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La Nave de los Monstruos

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , on maio 7, 2011 by canibuk

Conhecido nos USA como “The Ship of Monsters”, “La Nave de los Monstruos” (1960) é uma daquelas produções de baixo orçamento onde tudo está no lugar e que se tornam um colírio para os olhos e cabeça, te conquistam a cada frame projetado. A história do filme é a seguinte: Começa em Vênus quando o último macho do planeta morreu e duas guerreiras, Gamma & Beta, recebem a missão de seqüestrar machos de toda a galáxia e trazê-los congelados para Vênus onde viverão as delícias venusianas. Quando elas estão retornando ao planeta a espaçonave quebra (a espaçonave tem motores dentro da cabine de comando o que torna a nave bem única para os padrões da época) e elas precisam pousar num planeta desconhecido até o momento (que é o nosso Planeta Terra). Aqui elas descobrem o macho terráqueo e descobrem o amor (sentimento esse que era desconhecido à todas as outras criaturas do universo) quando as duas se apaixonam por um cowboy atrapalhado que vive contando vantagens e mentiras inofensivas aos companheiros de copo. Depois de umas reviravoltas hilárias, uma das bonecas venusianas se revela uma vampira espacial e quer, com a ajuda dos monstros sequestrados, escravizar o planeta Terra e beber todo o sangue possível. O filme todo possuí um tom descarado de farsa, não há momentos mortos nele, é comédia e ação o tempo todo e os atores interpretam sempre com um sorriso no rosto, possivelmente resultado de filmagens divertidas onde todos deviam rolar de rir com os absurdos do roteiro.

“La Nave de los Monstruos” foi dirigido pelo veterano Rogelio A. González (1920-1983) que, entre outros, realizou “Dos Fantasmas y Una Muchacha” (1959), “El Esqueleto de la Señora Morales” (1960), “Conquistador de la Luna” (1960), “El Rata” (1966) e “Dr. Satán y la Magia Negra” (1968). Com cerca de 70 filmes em sua carreira, seu último filme foi a comédia de sci-fi “México 2000” (1983). Rogelio González é pai do ator Rojo Grau e passou boa parte de sua carreira dirigindo comédias rancheiras e melodramas mexicanos, foi a escolha acertada para essa paródia que misturou o roteiro de “Devil Girl From Mars” (1954, de David MacDonald) com o western musical mexicano muito popular nos anos 40 e 50 no México.

O anti-herói interpretado pelo ator, roteirista, cantor e compositor Eulalio González Ramírez, mais conhecido pelo apelido “Piporro”, torna o “herói” da trama em um mentiroso compulsivo todo atrapalhado da melhor linhagem das personagens de Jerry Lewis. Suas cenas em que “luta” contra os monstros (todos com maquiagens engraçadas, bregas e inventivas) são completamente estúpidas e as canções interpretadas pelo Piporro são de uma beleza que somente compositores mexicanos conseguem fazer. Piporro canta “Estrella del Deseo”, “Nace el Amor”, “Levanta Polvareda” e “O Embarcación” (escritas por ele) e, numa caverna tenebrosa onde os monstros estão escondidos, canta e dança em parceria com Lorena Velázquez a famosa canção “Eso es el Amor” escrita pelo argentino Pepe Iglesias.

Ana Bertha Lepe (que interpreta a “Gamma”) foi a terceira colocada no concurso Miss Universo de 1953, fato que lhe abriu as portas para o mundo do cinema tendo estrelado maravilhas como “Kid Tabaco” (1955), “El Mundo Salvaje de Barú” (1962), “Los Encapuchados del Infierno” (1962), “El Lobo Blanco” (1962), “Santo contra el Rey del Crimen” (1962), “El Terrible Gigante de las Nieves” (1963), “El Monstruo de los Volcanes” (1963), “Santo en el Hotel de la Muerte” (1963), “Santo contra el Cérebro Diabólico” (1963), “El Asesino Invisible” (1965), entre muitos outros títulos de respeito entre trashmaníacos. Sua carreira não chegou a decolar porque quase foi interrompida por uma tragédia pessoal: Seu pai assassinou seu namorado, o ator Agustín de Anda, e este fato marcou sua carreira e vida pessoal por vários anos.

Lorena Velázquez (que interpreta a gostosa e libidinosa “Beta”) também teve uma carreira cheia de títulos fantásticos. Filha do ator Victor Velázquez, foi a segunda colocada do Miss México 1958 e estrelou clássicos como “Santo contra los Zombies” (1962), “Quiero Morir en Carnaval” (1962), “Santo Vs. las Mujeres Vampiro” (1962), “Las Luchadoras contra el Médico Asesino” (1963), “Las Luchadoras contra la Momia” (1963), “Las Lobas del Ring” (1965), “El Planeta de las Mujeres Invasoras” (1967), entre vários outros.

Tor, o robô que aparece no filme, possivelmente é o mesmo (com pequenas mudanças) do filme “La Momia Azteca contra el Robot Humano” (1958) e reaparece (entre outras criaturas monstruosas) no filme “Caperucita y Pulgarcito contra los Monstruos” (1962). Bons robôs devem ser reciclados sempre!!!

Enfim, fica aqui a dica deste filme imperdível, tão delicioso quanto clássicos trash como “El Baron del Terror”, “Santa Claus Conquered the Martians” e “Horror of the Party Beach”.