Arquivo para H.G. Wells

A Dançante Versão Musical de Guerra dos Mundos

Posted in Livro, Música with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 9, 2012 by canibuk

Adriano Trindade me deu toque sobre a existência de uma versão musical do livro “The War of the Worlds” de H.G. Wells que eu desconhecia completamente. Gravado em 1978 por Jeff Wayne, é um álbum conceitual que conta, em forma de música, a invasão do planeta Terra por hordas de marcianos sedentos por sangue humano usando ótimas rimas e um instrumental que bebe da fonte do rock progressivo com uma batida disco que deixa o cara querendo dançar, penso que com alguns arranjos mais disco daria um lindo sci-fi musical blaxploitation, estrelado por atores negros, ambientado em 1976.

O musical foi composto por Jeff Wayne (um autor de jingles publicitários) com ajuda de Gary Osborne (ex-letrista de Elton John) criando as letras rimadas por onde os sentimentos de várias personagens são cantadas. A banda que Wayne conduz ficou conhecida pelo nome Black Smoke Band e o jornalista da história, principal narrador, é interpretado pelo ator Richard Burton.

“Forever Autumn” (que ficou no top 5 londrino), “The Eve of the War”, “Thunder Child” e “The Spirit of Man” são as canções mais conhecidas do álbum que já vendeu mais de dois milhões de cópias. Existem algumas versões do álbum em espanhol (uma com Anthony Quinn no papel do jornalista e outra com Teófilo Martinez na mesma função). Em 1980 foi lançado uma versão em alemão com Curd Jürgens, que foi ator no clássico “Et Dieu… Créa la Femme/… E Deus Criou a Mulher” (1956) de Roger Vadim, no papel do jornalista. Além disso, em 1984 o CRL Group PLC lançou um video game baseado no musical de Wayne. Existe também, ainda em produção, uma animação em CGI inspirada no álbum.

Não deixe de conferir “The Jeff Wayne’s Musical Version of War of the Worlds“.

No post original sobre “The War of the Worlds” não falei que em 30 de outubro de 1971 os funcionários da rádio e TV difusora de São Luís/MA repetiram, desta vez em português, a experiência de Orson Welles e transmitiram um programa de 45 minutos de duração baseado em “A Guerra dos Mundos”, assim como nos USA em 1938, a cidade de São Luís também acreditou que estava sendo invadida por marcianos e o pânico e o caos se instalaram. Após o término do programa o exército fechou a rádio e prendeu os responsáveis. Para saber mais sobre essa linda experiência do rádio brasileiro, consiga o livro “Outubro de 71 – Memórias Fantásticas da Guerra dos Mundos”.

Things to Come

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , on maio 11, 2012 by canibuk

“Things to Come” (“Daqui a Cem Anos”, 1936, 92 min.) de William Cameron Menzies. Com: Raymond Massey, Edward Chapman e Margaretta Scott.

Na fictícia cidade de Everytown, na Inglaterra, o bem sucedido John Cabal (Raymond Massey, que contracenou com Boris Karloff em 1932 no divertido “The Old Dark House” de James Whale) está preocupado com as possibilidades de uma nova grande guerra e não consegue se divertir naquele natal do ano de 1940 (o filme filme foi produzido em 1936, a segunda guerra mundial acabou chegando antes das previssões de Wells). Logo todos estão lutando – em magníficas cenas de batalhas – e a guerra química vai dizimando boa parte da humanidade e criando uma praga chamada de “doença errante”, onde humanos ficam parecendo uma espécie de zumbis sem nenhum tipo de reações. Com a guerra longe de seu fim, um líder local (Ralph Richardson) se torna uma espécie de ditador implacável e começa a explorar, com sua força militar, seus co-cidadãos. Em 1970 um avião futurista aparece sendo pilotado por John Cabal, que anuncia que os engenheiros e mecânicos formaram uma nova civilização que renunciou a guerra e através da força fazem a guerra acabar (essa mesma mensagem foi re-utilizada em 1951 por Robert Wise e seu clássico “The Day the Earth Stood Still/O Dia em Que a Terra Parou”). Pulo para 2036,com a humanidade vivendo em paz em cidades modernas que lembram gigantescos shopping centers, com avanços tecnológicos como transmissões em vídeo, celulares (em pulseiras), escadas rolantes, helicópteros, entre outras. Em tempos de paz a humanidade se prepara para o primeiro vôo tripulado ao redor da Lua quando a paz é ameaçada por uma revolução prestes a ocorrer, mostrando que a humanidade nunca aprende com seus erros.

Com roteiro de H.G. Wells, baseado em seu próprio livro “The Shape of Things to Come” (1933), misturado com idéias tiradas de seu livro de não-ficção “The Work, Wealth and Happiness of Mankind” (1931), “Things to Come” é uma crítica a humanidade que não consegue viver em paz, que não consegue aceitar as diferenças culturais entre os povos. Nada mudou desde a publicações dos livros de Wells que falavam sobre este delicado assunto. A humanidade continua ignorando sua própria história para continuar insistindo em erros políticos. A intolerância religiosa e política da humanidade continuam matando aos montes (unidas a ganância das cooporações financeiras multinacionais). O visual (cenários e figurinos) e a edição do filme surpreende até hoje (e podemos perceber sua influência em filmes modernos, como a série “Mad Max”), provavelmente fruto do controle que Wells teve no projeto, até então nunca antes dado à um roteirista. Muitas coisas previstas por Wells, baseado em estudos científicos, acabaram acontecendo (mas para sorte da humanidade a grande guerra durou apenas 5 anos). O roteiro de Wells prevê vários avanços tecnológicos que surgiram nas décadas seguintes.

O diretor do filme foi William Cameron Menzies (que antes havia sido diretor de arte, o que também explica o visual lindo deste clássico), que nos anos 20 foi para Hollywood, sempre trabalhando com grandes produtores como David O. Selznick (Menzies trabalho no clássico “Gone With the Wind/… E O Vento Levou” de 1939). Em parceria com o produtor Joseph M. Schenck realizou alguns curtas experimentais que uniam músicas clássicas à imagens. Na seqüência dirigiu “The Spider” (1931), um suspense carregado de mistérios. Depois de alguns filmes não tão populares, dirigiu “Things to Come” com muita eficiência. Em 1953 dirigiu o sci-fi “Invaders from Mars/Os Invasores de Marte” que adoro.

Como curiosidade, algumas seqüências do filme (cenas da reconstrução de Everytown) foram elaboradas por László Moholy-Nagy, um artista abstrato húngaro professor na Bauhaus (influenciado pelo Construtivismo e defensor da integração da tecnologia industrial nas artes), mas acabaram não sendo usadas na edição final. Em 1979 George McCowan realizou “The Shape Things to Come”, estrelado por Jack Palance e em ritmo de sci-fi pós-Star Wars, que infelizmente ainda não consegui assistir. “Things to Come” foi lançado em DVD aqui no Brasil pela distribuidora New Way (que a julgar pela qualidade tosca de suas capas é bem possível ser a Spectra Nova com outro nome), com versão colorizada por computador que foi supervisionada pelo lendário Ray Harryhausen. A qualidade da cópia está aceitável e vale os R$ 14.90 investidos.

por Petter Baiestorf.

Veja o filme inteiro no Youtube: