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Fiend Without a Face

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 12, 2012 by canibuk

“Fiend Without a Face” (“O Horror Vem do Espaço”, 1958, 74 min.) de Arthur Crabtree. Com: Marshall Thompson, Kim Parker e Kynaston Reeves.

Este filme é uma delícia. Na história, que se passa no Canadá, mortes misteriosas começam a acontecer e as pessoas de uma pequena vila culpam uma base americana que estava realizando experimentos nucleares. Todas as vítimas possuem perfurações no pescoço e, após autópsias, descobre-se que o cérebro e a medula espinhal dos mortos estão faltando. Depois de investigações ficamos sabendo que as mortes não foram causadas somente pelos experimentos nucleares, mas sim por uma combinação entre radiação e telecinese que era testada na localidade por um professor aposentado. Com o aumento da força nuclear as criaturas, antes invisíveis, se tornam visíveis e revelam sua grotesca forma: São cérebros humanos com antenas e a medula espinhal servindo como cauda. No ato final do filme um grupo de humanos fica preso numa casa isolada e precisa se defender destas estranhas criaturas.

Considerado um clássico do gênero, “Fiend Without a Face” ganha força quando revela a forma das criaturas que, para ganhar vida e parecerem perigosas, foram animadas com a técnica do stop motion pela dupla Flo Nordhoff e Karl-Ludwig Ruppel, algou pouco usado em filmes de baixo orçamento dos anos 50 e que se revelou extremamente convincente. O filme causou enorme alvoroço quando foi lançado na Inglaterra, com os censores britânicos exigindo uma série de cortes por estarem horrorizados com os aterrorizantes, e bem crus, efeitos especiais. E tudo funciona perfeitamente até os dias de hoje, seu clima soturno foi influência para muitos filmes e arrisco afirmar aqui que os últimos 20 minutos do filme serviram de influência para George A. Romero quando elaborou “The Night of the Livind Dead” em 1968. Vejamos: Climão em preto e branco com um grupo de humanos confinados dentro de uma casa isolada por criaturas além de sua compreensão tentando entrar e que somente poderiam ser exterminadas com um tiro no cérebro. Romero foi bem esperto ao tornar essa ameaça ainda mais apavorante quando trocou as criaturas por mortos-vivos canibais. Melhor prá nós que ganhamos dois clássicos!

O filme era para ter sido dirigido pelo roteirista americano Herbert J. Leder (1922-1983), mas os produtores britânicos não conseguiram autorização de trabalho do sindicato dos diretores a tempo e, assim, Arthur Crabtree foi chamado para assumir a função e tornar realidade o ótimo roteiro do americano. Leder estreiou na função de diretor em 1960 com o drama “Pretty Boy Floyd”. Dirigiu ainda alguns outros filmes não muito famosos, como “The Frozen Dead” (1966), sci-fi de horror onde um cientista louco planeja reviver líderes nazistas congelados e “It!” (1967), outra sci-fi de horror onde Leder filmou ao estilo da Hammer uma variação da lenda do Golem. Leder também foi professor universitário e dirigiu alguns outros filmes sem importância.

Arthur Crabtree (1900-1975) era um destes diretores de aluguel, ou seja, fazia qualquer tipo de filme desde que fosse pago. Começou dirigindo dramas nos anos de 1940 com “Madonna of the Seven Moons” (1945). Dirigiu episódios de séries de TV como “The Adventures of Sir Lancelot” (1956) e “The Adventures of Robin Hood” (1956). É conhecido pela direção dos cult-movies “Fiend Without a Face” (1958) e “Horrors of the Black Museum” (1959), sobre um museu de instrumentos de tortura com climão dos contos de Marquês de Sade.

“Fiend Without a Face” foi lançado em DVD no Brasil pela distribuidora Magnus Opus (que é um dos nomes usados pela Continental) como parte de um box chamado “Sci-fi Vol. 1 – Invasores” (que vem junto, ainda, os DVDs de “Invasion of the Body Snatchers/Vampiros de Almas” (1956) de Don Siegel e “The Blob/A Bolha” (1958) de Irvin S. Yeaworth Jr.). O preço deste box, lógico, é altíssimo (como todos os lançamentos toscos da Continental).

por Petter Baiestorf.

Veja “Fiend Without a Face” aqui:

Carnival of Souls

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , on julho 23, 2012 by canibuk

“Carnival of Souls” (1962, 78 min.) de Herk Harvey. Com: Candace Hilligoss, Frances Feist e Sidney Berger.

Produzido em 1962, “Carnival of Souls” é um destes pequenos tesouros revelados somente em Home Video na década de 1980. Filme barato (U$ 30.000,00) rodado em preto e branco na pequena Lawrence no Kansas, USA, depois de redescoberto foi considerado um dos mais atmosféricos e originais filme de horror da sua época.

Escrito por John Clifford, produzido e dirigido por Herk Harvey, “Carnival” começa como vários filmes vagabundos dos anos 50/60: dois carros lotados de jovens apostam uma corrida em uma estrada qualquer. Sobre uma ponte o carro que conduzia três garotas perde o controle e mergulha nas águas barrentas de um rio. Algum tempo depois, Mary (Candace Hilligoss) emerge como a única sovrevivente do acidente num estranho estado de choque. Sem consciência do que lhe aconteceu ela segue seu caminho e arranja um emprego de organista em uma igreja da cidade. Logo passa a ser perseguida por um homem de aparência cadavérica (o próprio diretor) e se sente atraída por um pavilhão abandonado nos arredores da cidade. Ninguém além dela vê a estranha figura e, além disso, Mary mergulha as vezes numa outra “dimensão” onde ela não é vista nem ouvida pelos outros. Apavorada decide deixar a cidade e se vê num ônibus lotado de passageiros com cara de mortos-vivos. A resposta para seu drama macabro parece estar no velho pavilhão onde vai presenciar um estranho baile fantasmagórico.

Influência confessa de George Romero para seu “The Night of the Living Dead” (1968), “Carnival of Souls” foi pobremente distribuido na época e muito pouco visto. Henk Harvey nunca mais teve chance de dirigir um longa apesar de demonstrar segurança e imaginação em seu debut. Além de uma presença em cena como líder fantasmagórico com rosto pálido, cabelos esbranquiçados, grandes olheiras e roupa preta. Profissionalmente Harvey dirigia curtas industriais e educativos para uma empresa de sua cidade, onde encontrou o roteirista Cliford, seu parceiro na criação deste pequeno clássico. Também merece um destaque especial o diretor de fotografia Maurice Prather com seu trabalho em preto e branco brilhante e com um maravilhoso jogo claro-escuro evocando uma constante atmosfera surreal.

“Carnival of Souls” é a prova de que não basta se fazer algo realmente bom e original para ser descoberto e admirado. Herk Harvey padeceu anos de obscuridade e má distribuição até seu trabalho receber a fama e o reconhecimento que merece. Relançado nos cinemas e depois em vídeo 20 anos depois, passou a ser cult e merecer destaque em encontros e convenções de horror, inclusive com a presença da ilustre e ainda desconhecida equipe. Em 1998 Wes Craven produziu uma refilmagem chinelona à cores e com um palhaço sinistro na trama. Prefira o original ou o fantasma pálido de Herk vai te perseguir…

por Coffin Souza.

Assista “Carnival of Souls” aqui: