Arquivo para horror brasileiro

Crowfunding para Finalização do Curta-Metragem O Estripador da Rua Augusta

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 26, 2013 by canibuk

Assim como Fernando Rick fez para realizar seu documentário sobre a banda Gangrena Gasosa e eu estou fazendo para produzir meu longa-metragem “Zombio 2: Chimarrão Zombies“, Felipe Guerra e Geisla Fernandes estão agora em busca de investidores/apoiadores para a finalização do curta-metragem “O Estripador da Rua Augusta”, estrelado pela Monica Mattos. Este apoio financeiro dos fãs do cinema de horror é extremamente importante para que a qualidade dos projetos nacionais aumentem e continuem sendo produções independentes sem o apoio estatal. Não adianta muito os fãs de horror ficarem reclamando que os produtores de filmes nacionais não sabem fazer filmes de horror se o apoio financeiro não vir. Uma coisa é certa, este aumento de qualidade não vai vir de editais do governo, se vier é certeza que virá dos fãs.

Geisla e Felipe dirigindo

Abaixo reproduzo o release de “O Estripador da Rua Augusta”:

Nos Estados Unidos, várias belas estrelas de filmes pornográficos dividiram suas atenções entre o cinema adulto e as produções de horror. Alguns exemplos famosos: Marilyn Chambers, atriz do clássico pornô “Atrás da Porta Verde”, estrelou o terror “Enraivecida – Na Fúria do Sexo”, do consagrado diretor David Cronenberg; a musa Traci Lords deixou o cinema X-Rated para fazer o horror classe B “Vampiro das Estrelas”; mais recentemente, a estrela pornô da nova geração Jenna Jameson estrelou “Zombie Strippers”, cujo divertido título é auto-explicativo.

Este fenômeno agora chega ao Brasil. Monica Mattos, a maior estrela do cinema adulto nacional, aposentou-se dos filmes pornôs para transformar-se em estrela do cinema de horror independente.

Monica MattosA linda paulista de 29 anos, que garante ter feito mais de 300 filmes pornográficos, foi a única brasileira a ganhar o AVN Award nos Estados Unidos (prêmio considerado “o Oscar do Cinema Pornô”), em 2008, pela melhor performance de uma atriz estrangeira em filme adulto. Fã de terror desde pequena, a transição dos gemidos para os gritos foi natural.

“Sempre gostei de filmes de horror, desde criança, e nunca tive medo e nem pesadelos por conta disso. Pelo contrário, eu me divirto muito! Lembro que quando era criança eu juntava a turminha da escola pra assistir filmes, e sempre escolhia os de terror. O mais divertido era ver todo mundo morrendo de medo enquanto eu achava tudo engraçado”, contou Monica, que acabaria se tornando uma atriz do gênero que tanto gosta: “Eu nunca imaginei que um dia seria atriz em filmes de horror, mas quando surgiu o primeiro convite achei o máximo!”.

Ela já estrelou três curtas do gênero: “Zombeach” (2011), de Newton Uzeda; “Driller Killer” (2011), de Rodrigo Freire, e “Red Hookers” (2012), de Larissa Pajaro Chogui. Mas é o seu mais novo trabalho que pretende ser o mais ousado e ambicioso da ex-musa pornô: “O Estripador da Rua Augusta”, uma história de horror e humor negro não-pornográfica, mas repleta de sensualidade.

Escrito e dirigido por Felipe M. Guerra e Geisla Fernandes, o curta-metragem “O Estripador da Rua Augusta” traz Monica Mattos no papel de uma sedutora vampira com séculos de existência que usa a famosa Rua Augusta, em São Paulo, e a profissão de prostituta como fachadas para conseguir alimento fácil nas agitadas e selvagens noites paulistanas. Isso até que seu caminho se cruza com o de outro monstro que ataca no mesmo endereço, o Estripador do título – um serial killer que está matando prostitutas na região, interpretado pelo jovem ator de teatro e cinema Henrique Zanoni.

O curta-metragem é a primeira associação entre o diretor gaúcho Felipe e a diretora paulistana Geisla. Ambos já são nomes reconhecidos no circuito independente: Felipe começou a fazer produções caseiras em VHS em 1995 e já viu seus trabalhos de baixíssimo orçamento, como “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado”, chegarem a renomados festivais de cinema nacionais e internacionais, enquanto Geisla, que graduou-se na Academia Internacional de Cinema de São Paulo, teve seu mais recente trabalho, o curta de zumbis “Necrochorume”, exibido em festival temático na Colômbia.

Autor do argumento e co-autor do roteiro de “O Estripador da Rua Augusta”, Felipe explica como surgiu a ideia de convidar Monica Mattos para estrelar o curta: “Depois de ler o roteiro pronto, percebi que a Monica era a única atriz que eu enxergava no papel. O curta é uma resposta mais sangrenta e sensual a esses filmes de vampiros infanto-juvenis que estão na moda, então ela se encaixou perfeitamente na proposta, e está fantástica em todos os sentidos!”.

Kapel maquiando e Monica Mattos detalheGeisla fala com entusiasmo sobre o projeto: “É uma ficção permeada de humor negro e apelo sexual. Uma experiência que tenciona surpreender o espectador. A trama é corajosa e inventiva, pois construímos dois universos distantes – o da heroína e o do vilão -, e os colocamos em paralelo na narrativa, até culminar no ponto onde se chocam, criando uma atmosfera absurda e exótica que envolve e atiça”.

Para tirar “O Estripador da Rua Augusta” do papel, os realizadores juntaram uma equipe pequena e competente, onde o grande destaque é o técnico de efeitos especiais André Kapel Furman. Um dos mais famosos profissionais da área do cinema brasileiro, ele tem trabalho reconhecido em longas-metragens como “Encarnação do Demônio”, de José Mojica Marins, “O Cheiro do Ralo”, de Heitor Dhalia, e “Reflexões de um Liquidificador”, de André Klotzel.

A própria estrela está bastante entusiasmada com as filmagens: “Eu sempre gostei de filmes de vampiros e adorei a história do curta, essa mistura de sedução com terror acho bem interessante. A parte mais legal foi passar pela maquiagem de efeitos. Alguns me impressionaram muito, e agora todo filme que vejo eu fico tentando imaginar como foram feitos os efeitos”, afirmou Monica.

As filmagens estão sendo realizadas em São Paulo, num apartamento no centro da cidade e, claro, na Rua Augusta. Atualmente, a produção encontra-se na reta final, com previsão de lançamento do curta ainda em 2013 e a promessa de transformar Monica Mattos também em estrela do horror independente brasileiro.

E, considerando a performance da moça em “O Estripador da Rua Augusta”, não será nada difícil que esta promessa se concretize.”

O_Estripador_da_Rua_Augusta__1

Além do release, também reproduzo aqui as intenções dos diretores com o projeto:

“Qual é nossa causa?

Queremos finalizar nosso novo curta-metragem, “O Estripador da Rua Augusta”, com qualidade e respeito a todos que investiram seu tempo e seu talento neste projeto completamente independente – uma divertida história de horror e humor negro que provavelmente ficaria perdida nos labirintos burocráticos do mundo dos editais e leis de incentivo à cultura.

Do que trata o projeto?

Escrito e dirigido por Felipe M. Guerra e Geisla Fernandes, o curta-metragem “O Estripador da Rua Augusta” traz Monica Mattos no papel de uma sedutora vampira com séculos de existência que usa a famosa Rua Augusta, em São Paulo, e a profissão de prostituta como fachadas para conseguir alimento fácil nas agitadas e selvagens noites paulistanas. Isso até que seu caminho se cruza com o de outro monstro que ataca no mesmo endereço, o Estripador do título – um serial killer que está matando prostitutas na região, interpretado pelo ator  Henrique Zanoni.

Nos Estados Unidos, várias belas estrelas de filmes pornográficos dividiram suas atenções entre o cinema adulto e as produções de horror, como Marilyn Chambers, que fez o clássico pornô “Atrás da Porta Verde” e depois estrelou o terror “Enraivecida – Na Fúria do Sexo”, do consagrado diretor David Cronenberg, ou as musas Traci Lords, Jenna Jameson e Sasha Grey. Este fenômeno agora se repete no Brasil, onde Monica Mattos, a maior estrela do cinema adulto nacional, aposentou-se dos filmes pornôs e tenta reinventar-se como estrela do cinema de horror independente.

Quem somos?

O_Estripador_da_Rua_Augusta__2Esta é a primeira associação entre o diretor gaúcho Felipe M. Guerra e a diretora paulistana Geisla Fernandes, ambos nomes reconhecidos no circuito independente brasileiro e até internacional.

Felipe começou a fazer produções caseiras em VHS em 1995 e já dirigiu cinco longas-metragens, além de diversos curtas, todos trabalhos de baixíssimo orçamento. Algumas de suas obras, como a sátira “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado”, chegaram a renomados festivais de cinema do Brasil e também da Argentina, Colômbia e Porto Rico. Em 2009, co-dirigiu o vídeo musical “David Blyth’s Damn Laser Vampires” ao lado do cineasta cult da Nova Zelândia responsável por filmes como “Guerra para a Morte” (1984) e “Programada para Morrer” (1990).

Geisla, que graduou-se na Academia Internacional de Cinema de São Paulo, produz, dirige e escreve. Entre suas obras estão os curtas “A Carne” (2007), “Na Privacidade do Número Ímpar” (2009), “López El Lobo” (2009), ” Água Doce” (2010) e “Desalmados – Um filme de humor negro romântico” (2011). Seu mais recente trabalho, o curta de terror ambiental “Necrochorume”, foi exibido em diversos festivais temáticos.

“O Estripador da Rua Augusta” tem uma equipe pequena e competente, onde o grande destaque é o técnico de efeitos especiais André Kapel Furman. Um dos mais famosos profissionais da área do cinema brasileiro, ele tem trabalho reconhecido em longas-metragens como “Encarnação do Demônio”, de José Mojica Marins, “O Cheiro do Ralo”, de Heitor Dhalia, e “Reflexões de um Liquidificador”, de André Klotzel.

Onde será investido o dinheiro arrecadado?

Com o valor recebido, faremos o merecido pagamento do elenco, cobriremos nossos custos de produção (alimentação da equipe, transporte, objetos de cena que precisaram ser adquiridos, material para maquiagem de efeitos, aluguel de locação) e investiremos na finalização de imagem, na mixagem e na masterização do curta. Também usaremos parte do dinheiro para bancar a confecção dos brindes que serão oferecidos como recompensa para quem colaborar com nosso projeto. Num país em que muitos cineastas usam dinheiro do Governo, via editais e leis de incentivo à cultura, para fazer filmes que ninguém vai ver, acreditamos que é mais digno contar com a colaboração dos verdadeiros fãs de cinema independente (e cinema fantástico) para concluir nosso humilde curta-metragem. Além disso, sempre fomos incentivados a melhorar nossas produções, investindo mais nelas e deixando de lado o improviso. Portanto, esta é a sua chance de colaborar para que consigamos fazer nosso trabalho mais sério e profissional!

Em que pé está o processo?

As gravações do curta ocorreram no final de 2012 e no início de 2013, num total de 4 diárias. O filme está parcialmente filmado, faltando apenas 10% de cenas – ou seja, uma diária. E toda a etapa de pós-produção, que será realmente trabalhosa.

Como a realização do curta foi financiada?

O_Estripador_da_Rua_Augusta__3Acreditando no potencial e no resultado do nosso trabalho, nós financiamos toda a produção do próprio bolso, contando com o apoio e compreensão da equipe, já que boa parte dos atores e técnicos trabalhou de graça esperando pelo futuro sucesso do projeto de crowdfunding para ganhar um cachê simbólico. Sempre produzimos os nossos próprios filmes,  às vezes em sem nenhum retorno financeiro. Dessa vez, por se tratar de uma produção mais ambiciosa e repleta de nomes conhecidos, os custos foram mais altos e esperamos pelo menos poder cobri-los com o total arrecadado no Catarse.

Quais são as recompensas?

Disponibilizamos recompensas bem variadas, algumas relacionadas ao filme, outras que efetivamente fizeram parte dele, incluindo objetos de cena utilizados pelos personagens. Nosso objetivo é o de assegurar que o colaborador que participar com qualquer quantia passe a fazer parte da nossa pequena equipe, ajudando esse projeto a tornar-se realidade. Contribuições estrangeiras serão bem-vindas. Os valores em dólares são maiores do que os que pedimos em moeda brasileira, para bancar o envio das recompensas via encomenda internacional.”

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Para ajudar na finalização deste projeto, visite a página deles no Catarse:

http://catarse.me/pt/estripador

Download de fotos em alta resolução:

http://www.4shared.com/folder/ki-59dg6

O-Estripador-da-Rua-Augusta-2013-4

FICHA TÉCNICA:

“O Estripador da Rua Augusta” (2013, Brasil)

Direção e roteiro: Felipe M. Guerra e Geisla Fernandes

Elenco: Monica Mattos e Henrique Zanoni

Direção de fotografia: Vinícius Bock

Assistente de fotografia e som: Eduardo Luderer

Direção de arte: Elise Miyasaki

Produção: Daniela Monteiro, Elise Miyasaki, Felipe Guerra e Geisla Fernandes

Maquiagem de efeitos: André Kapel Furman

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Discutir a Relação: A Sogra Metendo o Dedo na Ferida do Casal

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 7, 2012 by canibuk

“DR” (2012, 10 min.) de Joel Caetano e Felipe Guerra. Com: Dona Oldina, Mariana Zani e Joel Caetano.

Não há nada pior num relacionamento em crise do que gente de fora dando pitaco. “DR”, curta-metragem que marca a primeira parceria entre Joel Caetano e Felipe Guerra, fala justamente sobre isso: Um casal em crise (Joel e Mariana, casados na vida real) vai discutir sua relação com a sogra (Dona Oldina) não só presente, como no papel de mediadora. A sogra e a esposa despejam acusações contra o marido que escuta tudo pacientemente calado (logo depois descobrimos que ele não se defende porque está amarrado e amordaçado), logo o que era violência verbal se torna violência física e sexual com a sogra abusando do genro imobilizado, assim que a tortura física tem início dentes e dedos quebrados vão surgindo num crescendo de violência que culmina num ataque de fúria do marido contra a sogra. Nada mais atual nos dias de hoje, quando a violência tomou lugar do diálogo. Não sei se foi intencional, mas o modo como o roteiro do filme trata do ciúme possessivo é de longe uma das melhores abordagens do tema que já vi no cinema independente brasileiro. Lógico que o filme se revela meio machista, colocando a culpa de tudo nas mulheres, como se o homem fosse uma vítima do casamento e da tirania da sogra, excluindo-o do fato de, no filme, ficar claro que ele traia a esposa. Fácil de entender quando pensamos que o roteirista é Felipe Guerra, gaúcho tradicional dos pampas. Como o filme não é sério em momento algum, este “machismo” de brincadeira não atrapalha. Não posso falar muito mais sobre a história, mas é um grande acerto da dupla de diretores.

Dividindo a direção, a dupla desenvolveu um argumento que Felipe Guerra havia escrito para filmar em apenas um dia aproveitando que Dona Oldina, sua vó, estaria em São Paulo. “Já tinha colocado minha vó como fantasma, tarada e assassina serial nos meus outros filmes e queria que ela novamente fizesse um papel onde pudesse surpreender o público. Foi quando tive a idéia de “DR”. Porque todo mundo faz filme com vampiro, assassino mascarado, zumbi, mas duas das coisas mais assustadoras da “vida real”, e creio que para ambos os sexos, são sogras e discussões de relação. Imagine que se discutir a relação já é foda, com a sogra junto é duas vezes pior. Então pensei nesse negócio de uma DR em que a sogra passasse um pouco dos limites e o curta tornou-se uma experiência meio “torture porn”, aqueles filmes em que uma personagem passa o tempo todo sendo torturado.”, nos conta Guerra, enquanto Joel explica como foram as filmagens: “Ano passado Dona Oldina veio para São Paulo para acompanhar o Cinefantasy e o Felipe me mandou uma mensagem dizendo que tinha uma idéia que dava para filmar em um dia, num apartamento e com três atores, no caso Dona Oldina, eu e Mariana Zani. Nem precisei ler o roteiro para aceitar a proposta e, depois que li, fiquei muito feliz pois era uma ótima idéia. Assim surgiu o “DR”. O filme foi feito todo de forma colaborativa. O sangue foi cedido de uma oficina que o Rodrigo Aragão estava ministrando na época (um sangue, como ficamos sabendo mais tarde, que seria descartado por não ter funcionado direito). Além de nós quatro também estavam a Daniela Monteiro e a mãe do Felipe, dona Neusa Guerra. Eu e Felipe ficamos na direção, eu mais preocupado com a direção de atores e ele com a direção de cena. O Felipe fez a câmera e fizemos juntos a iluminação. Daniela e Neusa cuidaram da captação direta do som e eu fiquei com os efeitos especiais também”. Aliás, os efeitos especiais estão extremamente convincentes, o que imprime uma força narrativa de maior intensidade ao filme. Joel Continua, “Me orgulho do efeito do dedo se quebrando, simplesmente comprei uma mão falsa, cortei o dedo dela, escondi o meu e quando a mariana dobra é o dedo falso que se move para trás, a sonorização e o corte rápido fizeram o resto, ficou bem convincente, vi algumas pessoas pulando da cadeira no cinema, o que acontece também na cena dos dentes que se quebram, eu mesmo fiquei agoniado com aquilo vendo na tela”.

“DR” é um filme onde tudo está bem realizado e aproveitado, provando que não é necessário grandes orçamentos para se produzir um bom filme. Mas Dona Oldina é quem rouba o filme para si, de longe é sua melhor interpretação e ela está fantástica como a sogra perturbada e violenta. Felipe nos conta como foi trabalhar com ela: “Com 82 anos de idade minha vó topou todas as cenas numa boa e em nenhum momento ficou escandalizada com a violência, porque ela entendia que era algo exagerado e absurdo para divertir e não para chocar. Ela não tem dificuldades com as cenas físicas, seu maior problema é lembrar as falas. Fizemos uns 20 takes só dela tentando falar a frase “discutir a relação”, porque na hora ela se embananava e falava “a questão da relação”. Dona Oldina só ficou preocupada com a possibilidade do filme ser exibido em Carlos Barbosa/RS, que é uma cidadezinha de 25 mil habitantes, e ela tem medo de ser expulsa do grupo da igreja. Minha vó também fez um improvisso hilário em que dá um rápido beijo na boca do Joel, felizmente quando ele está amordaçado”. E Joel completa rindo, “Até hoje o Felipe me chama de vô!”.

A edição do curta foi decidida também em conjunto pela dupla de diretores. “Foi uma edição em conjunto, eu estava operando o software e o Felipe do meu lado, todas as decisões de cortes foram tomadas por nós dois. A montagem só demorou mais porque em determinados momentos, principalmente na cena em que eu chuto a personagem da Dona Oldina, eu tinha crises de riso. O Felipe tinha que me sacudir para eu parar de rir!”, conta Joel. O resultado final deste trabalho em conjunto, além de impressionar o espectador, deixou ambos os diretores satisfeitos, como define Felipe ao dizer “Foi interessante fazer esse projeto em conjunto com o Joel, um cara cujo trabalho eu respeito muito com o qual tenho bastante afinidade. É difícil você encontrar alguém que tope fazer uma parada assim, sem dinheiro e filmada na raça, num único dia”, enquanto Joel dá pistas para o futuro da parceria, “Espero poder repetir a dose em breve!”.

Por enquanto “DR” pode ser visto apenas em mostras e festivais, mas espero que em breve ambos os diretores tomem vergonha na cara e lancem um box com toda sua filmografia, tanto Caetano quanto Guerra estão devendo o lançamento de seus filmes para que o público de outras regiões do Brasil possa tomar contato com suas obras.

Por Petter Baiestorf.

Clique em “Joel Caetano e seu Cinema de Recurso Zero” para ler a entrevista que fiz com ele.

Clique em “Necrófilos em Ação: O Cinema de Felipe Guerra na Terra da Polenta” para ler a entrevista que fiz com ele.

A Noite do Chupacabras

Posted in Cinema, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , on março 22, 2012 by canibuk

“A Noite do Chupacabras” (2011, 104 min.) de Rodrigo Aragão. Com: Walderrama dos Santos, Joel Caetano, Petter Baiestorf, Cristian Verardi e Mayra Alarcón.

“CHUPACABRAS”: Um caso raro de uma lenda sobre um monstro moderno. Foi a partir de 1995 que estranhas histórias sobre uma criatura monstruosa que atacava e devorava animais começaram a aparecer em Porto Rico e a imprensa faminta por bizarrices divulgou com avidez. Logo histórias populares similares começaram a aparecer no México, depois Estados Unidos e em vários países da América do Sul, incluindo o Brasil.

Porto Alegre, sul do Brasil. Uma noite muito fria de uma sexta-feira de junho de 2011. Sessão de abertura do festival Fantaspoa. Première internacional do segundo longa metragem de Rodrigo “Mangue Negro” Aragão: “A Noite do Chupacabras”. Sessão lotada aberta ao público. Todos atentos a história de Douglas Silva (Joel Caetano), que retorna ao seu berço familiar no interior do Espírito santo, acompanhado de sua namorada grávida (Mayra Alarcón). Mas as coisas não estão bem para sua família, a morte de vários animais, reacende um antigo conflito com seus vizinhos agressivos e rivais, os Carvalho. Um rotineiro conflito de bar, quebra a trégua na guerra familiar e entre agressões, tiros e facadas, todos vão descobrir que um mal muito maior está entre eles: uma monstruosa e faminta criatura escondida na mata. Os Silva e os Carvalho, vão se matar e serem mortos pelo monstro, e ainda encontrar no caminho a figura mítica e também perigosa do “Velho-do-Saco” (Cristian Verardi). Douglas vai ter que provar a força que não se transformou em típico rapaz covarde da cidade grande e enfrentar a fúria do Chupacabras (Walderrama dos Santos) e do perigoso e demente Ivan Carvalho (Petter Baiestorf). Novamente como em “Mangue Negro” (2008), Rodrigo Aragão assume a direção, roteiro e efeitos especiais de maquiagem com extrema competência e grande parte do elenco também se divide em múltiplas funções técnicas, típico do cinema independente e de guerrilha. Um elenco afinado (e principalmente, escolhido “a dedo”), cenários naturais e muito bem fotografados e uma trilha sonora composta por grupos regionais como Vida seca, Pé do Lixo, Manguerê e Panela de Barro, que acompanha a trama de vingança, suspense e ação, sem cair no lugar comum de músicas eletrônicas, Rock pesado ou música Clássica de arquivo . A trama se desenvolve de forma natural, e para os impacientes com a demora da entrada do personagem-título em cena, a magnífica e original maquiagem “full-body” e a performance de Walderrama dos Santos enche os olhos e mostra que apesar da trama central ser focada na guerra interiorana entre famílias, este é sim , um filme de Monstro! Um monstro nacional (ou nacionalizado) e com todas as chances de ter uma carreira internacional, como aliás já está acontecendo: devagar, sorrateiro como um ataque de um Chupacabras!

Fim da sessão no inverno Gaúcho. O público aplaude em pé o filme e o elenco presente. A produção ainda não estava acabada, faltando ajustes na montagem e som, mas o impacto foi bastante positivo. Depois de conhecer pessoalmente o Aragão, Mayra, Walderrama, Joel e outros comparsas e de conversarmos e “bebemorármos” juntos, fica difícil escrever com isenção, até porque eu já era” fã-de-carteirinha” do longa anterior da produtora Fábulas Negras e a muito ansiava por um verdadeiro e bem feito filme-de-monstro brasileiro. Conhecida minha longa associação com Petter Baiestorf, fica parecendo puxação-de-saco dizer que ele rouba a cena no filme… o público reconheceu isto no final da sessão… méritos para o Aragão pela escalação e direção dos atores (destaque também para o sempre bom Marcos Koncá, para Cristian Verardi como o Velho-do-saco comedor de fígado e o Agnaldo de Foca Magalhães). Para quem cresceu somente conhecendo Monstros gringos e japoneses, e para toda uma nova geração só acostumada com insípidos monstros digitais, uma noite com o Chupacabras é como uma revelação, uma… fábula negra!

escrito por Coffin Souza.

Undertaker

Posted in Animações, Cinema, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 17, 2012 by canibuk

“Undertaker” (2008, 6 min.) animação de Claudio Ellovitch.

Com autorização de José Mojica Marins, o animador Claudio Ellovitch realizou o curta “Undertaker”, de forte inspiração no visual expressionista (assim como a antiga série animada de Luiz Nazário, feita em 2001, e que vi os episódios “A Flor do Caos” e “Selenita Acusa!”, não fiquei sabendo de mais episódios foram produzidos depois), Claudio realizou uma ótima mistura entre o estilo de José Mojica marins filmar com o clássico alemão “Das Cabinet des Dr. Caligari” (“O Gabinete do Dr. Caligari”, 1919, de Robert Wiene) para contar a história do coveiro Zé do Caixão que revela horripilantes segredos (não deixe de assistir ao curta que pode ser visto no link abaixo).

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Claudio Ellovitch se formou em comunicação social tendo a oportunidade de, em 2007, ter participado da pré-produção do longa “Encarnação do Demônio” de José Mojica Marins, onde ele pôde apresentar o projeto de “Undertaker” e receber a benção de Mojica. Este curta de Ellovitch chamou atenção e foi exibido em vários festivais de horror como RioFan, FantasPoa e Buenos Aires Rojo Sangre. Em 2008 Claudio também conheceu o quadrinista Eugênio Colonnese e, juntos, estavam trabalhando juntos num projeto live-action da personagem “O Morto do Pântano”, clássica criação de Colonnese nos anos de 1980, quando recebeu a notícia da morte do mestre dos quadrinhos. Mesmo sem Colonnese, Claudio continua trabalhando para trazer para o público este curta-metragem. Após o sucesso de “Undertaker” ele realizou alguns poucos trabalhos (a maioria são experimentações para testar técnicas que ele quer aplicar no filme do “O Morto do Pântano”) e abriu, em 2011, a loja de HQ “O Cara dos Quadrinhos” na galeria do rock em São Paulo. Atualmente ele se dedica à criação de sua primeira graphic novel, “Estranhos Palácios”.

Morte e Morte de Johnny Zombie

Posted in Cinema, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 12, 2011 by canibuk

“Morte e Morte de Johnny Zombie” (2011, 14 minutos) de Gabriel Carneiro. Maquiagens de Fritz Martiliano. Com: Joel Caetano, Charlene Chagas, Ana Luiza Garcia, Felipe Guerra e Mariana Zani.

Johnny trabalha num galpão onde é produzido o pesticida Romero e, durante um vazamento, é contaminado pelo produto, se tornando aos poucos um zumbi.

“Morte e Morte de Johnny Zombie” é o curta-metragem de estréia do jornalista e crítico de cinema Gabriel Carneiro na direção. Optando por um ritmo mais intimista, Gabriel conta uma história de zumbis sob a ótica do próprio zumbi, mostrando essa transformação aos poucos. Seus elaborados takes subjetivos ajudam a construir a morte do Johnny humano (interpretado pelo sempre ótimo Joel Caetano, herói no longa-metragem “A Noite do Chupacabras” (2011) de Rodrigo Aragão), até se tornar o clássico zumbi comedor de carne humana e enfrentar sua eventual nova morte como zumbi, filmada de maneira espetacular por Gabriel carneiro, que dá uma uma importante contribuição ao subgênero “zombie movies”. Não vou contar aqui como foi feita essa cena, ela precisa ser assistida no curta, mas posso dizer que fazia anos que eu não me surpreendia tanto com um final de filme independente brasileiro.

É importante dizer que o filme conta com atuações de ícones do cinema independente brasileiro, além de Joel Caetano, sua esposa e sócia na produtora Recurso Zero, Mariana Zani, faz uma participação especial e o diretor Felipe Guerra interpreta o incrível falastrão fã de cinema, ou seja, interpreta a si mesmo de maneira soberba.

Gabriel Carneiro, além de jornalista e crítico de cinema, é membro fundador da Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), escreveu o guia de cinema “Quem Apertou o Botão de Pânico? – Como a Ficção Científica Cinematográfica Norte-Americana, de 1950 a 1964, Abusou da Guerra Fria e de seu Contexto para Ganhar Dinheiro”, ainda não publicado; também escreveu o capítulo “O Anjo Embriagado” do livro “Os Filmes que Sonhamos”, organizado por Frederico Machado, colabora com a Revista de Cinema, nos sites Cinequanon e Zingu! e, atualmente, faz a pesquisa para o longa documental “O Cinema de Ozualdo Candeias”.

Achei o curta de estréia de Gabriel Carneiro imperdível. Acho que merecia um lançamento em DVD coletânea contendo trabalhos de vários diretores independentes, sinto falta dessa união de produtores independentes na hora de distribuir seus trabalhos. E já poderia aproveitar o gancho colocando num mesmo DVD o “Morte e Morte de Johnnie Zombie”, “Estranha” (última direção de Joel Caetano), “Extrema Unção” (última direção de Felipe Guerra) e mais alguns curtas de outros diretores. Único pecado desta nova geração de realizadores está na distribuição de seus filmes que, quase sempre, ficam restritas à mostras, festivais ou net, privando o colecionador de filmes de ter uma cópia apresentável em sua casa. Só queria deixar aqui a opinião de um colecionador fanático por cinema undergournd de baixíssimo orçamento.

Segue uma entrevista que realizei com Gabriel Carneiro sobre a produção de “Johnnie Zombie”:

Petter Baiestorf: Como surgiu a idéia para filmar “Morte e Morte de Johnny Zombie”?

Carneiro: Tenho uma amiga que adora zumbis, a Marília Passos. Um dia ela veio me dizer que teve uma idéia para um filme de zumbi. Sabe esses filmes em que os zumbis são meros coadjuvantes da história para um bando de paspalhos? Pois bem, seria o contrário, uma história de um zumbi protagonista e de sua transformação. Eu já queria fazer um filme de gênero. Quando ela me contou essa idéia, logo me veio na cabeça: tem que ser mais que um zumbi protagonista, tem que ser a visão do zumbi sobre os acontecimentos, ele percebendo sua transformação. Pedi pra ela fazer um argumento, discutimos a história, mudamos algumas coisas e aí escrevi o roteiro, em três dias. Várias coisinhas foram mudadas nele, depois, mas a estrutura, a priori, sempre foi a mesma.

Baiestorf: Dá prá perceber que é uma produção modesta com um ótimo aproveitamento do material humano, como você conseguiu juntar todo este pessoal talentoso?

Carneiro: A idéia sempre foi fazer um filme o mais profissional possível, dentro das restrições orçamentárias. Para a produção em si, foram gastos pouco menos de R$ 700. Ninguém, obviamente, recebeu. Todo o equipamento foi emprestado, com exceção do shoulder pra câmera, que aluguei, e do gravador de áudio, que é meu. Não sou formado em cinema ou em rádio e TV, conheço minhas limitações. Queria pessoas que realmente entendessem o que estavam fazendo tecnicamente. Já era uma meta quando comecei o projeto, e fui caçando interessados. Fiz um anúncio no facebook e fui juntando gente, amigos que se interessaram pelo projeto e toparam fazer sem pagamento. Claro, veio também muito estudante e/ou recém-formados, mas vários deles já trabalham na área. O Fábio Yamaji, que fez a montagem, é amigo, colega de Cinequanon, já o entrevistei para a Revista de Cinema e tal. Ele é um animador super ocupado, que monta alguns filmes, e fez um curta que rodou o mundo todo chamado O Divino, de Repente. A Adriana Câmara, que foi assistente de direção, já dirigiu várias coisas para TV, como a série Sensacionalista, e foi assistente de direção de longa já, Desenrola. O Rafael Alves Ribeiro, que fez o som direto em duas das três diárias que teve captação de som direto, desempenhou o mesmo cargo nessa série do Canal Brasil sobre a Boca do Lixo. E por aí vai. Esse negócio de contato realmente funciona. Já tinha chamado o Pedro Ribaneto (fotografia), o Dênis Arrepol (produção) e a Adriana, que são mais próximos. O facebook me permitiu uma outra triagem, e muita gente angariei assim. E aí vieram os contatos dos contatos, ou seja, gente que estava na produção foi indicando pessoas para os cargos que faltavam. O Rafael Alves veio assim, é amigo do Dênis de faculdade de cinema. E, claro, não preciso nem falar que sem essa equipe sensacional, esse filme não chegaria perto do resultado que tem.

Baiestorf: E os cenários?

Carneiro: Quanto aos cenários, foram três locações. Em teoria, precisaria de dois, a fábrica, e a casa. Porém não consegui uma casa pra filmar que fosse espaçosa o suficiente para ter toda a movimentação que queria. Acabei optando então por fazer no apartamento da Adriana o cenário principal, que é o interior da casa. A Adriana se mudou pra São Paulo pouco antes do início da gravação e até hoje é meio assim, vazia de móveis e objetos, o que é excelente para usar o baita espaço a favor da movimentação do elenco, em especial na cena do ataque do Johnny. Isso também favoreceu muito nas subjetivas com outros atores, porque ficava o diretor de fotografia e o Johnny Zombie colados, fazendo os movimentos e interagindo com as demais pessoas. Filmei também numa fábrica em Atibaia, que era do irmão de uma das atrizes – e amiga minha de longa data, a pessoa que conheço há mais tempo de todos, ex-colega de colégio e de teatro, que é a Ana Luiza Garcia. Precisava de uma locação crível pra dar a impressão de que Johnny de fato poderia ter se contaminado lá. Ela me apresentou essa opção e foi ótimo. Já estava até meio desesperado. Cogitei várias alternativas e nenhuma se concretizava. Salvou o filme. E o local é ótimo, em termos de cor e espaço. Fica muito bonito no quadro e muito realista. Já o terceiro cenário foi a fachada da casa da tia da diretora de arte e figurinista Fernanda Fernandes. Queria que o último plano desse pra rua mesmo, de preferência pouco movimentada. Ficou ótimo.

Baiestorf: Rolou alguma história engraçada durante as filmagens?

Carneiro: Tem uma história ótima. Quando fomos gravar o plano final, obviamente, não tínhamos autorização alguma, nem nada. Simplesmente chegamos na locação, preparamos a cena e fomos filmar. Então tava lá um monte de gente ensangüentada, em especial uma menina deitada no chão, aparentemente inconsciente, com um monte de sangue na barrida, e tripas improvisadas com jornal saindo pra fora, e outra menina cheia de sangue na cara, subindo e descendo em direção à barriga. Aí teve um carro que passou desacelerando. De repente, ele dá uma ré, abaixa o vidro e fica perguntando: “Tá tudo bem, ai meu deus, precisam de carona, querem que ligue pra alguém?” Até alguém explicar que era um filme e que ele estava no meio da cena (risos).

Baiestorf: Como foi trabalhar com o casal Recurso Zero, Joel Caetano e Mariana Zani? Sou grande fã dos filmes deles e gostei muito de vê-los em outra produção.

Carneiro: Joel e Mariana são ótimos. Os conheci quando fui entrevistá-los para a Zingu!, em 2009, numa série de entrevistas feitas sobre o chamado Cinema de Bordas. Sempre foram super solícitos. E desde aquela época acompanho o trabalho deles. São sensacionais. Gosto demais de alguns de seus filmes. Na Mostra Cinema de Bordas, no Itaú Cultural, em 2011, fiz o convite oficial: não havia encontrado ninguém a altura deles para o papel. Eles são ótimos, mesmo. Não se importam de fazer tudo o que é solicitado, ficaram horas e horas gravando. Pobre Joel: fiz ele vestir uma calça de pijama super justa da qual ele morre de vergonha; ficou horas maquiando; besuntamos ele com óleo de cozinha para a água do suor não escorrer; ele caiu e bateu as costas; apanhou, etc. Não é à toa: Johnny Zombie não existiria sem Joel, ele é a alma do negócio. A Mariana tinha um papel menor, mas nem por isso menos dedicação. Acompanhou o Joel em todos os momentos – só não foi à fábrica por falta de verba da produção. Dei a ela um prêmio por conta disso: a oportunidade de se vingar de anos de abusos, mortes e espancamentos nos filmes dirigidos por Joel, dando uma cadeirada nele!

Baiestorf: E o Felipe Guerra? No pequeno papel que ele faz percebemos ele “interpretando” o Felipe Guerra. Tu quem pediu isso?

Carneiro: Sim. O Guerra foi uma das primeiras pessoas que se interessou em participar da produção. Nem tinha roteiro ainda e ele disse que queria fazer o filme. Então escrevi o personagem pensando nele. Foi o único personagem feito para alguém específico. E ele tá ótimo como ele mesmo.

Baiestorf: Gostei muito dos efeitos de maquiagens gore feitos pelo Fritz Martiliano. Ele foi aluno em uma das oficinas do Rodrigo Aragão e começou a fazer filmes, certo? Como foi trabalhar com ele? Tem uma cena dos efeitos que me incomodou, a cena onde o Joel aparece bem pálido, achei ele branco demais, isso foi problema na maquiagem ou iluminação errada?

Carneiro: Sim, é isso mesmo, Petter. O Fritz é ótimo. Conheci através do Guerra, precisava de alguém pra fazer a maquiagem de efeitos. Acho sensacional a maquiagem, especialmente quando Johnny vira morto-vivo. E conseguiu extrair o melhor da minha solicitação. Como Johnny era um zumbi recente, queria que as feridas e mutações ainda fossem recentes. Não queria próteses, porque dão a impressão de que o cara secou há muito. Queria manter uma certa vitalidade – e humanidade – no personagem, e Fritz conseguiu isso de maneira muito boa. Só com tinta. Foi ótimo. Quanto à questão do branco demais, assumo toda a responsabilidade. Foi falta de coordenação de minha parte. Começamos o filme gravando as cenas com todos reunidos na sala. Ou seja, a primeira vez que vemos Johnny, durante a filmagem, ele tá branco daquele jeito. Queria ele branco, mais branco do que é normalmente. Quando o Fritz me mostrou a maquiagem, pareceu boa. E na câmera também, apesar de a iluminação não ter agradado nem a mim e nem ao fotógrafo – foi a que mais demorou pra ser feita. Só que eu estava com muita pressa. Precisava filmar todas as cenas com elenco completo naquele mesmo dia, e ainda faltava todo o ataque, que tinha mais planos, mais ação, e era mais complexo. Fora as observações de Johnny no espelho. Então falei pra deixar como estava mesmo e gravei. Quando fomos gravar as outras cenas, Johnny não ficou branco gradualmente como eu queria por falta de continuidade. Parece que estava ok, mas quando foi montar, ficou esquisito. Ainda mais por que ele está branco, com camiseta branca e parede branca ao fundo, ou seja, a impressão do branco fica ainda maior. E não vi isso. Até pedi para o Rodrigo Mesquisa, que fez a correção de cor, dar uma escurecida ali, mas nada que salvasse o plano.

Baiestorf: “Morte e Morte de Johnny Zombie” é seu primeiro curta, a experiência foi satisfatória? Como foi o lançamento dele? Vai sair em DVD ou festivais?

Carneiro: Foi uma experiência muito enriquecedora e muito estressante. Durante as filmagens, quase cogitei largar tudo, abandonar no meio. Era muita pressão, tentar fazer o melhor tecnicamente, quase sem tempo ou sem dinheiro. Pessoas do elenco/equipe pedindo pra ir embora e eu tendo que terminar as gravações. E entendo que quisessem ir embora, estavam há quase 18 horas lá, mas eu tinha que terminar. E foi muito enriquecedora por isso também. Não tinha nenhuma experiência prática, então aprendi muito a planejar melhor, buscar soluções menos trabalhosas, deixar os planos rolarem, em outros ângulos, para não ter problema de edição – não deu nenhum, mas não deixei muitas opções… Acho que sem o Johnny, não estaria nem um pouco preparado para projetos mais ambiciosos. O filme existe em autoração caseira de DVD, com capinha e tal, mas sem prensagem. E nem pretendo fazer. Ninguém vai querer comprar um curta-metragem. E se começar a vender, logo aparece para download na internet e fode tudo. Tenho exibido apenas em festivais por enquanto. Até agora, passou em 7: Curta Cinema, Zinema Zombie Fest (na Colômbia), Mostra de Cinema Independente da CODE, Cinefantasy, Mostra Outros Cinemas, FIM e Autorock.

Baiestorf: Gostei dos takes com câmera subjetiva, isso tornou o curta mais intimista. Fale sobre a construção do filme e da personagem, percebi uma vontade muito grande sua de fazer cinema autoral, mas com um pé no filme de gênero:

Carneiro: Nem sei se a palavra é autoral. Tenho problemas com esse termo, especialmente pela maneira como foi apropriado pela intelectualidade. Nunca quis fazer um filme de zumbi igual a todos os filmes de zumbi. Queria que tivesse algo diferente. Para mim, MMJZ só existe por conta da subjetiva. É a graça dele, mostrar o processo de transformação através dos olhos do transformado. Mas é um filme de gênero, com uma história super convencional. E por isso ser super convencional, quis brincar com a direção, com a fotografia, com a trilha musical, para quebrar, criar anticlímax. Gosto de falar que MMJZ é um exercício com o gênero filme de zumbi, em que pude experimentar em diversos campos. Não queria que fosse convencional e não queria fazer uma paródia, não é uma comédia, mesmo que haja momentos de alívio cômico. Johnny Zombie para mim é uma vítima. É um pouco da lógica do cinema noir: em algum momento, o destino lhe resolve dar um tapa na cara, e você tem que lidar com isso. Só que no caso, por mais que julgue banal, ele está se zumbificando, e não há nada que pode fazer. Ele não morde os amigos porque é mau, mas porque um instinto é acionado. Tudo que ele quer é sair de casa, todos os seus movimentos são em direção à porta, mas sempre tem alguém que o para. É quando ele vai pra cima, morde. As referências para a personagem foram monstros clássicos do cinema: King Kong, Monstro da Lagoa Negra e Ymir (A Vinte Milhões de Milha da Terra), todos referenciados no filme fisicamente.

Baiestorf: O final de “Morte e Morte de Johnny Zombie” (que não vou revelar) eu achei muito inventivo, nunca tinha visto algo assim em um filme de zumbi e achei que foi uma colaboração bem interessante ao subgênero “zombie movies”. Como surgiu essa idéia?

Carneiro: Pô, Petter, fico lisonjeado com tuas palavras. Mesmo. O final foi muito discutido com a Marília na época que finalizávamos o argumento. Como terminar a história. Sabíamos que Johnny morreria de novo. Foi rejeitando idéias que pensei em fazer um final esperançoso (risos), em que a morte de Johnny não finalizasse com os zumbis, que mostrasse a continuidade da espécie (risos). A questão da subjetiva era a idéia principal do filme, então a última cena não poderia deixar de tê-la. É isso que conduz o término: como é um filme que mostra a percepção do Johnny, mostra sua percepção da própria morte, ele vislumbrado, caído, o horizonte. Para dar esse clima, quis que o único som audível fosse o das pancadas. O tempo também é o de sua morte.

Baiestorf: Seus Projetos?

Carneiro: Como jornalista, devo continuar na Zingu!, no Cinequanon e na Revista de Cinema, fazendo sempre que possível alguns freelas. Na produção audiovisual, devo filmar no próximo ano um clipe para a banda Drakula, de Campinas, e devo filmar outro projeto de ficção, do qual ainda não posso falar muito, que não tem nada a ver com terror e deve ser feito com grana. Tenho outros projetos que precisaria de dinheiro pra fazer, como alguns documentários, que envolveriam viagem e uma produção mais arrojada. Paralelamente a isso, continuo gravando quase todas entrevistas da Zingu! em vídeo. A Marília também está desenvolvendo uma idéia ótima para um próximo curta de horror – e dessa vez, ela diz, quer fazer o roteiro -, que se passa na Folia de Reis, e eu devo dirigir.

Jarbas – O Novo Livro de André Bozzetto Jr.

Posted in Literatura with tags , , , , , , , on setembro 12, 2011 by canibuk

André Bozzetto Jr. é professor universitário, mas nas horas vagas é fanático por licantropia e um dos principais, senão o principal, divulgador da cultura envolvendo lobisomens. A carreira de Bozzetto Jr. começou em 1998 com a publicação do romance “Odisséia nas Sombras”, que escreveu ainda bem jovem. Depois de alguns anos parado, voltou com seu segundo romance, “Na Próxima Lua Cheia” (2010), onde abordou a figura mítica do lobisomem. O trabalho de Bozzetto Jr. ainda pode ser apreciado em diversas antologias de literatura fantástica, como “Metamorfose – A Fúria dos Lobisomens” (2009), “Draculea II – O Retorno dos Vampiros” (2010), “Extraneus II – Quase Inocentes” (2011) e “Cursed City” (2011).

“Jarbas” (2011, 240 páginas), é seu terceiro romance e conta a história de Jarbas, que “em 1984 era apenas o nome de um garoto interiorano fã de livros e filmes de terror. Porém, em 2009, esse mesmo nome já havia se convertido em uma expressão capaz de despertar o mais genuíno pavor entre todos aqueles que sabiam de sua existência. Transformado em um lobisomem brutal e perverso, Jarbas passou a ser temido pelos humanos, odiado pelos licantropos e perseguido por ambos.”

Minha pequena colaboração ao terceiro romance do André Bozzetto Jr., “Jarbas”, foi de elaborar com um pequeno texto sobre o autor para a orelha do livro. O prefácio do livro foi escrito por Giulia Moon, com fantásticas ilustrações internas de Christiano Carstensen Neto, capa de Andrei Bressan e lançado pela Estronho editora podendo ser adquirido pelo site http://www.editora.estronho.com.br/

Eu e André Bozzetto Jr. em 2009 antes das filmagens de "Lua Perversa".

André Bozzetto Jr. também dirigiu, em 2009, “Lua Perversa”, um pequeno curta-metragem sobre um lobisomem sanguinário que ataca o Sul do Brasil. O curta conta com uma estética de cinema mudo e é bem divertido (dentro das limitações do cinema com nenhum orçamento).

Além de escrever livros e dirigir filmes, André Bozzetto Jr. também mantém o blog Escrituras da Lua Cheia: http://escriturasdaluacheia.blogspot.com/

Segue o trailer de “Lua Perversa”:

Divulgando Cultura Underground

Posted in Literatura, Música with tags , , , , , , , , , , , , , on setembro 9, 2011 by canibuk

Gosto de usar o espaço aqui do Canibuk pensando nele como um grande fanzine eletrônico com a função informativa de divulgar assuntos interessantes e ajudar a espalhar por aí os lançamentos de outros batalhadores do underground brasileiro. Por isso alguns posts-dicas (como Leyla e eu chamamos), bem curtinhos, com intuíto de dar um toque sobre produções que são lançadas e não contam com o aparato da mídia oficial na divulgação, pipocam aqui pelo blog entre-meio a entrevistas e artigos mais compridos.

Essa semana recebi um inusitado lançamento, nadando contra a corrente, a banda punk/metal M-16 lançou uma demo-tape, em fitinha k7 mesmo, intitulada “Pesadelo Macabro”, contendo 10 músicas dedicadas aos cineastas José Mojica Marins, Lucio Fulci, Mario Bava e George Romero. Se você curte cinema de horror, quadrinhos (dedicam a demo-tape ao Nico Rosso também) e som pesado, pode dar uma especial atenção à este lançamento. São apenas 130 fitinhas (a minha aqui é a número 05, mas não bobeia não que 130 é pouquíssimo). Para maiores informações entre em contato com a banda:

http://br.myspace.com/666necromancerm16

Como a Canibuk é um espaço para todas as épocas, também aproveito este post para divulgar o lançamento do e-book “Prisioneiros da Eternidade 05 Anos”, livro editado pelo Oscar Mendes Filho (e-mail para contatos: oscar.mendes01@gmail.com) para comemorar os 5 anos de seu blog: www.prisioneirodaeternidade.blogspot.com

O e-book “Prisioneiro da Eternidade” tem 168 páginas de contos de horror com inúmeros escritores undergrounds, como A Wild Garden, Adriano Siqueira, Alfer Medeiros, Amanda Reznor, André Bozzetto jr., Evandro Guerra, Iam Godoy, Ravenna Raven, Susy Ramone, Tânia Souza e muitos outros.

Para baixar o livro “Prisioneiros da Eternidade 05 Anos” clique no link:

http://www.4shared.com/document/jT_OVs-G/Aniversrio_Prisioneiro_da_Eter.html?