Arquivo para filmes de baixo orçamento

Corroendo Pelas Beiradas

Posted in Arte e Cultura, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on junho 18, 2013 by canibuk

Mais um protesto na avenida Paulista marcado para essa semana: Cineastas independentes ganham vitrine para seus filmes na mostra Cinema de Bordas que vai acontecer entre os dias de 20 a 23 de junho no Itaú Cultural (Av. Paulista 149), com a exibição de 28 produções que não contam com dinheiro público em seus orçamentos.

Zombio 2_Católicos ZumbisNo Brasil existem inúmeros cineastas independentes que não se utilizam do dinheiro público para produzirem seus filmes. Estes cineastas criaram seus próprios mecanismos de produção e distribuição e tentam evoluir de filme para filme. A produção do cinema independente é um ato político onde cineastas amadores e profissionais se negam a usar dinheiro público para empregar na realização de filmes populares. Os cineastas independentes tem o privilégio de dizer um grande não às possibilidades de trabalhar com as esmolas do governo e criar, dentro de suas próprias condições, obras que o povão entende e aplaude.

Entre os 28 filmes que serão exibidos está meu novo longa-metragem, “Zombio 2: Chimarrão Zombies”, produzido nun sistema de cooperativa que reuniu as produtoras Canibal Filmes, El Reno Fitas, Camarão Filmes e Idéias Caóticas, Bulhorgia Filmes, Sui Generis Filmes, Projeto Zumbilly, Necrófilos Produções, Fábulas Negras, Gosma e mais uns 50 colaboradores, cada um ajudando a fazer o muito com o pouco que podia ajudar.

A mostra Cinema de Bordas vai exibir o primeiro corte de “Zombio 2” (ainda falta mexer no som, efeitos sonoros, trilha sonora e cores do filme) no dia 23 de junho às 18 horas, no encerramento da mostra que prima por exibir o cinema mais autoral (e livre) produzido atualmente no Brasil.

Confira a programação aqui: Cinema de Bordas.

Petter Baiestorf.

Não deixa de acompanhar a mostra Cinema de Bordas

Não deixa de acompanhar a mostra Cinema de Bordas

Zombio 2_Américo Giallo

Zombio 2_Zumbis Podres em Festa 2

Zontar – A Coisa Ridícula de Vênus Ataca Humanos Canastrões

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 3, 2012 by canibuk

“Zontar – The Thing From Venus” (“O Monstro de Vênus”, 1966, 80 min.) de Larry Buchanan. Com: John Agar, Susan Bjurman e Tony Huston.

Em 1956 o diretor Roger Corman, com um roteiro de Lou Rusoff, chamou Peter Graves, Lee Van Cleef e Beverly Garland e legou ao mundo o clássico da sci-fi mundial “It Conquered the World”, que contava a história de um venusiano que queria eliminar as emoções dos humanos para assim ter a paz mundial, mas lógico que o alien queria mesmo era dominar o mundo. O filme de Roger Corman era uma produção da American International Pictures, que em 1964 foi um dos últimos estúdios de cinema a criar sua própria produtora de filmes para TV, que se chamou American International Television e que nunca fez muito sucesso, com vários dos filmes dirigidos por Larry Buchanan. “Zontar – The Thing From Venus” é o remake televisivo do clássico “It Conquered the World”.

O roteiro de ambos os filmes é muito próximo. Re-escrito por Hillman Taylor e Larry Buchanan, “Zontar” conta a história do cientista Dr. Keith (Tony Huston) que está em contato com uma criatura de Vênus com seu impagável sistema de som gigantesco. John Agar, aqui no papel do Dr. Curt Taylor, faz piadas com o colega porque a “voz” de Zontar são sinais sonoros estáticos ininteligíveis. Paralelo a isso, Zontar toma um satélite terrestre e o faz ter problemas para que seja trazido ao planeta Terra (um alien tão poderoso que não tinha nem espaçonave própria?). Uma vez no planeta Terra Zontar se instala numa confortável caverna (segundo ele, com clima próximo do planeta Vênus) e dali, sabe-se lá como, faz com que todas as máquinas humanas parem de funcionar (incluindo torneiras) e, com ajuda de seus morcegos venusianos, implanta algo na cabeça dos terrestres (principalmente funcionários do governo e policiais) que permite a ele controlar as ações das pessoas para seus propósitos malignos.

Diz a lenda que Larry Buchanan foi o único diretor da história do cinema que editou seus filmes colando-os com fita adesiva, dado seu pão-durismo. A se julgar pelos efeitos especiais amadores de “Zontar”, isso pode ser verdade. Tudo na produção é vagabundo e de terceira, o próprio monstro é extremamente mal feito, os morcegos venusianos são de borracha dura e manejados por varas de pesca (e quando atacam os humanos entra o talento dos atores em fazê-los tremer para que pareçam vivos), com cenários e figurinos simplistas que fazem a festa de quem curte um bom filme ruim. Os atores estão todos no piloto automático, na linha “filma logo que tenho que pagar meu aluguel!”.

Larry Buchanan (1923-2004) tem vários filmes nas listas de “piores filmes já feitos” por aí. Texano, foi criado num orfanato onde ficou fascinado com os filmes que eram exibidos nos finais de semana e logo soube o que iria ser quando crescesse. Assim como Russ Meyer (só que desprovido de talento), Buchanan aprendeu a lidar com as câmeras cinematográficas no exército, filmando batalhas durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1951 escreveu, produziu, dirigiu e estrelou o curta-metragem “The Cowboy”, um western sem som que posteriormente ele incluiu uma narração de Bill Free para ter mais sentido. No ano seguinte dirigiu o longa “Grubstake”, outro western. Ficou alguns anos sem dirigir até que em 1961 se encontrou ao realizar “The Naked Witch”, um horror exploitation onde começou a explorar a nudez feminina. Depois de mais alguns exploitations obscuros, em 1965, foi contratado pela American International Television para produzir e dirigir vários remakes, assim fez a comédia de horror “The Eye Creatures” (1965), sobre um alien invadindo uma pequena cidade; “Zontar – The Thing From Venus” (1966), também sobre um alien invadindo uma pequena cidade; “Curse of the Swamp Creature” (1966), horror rural ambientado nos pântanos do Texas; “Mars Needs Women” (1967), impagável comédia de sci-fi sobre marcianos e mulheres terrestres peladas que é um dos meus preferidos dos filmes realizados por ele; “In The Year 2889” (1967), sobre um grupo de sobreviventes da guerra nuclear que lutam contra mutantes canibais; “Creature of Destruction” (1967), onde um cara prevê os assassinatos de um monstro marinho; “Hell Raiders” (1968), drama de guerra e o hilário “It’s Alive!” (1969, não confundir com o filmaço de Larry Cohen de 1974), onde um monstro pré-histórico ridículo ataca fazendeiros. Como o pessoal da AIP-TV era mais sem noção do que o próprio Buchanan, parece que a ordem para a produção dos remakes veio acompanhado da seguinte nota: “Queremos os filmes baratos mas coloridos, precisam ter 80 minutos de duração, ter nomes chamativos e queremos para agora!”. Em 1981 Buchanan filmou a aventura de horror “The Loch Ness Horror”, explorando o mito do monstro marinho escocês que estava em alta. Mesmo seus filmes tendo sido produções ultra-vagabundas, Buchanan sempre teve lucro com suas produções, provando que no cinema tanto faz se seu filme é bom ou ruim, o importante é como chegar a platéia e cobrar ingressos.

O ator John Agar (1921-2002) nasceu em Chicago, foi casado com Shirley Temple e se especializou em papéis em filmes de baixo orçamento. Alcoólatra em tempo integral, Agar estrelou maravilhas da sétima arte, como “Revenge of the Creature” (1955) de Jack Arnold, continuação do clássico “Creature from the Black Lagoon” (1954); “Tarantula” (1955), também de Jack Arnold, sobre uma aranha gigante papando pessoas em seus passeios pelo deserto americano; “The Mole People” (1956) de Virgil W. Vogel, sobre um arqueólogo que descobre o terrível povo toupeira; “Daughter of Dr. Jekyll” (1957) de Edgar G. Ulmer, uma variação do livro “O Médico e o Monstro”, “The Brain from Planet Arous” (1957) de Nathan Juran, sobre o cérebro de um criminoso do planeta Arous que assume o corpo de um cientista terráqueo; “Attack of the Muppet People” (1958) de Bert I. Gordon, deliciosa sci-fi de horror do mestre BIG, como era chamado o diretor Gordon; “Invisible Invaders” (1959) de Edward L. Cahn, tranqueira trash sobre aliens invisíveis tornando os humanos em zumbis; “Curse of the Swamp Creature” (1966), outra desgraça dirigida por Buchanan; “Women of the Prehistoric Planet” (1966) de Arthur C. Pierce, sobre um foguete que cai num planeta desconhecido; e o remake de “King Kong” feito em 1976 por John Guillermin, onde Agar faz um pequeno papel. Mas qualquer filme com John Agar no elenco já merece uma conferida. No final de sua vida Agar abandonou as produções e passou a vender apólices de seguro de vida.

Tony Huston merece citação por ter aparecido como ator em vários filmes do amigo Buchanan, coisas como “The Eye Creatures”, “Curse of the Swamp Creature”, “Zontar” e “Mars Need Women”. Se aventurou também como roteirista, tendo escrito uma meia dúzia de filmes pavorosos como “Curse of the Swamp Creature” (1966), “Creature of Destruction” (1967), “Comanche Crossing” (1968), “Strawberries Need Rain” (1970) e “A Bullet for Pretty Boy” (1970), todos dirigidos pelo amigão Larry Buchanan e “The Hellcats/Gatas no Inferno” (1968), desta vez dirigido por Robert F. Slatzer. Em 1971 se aventurou na direção do drama de ação “Outlaw Riders”, que trazia no elenco o ator William Bonner (de filmaços como “Orgy of the Dead” (1965) de Stephen C. Apostolof; “Satan’s Sadists” (1969), “Hell’s Bloody Devils” (1970) e “Dracula Vs. Frankenstein” (1971), os três do mega picareta Al Adamson e “Angels Die Hard” (1970) de Richard Compton).

“Zontar – The Thing From Venus” foi lançado em DVD no Brasil pela London Films em sessão dupla com o clássico “First Spaceship on Venus/A Primeira Espaçonave em Vênus” (1960) de Kurt Maetzig, filme obrigatório aos fãs de sci-fi.

por Petter Baiestorf.

Veja “Zontar – The Thing From Venus” aqui:

Veja “It Conquered the World” aqui:

Capa do double feature com “First Spaceship on Venus” e “Zontar – The Thing From Venus” lançado no Brasil pela London Films.

Tranqueiras de Mestre: Joe D’Amato

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 19, 2012 by canibuk

Michael Wotruba, John Shadow, Peter Newton, O.J. Clarke, David Hills, Kevin Mancuso, Dario Donati, Robert Vip, Chana Lee Sun, Pierre Bernard, Jeiro Alvarez, Steve Benson, James Burke e Joe D’Amato… Você sabe o que todos estes nomes tem em comum? São todos pseudônimos da mesma pessoa: Aristide Massaccesi (1936-1999), diretor, produtor, eletricista, montador, diretor de fotografia, roteirista e câmera (ufa!) italiano. Mais conhecido como Joe D’Amato, principalmente pelos filmes pornôs-históricos de alto nível (de produção e sacanagem) que dirigiu nos últimos anos. No começo o jovem Aristide seguiu os passos de seu pai e foi “pau-prá-toda-obra” em centenas de produções italianas. Ao começar a dirigir aventurou-se por todos os gêneros comerciais possíveis, sendo figura cult no cinema de horror-gore-trash, além do pornô. “Buio Omega”, “Antropophagous 1 e 2”, “Emanuelle e Gli Ultimi Cannibali”, “Ator”, “Calígula 2”, “Anno 2020”, “Chinese Kamasutra”, “The Untold Story of Marco Polo”, etc e etc… D’Amato foi um dos primeiro (e poucos) a se aventurar num gênero até hoje tabu: o Pornô-Terror. O público alvo dos filmes gore parece não curtir a presença de paus-bucetas-cus em ação no meio das podreiras e os pornófilos parecem broxar ao verem umas tripas expostas em meio às trepadas. D’Amato poderia ter mudado este pensamento se não fosse tão relaxado na maior parte de seu trabalho.

Em 1979 ele e uma pequena equipe viajaram para a pequena ilha de San Domingo (no Caribe) para rodar um filme de terror e um erótico. Quando conheceu as paradisíacas locações e seu elenco fixo se mostrou disposto, o esperto Joe resolveu misturar tudo e fez “Porno Holocaust” e “La Notte Erotichi dei Morti Viventi”. O primeiro, escrito por seu ator e colaborador habitual George Eastman (Luigi Montefiori, 1942), mostra um grupo de cientistas (?!) chamado ao Caribe para investigar as mortes sangrentas de mulheres próximas a uma ilha que servira para testes atômicos secretos. Apesar de mais interessados em transar entre eles e com nativos, o grupo não tem dificuldades para seguir a pista do zumbi-mutante-bem-dotado que estupra e mata com seu esperma radioativo (interpretado por um nativo do Caribe usando roupas em farrapos e pedaços de látex retorcidos colados em seu rosto). Vários personagens são mortos, alguns fodidos até padecer, menos Eastman (o roteirista) que é estrangulado. No final o herói (Mark Shannon ou Manlio Cerosino) mata o monstro e salva a mocinha (a bela mulata Ann Goren). “Porn Holocaust” foi definido exageradamente por Todd Tjersland, autor do livro “Sex, Shocks and Sadism!”, como “… a mais pútrida peça de pornografia jamais cometida em celulóide…”

Já “La Notte Erotiche dei Morti Viventi” começa com o mesmo George Eastman internado muito doidão em um hospício. Entre seus acessos de fúria e trepadas furiosas e selvagens com uma enfermeira, ficamos sabendo de sua aventura com um grupo de turistas (entre eles Shanon e Goren novamente) em uma ilha tropical onde uma linda nativa (Laura Gemser) através de um pequeno ídolo d epedras parece comandar uma horda de zumbis putrefactos e canibais. Entre várias transas e cenas como a da dançarina negra que se masturba com uma garrafa de champanhe, conseguindo abri-lá com seus lábios (vaginais, é claro!) e outras seqüências imprescindíveis à trama, vemos vários mortos-vivos atacando com fúria.Um deles, por exemplo, totalmente coberto de vermes dilacera o pescoço de um legista apavorado. No final tudo pode ser loucura ou trauma da cabeça de Eastman como no clássico “O Gabinete do Dr. Caligari” (1919). Em ambos filmes de D’Amato, as cenas de sexo ainda não mostravam a técnica que fariam Joe famoso (ele ainda estava treinando) e o horror, principalmente pela total falta de dinheiro para bons efeitos e maquiagens, não assusta. Mas afinal, os filmes são bons? Que diferença isto faz? Com estes elementos pioneiramente reunidos e o clima bagaceiro generalizado, divertem muito como trash. Ainda estou esperando uma produção fodona com sexo, tripas, bundas, muco, peitos, dilacerações e porra! Nestes dias de correções políticas em que vivemos, não sei não…

LAURA GEMSER É UMA BELEZA MORENA DE LONGAS E BEM TORNEADAS PERNAS, ROSTO LINDO E EXÓTICO E BUNDA E SEIOS PERFEITOS. Nascida em 1951 na ilha de Java (Indonésia) seu nome é Laurette Marcia Gemser ou, ainda, Moira Chen. Foi a musa (e dizem, amante) de Joe D’Amato com quem rodou a longa e conhecida série com a personagem erótica Black Emanuelle (“Black Emanuelle 2”, “Emanuelle and the Last Cannibals”, “Emanuelle in America”, “Emanuelle in Egypt”, “Emanuelle Around the World”, “Emanuelle and the White Slave Trade”, “Confessions of Emanuelle”, “Emanuelle in Africa”, “Emanuelle in Bangkok” e “Emanuelle’s Daughter”), além de enfeitar com suas formas “Eva Nera” (1978), “Ator” (1983), “Calígula 2” (1983), “Endgame” (1984) e o já citado “La Notte Erotiche dei Morti Viventi”. Casada desde o final dos anos de 1970 com o veterano ator italiano Gabrielle Tinti, depois da morte de seu marido e de seu diretor favorito ter se dedicado exclusivamente ao Hardcore (Gemser só fazia cenas de sexo simulado), retirou-se da indústria, deixando saudades nos punheteiros de todo o mundo que, assim como os últimos canibais do filme de 1977, queriam come-la a todo custo!

escrito por Coffin Souza.

Mostra do Filme Livre 2012

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 3, 2012 by canibuk

Começou no dia primeiro de março a décima primeira edição da Mostra do Filme Livre (sem medo de afirmar, atualmente é a mostra de cinema mais divertida do Brasil). A mostra conta com patrocínio do Banco do Brasil e nesta edição bateu recorde de inscrições com 801 filmes, dos quais 180 filmes foram selecionados para exibição junto de outros 50 títulos convidados, mostrando um panorama do que de mais ousado é produzido pelos cineastas independentes brasileiros (meu filme “O Doce Avanço da Faca” está entre estes filmes convidados). As exibições dos filmes já estão acontecendo no CCBB carioca (Rua Primeiro de Março, 66, centro – fone: 21-3808-2020).

Criada e organizada pelo produtor Guilherme Whitaker, a MFL existe desde 2002 e sempre destaca a exibição de longas, médias e curtas que fujam do lugar comum. Whitaker diz: “A mostra tem por característica exibir filmes atuais, de baixo custo e que em sua grande maioria não tiveram qualquer tipo de apoio estatal”.

Neste ano o grande homenageado da MFL é o cineasta baiano Edgar Navarro, que exibrá toda sua obra e, também, o ainda inédito “O Homem que Não Dormia”. O evento carioca (MFL deste ano acontece também em São Paulo e Brasília) traz também a sessão “Curta Rio” (só com filmes da cidade), “Oficinando” (filmes produzidos nas oficinas da MFL) e a famosa e imperdível sessão “Invisível” (já fui nesta sessão, em outra edição da mostra, e é diversão pura), que é composta de filmes rejeitados pela curadoria da mostra e que passarão pelo julgamento popular (cada pessoa do público recebe um apito e se realmente acha o filme exibido pavoroso pode apitar e gritar a vontade). A maior novidade deste ano será a “Cabine Livre”, onde diversos filmes em looping serão projetados. Outro destaque é que, entre os filmes selecionados, está o fantástico “Leonora” (2011) de minha amiga Eliane Lima que é o último trabalho do genial George Kuchar, que faz parte do elenco do curta e merece ser conferido. “Ivan” (2011) de Fernando Rick, que é um dos melhores curtas nacionais que vi nos últimos anos, também está entre os selecionados.

"Leonora".

Nesta edição da MFL a oficina de vídeo será ministrada por Petter Baiestorf (este seu escriba aqui do Canibuk) e Christian Caselli e tem um sugestivo nome: “Oficina do Fim do Mundo”.

SERVIÇO

11ª Mostra do Filme Livre – MFL 2012

Cinema I – 102 lugares (espaço especial para cadeirantes)

Cinema II – 50 lugares (espaço especial para cadeirantes)

Data – 1º a 22 de março

Entrada franca – Com distribuição de senhas 1h antes de cada sessão

Local – CCBB RJ – Rua Primeiro de Março, 66 – Centro (21) 3808.2020

http://www.bb.com.br/cultura e http://www.twitter.com/ccbb_rj

Mais informações:

http://www.mostradofilmelivre.com/12/

http://www.facebook.com/mostradofilmelivre

Considerações Sobre o Kanibaru Sinema: Systema para Atores

Posted in Literatura, Livro, Manifesto Canibal with tags , , , , , , , on fevereiro 23, 2012 by canibuk

Não possuir condições de contratar atores profissionais, aqueles chatos-egocêntricos-cheirando-a-sabonete-de-rosas, não é desculpa para conseguir um bom nível de interpretação em suas obras kanibarusinematizadas. Utilize-se do Kanibaru Sinema Systema, que formou amadores-famosos e talentosos como Jorge Timm, Viola, Elio Copini, Ivan Pohl, Ljana Carrion, Lane ABC, Gisele Ferran, Minuano, Marcírio Albuquerque, Kika, Airton Bratz, Gurcius Gewdner, entre dezenas de outros.

A) Não existe ator ou atriz ruim. Existe sim, pessoas escaladas em papéis errados. Vá testando seus amigos, parentes ou vizinhos (freaks) nos mais diversos tipos de papéis (mas faça isso já rodando algum vídeo, para não desperdiçar tempo e fita virgem), os que se destacarem nos quesitos:

– Conseguir fazer diálogos;

– Conseguir fazer mais de uma expressão facial diferente;

– Ter algum talento físico (saber lutar, correr, cair, etc);

– Ter algum atributo físico (peitões moles, bunda disforme, órgão sexual avantajado, etc);

– Disposição para cenas de aberrações (sem efeitos especiais), como comer ratos, contracenar com animais perigosos ou escrotos, banhar-se em excrementos, etc.

Serão escalados para os papéis principais, os outros serão figurantes até aprenderem, por si mesmos, como aparecer.

B) Escale seu elenco já aproveitando os tipos determinados que estão ao seu redor: O gordo brincalhão, o baixinho invocado, a menina sexy, o amigo trapalhão, a amiga alucinada, etc.

C) Bebida à vontade pode ser um bom método de se conseguir atuações mais espontâneas. Evite drogas, a não ser que seja estritamente necessário ou esta seja a temática de sua obra.

D) Procure fazer seus atores sentirem um pouco o que seus personagens devem expressar. Se necessitar de uma pessoa irritada, incomode bastante a sua atriz; água suja com sabão na boca é bom para induzir ao vômito e conseguir uma expressão mais intensa de alguém com uma tendência mais dispersa. Sono, frio e desconforto físico também são ótimos aliados. Programe uma festa no dia das gravações, faça seu elenco beber e se divertir um pouco e depois atravesse a noite trabalhando, aqueles que sobreviverem até a manhã seguinte estarão dentro do método kanibaru.

E) Nunca despreze as sugestões e desejos bizarros de seu elenco freak. Se um dos atores, apesar de sua aparência máscula, diz que quer um personagem feminino, aproveite para colocá-lo no lugar daquela atrizinha que fica irritante quando com TPM. Se aquele outro, notadamente sem destreza física, bolar alguma cena tipo “vou pular por dentro de um círculo de fogo totalmente nu”, arme-se de alguns cuidados para evitar uma tragédia (e um processo) maior e… Filme!!!

F) Se um dos seus atores-amadores mais veteranos começar a se destacar muito e tiver problema com o ego e começar a imitar os nojentinhos profissionais, não o poupe, despreze-o! Coloque-o em papéis menores, sem uma linha de diálogo, ou apenas chame-o para segurar alguma iluminação secundária. No meio anarco-etílico-artístico-ateísta não existe lugar para egos inflamados (fora o seu, diretor/realizador, é claro!).

G) E mais… Se mesmo assim você estiver a milhares de quilômetros de algum ser vivo interessante (leia-se filmável) ou por alguma outra insana razão não houver atores e/ou atrizes à disposição… Isto não é desculpa para não realizar sua obra-prima vagaba. Ora! Faça vídeo-poesia, ou documentários… Faça! Faça! Faça!

escrito por Coffin Souza para o livro “Manifesto Canibal” (editora Achiamé, 2004).

Ilustrado com fotos da produção do filme “A Curtição do Avacalho” (Petter Baiestorf, 2006).

Undertaker

Posted in Animações, Cinema, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 17, 2012 by canibuk

“Undertaker” (2008, 6 min.) animação de Claudio Ellovitch.

Com autorização de José Mojica Marins, o animador Claudio Ellovitch realizou o curta “Undertaker”, de forte inspiração no visual expressionista (assim como a antiga série animada de Luiz Nazário, feita em 2001, e que vi os episódios “A Flor do Caos” e “Selenita Acusa!”, não fiquei sabendo de mais episódios foram produzidos depois), Claudio realizou uma ótima mistura entre o estilo de José Mojica marins filmar com o clássico alemão “Das Cabinet des Dr. Caligari” (“O Gabinete do Dr. Caligari”, 1919, de Robert Wiene) para contar a história do coveiro Zé do Caixão que revela horripilantes segredos (não deixe de assistir ao curta que pode ser visto no link abaixo).

x8c129_undertaker-ze-do-caixao-animacao-co_shortfilms

Claudio Ellovitch se formou em comunicação social tendo a oportunidade de, em 2007, ter participado da pré-produção do longa “Encarnação do Demônio” de José Mojica Marins, onde ele pôde apresentar o projeto de “Undertaker” e receber a benção de Mojica. Este curta de Ellovitch chamou atenção e foi exibido em vários festivais de horror como RioFan, FantasPoa e Buenos Aires Rojo Sangre. Em 2008 Claudio também conheceu o quadrinista Eugênio Colonnese e, juntos, estavam trabalhando juntos num projeto live-action da personagem “O Morto do Pântano”, clássica criação de Colonnese nos anos de 1980, quando recebeu a notícia da morte do mestre dos quadrinhos. Mesmo sem Colonnese, Claudio continua trabalhando para trazer para o público este curta-metragem. Após o sucesso de “Undertaker” ele realizou alguns poucos trabalhos (a maioria são experimentações para testar técnicas que ele quer aplicar no filme do “O Morto do Pântano”) e abriu, em 2011, a loja de HQ “O Cara dos Quadrinhos” na galeria do rock em São Paulo. Atualmente ele se dedica à criação de sua primeira graphic novel, “Estranhos Palácios”.

Robot Monster e sua Hedionda Máquina de fazer Bolhas de Sabão

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 21, 2011 by canibuk

Robot Monster” (1953, 66 min.) de Phil Tucker. Com: George Nader, Claudia Barrett, Selena Royle, John Mylong e George Barrows como Ro-Man.

Ro-Man destruiu o planeta Terra com seu raio da morte e apenas um cientista e sua família sobrevivem, igual ratos, morando nos escombros de sua casa. Para o planeta Terra ser dominado, Ro-Man recebe a missão de matar esses sobreviventes com suas próprias mãos (já que, por algum motivo desconhecido, seu raio da morte não funciona com elas) e sai a caça dos humanos com sua maligna, hedionda e incrivelmente tétrica máquina de fazer… Bolhas de sabão!!!

O roteiro do filme, de autoria de Wyott Ordung (que no ano seguinte dirigiu “Monster from the Ocean Floor”), é um samba do criolo doido, com dinossauros pré-históricos caminhando sobre a terra em escombros, dramas paralelos, sonhos, muitos diálogos bestas-engraçados-absurdos e a total falta de cenários. Phil Tucker filmou “Robot Monster” em cerca de 4 dias com um orçamento de 16 mil dólares e o filme acabou arrecadando quase hum milhão de dólares. Quando Tucker foi filmar “Robot Monster” a miséria era tanta que, sem a menor possibilidade de criar a fantasia do alienígena, chamou seu amigo George Barrows que tinha uma roupa de gorila, acrescentou um capacete com anteninhas cósmicas retiradas de uma TV velha e… Pronto, criou um ícone da sci-fi, simples como viver.

Um fato tragicômico que envolveu “Robot Monster” foi a tentativa de suicídio de Phil Tucker após o lançamento da produção. De acordo com o livro “Keep Watching the Skies!” de Bill Warren, Tucker ficou deprimido após uma disputa com a distribuidora do filme para receber sua parte dos lucros e nunca chegou a ganhar nada. Tucker, então, teria pego uma arma e disparado contra si, errando o tiro! Hollywood é drama acima de tudo!

Phil Tucker foi uma pequena lenda da indústria cinematográfica dos filmes sem orçamento algum. Nascido em 1927 alcançou notoriedade em 1953, pouco antes de realizar “Robot Monster”, quando dirigiu o amalucado “Dance Hall Racket”, filme estrelado e financiado pelo maluco Lenny Bruce (um comediante que caprichava nas piadas com críticas sociais que foi condenado em 1964 por obscenidade). Em 1960 Tucker escreveu e dirigiu o curioso “The Cape Canaveral Monsters”, se aposentando então da terrível tarefa de dirigir filmes. Nos anos de 1970 se tornou um respeitado editor de filmes e fez também a supervisão de pós-produção de sucessos de público como “King Kong” (1976) de John Guillermin e “Orca – The Killer Whale!” (1977) de Michael Anderson. Em paralelo às suas atividades cinematográficas, foi mecânico e inventou um motor de ar quente conhecido como “Surge Turbine”, patenteado pelo governo americano. Tucker faleceu em 1985.

Curiosidade: A trilha sonora do hoje clássico “Robot Monster” foi composta por Elmer Bernstein, compositor, entre outras, das trilhas de filmes como “Cat-Women of the Moon”, “The Great Escape”, “The Magnificent Seven” e “The Ten Commandments”.

“Robot Monster” é um filme ruim, isso não resta dúvidas, mas é tão ruim que te deixa com um sorriso nos lábios durante toda sua projeção.

Se você ficou curioso em ver “Robot Monster”, saiba que ele tá disponível no youtube em várias partes (ou clique aqui). Resolvi linkar aqui outros dois filmes de Phil Tucker que são menos conhecidos, boa diversão!