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O Primeiro Homem Incrivelmente Derretido pelo Espaço Sideral

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 8, 2016 by canibuk

The First Man Into Space (“O Primeiro Homem no Espaço”, 1959, 77 min.) de Robert Day. Com: Marshall Thompson, Marla Landi e Bill Edwards.

first-man-into-spaceO arrogante astronauta Dan Prescott (Bill Edwards) é o primeiro homem a viajar para o espaço em uma série de voos experimentais. Já em seu primeiro voo desobedece a seu comandante – e irmão – Charles Prescott (Marshall Thompson) e cria uma tensão desnecessária na missão espacial. Alguns dias depois, já em novo voo, Dan novamente desobedece ao comando espacial e acaba exposto à raios cósmicos desconhecidos que o contaminam com uma estranha substância que faz com que sua carne fique meio derretida. Após conseguir pousar no planeta Terra Dan passa a perambular deformado por fazendas em busca de sangue fresco de animais, o precioso líquido vital é sua alimentação nesta nova forma monstruosa. Como sua sede por sangue só aumenta, acaba atraído a um banco de sangue humano onde, acidentalmente, mata uma enfermeira (e nós, público, temos um primeiro vislumbre da ótima make up criada para a criatura). first-man-into-space_frame1Paralelo aos ataques do astronauta derretido (com destaque a cena onde ele mata dois policiais em plena luz do dia e podemos ver seu corpo inteiro infectado numa visão que deve ter aterrorizado as audiências da época), seu irmão Charles conduz uma investigação para tentar localizá-lo para um possível tratamento. O final deste delicioso Cult é bem atípico para as produções da época, ao invés da carnificina desenfreada o astronauta infectado, consciente de sua condição, é guiado para uma câmera atmosférica onde tentarão reverter sua estranha maldição cósmica.

Veja o trailer de “First Man Into Space” aqui:

first-man-into-space_frame2Fruto típico da época em que foi concebido (o comandante da missão, por exemplo, mexe em todas as provas contaminadas sem o uso de luvas), “First Man Into Space” é uma boa produção de baixo orçamento que conta com alguns deslizes (como o foguete que caí no planeta Terra, mas que foi largado pela produção do filme entre meio a árvores e arbustos de uma maneira que parece que ali está a muitos anos) e muitos acertos, a começar pela ótima maquiagem do astronauta derretido criado pelo artista Michael Morris, que depois viria a trabalhar nos clássicos “Quatermass and the Pit/Sepultura Para a Eternidade” (1967) de Roy Ward Baker; “The Elephant Man/O Homem Elefante” (1980) de David Lynch e “Lifeforce/Força Sinistra” (1985) de Tobe Hooper, um de seus últimos trabalhos. Para dar vida a repugnante criatura de “First Man Into Space” Morris criou um traje de corpo inteiro, com pequenos orifícios para a visão, que só permitia filmar por curtos períodos de tempo já que era muito quente e tornava a respiração do ator Bill Edwards (sim, é ele dentro do traje) extremamente difícil.

first-man-into-space1Por pouco “First Man Into Space” não teria existido. Originalmente seu roteiro se chamava “Satellite of Blood” e tinha sido rejeitado pela produtora A.I.P. da dupla Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson. Após a recusa Alex Gordon (que trabalhava na A.I.P. produzindo os primeiros filmes de Roger Corman, como “Apache Woman” (1955), “Day The World Ended” (1955), “The Oklahoma Woman” (1956), entre outros, incluindo também muitos filmes com direção de Edward L. Cahn) enviou o roteiro para seu irmão Richard que, junto de Charles Vetter, havia fundado a Amalgamated Productions e, após re-escrito (bebendo da influência de “The Quatermass Xperiment” (1959), um grande sucesso da Hammer Film dirigido por Val Guest), a produção do filme decolou rumo ao sempre incerto mercado do cinema vagabundo. Como a Amalgamated Productions já havia chamado atenção com dois lucrativos filmes, “Fiend Without a Face” (1958), de Arthur Crabtree, e “The Haunted Strangler” (1958, também conhecido pelo título “Grip of the Strangler”) de Robert Day e estrelado por Boris Karloff, a dupla de produtores conseguiu para “First Man Into Space” um acordo de distribuição com a MGM, fato que garantiu um orçamento mais polpudo a produção (e a bilheteria do filme não fez feio, sendo um dos filmes mais lucrativos da produtora).

first-man-into-space_cardsRichard Gordon foi produtor de inúmeras produções de baixo orçamento, com destaque para filmes como “L’Ultima Preda Del Vampiro/The Playgirls and the Vampire” (1960) de Piero Regnoli; “Curse of the Voodoo” (1965) de Lindsay Shonteff; “The Projected Man” (1966) de Ian Curteis; o genial “Island of Terror” (1966), do sempre competente Terence Fisher; “Secrets of Sex” (1970) e “Horror Hospital” (1973), ambos com direção do rebelde Antony Balch (um homem que nunca andava de carro preferindo utilizar somente motocicletas e que, durante a produção deste último filme, foi convencido pelo produtores a circular apenas em limusines); The Cat and the Canary” (1978), do ótimo diretor pornô Radley Metzger se ariscando em outro gênero, e o Cult de sci-fi/horror “Inseminoid” (1981) de Norman J. Warren. Gordon fundou, na década de 1950, a Amalgamated Productions com Charles F. Vetter que, sob pseudônimo de Lance Z. Hargreavers, escreveu roteiros de filmes como “First Man Into Space”, “Devil Doll” (1964) de Lindsay Shonteff e “Battle Beneath the Earth” (1976) de Montgomery Tully. John Croydon, um produtor já veterano do cinema britânico (ele foi produtor associado no clássico “Dead of Night/Na Solidão da Noite”, de 1945, que trazia o brasileiro Alberto Cavalcanti entre os diretores), foi chamado para organizar o set do filme e trazer paz para o diretor Robert Day, um diretor eficiente, rápido e barato que já havia trabalhado com a produtora antes dirigindo o sucesso “The Haunted Strangler” e o interessantíssimo “Corridors of Blood” (1958), um bonito drama de horror sobre os primórdios da medicina moderna estrelado por Boris Karloff e Christopher Lee. Robert Day acabou migrando para a televisão onde dirigiu vários filmes com a personagem Tarzan e outras séries de TV.

first-man-into-space2“First Man Into Space tem trilha sonora assinada por Buxton Orr, o compositor habitual da Amalgamated. Orr foi o responsável pela trilha sonora de produções como “Doctor Blood’s Coffin/O Esquife do Morto-Vivo” (1961), com direção do então jovem Sidney J. Furie e roteiro de Nathan Juran, e “The Eyes of Annie Jones” (1964) de Reginald Le Borg (outro diretor especialista em produções vagabundas que anos antes realizou o clássico “The Black Sleep/A Torre dos Monstros” (1956) com Basil Rathbone, Lon Chaney Jr., John Carradine, Bela Lugosi e Tor Johnson no elenco). O ator Marshall Thompson, que interpreta o irmão do astronauta derretido, é um habitual contratado de produções capengas, ele está no elenco de maravilhas como “Cult of the Cobra/Maldição da Serpente” (1955) de Francis D. Lyon, “Fiend Without a Face” (1958) e “It! The Terror From Beyond Space” (1958) de Edward L. Cahn.

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Para muitos, e me incluo nestes muitos, “The Incredible Melting Man/O Incrível Homen Que Derreteu” é tido como uma refilmagem de “First Man Into Space”. Todos os elementos estão lá intactos: o astronauta contaminado por algo desconhecido no espaço que volta ao planeta Terra em uma busca desesperada por comida para aplacar sua dor e, diante da incompreensão humana para com acontecimentos fantásticos, é caçado sem dó nem piedade, sendo relegado à margem da sociedade que prefere ignorar o diferente que ameaça a normalidade do belo.

Assista o trailer de “The Incredible Melting Man” aqui:

“First Man Into Space” permanece inédito em nosso mercado de vídeo, na minha opinião seria um ótimo filme para estar incluído no box “Clássicos Sci-Fi Vol. 3” da distribuidora Versátil.

Por Petter Baiestorf para seu livro “Arrepios Divertidos”.

Assista “First Man Into Space” aqui:

Lifeforce: Vampiras Peladas e seus Zumbis Elétricos

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 13, 2012 by canibuk

“Lifeforce” (Força Sinistra, 1985, 116 min.) de Tobe Hooper. Com: Mathilda May, Steve Railsback, Peter Firth e Frank Finlay.

Primeiro dois fatos introdutórios: Em 1986 eu tinha 12 anos e na época éramos bombardeados pela imprensa sobre a aparição do cometa Halley que iria acontecer em breve, minha geração (na época tudo pré-adolescente) ficou empolgada e ansiosa pela expectativa do aparecimento do cometa que “visita” nossa órbita a cada 76 anos. Lembro que naquele ano o objeto de desejo de todo pré-adolescente era uma luneta. Pulo para 1989 (ou 1990, não lembro mais as datas) quando a rede Globo exibiu “Força Sinistra” em sua programação, meninos que em 1985/1986 tinham 11/12 anos, agora estavam com seus 15/16 anos, já colecionavam filmes de horror e sci-fi em suas memórias (os videocassetes ainda não eram tão populares), os mistérios do cometa Halley ainda estavam frescos em suas cabeças e toda essa geração se surpreendeu com a mistura gore, horror, sci-fi e erotismo que a dupla O’Bannon-Hooper havia levado às telas com “Lifeforce”.

A história do filme é um primor: Após investigar o cometa Halley, os tripulantes do ônibus espacial Churchill encontram uma espaçonave alienígena escondida na corona do cometa e dentro da nave três criaturas humanóides nuas em animação suspensa (entre elas Mathilda May, então no auge de sua beleza), que são levadas à bordo do ônibus espacial. Na viagem de regresso o controle da missão perde contato e uma missão de resgate é enviada, encontrando o ônibus espacial completamente destruido, com excessão dos três aliens. Já no Planeta Terra, cientistas e militares se preparam para estudar os corpos dos aliens quando descobrem que eles estão vivos e se alimentam de energia vital dos seres humanos. Logo a vampira gostosa está andando livre (e nua, para nossa felicidade) por Londres e, para desespero de todos, os cientistas descobrem que as vítimas dela, depois de duas horas, voltam como vampiros zumbis, eslhando pelas ruas de Londres caos e destruição, em magníficas seqüências envolvendo muito gore e violência.

“Lifeforce” foi o primeiro de três filmes que Hooper realizou para a Cannon Group (dos picaretas Menahem Golan e Yoram Globus), os outros dois foram “Invaders from Mars”, refilmagem do filme homônimo de William Cameron Menzies, de 1953) e “The Texas Chainsaw Massacre 2” (1986). O roteiro de “Lifeforce” toma como base o livro “The Space Vampires” (1976) de Colin Wilson e teve o orçamento de 25 milhões de dólares (uma quantia muito alta para os anos 80), se transformando num mega-fracasso de bilheteria. Várias cenas previstas para serem filmadas acabaram sendo suspensas porque o estúdio ficou sem dinheiro durante a produção. Mesmo assim Hooper tentou, em vão, lançar uma versão de 128 minutos (que acabou sendo podada para essa versão de 116 minutos que tanto adoramos). Antes de Hooper entrar no projeto, o filme tinha sido oferecido à Michael Winner (diretor do clássico “Death Wish/Desejo de Matar”). Um dos roteiristas do filme é Dan O’Bannon, responsável pela direção do clássico “The Return of the Living Dead/A Volta dos Mortos-Vivos” (1985) e por ter escrito grandes clássicos da sci-fi, como “Dark Star” (1974) de John Carpenter, “Alien” (1979) de Ridley Scott e “Total Recall/O Vingador do Futuro” (1990) de Paul Verhoeven.

Tobe Hooper ficou mundialmente conhecido em 1974 quando lançou o cult “The Texas Chainsaw Massacre/O Massacre da Serra-Elétrica”. Nascido em 1943 na cidade de Austin, Texas, começou a chamar atenção já com seus curtas “The Heisters” (1965) e “Eggshells” (1969). Quando juntou 60 mil dólares com amigos e colegas de faculdade para filmar “The Texas Chainsaw Massacre”, já havia trabalhado em mais de 60 documentários. Com o sucesso deste pequeno filme de horror, Hooper acabou conseguindo realizar “Eaten Alive” (1977), seu primeiro filme com aval finaceiro de Hollywood. Em 1981 dirigiu outro clássico do gênero horror, “Funhouse/Pague para Entrar, Reze para Sair”, filme bastante elogiado que o aproximou de Steven Spielberg que lhe ofereceu um roteiro de invasão alienígena chamado “Night Skies”, sobre uma família sendo atacada por aliens. Hooper recusou e “Night Skies” acabou virando “ET – The Extra-Terrestre” (1982). Juntos a dupla Hooper-Spielberg realizou “Poltergeist”, um dos mais xaropes filmes de Tobe, na minha opinião. Depois dos filmes que dirigiu para a Cannon Group, Hooper nunca mais realizou nenhum filme relevante (apesar de continuar na ativa dirigindo filmes medíocres).

Em 1979 a Cannon Group foi comprada pelos primos israelenses Menahem Golan e Yoram Globus e ganharam muito dinheiro nos anos de 1980 produzindo clássicos de ação estrelados por Chuck Norris (“The Delta Force”, “Invasion USA”, entre muitos outros) e as seqüências de “Death Wish” (estreladas por Charles Bronson em grande forma). Golam-Globus, como eram conhecidos, produziam todo tipo de filmes, de “Barfly” (inspirado em Bukowski) até “The Last American Virgin/O Último Americano Virgem”, passando por filmes de horror, sci-fi, romances, musicais, policiais e qualquer outro gênero que lhes parecesse lucrativo, chegando a produzirem 43 filmes em 1986. Claro que uma produção tão intensa assim teve inúmeros fracassos comerciais e, em 1988, a francesa Pathé Communications tomou controle da Cannon Group, depois do fracasso “Superman IV: The Quest for Peace”.

“Lifeforce” foi lançado em DVD no Brasil, sem extras, pela MGM DVD logo no começo do mercado de DVD’s brasileiros. É imperdível!

por Petter Baiestorf.