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Curiosidades sobre Um Lobisomem Americano em Londres

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , on março 11, 2012 by canibuk

Quando John Landis começou a escrever a sua história de terror contemporânea sobre dois estudantes cujas férias no estrangeiro terminam tragicamente com a intervenção do sobrenatural, pretendia localizá-la num ambiente suficientemente desconhecido no qual os rapazes se sentissem estrangeiros – e, ao mesmo tempo, num país onde pudessem falar inglês.

Por conseguinte, no início de 1981, as câmeras da produtora de John Landis, a Lycanthrope Films Ltd., começaram a filmar – na Inglaterra.

O plano de filmagem de nove semanas de “Um Lobisomem Americano em Londres” (“An American Werewolf in London”) abrangeria uma série impressionante de locais – muitos dos quais nunca antes tinham sido filmados.

As filmagens tiveram início nas colinas frias e enevoadas da parte central do País de Gales, uma zona rural bela mas selvagem, conhecida pelo fortes ventos e como o último reduto britânico da cruel doninha. Nestas colinas indômitas, foi fácil acreditar na possível existência da fera infernal de quatro patas de John Landis.

O grupo filmou também no pequeno vilarejo galês de Crickadarn, um minúsculo povoado com apenas seis casas de campo e uma fazenda. Apesar do reduzido número de habitantes, Crickadarn tem duas igrejas – com os respectivos cemitérios, o que criava já uma atmosfera devidamente fantasmagórica, mesmo antes da equipe de filmagem ter instalado uma estátua sinistra do “Anjo da Morte”.

O que faltava em Crickadarn era um pub – um cenário exigido no roteiro para o vilarejo fictício East Proctor. Assim, o departamento artístico criou o “The Slaughtered Lamb” (“A Ovelha Chacinada”) a partir de uma casa vazia. O resultado era tão real que três turistas, atraídos pela luz acolhedora proveniente das janelas, procuraram repouso no interior.

No País de Gales, o grupo defrontou-se com grandes problemas climáticos. “Escolhi propositadamente os meses de fevereiro e março na Inglaterra para rodar o filme” – afirmou John Landis, “para garantir um clima realmente terrível”. Mas o clima britânico é reconhecidamente instável. No espaço de um dia, Crickadarn teve neve, granizo, chuva e um sol radiante.

“Em quantos filmes você já trabalhou em que teve de esperar pelo mau tempo?” – indagou John Landis durante um longo período de sol.

Em Londres, o grupo passou quase duas semanas nas enfermarias vazias de uma maternidade desativada que funcionou como o hospital onde o personagem de David Naughton acorda após a sua experiência no pântano.

Durante a semana em que o noivado do Príncipe Charles com Lady Diana Spencer foi anunciado, John Landis realizou filmagens noturnas no recinto da residência de campo da rainha, o castelo de Windsor. Enquanto a mente de sua Majestade estava envolta em outras questões, o seu jardim foi cenário de um assassinato brutal e sangrento – cortesia da Lycanthrope Films Ltd.

Do espaço gelado do Windsor Great Park, a produção mudou-se para as profundezas claustrofóbicas da estação de metrô de Tottenham Court Road. Aqui, a equipe de filmagem normalmente barulhenta de John Landis foi submetida a uma restrição sotto voce pelos túneis e as estações silenciosas. Foi aqui que John landis criou uma das seqüências mais aterrorizadoras do filme.

A atriz principal, Jenny Agutter, lembra: “Londres é uma cidade estranha porque não existem leis contra as filmagens mas existem leis contra bloquear o trânsito. Se houver uma multidão na calçada, a polícia prende as pessoas ou pede para dispersarem. Corríamos sempre o risco de John Landis ir parar na cadeia!”

Nas filmagens em Piccadilly Circus surgiu um problema básico: para começar, o obtenção de uma licença para filmar neste local. Durante 15 anos, desde que um infeliz incidente no qual uma proeza de grande porte (realizada sem licença), causou enormes engarrafamentos, não foi permitido fazer qualquer filmagem no local.

John Landis não só pretendia filmar no local durante a noite, o que exigia o posicionamento de enromes holofotes, como pretendia também criar uma seqüência espetacular de acontecimentos provocados por uma multidão em pânico – difícil até mesmo numa situação controlada. No West End num sábado à noite, podia-se dizer que seria impossível.

