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Kiss me Quick!

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 14, 2016 by canibuk

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Kiss Me Quick! (1964, 66 min.) de Peter Perry Jr. Com: Max Gardens, Frank A. Coe, Jackie De Witt, Claudia Banks, Althea Currier e Pat Hall.

Kiss me Quick5.jpgEste nudie cutie clássico sintetiza tudo que o fã de filmes obscuros busca: é alucinado, é nonsense, é bobo e, por isso mesmo, é diversão despretensiosa o tempo todo (algo em voga naqueles anos de 1960 com lindezas do porte de “Nude on the Moon” (1961) de Doris Wishman ou “House on Bare Mountain” (1962) de Robert Lee Frost). Neste “Kiss Me Quick!” temos um tiquinho de história que é mero pretexto para que lindas garotas terráqueas fiquem peladas. Sterilox (Frank A. Coe) é o assexuado embaixador de um distante planeta que chega à Terra em busca de fêmeas para reprodução e cai nas mãos de um cientista louco (Max Gardens) que faz um tratamento no alienígena frígido com deliciosas robôs sexys que dançam sem parar ao redor do estranho visitante espacial acompanhadas do Drácula e do Monstro de Frankenstein (entre as garotas peladas está Althea Currier que trabalhou com Russ Meyer no Clássico “Lorna”, produção do mesmo ano).

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Harry H. Novak

A fama de “Kiss Me Quick!” veio da distribuição certeira que o lendário (recém entrando no mercado de distribuição) Harry H. Novak conseguiu para o filme nos drive-ins e pulgueiros exibidores (as grindhouses originais). Novak, que havia iniciado sua carreira trabalhando no escritório do estúdio da RKO e sabia da importância de um bom título chamativo para o sucesso de uma obra exploitation, pegou o “Dr. Breedlove or How I Learned to Stop Worrying and Love” (que tentava capitalizar no “Dr, Strangelove” (1963) de Stanley Kubrick) e mudou seu título para “Kiss Me Quick!” para aproveitar o sucesso do recém lançado “Kiss Me, Stupid/Beija-me, Idiota” (1964) de Billy Wilder e, assim, lotou as salas que exibiam a vagabundagem de Perry Jr. Novak, sempre com bons contatos no mundo do cinema, foi o responsável direto pelo sucesso no circuito exibidor americano de obras como “The Agony of Love” (1965) de William Rotsler, com Pat Barrington no elenco; “My Body Hungers” (1967) de Joe Sarno e “Fandango” (1969) de John Hayes. Também foi o produtor de inúmeros roughies que marcaram época, porém, antes de entrar de cabeça no sexploitation explorou outros temas. “Mondo Mod” (1967) de Peter Perry Jr., por exemplo, se tornou obra de culto por trazer os primeiros vislumbres do surf e subculturas bikers do kiss1sul da Califórnia. Outros sucessos produzidos por Novak foram “The Toy Box” (1971) de Ronald Víctor Garcia, sobre algumas pessoas participantes de uma festa bizarra; “The Pig Keeper’s Daughter” (1972) de Bethel Buckalew; “Please Don’t Eat My Mother!” (1973) de Carl Monson, sátira pornô tardia para o clássico “The Little Shop of Horrors/A Pequena Loja dos Horrores” (1960) de Roger Corman e “Wham! Bam! Thank You, Spaceman!” (1975) de William A. Levey, diversão sobre dois aliens que vem ao planeta Terra com a missão de engravidar o maior número possível de terráqueas. Novak, quando necessário, chegou a dirigir partes de suas produções. Quando “A Scream in the Streets” (1973) de Carl Monson empacou, ele mesmo dirigiu algumas cenas enquanto Dwayne Avery e Bethel Buckalew filmavam o resto. E na década de 1980, usando o pseudônimo de H. Hershey, dirigiu em parceria com Joe Sherman, kiss3dois pornôs: “Inspirations” (1983) e “Moments of Love” (1984), ambos estrelados pelo lendário Ron Jeremy. Para saber mais sobre este magnífico homem do cinema americano veja os documentários “Sultan of Sexploitation, King of camp” (1999), produção da distribuidora Blue Underground, e o obrigatório “Schlock! The Secret History of American Movies” (2001) de Ray Greene que, além de Novak, traz artistas como Vampira, Samuel Z. Arkoff, Dick Miller, Roger Corman, Forrest J. Ackerman, David F. Friedman, Doris Wishman, H. G. Lewis, Russ Meyer, Gene Corman, entre muitos outros, falando sobre a época de ouro do cinema americano.

Saiba mais sobre o exploitation americano assistindo o documentário abaixo:

 

kiss-me-quick4Como curiosidade “Kiss Me Quick!” traz Frank A. Coe atuando, que depois do filme se especializou em efeitos sonoros de produções classe Z (trabalhou com Ray Dennis Steckler em “Lemon Grove Kids Meets the Monsters” de 1965 e “Blood Shack”, de 1971) e pornôs (“SexWorld”, 1978, de Anthony Spinelli, teve o som feito por ele). E o diretor de fotografia László Kovács, que aprendeu tudo que sabia em produções vagabundas do porte de “Kiss Me Quick!”, passou para o primeiro time de Hollywood após trabalhar em “Easy Rider/Sem Destino” (1969) de Dennis Hopper e assinou a fotografia de filmes como “Ghost Busters/Os Caça-Fantasmas” (1984) de Ivan Reitman; “Free Willy 2” (1995) de Dwight H. Little e “Miss Congeniality/Miss Simpatia” (2000) de Donald Petrie, bomba estrelada pela sebosa Sandra Bullock. Kovács é mais um exemplo de que a criatividade e talento estão nas produções bagaceiras e os grandes estúdios estão apenas aguardando o momento certo para apagar a criatividade destes geniais técnicos. Azar de quem cai nas garras de Hollywood.

Por Petter Baiestorf.

Veja o trailer de Kiss me Quick! aqui:

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Necrohorror Magazine

Posted in Fanzines, revistas independentes brasileiras with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 24, 2012 by canibuk

Alguns dias atrás publiquei dica sobre o fanzine sueco “Horrophobic” e, praticamente na seqüência, tomei conhecimento do fanzine brasileito  “Necrohorror”, que também é confeccionado em gráfica no formato de revista. Jonathan Alves da Silva, editor e faz tudo do fanzine, explica: “A estética da revista Necrohorror tem como objetivo resgatar as antigas em quadrinhos brasileiras da década de 60, 70 ou 80, que marcaram época para muitas pessoas, com conteúdo fabricado em papel jornal e capa em papel envernizado de ótima qualidade”. “Necrohorror” é imperdível, seja para os colecionadores de revistas independentes brasileiras, seja para os fanáticos pelo estúdio britânico da Hammer Films. “Inicialmente nosso conteúdo é de fácil leitura, visando despertar o interesse das novas gerações nos filmes que fizeram história”, nos conta o editor para em seguida dar pistas sobre a segunda edição, “Na próxima edição, que sairá em janeiro, teremos conteúdo tanto para os iniciantes no terror, quanto para os já iniciados no assunto”.

Neste primeiro número de “Necrohorror”, com 48 páginas, traz em suas páginas um ótimo apanhado sobre as produções do estúdio Hammer, com resenhas sobre filmes clássicos do estúdio como “The Curse of Frankenstein”, “Revenge of Frankenstein”, “The Evil of Frankenstein”, “Frankenstein Created Woman”, “Frankenstein Must Be Destroyed”, “Frankenstein and the Monster from Hell”, “Horror of Dracula”, “The Devil Rides Out”, “The Plague of the Zombies”, “The Reptile”, “The Curse of the Werewolf”, “The Gorgon”, The Phantom of the Opera”, “Dr. Jekyll and Sister Hyde” e pequenos artigos sobre as séries de filmes com Drácula, de múmias e de vampiras carnudas e gostosas (Karnstein). A revista fecha com uma pequena matéria sobre o maquiador Roy Ashton, outro intitulado “O Fim daEra de Ouro da Hammer Films” e uma deliciosa série de fotos das irmãs Collinson bem a vontade. E de brinde vem um poster de “Twins of Evil”, digno de se pendurar na parede da sala de casa.

“Necrohorror” já nasce imperdível por ser editada no Brasil, país sem tradição alguma na edição de revistas que falem de cinema de horror (dá prá contar nos dedos as revistas que tiveram, como “Set Terror & Ficção”, “Psicovídeo”, “Horrorshow”, “Cine Monstro” e talvez alguma que eu tenha esquecido). Aliás, no Brasil o gênero horror nunca teve o devido respeito porque brasileiro tem aquele pensamento medíocre de que cultura é algo para ser consumido de graça. Brasileiro é capaz de achar que ver uma partida de futebol seja algo cultural! Lamentável!

Se você ficou interessado em adquirir um exemplar, entre em contato via facebook com o Jonathan e encomende a sua, a revista sai por uns R$ 18.00 com correio incluído.

* Peço desculpas aos leitores do Canibuk por estar postando apenas dicas nesta semana, mas estou escrevendo o roteiro do longa-metragem “Zombio 2: Chimarrão Zombies”, meu novo filme a ser lançado em 2013, e simplesmente não estou tendo tempo para escrever artigos maiores aqui no blog. Provavelmente a próxima semana será neste ritmo também, mas saibam que é por uma boa causa!

Petter Baiestorf.

Bilhetes Infernais para o Horror Express

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 6, 2012 by canibuk

“Horror Express” (1972, 90 min.) de Eugenio Martín. Com: Christopher Lee, Peter Cushing, Telly Savalas, Alberto de Mendonza, Silvia Tortosa, Helga Liné e Julio Peña.

Este pequeno clássico do horror, livremente inspirado no conto “Who Goes There?” de John W. Campbell (que também serviu de inspiração aos filmes “The Thing from Another World/O Monstro do Ártico” (1951) ce Christian Nyby e “The Thing/O Enigma de Outro Mundo” de John Carpenter), também conhecido pelo título “Pánico en el Transiberiano”, chama atenção por seu elenco internacional que incluí Christopher Lee, Peter Cushing e Telly Savalas.

No ano de 1906 o professor Alexander Saxton (Lee) encontra na Manchúria os restos congelados de uma criatura meio-macaco, meio-homem, que ele acredita ser o elo perdido na evolução humana. Para levar sua descoberta para a Europa o professor precisa tomar o expresso transiberiano da China à Russia, onde encontra seu rival Dr. Wells (Cushing). Ainda na plataforma da estação a criatura suga a mente de um ladrão e um monge (Alberto de Mendonza), conselheiro espiritual da condessa Irina Petrovski (a bela Silvia Tortosa), como todo bom charlatão fanático religioso, dá a culpa para o Tinhoso. Mesmo com o incidente a viagem começa e, uma vez dentro do trem, a criatura escapa e mata algumas pesssoas. Em autópsia realizada pelos cientistas descobrem, abrindo os crânios das vítimas, que as lembranças de seus cérebros foram drenadas (porque os cérebros estavam lisos, ora bolas). Logo em seguida a criatura é morta a tiros e, analizando o líquido encontrando no globo ocular do cadáver, a dupla de cientistas descobre imagens da terra vista do espaço, imagens pré-históricas de nosso planeta e chegam a conclussão de que a criatura é um alien e que pode ter infectado outros passageiros. O governo Russo manda o capitão Kazan (Telly Savalas, em papel impagável), um violento cossaco, entrar no trem para resolver tudo, nem que seja necessário um pouco de violência gratuita. Depois que ficamos sabendo que a criatura alienígena sobreviveu por milhões de anos no planeta Terra no corpo de protozoários, peixes e outros animais, o alien se transfere para o corpo do monge e ressucita todas suas vítimas na forma de zumbis carniceiros que nunca podem faltar num autêntico filme de baixo orçamento.

Com roteiro da dupla Arnaud D’Usseau e Julian Zimet (que juntos também escreveram o clássico “Psychomania” (1973) de Don Sharp), nos deparamos com deliciosos absurdos pseudo-científicos e um punhado de cenas maravilhosas, como quando o monge clama ao alien para que lhe sugue a mente e o alien se nega dizendo que “não há nada que se aproveite na sua mente!”, desprezando o fanático religioso. Aliás, no filme todo há sempre um clima de ciência/razão contra religião/misticismo. As maquiagens vagabundas de Fernando Florido (que também trabalhou em filmaços como “El Retorno de Walpurgis/Curse of the Devil” (1973) de Carlos Aured, “Quién Puede Matar a un Niño/Island of the Damned” (1976) de Narciso Ibáñez Serrador, “Inquisición” (1976) de Paul Naschy e “Serpiente de Mar” (1984) de Amando de Ossorio) tem ótimas sacadas, como o olho vermelho-brilhante da criatura e a própria criatura, meio-fóssil de macaco. Os olhos brancos que os cadáveres-humanos cujos cérebros foram sugados tem, dão um visual extremamente macabro, assim como as cenas gore onde seus crânios abertos revelam os cérebros lisos.

“Horror Express” foi produzido pelo produtor americano Bernard Gordon com orçamento de 300 mil dólares. Gordon re-utilizou o trem que havia sido construido para o filme “Pancho Villa” (1972), também dirigido por Eugenio Martín, conseguindo um cenário bem barato para sua produção de horror. A grande sacada do produtor americano foi conseguir para o elenco artistas já consagrados no mercado internacional, como Savalas, Lee e Cushing. Este último ainda abalado pela morte da esposa, pediu para ser afastado da produção, mas para nossa sorte seu amigo pessoal Christopher Lee o apoiou nos momentos difíceis e Cushing permaneceu no cast. Bernard Gordon (1918-2007) trabalhou durante anos na obscuridade impedido de ganhar créditos pela lista negra anti-comunistas de Hollywood. Com ajuda do produtor Charles Schneer escreveu o roteiro de “Earth Vs. The Flying Saucers” (1956), dirigido por Fred F. Sears. Trabalhou durante anos sob o pseudônimo Raymond T. Marcus. Ao se mudar para a Europa fez amizade com o roteirista/empresário Philip Yordan e conseguiu trabalho em Madrid na Samuel Bronston Company. Com Yordan escreveu o roteiro do clássico “The Day of the Triffids/O Terror Veio do Espaço” (1962) de Steve Sekely, uma história envolvendo plantas carnívoras espaciais que andavam. Outro clássico escrito por ele foi “Krakatoa: East of Java/Krakatoa – O Inferno de Java” (1969), aventura dirigida por Bernard L. Kowalski. Como produtor realizou “El Hombre de Río Malo/A Quadrilha da Fronteira” (1971), divertido western estrelado por Lee Van Cleef e Gina Lollobrigida, além dos já citados “Pancho Villa” e “Horror Express”, todos os três com direção de Eugenio Martín.

O diretor espanhol Eugenio Martín (1925) estudou direito na Universidade de Granada. Graças aos seus curta-metragens, como “Viaje Romántico a Granada” (1955), “Adiós, Rosita (Vieja Farsa Andaluza)” (1956), “Romance de una Batalla” (1956), entre outros, se tornou assistente de diretores como Guy Hamilton, Michael Anderson, Nathan Juran e Nicholas Ray. Sua primeira direção de um longa foi com a comédia “Despedida de Soltero” (1961), seguido de seu primeiro filme de horror, “Ipnosi” (1962), estrelado por Jean Sorel que alguns anos depois trabalhou nos clássicos “Belle de Jour/A Bela da Tarde” (1967) de Luiz Buñuel e “Paranoia” (1970) de Umberto Lenzi. No final dos anos de 1960 dirigiu alguns westerns, como “El Precio de um Hombre” (1967), estrelado por Tomas Millian; e “Réquiem para el Gringo” (1968), co-dirigido por José Luis Merino. Depois de alguns musicais (“Las Leandras” e “La Vida Sigue Igual”, ambos de 1969, e o último estrelado por Julio Iglesias), realizou o horror “La Última Senhora Anderson” (1971), estrelado por Carroll Baker. Neste momento conheceu o produtor Bernard Gordon e fizeram juntos três filmes. Em seguida fez “Una Vela Para el Diablo/It Happened at Nightmare Inn” (1973), suspense de horror sobre duas irmãs loucas e seu hotel sinistro. Depois de passar o resto dos anos 70 realizando comédias obscuras, entrou nos anos 80 com as produções de horror “Aquella Casa em las Afueras” (1980) e “Sobrenatural” (1983). Por essa época sua carreira no cinema ficou meio estagnada e Martín migrou para a televisão.

Christopher Lee (1922) é inglês e se tornou mundialmente famoso quando interpretou monstros clássicos para a produtora Hammer. Primeiro foi o monstro de Frankenstein em “The Curse of Frankenstein/A Maldição de Frankenstein” (1957) e depois foi o Conde Drácula em “Dracula/Horror of Dracula” (1958), ambos com direção de Terence Fisher. Ainda em 1958 apareceu ao lado de Boris Karloff na fantástica produção “Corridors of Blood”, de Robert Day, sobre um médico tentando descobrir um anestésico para operações mais complicadas. Voltou ao papel de sugador de sangue louco por decotes femininos nos filmes “Dracula – Prince of Darkness” (1966) de Terence Fisher; “Dracula Has Risen from the Grave” (1968) de Freddie Francis; “Taste the Blood of Dracula” (1969) de Peter Sasdy; “Scars of Dracula” (1970) de Roy Ward Baker, entre outros, que ajudaram a torná-lo a principal cara do Conde Drácula no cinema. Em 1966 Lee interpretou o místico russo Rasputin em “Rasputin, The Mad Monk” de Don Sharp, contando na época que quando era criança encontrou com Felix Yussupov, assassino de Rasputin. Nos anos 70 estrelou alguns ótimos filmes, como “I, Monster” (1971) de Stephen Weeks, uma adaptação de “The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde” do escritor Robert Louis Stevenson, “The Wicker Man/O Homem de Palha” (1973) de Robin Hardy, clássico cult do cinema de horror; e “To The Devil a Daughter/Uma Filha Para o Diabo” (1976) de Peter Sykes e com a curiosidade de trazer uma Natassja Kinski ainda ninfetinha e pelada nos bons tempos em que o cinema era um antro politicamente incorreto. Depois dos anos 70 Lee apareceu em inúmeros filmes bobocas de Hollywood. Este fantástico ator já fez tanta coisa que é necessário um artigo somente sobre ele. Para ler sobre Peter Cushing, clique em “Island of Terror“.

Telly Savalas (1922-1994) aparece pouco tempo em cena no “Horror Express”, mas o suficiente para roubar o filme para si com sua personagem ensandecida do brutal capitão cossaco. Nascido com o nome de Aristotelis Savalas em Garden City, NY, começou trabalhando na televisão. Foi descoberto pelo ator Burt Lancaster que o ajudou a decolar na carreira de ator. Em 1965 raspou a cabeça para o filme “The Greatest Story Ever Told/A Maior História de Todos os Tempos”, onde interpretou Pontius Pilate, e gostou tanto do novo visual que o adotou por toda vida. Na televisão se imortalizou no papel de Kojak na série de mesmo nome, que foi ao ar em outubro de 1973. Com Mario Bava fez “Lisa e Il Diavolo” (1974). Outros filmaços com Savalas incluem produções como “Una Ragione Per Vivere e Una Per Morire/Uma Razão para Viver… Uma Razão para Morrer” (1972) de Tonino Valerii. co-estrelado por Bud Spencer; uma participação hilária em “Capricorn One/Capricórnio Um” (1977) de Peter Hyams; “Beyond the Poseidon Adventure/Dramático Reencontro no Poseidon” (1979) de Irwin Allen, entre vários outros. Mas Savalas é um ator tão cult que qualquer filme dele é uma verdadeira diversão. Veja todos!

Na época de seu lançamento, “Horror Express” foi um fracasso comercial na espanha, país que abrigou sua produção. Foi lançado em DVD pela distribuidora London Filmes, mas sem nenhum material extra.

por Petter Baiestorf.

Veja “Horror Express” aqui:

Island of Terror

Posted in Cinema, Entrevista with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 4, 2012 by canibuk

“Island of Terror” (1966, 89 min.) de Terence Fisher. Com: Peter Cushing, Edward Judd e Carole Gray.

Numa ilha isolada desaparece um fazendeiro, sua esposa chama a polícia e as buscas revelam que ele foi morto numa caverna e está sem um único osso em seu corpo. Diante de tal mistério, o médico da ilha vai atrás de um especialista em doenças ósseas para lhe ajudar a elucidar o problema. Os médicos sabem que nesta mesma ilha um grupo de oncologia está pesquisando a cura do câncer e vão até o castelo onde o grupo faz experimentos para ter a opinião dos cientistas. No castelo descobrem todos os pesquisadores mortos, sem um único osso em seus corpos, e uma nova forma de vida é encontrada ali (um monstrengo que parece uma estranha cruza entre arraia e tartaruga). Logo nossos heróis chegam a conclusão de que os pesquisadores criaram as criaturas por acidente apartir do átomo silício e que estas desajeitadas criaturas se alimentam de ossos. As criaturas são apelidadas de “Silicatos” (por causa do silício, nada mais lógico!) e os médicos preparam a resistência armada contra a nova e faminta espécie, envolvendo todos os moradores da ilha numa batalha pela sobrevivência.

Com um clima bem sério característico do cinema de horror britânico, “Island of Terror” é uma deliciosa bobagem envolvente onde Peter Cushing parece se divertir o tempo todo em seu papel. Lançado em 1966 pela Planet Film Productions (e no ano seguinte distribuido nos USA pela Universal Studios em programa duplo com “The Projected Man” (1967) de Ian Curteis), é uma produção de baixo orçamento e grande aproveitamento, nunca ficando chato ou parado em sua sucessão de acontecimentos macabros e efeitos especiais simples, mas bem elaborados e executados. Inspirado em “The Night the Silicates Came”, de Gerry Fernback, a ameaça do desconhecido é eliminada bem nos moldes dos anos 1960: “Se não compreendo, mato e destruo!”.

O diretor, Terence Fisher, se tornou um grande artesão do cinema de horror britânico graças às suas produções para a Hammer. Nascido em 1904 (e morto em 1980), estreiou como diretor em 1948 com o drama “A Song for Tomorrow”. Com o sci-fi romantico “Four Sided Triangle” (1953), estrelado por Barbara Payton (recém saída do cult “Bride of the Gorilla”), se tornou conhecido como um ótimo diretor de filmes de baixo orçamento. No mesmo ano fez ainda a sci-fi “Spaceways” e o thriller “Blood Orange”. Se alternando entre produções de todos os gêneros para o cinema e TV, Fisher foi escalado para dirigir “The Curse of Frankenstein/A Maldição de Frankenstein” (1957, warner home video), horror à cores bancado pela Hammer com Peter Cushing, Christopher Lee e Hazel Court no elenco. Daí em diante se tornou especialista em construir filmes sombrios e realizou filmaços como “Dracula/Horror of Dracula” (1958, warner home video), também com Cushing e Lee no elenco; “The Revenge of Frankenstein” (1958); “The Hound of the Baskervilles/O Cão dos Baskervilles” (1959), horror e mistério com Cushing no papel de Sherlock Holmes; “The Mummy” (1959), versão da Hammer para a história de maldições de múmias; “The Brides of Dracula/As Noivas de Drácula” (1960), sempre com Cushing no papel de Van Helsing; “The Two Faces of Dr. Jekyll/O Monstro de Duas Caras” (1960), sua contribuição para o romance “O Médico e o Monstro”; “The Curse of the Werewolf” (1961), sobre lobisomens na Espanha; “The Phantom of the Opera” (1962), com Herbert Lom no papel do atormentado professor de música; “The Gorgon” (1964), grande clássico da Hammer, também estrelado pela dupla Cushing-Lee; “The Earth Dies Screaming” (1964), pequeno clássico de sci-fi sobre o planeta Terra sendo invadido por aliens; “Dracula: Prince of Darkness” (1964) com Christopher Lee repetindo o papel de Drácula e mais três filmes lindos com Frankenstein: “Frankenstein Created Woman/Frankenstein Criou a Mulher” (1967, London Films); “Frankenstein Must Be Destroyed/Frankenstein Tem Que Ser Destruído” (1969, Warner Home Video) e “Frankenstein and the Monster From Hell” (1974), todos estrelados por Peter Cushing. Os filmes de Terence Fischer são imperdíveis.

Peter Cushing é a cara definitiva do Barão Frankenstein, de Van Helsing, de Sherlock Holmes, do Dr. Who. Nascido em 1913 (morto em 1994), logo começou a trabalhar no teatro e em 1939 se mandou para Hollywood onde trabalhou em “The Man in the Iron Mask” de James Whale. De volta à Inglaterra sobreviveu trabalhando como figurante em filmes até fazer TV ao vivo, onde ficou conhecido e foi chamado para viver o Barão Victor Frankenstein em “The Curse of Frankenstein” (1957), iniciando uma longa parceria com o diretor Terence Fisher e o ator Christopher Lee, de quem logo virou um de seus melhores amigos. Devia ser uma diversão ver essa dupla bebendo cervejas em algum pub londrino. Em 1971 tentou o suicídio na noite em que sua esposa morreu, para sorte de todos os fãs de filmes de horror ele sobreviveu. Poucos anos depois apareceu no “Star Wars” (1977) de George Lucas, onde interpretou sua personagem usando sempre chinelos, pois as botas que sua personagem era para usar apertavam seus pés. Com uma filmografia que ultrapassa mais de 130 filmes, Cushing se tornou uma grande lenda do cinema de horror mundial.

“Island of Terror” é um grande momento do cinema de horror britânico, com aquele clima nostálgico das velhas produções onde atores com rosto de pessoas comuns (e adultos, sem a presença dos insuportáveis adolescentes dos filmes de horror de hoje) tinham que combater uma força desconhecida. Continua inédito em DVD no Brasil.

por Petter Baiestorf.

Veja “Island of Terror” aqui:

Segue abaixo alguns momentos da entrevista que o fanzine “Quatermass” publicou com Peter Cushing, quem quiser ler a entrevista na íntegra deve procurar o “Quatermass” número 2 (de outubro de 1995), extraordinário fanzine espanhol.

Quatermass: Como você compôs o Barão Frankenstein quando o representou pela primeira vez em “The Curse of Frankenstein”?

Peter Cushing: Todos os papéis se abordam da mesma maneira, buscando-se todos os dados criados pelo autor em sua criação e, quando necessário, trazendo novos elementos para a personagem, enriquecendo-a! Para o Barão Frankenstein me inspirei muito na vida real do anatomista Dr. Robert Knox. Não concordo que Frankenstein seja um homem malvado, mas como muitos gênios da vida real é mal compreendido.

Quatermass: Os filmes da Hammer foram bastante criticados por suas altas doses de sangue e violência. O que pensas sobre isso?

Cushing: A maioria dos filmes refletem a época em que foram feitos. Para mim filmes como “The Goodfather/O Poderoso Chefão” são filmes de horror, por mais charmosos que sejam. Um homem numa mesa de massagem que recebe um tiro e lhe saltam os olhos é muito mais violento do que Drácula sendo empalado por uma estaca de madeira.

Quatermass: No livro de Bram Stoker, Van Helsing é um velho professor alemão. Você teve, em algum momento, intenção de interpretá-lo nesta linha?

Cushing: Tivemos uma reunião sobre este assunto porque me preocupava muito. Eu disse: “Olhem, aqui está a descrição: um pequeno velho que fala de maneira absurda. Porque estão me dando este papel?”. Mas naquela época eu era bastante popular neste estilo de filmes e me responderam: “Cremos, do ponto de vista comercial, que deve interpretá-lo como tu és, ficará grotesco te maquiar como um velho!”. Foi isso que aconteceu e concordei com a decisão. Eles poderiam ter contratado algum ator mais velho, mas não o fizeram.

Quatermass: Interpretando um Van Helsing mais jovem você pode deixar a personagem com mais energia e vigor.

Cushing: A cena final de “Drácula” tem bons efeitos e muita ação, teria sido lamentável não fazê-lo assim, porque sempre penso que um filme precisa de emoção e impacto. Me lembro dos filmes de Errol Flynn, onde sempre acontece algo excitante, e creio que isso tem grande importância para o público.

Quatermass: Como foi aparecer em programas de Tv na década de 1950?

Cushing: Naquele tempo era tudo ao vivo. Ensaiávamos durante três semanas, que era mais ou menos o mesmo tempo que no teatro. Foi Horrível! Fiz aquilo durante dez anos. Essa é a razão por meus nervos estarem destroçados hoje. Mas, com certeza, foi a época que o público britânico ficou conhecendo meu nome.

Quatermass: E o declínio da Hammer?

Cushing: Quando James Carreras se retirou da Hammer, seu filho Michael ficou encarregado da produtora e ele acreditava que o tempo dos filmes de horror já haviam passado. Tentou fazer coisas diferentes, mas não se saiu bem. Hammer tinha uma reputação e seu público não queria ver outros tipos de filmes.

Harry Thomas: Monstros Bananas à Preços Idem

Posted in Cinema, Museu Coffin Souza with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 18, 2011 by canibuk

O norte americano Harry Thomas, nascido na Pensylvania em 22 de setembro de 1909, se envolveu com a indústria do cinema primeiro como figurante em filmes como “Pardon Us” (1931), com a dupla humorística Laurel & Hardy (O Gordo & O Magro) e depois se interessou por maquiagem, sendo treinado por William Tutle e Jack Dawn, chefes do departamento da MGM. Durante a fase clássica de filmes de terror da Universal, trabalhou sob ordens de Jack Pierce, que ele considerava seu verdadeiro mestre. Sua vocação para trabalhos rápidos e de baixo custo o levou a televisão, onde foi responsável pela maquiagem em 52 episódios da série “Adventures of Superman” (1951-1954) e pelo filme de cinema realizado para divulgar o programa “Superman and The Mole Man” (1951) de Lee Sholem. Nesta aventura tipicamente “B”, o super-herói vindo do planeta Krypton (vivido pela primeira vez por seu mais famoso intérprete George Reeves) enfrenta a ameaça dos terríveis homens toupeiras, que surgem do fundo da terra para ameaçar os humanos com suas armas de raios. As criaturas, que no final estavam apenas protegendo seu habitat, foram vividas por anões com falsas cabeças pontudas e grossas sobrancelhas. Harry Thomas estava criando seu estilo. Em “Cat Women of the Moon” (“As Mulheres-Gato da Lua”, 1953 em 3D) de Arthur Hilton,Thomas precisou construir duas aranhas gigantes com chifres, já que as telepáticas mulheres-gato da lua que tentavam dominar astronautas terrenos, eram garotas com uniformes colantes pretos com quase nada que lembrasse gatos ou felinos na maquiagem, a não ser longas unhas feitas de pedaços de celulóide cortados e pintados. Sua primeira criação mais complexa surgiu no terror “The Neanderthal Man” (“O Homem Fera”, 1953) de E.A. DuPont, sobre um cientista maluco que desenvolve um soro que o faz regredir a um estágio pré-histórico. A cena de transformação, realizada quadro a quadro, enquanto Thomas ia maquiando o ator Robert Shayne, ao estilo das maquiagens de Jack Pierce para a série de lobisomens dos anos 40, é bastante eficiente, mas destoa totalmente em visual com a pesada (e sem movimentos) máscara feita com algodão, cola, pelos e cascas de laranja secas (fazendo os dentes disformes), além de uma peruca ridícula, construída para o dublê e treinador de animais que precisava no final enfrentar um também muito falso tigre-de-dentes-de-sabre.

Harry Thomas conta no livro “Nightmare of Ecstasy – The Life and Art of Edward D. Wood, Jr.” (Feral House Books, 1992) de Rudolph Grey, que foi convidado pelo jovem cineasta para ir até sua casa para receber o roteiro de seu novo filme. “Eu peguei o endereço e bati na porta. Uma mulher alta, bem vestida me atendeu , mandou sentar e me serviu uma xícara de chá. Eu perguntei se Eddie estava em casa e ela me disse: ”Eu sou Ed Wood”. E eu estava chocado e perguntei “Oh! Você não é a irmã de Ed?“ -“Não, eu sou realmente Ed. É desta forma que quero aparecer em “Glen or Glenda””. Assim, o maquiador acostumado apenas com filmes de ficção científica e monstros teve que trabalhar com cosméticos femininos e embelezar Wood Jr. em seu épico sobre travestismo “Gen or Glenda?” (1953). Além disto, Thomas faz uma ponta na cena em que o personagem Glen tem um pesadelo onde várias pessoas e o demônio (Captain De Zita) o atormentam (ele é o personagem de bigodes, creditado como: “Man in nightmare”). “Glen or Genda estava divorciado completamente do que eu fazia, mas foi divertido.”

Então Harry foi contratado para criar os alienígenas do planeta Astron Delta, que dominam um cientista (Peter Gaves) para ser seu espião no ultra-barato “Killers From Space” (“Mundos Que Se Chocam”, 1954) de W.Lee Wilder. Completamente sem orçamento, ele colocou o que se convencionou chamar de “olhos-de-ping-pong” em senhores de meia idade com macacões pretos e cintos coloridos. Na verdade Thomas utilizou as cavidades de caixas de ovos de plástico pintadas e com pequenos orifícios para os pobres extras poderem enxergar e disfarçou-as com espessas sobrancelhas, sua marca pessoal.

Acostumado com as extravagâncias de Ed Wood, Harry Thomas recebeu um roteiro promissor, afinal “The Bride of the Monster” (1955) prometia Bela Lugosi como um cientista louco com um assistente deformado chamado Lobo (o lutador Tor Johnson), um polvo gigante e etc. Mas novamente as imposições de orçamento foram mais fortes, e as pressas nas filmagens ficam visíveis na maquiagem de Tor, que muda de cena para cena e o polvo na verdade foi roubado do depósito de um estúdio, numa história hoje já clássica. Thomas acabou ficando amigo da trupe mambembe de Wood, e além de confidente das lamúrias do pobre Lugosi, passou a freqüentar a casa de Tor Johnson, onde conta ele teve que certa vez fugir para não passar mal ao acompanhar a família do gigante suíço em uma refeição: “… eles tinham cadeiras especiais para sentar, já que cadeiras comuns quebrariam. O tempo todo Tor dizia – “Comam, comam, comam para ficarem grandes e fortes”. Eu já não agüentava tanta comida e ele queria que eu comesse a metade de uma melancia, quando recusei ele me informou que depois de uma breve soneca teríamos mais um lanche! Eles se pareciam com uma família de grandes ursos!” (R. Grey.). Num dos últimos filmes da produtora classe “Z” Republic, “The Unearthly” (na TV: “O Extraordinário”, 1957) de Brooke L.Peters, John Carradine vivia pela enésima vez um cientista louco, agora fazendo experimentos com transplantes glandulares auxiliado por seu assistente gigante-retardado chamado… Lobo (Tor Johnson, é claro!). Se Johnson atuou ao natural, apenas com seu físico avantajado, no final seu personagem redimido, ajuda a linda mocinha (Allison Hayes) a escapar de um grupo de mutantes deformados que o médico escondia no porão. O principal deles, com uma maquiagem grotesca (no “bom” sentido) feita por Harry Thomas com pedaços de látex e adesivos cirúrgicos era um jovem gigante chamado Carl Johnson, o “little Karl”, filhinho comilão de Tor.

