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A Coisa de Larry Cohen

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 13, 2012 by canibuk

“The Stuff” (“A Coisa”, 1985, 87 min.) de Larry Cohen. Com: Michael Moriarty, Andrea Marcovicci, Garrett Morris, Paul Sorvino, Danny Aiello e Scott Bloom.

O cinema de baixo orçamento é famoso por contornar suas deficiências técnicas com roteiros absurdos, situações ridículas/improváveis e muito bom humor que nos fazem embarcar com o coração nas mais bizarras tramas. “The Stuff”, obra-prima trash de Larry Cohen, se encaixa perfeitamente na categoria destes filmes produzidos sem grana nenhuma e muito amor pela arte de produzir cinema a qualquer custo.

Em “The Stuff” uma empresa da indústria alimentícia comercializa uma estranha substância branca (parecida com iogurte) que jorra do chão, horiunda do interior do planeta Terra. Logo tão delicioso alimento se torna a sobremesa mania nacional e todos que a comem se tornam viciados. Um garoto descobre que o alimento é um organismo vivo e se une ao sabotador industrial que foi contratado pela indústria do sorvete (que agora não vende mais nada) para descobrir do que o estranho alimento é feito. Durante as investigações eles descobrem que os viciados em “Stuff” se tornam zumbis com seus cérebros sendo comandados pela estranha substância que se revela um poderoso parasita. Com a ajuda de um soldado aposentado de extrema direita eles precisam liderar uma verdadeira batalha contra os zumbis viciados em “Stuff” e descobrir um meio de parar as vendas de tão desejada sobremesa.

Com um forte teor crítico à indústria do fast food americano (coca-cola e McDonalds em especial), com ecos da guerra fria, Larry Cohen orquestrou um filmaço de humor negro que previa a nação de gordos que os USA se tornaram. Em seu filme a indústria alimentícia é uma vilã que conta com a proteção do governo e a população somente serve para consumir às cegas. Não pergunte, consuma! Com efeitos especiais econômicos a produção oscila entre momentos inspiradíssimos e momentos onde tudo parece ter sido feito nas coxas (possivelmente por culpa do cronograma apertado das filmagens). Para baratear ainda mais os efeitos especiais, a produção reciclou muita coisa, como por exemplo a cena do motel (onde a gosma branca sai do colchão e ataca um homem contra a parede do quarto), que foi filmada no cenário de “A Nightmare on Elm Street/A Hora do Pesadelo” (1984), de Wes Craven, onde a personagem de Johnny Depp era sugada para dentro de sua cama e o sangue jorrava em direção ao teto. Uma jovem Mira Sorvino, filha do ator Paul Sorvino, foi visitar o pai num dia de filmagens e acabou sendo figurante em uma cena. Nada como aproveitar todos os recursos disponíveis para baratear ainda mais seu filme.

O diretor Larry Cohen nasceu em Kingston, New York, em 1941. Começou sua carreira cinematográfica como roteirista. Estreiou na direção com a comédia “Bone” (1972), mas chamou atenção com seus próximos filmes, “Black Caesar” (1973) e “Hell Up in Harlem/Inferno no Harlem” (1973), dois blaxploitations prá lá de divertidos e, ambos, estrelados pelo lendário Fred Williamson. Na seqüência realizou o sucesso de público “It’s Alive/Nasce um Monstro” (1974) sobre um bebê mutante que faz a festa dos fãs de carnificinas cinematográficas. Com a bola toda, Cohen realizou a seguir o pretencioso suspense de sci-fi “God Told Me To/Foi Deus Quem Mandou” (1976), clássico sobre vários crimes aleatórios cuja única ligação é a frase que todos os criminosos dizem ao final de seus massacres: “Deus quem mandou!”. Depois deste ótimo filme sua carreira como diretor seguiu alternando produções medianas com filmaços como “Special Effects” (1984), “The Stuff/A Coisa” (1985) e “The Ambulance/A Ambulância” (1990). Para os fãs de “It’s Alive”, Larry dirigiu ainda duas seqüências, “It Lives Again” (1978) e “It’s Alive 3 – Island of the Alive” (1987), onde a carnificina continua sendo perpetuada por bebês mutantes. O roteiro de filmes como “Maniac Cop” (1988) de William Lustig, “Body Snatchers/Os Invasores de Corpos” (1993) de Abel Ferrara e “Cellular” (2004) de David R. Ellis, foram escritos por ele.

“The Stuff” foi exibido à exaustão na televisão brasileira. Foi lançado no Brasil em VHS e DVD e é bem fácil de ser encontrado. Continua sendo uma diversão de primeira grandeza, provando que os filmes de baixo orçamento resistem melhor ao tempo.

por Petter Baiestorf.

Quel Maledetto Treno Blindato

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 4, 2012 by canibuk

“Quel Maledetto Treno Blindato” (“The Inglorious Bastards/O Expresso Blindado da SS Nazista”, 1978, 99 min.) de Enzo G. Castellari. Com: Bo Svenson, Fred Williamson e Peter Hooten.

Este filme é uma das obras-primas do diretor italiano Enzo Castellari. Com um senso de humor característico do cinema italiano (onde os heróis nunca são perfeitos, nem bons, em tempo integral) ele nos conta a história de cinco problemáticos soldados que são avessos à disciplina do exército e que estão presos. Quando o comboio que os levava à prisão militar é atacado por aviões alemães surge a oportunidade deles fugirem em direção a Suiça (país neutro). Em fuga o grupo logo se une a um desertor alemão e vai se metendo numa sucessão de situações absurdas (como quando encontram várias mulheres peladas tomando banho num rio e elas se revelam soldadas do Terceiro Reich), até que encontram um suspeito grupo de sete soldados alemães e, na dúvida, passam chumbo em todos. Quando nossos anti-heróis são capturados pela Resistência Francesa ficam sabendo que os setes soldados alemães que eles mataram eram, na verdade, soldados americanos disfarçados para a realização de uma importante missão de sabotagem. Sem opções de escolha o grupo de bastardos precisa tomar o lugar dos soldados americanos mortos e realizar, por conta e risco, a missão (quase) suicida e são enviados para sabotar o foguete V2 que está sendo transportado naquele maldito trem blindado da SS nazista.

Escrito pelos roteiristas Sandro Continenza, Sergio Grieco, Franco Marotta, Romano Migliorini e Laura Toscano, “Quel Maledetto Treno Blindato” (que originalmente se chamava “Bastardi Senza Gloria”) é um dos poucos filmes onde várias cabeças criaram situações complementares que nunca deixam o ritmo cair (vários roteiristas num mesmo filme geralmente resulta em filmes medíocres). É uma sucessão incrível de cenas memoráveis magistralmente dirigidas por Enzo Castellari em grande forma, que na época já era famoso por ter dirigido algunas clássicos do spaghetti western como “Vado… L’Ammazzo e Torno” (“Vou, Mato e Volto”, 1967), “Quella Sporca Storia nel West” (“Johnny Hamlet/Deus Criou o Homem e o Homem Criou o Colt”, 1968) e “Keoma” (1976).

Castellari nasceu em Roma e seu verdadeiro nome é Enzo Girolami (sobrenome este que desperta paixões em fãs do horror italiano, seu pai é o diretor Marino Girolami, diretor do clássico “Zombie Holocaust” (1980), mais popularmente conhecido por seu título americano: “Dr. Butcher M.D.”). Enzo foi o responsável por ótimos filmes de gênero, geralmente imitações inventivas de grandes sucessos americanos, como os bem sucedidos (de bilheteria) “1990: I Guerrieri del Bronx” (“Os Guerreiros do Bronx”, 1982), “I Nuovi Barbari” (“The New Barbarians”, 1983) e o ótimo “Fuga del Bronx” (1983), ficção de ação do qual sou muito fã, tanto que a personagem “Chibamar Bronx” (que aparece no meu longa “Raiva”, 2001) é uma homenagem à Sonny Chiba e ao bairro do Bronx deste filme. Mas nem tudo foi alegria, em 1981 a Universal Studios o processou por plágio e seu filme “L’Ultimo Squalo” (“O Último Tubarão”) teve que ser retirado dos cinemas devido as similaridades com “Jaws” de Spielberg. Nos anos da década de 1990 a indústria cinematográfica italiana faliu e Castellari foi trabalhar dirigindo filmes para canais de TV de seu país.

Curiosidades: A primeira tentativa de se produzir “Quel Maledetto Treno Blindato” aconteceu nos USA e era para ter sido dirigido pelo hoje cult diretor Ted V. Mikels (“The Astro-Zombies“, 1968) que não se animou com o roteiro (que até então era uma imitação do clássico “The Dirty Dozen”). Sou um grande fã de Mikels e gostaria de ver como ele teria estragado este roteiro. Também existe uma versão re-editada deste filme onde os produtores cortaram várias cenas para fazer parecer que Fred Williamson (ator figurinha em spaghetti westerns, como “Take a Hard Ride/Cavalgada Infernal” (1975) de Antonio Margheriti ou “Adiós Amigo” (1976) com direção dele mesmo) era o ator principal e lucrar com o fenômeno Blaxploitation.

Nos USA saiu uma versão em DVD, pela Severin Films, com 3 discos lotados de extras e uma versão remasterizada. Aqui no Brasil, infelizmente, foi lançado pela Cultclassic sem extra nenhum e qualidade de imagem de VHS ripado.

Veja o trailer deste clássico: