Arquivo para kaiju eiga

O Solitário Ataque de Vorgon

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , on outubro 27, 2011 by canibuk

“O Solitário Ataque de Vorgon” (2010, 6 min.) de Caio D’Andrea. Conceito e realização do monstro de Boris Ramalho.

O curta-metragem “O Solitário Ataque de Vorgon” começa com uma manchete de jornal que fala da luta dos monstros gigantes “Vorgon” e “Vorga” que teriam destruído a cidade durante o dia. A noite “Vorgon” volta à cidade sozinho. Ao olhar um coração desenhado num prédio (igual estes que jovens amantes desenham em árvores) onde se lê “Vorgon + Vorga”, ficamos sabendo que a luta da tarde tinha sido uma briga de amor. Neste desespero por ter brigado com sua namorada “Vorga”, nosso monstrengo herói chora lágrimas de ácido (que caem sobre um fusca que derrete entre fumaça e gritos dos cidadãos histéricos), derruba um prédio e come vários humanos como se fossem deliciosos petiscos para acalmar a terrível dor do amor. Mais eu não posso contar sob risco de estragar a diversão. Mas posso adiantar que o final do curta é hilário, senti muito orgulho em ver um filme-homenagem aos Kaiju Eiga terminar assim.

A produção deste curta de Caio D’Andrea é ótima, com takes planejados (acredito que ele deve ter seguido o storyboard fielmente, porque está com um ritmo muito bom), maquetes ótimas, soluções cenográficas bem elaboradas (a cena final dos helicópteros sendo sugeridos, com suas providênciais luzes, fica queimada no cérebro de quem assiste o filme) e o conceito e realização do monstro “Vorgon” é de encher os olhos. Se o monstrengo não funcionasse, não sei se o curta tinha dado tão certo quanto deu. “Vorgon” foi elaborado pelo jovem técnico de cinema Boris Ramalho, que fez poucos trabalhos por enquanto em curtas, mas que é bom ficar de olho nele. Outro aspecto técnico lindo do filme é sua trilha sonora, que conta com uma belíssima música de Márcio Greyck, que reforça o final fantástico do curta (sem a música de Greyck não teria o mesmo impacto). Márcio Greyck é um mineiro que fez bastante sucesso nos anos de 1960/1970 entre os apreciadores da Jovem Guarda e as adoráveis breguices que faziam parte do pacote todo.

O diretor do filme, Caio D’Andrea, eu conheci no FantasPoa 2011, que foi quando ele me deu uma cópia do “O Solitário Ataque de Vorgon” (mas que não consegui assistir logo por vários problemas alheios a minha vontade), também foi co-diretor no ótimo feijoada-western “Duas Vidas Para Antonio Espinosa” (2010) que resenharei nos próximos dias. Não pretendo perder de vista essa talentosa dupla por trás do “Vorgon”, os caras são batalhadores e seu trabalho merece ser conhecido.

E-mail para contato com o diretor Caio D’Andrea: caiofigo@gmail.com

Ido Zero Daisakusen

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , on outubro 4, 2011 by canibuk

Ido Zero Daisakusen (“Latitude Zero”, 1969), Direção: Ishiro Honda. Roteiro: Shinichi Sekizawa, Ted Sherdeman. Efeitos Especiais: Eiji Tsuburaya. Música: Akira Ifukube. Produção: Tomoyuki Tanaka. Elenco: Joseph Cotten, Cesar Romero, Patricia Medina, Akira Takarada, Richard Jaekel,Linda Haynes, Masumi Okada, Hikaru Kuroki, Tetsu Nakamura.