No entanto, John Landis foi audaz contra as dificuldades encontradas para a obtenção da licença. Armado com planos de campanha, gráficos pormenorizados e um modelo de grande escala de Piccadilly Circus completíssimo, com a estátua de Eros e carros em miniatura a circundá-lo, o próprio John Landis teve reuniões com os agentes policiais mais importantes para apresentar seu caso. E venceu.

No fim de uma tarde de fevereiro, a equipe de filmagem de “Um Lobisomem Americano em Londres” reuniu-se na Wimpy, casa de hambúrgueres, em Piccadilly Circus para receber instruções. Os técnicos e dublês reuniram-se em silêncio em frente a um enorme quadro preto enquanto John Landis e o seu primeiro assistente distribuíam mapas e esquemas e delineavam a seqüência planejada de acontecimentos.

À volta de Piccadilly Circus foram montadas três câmeras em locais elevados e outras quatro no solo. Como se isto não bastasse para atrair as atenções para as filmagens, acenderam-se os holofotes, projetando-se sobre Piccadilly Circus e atraindo multidões que permaneceram no local até as primeiras horas da manhã.

Seguiram-se dois outros locais bem conhecidos de Londres. Em Trafalgar Square, John Landis instalou uns incríveis trilhos através da Praça para a plataforma de filmagem de 85 metros. Finalmente, na Torre de Londres – durante a noite – o cinematógrafo Bob Paynter banhou todo o famoso ponto de referência londrino com um brilho suave enquanto era realizada uma cena aterrorizadora em primeiro plano.

John Landis e o gênio de maquiagem, Rick Baker, começaram por debater os extraordinários efeitos especiais que seriam necessários para o filme dez anos antes, quando se conheceram no filme “Schlock”, de John landis, onde Rick Baker criou uma caracterização complexa de um homem-macaco. John Landis, na época com 21 anos, desempenhou o papel do mortífero mas adorável homem-macaco.

A idéia para a criação de uma transformação de homem para lobo que aconteceria perante os olhos do público, sem utilização de efeitos ópticos, estava enraizada na mente de Rick Baker há uma década. Quando John landis o contatou para lhe dizer que o filme seria realizado, Rick baker confirmou que tinha imaginado algo único para o filme.

O primeiro pedido de Baker foi que o casting para os papéis principais masculinos fosse feito o mais rápido possível para que pudesse começar a trabalhar nos moldes dos seus rostos e corpos. John Landis percebeu que isto significaria que teria de contratar os dois atores antes da conclusão dos acordos financeiros para o filme.

Era um risco que John Landis estava preparado para correr. Quase nove meses antes da data programada para o início das filmagens, ele contratou David Naughton e Griffin Dunne para o papel dos estudantes americanos. Logo que as suas assinaturas estavam sobre a linha pontilhada, ambos foram levados para o laboratório de Rick baker, onde foram feitos moldes a partir dos seus corpos.

Para David Naughton, que desempenha o papel principal no filme, a experiência foi mais dura – não só porque foi necessário fazer moldes de todas as partes do seu corpo como também, muito mais tarde, foi submetido a horas e horas de maquiagem durante os muitos dias de filmagem.

A seqüência da transformação demorou uma semana para ser filmada, envolvendo processos de maquiagem complicados e demorados e também regulagens tecnicamente complexas necessárias para realizar as diversas fases da transformação. Foi também necessário equipamento de vídeo para permitir à equipe de Rick Baker monitorizar os movimentos do seu complexo mecanismo.

Foi talvez a semana mais desconfortável da vida de Naughton, uma vez que o seu corpo, normalmente sem pêlos, foi transformado numa fera desgrenhada. Durante muitas seqüências, cada um dos pêlos foi aplicado individualmente.

David Naughton: “Há um conselho que dou a qualquer ator que planeje equipar-se com patas de lobisomem: Vá primeiro ao banheiro!”.

“Temos de confiar no cara” – afirmou Naughton sobre Rick Baker. “Ele não faz nada que não tenha experimentado nele próprio. Coisas como lentes de contato, máscaras de látex – ele testou tudo pessoalmente. Além disso, ele ensaia a maquiagem antes de a fazer no ator, para que possa trabalhar o mais rápido possível.”

Para a última apresentação de Griffin Dunne, Baker criou os efeitos mais complexos. Embora muitas seqüências exigissem o aparecimento de Dunne com uma maquiagem intrincada, para os grandes planos era necessário ver o crânio do personagem. “Com a maquiagem” – diz Baker – “apenas se pode revestir o rosto de uma pessoa e não mostrar o seu interior, o que aqui era necessário!”.

Baker construiu um modelo extraordinário do ator que teve que ser manobrado por seis pessoas, incluindo o próprio Dunne. Foi necessário a utilização de equipamento de vídeo adicional para que a equipe pudesse ver o que estava fazendo.

Sobre seu personagem, Naughton disse: “Desempenho este como se fosse alguém com uma doença na fase terminal. Ele não pode lutar contra a doença e nem mesmo acredita que está doente. Ele conta piadas sobre lobisomens – até ser demasiado tarde”.

Landis recorda que os espectadores em Los Angeles saíram de um cinema dizendo que eles gostaram muito do filme mas que simplesmente não aguentava mais. “O fato da violência que está acontecendo ser contra as pessoas com quem você se preocupa causa muito mal-estar.”

“An American Werewolf in London” (1981, 97 min.) de John Ladis. Com: David Naughton, Jenny Agutter, Griffin Dunne e John Woodvine.

Milicent Patrick and the Creature from the Black Lagoon

Posted in Cinema with tags , , , , , on agosto 30, 2011 by canibuk

O Monstro da Lagoa Negra já faz parte da cultura POP desde os anos 50, com 3 filmes (“Creature from the Black Lagoon”, 1954; “Revenge of the Creature”, 1955, este dois primeiros com direção do lendário Jack Arnold, e, “The Creature Walks Among Us”, 1956, com direção de John Sherwood) e uma infinidade de produtos que exploram o simpático monstrengo (sem contar as aparições do monstro da lagoa negra em outros filmes e séries de TV). O que poucos sabem é que o design da criatura é de autoria de Milicent Patrick que sempre foi ofuscada pelo maquiador Bud Westmore que, por mais de meio século, recebeu crédito exclusivo pela criação da criatura.

Milicent Patrick nasceu em 11 de novembro de 1915, foi uma artista comercial, estilista, ilustradora de livros infantis e também atriz de cinema e TV. Em 1952 apareceu no clássico “Limelight” (“Luzes da Ribalta”) de Charles Chaplin, como figurante não creditada. Um de seus primeiros papéis creditados veio no filme “The Women of Pitcairn Island” (1956) de Jan Yarbrough e, logo em seguida, interpretou a personagem Rosita na série televisiva “The Restless Gun” (1958). Ela também trabalhou com Walt Disney, sendo considerada a primeira animadora da história do cinema.

O traje usado para dar vida ao Monstro da Lagoa Negra, depois da concepção, modelagem e experimentação, foi concluído ao valor de 18 mil dólares (uma pequena fortuna em 1954). Milicent Patrick teve que mudar sua forma 76 vezes até que finalmente foi aprovada pelos chefões dos estúdios Universal. Depois disso, Bud Westmore fez 32 modelos diferentes da cabeça da Criatura até que uma fosse finalmente aceita.

Milicent Patrick faleceu em 24 de fevereiro de 1998, mas sua criação mais famosa, “O Monstro da Lagoa Negra”, continua ganhando fãs e, sempre, sendo sondado para uma possível refilmagem que, sinceramente, espero que nunca aconteça.

White Zombie

Posted in Cinema with tags , , , , on fevereiro 12, 2011 by canibuk

“White Zombie” (1932, 67 min.) de Victor Halperin. Com Bela Lugosi.

Aqui os irmãos Halperin mostram os zumbis do Haiti (que são pessoas comandadas por um mestre voodoo) estragando os planos de casamento de um casal boboca (os Halperin tinham algum problema não resolvido com o santo matrimônio, só pode). Quando lançado, “White Zombie” foi um grande fracasso de bilheteria (teve vários problemas de distribuição) e crítica (pelo tom sério do filme), mas mesmo assim ganhou uma seqüência em 1936, “Revolt of the Zombies” (já lançado no Brasil pela revista digital Showtime). O Zumbi branco é considerado o primeiro filme na temática zumbis, outros filmes na linha do “White Zombie” são “The Ghost Breakers” (1940), “King of the Zombies” (1941), “I Walked With a Zombie” (1943) e “The Plague of the Zombies” (1966). Aí um certo Sr. Romero apareceu com seus zumbis canibais podres em 1968 e a história ficou bem mais divertida!

E sim, este é o filme que inspirou Rob Zombie a colocar o nome de White Zombie na banda dele.

O filme é meia boca, mas acho que todos devem assistir o clássico “White Zombie” porque faz parte de sua educação cinéfila. Segue link dele full movie no youtube: