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The Beast with a Million Eyes

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , on janeiro 15, 2012 by canibuk

The Beast with a Million Eyes (“A Besta com Um Milhão de Olhos”, 78 min.) de David Kramarsky. Roteiro de Tom Filer. Efeitos Especiais de Paul Blaisdell. Com: Paul Birch, Lorna Thayer, Dona Cole, Richard Sargeant, Leonard Tarver e Bruce Whitmore na voz da Besta com um milhão de olhos.

Na introdução do filme a criatura alienígena anuncia (através da potente voz de Bruce Whitmore) que “Eu preciso da Terra. De milhões de anos-luz, eu me aproximo de seu planeta. Logo, minha espaçonave aterrisará na Terra. Eu preciso de seu mundo. Eu me alimento de medo, vivo do ódio humano. Eu, uma mente poderosa, sem carne e sangue, quero seu planeta. Primeiro, o impensável, os pássaros do ar, os animais da floresta, então o mais fraco dos homens estará sob meu controle. Eles serão meus ouvidos, meus olhos, até que seu mundo me pertença. E porque posso ver seus atos mais íntimos, vocês me conhecerão como A Besta com um milhão de olhos”. E logo uma família desestruturada emocionalmente, que vive numa fazenda isolada, está sendo atacada por cachorros, pássaros e vacas. Como é regra nos filmes vagabundos do período, logo o fazendeiro (Paul Birch) descobre que os animais estão sendo controlados por uma força alienígena e que quer se apoderar também de suas mentes e se unem (como uma típica família americana: pai, mãe, filha e namorada da filha) para com amor vencer o alien. O diálogo final do filme é uma pérola; após ver uma águia voando, o fanzendeiro quer matá-lo com seu rifle, ao que é impedido por sua mulher, que diz:

Carol Kelley (Lorna Thayer): “Eu me pergunto de onde teria vindo. E Allan, tem mais uma coisa. O que matou aquela criatura na nave?”

Allan Kelley (Paul Birch): “De onde aquela águia veio? Porque os homens tem alma?”

Carol Kelley: “Se eu pudesse responder isso, eu seria mais do que humano!”

Este filme de baixíssimo orçamento é um drama familiar misturado com sci-fi do período. “The Beast With a Million Eyes” é ruim, tão ruim que eu simplesmente não conseguia desligar a TV, sempre esperando o próximo diálogo ridículo, o próximo furo de roteiro, mais interpretações amadoras do elenco. É um filme na melhor tradição do clássico “Robot Monster” de Phil Tucker ou de filmes do Roger Corman (aliás, reza a lenda que este filme teria sido co-produzido por Roger Corman e Samuel Z. Arkoff e co-dirigido por Lou Place – apesar de no IMDB a co-direção estar creditada ao Roger Corman – mas como “The Beast with a Million Eyes” foi distribuido pela America Releasing Corporation, que depois virou a America International Pictures, acredito que a confusão com a autoria do filme pode ter começado aí).

David Kramarsky, o diretor, dirigiu apenas este “The Beast with a Million Eyes”, mas durante os anos de 1950 produziu outros 4 títulos (“The Oklahoma Woman” (1956) de Roger Corman; “Gunslinger” (1956) de Roger Corman, “Dino” (1957) de Thomas Carr, estrelado por Sal Mineo e “The Cry Baby Killer” (1958) de Jus Addiss, estrelado pelo então jovem Jack Nicholson). Depois destes filmes Kramarsky sumiu da indústria cinematográfica. O roteirista Tom Filer foi outro que percebeu que cinema não era seu forte, após essa maravilhosa tranqueira escreveu somente mais um filme, “The Space Children” (1958) de Jack Arnold e fez o papel de “Otis” no western clássico “Ride in the Whirlwind” (1965), dirigido por Monte Hellman e escrito e estrelado por Jack Nicholson. O responsável pela construção da criatura alienígena foi Paul Blaisdell em sua estréia na função, que aqui colocou uma meia na mão, jogou latéx em cima, moldou a cara do monstro alienígena e filmou. Blaisdell fez poucos trabalhos mas deixou sua marca no departamento dos efeitos especiais tendo trabalhado em filmes que se tornaram clássicos do gênero, como “Day the World Ended” (1955), “It Conquered the World” (1956) e “Not of This Earth” (1957), os três de Roger Corman; “Invasion of the Saucer Man” (1957) e “It! – The Terror from Beyond Space” (1958), ambos de Edward L. Cahn e “Teenagers from Space” (1959) de Tom Graeff. Nada como se envolver com os amigos certos.

Um fato curioso é que este “The Beast with a Million Eyes” poderia ter sido o “The Birds” (1963, de Alfred Hitchcock) dos anos 50, pois muitas das situações vistas filmadas sem talento algum nesta produção, se repetiram depois (extremamente bem executadas) comandadas pelo mestre Hitchcock. Kramarsky não é Hitchcock!!! Outra curiosidade é que este clássico vagabundo foi homenageado pelo pessoal do “Futurama” em 2008, que realizou o divertido longa “Futurama: The Beast with a Billion Backs”, já lançado em DVD aqui no Brasil com o lindo nome de “A Besta de um Bilhão de Traseiros”.

por Petter Baiestorf.

O filme pode ser visto via youtube:

Como a Geração Sexo-Drogas & Rock’n’roll Salvou Hollywood

Posted in Cinema, Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 17, 2011 by canibuk

“Como a Geração Sexo-Drogas e Rock’n’Roll Salvou Hollywood” (“Easy Riders, Raging Bulls”, 1998, 500 páginas), escrito por Peter Biskind. Com base em milhares de entrevistas que o autor realizou com trabalhadores da indústria cinematográfica americana, este livro é um verdadeiro achado para cinéfilos do mundo inteiro (li o livro quando foi lançado no Brasil em 2009 e semana passada reli novamente). Biskind conta histórias divertidíssimas sobre os bastidores de grandes produções dos anos de 1968, mais ou menos, até começo dos anos de 1980, quando o cinema americano se tornou essa máquina comandada por executivos que só se importam com lucros.

Warren Beatty, Dennis Hopper, Bert Schneider, Jack Nicholson, Bob Rafelson, Robert Altman, Francis Ford Coppola, George Lucas, Peter Bogdanovich, Bob Evans, Robert Towne, Roman Polanski, Charles Manson, Hal Ashby, William Friedkin, Martin Scorsese, Brian de Palma, Steven Spielberg, Paul Schrader, Terry Malick, Amy Irving, Robert De Niro e Pauline Kael são algumas das personagens do livro. Como é bom constatar que diretores que eu nunca gostei, como George Lucas e Spielberg (a quem eu culpo por terem infantilizado o cinema), realmente são uns nerds idiotas loucos por dinheiro e poder. Com este livro ficamos sabendo que vários clássicos do cinema americano foram meros acidentes, conhecemos histórias com a megalômania de diretores como Hopper, Coppola ou Friedkin que simplesmente enlouqueceram sem rumo com o poder que tiveram nas mãos e constatamos, com prazer redobrado, o quanto um visionário como Roger Corman (anti) influênciou toda essa geração da “Nova Hollywood”. Todos citam Corman como um gênio centrado e sabendo sempre o que estava fazendo.

Este livro já foi lançado tem 2 anos, queria ter feito a indicação dele aqui antes mas fui esquecendo. Mas é fácil de encontra-lo, vivo esbarrando neste livro em qualquer livraria de aeroporto ou rodoviária. E vale qualquer preço que estiverem pedindo por ele, é imperdível!

Essa história (vídeo abaixo) do Spielberg choramingando porque não foi indicado ao Oscar de melhor diretor pelo “Jaws” (“Tubarão”, 1975) é contada, entre milhares de outras, no livro:

Existe também um documentário chamado “Easy Riders, Raging Bulls” (dirigido por Kenneth Bowser, escrito por Peter Biskind) que conta tudo isso com imagens visuais, deixo no post a abertura deste documentário:

The Little Shop Of Horrors”

Posted in Cinema with tags , , , , , , on fevereiro 4, 2011 by canibuk

Já que postamos artigo sobre Roger Corman, resolvemos postar também o seu clássico “The Little Shop of Horrors” (1960), uma comédia trash de baixo orçamento que mostra um tímido ajudante de floricultura criando uma planta carnívora que se alimenta de carne humana. O roteiro, escrito por Charles B. Griffith, é inspirado numa história de John Collier chamada “Green Thoughts” de 1932. Produzido com o título de “The Passionate People Eater”, foi filmado em dois dias e uma noite re-utilizando os cenários do filme anterior de Roger Corman com o ridículo orçamento de 30 mil dólares e os atores que Corman usava em quase todos seus filmes desta época como Jonathan Haze, Jackie Joseph, Mel Welles, Dick Miller (que depois sempre fez participações especiais nos filmes de Joe Dante) e o então jovem Jack Nicholson, que dão vida aos estranhos personagens alucinados do filme que tem um senso de humor negro genial. O filme virou cult movie após ser distribuido numa sessão dupla com o “Black Sunday” de Mario Bava. Em 1986 foi refilmado por Frank Oz no formato de um divertido e inventivo musical e depois ganhou até versão em quadrinhos. “The Little Shop Of Horrors” foi lançado aqui no Brasil em várias versões de DVD, a mais curiosa delas talvez seja o double feature que a distribuidora Spectra Nova fez dele com “Serial Moon” (filme de John Waters).