Um oceanógrafo japonês (Akira Takarada), um físico francês (Masumi Okada) e um jornalista americano (Richard Jaeckel) investigam estranhos fenômenos no fundo do mar, a oeste da Nova Guiné, latitude zero da Linha do Equador. Uma erupção vulcânica submarina faz com que o sino subaquático em que se encontram se desligue do navio-base. Eles são resgatados pelo capitão Craig (Joseph Cotten) e seu super submarino Alpha. Conhecem então uma metrópole submarina chamada Utopia, construída secretamente por um grupo de cientistas, onde as pessoas vivem quase eternamente, onde o ouro é destilado da água do mar e diamantes são utilizados como ferramentas corriqueiras. A cidade do fundo do mar é ameaçada pelo louco Malic (Cesar Romero) que auxiliado pela sinistra, exótica (e gostosa) comandante Kroiga (Hiraku Kuroki) e seu submarino Black Shark pretende dominar o local. Malic em sua base na ilha vulcânica de Blood Rock cria cientificamente seres híbridos e mutantes: ratos gigantes (homens em fantasias quase infantis), um homem-morcego (idem) e sua obra prima, um leão gigante com asas de condor e o cérebro humano de sua amante Kroiga (idêntico a um destes bonecos de pelúcia de se presentear namoradas no aniversário!). Malic seqüestra um cientista que havia desenvolvido um soro contra radioatividade e os heróis vestidos com roupas anti-balas e armados com luvas com lança-chamas, gás paralisante e raios laser embutidos (morra de inveja Mr.Bond!), atacam a ilha e enfrentam os monstrengos engraçados. O capitão Nemo… digo… Craig, transforma o Nautilus… ops… Alpha em um submarino voador (à lá “Atragon” outro filme japonês de ficção de l963) e destrói o covil do bandido que é morto pelo seu bichinho voador.

Recheado pelos mais ineptos efeitos especiais do mestre Eiji Tsuburaya (criador do imortal Godzilla/Gojira, assim como o diretor Ishiro Honda, que deviam bêbados de saquê ao trabalharem aqui), o filme “Latitude Zero” foi nitidamente produzido para tentar conquistar as bilheterias ocidentais. Modelado nas novelas de Jules Verne (principalmente “Vinte Mil Léguas Submarinas” e “A Ilha Misteriosa”), começou como uma super produção nipo-americana com elenco internacional. Segundo o ator Joseph Cotten em sua auto-biografia “Vanity Will Get You Somewhere”, o produtor picareta Don Sharp enviou seu elenco para o Japão as vésperas de sua empresa entrar em falência. Assim, os executivos da Toho foram obrigados a assumirem todos os custos da cara empreitada. O que se vê na tela são cenários de papelão, vestuário barato e de muito mau gosto (segundo a atriz Haynes, os uniformes eram baseados na série de TV “Star Trek”,outro sucesso da época), elenco super canastrão e os clássicos defeitos especiais. Este épico Trash, tem além das óbvias influências de Verne, ecos dos seriados de ficção dos anos 40, aventuras de James Bond, da série Batman dos anos 60 e foi baseado em uma novela de rádio escrita pelo co-roteirista Ted Sherdeman. Segundo o jornal Variety na época do lançamento: “Latitude Zero é uma mistura de monstros e ficção científica moralista com ritmo de historias em quadrinhos, portanto inocente e definitivamente divertido.”

Perfeito dentro deste ritmo farsesco da aventura está Cesar Romero, fazendo um vilão cheio de maneirismos e caretas maléficas. Afinal ele estava em casa, sua engraçada canastrice havia dado vida ao definitivo inimigo de Batman na TV, Coringa (Joker) em dezenas de episódios. Portanto de cenografia camp, uniformes coloridos, vilões engraçados e homens morcegos ele já era expert! Típico das maravilhosas misturebas do cinema oriental, o filme apesar de seu clima juvenil de sessão da tarde, tem na cena do transplante de cérebro (da vilã para o leão-de-pelúcia) detalhes explícitos e sangrentos. Apesar de seu charme de aventura Trash, “Latitude Zero” foi um fracasso de público no mundo todo e a Toho retornou as suas típica produções com monstros… de borracha.

escrito por Coffin Souza.

Trailers: