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Momento Imperdível de sua Vida

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , on junho 29, 2011 by canibuk

Cristian Verardi traz até Porto Alegre a sessão “A Vingança dos Filmes B”, composta de cinco filmes independentes dos diretores Joel Caetano, Felipe Guerra, Gustavo Insekto, Filipe Ferreira e Petter Baiestorf.

A sessão começa às 17 horas do dia 02 de julho (sábado) na Usina do Gasômetro, sala de cinema P.F. Gastal e é a oportunidade única para você ter o momento mais imperdível de sua vida assistindo aos cinco filmes lindos programados com direito à, depois da exibição maravilhosa, um debate inteligentíssimo e sério com os diretores de tão belos filmes!

Preencha sua vida com este momento de alegria e diversão ao lado de vários caras legais!

IMPORTANTE: Fale que você é leitor do Canibuk e entre de graça!!!!

Canibuk entra hoje nuns 20 dias de férias prá curtir o friozinho do inverno, depois Leyla e eu postaremos algumas fotinhos de nossas férias e novas novidades da cultura obscura/underground mundial! (Aliás, este post é o de número 401, aproveite nossas férias para ler os posts antigos e ajude a divulgar o blog).

Até breve!!!!

Sessão “A Vingança dos Filmes B”

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , on junho 26, 2011 by canibuk

Dia 02 de julho, paralelo ao FantasPoa de Porto Alegre/RS, rola um evento imperdível na sala de cinema P.F. Gastal às 17 horas com a exibição de 5 filmes independentes de diretores Gaúchos, Paulistas e até esse Catarina que vos escreve.

Segue texto da curadoria da Sessão:

“Sobrevivendo às margens do cinema mainstream, as produções independentes de baixo orçamento, além das óbvias dificuldades financeiras de realização, sempre lutaram contra um sistema de distribuição dominado por monopólios, e por vezes com a incompreensão de um público acostumado a uma estética cinematográfica culturalmente imposta pelos grandes estúdios. Durante anos a falta de um mercado exibidor adequado ocasionou o isolamento destas produções em guetos cinéfilos, o que invés de enfraquecer, auxiliou a reforçar o seu caráter de independência, fomentando uma espécie de cinema orgânico, criativo e livre de amarras impostas pelos padrões mercadológicos, possibilitando tanto a experimentação anárquica como a reprodução antropofágica de conceitos tradicionais do cinema de gênero. Na última década a ascensão das mídias digitais possibilitou o acesso facilitado aos meios de produção e exibição, dando maior visibilidade a obras que até poucos anos atrás estariam restritas a um pequeno grupo de cinéfilos.

Esta breve mostra intenciona levar para a tela da Sala P.F. Gastal um grupo de realizadores que ainda luta bravamente por seu espaço no mercado exibidor, ou simplesmente busca encontrar o seu público. Apesar dos diferentes formatos de linguagem, proposta e produção, as obras selecionadas têm em comum, além do baixo (ou zero) orçamento, o diálogo franco e apaixonado com o cinema de gênero, seja investindo no thriller policial ou no horror, ou anarquizando com a tradição dos westerns e dos musicais, ou até mesmo captando uma simples conversa entre dois cinéfilos embriagados. A exibição na tela de um cinema é uma pequena vingança dos filmes B contra um sistema atrelado aos vícios mercadológicos e estéticos da indústria cultural, ou como diria Petter Baiestorf “um grito de guerra dos que nada tem e tudo fazem, contra os que tudo tem e nada fazem”.

Sala P.F. Gastal (3° andar da Usina do Gasômetro), sábado, 02 de julho, 17h. Após a sessão debate com os realizadores, Petter Baiestorf, Felipe Guerra, Joel Caetano, Filipe Ferreira e Gustavo Insekto. O debate será moderado pela Profa. Dra. Laura Cánepa (UAM).  ENTRADA FRANCA.

(Cristian Verardi- Curadoria)

"Estranha" (Joel Caetano).

Programação:

Exorcistas (RS, Brasil, 2011, 7 minutos) de Luis Gustavo “Insekto” Vargas. Com Doutor Insekto e Paulo “Blob” Teixeira.

Dois amigos em uma noite de tédio, bebem, fumam, e elaboram teorias sobre o filme “O Exorcista”, de William Friedkin.

"Exorcistas" (Insekto).

Extrema Unção (RS, Brasil, 2010, 19 minutos) de Felipe Guerra. Com Rodrigo M. Guerra, Oldina Cerutti do Monte, Leandro Facchini.

Um incauto rapaz se muda para uma casa supostamente assombrada pelo fantasma de uma velha fanática religiosa. (Menção Honrosa “Melhor Susto de Velhinha Fantasma”, no Cinefantasy 2010).

"Extrema Unção" (Felipe Guerra).

Estranha (SP, Brasil, 2011, 12 minutos) de Joel Caetano. Com Mariana Zani, Kika Oliveira, Roberta Rodrigues, Tiago F. Galvão, Walderrama dos Santos.

 Duas mulheres em uma estranha e sensual trama de amor, vingança, violência e psicodelia! (Novo trabalho do paulista Joel Caetano, do premiadíssimo curta-metragem “Gato”).

"Estranha" (Joel Caetano).

Ninguém Deve Morrer (SC, Brasil, 2009, 30 minutos) de Petter Baiestorf. Com Gurcius Gewdner, Lane ABC, Daniel Villa Verde, Jorge Timm, Ljana Carrion, Coffin Souza, Insekto.

Um western musical. Eles cantam, dançam e as vezes matam também! O pistoleiro Ninguém decide largar tudo o que sempre considerou importante: a mulher amada, o grupo de amigos cineastas-assassinos-de- aluguel, e o boi de estimação. No entanto, antes de se redimir precisará enfrentar a fúria de seus antigos comparsas. Mais uma insanidade cinemática de Petter Baiestorf, um dos maiores mitos do underground brasileiro. (Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Montagem no I Guaru Fantástico).

"Ninguém Deve Morrer" (Petter Baiestorf).

Os Batedores (RS, Brasil, 2008, 20 minutos) de Filipe Ferreira. Com Marco Soriano Jr., João França, Jack Gerchmann, Artur José Pinto, Jefferson Rachewsky.

Raul, um habilidoso batedor de carteiras é surpreendido pelo retorno à ativa de Amadeu Deodato, um figurão que domina o submundo da cidade e com o qual o tem uma grande dívida. Em sua trajetória na busca de dinheiro para saldar a dívida, Raul se depara com outros marginais, como Odilon, seu antigo mentor, Marcião, um perigoso travesti agiota, e Tosco, um brutamonte psicótico. (Melhor direção no I Festival de Cinema de Ribeirão Pires).

"Os Batedores" (Filipe Ferreira).

O Tormento de Mathias

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , on junho 25, 2011 by canibuk

“O Tormento de Mathias” (1992-2011/54 minutos) de Sandro Debiazzi, resgata o termo trash-movie com orgulho e tira proveito da estética trash. Enquanto outros cineastas brasileiros tem medo de que suas obras sejam chamadas de trash, Sandro Debiazzi se assume como trashmaníaco e ganha pontos por isso com um roteiro debochado, efeitos especiais sangrentos, ritmo narrativo que faz bom proveito dos clichês básicos do gênero e cheio de participações especiais, que vão dos cineastas Joel Caetano e Felipe Guerra (ambos mais canastrões do que nunca) e a pesquisadora Bernadette Lyra (organizadora dos livros sobre cinema independente intitulados “Cinema de Bordas” vol. 1 e vol. 2), que se revela uma ótima atriz.

A história que Debiazzi nos conta é a de um garoto cabeludo (que se parece com o Michael Meyers do Rob Zombie) que é importunado por sua mãe o tempo todo e acaba a matando com uma discreta tesoura de cortar grama. É internado num sanatório (oba, choque elétrico!!!) onde vira cobaia de um médico louco e seu improvissado ajudante (porque o médico louco não consegue ver sangue), que colocam um chip de choques elétricos no cérebro de Mathias. A operação para a colocação do chip é um primor, o médico tira a tampa do crânio (que é, na cara dura, feita de borracha) e enfia um chip dentro do cérebro que parece uma espécie de pudim. Pensando bem, o cérebro de grande parte da humanidade parece ser feito de pudim!!!

Sandro conseguiu criar uma estrutura narrativa caótica, mas bem amarrada, com vários flashbacks que funcionam direitinho. Na verdade, ele começou a fazer este filme em 1992 e o abandonou em 1996 e, assim, o primeiro “Tormento de Matheus” ficou esquecido numa gaveta, mofando em fitinhas VHS. Até que nos anos de 2008 em diante uma nova leva de realizadores independentes começaram a se destacar e Sandro resolveu finalizar o filme. Re-escreveu o roteiro, pegou uma mini-DV para filmar as novas cenas, chamou atores, chamou rostos conhecidos no underground brasileiro e conseguiu concluir uma delícia de filme, com várias passagens hilárias se alternando com momentos de gore exagerado e piadinhas divertidas. Como não curtir o padre que foi castrado a dentadas pelo psicopata, a vidente picareta, os enfermeiros retardados do sanatório, a prostituta que fica chamando os fregueses de “tio, tio, tio” o tempo todo, o enfermeiro hippie que dá um baseado pro Mathias e a participação da Bernadette Lyra onde ela fica zuando do psicopata porque ele errou uma nota na música que estava tocando no piano!!!

Aliás, Bernadette Lyra é uma espécie de madrinha do filme. Em 2010 ela incentivou Sandro Debiazzi a concluir o filme. Eu, na qualidade de produtor independente já com 20 anos de cabeçadas no muro, estou cada vez mais feliz por uma grande quantidade de filmes, dos mais variados gêneros e estéticas, que vem sendo produzida de maneira independente no Brasil. Afirmo aqui sem medo de errar: OS BONS TEMPOS DA BOCA DO LIXO ESTÃO DE VOLTA, só que agora não é filmes produzidos apenas em São Paulo, mas sim em todo o Brasil.

E só para concluir: Qual é o tormento de Mathias? O tormento de Mathias somos todos nós, seus vizinhos, seus colegas, sua família, seu patrão, seus auto-intitulados superiores! Recomendo que os leitores do blog confiram essa produção independente, há várias limitações, mas é um filme autêntico no que se propõe, ou seja, quer divertir e consegue isso, coisa que muito filme de 150 milhões de dólares se propõe a fazer e não consegue!

imagens de "O Tormentos de Mathias".

E veja o trailer do filme no youtube, se você gostou pode encomendar uma cópia do filme com o diretor Sandro Debiazzi pelo e-mail: sandrodebiazzi@hotmail.com

Projeto Páscoa Sarnenta 3: Entrando numa Fria com Baiestorf

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , on maio 2, 2011 by canibuk

Era tudo previsto. 16 anos trabalhando com Baiestorf já me colocaram na posição invejável (??!) de saber que vai ser mais uma lascada. E assim mesmo aceitar e se preparar durante mais de dois meses para… Entrar em mais uma fria… Ou não… Gravar quatro curtas metragem em 2 dias e meio me lembraram que já havíamos tentado uma façanha parecida no longevo ano de 1996 quando ousamos cometer o vídeo-escatológico-musical  “Caquinha Superstar A-Go-Go”, num espaço de tempo parecido e realizamos umas das obras mais esquecíveis de nossa parceria. Mas que seja, vamos lá… Já estava com os efeitos especiais e máscaras preparados, Gisele Ferran já havia trabalhado os figurinos, e até armas novas tínhamos para usar em cena, teríamos as preciosas colaborações de Daniel “Australiano” (Câmara, fotografia e iluminação) e Adriano Trindade(Ator e faz-tudo), além das presenças honrosas de sempre (Timm & Copini, foto ao lado) e o vilão especialmente convidado Felipe Guerra, com a sádica missão de documentar a catástrofe de perto… Baiestorf viajando para Sampa para participar do Festival Do Cinema de Bordas e chegando somente na sexta à tarde… Ficamos eu e Gisele Ferran (além de minha Musa, uma dedicada produtora executiva, trabalhando com afinco por detrás da câmera desde a pré produção) encarregados de receber Daniel ”Mel Gibson Jr.” na rodoviária nas primeiras horas do dia (depois de ficarmos até as 3 e 30 da manhã em um show) e ajudados por Timm & Copini arrumarmos cenários e detalhes dos curtas. Os outros cúmplices vão chegando e até o gênio Multi-mídia Gurcius Gewdner materializa-se para dar uma mãozinha na maluquice toda…Todos exaustos de viajar (ou passar a noite em festas ou as duas coisas juntas), mas alegres em se reencontrar e embarcar nesta canoa… Começamos o Far West-Pampeano “Pampa’Migo”  em meio a muitas risadas, cachaça e cervejas e fiascos de um dos membros da equipe que acaba desmaiando de bêbado em meio a relva úmida da noite Palmitense… Tudo dentro do normal e do cronograma (inclusive um rápido churrasco gaúcho para comemorar a Sexta -Feira -Santa-Sarnenta, saboreado inclusive por vegetarianos empedernidos, mas provocativos e ateus). Uma noite de descanso depois, acordamos cedo para começar a rodar “O Monstro Espacial”, enquanto bebericava uma xícara de café preto revigorante me dirigi até a sacada da casa onde uma vista privilegiada me deixava admirar a Ilha Redonda, o Rio Uruguai, o Rio Grande do Sul do outro lado, colinas verdejante e… Uma pusta tempestade se aproximando muito, mas muito rápido… Chamei Baiestorf que ao observar as nuvens negras-lúgrubes-violentas proferiu um “Xi ! Fudeu!!!”… E passamos o dia esperando a torrente de água passar e acabamos adiantando as gravações de “Filme Político”… Um curta digamos assim… Provocativo… Ou não… Fim de tarde, uma garoa gélida envolvia tudo, mas a chuva parecia que iria parar…   Hora de entrar literalmente em uma fria e tentar arrumar o cenário molhado de “Pampa’Migo” e improvisar uma proteção para uma possível nova reviravolta da senhora Natureza. Desgraça que não veio e podemos trabalhar duro até… 6 e 30 da manhã de Domingo…Todos (todos mesmos) exaustos e sonolentos, após alguns cortes em cenas e abreviaturas em performances e detalhes, podemos comemorar o término das filmagens do segundo (dos 4 previstos) curtas do feriado. Confabulando tempo depois com Élio Copini, chegamos à mesma conclusão: se ainda estivéssemos trabalhando à moda-antiga (pouco se lixando com detalhes, fotografia e um mínimo de qualidade, teríamos conseguido fazer todo o projeto, mas seria tipo assim, mais um “Caquinha” em nossas carreiras… Ou não… Mas foi inegável o prazer de ver cenas gravadas e constatar que mesmo trash-podres-independentes-loucos e pobres, ainda conseguimos fazer coisas que nos darão prazer em ver e rever e exibir… E que o cinema-vídeo de guerrilha, ainda é a única alternativa ao cinemão-xoxo-rúliudiano-pubriciotário, praticado e cuspido em nossas telas e telinhas diariamente… Apesar de todo o esforço, suor, adrenalina, neurônios, ki-los (a mais e a menos) e células gástricas gastas em um feriadão que poderíamos estar somente bebendo, vadiando e namorando… Ou… Não…!

Valeu! Obrigado a todos… Afinal, gosto muito mais do Inverno, então, assim entrar em mais uma FRIA, por causa de antigas teimosias e influências de amigos sem noção… Pode ser sempre um grande prazer… Ou…

Escrito por Coffin Souza (ator e maquiador gore old school).

Imagem meramente ilustrativa.

Projeto Páscoa Sarnenta 2: Observações de um Gaúcho Necrófilo

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , on abril 29, 2011 by canibuk

Nos últimos dias, estive afastado do blog (Nota do Canibuk: Do blog Filmes Para Doidos) por estar envolvido em dois eventos únicos: a Mostra Cinema de Bordas promovida pelo Itaú Cultural, que chegou à sua terceira edição, e “Páscoa Sarnenta”, um projeto conjunto com a lenda do cinema independente brasileiro Petter Baiestorf.

Algumas considerações sobre ambos, pois sempre acho que vale a pena dividir pequenos fragmentos de memórias cinematográficas com leitores de um blog sobre cinema…

Felipe Guerra & Baiestorf.

1. Cinema de Bordas
Infelizmente, neste ano não pude acompanhar o Cinema de Bordas todos os dias por causa deste projeto com o Baiestorf. Mesmo assim, o evento no Itaú Cultural proporcionou uma daquelas raras oportunidades de reencontrar velhos amigos e fazer novos.

Estiveram presentes realizadores como Rodrigo Aragão, Joel Caetano, Sandro Debiazzi, Rodrigo Brandão e o próprio Baiestorf, mas quem roubou a cena foram duas lendas vivas do cinema underground nacional: Manoel Loreno, conhecido como Seu Manoelzinho, e Aldenir Coty, ninguém mais ninguém menos que o Rambú da Amazônia!!!

Seu Manoelzinho é a própria encarnação do chamado “Cinema de Bordas”, e realizou filmes ingênuos e muito divertidos feitos em VHS, com roteiros improvisados (o realizador é analfabeto), situações sem pé nem cabeça e uma montagem que beira o surreal.

Ver aquele sujeito humilde e desajeitado, lavrador e faxineiro de cinema em Mantenópolis (interior do Espírito Santo), apenas confirmou a famosa frase de Werner Herzog que adoro citar em benefício próprio: “O cinema não é uma arte de eruditos, mas de analfabetos”.

Também me deu a certeza de que esses estudantes de cinema de hoje são tudo uns chorões, porque se um analfabeto de Mantenópolis consegue pegar uma câmera e fazer 20 longas-metragens, e eles não conseguem nem ao menos terminar seus curtas, é porque alguma coisa está MUITO errada…

Fiz questão de tirar foto e comprar DVDs com filmes de Seu Manoelzinho, entre eles o clássico western “O Homem Sem Lei”, que tem cenários mostrando apenas a fachada de estabelecimentos como delegacia e saloon, e tiroteios filmados através de bombinhas acesas diretamente no cano dos “revólveres”!!!

Também dei um furo ao pedir autógrafos nos DVDs sem lembrar que o célebre Loreno não é versado no dom da escrita: mesmo assim, o esforçado realizador fez dois garranchos completamente diferentes em cada caixinha!

Já Rambú roubou a cena quando apareceu no Itaú Cultural vestido com calça militar, chinelos-de-dedo e faixa vermelha amarrada na testa, como manda o figurino de seu personagem calcado no Rambo de Stallone.

Percebi que Coty realmente acredita ser uma espécie de sósia do famoso Sylvester, tanto que na Mostra estava exibindo sua nova produção, “Roquí – O Boxeador da Amazônia”, um curta hilário que já está no YouTube.

Bastante assediado e exigido para fotografias, o astro amazonense já revelou que deverá estrelar também uma versão genérica de “Stallone Cobra” – que, pela lógica dos títulos anteriores, deverá se chamar “Cobrá da Amazônia” (já deixo a sugestão)! Vai ser engraçado vê-lo com óculos espelhados e falando “Você é um cocô” com sotaque de Manaus…

Na quinta-feira, 21, teve a exibição conjunta de meu curta “Extrema Unção” e do filme do Baiestorf “O Doce Avanço da Faca”, que teve alguns cortes nas cenas de sacanagem exigidos pelos organizadores.

Eu já tinha visto o filme do Petter e não me importei com a retirada do sexo gratuito, mas foi uma pena eliminarem a bela história em quadrinhos exibida no começo do curta e até O FINAL da obra, mutilando completamente a obra do realizador! (Nota de Canibuk: Eu, Baiestorf, concordei com os cortes e assumo a responsabilidade por estes cortes, chega deste assunto!)

Depois da exibição, rolou um bate-papo meu e do Baiestorf com o moderador Lúcio Reis. Já fiz um lance parecido no Fantaspoa alguns anos atrás e sabia que o Petter fala sem parar, então fiquei servindo de escada para ele e fizemos inúmeras piadinhas que levaram o público às gargalhadas. Parecia até show de stand-up comedy, só que sentados.

Lucio Reis, Guerra & Baiestorf.

O mais surpreendente foi a presença de dois estudantes de cinema que fizeram perguntas. Pensei que eles iriam nos detonar, pois isso é bem do feitio desse tipo de estudante, mas eles na verdade elogiaram nossa iniciativa de “fazer por conta” e reclamaram da faculdade, que não lhes dá a liberdade de fazer o mesmo.

Aí eu e o Petter aproveitamos para dar nosso pitacos sobre o tema, em trecho que foi filmado pelo amigo Fritz e você pode ver no vídeo abaixo.

Infelizmente, não pude ver a estreia do média-metragem “O Tormento de Mathias”, de Sandro Debiazzi, onde apareci como ator ao lado do Joel Caetano e outras feras (ô loco, bicho!). Queria ver a reação do público ao filme e à minha interpretação tenebrosa, mas naquele momento eu já estava a caminho de Palmitos, interior de Santa Catarina, para filmar com o Baiestorf.

2. Páscoa Sarnenta
Logo após o bate-papo no Cinema de Bordas, tivemos uma reunião sobre um possível projeto cinematográfico conjunto que juntará, no mesmo filme, eu, Rodrigo Aragão, Baiestorf e Joel Caetano. Não vou dar detalhes enquanto isso não sai do papel, mas a reunião deixou todo mundo otimista.

Petter então lembrou que precisávamos pegar o avião para Santa Catarina bem cedinho no dia seguinte, e pediu para voltarmos cedo para casa – porque ele ia dormir num colchão na minha sala, para chegarmos mais rápido ao aeroporto.

Claro que na prática não foi bem assim: acabamos a noite num bar na Augusta onde ficamos bebendo até quase cinco da manhã, entre risadas e doideiras como o telefonema em que Fernando Rick supostamente falou comigo e eu estava em casa, embora eu estivesse no bar e nunca tenha recebido nenhuma ligação dele!!!

No dia seguinte, mortos de sono e de cansaço, finalmente pegamos o avião para Chapecó e o puto do Baiestorf aproveitou para explorar meu medo de voar: sentado na porta de emergência da aeronave, ficava ameaçando abrir aquela merda durante todo o voo!

Chegamos em Chapecó sem maiores problemas (apesar das sacanagens do Petter) e pegamos carona com Carli Bortolanza para Palmitos, onde parte da equipe do Baiestorf já esperava para o início do Projeto Páscoa Sarnenta.

Vou explicar rapidamente o que foi esse negócio: há alguns meses, fuçando no YouTube, descobri o trailer de um documentário chamado “Lado B – Como Fazer um Longa Sem Grana no Brasil”, de Marcelo Galvão.

O título é chamativo e a sinopse diz: “Longe das verbas milionárias, o filme revela as dificuldades enfrentadas por quem não dispõe de recursos para realizar um projeto”.

Confesso que a primeira coisa que pensei foi: “Ué, por que não me entrevistaram para esse negócio?”. Afinal, fiz um curta de 40 reais ano passado. Aí vi o trailer de “Lado B” e descobri que eles usaram depoimentos de cineastas como Fernando Meirelles e Ugo Giorgetti, choramingando por terem feito curtas com APENAS 90 mil reais.

Fiquei tão puto que resolvi realizar um verdadeiro documentário sobre “como fazer cinema sem grana no Brasil”, e entrei em contato com o Baiestorf sugerindo que ele filmasse um curta-metragem de baixíssimo orçamento num final de semana enquanto eu acompanhava os bastidores, estilo “Popatopolis”, em que Clay Westervelt acompanhou Jim Wynorski enquanto ele fazia um filme em três dias.

O Petter gostou da ideia, mas, como ele é um sem noção, resolveu fazer não um, mas QUATRO curtas nos três dias do feriadão de Páscoa: “Pampa’Migo”, uma espécie de western sangrento; “O Monstro Espacial”, com efeitos e monstrinhos elaborados por Rodrigo Aragão; “Filme Político Número Um”, um curta experimental com pintos e pererecas em close, e finalmente seu próprio documentário sobre o documentário que eu estava filmando!

Teste de Efeitos: Vermes Espaciais com design de Rodrigo Aragão.

Enfim, nos acomodamos no sítio da família Baiestorf, em Palmitos, para engraçadíssimos três dias sobre os quais não vou dar muitos detalhes, mas que vão render um filme divertidíssimo sobre os bastidores da produção independente nacional.

Conheci gente que só conhecia de nome e de fama, como a nova estrela das produções de Petter, Gisele Ferran, e a lenda viva Jorge Timm, entre outros. Dividi uma cama de casal com Gurcius Gewdner, responsável por algumas das maiores gargalhadas dos três dias de filmagem, principalmente por tentar censurar o documentário após emitir opiniões polêmicas sobre pessoas conhecidas e ex-namoradas.

E, finalmente, descobri que há um ano estou acreditando numa mentira contada pelo Petter, de que o seu diretor de fotografia, o australiano Daniel Yencken, havia sido um dos atores-mirins de “Mad Max – Além da Cúpula do Trovão”, algo que o Baiestorf me contou ainda em 2010 e que o próprio Daniel fez questão de negar – e eu que estava até pensando em entrevistá-lo sobre suas experiências com Mel Gibson e George Miller!

No fim, Baiestorf conseguiu concluir apenas dois dos curtas planejados, “Pampa’Migo” e “Filme Político”, em virtude da chuva que estragou um dia inteiro de filmagens.

Participei como figurante em “Pampa’Migo”, interpretando um personagem batizado “Cagão”, que posteriormente também deveria aparecer numa espécie de suruba entre sangue e tripas no curta não-filmado “O Monstro Espacial” – mas não foi dessa vez que protagonizei uma cena erótica no cinema, para a sorte dos espectadores!

Teste de figurino do Monstro Espacial (Elio Copini).

Depois, fiquei duas noites hospedado na casa do Baiestorf com o Gurcius até a longa viagem de volta, de ônibus, para o Rio Grande do Sul, onde estou nesse momento para os festejos do Dia das Mães. Vimos muitos filmes entre risadas e cervejas.

Achei que o Petter iria me bombardear com filmes tipo “Nekromantik”, mas, para minha total surpresa, passamos esses dias vendo ingênuos filmes de praia estrelados por Frankie Avalon e Annette Funicello, e rindo como completos imbecis!

Também teve uma hilária, mas hilária mesmo, sessão de “Invasão USA”, do Chuck Norris, que se transformou numa comédia involuntária total diante dos comentários meus, do Gurcius e do Petter. E vimos “O Espantalho Assassino”, do Seu Manoelzinho, numa experiência verdadeiramente mágica.

Despedi-me de Palmitos e de sua fauna de pessoas excêntricas (sem dúvidas, a verdadeira Twin Peaks brasileira) e embarquei para o RS na manhã de terça-feira.

3. Sobre viagens longas e leituras
Para voltar para casa, eu teria que utilizar três meios de transporte: ônibus de Palmitos a Chapecó, então esperar quatro horas até o ônibus de Chapecó para Porto Alegre, e então pegar uma carona com uma amiga de volta a Carlos Barbosa.

Como eu sou hiperativo, sabia que jamais iria aguentar essa maratona toda de viagens, até porque só a ida de Chapecó a Porto Alegre duraria quase 15 HORAS! Desesperado e sem companhia para conversar, resolvi comprar um livro na esperança de que ler no ônibus me desse sono e eu dormisse parte da viagem – porque, acreditem ou não, eu não consigo dormir no ônibus, nem numa viagem de 15 horas!

Foi aí que descobri que o confinamento em um ambiente sem outras opções (como cinema e internet) e sem possibilidade de fuga permite que você leia muito e sem parar. A edição de bolso de “A Hora do Vampiro”, de Stephen King (livro cuja leitura eu estava adiando há décadas), foi devorada em cerca de oito horas, e estamos falando de um livro de 580 páginas!

Aí lembrei da semana que passei internado no hospital com intoxicação alimentar e, sem poder sair da cama, tinha que escolher entre ler ou ver o Programa do Ratinho na TV. Naquela semana, li um livro por dia.

Todos sabem que não gosto de aviões, mas gosto menos ainda de perder tempo. Porém a viagem de Santa Catarina ao RS me fez perceber que longas viagens de ônibus são uma excelente oportunidade para ler sem parar e sem ser interrompido por coisas como a internet.

Tanto que vou fazer a experiência de voltar a São Paulo de ônibus, com vários livros na mochila, para ver se consigo colocar a leitura em dia!

Observações de Felipe Guerra sobre o Projeto Páscoa Sarnenta, publicada originalmente no seu blog FILMES PARA DOIDOS: http://filmesparadoidos.blogspot.com/

Projeto Páscoa Sarnenta: Eu Falhei!!!!!!!!!!

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , on abril 27, 2011 by canibuk

Acabei de voltar das filmagens do “Projeto Páscoa Sarnenta” onde havia planejado fazer 4 filmes em 3 noites e 2 dias, sendo tudo registrado pela câmera do Felipe Guerra (diretor de “Canibais & Solidão”, “Mistério na Colônia”, entre outros). Os 4 filmes que escrevi foram: “O Monstro Espacial” (que teria a estética do Cinema Marginal misturada à estética dos filmes de Sci-Fi dos anos 50 com gore festivo a la anos 80),”Filme Político Número Um” (experimentalismo radical sobre políticos brasileiros), “Pampa’Migo” (um lapso de tempo na vida de criaturas amarguradas que se encontram num feijoada western) e “Como não Filmar um Filme Independente sem Orçamento” (documentário sobre o documentário que Felipe Guerra estaria fazendo).

EU FALHEI

Começamos a filmar na noite da sexta-feira santa (após retornar do Cinema de Bordas 3 que estava rolando em São Paulo, onde Felipe Guerra e eu participamos de um debate com o Lúcio Reis) com o “Pampa’Migo”, filmamos a primeira seqüência (umas 4 horas de trabalhos prá deixar ela lindona, trampar com tempo é outra coisa) e fomos dormir porque todos estavam cansados demais. Botei despertador prás 07 horas da manhã e assim que despertou para mais um dia lindo de trabalhos (iríamos filmar “O Monstro Espacial” neste dia de sábado), lá fora no céu, se armou uma tempestade com ventos malignos e desceu água o dia todo. Vendo que a chuva não iria dar trégua, chamei o Daniel Australiano (Yencken), nosso diretor de fotografia, e fomos para o porão da casa onde a equipe estava abrigada e começamos a preparar o cenário para as filmagens do “Filme Político Número Um”, depois de pintarmos uma parede de branco, chamados Coffin Souza e Gisele Ferran (atores deste curta) e filmamos rapidão.

Lá pelas 16 horas do sábado, a chuva continuava na forma de uma garoa fininha só prá atrapalhar. Adriano Trindade me passou a idéia de colocarmos lonas sobre o cenário das filmagens de “Pampa’Migo” prá terminarmos as filmagens na noite que se aproximava. Lá fomos na chuva eu, Coffin Souza e Adriano, começamos armar lonas e o vento aumentou (mas com a chuva parando de cair), foi a deixa prá sacar que a chuva já era e teríamos noite calma de filmagens, como de fato aconteceu. Como para terminar o “Pampa’Migo” ainda faltava filmar 7 seqüências, resolvemos começar assim que a luz ficou boa e, 12 horas depois, lá pelas 06:30 do domingo, com todos exaustos, mal humorados e zumbis (por sono) conseguimos finalizar as filmagens do “Pampa’Migo” (mas para conseguir isso tirei fora uma seqüência de dança, um casal iria dançar tango e resumi a última seqüência).

Usamos metade do dia do domingo prá dormir um pouco. Sei que foi uma atitude de vagabundos dormir toda a manhã de domingo tendo ainda “O Monstro Espacial” para filmar, mas já deitei sabendo que não iria conseguir realizar o projeto todo, já deitei sabendo que tinha falhado!!!!!

Segue algumas fotinhos (de Daniel Yencken) da produção que agora deixa de se chamar “Páscoa Sarnenta” para virar 2 curtas independentes: “Pampa’Migo” (que foi uma experiência prá usar luzes e filmar takes de um modo que eu não costumava filmar por ser sempre o diretor de fotografia de meus filmes, adorei dirigir sem precisar estar na filmadora) e “Filme Político Número Um” (que ficou exatamente como imaginei e vai dar o que falar, tenho certeza disso!).

Quem ficou interessado em ver como foram caóticas essas filmagens, aguarde para o segundo semestre de 2011 o lançamento do documentário do Felipe Guerra.

Terceira Mostra de Cinema de Bordas

Posted in Arte e Cultura, Cinema with tags , , , , , , , , on abril 18, 2011 by canibuk

Quem é paulista não tem desculpas prá não aparecer na terceira Mostra de Cinema de Bordas que vai acontecer no Itaú Cultural entre os dias 19 e 24 de abril. A programação da mostra vai contar com uma prévia do “A Noite do Chupa Cabras” (2011) de Rodrigo Aragão, lançamentos do “A Paixão dos Mortos” (2011) de Coffin Souza e “Estranha” (2011) de Joel Caetano e vários outros filmes de obscuros realizadores brasileiros, como “A Gripe do Frango” (2008) de Seu Manoelzinho, “O Sacrifício – Noite Maldita do Vinil” (2007) de Rubens Melo, “Museu de Cera” (1988) de Pedro Daldegan, “O Lobisomem da Pedra Branca” (1983) de José Denísio Pereira, “A Maleta” (2010) de Rodrigo Brandão e “O Tormento de Matias” (1992-2011) de Sandro Debiazzi que conta com um grande elenco, incluíndo uma das curadoras da mostra, Bernadette Lyra e Felipe Guerra que também estará no debate comigo e Lúcio Reis no dia 21 de abril, parte do programa 4 que também exibirá os filmes “Extrema Unção” (2010) de Felipe Guerra e “O Doce Avanço da Faca” (2010) que filmei em apenas 4 dias no ano passado. Só achei engraçado “O Doce Avanço da Faca” (mesmo com 10 minutos de filme cortado) ainda ter pego censura 18 anos, assim como nosso inocente bate-papo que também ficou somente para os maiores. Prá quem curte debates, no dia 20 rola um com o Seu Manoelzinho. E durante o evento todo será realizado uma oficina com o Joel Caetano da Recurso Zero Produções, recomendo quem puder participar desta oficina que o faça, Joel é um cara bem criativo e tá sempre criando ótimos climas sem grana alguma. Sou fã dele!

Programação completa aqui: http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2841&cd_materia=1540

Local: Itaú Cultural – Sala Itaú Cultural

Endereço: Av. Paulista 149 (Paraíso), próximo à estação Brigadeiro do metro)

fone para informações: (11) 2168-1777

Abaixo Poster pintado pela artista plástica Leyla Buk para o meu filme “O Doce Avanço da Faca”, achei a arte tão fantástica que resolvi postar somente o quadro dela antes do poster/cartaz estar finalizado (em breve Gurcius Gewdner estará finalizando as letras do cartaz e já posto ele prontinho aqui).

Sangue Marginal

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , on março 14, 2011 by canibuk

“Sangue Marginal” (2009-2010, 43 min.) de Bruno Russo Simonetti e Marcos Antonio Vaz de Oliveira Filho é um documentário independente sobre a produção independentes de filmes aqui no Brasil, com entrevistas com José Mojica Marins, Coffin Souza, Kapel Furman, Fernando Rick, Gurcius Gewdner, Felipe Guerra e vários outros produtores/diretores que teimam em fazer as coisas ao seu modo. Além dos realizadores, ainda são entrevistados pessoas ligadas ao cinema, como Marcelo Milici (do site Boca do Inferno) e o trio Bernadette Lyra, Gelson Santana e Laura Cánepa que são os responsáveis pelos livros “Cinema de Bordas”. O curta foi um trabalho de conclusão de curso da dupla de diretores e a melhor introdução ao vídeo independente que já vi produzida aqui no Brasil (apesar da sentida falta de entrevistas com realizadores fantásticos como Ivan Cardoso, Rodrigo Aragão e Joel Caetano). Para vê-lo é só baixar arquivo:

http://www.megaupload.com/?d=9K7DEDPA

E quem quiser saber mais sobre a realização do documentário pode acessar a entrevista que o Bruno Simonetti cedeu para o site Viceland:

http://www.viceland.com/blogs/br/2010/03/29/sangue-bom-entrevista-com-bruno-simonetti/

Cartaz do documentário: