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Canibuk Apresenta: A Arte de Vanessa Arendt

Posted in Arte e Cultura, Ilustração with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 9, 2018 by canibuk

Pouco mais de um mês atrás  fui exibir meus filmes no Festival Maledetta Notte em Teutônia/RS e conheci o Maurício da Silva da Blasphemic Art Distribuidora, de Carazinho/RS. Batendo papo sobre nossas produções, comentei sobre uma série de entrevistas que estava realizando com artistas gráficas e ele sacou o celular e me mostrou o trabalho fantástico que Vanessa Arendt realiza. Saí do festival com a certeza de que tentaria entrevistá-la para divulgar seus trabalhos aqui no blog.

Vanessa é autodidata, começou a desenhar como hobby e, pela insistência de amigos e familiares, começou a aceitar encomendas de retratos realistas ou caricaturas. Nas palavras dela: “Assim fui aprimorando minhas técnicas a cada pedido e cultivando um desejo cada vez maior de transformar o hobby em uma profissão para a vida toda.”

Mesmo tendo vivenciado experiências em outras áreas profissionais, sempre continuou com a produção de ilustrações, pinturas e caricaturas. Vanessa completa, “E por aprender que felicidade e realização só se conquistam fazendo o que se ama, hoje me dedico integralmente às artes, trabalhando com encomendas e criações autorais, proporcionando sempre obras únicas com atendimento personalizado.”

Não deixe de acompanhar a arte de Vanessa via redes sociais como facebook ou instagram e, se gostar, faça suas encomendas.

Vanessa Arendt

Entrevista com Vanessa Arendt:

Petter Baiestorf: Gostaria que você contasse como começou seu interesse pela arte e, também, sobre seus primeiros trabalhos.

Vanessa Arendt: A arte sempre esteve presente em minha vida. Começou como a brincadeira preferida na infância e naturalmente foi se tornando uma profissão na medida em que chamava a atenção das pessoas a minha volta. Os primeiros pedidos foram de retratos a grafite e pinturas a óleo. Mais tarde comecei a trabalhar também com caricaturas e ilustrações para diversos fins.

Baiestorf: Sua arte sofre influências de quais artistas e escolas estéticas. Fale o que te atrai neles, se quiser falar sobre os porquês seria muito interessante.

Vanessa: Sempre busquei pelo realismo. Queria dominar proporção, anatomia, profundidade, reproduzir efeitos de iluminação no objetivo de chegar cada vez mais próximo do real. As Pinturas clássicas e renascentistas como as de Leonardo Da Vinci foram as primeiras que me inspiraram. Admiro de artistas que conseguem captar detalhes que passam despercebidos ao olhar comum, às vezes até emoções, trazendo um realismo impressionante.  E admiro mais ainda aqueles que conseguem associar essa habilidade com criatividade, criando obras únicas e com personalidade. Alguns exemplos são Emanuelle Dascanio, Guillermo Lorca e Gottfried Helnwein.

Raven

Baiestorf: Você está aberta a todo tipo de trabalho ou gostaria de se especializar somente em uma área? Porque?

Vanessa: Não gosto de limitar minhas criações. Faço tudo o que tenho vontade, gosto criar sempre algo novo e tento atender às diferentes necessidades dos meus clientes. Mas se surge um pedido que exija uma técnica que eu não domine ou uma ideia de algo que vejo que não vai ficar bom, obviamente não irei aceitar; pois o comprometimento com a qualidade, com um trabalho que agrade ao cliente e que me represente positivamente é essencial.

Baiestorf: Conte sobre suas exposições e como produtores poderiam levá-la para suas cidades/estados.

Vanessa: Já fiz exposições individuais e coletivas. Mas sempre com parcerias, não tenho recursos para organizar uma exposição por conta própria, então sempre que posso aproveito as oportunidades que surgem.

Baiestorf: Como é realizar trabalhos artísticos aqui no Brasil? Há reconhecimento? Oportunidades?

Vanessa: O reconhecimento vem de poucos, e destes nem todos podem pagar o real valor de uma obra de arte. O resultado disso é ter que vender a valores muito baixos para o tempo e dedicação que foram necessários para realizar cada obra. Por isso que a divulgação é tão importante, para poder alcançar um maior número de pessoas e chegar até aqueles que ainda não o conhecem.

Baiestorf: Você está com trabalhos em finalização? Poderia falar sobre eles e como o público poderá acompanhá-los?

Vanessa: Sim, sempre estou criando algo, seja encomenda ou trabalho autoral. Com exceção daqueles que são para presente e que por isso não posso divulgar, publico tudo em tempo real no meu Instagram. Faço bastante Stories principalmente, compartilhando as etapas de cada trabalho, faço vídeos desenhando, explico o processo, acho que é interessante mostrar como tudo é feito, as pessoas gostam de acompanhar.

Baiestorf: E seus projetos? É possível sabermos um pouquinho deles?

Vanessa: Coleciono uma porção de ideias que gostaria de concretizar, mas que vou deixando sempre em segundo plano. São ideias para ilustrações, portfólio, pinturas em tela que tenho feito tão pouco nos últimos anos e que gostaria de retomar. Minha meta é realizar tudo isso. Não será de uma vez, mas já estou preparando as primeiras novidades.

Retrato de pet

Baiestorf: Geralmente a arte no Brasil é produzida de forma independente e é difícil conseguir se manter. O que você gostaria de observar sobre isso.

Vanessa: Realmente é difícil. Mas o sucesso nunca veio para quem desistiu perante as dificuldades. Quem sonha em viver de arte e ter seu trabalho valorizado precisa em primeiro lugar estar ciente do próprio valor, e ignorar aqueles que tentam convencê-lo do contrário.

Baiestorf: O espaço é seu para as considerações finais:

Vanessa: Quero Agradecer ao Petter pela oportunidade desta entrevista, e pelo apoio aos artistas. Também quero agradecer a você que dedicou um pouco do seu tempo para conhecer meu trabalho, espero que tenha gostado!

Contatos de Vanessa Arendt:

Site:  vanessaarendt.wixsite.com/artista

Instagram: @van.arendt

Facebook: facebook.com/van.arendt

E-mail: arendtart@gmail.com

Artes de Vanessa Arendt:

Ilustração

Millie Bobby Brown

Harald Finehair

Kiko Loureiro

Canibuk Apresenta: A Arte de Daniela Távora

Posted in Arte e Cultura, Ilustração, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 1, 2018 by canibuk

Conheci a Daniela Távora por conta do Cine Bancários de Porto Alegre, onde ela é gerente e eu, geralmente, faço a primeira exibição de meus novos filmes. Pouco depois tomei contato com a arte de Daniela através de um fanzine sem título que ela lançou (aliás, sem nenhuma palavra escrita, somente imagens) e que passei a admirar os traços dela. Daniela é das minhas, nada contra a corrente e não tá interessada em entregar as coisas para o público de mão beijada.

Daniela é formada em Artes Visuais pela UFRGS e um tempo atrás começou a experimentar em todo o tipo de arte, inclusive vídeo e fotografia, como essa abaixo, de uma série ainda inédita feita em parceria com o Itapa Rodrigues.

Daniela Távora

Atualmente produz vídeos, fotografias, zines, histórias em quadrinhos, ilustrações e baralhos de tarô. Sua pesquisa artística se apropria da linguagem cinematográfica de horror, terror e suspense, norteadas por abordagens fantásticas e micro narrativas pessoais.

Fiz uma entrevista com Daniela para apresentá-la aos leitores do Canibuk. Se você gostou do trabalho dela, entre em contato e encomende alguma peça.

Petter Baiestorf: Gostaria que você contasse como começou seu interesse pela arte e, também, sobre seus primeiros trabalhos.

Daniela Távora: Meu interesse pela arte surgiu logo após os primeiros esculachos que a vida fez comigo. Revolta, frustração e sentimento de impotência, ainda na adolescência, me fizeram sacar que se eu xingasse todos os escrotos que haviam ao meu redor, em uma folha de papel, apesar de nada acontecer com os alvos da minha raiva, eu poderia ter alguns textos mais ou menos interessantes. Tentei o teatro, mas era muito tímida, não deu certo. Além da escrita, descobri no desenho uma maneira de expressar o que sentia. Sempre tive a mente muito poluída pelas porcarias que passavam na televisão, logo comecei a ver muitos filmes, o que aos poucos foi me despertando o interesse pelo vídeo e fotografia.

Baiestorf: Sua arte sofre influências de quais artistas e escolas estéticas. Fale o que te atraí neles, se quiser falar sobre os porquês seria muito interessante.

Daniela: Praticamente tudo na minha vida aconteceu por acidente inclusive a arte. Quando pequena por algum motivo, eu estava entediada e abri um livro, que era da minha mãe, da Gnosis (aquela seita esquisita), onde haviam várias ilustrações da divina comédia. Fiquei apaixonada e apavorada. Eu era tão preguiçosa que nem me prestei a ler o nome do cara que tinha feito os desenhos. Tarde demais, eu já tinha aquelas imagens tão profundamente impressas no meu cérebro que só conseguia desenhar coisas muito parecidas. Muito tempo depois que fui descobrir que eram do Gustave Doré. Mais tarde conheci Eddie Campbell, Hitoshi Iwaaki, Harry Clarke, Jake e Dinos Chapman e William Kentridge que me influenciaram muito. Meus filmes preferidos sempre foram os mais baratos, diferentes ou com roteiro doidão. O Bandido da Luz Vermelha e Abismo de Rogério Sganzerla, Os Idiotas de Lars Von Trier, Filme Demência de Carlos Reichenbach, A Noite dos Mortos-Vivos, de George Romero foram muito importantes para mim, praticamente uma escola. Vendo filmes de Zé do Caixão, da Boca do Lixo, pornochanchadas e Petter Baiestorf descobri que o que eu queria estava muito perto de mim, e que eu poderia fazer o vídeo que eu quisesse, onde eu bem entendesse, com a câmera de qualquer amigo e a participação de todos os malucos (que eu amo) que estão só esperando um convite para fazer cenas de terror, morte e nudez. O terror me interessou mais, pois temas como família, convivência em sociedade, egoísmo, solidão, desigualdade e amor são explorados a partir de rupturas sinistras com a realidade. Histórias do universo White Trash, a burrice e a tosquice das pessoas, dramas comuns a adultos frustrados, adolescentes feios e sem perspectiva de futuro e crianças largadas aos próprios cuidados, pertencentes a famílias dissolvidas pelo capitalismo é como se fossem histórias feitas em homenagem a mim, meus amigos de infância e meus irmãos.

Baiestorf: Com sua arte você está aberta a todo tipo de trabalho ou gostaria de se especializar somente em uma área? Porque?

Daniela: Prefiro estar aberta a todo o tipo de loucura. Por meu próprio interesse fiz desenho, fotografia e vídeo. Ok. Mas por força da vida e convite de amigos doidos já me envolvi com serigrafia, música, cinema, até cover da Gretchen já acabei fazendo. Ou seja, acho que aprendo (e me divirto) mais quando foco menos.

Baiestorf: Conte sobre suas exposições e como produtores poderiam levá-la para suas cidades/estados.

Daniela: Quando comecei a expor os trabalhos eram em desenhos/ilustrações e foto, e as galerias eram em Porto Alegre. Hoje eu produzo mais vídeos do que coisas físicas, o que facilita, pois é só mandar o link com os arquivos para qualquer lugar do Brasil onde for rolar a exibição. Isso acontece bastante com festivais de cinema, que abrem muito mais espaço para vídeo experimental do que galerias de arte, diga-se de passagem.

Baiestorf: Como é realizar trabalhos artísticos aqui no Brasil? Há reconhecimento? Oportunidades?

Daniela: Só vejo trabalho requentado em galerias de arte, pois é mais fácil de vender. E eu entendo. Tem que ser muito corajoso ou corajosa para montar uma galeria pensando em exibir arte autoral, sabendo que o público é saudosista e que só vai comprar coisas já legitimadas há no mínimo uns 30 anos, ou cópias atuais de obras que fizeram sucesso há 30 anos. Faço minhas coisas de teimosa mesmo e não estou nem aí. E tenho muito pouca inserção, pois ainda não se descobriu como vender vídeos em galerias de arte. Às vezes me inscrevo em editais de espaços públicos e festivais de cinema com programação para vídeo experimental, e acabo sendo selecionada em alguns, pois nesse tipo de local é mais comum existir interesse pelo trabalho artístico de pesquisa, não pelo que é mais comercializável. Reconhecimento e oportunidades: de amigos queridos que valem ouro, fazem as coisas em parceria, ajudam, divulgam e compram. Ano passado tive a alegria de ser convidada para participar de uma mostra por alguém que não era diretamente um amigo de bar, “Ao lado dela, do lado de lá”, que aconteceu no Instituto Goethe, em Porto Alegre. Fiquei muito feliz.

Baiestorf: Você está com trabalhos em finalização? Poderia falar sobre eles e como o público poderá acompanhá-los?

Daniela: Tenho um vídeo sendo construído em parceria com a Pomba Claudia e Itapa Rodrigues que se chama “O estranho caso do rato que se achava águia”. Também estou produzindo uma série fotográfica com muito sangue, nudez e simbologias que nem eu mesma entendo, que ainda não tem nome, talvez quando eu terminar tenha um nome. Mas por enquanto, tem este site aqui que está em construção https://danielatavorao.wixsite.com/arte onde se pode ver o que tenho pesquisado nos últimos anos.

Baiestorf: E seus projetos? É possível sabermos um pouquinho deles?

Daniela: Meus projetos tem a mania de aparecer na minha cabeça do nada, e eu vou fazendo e então vão ficando bem diferentes do que imaginei conforme o processo, que faz com que fiquem mais maravilhosos. Além do vídeo com a Pomba e Itapa que estou montando e das fotos, estou interessada por pesquisar as personagens de mulheres monstruosas do cinema japonês, e agregar este “conceito” às minhas personagens, em vários suportes, como vídeo, desenho e foto.

Baiestorf: Geralmente a arte no Brasil é produzida de forma independente e é difícil conseguir se manter. O que você gostaria de observar sobre isso.

Daniela: Eu tenho um emprego para poder manter minhas necessidades básicas. O dinheiro que me sobra eu torro com equipamentos, tintas, figurinos, maquiagens e cenários para minhas ideias de arte. Ainda não vejo uma forma de conseguir se manter com trabalhos artísticos no sistema atual. Por um lado é ruim, pois se faz arte quando se consegue (grana, espaço, tempo, energia mental…). Ao mesmo tempo me sinto livre para fazer coisas esquisitas sem me preocupar em “pentear” meu trabalho para que ele se torne mais comercializável. Quanto a tentar editais para projetos de arte, sinceramente, tenho preguiça. Independente é mais gostoso para mim.

Baiestorf: O espaço é seu para as considerações finais:

Daniela: Gosto do feio, do sujo e do mal acabado. Ponto. Para mim é um modo de romper e de me expressar além de cânones estéticos vigentes. Não me importa o que os outros estão fazendo, vou fazer o que eu quiser fazer, pois a vida já nos obriga a fazer coisas chatas e por obrigação demais. Para mim é libertador trabalhar com o que quero e não me dobrar para tendências artísticas contemporâneas. Só se vive uma vez, já diria a canção do escroto do Roberto Carlos. Eu quero é decolar toda a manhã (Arnaldo Baptista).

Siga Daniela Távora no youtube:

https://www.youtube.com/channel/UCCSykLJu4vHHhftw-c33wuA/featured

Contatos de Daniela:

E-mail: daniela.tavora.o@gmail.com

Fone: 51 996061060

https://danielatavorao.wixsite.com/arte

danielatavora.tumblr.com

Artes de Daniela Távora:

Dedo Semovente

Baratão 66 e outros Lançamentos da Pitomba

Posted in Fotografia, Fotonovela, Literatura, Livro, Quadrinhos, revistas independentes brasileiras with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 10, 2014 by canibuk

O final de 2013 trouxe para o público de quadrinhos brasileiros várias ótimas obras. E a editora Pitomba, em parceria com a revista Beleléu, se encarregaram de pelo menos um lançamento obrigatório, “Baratão 66”, fruto de uma bem-vinda parceria entre Bruno Azevêdo e Luciano Irthum. Pitomba surgiu em 2009 e se tornou a editora marginal mais ativa de São Luís/MA. E a Beleléu é um selo do Rio de Janeiro/RJ.

Baratão1“Baratão 66” (180 páginas), de Bruno Azevêdo e Luciano Irrthum. Este trabalho da dupla Bruno/Luciano (dois apaixonados por personagens marginalizadas) é um mergulho pela difícil vida fácil das putas de cidadezinhas brasileiras onde, invariavelmente, políticos, policiais, padres, pastores, empresários, fazendeiros e outros coronéis de todos os calibres orquestram arranjos em prol da saúde de seus próprios bolsos, mostrando o quanto as putas podem interferir na política local (o que nunca é uma má interferência, já que puta são muito mais humanas do que essa corja de bandidos engravatados-fardados-fantasiados). Aliás, puteiros fazem parte da cultura nacional tanto quanto samba e bunda (o que não é ruim, antes um povo com a cultura da bunda do que das armas, por exemplo), é muito comum os poderosos locais terem uma amante por pura questão de status, uma espécie de troféu para mostrar aos amiguinhos. E putas são compreensivas, são mulheres sofridas que entendem (e perdoam) qualquer falha de caráter que prefeitos, delegados, padres, seu vizinho (eu e você) possam ter. Como fã de cinema, ao ler o saboroso “Baratão 66” me deleitei com os paralelos do roteiro de Bruno com o filme “Amor Estranho Amor” (1982) de Walter Hugo Khouri (sim, “Amor Estranho Amor” é o famoso pornô da Xuxa , que de pornô não tem nada, já que sua história gira em torno de um bordel de luxo que atende os desejos mais molhados da elite política brasileira para falar de política brasileira). Claro que, para nossa sorte e tendo em mente que Bruno e Luciano são crias do underground, aqui é tudo mais debochado e divertido do que o intelectualizado Khouri. Me foi impossível saborear do “Baratão” sem imaginá-lo como um storyboard já pronto para ser filmado. “Baratão” ainda fala sobre os produtores picaretas de cultura que acham que suas “obras-primas” devem ser bancadas pelo governo (porque mamar todo mundo quer e um grande viva a quem consegue). E a exemplo da política nacional, “Baratão 66” tem uma linda história de amor cafajeste onde tudo acaba bem, com suas transviadas personagens encontrando a tão sonhada liberdade (nem que para isso seja necessário derramar algumas lágrimas, sangue e gasolina). “Baratão” é cu e buceta, ou seja, diversão total. Tive o privilégio de escrever o posfácio deste álbum, que custa R$ 30.00 e pode ser adquirido pelo site http://www.pitomba.iluria.com ou comigo pelo e-mail baiestorf@yahoo.com.br.

Baratão2

Intrusa“A Intrusa” (165 páginas) de Bruno Azevêdo. Segundo Xico Sá, “Um folhetim em chamas capaz de tostar raparigas em flor. Um erotismo de banca capaz de reverter a mais enjoada das menopausas de todos os caritós. A Intrusa é fogo en las entranhas da frígida e solene literatura contemporaneazinha. O Monstro Bruno Azevêdo , este papaléguas, alcança, com este volume que ora lateja nas mãos da mulher moderna, a condição do nosso melhor escritor pícaro-mexicano. Que outro seria capaz de erotizar o tilintar dos duralex? A pia de louça por testemunha de um tórrido amor engordurado. “Temperamento latino é fuego”, já dizia, na subida do morro, o velho Morengueira”. “A Intrusa” traz ainda ilustrações de Eduardo Arruda, um dos criadores da revista Beleléu, e a capa do livro é de autoria de Frédéric Boilét, autor de “Garotas de Tokyo”. Apesar de estar com o livro aqui em casa, em virtude das milhares de coisas que faço tudo ao mesmo tempo, ainda não consegui tirar um tempo para lê-lo com calma.

Isabel“Isabel Comics!” (Ano 2, 56 páginas) de Bruno Azevêdo e Karla Freire. Este trabalho do casal Bruno e Karla é de extrema importância para sua pequena filha Isabel, que quando crescer vai ter um registro incondicional do amor de seus pais ao poder se “ver” com dois anos de idade, se divertindo em família. Achei o registro uma ideia fantástica, daquele tipo que outros pais apaixonados por seus filhos irão adorar e se identificar. Em fotos e textos dos criativos papais ficamos sabendo da movimentada vida de criança da filhinha Isabel em uma agitada fotonovela. Confesso que não sou o público certo para este pequeno livrinho, mas quem é pai/mãe, ou quer ser pai/mãe, creio que vai amar esta linda declaração de amor. Este livrinho, assim como “A Intrusa”, podem ser adquiridos no site http://www.pitomba.iluria.com.

dicas de Petter Baiestorf.

Maldito Seja Henry Jaepelt e outros lançamentos da Ugra Press

Posted in Arte e Cultura, Fanzines, Livro, Quadrinhos, revistas independentes brasileiras with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 2, 2014 by canibuk

2_Henry JaepeltA Ugra Press é um projeto experimental que visa a produção e pesquisa da cultura underground, principalmente focada nos quadrinhos independentes. Neste final de 2013 seu editor, Douglas Utescher, realizou o lançamento de três livros imperdíveis, principalmente para o pessoal que viveu o underground brasileiro dos fanzines editados nos anos de 1990 (e são livros obrigatórios para quem nasceu pós 1990).

1_Henry Jaepelt“Maldito Seja Henry Jaepelt” é um livro-antologia de trabalhos do catarinense Jaepelt (leia-se “iapelt”). São 80 páginas contendo uma mega-entrevista (com perguntas elaboradas por Denilson Reis, Douglas Utescher, Márcio Sno e eu) onde ficamos por dentro dos pensamentos do Jaepelt, sempre coerente e inteligente, um dos mais criativos desenhistas da atualidade. O livro também traz uma introdução de Denilson Reis e ótima seleção de trabalhos que foram realizados por Henry entre os anos de 1993 e 2005, tudo criado com papel e uma caneta nanquim, o que pode assustar a nova geração de artistas que não consegue criar sem o uso de máquinas, como atesta Jaepelt na entrevista: “Frequentemente me perguntam o que uso para desenhar e ficam surpresos quando digo que uso o habitual lápis, papel e nanquim. Que programa? O que? Até parece que isso é algo vergonhoso ou atrasado, só que posso fazer isso em qualquer lugar, até com uma vela acessa, sem energia, baterias ou conexões com isso ou aquilo”.

Segue uma das HQs resgatadas no livro:

Lupita_1Lupita_2Lupita_3

1_Law Tissot“Maldito Seja Law Tissot” é outro livro desta maravilhosa série de publicações da Ugra Press que resgatam grandes autores dos quadrinhos alternativos brasileiros. Nas 80 páginas deste você vai se deleitar com as criações de Law Tissot, um arte-educador, videomaker e quadrinista na ativa desde 1984. Os quadrinhos de Tissot tem uma pegada cyberpunk e o livro reúne trabalhos que ele realizou entre 1990 e 1999. O livro tem prefácio de Fábio Zimbres e uma mega-entrevista conduzida por Douglas Utescher.

Segue uma das HQs resgatadas no livro:

Ceu Liquido_1Ceu Liquido_2Ceu Liquido_3Ceu Liquido_4

“3ADFZPA – Terceiro Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Alternativas” é, a exemplo do “QI” de Edgard Guimarães, uma ótima porta de entrada ao universo das publicações independentes. Neste terceiro volume há uma infinidade de endereços de editores especializados em publicações que fogem do trivial explorado pela imprensa oficial e editores medíocres das grandes editoras.

As publicações da Ugra Press podem ser adquiridas pelo site (clique aqui) e você ainda pode acompanhar as novidades deles pelo blog (clique aqui).

dicas de Petter Baiestorf.

1_Anuário de zines

Do Sudeste ao Sul Vivendo na Estrada Selvagem do Rock

Posted in Literatura, Livro with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 2, 2013 by canibuk

“Do Sudeste ao Sul – Na Estrada Selvagem do Rock” (2013, 200 páginas, Editora VirtualBooks), escrito por Roger Pixixo.

Este ano de 2013 está sendo repleto de boas surpresas no que diz respeito ao lançamento de livros e álbuns em quadrinhos de amigos. A mais nova surpresa é este livro maravilhoso e de alto astral escrito pelo Roger Pixixo, mineiro que conheci no início dos anos 2000.

Do Sudeste ao SulEm 200 páginas Pixixo realiza uma maravilhosa viagem de volta aos bons tempos do underground dos fanzines, trocas de fitas k-7 com sons de bandas obscuras, correspondências com cartas via correio, viagens intermináveis de ônibus para ver bandas em outros estados e muito mais aventuras que contam a história do, principalmente, Psychobilly nacional e sua festa máxima, o Psycho Carnival. Quem nasceu entre a década de 1970 e 1980, com certeza vai se emocionar com este livro que conta muito da história underground de Belo Horizonte e relembra o surgimento de inúmeras bandas do cenário metal mineiro (por conta do sucesso que bandas como Sepultura e Sarcófago) levantando a questão do radicalismo que havia no cenário nacional dos anos 80/90; relembra também os primeiros psychos de BH e suas dificuldades em conseguir material e até amigos para beber uma cervejinha conversando sobre bandas bagaceiras. Em linguagem simples e direta Pixixo consegue nos fazer relembrar da gostosa adrenalina que é descobrir uma boa banda nova, da felicidade de compartilhar descobertas com os amigos e da maravilha que é gostar de uma cultura obscura, algo que nos torna tão especial diante da grande massa humana medíocre que vegeta no marasmo do lugar comum.

roger pixixoQuem é Roger Pixixo?… Conheci o Pixixo no início do ano 2000, na época que ele era editor de fanzines e até chegou a elaborar o primeiro site da minha produtora Canibal Filmes (que ficou no ar por alguns anos). Aliás, nesta época ele se chamava Roger Psycho (no livro conta a história de como ele ganhou o ótimo apelido de Pixixo). Metaleiro nascido e criado em Belo Horizonte, conheceu The Cramps e Ramones e partiu com tudo pro divertido cenário apolítico do Psychobilly e Rockabilly (que não tem aquele povo xarope vomitando regrinhas como nas cenas do Metal e do Punk, por exemplo), comprou um baixo e tocou em inúmeras bandas de BH, como “Osmose”, “Rock Mountain Fever”, “Scary Scums”, “Marrones”, entre outras. Também, após entrar para a Gang da Caveira Rock’n’Roll Club, começou a organizar eventos em Belo Horizonte, como o “BH Rumble”. Ou seja, Pixixo é um cara que faz a cena acontecer, não se limitando apenas a curtir sons e cervejinhas com amigos.

Segue uma pequena entrevista que realizei com Pixixo sobre seu empolgante livro.

Petter Baiestorf: Pixixo, obrigado por este lançamento , voltei a me sentir adolescente ao ler “Do Sudeste ao Sul – Na Estrada Selvagem do Rock”, relembrando muita coisa divertida do underground nacional antes dos anos 2000, época que para se conseguir material obscuro cara tinha que apelar para trocas via correio. Teu livro fala justamente desta época de transição no meio alternativo onde a Internet começou a aparecer e a mudar a forma como o pessoal conseguia material. O que você constata daquela época em relação aos dias de hoje, que basta saber o nome de alguma banda e baixar seus discos?

Roger Pixixo: Naquela época além dos correios para se conseguir material das bandas e mesmos filmes, a gente tinha também que ir aos shows. Você conhecia as bandas através dos shows e também conhecia gente desta maneira. Naquela época foi assim que conseguir angariar muita informação e conhecer gente interessante. Hoje em dia é tudo muito fácil. O cara baixa a discografia inteira de qualquer banda, baixa filmes… o HD do cara tem lá não sei quantos mil Giga de material e o cara acaba que não consegue ouvir tudo e nem assistir nada. Resultado, não assimila nada e pra mim não passa de um colecionar de mídia. O cara senta a bunda na cadeira em frente ao computador e não sai para ver shows undergrounds porque de alguma forma o cara vê isso no youtube e prefere ficar ali no conforto do lar.   

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Baiestorf: Seu livro está muito bem escrito e é diversão certeira. Como surgiu a idéia de escrever e lançar o “Do Sudeste ao Sul – Na Estrada Selvagem do Rock”?

Pixixo: Sempre gostei de escrever. Mas mantinha as coisas pra mim… resenhas de shows, filmes ou mesmo lembranças de casos e tudo mais. Eu tinha muito material e resolvi montar um quebra cabeça com elas de forma cronológica meio que na brincadeira e percebi que podia fazer um livro com tudo. Algo biográfico e também uma pequena pesquisa histórica da cena underground da qual participei como músico, observador e produtor. Me achei no direito de contar minha história, da cena e dos meus amigos. O original para você ter uma ideia tinha quase 300 páginas mas fui cortando algumas coisas e cheguei com este formato de 200 páginas que ficou bem bacana, fácil de ler e que prende o leitor. Estou tendo um feedback bem bacana do livro e estou muito feliz por ele.  

Baiestorf: Iniciativas assim são ótimas para a cena underground brasileira, seu livro é um registro histórico imperdível para quem se interessa pela cultura alternativa de BH e, também, do Psychobilly brasileiro. Como anda a cena atual em BH? E pelo Brasil?

Pixixo: Em BH o Psychobilly nunca teve uma força considerável seja por bandas ou público. O Baratas Tontas foi a primeira, depois de muitos anos fundei o Scary Scums, logo depois o Dead Goblins que teve vida curtíssima e hoje temos o Drunk Demons que mantêm o Psychobilly ainda vivo por aqui.  Aliás, BH neste quesito sempre foi forte e reconhecido pela cena Metal desde o inicio dos anos 80 e até hoje é forte tendo shows constantes e ainda com uma gama enorme de bandas e de muita qualidade, e o público também é imenso e fiel. Aqui se gosta de tudo e se mistura tudo, tirando o Metal, as outras vertentes andam juntas, por isso sempre fizemos os festivais e shows misturando tudo, Psychobilly, Surfe, Garage Rock e Rockabilly e sempre deu certo. Pelo Brasil a nata do Psychobilly ainda é o Sul, mais especificamente em Curitiba que sempre foi o polo do estilo no Brasil e com grandes festivais e as melhores bandas sempre saíram de lá. Em São Paulo também há muito do estilo mas nunca um festival emplacou por lá.

Baiestorf: Quem quiser conhecer as suas bandas, tanto antigas quanto novas, como faz?

Pixixo: Pode entrar em contato comigo direto pelo Facebook ou me mandar um e-mail no rogerpixixo@gmail.com porque eu tenho material de todas disponível para passar para o pessoal.

Baiestorf: Para o lançamento do livro você organizou o “Pixploitation”. Tu pode nos resumir como foi essa festança? Quais bandas tocaram?

Pixixo: E foi uma festança mesmo ! A casa tava lotada e o pessoal se divertiu muito… até eu que tive trabalho pra caramba durante todo o dia. Para dar um charme a mais eu passei em primeira mão em BH o Zombio 2 : Chimarão Zombies. A casa ainda tava meio vazia mas quem esteve lá aplaudiu o filme. Ele passou no telão na área dos shows, mas nas TV’s que tem ao longo da casa o pessoal que não tava vendo pelo telão pode ver nelas e como o som estava em toda a casa deu pra acompanhar tudo. Eu divulguei que para frescos e pudicos o filme não servia e felizmente não tinha gente assim lá. No decorrer da noite inteira o filme continuou a passar no telão. O dono da casa, o Edmundo pirou com o filme e quer que eu mantenha esta tradição lá. Estou até estudando uma noite especial com filmes da Cannibal por lá. Eu convidei para a festa as bandas Drunk Demons de Psychobilly, o Vô Diddley que é um Duo muito Louco que toca versões sujas e podres de Bo Diddley e The Cramps, o Drákula que é uma banda de malucos de Campinas oriundos de bandas como Muzzarelas, Calibre 12 dentro outras que toca um mescla de Surfe com Garage e Punk muito barulhento e pesada. Foi um show fodástico. Pra fechar a noite teve As Múmmias do Agito que é uma banda picareta de gente picareta que toca clássicos da Surfe como Link Wray, Ventures, Dick Dale, dentre outras, de forma como não se deve tocar ou ter uma banda. Mas foda-se, é divertido e sempre é sucesso, se a gente ensaiar perde o foco e o charme da coisa. No decorrer do show quando não se dá pra tocar mais músicas porque a gente não sabe, não se lembra ou por estarmos muito bêbados, tocamos “Comanche” o resto do show… nesse acho que ficamos tocando ela por uns 15 minutos. De surpresa eu acabei tocando com o Marrones lá também porque tava todo mundo da banda lá e usamos o pequeno tempo para mostrar em primeira mão algumas de nossas músicas próprias. Começamos a banda tocando só Ramones mas gradativamente vamos tocar só sons próprios. Vou manter a “Pixploitation!”, algo a rolar sempre de dois em dois meses. Deu muito certo. Foi muito divertido !

Pixploitation_Exibição do zombio 2

Baiestorf: Quando custa o livro e como o pessoal pode encomendar seu exemplar? Aliás, como anda as vendas?

Pixixo: O livro custa R$30,00, para quem é fora de BH custa R$35,00 devido ao custo com os Correios e para encomendar é só depositar a grana na seguinte conta :

 Banco Itaú

Agência 3158

Conta Corrente 79872-2

Rogério Andrade de Souza

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As vendas e o feedback tem sido bons. Na Pixploitaton! eu vendi todos os exemplares do livro que carreguei pra lá ! Melhor impossível. Espero mais encomendas !

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Baiestorf: O que podemos esperar de novos projetos do Pixixo?

Pixixo: Eu estou preparando um outro livro com sobras de histórias que não entraram neste e acréscimo de outras. Coisas que escrevi para o Zine Horror Gore que fazia muitos anos atrás. Algumas histórias sujas que ando escrevendo, tendo como referencia, o velho Buk. Tá divertido fazer esta compilação e será um lance não cronológico ou especifico. Até o fim do ano sai. Estamos eu e a TrashCan Records que também está por trás no lançamento do livro impresso trabalhando também na versão estendida e on line do livro com vídeos e depoimentos que pretendemos colocar no ar até o fim do ano também. Na área da música estou focado no trabalho com o Marrones que estamos preparando algo especial para o fim do ano com lançamento de um EP. Continuo como produtor de shows… minha cabeça fica o tempo todo cheio de ideias e tenho muitos projetos pra dar vida.

Baiestorf: Pixixo, mais uma vez obrigadão por este livro, eu realmente me diverti muito lendo ele (li tudo de uma sentada só). Fica o espaço aqui do Canibuk para você falar o que quiser sobre o livro e a cena underground brasileira:

Pixixo: O livro serve muito para todo mundo que tem o que falar e mostrar do que vê e viu de alguma coisa. Eu não sou escritor e nem tenho a ambição de me tornar um, é apenas um relato de histórias que coloquei no papel e que todo mundo também pode fazer. E isso é direcionado para música também e produção de shows. Tem muito mimimi e pouca gente fazendo algo. Faça… que seja uma bosta, um lixo… foda-se, o lance é colocar a cara pra bater mesmo e sempre fazer e produzir algo.  Meu livro conta sobre isso e espero ver iniciativas parecidas por aí.

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Diversões do Cacete

Posted in Anarquismo, Fanzines, Quadrinhos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on junho 28, 2013 by canibuk

A HQ “Bludgeon Funnies” foi pensada por Robert Williams na década de 1960, inspirada nos protestos de rua por direitos civis que ainda hoje continua atual (principalmente no Brasil de agora).

Robert Williams nasceu em Albuquerque, Novo México, e era um arruaceiro exemplar (a base que todo bom artista precisa). No início da década de 1960 se mudou para Los Angeles onde fez aulas de arte. Em seguida juntou-se ao pessoal que editava a “Zap Comix”, revista de quadrinhos contracultura que o deixou famoso no underground artístico.

Neste ano foi lançado o documentário “Robert Williams Mr. Bitchin”, dirigido pelo grupo Mary C. Reese, Doug Blake, Nancye Ferguson, Michael LaFetra e Stephen Nemeth, que faz um apanhado da carreira de Williams.

Segue a HQ “Bludgeon Funnies” que digitalizei do álbum “Zap Comix” lançado no Brasil alguns anos atrás pela Conrad Editora. “E lembre-se… A violência sempre se justifica, se você for o vencedor!”.

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Horrophobic

Posted in Fanzines with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 8, 2012 by canibuk

Em toda a Europa e USA é comum ver a publicação de fanzines com cara de revistas. Nos anos de 1990 a quantidade de publicações voltadas ao cinema trash, obscuros ou independentes era absurda (Psychotronic, Draculina, Alternative Cinema, Quatermass, 2000 Maniacs, European Trash Cinema, Shock, Cult Cinema, Oriental Cinema, Scream Beat, Scream Queens Illustrated, Horror Garage, Fatal Vision, só prá citar algumas que lembrei de cabeça e que era leitor), e nestes dias pós-internet boas surpresas continuam surgindo pelo fabuloso mundo underground dos filmes obscuros, como é o caso do ótimo fanzine sueco “Horrophobic” que traz em suas páginas matérias e entrevistas com realizadores de cinema extremo. Recebi os dois primeiros exemplares do fanzine e degustei tudo na mesma hora, como um zumbi faminto por cérebros fresquinhos!

No primeiro número de “Horrophobic”, feito em memória do genial Lucio Fulci, já nos deparamos com a matéria “Zombies! Zombies! Zombies!” que resenha três filmes independentes: “Silent Night, Zombie Night” (2009) de Sean Cain, “I Am Omega” (2007) de Griff Furst e “The Dead” (2010) de Howard J. Ford e Jonathan Ford. Logo depois o diretor Marc Rohnstock (de filmes como “Graveyard of the Living Dead” e “Necronos”) e a atriz Magdalèna A. Kalley (que já trabalhou em filmes de Andreas Schnass e outros diretores de gore movies alemães) são entrevistados. Como o gore alemão é o assunto principal deste número, há resenhas de filmes de Schnass, Marcel Walz, Michael Donner, Heiko Fipper e Olaf Ittenbach. Há ainda uma excelente matéria sobre crocodilos assassinos que destaca filmaços como “Killer Crocodile” (1989) de Fabrizio de Angelis, “Killer Crocodile 2” (1990) de Giannetto de Rossi, “Blood Surf” (2000) de James D.R. Hickox, “Alligator” (1980) de Lewis Teague, “Mega Shark Vs. Crocosaurus” (2010) de Christopher Ray, entre outros. E fechando este primeiro número temos uma entrevista com o colecionador de filmes Peter Ryberg Larsen e muitas outras resenhas de filmes independentes maravilhosos.

Já no segundo número, com mais páginas e formato maior, o editor Tomas Larsson caprichou mais ainda. Abre a revista com uma série de resenhas intitulada “Slasher or Not Slasher?” com informações sobre produções independentes como “Hoboken Hollow” (2006) de Glen Stephens, “Room 33” (2009) de Edward Barbini, “Curtains” (1983) de Richard Ciupka e fecha com uma resenha do clássico gore “The Mutilator/O Mutilador” (1986) de Buddy Cooper. A festa segue com uma entrevista com Luigi Pastore (diretor de “Symphony in Blood Red”); um artigo sobre Alexandra Della Colli (atriz de clássicos do gore italiano como “Zombie Holocaust” (1980) de Marino Girolami e “New York Ripper” (1982) de Lucio Fulci) e uma entrevista com Alex Wesley, diretor russo que realizou um filme de zumbis chamado “Zombie Infection”. Aí tem a segunda parte da matéria sobre filmes gore da Alemanha, com resenhas de filmes de diretores como Maik Ude (“The Butcher”, 1986), Andreas Pape (“Hunting Creatures”, 2001) e Andreas Bethman (“Exitus Interruptus”, 2006). Assim como no primeiro número de “Horrophobic”, este segundo exemplar traz um divertido apanhado de filmes com abelhas assassinas com informações sobre produções como “The Swarm/O Enxame” (1978) de Irwin Allen, “Killer Bee” (2005) de Norihisa Yoshimura, “Killer Bees” (1974) de Curtis Harrington, “The Deadly Bees” (1967) de Freddie Francis e muitos outros filmes onde as abelhas se revoltam contra a humanidade comedora de mel. Fechando o fanzine há uma entrevista com o diretor independente Mike O’Mahony, criador de podreiras como “Deadly Detour” e “Sloppy the Psychotic”; mais algumas resenhas de filmes obscuros e uma espécia de making off de “Die Zombiejäger” do diretor Jonas Wolcher.

“Horrophobic” é um fanzine imperdível, se você ficou interessado entre em contato com o editor Tomas Larsson via facebook (ou entre no grupo da Horrophobic). Entre os colaboradores do fanzine está Greigh Johanson que edita o ótimo blog Surreal Goryfication. Imperdível!!!

dica de Petter Baiestorf.