Arquivo para heroína

Psicofaca – O Maníaco das Facas

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 27, 2012 by canibuk

“Psicofaca – O Maníaco das Facas” ( ? / 51 min.) de ?. Com: ?, ?, ? e ?.

Psicofaca1Recentemente minhas amigas Gisele Ferran e Iara Magalhães foram visitar a cidade de Iraí/RS, que faz divisa com Canibal City/SC, e encontraram com um videomaker (cujo nome desconheço e não consta nos créditos do filme) que produziu um vídeo quase que completamente sozinho. Foi assim que fiquei sabendo da existência de “Psicofaca”, um horror amador com alguns bons momentos. Seus primeiros 15 minutos são geniais, mostrando as andanças de um psicopata sem nada para fazer em busca de uma vítima numa estação balneária. Cheio de enquadramentos interessantes, este início consegue ser extremamente tétrico e perturbador, principalmente pela falta da trilha sonora que faz com que os sons da noite fiquem realçados. É de Psicofaca2dar agonia ver o psicopata entediado sem conseguir achar ninguém para matar (na ausência de humanos ele mata um inseto, remetendo ao cult “Cannibal Holocaust”). Mas, como na maioria dos filmes amadores, o autor comete o erro de colocar vítimas (atrizes e atores amadores demais até para os padrões do cinema amador) e é aí que “Psicofaca” perde a sua originalidade e fica igual aos milhares de outros filmes de fundo de quintal que são produzidos no Brasil. Como um Michael Meyers pobretão, o maníaco das facas vai matando, sem motivo algum, as várias pessoas que cruzam seu caminho: um pescador, uma menina que ele encontra num rodeio, um homem que estava mijando na capoeira, uma drogada (que injeta heroína misturada ao seu próprio sangue e após injetar a droga em seu corpo continua agindo da mesma maneira de antes) e assim por diante. Até que aparecem três maconheiros, auto-intitulados “os Mad Boys”, que caçam o psicopata em um final bem clichê/previsível. Fica parecendo uma tentativa do autor de fazer uma crítica social, mas nada funciona na sua narrativa mal editada e roteiro cheio de furos.

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Mesmo sentindo falta de figurinos melhores, atores mais expressivos, iluminação e edição mais elaborados, achei “Psicofaca – O Maníaco das Facas” uma curiosa produção que merece ser conhecida, se encaixando perfeitamente no que ficou conhecido como “Cinema de Bordas“, um cinema instintivo feito por um autodidata que pode ser estudado/exibido pelo grupo de Bordas. Não tenho maiores informações sobre o realizador, mas assim que eu puder ir até Iraí vou tentar entrevistá-lo e coletarei mais informações sobre o “Psicofaca” (inclusive um endereço pelo qual seja possível encomendar o filme), que segue a tradição de um cinema povão, como aquele produzido por artistas como seu Manuelzinho, José Sawlo ou Simião Martiniano.

Por Petter Baiestorf.

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Decodificando Christiane F.

Posted in Arte e Cultura, Cinema, Música with tags , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 1, 2011 by canibuk

Neonstadt, Decoder, Wunderbar / Der Tod holt mich ein, Gesundheit… certamente esses são nomes que você nunca ouviu falar, mas  fazem parte do currículum de uma figura que ficou conhecida apenas como “drogada e prostituída”.  Poucos sabem que Christiane F. também foi atriz de filme underground, cantora e membro de banda experimental nos anos 80.

Sentimentale Jugend.

A banda que no início dos anos 80 ficou conhecida dentro da cena musical amadora de Berlim, se apresentava em festivais de música experimental,  foi fundada pelo, na época seu namorado, Alex Hacke, cara que seria  o fundador da fantástica Einstürzende Neubauten. Na época, Christiane participou  de algumas gravações da banda, tocando guitarra e cantando. Na tentativa de  fugir da fama do filme “Wir Kinder Vom Bahnhof Zoo” (Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída, no Brasil), chegou a raspar a cabeça pra não ser reconhecida e usava o pseudônimo de Christiane X nos créditos do disco.  É possível achar alguns sons disponíveis pra download pela internet.

Sentimentale Jugend

Neste vídeo eles se apresentam num festival de 1981 Geniale Dilletanten, em Berlim.

Carreira solo.

Em 1982, Christiane lança seu primeiro disco solo, um EP intitulado Gesundheit.  Nesse disco ela parte pra um estilo que crescia na Alemanha naquela época, o Neue Deutsche Welle (um gênero musical que difundiu um movimento cultural surgido na Alemanha nos anos 80.  O estilo, originalmente derivado do punk e da new wave,  começou como fenômeno underground, e logo se tornou absurdamente popular depois que foi descoberto pela mídia e grandes gravadoras que não tardaram em investir em bandas cada vez mais comerciais. Esse movimento deu  fôlego e abriu um novo espaço pra música pop alemã, que até então era vista com maus olhos).

No mesmo ano lança o EP Final Church, que traz na capa o nome “Christiana” e foi gravado nos EUA e conta novamente com a participação de  Alex e demais membros da antiga banda. Este, que na minha opinião é o melhor, é mais experimental, traz alguns efeitos estranhos e músicas gritadas. Também é fácil achar arquivos pra download por aí. Procurem!

Segue um som foda que faz parte desse EP.

Outras versões das canções contidas no primeiro EP foram lançadas e em 2003 foi publicado um LP/CD com as duas versões da WunderbarHealth e Dub.

Cinema.

Em 1981, estreia no cinema protagonizando o filme punk “Neonstadt”,  do cineasta  Klaus Maeck, com quem ela dividia apartamento por aquelas épocas. O filme mostra, em cinco episódios, a vida de jovens moradores de grandes cidades e, sem fugir da realidade daquela época, expressa  a falta de esperança dos jovens com o futuro. Os episódios são dirigidos por jovens de Munique formados em cinema.

Em 1984, Christiane participa do filme cult “Decoder“, dirigido por Muscha, onde contracena com o grande escritor beatnik  William Burroughs.  O filme é baseado nos escritos do Burroughs e traz, em meio a imagens de caos urbano,  um roteiro simples, mas nada linear e um estilo único.

Embora tenha sido bastante ativa nos anos 80, depois de tudo, Christiane F. seguiu sua vida sumindo da mídia e voltando pra heroína. Aos 51 anos, ela vive atualmente na Alemanha, continua usando heroína, sofre de hepatite tipo C, faz hemodiálise regularmente e, segundo os médicos, seu caso é irreversível.