Nesta época, Harry Thomas trabalhou brevemente junto com outra lenda das maquiagens e efeitos vagabundos: Paul Blaisdell (o maquiador preferido de Roger Corman). Em “Voodoo Woman” (1957) de Edward L. Cahn, eles tiveram que reciclar uma fantasia criada por Blaisdell um ano antes para “She Creature” do mesmo Ed Cahn. O antes monstro marinho feminino, ganhou uma nova cabeça, semelhante a uma caveira deformada, uma peruca loira (!) e um vestido feito de sacos de linhagem. No bizarro “From Hell It Came” (“Veio do Inferno”, 1957) de Dan Milner, um príncipe de uma ilha do Pacífico sul reencarna em uma árvore que caminha e ataca pessoas e é chamada de Tabonga. O monstro vegetal parece o pesadelo de uma criança de 5 anos, ou poderia ter saído de algum conto de fadas mais sinistro. Durante muitos anos, lendas sobre a construção/concepção da criatura apareceram em diversas publicações e entrevistas, mas J.J. Johnson no espetacular livro “Cheap Tricks and Class Acts” (McFarland Books, 1996) esclarece o mistério: Paul Baisdell desenhou , a fábrica de máscaras de Halloween e objetos de cena para filmes Don Post Studios, fabricou e Harry Thomas pintou e fez acabamentos no monstro, além de ter feito todas as maquiagens dos nativos da história.

“The Bride and the Beast” (1958) de Adrian Weiss parece uma história escrita por Ed Wood… e é! Precisando de dinheiro, ele vendeu seu roteiro sobre uma mulher (Charlotte Austin) que durante um safári na África, descobre aos poucos que é a reencarnação de uma gorila, para no final reverter ao seu estado primitivo e ir viver feliz no meio das selvas com seus parentes! Como o dublê e performance de gorilas Steve Calvert, já possuía sua fantasia pronta, coube a Harry adicionar mais pêlos, fazer alguns ajustes nos olhos e repintar o primata para ele não parecer exatamente igual a por exemplo “Bride of the Gorilla”(1951), onde já havia sido utilizado.

Finalmente um Clássico! Em 1956, Ed Wood Jr., teve uma idéia brilhante: utilizar umas poucas cenas que havia rodado com seu recém falecido amigo Bela Lugosi para um filme que seria chamado “The Vampire’s Tomb” em uma produção totalmente diferente sobre alienígenas que conseguiam ressuscitar cadáveres humanos para dominar a terra. “Grave Robbers from Outer Space” teria além da participação póstuma de Lugosi, vários outros colaboradores da trupe habitual de Ed, além da presença de uma apresentadora de um programa de filmes de terror da TV chamada Maila Nurmi, mais conhecida como Vampira. Depois de ser financiado por um pastor de uma igreja evangélica, o filme seria renomeado “Plan 9 From Outer Space”(1956/1959) e muito já foi dito e escrito sobre suas filmagens, lançamento e trajetória, que o levaram a fama de ser um dos piores filmes da história do cinema. Fama injusta, já que é muito divertido e extremamente criativo, mas a parte que nos cabe retomar aqui foi contada por Harry Thomas em “Nightmare of Ecstasy” e também no ótimo documentário “Flying Saucers Over Hollywood: Plan 9 Companion” (1992) de Mark P. Carducci. Munido do roteiro, Thomas foi até Ed Wood cheio de idéias sobre a aparência dos alienígenas e argumentou que com adesivo cirúrgico e alguns cosméticos poderia mudar sua cor, olhos e faces, além de saber como alterar suas vozes para não parecerem tão humanos. A resposta de Ed foi clara e precisa e ofendeu o econômico fazedor de monstros: “Harry, nós não temos tempo, nem dinheiro” (ponto final.)

O trabalho de Harry Thomas não era ruim por incompetência sua, mas por tempos reduzidos e orçamentos apertados. Ele se dedicava a desenvolver maquiagens de qualidade, mas a parte financeira e a pressa de diretores e produtores dos filmes vagabundos para que era contratado comprometiam seu trabalho. Quando foi chamado para fazer “Frankenstein’s Daughter” (“A Filha de Frankenstein”, 1958) de Richard E. Cunha, Thomas trabalhou sem um roteiro, criando uma make up bastante expressiva cheia de deformações e cicatrizes para o corpulento ator Harry Wilson. O que o produtor se esquecera de informar era que a criatura seria uma fêmea, vivida antes da transformação pela atriz Sally Todd. Como já havia maquiado para o mesmo filme a jovem Sandra Knight (com sua combinação clássica: dentes enormes deformados mais sobrancelhas peludas), acreditou que ela seria a tal “monstra”! Assim, a solução foi colocar uma enorme quantidade de batom nos lábios deformados do monstro, que para piorar usava uma roupa que parecia a de um Papai-Noel espacial! Para providenciar uma sessão dupla para o lançamento de “A Filha de Frankenstein”, Richard Cunha reescreveu sua história básica terráqueos-enfrentam-uma-raça-de-mulheres-alienígenas gostosas (vista antes em “Cat Women of the Moon”) e Thomas foi encarregado de ajudar a criar uma dupla de homens-rocha e a disfarçar uma aranha gigante fabricada pela Universal para promover seu clássico “Tarântula” (1955), fazendo-a agora a principal ameaça para as garotas da Lua. Uma nova cara e um acréscimo de pêlos só fizeram piorar os já limitados movimentos do bicho movido a fios de nylon. E assim nasceu, então, “Missile to the Moon” (1958), disponível em DVD no Brasil.

Harry Thomas voltou a trabalhar para Ed Wood e criou uma maquiagem deformada para a volta do personagem Lobo (Tor Johnson) do mundo dos mortos em “Night of the Ghouls”, filmado em 1958 e nunca lançado nos cinemas. Um médium picareta chamado Dr.Acula promete fazer contato com entes queridos falecidos de seus clientes, mas acaba provocando a vingança dos mortos (seu título original “Revenge of the Dead”). A confusa seqüencia de acontecimentos sobrenaturais vividas entre cenários de papelão teve “ajuda” na edição de Phil Tucker (de “Robot Monster”, outro épico Trash clássico) e foi o penúltimo filme de Ed Wood Jr.

Harry Thomas esteve na equipe que fez “The Little Shop of Horrors” (1960) de Roger Corman, mas apenas fazendo maquiagens faciais. Teve sua oportunidade de fazer suas próprias recriações dos monstros clássicos (Drácula, o lobisomem e a criatura de Frankenstein) no filme adulto “House on Bare Mountain” (1962) de R.Lee Frost, mas o orçamento para o mais caro filme “Nudie” feito naquela época (72.000 dólares) tinha pouco disponível para maquiagens decentes, principalmente porque o que mais interessava era os corpos nus das belas garotas de uma escola para moças assombrada.

Talvez por já se envolver uma vez com uma árvore que caminhava (em “Veio do Inferno”), o esforçado Thomas foi convocado para ajudar “The Navy Vs. the Night Monsters” (“A Marinha Contra os Monstros”, 1966) dirigido pelo roteirista Michael Hoey. No meio da Antártida, a marinha americana descobre uma zona de calor, e nela estranhas plantas que caminham e devoram seres humanos. Além de ser responsável pelo acabamento nos monstros vegetais, nosso amigo criou uma série de cicatrizes e ferimentos de queimaduras bastante realistas, utilizando materiais baratos. Thomas foi um dos pioneiros na substituição de produtos caros utilizados em maquiagens especiais por materiais caseiros, encontrados principalmente em cozinhas: farinha de trigo com água, calda de chocolate, gelatina e Karo. Ele nunca admitiu a utilização destes produtos por razões financeiras, dizia que muitos atores e atrizes eram alérgicos a certos químicos presentes em certas fórmulas de maquiagens, assim os materiais naturais e comestíveis seriam a melhor opção.

O produtor/diretor Arch Oboler, um entusiasta da 3D (Terceira Dimensão) desde os anos 50 (“Bwana Devil”, 1952) desenvolveu um sistema próprio revolucionário, chamado Space Vision, e escreveu para demonstrá-lo uma ficção científica chamada “The Bubble” (“A Bolha”, 1966), sobre uma pequena cidade em que os habitantes são escravizados por uma estranha bolha de energia que flutua sobre o local (e dentro das salas de cinemas, claro). Harry Thomas foi responsável por desenvolver a bolha plástica alienígena e a aparência zumbificada de suas vítimas. (Assisti a uma reprise deste filme no cinema durante a moda do 3D dos anos 80 e sim, a bolha parecia flutuar na sala de projeção, mas de resto era uma enorme chatice, sem graça e sustos…)

Harry Thomas ainda voltaria a sua criação clássica ao transformar a bela Claire Brennan numa aberração com meio rosto deformado, dentes monstruosos, orelha pontuda e um olho de “ping-pong” em “She Freak” (1966) de Byron Mabe, uma refilmagem picareta de “Freaks” (1932) pelo produtor/roteirista David Friedman, um dos reis do “sexploitaition”. Pena que sua criação apenas apareça poucos minutos no final do filme. Voltou então para a televisão e trabalhou em inúmeras séries e programas, mas nunca foi esquecido pelos diretores e produtores de filmes de horror de baixo orçamento, tanto é que Oliver Stone em sua segunda realização “The Hand” (em vídeo “A Mão”, 1981) o chamou para dar vida à personagem título: a mão decepada de um cartunista que ganha vida própria e comete vários crimes. Algum gore, e com pouco dinheiro… uma mão que parece uma luva de borracha caseira.

Harry Thomas faleceu em 21 de outubro de 1996.

Filmografia Parcial:

Superman and the Mole Man (1951); Invasion U.S.A. (1952); Cat-Women of the Moon (1953); The Neanderthal Man (1953); Port Sinister (1953); Project Moonbase (1953); Glen or Glenda? (1953); Monster from the Ocean Floor (1954); Jail Bait (1954); Killers from Space (1954); Bride of the Monster (1955); Plan 9 from Outer Space” (1956/1959); The Unearthly (1957); Voodoo Woman (1957); The Bride and the Beast (1958); Night of the Ghouls (1958); Terror in the Haunted House (1958); Frankenstein’s Daughter (1958); Missile to the Moon (1958); The Little Shop of Horrors (1960); Raiders from Beneath the Sea (1961); House on Bare Mountain (1962); Space Probe Taurus (1965); The Navy Vs. The Night Monsters (1966); She Freak (1966), The Bubble (1966); Logan’s Run (1976); The Hand (1981).

Texto e pesquisa de Coffin Souza.

Frankenstein (1910)

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , on dezembro 9, 2010 by canibuk

“Frankenstein” de 1910 é considerada a primeira adaptação cinematográfica do livro “Frankenstein” de Mary Shelley. Esse curta (na época os filmes eram sempre bem curtinhos) foi produzido pelo Edison Studios, escrito/dirigido por J. Searle Dawley e filmado em 3 dias nos estúdios de Edison no Bronx, New York. Embora em alguns lugares o próprio Thomas Edison era apontado como produtor do filme, se sabe que ele nunca se envolvia diretamente nas atividades da Edison Studios. O curta é bem engraçado, Doutor Frankenstein mistura os ingredientes (igual quando se faz um bolo) para a criação do Monstro e o Monstro nasce (um nascimento que lembra bastante o efeito da personagem Frank no “Hellraiser” de Clive Barker produzido em 1987) e é bem inteligente e malicioso.

Por muito tempo se acreditava que este curta estava perdido. No início dos anos 50 Alois F. Dettlaff comprou um lote de filmes antigos mas não percebeu logo a raridade que estava no meio dos outros filmes, até que em 1970 ele revelou sua descoberta ao mundo em uma cópia de preservação de 35mm que ele mandou fazer.

Em 2003 esse clássico foi adaptado no formato de uma graphic novel de 40 páginas escrita por Chris Yambar e desenhada por Robb Bihun chamada “Frankenstein’s Edison 1910” e, no espírito do filme, é em preto e branco e sem diálogos.

Como nos U.S.A. todos os filmes produzidos antes de 1922 se encontram em domínio público, é bem fácil encontrar esse curta no youtube. Como sou fanático pela versões cinematográficas do Frankenstein (o monstro de Frankenstein não deixa de ser um zumbizão elétrico), eis aqui um link para assistir ao filme: