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Corroendo Pelas Beiradas

Posted in Arte e Cultura, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on junho 18, 2013 by canibuk

Mais um protesto na avenida Paulista marcado para essa semana: Cineastas independentes ganham vitrine para seus filmes na mostra Cinema de Bordas que vai acontecer entre os dias de 20 a 23 de junho no Itaú Cultural (Av. Paulista 149), com a exibição de 28 produções que não contam com dinheiro público em seus orçamentos.

Zombio 2_Católicos ZumbisNo Brasil existem inúmeros cineastas independentes que não se utilizam do dinheiro público para produzirem seus filmes. Estes cineastas criaram seus próprios mecanismos de produção e distribuição e tentam evoluir de filme para filme. A produção do cinema independente é um ato político onde cineastas amadores e profissionais se negam a usar dinheiro público para empregar na realização de filmes populares. Os cineastas independentes tem o privilégio de dizer um grande não às possibilidades de trabalhar com as esmolas do governo e criar, dentro de suas próprias condições, obras que o povão entende e aplaude.

Entre os 28 filmes que serão exibidos está meu novo longa-metragem, “Zombio 2: Chimarrão Zombies”, produzido nun sistema de cooperativa que reuniu as produtoras Canibal Filmes, El Reno Fitas, Camarão Filmes e Idéias Caóticas, Bulhorgia Filmes, Sui Generis Filmes, Projeto Zumbilly, Necrófilos Produções, Fábulas Negras, Gosma e mais uns 50 colaboradores, cada um ajudando a fazer o muito com o pouco que podia ajudar.

A mostra Cinema de Bordas vai exibir o primeiro corte de “Zombio 2” (ainda falta mexer no som, efeitos sonoros, trilha sonora e cores do filme) no dia 23 de junho às 18 horas, no encerramento da mostra que prima por exibir o cinema mais autoral (e livre) produzido atualmente no Brasil.

Confira a programação aqui: Cinema de Bordas.

Petter Baiestorf.

Não deixa de acompanhar a mostra Cinema de Bordas

Não deixa de acompanhar a mostra Cinema de Bordas

Zombio 2_Américo Giallo

Zombio 2_Zumbis Podres em Festa 2

Cinema de Bordas 3

Posted in Cinema, Literatura, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 19, 2012 by canibuk

“Cinema de Bordas 3” (2012, 245 páginas, Editora A Lápis), coletânea de textos sobre cinema independente organizada por Gelson Santana.

“Este livro não pergunta nem explica. Apenas se debruça sobre temas e filmes capazes de dar uma amostragem do que consideramos cinema de bordas. Foi com essas palavras que encerramos a introdução de Cinema de Bordas, publicado em 2006, que reuniu artigos de estudiosos, apaixonados por um tipo específico de cinema periférico, produzido em cidades interioranas ou lugares distantes dos grandes centros produtivos, quase invisível e espalhado por todo o país. Pois hoje, seis anos depois e mais a publicação, em 2008, da coletânea Cinema de Bordas 2, esse pensamento de mobilidade, fluidez e leveza é o mesmo que serve de guia a este outro livro, Cinema de Bordas 3“, nos diz o organizador Gelson Santana na introdução do novo livro que versa sobre o cinema independente brasileiro, que há várias décadas anda a margem do cinema nacional mantido com o dinheiro de seu imposto.

Este terceiro volume traz os seguintes artigos: “Cinema de Bordas, Manual do Usuário” de Alfredo Suppia, um estudo do fenômeno audiovisual popular; “A Visibilidade Bruta nos Filmes de Seu Manoelzinho” de Bernadette Lyra, sobre o cinema realizado por Seu manoelzinho em VHS numa pequena cidadezinha do ES; “A Saga Épica da Cristo Filmes” de Carlos Primati, uma introdução aos filmes realizados por David Rangel que já produzia, de modo a usar um curioso sistema de som, desde 1964; “Rambú da Amazônia” de Gelson Santana, versando sobre o “Rambo” brasileiro; “O Cinema de Bordas, A Estética Trash e o Paracinema” de Laura Cánepa, dando uma geral sobre a produção independente; “Horror à Mineira” de Lúcio Reis, uma interessante introdução aos filmes de horror produzidos na cidade mineira de Pedralva de 12 mil habitantes; “Zumbificando o Réquiem” de Luiz Vadico, punhetagem sobre o “Mangue Negro” (assista o filme que é maravilhoso, este artigo pode te deixar sem vontade de assisti-lo); “Um Olhar Impressionista Sobre Afonso Brazza” de Maria Magno; “Para Além dos Gêneros : Humor e Amor em Filmes de Bordas” de Rosana Soares, com algumas informações sobre alguns filmes do Simião Martiniano; “Imagens e Sons da CUICA” de Zuleika Bueno, sobre a Companhia Ubiratanense Independente de Cinema Amador.

Descontando o teor acadêmico dos textos, “Cinema de Bordas 3” é imperdível como fonte de material para pesquisadores e cinéfilos interessados na cena independente brasileira. Os melhores textos (mais informativos, diretos e soltos) são os de autoria de Carlos Primati (não por acaso jornalista) e Lucio Reis (não por acaso fanzineiro) que informam, divertem e acrescentam detalhes relevantes sobre os cineastas abordados por eles. Cinema de bordas, cinema de garagem, cinema caseiro, paracinema, cinema independente, não importa como são chamados estes fantásticos filmes que transgridem a ordem pré-estabelecida pelo simples fato de existirem, o importante é existir mais livros sobre o tema, mais realizadores produzindo, mais mostras/festivais e outros canais de distribuição/visualização deste cinema independente que não depende de nada para continuar existindo. Como diz Santana: “(esperamos) que Cinema de Bordas 3 sirva para despertar outras iniciativas que somem conosco no resgate de toda essa produção periférica, muitas vezes perdida, escondida e quase invisível, mas tão vital e tão necessária aos estudos de cinema em nosso país.”

Em tempo: A capa deste terceiro volume traz a figura emblemática de Jorge Timm, uma justa homenagem ao ator que faleceu no dia 18 de junho passado e que desde 1995 embelezava o cinema independente com sua gargalhada carismática e talento ímpar.

Para conseguir um exemplar de “Cinema de Bordas 3” (minha sugestão é você comprar todos os volumes do livro) entre em contato com Bernadette Lyra via seu facebook.

por Petter Baiestorf.