Arquivo para manifesto canibal

Catavídeo 13

Posted in Arte e Cultura, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 21, 2011 by canibuk

Pessoal de Florianópolis que sempre reclama que na Ilha não acontece nada, finalmente não poderá reclamar!!! A Décima Terceira Mostra de Vídeos Catarinenses vai acontecer do dia 05 a 12 de novembro ali pelo centro, desta vez com direito a filmes de horror e filmes polêmicos até então inéditos em Florianópolis e região. A abertura do Catavídeo Treze é dia 05, às 17 horas, com exibição do longa-metragem “Encarnação do Demônio” (2008) de José Mojica Marins, seguido de um debate com o realizador, na Fundação Cultural Badesc.

Os destaques desta edição do Catavídeo são as Sessões Malditas (sempre no Instituto Arco Íris). Dia 07, 22 horas, rola a exibição do imperdível longa “A Noite do Chupacabras” (2011) de Rodrigo Aragão, com presença do próprio e a minha também (representando todo o elenco do filme). “A Noite do Chupacabras” foi lançado em julho deste ano no festival FantasPoa de Porto Alegre e, desde então, já participou de vários festivais.

Dia 08 rola um debate comigo (agora representando a Canibal Filmes), Gurcius Gewdner e Saulo Popov Zambiasi às 21 horas, seguido de uma Sessão Maldita da Bulhorgia Produções com 80 minutos de curtas do Gurcius, entre eles “Freddy Breck Ballet” (2010), “Tudo Começou quando Mamãe Conheceu Papai” (2007) e vários outros.

Dia 09, as 22 horas, rola Sessão Maldita Canibal Filmes com minhas produções. Essa sessão é só com filmes casca-grossa, programei o cult “Deus – O Matador de Sementinhas” (1997), que sempre teve problemas de exibição e censuras de todos os tipos por mostrar uma visão de deus mais descontraído; “Manifesto Canibal – O Filme” (2007), que é a versão desconstruida em filme do livro “Manifesto Canibal” que escrevi em parceria com Coffin Souza; “Que Buceta do Caralho, Pobre Só Se Fode!!!” (2007), uma experimentação onde discuto a vida dos casais brasileiros e “O Doce Avanço da Faca” (2010), sobre religiosos fanáticos atacando pessoas que não se enquadram em seus dogmas divinos. A Sessão Maldita Canibal Filmes é prá maiores de 18 anos.

No dia 10 a Sessão Maldita é com a Conjuração Trash do Saulo Popov Zambiasi (já fiz participações especiais em alguns filmes do irmão de Saulo, como “Shuím – O Grande Dragão Rosa”, onde Saulo era a personagem principal), com títulos como “Carpindo os Corpos” (1997), “Corra Santiago” (2007) e outros.

A programação completa está no site do Catavídeo. A Fundação Cultural Badesc fica na Rua Visconde de Ouro Preto número 216, centro e o Instituto Arco Íris, local onde rola todas as Sessões Malditas, fica na Travessa Raticlif número 56, também no centro.

Fiquem com dois filmes que não serão exibidos no Catavídeo 13:

Diário Etílico das Filmagens do longa Blerghhh!!!

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 15, 2011 by canibuk

Coffin Souza enviou um e-mail nesta semana me alertando que nosso filme “Blerghhh!!!” (1996) estava com suas filmagens completando os 15 aninhos. Lembrou disso porque viu notícia dos 15 anos da morte de Renato Russo e lembrou que ele havia falecido enquanto a gente estava filmando o “Blerghhh!!!”, onde quase todos os atores e equipe-técnica ficaram ofendidos conosco porque ficamos fazendo piadinhas de humor negro envolvendo a morte do Russo. Depois deste e-mail dele procurei um diário da produção que eu sabia ter escrito durante as filmagens e que vou publicar aqui algumas partes dele (prá ver na íntegra, só quando sair o livro com a história da Canibal Filmes). Este filme foi feito na época com 2 mil reais que o Coffin Souza tinha na mão, ficamos uns 11 dias filmando sem interferências, com uma equipe que envolvia umas 25 pessoas (não lembro o número total) e o resultado do filme foi prejudicado pela edição ruim que eu (Petter Baiestorf) e Coffin Souza fizemos (coisa que consertei em 2008 com ajuda do Gurcius Gewdner, quando re-editamos o “Blerghhh!!!” com nova trilha sonora e que ficou bem como eu queria – menos o som direto que é aquela merda do padrão Canibal Filmes de sempre). Segue algumas partes do diário etílico das filmagens do “Blerghhh!!!” que aconteceram entre os dias 03 à 15 de outubro de 1996:

Dia 04 (de outubro de 1996), Sexta-feira:

O dia estava ótimo. Coffin Souza (o produtor/maquiador/ator) e eu (diretor de fotografia/roteirista/co-produtor/diretor), acompanhados de Claudio Baiestorf (assistente de produção/armeiro), chegamos ao set de filmagens de nosso novo longa-metragem (reduzido a média-metragem na re-edição de 2008), desta vez sutilmente intitulado “Blerghhh!!!”, onde Marcos Braun (ator e assistente de direção) e Zé (ator e produtor associado) , ambos bem a vontade, já com praticamente tudo organizado e com o restante do pessoal já acomodado. Aproveitamos o dia para preparar detalhes do cenário (coisa pouca que faltava arrumar) e deixar o equipamento já a mão, pronto para começar a rodar as cenas noturnas. Todos estavam alegres e otimistas. Nada parecia que ia dar errado.

As 2o horas iniciamos as filmagens. Logo em seguida Denise V. sentiu-se mal (provavelmente devido a longa viagem até Canibal City e o nervosismo, já que era sua primeira produção e estava no meio de um monte de caras estranhos e debochados). Resolvo filmar o ataque policial com os atores Loures Jahnke (que interpretou em 1995 o Monstro Legume) e Airton Bratz (mais conhecido por ter interpretado, anos depois, o Chibamar Bronx no, também meu, longa “Raiva”, uma produção de 2000, lançada em 2001) à casa de um traficante fodão (minha ponta neste filme). Na cena inicial rolava um tiroteio entre o traficante e os policiais e todos os tiros das armas – que já estavam prontos – falharam. Perdemos muito tempo resolvendo o imprevisto e quando os tiros funcionaram, eu acertei um tiro (com pólvora seca) no estômago de Coffin Souza que fazia a câmera em meu lugar. O tiro furou a camiseta de Souza e queimou sua barriga, passado o susto, equipe-técnica estourou numa sessão de risos intermináveis, com um mal humorado Coffin Souza reclamando do acidente. Lá pelas 03 da madrugada tínhamos as 3 primeiras seqüências finalizadas, com toda a introdução do filme resolvida.

Neste instante sou informado que o ator E.B. Toniolli (que possuia um dos papéis principais) não havia chegado, pois estava  num hospital sofrendo uma lavagem estomacal devido a um porre de uisque que havia tomado naquele dia. Reunimos a produção para uma reunião rápida para decidir o que fazer. Optou-se por colocar Loures Jahnke, com visual diferente do policial que ele acabara de interpretar, no lugar de Toniolli. Só que a esposa (hoje ex-esposa) de Loures, que estava junto acompanhando as filmagens, não gostou muito da idéia de ter ele preso ao filme durante quase duas semanas e armou uma confusão. Ao mesmo tempo sou informado que o ator teatral David Camargo, completamente bêbado no set de filmagens principal (que servia de set e dormitório à boa parte da equipe), gritava enfurecdo algo como: “Onde está aquele atorzinho anti-profissional!!!”, referindo-se ao Toniolli que ele ainda nem conhecia. David Camargo era nossa grande estrela importada do Rio Grande do Sul, já tinha trabalhado nos anos 70 com Teixeirinha e era uma lenda do super-oito e teatro porto alegrense.

A produção resolve encerrar as filmagens de noite inaugural tão conturbada e ir encher a cara com um sucolento churrasco (eu ainda não era vegetariano nesta época) oferecido por Marcos Braun que naquele dia estava completando 23 anos. Acalmamos o David com comida e mais bebida, até fazê-lo desmaiar de bêbado e encerrar seus resmungos contra o amadorismo de nossa produção!

capa do roteiro.

Dia 05 (de outubro de 1996), Sábado:

Cansados, sujos, fedidos e sem uisque, nos deslocamos ao restaurante do Jorjão (que naquela época pertencia ao ator/produtor Jorge Timm) onde estava todo o restante da equipe hospedada (o restaurante era em anexo à um hotel), na esperança de um café, banho e um dia calmo de gravações. Porém, como desgraça pouca é bobagem, repentinamente o céu escureceu, acompanhado de ventos fortes, trovões e raios e uma tempestade violenta começava a se formar no horizonte, vindo em nossa direção. Numa velocidade alucinante, retornamos os 2 quilometros que separavam o set do restaurante na ânsia de salvar o equipamento técnico (várias iluminações, figurinos que estavam numa barraca de lona, objetos de cena ainda empilhados do lado de fora do set, entre outras coisas) da fúria da natureza. Resultado: tomamos banho sim… de chuva e comemos… poeira com vento! Realmente um belo dia se iniciava!

As 10 da manhã, conversando com meu assistente de direção, resolvi o problema do papel que seria interpretado pelo Toniolli. Trocamos Toniolli pelo ótimo e sempre disponível Marcos Braun (que topou assumir o papel desde que ele tivesse o mínimo de diálogos possível, queria interpretar a personagem quase sem dizer diálogo nenhum, o que se revelou uma escolha acertada no decorrer das filmagens). E começamos a rodar várias cenas internas enfocando os terroristas, finalmente estávamos trabalhando a todo vapor. Lá fora uma chuva forte castigava tudo sem dó nem piedade.

Anoitece e, sob uma fina chuva de verão (com câmera e iluminação portátil protegidas por pedaços de lonas), filmamos algumas cenas externas onde os terroristas seqüestram Sid (interpretado pelo Zé) e sua parceira Naja (interpretada pela Denise). Resolvo filmar, também, várias seqüências noturnas com David Camargo, um excelente ator mas que incomodava demais, para dispensá-lo em viagem de retorno à Porto Alegre/RS no dia seguinte. Meu plano foi meio maligno, filmei todos os closes dele, todos os diálogos da personagem dele (o velho nojento que no filme fica teorizando sobre caganeira e hemorróidas, aliás, fui o primeiro diretor a colocar diálogos escatológicos na boca de David Camargo) e deixei prá trás cenas gerais onde aparecia partes do corpo dele, ele de costas, etc (porque Marcos Braun tinha a mesma altura e físico dele e filmei todas esses takes nos dias seguintes com o Braun de dublê de corpo, sem David enchendo o saco no set).

As 3 da madrugada dispensei os atores e a equipe-técnica (para que dormissem e estivessem bem logo cedo) e fiquei com Coffin Souza, Madame X e Onésia Liotto para filmar algumas seqüências do média-metragem experimental sobre drogas, intitulado “Chapado”, que estávamos filmando em paralelo ao “Blerghhh!!!”.

diretores do média "Chapado".

Dia 06 (de outubro de 1996), Domingo:

Depois de ter dormido uma hora, me levanto e acordo o pessoal que participaria da primeira seqüência do dia. Eram 7 horas da manhã, pessoal parecia abatido. Caféééé, cadê a porra do caféééé???… Logo cedo Toniolli, melhor de saúde, já tinha aparecido no set e informei ele que tivemos que fazer algumas mudanças no elenco para não perder tempo nas filmagens. Como as duas seqüências que íamos filmar no dia eram fáceis, com Toniolli e Onésia namorando na beira do rio Uruguai, passei a direção das cenas para Coffin Souza e fui prá minha barraca onde peguei uma garrafa de uisque (muito uisque) e bebi generosos goles e fui ficando muito doido, tendo alucinações etílicas toda manhã, portanto não tenho como dar detalhes mais precisos sobre as cenas filmadas. Só posso afirmar que desde aquele dia, nunca mais fiz isso novamente (sair do ar durante as filmagens) porque não gostei do resultado final das cenas dirigidas pelo Coffin Souza (aliás, hoje em dia não gosto mais nem de gente bebendo nas minhas produções).

Depois de um almoço no restaurante do Jorjão, já ao anoitecer, filmamos a engraçada morte da personagem feita pelo Toniolli (na troca de papéis, Toniolli acabou com uma personagem que aparece só prá morrer), que na idéia toda do roteiro, era prá ser uma morte bem violenta e gratuita. Ficou ótima, com pedaços de orelha e cérebro cinematográfico jorrando contra a câmera. Na filmagem desta seqüência levei um tombo com a câmera na mão, porque um dos técnicos não retirou um fio de cerca que havia no local, entre meio a grama alta, escondido, verdadeira armadilha aos desavisados. O visor da câmera ficou torto, mas conseguimos consertar.

As 20 horas começamos a filmar as cenas de torturas com a personagem da Denise. Na equipe-técnica ficou apenas eu, Marcos Braun fazendo a iluminação, Carli Bortolanza (maquiador assistente nesta produção, que foi sua primeira trabalhando nesta função), Claudio Baiestorf, Jorge Timm e a Andréia na continuidade. Coffin Souza, já caracterizado como a personagem Rumba, é quem tortura a menina. Como a Canibal Filmes é uma empresa produtora de sexploitations, muitos closes nos peitos da atriz neste momento para a alegria dos fãs de nossos filmes. Paralelo às filmagens de “Blerghhh!!!”, faço também algumas cenas de um projeto intitulado “Bondage” (um filme de arte erótico dedicado inteiramente às pessoas que gostam de ver as outras amarradas/amordaçadas, cuja segunda parte filmamos em 1997, sendo lançada em 1998).

Terminada as filmagens, dispenso o pessoal e, junto de Coffin Souza, sentamos prá um uisque sem gelo e refazer o plano de filmagens do dia seguinte. Domingão foi um dia cansativo. Minha chapadeira do começo do dia, não ter dormido quase nada e filmagens noturnas demoradas, estavam quase me derrubando.

bondage no Blerghhh!!!

Dia 07 (de outubro de 1996), Segunda-feira:

Neste dia acordamos um pouco mais tarde e filmamos várias seqüências sem muita importância. Vários closes, takes que ficaram prá trás, gerais do cenário, algumas cenas de segunda unidade, etc…

Ao anoitecer resolvemos fazer um churrasco regado a muita bebida, como cerveja e o já tradicional uisque e prá acompanhar umas caipirinhas. Todo mundo fica meio bêbado e apaga (a canseira física estava pegando todo mundo, eu mesmo ainda não tinha tomado um banho decente desde que as filmagens tinham começado).

eu re-escrevendo o roteiro numa das pausas nas filmagens.

Dia 08 (de outubro de 1996), Terça-feira):

Depois de dormirmos a manhã toda, Zé, Coffin Souza e eu começamos a preparar tudo para a seqüência mais importante do filme, que é quando Sid perde sua cabeça (a cabeça animatrônica que usamos nesta produção foi construida pelo técnico em efeitos especiais Júlio Freitas). Serramos árvores, cavamos buracos (para esconder o corpo de Zé para as cenas da cabeça decepada conversando com seu corpo), colocamos a iluminação, ensaiamos, acertamos diálogos, bebeu-se mais uisque, cachaça e trabalhou-se muito (era triste ver os 3 gordos fazendo aqueles serviços braçais). Marcos Braun, Claudio Baiestorf e Airton Bratz (assistentes) fizeram muita falta, mas naquela terça eles não estavam disponíveis para a produção porque o orçamento não permitia.

O tempo ameaçava chover. Iniciamos as filmagens da cena às 19 horas, que era complicada de ser feita, com a equipe inteira (agora já com os assistentes integrados à equipe) nervosa. Vários takes são repetidos a exaustão, para o pânico dos atores, todos já cansados (quando você está realizando um filme amador, esse negócio de repetir demais uma cena irrita os atores). Mas, em apenas umas 5 horas de trabalho, conseguimos concluir a cena inteira, que depois de editada ficou razoávelmente gore e violenta-engraçada, o que era o intuíto.

Rapidamente iniciamos outra cena complicada com o personagem do Zé, porém fomos impedidos de termina-la por causa da chuva que desabou sobre nós. Recolhemos o equipamento e esperamos um pouco prá ver se a chuva parava. Nada feito. Suspendi o resto das filmagens por aquela noite e Coffin Souza e eu vamos ao monitor assistir as cenas capturadas. Aplausos, tudo, de iluminação à interpretações, havia ficado muito bom. Parte do pessoal foi dormir e outra parte ficou bebendo e jogando conversa fora. Finalizamos essa cena uns dias depois.

Júlio Freitas tirando molde da cabeça de Zé.

Dia 09 (de outubro de 1996), Quarta-feira:

Acordo e percebo que a chuva vai continuar caindo sem parar. Dispenso o pessoal de seus afazeres (não tínhamos atores o suficiente para rodar as cenas internas), folga merecida à todos, e passo o dia dormindo porque ninguém é de ferro.

Perto do anoitecer o tédio por não estarmos fazendo nada começa a bater, então chamo Coffin Souza e bolamos o curta-metragem “Ácido”, que filmamos em umas 2 horinhas dentro de um dos quartos do set principal. Acreditem, aquelas cenas lisérgicas do “Ácido” são imagens distorcidas e com suas cores vazadas, que filmamos de bobeira neste dia.

Desconheço o que o resto da equipe fez neste dia.

Dia 10 (de outubro de 1996), Quinta-feira:

Logo cedo, Onésia e Madame X voltam ao set (elas tinham sido dispensadas no domingo), ambas empolgadíssimas, o que levanta o astral de todos. Na primeira hora da tarde iniciamos as filmagens onde Onésia espancava violentamente a personagem Bruce, vivido pelo Braun. Vários takes são repetidos, pois Onésia estava batendo fraco demais em seu algoz com medo de machuca-lo. Ao editar conseguimos impôr mais violência à cena.

Ao anoitecer a chuva recomeça. A equipe técnica fica de prontidão e assim que a chuva acalmasse iríamos fazer algumas cenas externas com Onésia. Prá ganhar tempo resolvo filmar uma cena onde Madame X transava com Rumba moribundo. Tudo sai muito bem feito, principalmente o take onde vários litros de sangue respingam em close sobre os seios de Madame X, criando uma cena ótima para o teaser do filme.

Para não perder nada da empolgação do pessoal, resolvemos rodar algumas seqüências  com o Jorge Timm, big-ator que já chamou atenção de renomados diretores brasileiros como Ivan Cardoso e Carlos Reichenbach (uma pena nenhum dos dois ter filmado algo com o Timm). Terminada as filmagens com o Timm, encerramos as atividades por aquela noite. Foi tudo lindo e tranqüilo, como todos os dias num set devem ser (em teoria).

Jorge Timm e Ivan Cardoso.

Dia 11 (de outubro de 1996), Sexta-feira:

Neste dia não filmaríamos nada relacionado ao “Blerghhh!!!”, pois estávamos aguardando o pessoal da banda Necrotério (banda de death metal de Curitiba/PR) para gravar um vídeo-clip com eles (seguindo o exemplo do polêmico clip “Speech” que fiz para a banda Zero Vision e que foi censurado pela gravadora Roadrunner e pela MTV).

As 11 da manhã acordo e já dou de cara com o vocalista e o baixista da banda (os outros dois integrantes da banda haviam ido conhecer os “banheiros” naturais da mata verdejante que nos cercava). Batemos um breve papo sobre a produção do vídeo-clip e vamos almoçar um lanche com café e pequenas doses de pinga.

As 14 horas começamos a filmar os primeiros takes do clip. Problemas com a iluminação fazem com que Coffin Souza e Loures Jahnke (aquela altura já agregado à produção do filme, para desespero de sua ex-esposa) tenham que ir até Palmitos (distante 20 quilometros da Canibal City) comprar novas lâmpadas. Ao mesmo tempo, racho minha cabeça num pedaço de pau pontudo, transformando minha face num grande rio de sangue. Pessoas desmaiam ao ver o sangue verdadeiro, histeria, gritos de pavor, almoços voltam em jorros de bílis em câmera lenta. Por um segundo o universo todo para em uma eternidade de miléssimos de segundo. No ar ecoam batidas lentas de corações, um grilo se cala, sapos arregalam seus olhos, pavor, pavor, medo e desespero. Mas grito: “Estou bem!” e tudo volta a normalidade de sua insignificância cósmica. Tão logo retornam com a iluminação arrumada, voltamos às filmagens do clip. Devido a empolgação de alguns membros da banda (não devíamos ter dado uisque aos meninos), atrassa-se alguns takes internos.

Durante as filmagens do clip, chegam ao set o diretor/desenhista Rogério Baldino (“Fatman & Robada”, 1997) e o ator/historiador de cinema Marcelo Severo (que está no elenco de “O Monstro Legume do Espaço”, 1995, e “Eles Comem Sua Carne”, 1996, ambos dirigidos por mim). Os dois muito bem a vontade e integrados com a equipe, já bebericando sua parte alcoólica.

Anoitece, sem pausa pro café, começo a fazer os takes, em cenário interno, do clip. São vários takes cansativos à todos os envolvidos. às 21 horas, enquanto Coffin Souza maquiava Rogério Baldino para uma ponta no clip como um cadáver do IML, eu e todo restante da Canibal Filmes ficamos tentando convencer os meninos da banda de que iria ficar muito bom sangue respingando contra o corpo deles, afinal, uma banda de death metal com toques de splatter precisa ter este clichê no currículo. Conseguimos convence-los. Coffin Souza e Carli Bortolanza, com suas seringas cheias de sangue falso, faziam jorrar o líquido vermelho em doses generosas contra a banda, promovendo uma sangueira muito divertida.

Concluída as filmagens do vídeo-clip, maioria do pessoal se retira pro Hotel para um merecido banho. E eu vou cuidar do meu corte na cabeça, lavo bem, passo algo contra infecção e esqueço da porra do corte!

gravando clip da banda Necrotério.

Dia 12 (de outubro de 1996), Sábado:

Um dia agitado estava por vir, segundo nosso plano de filmagens. Levanto-me cedo e já as 8 da manhã, junto de Coffin Souza, Braun, Bortolanza e Claudio Baiestorf, rodamos várias seqüências de segunda unidade. Ceninhas sem grande importância mas que precisavam ser feitas em algum momento.

Depois do almoço (somente eu, Zé, Claudio, Souza e o Timm) no restaurante do Jorjão para uma reunião da produção, percebemos uma nova tempestade se aproximando. Uma respirada funda e vamos lá!

Voltamos ao set principal e filmamos várias cenas internas entre Madame X, Andréia e Jorge Timm (eram cenas noturnas, mas tapamos as janelas da casa com cobertores negros e o dia virou noite). Fazer filme vagabundo é brincar de deus.

Às 17 horas, depois de colocarmos uma lona sobre a câmera e a iluminação, fomos filmar uma cena externa onde era a vez de Denise espancar o infeliz personagem de Marcos Braun (que passa o filme todo apanhando de todas as personagens femininas da história). Os tapas ficam tão realistas que num deles, em especial mais forte do que os anteriores, Braun realmente caí no chão e fica resmugando mal humorado e não querendo continuar suas cenas com ela (dou razão prá ele, mas no dia a gente tinha que filmar o máximo possível, então converso com ele e finalizamos rapidamente a seqüência).

Logo que escureceu, aproveitando que a chuva finalmente fez uma pausa, filmamos cenas noturnas externas entre meio ao lôdo e umidade angustiantes. Numa cena onde Onésia mata uma personagem, sangue respinga forte e denso contra a câmera principal. Delícia. Em seguida rodamos outra cena ultra-gore onde a personagem do Zé mutila a personagem do Jorge Timm e novo jato de sangue respinga contra a câmera principal. Duas vezes em menos de uma hora? Isso quer dizer alguma coisa. E queria dizer sim: Logo em seguida, ainda fazendo takes para essa cena do Timm sendo mutilado, quase perdemos Marcos Braun que, ao segurar uma iluminação, recebeu uma violenta descarga elétrica, jogando-o ao chão e fazendo a iluminação explodir. Passado o susto, finalizamos rapidamente as filmagens da mutilação do Jorge Timm.

Pausa para tentar consertar a iluminação que explodiu e para beber um cafézinho.

Começamos a rodar as cenas ultra-gores finais (possivelmente, até 1996, as mais violentas e sangrentas já rodadas numa produção nacional). Eram cenas díficeis de serem ordenadas devido ao pouco espaço da sala escolhida para filmar essa cena. Take após take, Zé era metamorfoseado numa maquiagem gore pesada, demorada de ser feita, com Coffin Souza e Bortolanza trabalhando duro para garantir o exagero sanguinolento que eu queria. As meninas em cena e o Zé demonstravam cansaço, mas tiravam forças de sua fé no cinema de baixo orçamento para continuar até eu dizer que estava bom. Eu mesmo não enchergava quase nada no monitor da filmadora devido ao grande cansaço nos olhos, afinal, eu já estavam com meus olhos enfiados naquele monitor a mais de uma semana. Muito café esquentava o ânimo de todos.

Lá pelas 3 da madrugada uma parte da equipe vai dormir, pois já não estavam mais aguentando. Mas apesar do cansaço e eventuais crises de mau-humor, tudo corria maravilhosamente bem. As meninas tomavam seus banhos de sangue com dedicação e as cenas capturadas eram lindas. Nesta altura, Jorge Timm roncava alto, mas muito alto mesmo. Como usamos o som direto, a cada novo take alguém tinha que acordá-lo para fazer com que parasse de roncar. Era hilário na verdade.

Depois de uma pequena pausa para novas doses de café, jogamos vísceras reais de porco sobre o Zé que só reclamava do cheiro insuportável de podridão que impregnou o set. Já que ele tava irritado mesmo, neste momento resolvemos clicar várias fotos dos efeitos, para somente depois filmar os takes restantes da cena. Lá fora os pássaros acordavam animados cantando doces melôdias, já era manhã de domingo, olho num relógio e constato que são 8 horas. Havíamos terminado as filmagens de um novo longa-metragem, ninguém comemora, todos queríamos desmaiar em qualquer lugar.

Jorge Timm dando uma dormidinha.

Dia 13 (de outubro de 1996), Domingo:

Acordo ao meio dia para almoçar (restaurante do Jorjão já tinha providenciado um almoço de primeira) e encher a cara de cachaça com muita dedicação e sem nenhum outro compromisso. E com a boa sensação de dever comprido!

Pessoal da equipe e atores começavam a recolher seus pertences pessoais, motoristas da produção começavam a levar as pessoas embora, uma tristeza começava a se esboçar no ar. Cara sofre filmando, mas quando tudo acaba fica um vazio e a sensação de quero mais, sempre mais!

Jorge Timm travestido de Thor Johnson zuando em Gramado, 1997.

Pós-lançamento do Blerghhh!!!

(final de 1996 até final do primeiro semestre de 1997):

Coffin Souza e eu não conseguimos, na época, o dinheiro necessário para editar o filme em equipamento profissional (em 1996 ainda não existiam programas de edição nos computadores pessoais) e fizemos a burrada de edita-lo no nosso equipamento inferior. Nossa ilha de edição era de vídeo prá vídeo com umas placas de créditos e efeitos de transição acopladas. O resultado foi uma montagem que eu passei mais de 10 anos de minha vida odiando, porque eu sabia que este filme com uma edição bem feita teria sido bem recebido. Lançamos o filme ainda no final de 1996 em VHS e conseguimos a exibição dele em alguns festivais independentes sem grandes alardes. Por incrível que pareça, a edição vagabunda, aliada as cenas de nudez e gore intenso, foram uma espécie de empecilho nas exibições. “Blerghhh!!!” ficou restrito à exibições em shows de bandas gore grind.

Em 2008, pós Gurcius Gewdner editar vários filmes meus (“Palhaço Triste”, “Arrombada”, “Que Buceta do Caralho, Pobre só se Fode!!”, “Manifesto Canibal – O Filme” e “Vadias do Sexo Sangrento”), surgiu a idéia da gente re-editar o “Blerghhh!!!” e o resultado ficou lindo. Re-lançamos a versão média-metragem dele em double feature com o “Vadias do Sexo Sangrento” (2008) e finalmente as pessoas puderam curtir ele com um corte decente. Prá dar uma idéia: “Blerghhh!!!” (original, editado de vídeo prá vídeo) tinha 69 minutos e a versão re-editada ficou com meros 42 minutos e ainda contava com uma cena inédita a mais. Edição é tudo!!!

“Blerghhh!!!” (1996, 69 min./2008, 42 min.), Escrito e dirigido por Petter Baiestorf. Produzido por Coffin Souza e Petter Baiestorf. Produtor Associado: Zé. Assistente de produção: Marcos Braun, Jorge Timm e Claudio Baiestorf. Direção de Fotografia de Petter Baiestorf. Edição em 1996 de Petter Baiestorf e Coffin Souza. Edição em 2008 de Gurcius Gewdner. Maquiagens gores de Coffin Souza e Carli Bortoanza. Efeitos mecânicos de Júlio Freitas. Com: Zé, Madame X, Onésia Liotto, Denise V., Andréia, Marcos Braun, Coffin Souza, David Camargo, Jorge Timm, Loures Jahnke, Airton Bratz, E.B. Toniolli e Petter Baiestorf.

O Doce Avanço da Faca foi Exibido Sem Censura em Vila Velha/ES

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 14, 2011 by canibuk

Dia 27 de julho foi exibido em Vila Velha/ES, numa sessão organizada pelo Cine Clube Central, meus dois últimos filmes: “Ninguém Deve Morrer” (2009) e “O Doce Avanço da Faca” (2010).

Resolvi fazer este post porque um dia antes da exibição fiz um post aqui no blog onde eu falava sobre a escolha deles de não exibir “O Doce Avanço da Faca”, fato que acabou NÃO ocorrendo, o filme foi exibido SEM CORTES para os espectadores adultos. Todos os leitores do blog e pessoal da imprensa só noticiou a censura, mas ninguém, depois, se interessou em noticiar que o filme foi exibido sem cortes pelo Cine Clube Central, então aproveito o espaço aqui no Canibuk para desfazer esse mal entendido todo. O Cine Clube Central, em decisão acertada, resolveu exibir o filme sem cortes como inicialmente programado.

Junto da exibição dos filmes foi distribuído um zine/cartaz do evento com uma entrevista minha, aproveito a postagem desta errata (“O Doce Avanço do Faca” NÃO  foi censurado em Vila Velha/ES) para disponibilizar aqui a entrevista na íntegra (que por falta de espaço físico, foi publicado apenas uma parte dela no zine do Cine Clube Central). A entrevista foi realizada pelo organizador da sessão, Ariel Fonseca Lacruz.

Ariel Fonseca Lacruz: O que é o manifesto canibal e a estética Kanibaru Sinema?

Petter Baiestorf: Kanibaru Sinema não pretende ser uma escola estética, nem um movimento, muito menos um amontoado de regras que as pessoas devem seguir. Kanibaru Sinema (que pode ser usado qualquer outro nome) é uma pequena mostra que é possível fazer seus filmes, seus fanzines, suas músicas como o que você tem em mãos! E depois de feito é possível largar suas produções por aí para que as pessoas assistam elas e o debate está criado! O Kanibaru Sinema é uma declaração de guerra dos que nada tem e tudo fazem contra os que tudo tem e nada fazem! Só isso!

Ariel: O que te motiva a fazer filmes?

Baiestorf: Sou hiper ativo, tenho que estar sempre fazendo alguma coisa! E fazer filmes é sempre uma aventura, nenhuma produção é igual a outra! Quando vejo os noticiários de jornais e TV tenho idéia prá filmes o tempo todo, gosto de fazer filmes sobre padres, políticos, militares e vários outros tipos de caras que usam seus empregos prá tirar proveito próprio! Mesmo fazendo filmes exagerados, eles sempre tem um fundo crítico com relação à algum assunto social, religioso ou ideológico, não creio que dá prá abrir mão disso! Claro que como filmo rápido, geralmente filmo um média-metragem em apenas 5 dias, nem sempre consigo aprofundar essas críticas nos roteiros, mas sempre tento fazer isso! Outra coisa que me motiva a continuar fazendo filmes é a possibilidade infinita de narrativas que o cinema permite explorar, por isso tenho tantos filmes surreais, absurdos, que discutem as possibilidade do cinema como instrumento de transformação, como, por exemplo, o longa-metragem “A Curtição do Avacalho”, que fiz em 2006, ou uma série de filmes metalingüísticos que fiz, com destaque aos títulos “Não há Encenação Hoje” (2002), “Palhaço Triste” (2005), “Que Buceta do Caralho, Pobre só se Fode!!!” (2007), “Vadias do Sexo Sangrento” (2008) e “Ninguém deve Morrer” (2009) que são pertencente à uma série que estou fazendo e que discute as possibilidades narrativas e estéticas do cinema.

Ariel: Quem é a “classe média”?

Baiestorf: Todos os escolarizados, que sabem interpretar um texto, sabem que é possível melhorar nosso país, mas ficam sentados na frente da TV vegetando e sonhando em ir gastar seu dinheirinho de bosta nos USA ou na Europa!

Ariel: Filmes indigestos têm mercado? Como rola a distribuição e os circuitos de exibição?

Baiestorf: Tem muito espaço, pessoal curte prá caralho! Quem produz este tipo de filme sabe que há muita gente cansada dessas mega-produções dos grandes estúdios onde tudo é tão perfeitinho que soa falso demais! A vida não é perfeita, o humano não é perfeito! Muita gente se identifica com meus filmes imperfeitos!

Ariel: Desde o primeiro filme já se passaram dezoito anos e de lá pra cá você se tornou um ícone do cinema grind. Porém o ídolo é algo incompatível com o pensamento anárquico. Como é a sua relação com os fãs?

Baiestorf: Em 2012 a Canibal Filmes vai completar 20 anos. Abri a Canibal Filmes em 1992, passei boa parte daquele ano filmando um longa chamado “Lixo Cerebral de Outro Espaço” que não consegui finalizar por uma série de fatores. Já estou começando a preparar a Pré-produção de um novo longa-metragem em homenagem aos nossos 20 anos, vai ser sangrento, delirante, crítico, debochado e tudo que o pessoal que acompanha a Canibal Filmes nestes 20 anos curte, vai ser um presente ao pessoal que gosta de nossos filmes, com pênis pulsantes balançando na frente da câmera, vaginas apetitosas, com personagens escrotas, com violência exagerada e etc… Esse negócio de ídolo é coisa que as pessoas criam, eu sou apenas um cara que fica fazendo o que tem vontade! Quando estou em mostras converso com todo mundo de igual prá igual, aliás, tenho pavor de puxa saco, gosto de conversar de igual prá igual. Faço filmes toscos, não há menor possibilidade de eu me achar superior aos outros fazendo filmes vagabundos, nem faz parte do meu perfil isso!

Ariel: No seu processo de criação, a trilha sonora é fundamental. Fale sobre a relação da música com seus filmes.

Baiestorf: Antes de escrever um filme eu gosto de saber que sons vou usar na trilha sonora. As vezes não é possível ter a trilha sonora antes de escrever o roteiro, então procuro algumas bandas/sons na linha do que tenho em mente e filmo usando algo similar e aí, antes de editar o filme, tento achar os sons que se encaixem no clima que quero passar com cada cena. Prá mim a trilha sonora é 50% do filme, sem música eu não saberia fazer nenhum filme, não sei fazer filme sem som! Já fiz 2 musicais, “Caquinha Superstar a Go-Go” (1996, que é ruim demais) e “Ninguém deve Morrer” (2009) e pretendo fazer vários outros musicais na medida do possível, eu simplesmente adoro fazer musicais. Mas tem uma coisa, não curto fazer vídeo-clips, os que fiz foram prá bandas de amigos, vivo recusando ofertas prá dirigir clips porque simplesmente não gosto do formato, meu negócio é com filmes musicais escritos por mim, musical misturado ao gore permite a mente ir ao extremo dos delírios na narrativa e visual de um filme, gosto disso!!!

Ariel: O que rola nos bastidores?

Baiestorf: Gurizada vê aquele monte de atrizes peladas nos meus filmes, aquelas cenas de putaria e acha que as filmagens são umas festas, mas é justamente ao contrário. Como filmo rápido e tentando baratear a produção de todas as maneiras possíveis, sou extremamente centrado no que estou fazendo e exijo comprometimento completo com o filme de quem está trabalhando nele. Não gosto de gente conversando bobagens no set de filmagens, não gosto de gente bebendo ou chapando durante o trabalho. As filmagens são maçantes e cansativas, não é lugar prá bobo alegre punheteiro, por exemplo!

Ariel: O que acha de filmes de terror?

Baiestorf: Olha só, não gosto de filmes de horror! Vejo os filmes, vejo praticamente tudo que sai, mas dificilmente eu gosto de algo. Gosto mais de cinema autoral, estilo George Kuchar, Jack Smith, Dusan Makavejev, Alexando Jodorowsky, Koji Wakamatsu, Christoph Schlingensief, John Waters, Russ Meyer, entre outros desta linhagem! Cinema de horror é sempre conservador, quadradinho e são poucos os filmes com algo à dizer!

Ariel: Quais os cineastas mais te perturbaram, e por que?

Baiestorf: Desculpe-me, mas nenhum cineasta me perturba. Cinema é apenas um negócio, é como construir muros de pedra ou pontes de madeira! Tu faz e as outras pessoas usam!

Ariel: Comente o doce avanço da faca:

Baiestorf: “O Doce Avanço da Faca” é meu último filme, fiz ele em 2010 e por um pequeno probleminha de distribuição continua inédito, coisa que pretendo resolver em breve. É um média-metragem sobre fanáticos religiosos perseguindo pessoas que não compartilham dos mesmos ideais que eles. Escrevi este roteiro em uns dois dias, chamei meus colaboradores habituais e filmei em apenas cinco dias com orçamento extremamente baixo, custo final dele ficou pouco mais de mil reais! Tem encontrado seu público em exibições em cine clubes, mostras e festivais, pessoal têm discutido ele, mas é claro, tendo em mente que “O Doce Avanço da Faca” é um filme debochado, exagerado e que em momento nenhum se leva tão à sério assim.

VideoPoeta Life

Posted in Quadrinhos with tags , , , , on abril 11, 2011 by canibuk

Dando seqüência aos quadrinhos feitos por artistas que não desenham (em breve coisas do Gurcius Gewdner aqui no Canibuk, o maior artista iconoclasta brasileiro da atualidade), segue aqui uma HQ rabiscada pelo Coffin Souza que foi originalmente publicada na primeira versão do “Manifesto Canibal” (2002) e que ficou de fora da edição livro lançada pela editora Achiamé em 2004. É sobre a vida do artista independente brasileiro, qualquer semelhança com a realidade é mera provocação!