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Posters & Capas de VHS da Canibal Filmes

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Infelizmente estou sem tempo algum para atualizar o blog. Mas nessa última semana estava selecionando material que irá fazer parte do livro “Canibal Filmes – Os Bastidores da Gorechanchada” e encontrei um material referente aos nossos lançamentos em VHS (que já estão disponíveis em DVD e que você pode comprar aqui na MONDO CULT):

Posters

1995- O Monstro Legume do Espaço

1996- Blerghhh1

1996- Blerghhh2

1996- Caquinha Superstar a Go-Go1

1996- Caquinha Superstar a Go-Go2

1996- Eles Comem Sua Carne1

1996- Eles Comem Sua Carne2

1996- Eles Comem Sua Carne3

1996- Eles Comem Sua Carne4_Folder

1996- Eles Comem Sua Carne4_Folder2

1997- Bondage 2 Amarre-me Gordo Escroto

1997- Chapado

1998- Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos2

1998-Gore Gore Gays

Lombada das VHS

Lombada VHS- O Monstro Legume do Espaço (1995)

Lombada VHS- Eles Comem Sua Carne (1996)

Lombada VHS- Blerghhh (1996)

Lombada VHS- Bondage 2 Amarre-me Gordo Escroto (1997)

Lombada VHS- Raiva (2001)

Capas de VHS da Canibal Filmes:

VHS- Blerghhh (1996)

VHS- Chapado-Bondage 2 (1997)

VHS- Bondage 2 Capa 2 (1997)

VHS Bondage parte 1 - Capa 2 (1996)

VHS- Bondage parte 1 (1996)

VHS- Caquinha Superstar a Go-Go (1996)

VHS- Eles Comem Sua Carne (1996)

VHS- Festival Psicotrônico Vol 1 (1999)

VHS- Minimalismo Surreal Vol 1 (2002)

VHS- O Monstro Legume do Espaço (1995)

VHS- Raiva (2001)

VHS- Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos

VHS- Zombio (1999)

Petter e poster GGG

Chapado

Posted in Cinema, download, Manifesto Canibal, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 12, 2016 by canibuk

Chapado (1997, 30 min.) Escrito, Produzido, Estrelado e Dirigido por Petter Baiestorf, Coffin Souza e Marcos Braun. Também estrelando: Jorge Timm no papel de Tor Johnson.

Sinópse: Três michês resolvem se trancar dentro de um filme e ficam se utilizando de todo tipo de drogas em loop toda vez que algum cinéfilo voyeur insiste em ficar tentando entender suas desventuras com as drogas e cinema.

chapado20 anos atrás, em meados de 1996, Coffin Souza e Marcos Braun se reuniram comigo para elaborarmos um roteiro sem começo, meio e fim que simplesmente mostrasse um grupo de amigos se chapando sem qualquer tipo de moralismo ou explicações. Então, ao invés de escrevermos um roteiro, ficamos sentindo as drogas e o álcool durante um mês e registrando sem nos preocuparmos com a narrativa e com o público. A ideia era deixar correr e, depois, ver no que ia dar.

Por motivos mais do que óbvios, não lembro direito das filmagens. Sei que ficamos uns 6 meses nesta experiência lisérgica colhendo material para montar um filme e experimentando sentimentos diversos. Filmamos no Oeste de Santa Catarina, interiorzão do RS e acabamos realizando algumas cenas em Porto Alegre.

digitalizar0027Mas as filmagens tiveram vários momentos divertidos. Antes de começar a experiência fomos até numa festa tradicional da região Oeste e vimos uma iluminação dando sopa num stand de uma concessionária de carros e resolvemos roubar pela curtição de fazer algo errado. E lá fomos Braun e eu completamente grogues de uísque roubar  a luz, só que saímos correndo com ela sem perceber que ainda estava plugada numa tomada, fazendo o maior estardalhaço, com seguranças correndo atrás de nós e o Jorge Timm bêbado com o carro, onde iríamos entrar, em zigue e zague na nossa frente. Depois que iniciamos as filmagens, quase fui atropelado ao filmar sobre a ponte do Rio Uruguai, na divisa entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A cena em questão não estava sendo gravada ainda, mas depois simulamos novamente para ter o momento no filme (essa cena simulada está no filme). Neste mesmo dia também me pendurei numa escada enferrujada – e quase soltando – que havia no meio da ponte.

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Como queríamos uma cena de impacto no filme, resolvemos invadir um cemitério e cavar uma tumba por lá (vazia, lógico, não somos tão retardados assim). Só que chegando no cemitério avistamos uma cruz gigante e então acabamos realizando uma performance festiva nesta cruz gigante – cena que está no filme – que diz muito sobre o que achamos que qualquer tipo de religião faz com o povo. Assim que terminamos de filmar essa cena apareceu um cortejo fúnebre no cemitério, foi engraçado a gente saindo de fininho com pás, enxadões e o ator se vestindo. Talvez tenhamos traumatizado aquela família que só queria enterrar um ente querido. Em tempo: Os créditos de “Chapado” foram inseridos na metade do filme, então para ver essa cena da cruz é só continuar assistindo o filme pós os créditos finais.

“Chapado” nunca foi oficialmente exibido em lugar nenhum, sabemos que não é um filme para qualquer audiência. Mas foi feito e adquiriu vida própria, então volta e meia alguém que viu ele nos tempos do VHS (ele era comercializado numa fita junto do “Bondage 2 – Amarre-me, Gordo Escroto!!!“) me comenta que curte ficar sentindo o filme enquanto fuma um. Em DVD ele faz parte do DVD “Festival Psicotrônico Vol. 1”.

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Se você quiser conhecer o filme, pode baixar clicando no nome do filme: CHAPADO. Claro que é bem possível que você venha a odiar essa produção e achar que perdeu meia hora de sua vida (caso seja um destes fãs de cinemão de Hollywood). É só um filme pra ser sentido, como se fosse uma vídeo poesia das mais feias e cretinas – porque poetas, necessariamente, não tem a obrigação de serem bonzinhos e compreensivos.

Falta de lembranças de Petter Baiestorf.

Dei sequencia a essas experiências em 2005 com o filme “Palhaço Triste” que você pode assistir online:

O Primeiro Homem Incrivelmente Derretido pelo Espaço Sideral

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 8, 2016 by canibuk

The First Man Into Space (“O Primeiro Homem no Espaço”, 1959, 77 min.) de Robert Day. Com: Marshall Thompson, Marla Landi e Bill Edwards.

first-man-into-spaceO arrogante astronauta Dan Prescott (Bill Edwards) é o primeiro homem a viajar para o espaço em uma série de voos experimentais. Já em seu primeiro voo desobedece a seu comandante – e irmão – Charles Prescott (Marshall Thompson) e cria uma tensão desnecessária na missão espacial. Alguns dias depois, já em novo voo, Dan novamente desobedece ao comando espacial e acaba exposto à raios cósmicos desconhecidos que o contaminam com uma estranha substância que faz com que sua carne fique meio derretida. Após conseguir pousar no planeta Terra Dan passa a perambular deformado por fazendas em busca de sangue fresco de animais, o precioso líquido vital é sua alimentação nesta nova forma monstruosa. Como sua sede por sangue só aumenta, acaba atraído a um banco de sangue humano onde, acidentalmente, mata uma enfermeira (e nós, público, temos um primeiro vislumbre da ótima make up criada para a criatura). first-man-into-space_frame1Paralelo aos ataques do astronauta derretido (com destaque a cena onde ele mata dois policiais em plena luz do dia e podemos ver seu corpo inteiro infectado numa visão que deve ter aterrorizado as audiências da época), seu irmão Charles conduz uma investigação para tentar localizá-lo para um possível tratamento. O final deste delicioso Cult é bem atípico para as produções da época, ao invés da carnificina desenfreada o astronauta infectado, consciente de sua condição, é guiado para uma câmera atmosférica onde tentarão reverter sua estranha maldição cósmica.

Veja o trailer de “First Man Into Space” aqui:

first-man-into-space_frame2Fruto típico da época em que foi concebido (o comandante da missão, por exemplo, mexe em todas as provas contaminadas sem o uso de luvas), “First Man Into Space” é uma boa produção de baixo orçamento que conta com alguns deslizes (como o foguete que caí no planeta Terra, mas que foi largado pela produção do filme entre meio a árvores e arbustos de uma maneira que parece que ali está a muitos anos) e muitos acertos, a começar pela ótima maquiagem do astronauta derretido criado pelo artista Michael Morris, que depois viria a trabalhar nos clássicos “Quatermass and the Pit/Sepultura Para a Eternidade” (1967) de Roy Ward Baker; “The Elephant Man/O Homem Elefante” (1980) de David Lynch e “Lifeforce/Força Sinistra” (1985) de Tobe Hooper, um de seus últimos trabalhos. Para dar vida a repugnante criatura de “First Man Into Space” Morris criou um traje de corpo inteiro, com pequenos orifícios para a visão, que só permitia filmar por curtos períodos de tempo já que era muito quente e tornava a respiração do ator Bill Edwards (sim, é ele dentro do traje) extremamente difícil.

first-man-into-space1Por pouco “First Man Into Space” não teria existido. Originalmente seu roteiro se chamava “Satellite of Blood” e tinha sido rejeitado pela produtora A.I.P. da dupla Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson. Após a recusa Alex Gordon (que trabalhava na A.I.P. produzindo os primeiros filmes de Roger Corman, como “Apache Woman” (1955), “Day The World Ended” (1955), “The Oklahoma Woman” (1956), entre outros, incluindo também muitos filmes com direção de Edward L. Cahn) enviou o roteiro para seu irmão Richard que, junto de Charles Vetter, havia fundado a Amalgamated Productions e, após re-escrito (bebendo da influência de “The Quatermass Xperiment” (1959), um grande sucesso da Hammer Film dirigido por Val Guest), a produção do filme decolou rumo ao sempre incerto mercado do cinema vagabundo. Como a Amalgamated Productions já havia chamado atenção com dois lucrativos filmes, “Fiend Without a Face” (1958), de Arthur Crabtree, e “The Haunted Strangler” (1958, também conhecido pelo título “Grip of the Strangler”) de Robert Day e estrelado por Boris Karloff, a dupla de produtores conseguiu para “First Man Into Space” um acordo de distribuição com a MGM, fato que garantiu um orçamento mais polpudo a produção (e a bilheteria do filme não fez feio, sendo um dos filmes mais lucrativos da produtora).

first-man-into-space_cardsRichard Gordon foi produtor de inúmeras produções de baixo orçamento, com destaque para filmes como “L’Ultima Preda Del Vampiro/The Playgirls and the Vampire” (1960) de Piero Regnoli; “Curse of the Voodoo” (1965) de Lindsay Shonteff; “The Projected Man” (1966) de Ian Curteis; o genial “Island of Terror” (1966), do sempre competente Terence Fisher; “Secrets of Sex” (1970) e “Horror Hospital” (1973), ambos com direção do rebelde Antony Balch (um homem que nunca andava de carro preferindo utilizar somente motocicletas e que, durante a produção deste último filme, foi convencido pelo produtores a circular apenas em limusines); The Cat and the Canary” (1978), do ótimo diretor pornô Radley Metzger se ariscando em outro gênero, e o Cult de sci-fi/horror “Inseminoid” (1981) de Norman J. Warren. Gordon fundou, na década de 1950, a Amalgamated Productions com Charles F. Vetter que, sob pseudônimo de Lance Z. Hargreavers, escreveu roteiros de filmes como “First Man Into Space”, “Devil Doll” (1964) de Lindsay Shonteff e “Battle Beneath the Earth” (1976) de Montgomery Tully. John Croydon, um produtor já veterano do cinema britânico (ele foi produtor associado no clássico “Dead of Night/Na Solidão da Noite”, de 1945, que trazia o brasileiro Alberto Cavalcanti entre os diretores), foi chamado para organizar o set do filme e trazer paz para o diretor Robert Day, um diretor eficiente, rápido e barato que já havia trabalhado com a produtora antes dirigindo o sucesso “The Haunted Strangler” e o interessantíssimo “Corridors of Blood” (1958), um bonito drama de horror sobre os primórdios da medicina moderna estrelado por Boris Karloff e Christopher Lee. Robert Day acabou migrando para a televisão onde dirigiu vários filmes com a personagem Tarzan e outras séries de TV.

first-man-into-space2“First Man Into Space tem trilha sonora assinada por Buxton Orr, o compositor habitual da Amalgamated. Orr foi o responsável pela trilha sonora de produções como “Doctor Blood’s Coffin/O Esquife do Morto-Vivo” (1961), com direção do então jovem Sidney J. Furie e roteiro de Nathan Juran, e “The Eyes of Annie Jones” (1964) de Reginald Le Borg (outro diretor especialista em produções vagabundas que anos antes realizou o clássico “The Black Sleep/A Torre dos Monstros” (1956) com Basil Rathbone, Lon Chaney Jr., John Carradine, Bela Lugosi e Tor Johnson no elenco). O ator Marshall Thompson, que interpreta o irmão do astronauta derretido, é um habitual contratado de produções capengas, ele está no elenco de maravilhas como “Cult of the Cobra/Maldição da Serpente” (1955) de Francis D. Lyon, “Fiend Without a Face” (1958) e “It! The Terror From Beyond Space” (1958) de Edward L. Cahn.

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Para muitos, e me incluo nestes muitos, “The Incredible Melting Man/O Incrível Homen Que Derreteu” é tido como uma refilmagem de “First Man Into Space”. Todos os elementos estão lá intactos: o astronauta contaminado por algo desconhecido no espaço que volta ao planeta Terra em uma busca desesperada por comida para aplacar sua dor e, diante da incompreensão humana para com acontecimentos fantásticos, é caçado sem dó nem piedade, sendo relegado à margem da sociedade que prefere ignorar o diferente que ameaça a normalidade do belo.

Assista o trailer de “The Incredible Melting Man” aqui:

“First Man Into Space” permanece inédito em nosso mercado de vídeo, na minha opinião seria um ótimo filme para estar incluído no box “Clássicos Sci-Fi Vol. 3” da distribuidora Versátil.

Por Petter Baiestorf para seu livro “Arrepios Divertidos”.

Assista “First Man Into Space” aqui:

Selvas de Papelão e Latrinas Desocupadas: Uma Aula de Cinema com George Kuchar

Posted in Cinema, Vídeo Independente with tags , , , , , on maio 19, 2011 by canibuk

“Eu decidi fazer filmes após assistir à antigos trabalhos de George Kuchar”.

As palavras acima são de John Waters, rei do Mal-Gosto e um dos grandes nomes do cinema transgressivo mundial, admitindo uma de suas maiores influências.

George Kuchar nasceu em Manhattan, USA, em 1942. Junto com seu irmão gêmeo Mike (uma hora mais velho que George), começou a fazer filmes em 8mm nos blocos de apartamentos em que moravam e na vizinhança do Bronx, usando velhas cortinas como vestuário e amigos como atores. A partir de 1965, os diferentes interesses artísticos desfizeram a dupla. Como diretor, roteirista, câmera, editor e produtor, George fez mais de 50 filmes em 8mm e 16mm. Desde a metade dos anos 80 passou a trabalhar com vídeo produzindo mais de 40 títulos, além de dar aulas e cursos de cinema/vídeo. Tudo no seu estilo próprio: Underground, pobre, gay, debochado e divertido. A seguir várias dicas de George Kuchar sobre como produzir seu filme vagabundo (nota do Canibuk: essas dicas foram publicadas no fanzine inglês “Shock X-Press Cinema” de Steve Pulchalski em 1989 e traduzidas para o português por Coffin Souza em 2001 e publicadas aqui no Brasil no “Brazilian Trash Cinema” número 3).

Uma Aula de como Fazer Cinema com George Kuchar:

1- Nunca faça testes para escolher atores. Se você gosta do visual de alguém, use-o. Se para atuar ele for muito ruim, apenas utilize-o para ficar circulando em cena ou parado numa pose estilizada e expressiva. Mas se ele for realmente muito sem graça, então crie alguma situação como um tiroteio-e-fuga, uma escorregão numa casca de banana ou algum providencial relâmpago que fulmine o personagem.

É melhor ter amigos que são atores ruins do que gente chata que sabe atuar e ex-amigos chorando porque foram rejeitados de seu filminho.

Se algum amigo-ator for muito gordo e isto não ficar bem na tela, elabore uma iluminação expressionista (tipo meio Bela Lugosi, meio Marlene Dietrich) por baixo e dos lados para atenuar suas feições. Mas mantenha-o afastado do lanche reservado para a equipe… Ou melhor: Nem tenha lanche para a equipe!

2- Nunca vista seus atores com roupas da moda. Sempre misture estilos diferentes de roupas e utilize restos de guarda-roupas antigos. Assim você nunca vai ter um filme datado e conseguirá um visual mais original. Se não houver dinheiro para a compra de materiais, improvise. Sacos plásticos para lixo são ótimos para criar roupas futuristas. Infelizmente os atores vão suar como porcos debaixo da forte iluminação e se o som for direto vai se ouvir muitos ruídos estranhos quando eles se moverem.

3- Maquiagem é muito importante. Se você estiver rodando em preto e branco e quiser que sua atriz pareça estar com batom vermelho berrante, pinte seus lábios com lápis-de-sombra preto, que vai ter o efeito. Claro que os lábios pretos também podem ser utilizados num filme à cores, para vítimas de estrangulamento, por exemplo. Quando o ator tiver dificuldades de expressar suas emoções, elas podem ser pintadas em sua face. O contorno das sobrancelhas ou os cantos da boca, podem ser pintados para cima ou para baixo durante a cena para simular alegria, tristeza ou raiva.

Se uma atriz tiver os dentes dafrente muito separados (ou a falta de algum dente), pode-se colocar um pedaço de plástico ou papelão branco brilhante dentro de sua boca para simular um sorriso perfeito. Problemas haverão se você designar algum diálogo para ela recitar, neste caso, o truque é só trabalhar com esta pessoa se ela for representar uma vítima de espancamento.

4- Grande parte do filme é “fabricado” na sala de edição e esta é uma das atividades mais fascinantes na arte de se fazer cinema. Mas não é nada fácil ficar sentado dezenas de horas, durante vários dias, apenas para se fazer o casamento entre imagem e som. Por causa da pressão artística deste trabalho, suas glândulas sudoríparas vão exalar um fedor particularmente  forte e que parece uma mistura de cheiro de pêssegos podres com meias de nylon velhas e sujas. Suas meias devem estar limpas e os sapatos devem ser deixados do lado de fora da sala já no início do processo. Incenso pode ajudar a manter o ar menos fedorento. Se você sofre de acne, depois de horas trancado numa sala escura e quente e com os períodos de crise quando tiver alguma dúvida sobre cortar ou não uma cena, a vontade de expremer espinhas var ser terrível! Mantenha suas mãos longe do rosto para não engordura-las com seu suor e secreções de espinhas e emporcalhar o equipamento. Procure não se alimentar com coisas pesadas pois a flatulência pode atrapalhar a concentração. Mantenha litros de café à mão e tenha por perto uma latrina desocupada para suas necessidades.

5- Se você conhecer uma garota muito atraente e que também seja expert em edição e montagem, não a chame para trabalhar com seu filme. Os dois várias horas trancados numa sala escura… Já se você for homosexual e seu namorado é quem estiver editando o filme, evite distraí-lo com conversas íntimas e NUNCA entre na sala de edição depois de ter tomado banho de piscina com água tratada com cloro. Você vai estar com um cheiro parecido com porra e ele pode ficar aborrecido ao pensar que o estava traíndo enquanto trabalhava.

6- Para colocar em prática todos os seus projetos, existem várias técnicas para focar suas energias: É melhor que você viva numa vizinhança medíocre e que a TV só passe filmes repetidos. Ter muitos amigos também prejudica sua concentração, assim como comer bem e bastante. Para ser um cineasta dedicado, é preferível que você seja uma pessoa miserável e infeliz, de preferência castrado e se contente em comer galinha cozida com batatas.

Um pouco de complexo de inferioridade também ajuda, pois se tem vontade de estrangular todos os chatos que atrapalham na hora de criar algo superior, isso é bom para dar energia para criar algo que nos coloque no mapa da cultura humana. Esta fantasia assassina também pode ser um encentivo e inspiração para se elaborar tomadas mais criativas. Um local desconfortável para dormir também é um incentivo para se manter no trabalho até mais tarde, quem vai querer parar para descansar numa cama podre, torta e dura?

Música ajuda na concentração, mas evite os ritmos dançantes como uma praga! A batida martelante é criada para você se manter em movimento sem contar que os músicos sempre mixam mensagens satânicas gravadas de trás para diante entre estas batidas e que farão você ficar com uma vontade incontrolável de sair rebolando. Não é fácil se concentrar no trabalho quando se esta com o corpo envenenado com cigarros, drogas e bebidas. Mas as vezes o contrário é o melhor e precisa-se um pouco de veneno para conseguir aquela explosão intelectual e inspiração espiritual.

Se apesar de todos estes cuidados algum tolo ainda resolver atrapalhar seu trabalho, o que você deve fazer com esta pessoa é chama-la num canto e cortar sua veia jugular!!!

Sim, algumas destas dicas podem parecer ofensivas. Por favor me desculpem, mas fazer filmes é uma atividade que nos torna um pouco agressivos e cínicos.

Um último toque: Prefiro rodar tudo dentro de um estúdio ou local fechado onde tenho mais controle da situação. Penso que é melhor ter uma selva de papelão recortado do que não conseguir rodar aquela seqüência selvagem. Além disto cada vez que vejo um daqueles documentários sobre a natureza eu fico enjoado. Todos aqueles mosquitos e insetos zunindo por volta, pássaros cantando na hora errada, répteis nojentos se arrastando por toda parte e a possibilidade de se pisar em algo tão repugnante que vai acabar me revoltando o estômago e fazer com que eu acabe apreciando mais meus próprios fluidos fedorentos e excrementos!!!

Alguns filmes de George Kuchar:

Petter Baiestorf: Em 2007 eu escrevi, produzi e dirigi um curta-metragem de 23 minutos chamado “Que Buceta do caralho, Pobre só se Fode!!!” (estrelado pelos meus dois amigos pessoais, Coffin Souza & Elio Copini e editado pelo Gurcius Gewdner) que era uma espécie de homenagem/exaltação para o cinema realizado pelo George Kuchar. Na época mandei uma cópia do filme para o Kuchar conhecer e recebi esse bilhete abaixo em papel bem sugestivo: