Arquivo para fanzines

She Demons Blog

Posted in Fanzines with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 25, 2012 by canibuk

Hoje quero indicar o blog She Demons feito pelo meu parceiro de produções de longa data Coffin Souza (amparado pela ajuda da atriz Gisele Ferran) que está na net desde o carnaval deste ano e tem publicado muito material lindo sobre Scream Queens e femmes fatales de todas as épocas, principalmente garotas autênticas e talentosas que tem muito o que dizer (e mostrar) nas artes obscuras do submundo psychotronic mundial.

She Demons foi, inicialmente, um fanzine editado na metade da década de 1990 pelo ator e maquiador Coffin Souza. Foram cinco edições especiais do zine “Suspiria” (outra publicação de Coffin Souza que marcou época) publicadas entre a primavera de 1995 e o reveillon de 1997. O primeiro número saiu com tiragem de 50 exemplares e a última com 500 exemplares e deixou muita saudades após o cancelamento de sua publicação. Era distribuido no Brasil e objeto de culto para colecionadores especializados em tranqueiras cinematográficas de países como Espanha, Itália, Turquia, Japão, USA, Argentina, Suécia, Bélgica e Portugal.

Sobre essa época Coffin Souza nos deu o seguinte depoimento: “Depois que o zine foi divulgado na Psychotronic, recebi correspondência de todo o mundo, de Scream Queens como Debbie Rochon a diretores como Jim Wynorski, e até uma carta de um presidiário Suiço. Ele fora preso por porte de MUITA droga e cumpria pena de muitos anos, era fanático por filmes de terror vagabundo e dizia que tinha uma grande coleção em casa, ele realmente curtia o zine escrito em português, comentando pelas fotos que identificava. Uma vez ele pediu para publicar uma carta dele pedindo contato por correspondência com meninas brasileiras, publiquei, mas não sei se ele recebeu alguma carta de meninas brasileiras. Um dos últimos fanzines que enviei chegou ao presídio em que ele estava, depois dele já ter sido tranferido para o presídio de outra cidade, mas o sistema presidiário suiço e o correio suiço o acharam e lhe remeteram o fanzine assim mesmo!!!”

Para os leitores do Canibuk uma linda surpresa, Leyla Buk (co-criadora do Canibuk), pintora, escultura, ilustradora, designer e, entre tantas outras coisa, minha amada, foi entrevistada pela Gisele Ferran e fala sobre sua arte. A entrevista está imperdível e fica aqui a dica para que os leitores do Canibuk dêem uma conferida na entrevista clicando aqui (e passem a visitar regularmente o She Demons porque eles estão trazendo muita informação valiosa sobre a subcultura cinematográfica). Leyla também fez uma ilustração exclusiva, intitulada “Demonia – Sadistic Desires”, para o blog. Outras matérias ótimas já publicadas pelo She Demons foram sobre Sasha Grey, Dyanne Thorne, Pam Grier, Pamela Green e artigos sobre Scream Queens, Milo Manara, Tanya’s Island, Urotsukidoji e Demonia.

abaixo as capas do fanzine quando era editado em papel:

Necrofília Zine

Posted in Fanzines with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 21, 2012 by canibuk

“Necrofília” foi um fanzine de número único que editei em 1992. Resolvi resgatar aqui as HQs que haviam sido divulgadas nele. “Divirta-se, Sádico!” é um poeminha adolescente de autoria minha com arte de Renato Pereira Coelho; “O Deus Verme” é uma poesia de Augusto dos Anjos ilustrada por Itamar Pessoa; “Necrofagia” é uma HQ com texto e arte de Ero (me desculpem, mas passados 20 anos não lembro mais quem era Eros) e a tirinha cômica “I.M.L.” deAnderson. Divirta-se, Sádico!

Reboco Caído

Posted in Fanzines with tags , , , , , , , , , , , on fevereiro 26, 2012 by canibuk

Nos últimos dias estamos postando mais dicas de filmes/música/artes que julgamos interessantes (são tantos trabalhos em paralelo ao Canibuk que o tempo livre está indo prás cucuias – mas acho que depois da oficina no Rio de Janeiro, pela Mostra do Filme Livre, vai dar normalizada pro meu lado).

Seguindo a idéia de divulgação e de indicar artes interessantes (quem faz produções independentes pode me enviar material para divulgação aqui), recebi em casa o fanzine “Reboco Caído # 10”, um zine de 12 páginas bem interessante que neste seu décimo número traz tirinhas, poesias, desabafos, colagens (sinto falta de artes feitas com cola e tesoura, é uma técnica que está se perdendo), textinhos políticos e um panorama do cinema independente brasileiro onde Fernando Rick e eu (Baiestorf) somos entrevistados. “Reboco Caído” é editado por Fábio da Silva Barbosa e pode ser adquirido pelo e-mail fsb@yahoo.com.br

Segue uma poesia de José Carlos e Elso Boa Gente que está nas páginas do zine:

Assombração de Barraco

Eu já ando injuriado, ô xará.

Meu salário defasado.

meu povo todo esfomeado

e ainda é intimado a votar.

Vejo que essa previdência

não tem competência prá ser social.

O trabalhador adoece e morre na fila do

hospital.

Enquanto uma pá de aspone

que dorme e come, mamando na teta.

E os PCs na mamata, sempre fazendo mutreta.

Roubando o dinheiro do povo

e mandando prá Suiça na maior careta.

Isso é que é covardia

que me arrepia e me faz chorar.

É fraude por todos os lados

e ninguém consegue grampear os culpados.

É que na realidade a impunidade tá feia

demais.

E uma pá de cheque-fantasma, assustando o planalto central.

Assombração do barraco é o ladrão de

gravata e não é o marginal.

Sujeira em Lamaçais Cinematográficos

Posted in Literatura, Nossa Arte with tags , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 16, 2012 by canibuk

A caixinha de leite caiu vazia no chão recoberto por larvas fecais. Duas ninfetas olhavam para as formas coloridas que se movimentavam de modo retangular na escuridão. Sujeira, o sujeito guru dos andróginos grelhados, fumava seu baseado olhando para as mocinhas. Bicos de seios excitados pela dança das cores, com mamilos durinhos que agradavam ao Sujeira, eterno perdido que tentava encontrar seu tão aguardado Eu Individual para deixa-lo batendo um papo com sua alma. Teria, talvez, neste momento, se aproximado do ideal procurado. Cogumelos do Sol Clandestino e cartelas de ácido, reunidos para sua alma atravessar o enorme muro e encontrar o Eu. Ninfetas lésbicas se esfregavam agora ao ritmo das formas coloridas. Sujeira, o guru de negro sentava todas as tardes sobre colinas do Sol e com as chamas ultra-violetas deixava-se viajar aos gritos mudos que surgiam das entranhas do padre que nunca sorriu, traficante malicioso que usava seu confessionário para entregar suas encomendas. Os drogadinhos cristãos adoraram a novidade. Ninfetas se contorciam, Sujeira babava e o padre ficava milionário com a classe-média desiludida. Vaginas conversavam soltando suspiros de histeria cósmica. Cores vivas dançavam na escuridão, pairavam sobre o gelo abissal e Sujeira flutuava na complexidade dos seios durinhos, esculpidos com amor e carinho. Sujeira agora era celestial, iluminado, ser vivo vibrante, amigo das delicias do padre traficante, profundo conhecedor dos mistérios individuais, explorador da própria alma, mistérios que o acompanhavam desde o quebrar dos ovos de onde as ninfetas nasceram enroladas em meleca espectral especial.

Unhas cravadas nas costas !!!

Garanhões unidimensionais fazem amor na pocilga.

Seus pênis se entrelaçam e seus rostos se tornam um,

Apenas um,

No eterno momento do gozo,

Gozo anatomicamente perfeito !!!

escrito por Petter Baiestorf.

Arghhh e seus Quadrinhos

Posted in Fanzines, Quadrinhos with tags , , , , , , , , , , , on janeiro 3, 2012 by canibuk

Como primeiro post do ano resolvi resgatar aqui no Canibuk mais algumas histórias em quadrinhos que editei nos anos 90 no meu extinto zine “Arghhh”.

Insônia, escrita e desenhada por Luciano Irrthum, foi originalmente publicada no “Arghhh # 5”.

Pupilas, escrita e desenhada por Michel Garcia, foi originalmente publicada no “Arghhh # 8”.

Sábado de Aleluia – Malhação de Judas, escrito e desenhada por Márcio Kurt, foi originalmente publicada no “Arghhh # 14”.

A Frágil Arte da Existência, escrito e desenhada por Eduardo Manzano, foi originalmente publicada no “Arghhh # 23”.

The Galaxy Invader: O Pior Diretor do Mundo em Ação

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 27, 2011 by canibuk

“The Galaxy Invader” (1985, 79 min.) de Don Dohler. Com: Richard Ruxton, Faye Tilles, George Stover, Greg Dohler, Kim Dohler, Anne Frith, Richard Dyszel e Glenn Barnes no papel do Invasor Cósmico.

Baltimore é conhecida dos cinéfilos por ser o lar (e cenário dos filmes) do genial John Waters, cineasta underground que realizou vários clássicos transgressores como “Pink Flamingos” (1972), “Female Trouble” (1974) e “Desperate Living” (1977). Mas de Baltimore também vem o desconhecido cineasta Don Dohler, que em 1985 dirigiu “The Galaxy Invader” (lançado direto em vídeo e já em domínio público).

A trama de “The Galaxy Invader” pode ser descrita em poucas linhas: um objeto voador cai numa floresta e um alienígena verde ferido começa a perambular pela região do acidente, até ser descoberto por um casal que fica aterrorizado com a criatura e, então, o invasor intergaláctico passa a ser perseguido por humanos sedentos por sangue e violência. Este filme é uma espécie de avô do meu longa-metragem “O Monstro Legume do Espaço” (1995), ambos foram feitos praticamente sem recurso algum, com ajuda dos amigos e técnicos improvisados. Quando escrevi, produzi e dirigi o Monstro Legume não tinha, ainda, tomado conhecimento desta pérola da vagabundagem (só o descobri em 2007), senão seria certeza que teria incluído alguma homenagem-referência ao filme de Don Dohler.

Donald Michael Dohler (1946-2006) nasceu e viveu em Baltimore (Maryland) e, com apenas 15 anos, começou a editar um fanzine chamado “Wild” (inspirado na revista “Mad”) e entre seus colaboradores estavam artistas como Jay Lynch, Art Spiegelman e Williamson Skip. Ainda nos anos da década de 1960, Dohler começou a editar a revista “Cinemagic” que trazia matérias para jovens cineastas que queriam aprender a fazer seus próprios filmes sozinhos e inspirou vários jovens à tentar a sorte fazendo filmes (em 1979 a “Starlog” comprou a revista). A primeira produção de Dohler foi “The Alien Factor” (1976), um filme de sci-fi de baixo orçamento sobre uns aliens-insetos pegando todo mundo. Don Dohler faleceu em 2006 deixando onze longas no currículo, incluíndo “Alien Rampage” (1999, uma continuação de “The Alien Factor”) e “Harvesters” (2001, um remake de seu próprio filme “Blood Massacre”, que havia sido lançado em 1988). O documentário “Blood, Boobs and Beast” (2007) de John Paul Kinhart conta a história deste diretor de ótimos filmes ruins.

As péssimas maquiagens vagabundas do filme são cortesia do make-up man improvisado John Cosentino (que trabalhava sempre nos filmes do amigo Dohler), que criou uma roupa de corpo inteiro para dar vida ao alien verde, só que essa roupa era toda dura e sem articulações, limitando as ações do ator Glenn Barnes na interpretação da criatura. Só prá dar uma idéia, no filme há uma cena onde o alien está deitado no chão e faz de conta que vai levantar, corta para o rosto sem expressão de uma atriz, e quando volta para o alien ele já está em pé, porque o simples ato de levantar era impossível com a roupa alienígena. Vale uma espiadinha!

Por Petter Baiestorf.

Grandes Problemas não representam Grandes Problemas

Posted in Buk & Baiestorf, Literatura, Nossa Arte with tags , , , , , , , , , , on dezembro 13, 2011 by canibuk

O ser sem inspiração sentou-se diante do espelho e olhou longamente seus próprios olhos. Deixou que o vento desarranjasse seus cabelos e se perdeu em devaneios nostálgicos, onde pensou:

“Sou prisioneiro de mim mesmo. Vivo vinte e quatro horas por dia preso a minha existência medíocre. E minha mediocridade existencial é meu purgatório. E vegeto com a certeza de não ter como fugir de mim mesmo. E vou viver por infinitas eternidades. E serei torturado por mim mesmo até o fim dos tempos. E tentarei, a todo custo, esquecer como pensar. E talvez então, com a mente vazia, me tornarei a felicidade pura e simples…”

Os quatro manguaceiros do apocalipse olhavam o ser sem inspiração e cada qual, a sua maneira única, tinha sua opinião sobre a tristeza quase contagiante que rondava os humanos ainda pensantes.

E o sensato pensou:

“Os prazeres intelectuais não me são suficientes!”

E o ateu resmungou:

“O Vazio é a lei que domina o homem movido pela fé!”

E o puro de coração falou:

“Eu nasci para rir da humanidade!”

E o niilista otimista gritou:

“Por favor, alguém destrua a humanidade, não servimos para nada!”

E o ser sem inspiração ficou ali, em silêncio, para todo o sempre até criar raízes e se tornar uma frondosa árvore solitária em uma planície também solitária.

E eu pensei no quanto achava triste as pessoas que desistem de lutar, que se entregam ao comodismo, que deixam de experimentar novas sensações por medo, vergonha, timidez; que deixam de tentar a expansão da mente e se entregam de corpo e alma aos casulos que prometem uma vida pacata cheia de uma felicidade que pode ser comprada com seu trabalho escravo e sua cabeça baixa. E eu me lembrei de uma frase, não sei de quem, escrita no livro “Sociobiologia ou Ecologia Social ?” do Murray Bookchin que dizia “Ficar alheio, mesmo conscientemente, ao mundo, ou não ficar e intervir, é uma opção de cada um.”. E tinha certeza de que continuar a luta pela igualdade dos seres, para qualquer homem ainda pensante, era uma questão de honra, uma virtude pela qual vale a pena lutar.

escrito por Petter Baiestorf.

O autor em momento de brinde supremo.

Pelo Olho do Morto!

Posted in Fanzines, Música, Quadrinhos with tags , , , , , , , on novembro 3, 2011 by canibuk

Essa HQ de Renato Pereira Coelho, publicada originalmente no fanzine “Arghhh” número 18, é baseada numa letra da banda Cannibal Corpse.

P.I.G.

Posted in Literatura, Nossa Arte with tags , , , , , on outubro 23, 2011 by canibuk

…e saiu por aí pintando frases de protesto pelos muros da cidade. Estava indignado com a situação do Brasil e muito mais indignado com as pessoas que não se indignavam e saiam por aí detonando políticos, burgueses e outros seres desprezíveis.

Encheu a cara

e saiu por aí batendo boca com os milicos, guardiões dos ricos e famosos.

Encheu a cara,

ainda bem,

assim não sentiu tanta dor quando apanhou de cacete da guarda municipal…

escrito por Petter Baiestorf com ilustração de Leyla Buk.

Auto-Suficiente

Posted in Literatura, Nossa Arte with tags , , , , , , , on outubro 18, 2011 by canibuk

O mendigo está com fome.

O mendigo despe-se.

O mendigo se agacha e faz força, até geme.

O mendigo defeca suas fezes magras.

O mendigo come.

O mendigo saciou sua fome impertinente.

O mendigo quer mais.

O mendigo quer a sobremesa.

O mendigo enfia dois dedos na garganta.

O mendigo regurgita em jorros.

O mendigo agora também tem a sobremesa.

poesia de Petter Baiestorf.