tags , , , on novembro 4, 2010 by canibuk

Em iniciativa inédita no Brasil, o Porto Alegresense César Almeida lançou, pela editora Multifoco, o livro “Cemitério Perdido dos Filmes B” (2010, 290 páginas) onde analiza 120 filmes de baixo orçamento nos mais diversos gêneros, não ficando restrito somente aos de horror e sci-fi como é de praxe neste tipo de lançamento. Vários filmes de Roger Corman, Russ Meyer, Jesus Franco, Mario Bava, Terence Fisher (que dirigiu muitas produções da Hammer) são analisados em textos sóbrios, divertidos e escritos por alguém que realmente entende do assunto, aliás, não só entende como também é fanático pelo gênero. Como a produção de filmes vagabundos é intensa no mundo inteiro, o autor opta por ficar analizando, principalmente, filmes de 4 países: USA, Inglaterra, Itália e Espanha. Assim, muitas produções italianas de faroeste, policiais e aventuras estilo Hercules entram nas resenhas. Livro indicado aos apreciadores de trash movies.

Como foi lançado no início do ano, creio que ainda deve ser bem fácil encontrar o livro que tem o preço de R$ 29.00. O autor mantém um ótimo blog chamado B Movie Box Car Blues que recomendo uma visita:

http://bmovieblues.blogspot.com/

10 Clássicos Bagaceiros (anos 60) – parte 2

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 27, 2010 by canibuk

Dando continuidade aos anos 60 e seus diretores cheio de idéias divertidas. A maioria desses filmes que tenho indicado aqui não estão disponíveis em DVD no Brasil, mas acredito que são bem fáceis de serem conseguidos. No próprio youtube você poderá assistir vários deles completos (divididos em partes).

“2000 MANIACS(1964) de HG Lewis.

HG Lewis e o produtor David F. Friedman fizeram a dobradinha de filmes gore “Blood Feast” (1963) e este “2000 Maniacs” que entraram prá história do cinema como as primeiras produções com sangue e membros exposto. Acho este “2000 Maniacs” divertido demais, vi uma entrevista do John Waters com o HG Lewis onde ele conta que várias idéias prá mortes neste filme foram dadas por seu filho de 12 anos!!!

http://www.imdb.com/title/tt0058694/

ORGY OF THE DEAD(1965) de Stephen C. Apostolof, com: Criswell.

Esse pequeno filme inútil de Apostolof filmado em apenas um cenário está aqui porque a curiosidade é ver Criswell fazendo suas canastrices de sempre inchado de bebida e pelo roteiro ser assinado pelo Edward D. Wood Jr. baseado num livro dele mesmo. Um casal é amarrado em dois palaques e é obrigado a assistir inúmeras dançarinas do além com suas coreográfias vagabundas. Hilário!!!

http://www.imdb.com/title/tt0054240/

“INCUBUS(1965) de Leslie Stevens, com: William Shatner.

A principal curiosidade deste filme é que ele foi filmado falado em Esperanto. É uma produção bem cuidada que vale a pena ser conhecida, a maioria das cópias dela que circulam por aí trazem legendas em inglês.

http://www.imdb.com/title/tt0059311/

GOOD MORNING …AND GOODBYE!” (1967) de Russ Meyer, com: Haji.

Todos os elementos que deixaram Russ Meyer famoso estão neste pequeno clássico. Haji aparece de forma espetacular neste filme (ela também estav no elenco de “Motorpsycho!” de 1965 e “Faster, Pussycat! Kill! Kill!” de 1966, ambos de Russ Meyer). Os créditos iniciais deste filme são ótimos.

http://www.imdb.com/title/tt0061719/

Na falta de um trailer no youtube prá este filme, optei por colocar a primeira parte (de sete) de um documentário sobre o Russ Meyer:

FANDO Y LIS” (1967) de Alexandro Jodorowsky.

Qual é a diferença de um trash movie prá um filme de arte? …A abordagem que o autor do filme lhe confere. Jodorowsky fez este seu primeiro filme (não vou considerar o “La Cravate” como primeiro filme do Jodorowsky porque foi feito em parceria com vários outros artistas) com pouquíssimo dinheiro e conseguiu imprimir um visual único. Jodorowsky faria a seguir os clássicos “El Topo” e “The Holy Mountain”, filme únicos na filmografia mundial. Este “Fando Y Lis” foi inspirado numa peça de teatro de Fernando Arrabal que nos anos 70 fez clássicos surrealistas como “Viva la Muerte”.

http://www.imdb.com/title/tt0061643/

ESTA NOITE ENCARNAREI NO TEU CADÁVER(1967) de José Mojica Marins.

Clássico do cinema brasileiro. Recentemente revi este filme e percebi o que sempre me irritou nele: as interpretações canatronas de todo o elenco (no “Á meia-Noite Levarei sua Alma” Mojica tinha conseguido esconder as canastrices do elenco com uma edição dinâmica, coisa que não conseguiu aqui). Mas é diversão em estado bruto, reparem na cena que Mojica salva a criancinha do atropelamento, melhor-pior impossível!!!!!

http://www.imdb.com/title/tt0060380/

THE ASTRO-ZOMBIES(1968) de Ted V. Mikels, com: Tura Satana e John Carradine.

Sci-fi trash exemplar com a Tura Satana (do clássico “Faster, Pussycat! Kill! Kill!”, 1966, de Russ Meyer) combatendo alienígenas. Adoro os filmes do mestre Ted V. Mikels.

http://www.imdb.com/title/tt0064048/

MAD DOCTOR OF BLOOD ISLAND(1968) de Eddie Romero e Gerardo de Leon, com: John Ashley.

Médico louco tenta criar raça de zumbis… Onde mesmo já vi essa história??? Eddie Romero foi um dos principais diretores filipinos de exploitation, fez filme prá caralho e merece ser descoberto entre os fãs de trash-movie aqui do Brasil.

http://www.imdb.com/title/tt0063255/

“YUKE, YUKE, NIDOME NO SHOJO” (1969) de Koji Wakamatsu.

Um clássico de pequeno orçamento do cineasta anarquista Koji Wakamatsu. A trilha sonora de jazz e os atores são muito bem conduzidos. Wakamatsu fez vários filmes prá Nikkatsu, onde misturou filmes políticos com filmes de puatria. É um cineasta genial pouco discutido.

http://www.imdb.com/title/tt0065233/

Infelizmente o único vídeo do filme que achei no youtube, algum imbecil modificou a trilha sonora. Minha dica é tentar achar o filme e ver ele que é ótimo.

“GAMERA TAI DAIAKUJU GIRON(também conhecido pelos títulos alternativos de “Gamera Vs. Guillon” e “Attack of the Monsters”, 1969) de Noriaki Yuasa.

Vários monstros gigantes lutam em cenários de papelão. Cinema japonês tava inspirado quando realizou este filme.

http://www.imdb.com/title/tt0064360/

MONDO TRASHO(1969) de John Waters, com: Divine, Mary Vivian Pearce, David Lochary, Mink Stole e Pat Moran.

Primeiro longa do John Waters e seus amiguinhos desajustados é uma fábula surrealista de primeira. Há ótimas cenas de ataque à mitologia cristã. Ainda nos anos 60, Waters e seu pessoal fizeram o “Multiple Maniacs” (1970) onde uma lagosta gigante estupra Divine (colei ceninha do estupro logo abaxio do vídeo do “Mondo Trasho”).

http://www.imdb.com/title/tt0064683/