Arquivo para Francis Ford Coppola

As Dançarinas Fogosas da Boate Infernal na Ilha das Aranhas Gigantes

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 12, 2012 by canibuk

“Ein Toter Hing Im Netz” (“Horrors of Spider Island”, 1960, 75 min.) de Fritz Böttger. Com: Helga Franck, Helga Neuner, Harald Maresch e grande elenco de bichos peludos peçonhentos.

A história deste pequeno clássico da tranqueira cinematográfica é das mais vagabundas possíveis: Um grupo de dançarinas de uma boate de New York voa para Singapura onde vão se apresentar num inferninho local. Ao sobrevoar o Oceano Pacífico o avião pega fogo e cai (salvando-se apenas as dançarinas e Gary, o dono da boate). Após alguns dias desidratando num bote salva-vidas, o grupo avista uma ilha. Explorando o terreno eles descobrem água fresca e, também, um estranho martelo que lhes dá esperança de que a ilha seja habitada. Logo em seguida avistam uma cabana e a alegria contagia o grupo de beldades que poderiam estar mais semi-nuas, mas ao abrir a porta se deparam com um homem morto pendurado numa teia de aranha gigante. Lendo o diário as dançarinas descobrem que o morto era um professor que estava procurando urânio (com seu martelo?) e percebem que há comida na cabana para cerca de um mês. Gary resolve explorar o resto da ilha sozinho e é picado por uma inacreditável aranha gigante, se tornando um bestial homem-aranha e, seguindo seus instintos mais primitivos, mata uma das dançarinas. Um mês depois dois homens chegam a ilha com suprimentos para o professor e dão de cara com as meninas que explicam tudo aos heróis e, tendo que esperar o navio voltar no dia seguinte para pegá-los, resolvem comemorar a última noite com uma festa. Nada mais natural, lógico!

Não se iluda com o título do filme, a aranha que pica Gary transformando-o numa besta-fera mistura entre homem e aranha, não aparece nem três minutos na produção (mas sua aparição é motivo de risos involuntários) e Gary, depois de transformado em homem-aranha, não se parece com uma aranha, lembrando mais um lobisomem depilado do que qualquer outra coisa. Aliás, o título original, que significa “Um Cadáver Pendurado na Teia”, tem mais haver com o roteiro. A pobreza da produção é gritante, mera desculpa para colocar lindas atrizes com poucas roupas numa ilha deserta, mas como trashmaníacos não estão atrás de tratados intelectuais filmados, “Ein Toter Hing Im Netz” cumpre bem sua função de divertir, com diálogos ridículos espirituosos onde as mal dirigidas atrizes nunca tem a reação de pânico que a história exige. O filme foi lançado duas vezes nos USA, a primeira em 1962 com o título “It’s Hot in Paradise” e uma segunda vez em 1965 com o título modificado para “Horrors of Spider Island”. Quando lançado em vídeo ganhou o nome de “Girls of Spider Island”.

“Horrors of Spider Island” é dirigido pelo roteirista Fritz Böttger (1902-1981) que se mostra completamente amador e sem criatividade no comando da produção (em 1953 ele tinha assinado outros dois filmes como diretor, “Die Junggesellenfalle” e “Auf Der Grünen Wiese”, que não consegui assistí-los). Como roteirista assinou mais de 35 filmes, principalmente comédias leves e musicais jovens como “Liebe, Jazz und Übermut” (1957) de Erik Ode e “Hula-Hopp, Conny” (1959) de Heinz Paul. Em 1963 passou a escrever roteiros para filmes produzidos pela TV alemã. O filme foi produzido pela dupla Gaston Hakim e Wolf C. Hartwig, ambos especializados em nudie-movies e sexploitation de baixo orçamento e gosto duvidoso. Hakim produziu lindezas como “The Naked Venus” (1959), drama erótico dirigido por Edgar G. Ulmer e “Her Bikini Never Got Wet” (1962), tão vagabundo que não tem nem diretor creditado. Em 1964 se aventurou na direção com “A French Honeymoon”, uma comédia erótica das mais estúpidas possíveis. Hartwig teve carreira repleta de êxitos finaceiros, como “Die Nackte und Der Satan/The Head” (1959) de Victor Trivas, sobre um cientista que inventa um soro capaz de manter a cabeça de um cão viva e, depois de sua morte, é obrigado a ajudar sua enfermeira corcunda numa bizarra experiência; “The Bellboy and the Playgirls” (1962) de Fritz Umgelter, com cenas adicionais escritas e dirigidas por um jovem Francis Ford Coppola; a série sexploitation “Schulmädchen-Report”, que teve 13 filmes entre 1970 e 1980; e o clássico de guerra “Cross of Iron/Cruz de Ferro” (1977) de Sam Peckinpah. A direção de fotografia de “Horrors os Spider Island” é do veterano Georg Krause (1901-1986) que, entre outros, assinou a fotografia de “Paths of Glory/Glória Feita de Sangue” (1957) de Stanley Kubrick. Os efeitos pavorosos desta simpática bomba cinematográfica são de autoria do maquiador Irmgard Forster, sempre incompetente que, em 1968, trabalhou em “Necronomicon – Geträumte Sünden/Succubus”, do genial Jesus Franco.

“Ein Toter Hing Im Netz” conquista por seus defeitos. Coffin Souza me enviou o poster de cinema brasileiro de “Horrors of Spider Island”, que aqui no Brasil de chamou “Um Homem na Rêde”. No próximo post publicaremos a versão dele em fotonovela lançada no Brasil pela revista “Ultra Ciência” (número 6) com o título de “A Ilha do Terror“.

por Petter Baiestorf.

Assista “Horrors of Spider Island” aqui:

Dementia 13

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , on outubro 31, 2011 by canibuk

“Dementia 13” (1963, 75 min.) Produção de Roger Corman, escrito por Francis Ford Coppola e Al Locatelli (não creditado) e dirigido por Francis Ford Coppola com seqüências adicionais filmadas por Jack Hill e Monte Hellman.

Após ter trabalhado com Roger Corman no filme “The Young Racers” (1963), fazendo o som do filme, Francis Ford Coppola ganhou a chance de dirigir “Dementia 13” quando Corman percebeu que haviam sobrado 22 mil dólares do orçamento de “The Young Racers”. Roger Corman sugeriu ao Coppola ficar na Irlanda com uma pequena equipe para as filmagens de um “terror gótico psicológico”, imitação mais violenta de “Psycho” (1960) de Alfred Hitchcock. Coppola escreveu um argumento rápido em uma noite e no dia seguinte descreveu uma cena que deixou Roger Corman impressionado a ponto de liberar os 22 mil dólares para a produção (Coppola fez um investimento por conta própria de mais 20 mil dólares que Corman ficou sabendo bem depois).

Francis Ford Coppola foi deixado inteiramente a vontade para fazer o filme, sem interferência de nenhum tipo de Roger Corman, mas quando o filme foi finalizado Corman saiu da sala de exibição reclamando que o filme era curto demais e tinha pouca violência. Como Coppola não concordou com as alterações que Roger Corman queria, Jack Hill foi contratado para filmar seqüências adicionais (como a cena onde um caçador é decapitado pelo assassino) enquanto Monte Hellman dirigiu um prólogo que em nada tinha haver com o resto do filme.

“Dementia 13” foi lançado em 1963 como parte de um programa duplo (double feature) com o clássico “X: The Man With the X-Ray Eyes” (1963), dirigido pelo próprio Roger Corman (que na minha opinião é um cineasta muito mais divertido e esperto que o mala do Coppola). “Dementia 13” se encontra em domínio público e está disponível no youtube.

Como a Geração Sexo-Drogas & Rock’n’roll Salvou Hollywood

Posted in Cinema, Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 17, 2011 by canibuk

“Como a Geração Sexo-Drogas e Rock’n’Roll Salvou Hollywood” (“Easy Riders, Raging Bulls”, 1998, 500 páginas), escrito por Peter Biskind. Com base em milhares de entrevistas que o autor realizou com trabalhadores da indústria cinematográfica americana, este livro é um verdadeiro achado para cinéfilos do mundo inteiro (li o livro quando foi lançado no Brasil em 2009 e semana passada reli novamente). Biskind conta histórias divertidíssimas sobre os bastidores de grandes produções dos anos de 1968, mais ou menos, até começo dos anos de 1980, quando o cinema americano se tornou essa máquina comandada por executivos que só se importam com lucros.

Warren Beatty, Dennis Hopper, Bert Schneider, Jack Nicholson, Bob Rafelson, Robert Altman, Francis Ford Coppola, George Lucas, Peter Bogdanovich, Bob Evans, Robert Towne, Roman Polanski, Charles Manson, Hal Ashby, William Friedkin, Martin Scorsese, Brian de Palma, Steven Spielberg, Paul Schrader, Terry Malick, Amy Irving, Robert De Niro e Pauline Kael são algumas das personagens do livro. Como é bom constatar que diretores que eu nunca gostei, como George Lucas e Spielberg (a quem eu culpo por terem infantilizado o cinema), realmente são uns nerds idiotas loucos por dinheiro e poder. Com este livro ficamos sabendo que vários clássicos do cinema americano foram meros acidentes, conhecemos histórias com a megalômania de diretores como Hopper, Coppola ou Friedkin que simplesmente enlouqueceram sem rumo com o poder que tiveram nas mãos e constatamos, com prazer redobrado, o quanto um visionário como Roger Corman (anti) influênciou toda essa geração da “Nova Hollywood”. Todos citam Corman como um gênio centrado e sabendo sempre o que estava fazendo.

Este livro já foi lançado tem 2 anos, queria ter feito a indicação dele aqui antes mas fui esquecendo. Mas é fácil de encontra-lo, vivo esbarrando neste livro em qualquer livraria de aeroporto ou rodoviária. E vale qualquer preço que estiverem pedindo por ele, é imperdível!

Essa história (vídeo abaixo) do Spielberg choramingando porque não foi indicado ao Oscar de melhor diretor pelo “Jaws” (“Tubarão”, 1975) é contada, entre milhares de outras, no livro:

Existe também um documentário chamado “Easy Riders, Raging Bulls” (dirigido por Kenneth Bowser, escrito por Peter Biskind) que conta tudo isso com imagens visuais, deixo no post a abertura deste documentário: