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La Montagna del Dio Cannibale

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 1, 2012 by canibuk

“La Montagna del Dio Cannibale” (1978, 103 min.) de Sergio Martino. Com: Ursula Andress, Stacy Keach, Claudio Cassinelli e Franco Fantasia.

“A Montanha dos Canibais” começa com Susan Stevenson (Ursula Andress) tentando encontrar, com ajuda de seu irmão (Antonio Marsina) e do professor Edward Foster (Stacy Keach), seu marido nas selvas da Nova Guiné. Como acreditam que o marido de Susan desapareceu numa montanha amaldiçoada, que ainda abrigaria uma tribo de canibais selvagens, eles só podem contar com a ajuda de outro explorador, Manolo (Claudio Cassinelli), para tentar chegar até a terrível montanha. Enfrentando sucuris, jacarés, tarantulas, cobras, pernilongos, plantas venenosas e outras armadilhas mortais da selva, o grupo chega até a missão do padre Moses (Franco Fantasia, sempre inspirado) onde atrapalham a paz do dia-a-dia da comunidade religiosa comandada pelo padre. São os instintos carnais do homem civilizado batendo de frente com os instintos primitivos de índios domesticados pela mão do cristianismo branco que vê pecado em tudo. Logo o grupo precisa deixar a comunidade religiosa e chega à montanha onde são capturados pelo índios canibais. Finalmente ficamos sabendo que a montanha é constituida de urânio que Ursula Andress deseja mais ardentemente do que seu marido (agora um cadáver com um contador Geiger batendo no lugar de seu coração e adorado pelos selvagens como se fosse um Deus). Manolo é torturado e Susan despida e preparada para ser a Deusa viva da tribo, enquanto os outros viram o ingrediente principal do banquete de sangue para a Deusa branca da montanha dos canibais.

Com uma produção de baixo orçamento, mas bem cuidada, “La Montagna del Dio Cannibale” é mais violento do que “Il Paese del Sesso Selvagio/Man From Deep River/Mundo Canibal” (1972, Ocean Pictures em DVD) de Umberto Lenzi, mas bem comportado se comparado aos sádicos filmes de Ruggero Deodato de mesmo tema como “Ultimo Mondo Cannibale/O Último Mundo dos Canibais” (1977, Omni Vídeo em VHS) ou “Cannibal Holocaust” (1980, Platina Filmes em DVD). É engraçado ver uma atriz com fama, como era o caso de Ursula Andress, no elenco deste filme. Ela fica pelada boa parte das cenas, faz sexo e é vítima de todo tipo de abusos físicos típicos de uma produção italiana deste período. “A Montanha dos Canibais” foi roteirizado pelo diretor Martino e Cesare Frugoni (entre outros trabalhos, ajudou nos roteiros de filmaços como “Cani Arrabbiati” (1974) de Mario Bava; “I Guerrieri Dell’Anno 2072/New Gladiators” (1984) de Lucio Fulci ou “Inferno in Direta/Cut and Run” (1985) de Ruggero Deodato), sempre confrontando o civilizado com o primitivo.

Sergio Martino (1938) nasceu em Roma, Itália. É neto do cineasta Gennaro Righelli (que tem o mérito de ter dirigido o primeiro filme sonoro do cinema italiano, “La Canzone Dell”Amore”, em 1930). Começou realizando documentários no final de 1960. Em 1970 dirigiu o western “Arizona si Scatenò… E li Fuori Tutti/O Retorno de Arizona Colt”, estrelado pelo brasileiro Anthony Steffen. Logo se especializou na produção de Giallos, a maioria escritos pelo roteirista Ernesto Gastaldi e estrelados por sua cunhada Edwige Fenech (que era casada com seu irmão Luciano, também produtor deste “A Montanha dos canibais”), dos quais destaco o maravilhoso “I Corpi Presentano Tracce di Violenza Carnale/Torso” (1973, Continental em DVD). Antes da realização de seu filme de canibais, voltou a realizar um western de destaque: “Mannaja/A Man Called Blade” (1977). Em 1979 escalou a gostosa Barbara Bach para levar alguns sustos no maravilhoso “L’Isola Degli Uomini Pesce/Island of the Fishmen”. No rastro do sucesso de “Escape from New York” (1981, Universal Home Video em DVD) de John Carpenter, realizou a sci-fi de ação “2019 – Dopo la Caduta di New York” (1983), estrelado por George Eastman. Com o cinema italiano entrando em falência, Martino migrou para a televisão onde produz até hoje. A título de curiosidade, para o lançamento de “La Montagna del Dio Cannibale” seu irmão usou o pseudônimo de Darryl F. Zanuch, a picaretagem do cinema italiano tem muito que ensinar ao cinema bom-moço brasileiro.

Nunca fui fã da atriz Ursula Andress (1936), mas neste filme ela está fantástica como a megera branca querendo roubar as riquezas naturais dos povos primatas. Andress é suiça e virou sex symbol depois de ser a primeira Bond girl em “Dr. No/007 Contra o Satânico Dr. No” (1962) de Terence Young. Daí em diante apareceu em inúmeros filmes de Hollywood como “Fun in Acapulco/Seresteiro de Acapulco” (1963) de Richard Thorpe, estrelado por Elvis Presley; “4 for Texas/Os Quatro Heróis do Texas” (1963) de Robert Aldrich, com a lindíssima Anita Ekberg e a dupla de conquistadores baratos Frank Sinatra e Dean Martin; “She” (1965) de Robert Day, uma interessante fantasia sobre uma cidade perdida com produção da Hammer e Peter Cushing batendo ponto no elenco; “What’s New Pussycat/O Que é que Há, Gatinha?” (1965) de Clive Donner com roteiro de Woody Allen e Peter Sellers no elenco; “Soleil Rouge/Sol Vermelho” (1971) de Terence Young, com Charles Bronson e Toshirô Mifune e “Africa Express” (1976) de Michele Lupo até que, acredito eu, deve ter perdido alguma aposta com os irmãos Martino e acabado em “La Montagna del Dio Cannibale”. Depois disso sua carreira de atriz não trouxe nada de relevante (só uma aparição meia boca no engraçado “Clash of the Titans/Fúria de Titãs” (1981) de Desmond Davis, com efeitos de stop motion do mestre Ray Harryhausen.

Já o ator Stacy Keach (1941) saiu do set de “La Montagna del Dio Cannibale” diretamente para o set de “Up in Smoke/Queimando Tudo” (1978) de Lou Adler com a dupla Cheech Marin e Tommy Chong (ele também dá as caras em “Nice Dreams/Altos Sonhos de Cheech e Chong” (1981) de Tommy Chong). Keach apareceu em muito filme bom, como “The Long Riders/Cavalgada dos Proscritos” (1980) de Walter Hill no papel do vilão boa praça Frank James; “Roadgames/Enigma na Estrada” (1981) de Richard Franklin; “Body Bags/Trilogia do Terror” (1993, London Films em DVD) e “Escape From L.A./Fuga de Los Angeles” (1996, Paramount Home Video em DVD), ambos de John Carpenter. Outro ator que merece destaque é Franco Fantasia (1924-2002), que participou de mais de 130 filmes (em “La Montagna del Dio Cannibale” ele, além de atuar, também foi assistente de direção), inúmeras produções que viraram cults nos dias de hoje, como os clássicos “Space Men/Assignment: Outer Space” (1960) de Antonio Margheriti; “Un Dollaro Bucato/O Dólar Furado” (1965) de Giorgio Ferroni; “Justine de Sade” (1972) de Claude Pierson; “Zombie 2” (1979, London Films em DVD); “Mangiati Vivi!/Os Vivos Serão Devorados” (1980) de Umberto Lenzi e “Vendetta del Futuro/Keruak – O Exterminador de Aço” (1986) também de Sergio Martino, em participação não-creditada.

Em tempo, a trilha sonora de “La Montagna del Dio Cannibale” é assinada por Guido e Maurizio de Angelis, os irmãos responsáveis por soundtracks sensacionais para filmaços como “… Continuavano a Chiamarlo Trinità/Trinity Ainda é Meu Nome” (1971, New Line Video em DVD) de Enzo Barboni, estrelado pela genial dupla Bud Spencer e Terence Hill; “Valdez – Il Mezzosangue/Chino” (1973, Studio T Home Video em DVD) de John Sturges e Duilio Coleti, estrelado por Charles Bronson; “Zorro/A Marca do Zorro” (1975) de Duccio Tessari; “Keoma” (1976, USA Filmes em DVD) de Enzo G. Castellari, com Franco Nero; “Killer Fish/O Peixe Assassino” (1979, Abril Video em VHS) de Antonio Margheriti; “Alien 2 – Sulla Terra” (1980) de Ciro Ippolito e “Banana Joe” (1982, Paris Filmes em DVD) de Steno, comédia sobre a burocracia do estado genialmente estrelada por Bud Spencer em grande forma. A dupla trabalhou compondo trilhas para praticamente todos os grandes diretores italianos dos anos 70/80, que iam de Umberto Lenzi, passando por gente como Ruggero Deodato, Sergio Corbucci, Bruno Corbucci, Marino Girolami, Sergio Sollima, até Michele Lupo.

“La Montagna del Dio Cannibale” foi lançado em DVD no Brasil pela Cult Classic em cópia com alguns minutos  a mais de Ursula Andress pelada do que a cópia em VHS da distribuidora Pole Vídeo que circulava por aqui antes. Não é o melhor filme do ciclo de filmes de canibais italianos, mas mesmo assim garante momentos de diversão. Obrigatório!

por Petter Baiestorf.

Assista “La Montagna del Dio Cannibale” aqui:

“La Montagna del Dio Cannibale” pelo mundo:

The Astro-Zombies

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on maio 15, 2012 by canibuk

“The Astro-Zombies” (ou “Space Zombies” ou “The Space Vampires”, 1968, 91 min.) de Ted V. Mikels. Com: Tura Satana, John Carradine, Wendell Corey, Tom Pace, Joan Patrick e mais um bando de desconhecidos.

A trama de “The Astro-Zombies” é quase inexistente: Um cientista, depois que é despedido da agência espacial americana, decide criar monstros com partes dos corpos de vítimas inocentes. Lógico que as criaturas vão fugir e aprontar altas confusões (desculpem, não consegui resistir). Depois dos créditos iniciais que são mostrados sob as imagens de robôs de brinquedo andando de um lado pro outro, não podemos esperar mais nada do que uma trama confusa. Mas como o diretor atende pelo nome de Ted V. Mikels (aqui com uma ajuda na produção e roteiro do ator Wayne Rogers da série de TV “M*A*S*H*”) sabemos que se trata de uma delíciosa bobagem sem orçamento, completamente mongol onde nada funciona, com interpretações pavorosas, edição tosca, trabalho técnico amador (a iluminação do filme é extremamente mal feita), maquiagens horríveis e uma falta de lógica impagável que transforma o filme em objeto de culto por sua ruindade absoluta.

Ted V. Mikels, nascido em 1929 com o nome real de Theodore Mikacevich, é um diretor da categoria de Ed Wood, H.G. Lewis, Doris Wishman e Ray Dennis Steckler, que sempre filmou sem dinheiro algum e teve lucro com seus filmes, o que possibilitou a compra de um castelo em Glendale, California, onde vive até hoje com um harém de mulheres. Começou sua carreira artística trabalhando no teatro e logo depois partiu para a lucrativa produção de filmes vagabundos para o mercado de drive-ins americanos. Também era um esperto produtor que, imitando William Castle, sempre tinha gimmicks promocionais, como ambulâncias e gostosas enfermeiras a disposição do público que poderia passar mal na exibição de seus filmes (só se fosse passar mal de raiva pela adorável chinelagem!).

Seu primeiro longa foi “Strike Me Deadly” (1963) onde um guarda florestal e sua esposa testemunham um assassinato e são mantidos prisioneiros em uma cabana isolada. “The Black Klansman” (1966), uma saga sobre a intolerância racial onde um negro se disfarça de branco e entra para um grupo de caipiras da Ku Klux Klan para se vingar da morte de sua filha num atentado que este grupo realizou na igreja que a menina freqüentava, foi uma tentativa de cinema mais sério de Mikels. Depois de “The Astro-Zombies”, Mikels realizou o clássico “The Corpse Grinders” (1971, que atualmente está em pré-produção a terceira parte da série), uma pequena peça de demência sobre uma fábrica de comida para gatos que, para enfrentar a crise, decide começar a fazer sua ração com cadáveres do cemitério local. Em seguida Ted realizou uma série de filmes onde os títulos prometiam muito mais do que era visto nas telas, como “Blood Orgy of the She-Devils” (1972), sobre o mundo obscuro da feitiçaria; “The Doll Squad” (1973), trasheira de ação mal filmada com um elenco de beldades que incluiam Tura Satana, Francine York e Lisa Todd e “Ten Violent Women” (1982), sua visão sobre o tarado mundo das prisões femininas num W.I.P. ruim/divertido.

Na qualidade de produtor Ted V. Mikels realizou vários bons filmes, com destaque aos geniais “The Worm Eaters” (1977) do hilário maníaco Herb Robins, um lendário clássico do mau-gosto cinematográfico onde várias pessoas comem minhocas em sorvetes, tortas e cachorros quentes com um grandes sorrisos nos seus rostos e o inspirado “Children Shouldn’t Play With Dead Things” (1973) da dupla Alam Ormsby e Bob Clark (que depois ficou rico e famoso com a série adolescente “Porky’s”), onde o orçamento era tão curto que os figurantes que interpretavam os zumbis do filme fizeram uma greve ao descobrirem que a comida que lhes era servida era, na verdade, arranjada na lixeira de um restaurante das redondezas. Em 2002 Mikels filmou a continuação de “The Astro-Zombies” intitulada “Mark of the Astro-Zombies”, estrelada por uma envelhecida (e gordona) Tura Satana, mas ainda dona de um senso de humor ótimo. Existem ainda as continuações “Astro Zombies: M3 – Cloned” (2010) e “Astro Zombies: M4 – Invaders from Cyberspace” que infelizmente ainda não tive a oportunidade de assistir.

Com um elenco de famosos, vemos como Mikels não levava jeito para a direção de atores. John Carradine fez inúmeros filmes de horror para a Universal Studios, como “House of Frankenstein” (1944) e “House of Dracula” (1945), ambos de Erle C. Kenton. Fez 11 filmes com John Ford, entre eles “Stagecoach” (1939), “The Grapes of Wrath” (1940) e “The Man Who Shot Liberty Valance” (1962). Já em fim de carreira contracenou com Vincent Price, Christopher Lee e Peter Cushing no “House of the Long Shadows/A Mansão da Meia-Noite” (1983) de Pete Walker. Seus últimos filmes foram produções de baixo orçamento (mas alta diversão) como “Buried Alive” (1990) do diretor de filmes hardcore Gérard Kikoïne agora investindo em horror e filmes do picareta cara de pau Fred Olen Ray, como “Bikini Drive-In” (1995), montado com stock footage do veterano ator (Carradine havia falecido em 1988). “The Astro-Zombies” foi o último filme do ator Wendell Corey que, entre outros, aparece no clássico “Rear Window/Janela Indiscreta” (1954) de Alfred Hitchcock. E Tura Satana dispensa apresentações aos leitores do Canibuk (mas leia mais sobre ela clicando aqui).

Quem quiser saber mais sobre a vida e carreira de Ted V. Mikels, procure o documentário “The Wild World of Ted V. Mikels” (2009) de Kevin Sean Michaels, com narração do gênio John Waters.

por Petter Baiestorf.

A Outra Face de Hollywood: Filme B

Posted in Cinema, Literatura with tags , , on dezembro 8, 2010 by canibuk

O carioca Antonio Carlos Gomes de Mattos escreveu o livro “A Outra Face de Hollywood: Filmes B” (editora Rocco, 185 páginas) sobre a indústria cinematográfica dos anos 30 e 40 quando a prática dos filmes B funcionava que era uma maravilha, lembre-se, nos anos 30 e 40 o cinema começava a ganhar força e ainda não existia a televisão.

No livro Mattos aborda aspectos históricos, comerciais, artísticos e sociológicos e oferece um panorama do filme B (que muita gente confunde com filme trash e/ou filmes de Drive-In). O autor discute o western B, seriados cinematográficos, cinema negro e ídiche, filmes de exploração e destacando a carreria de alguns produtores influentes neste mercado, como Joseph H. Lewis, Phil Karlson, Edgar G. Ulmer, Val Lewton, William Castle, Hugo Haas, Roger Corman, Herschell Gordon Lewis, Edward D. Wood Jr e outros. O livro ainda tráz sinópses e fichas técnicas de vários filmes comentados no livro. Ótimo para sua educação cinematográfica.