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O Colorido Mondo da Canibal Filmes

Posted in Cinema, Posters, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 23, 2019 by canibuk

Por 20 dias fiquei fazendo novos posters para os filmes que realizei nestes últimos 30 anos. Aliás, muitos de meus curtas nem tinham posters. Acabei fazendo uns 150 novos posters (o que deu uma média de uns 7 novos por dia). Foi uma experiência fantástica. Os mais de 200 posters da Canibal Filmes estão disponíveis para download num link ao final dessa postagem (baixe, imprima e pendure na sua parede).

Então essa postagem é pra reunir todos estes novos posters (e os antigos) em apenas um lugar. Postei primeiro o poster antigo (quando havia), seguido do poster novo.

Pra dar uma incrementadinha, colo também link dos filmes que estão disponíveis na internet para download ou, pelo menos, dar uma assistida. O que não tem link é porque não disponibilizamos, ou porque ainda não está digitalizado ou porque, simplesmente, perdemos o filme com masters danificados pelo tempo.

Em tempo, se você é o marinheiro de primeira viagem nas minhas produções, preciso dizer que minha produções são SOVs – Shot On Video – (fui um dos pioneiros aqui do Brasil). Não sabe o que é SOV? Este link aqui irá ajuda-lo a saber mais sobre este subestilo de fazer cinema: Shot-on-Video e o Cinema Independente Brasileiro.

Você vai ser divertir com o histérico/alucinado mundo da Canibal Filmes, onde primamos mais pela quantidade do que a qualidade, como irão perceber no decorrer da experiência que é assistir essas obras perdidas no tempo-espaço neste milésimo de segundo do universo.

E se você gostar dessa postagem resgate/cinemateca, cole o link para seus amigos e conhecidos, a gente só sobrevive da ajuda no boca a boca.

Lixo Cerebral Vindo de Outro Espaço (1992, inacabado), de Petter Baiestorf.

Este foi minha primeira tentativa de fazer um filme. Era descaradamente inspirado no Plan 9 from Outer Space (1959), de Edward D. Wood Jr., um dos culpados por fazer eu querer elaborar roteiros cada vez mais sem sentido (o outro é o Jesus Franco). Até segunda ordem, os 20 minutos de copião deste filme, que nunca chegou a ser montado, está perdido.

Criaturas Hediondas (1993, 80 min.), de Petter Baiestorf.

Após a tentativa fracassada conheci um técnico de cinema chamado Walter Schilke (que trabalhou em filmes como A Dama do Lotação, Gaijin, vários filmes dos Trapalhões, etc) e, com apoio moral do cara, reunimos praticamente o mesmo pessoal do filme anterior e realizamos nosso primeiro longa. Este filme está salvo, mas não temos para download por enquanto. Mas você pode assistir o trailer aqui: https://www.youtube.com/watch?v=A8LMuo8MoR4

Criaturas Hediondas 2 (1994, 77 min.), de Petter Baiestorf.

Como todo mundo tinha se divertido adoidado fazendo o primeiro filme, nos pareceu extremamente óbvio pegar mais cervejas e ir fazer uma continuação do filme, explorando melhor as personagens de Dr. Rottenberg (E.B. Toniolli) e Igor (eu mesmo). Foi exibido na primeira HorrorCon, em 1995, de São Paulo. Você pode baixar aqui: http://www.mediafire.com/file/8354626gnuoxns9/Criaturas_Hediondas_2.avi/file

Açougueiros (1994-1995, 44 min.), de Petter Baiestorf.

Filmamos tudo em 36 horas, já editando na própria câmera (depois só acrescentamos a trilha sonora). Foi uma experiência experimental técnica em formato “filme de horror”. Você pode baixar aqui: http://www.mediafire.com/file/2fl7112g4mb4iuv/A%25C3%25A7ougueiros.avi/file

O Monstro Legume do Espaço (1995, 77 min.), de Petter Baiestorf.

Já nos sentido preparados para tentar fazer uma produção mais séria, escrevi o roteiro dessa sci-fi com um alien anarquista (que não saiu bem anarquista pelas inexperiências da vida) e filmamos tudo em 8 dias no Balneário de Ilha Redonda, com apoio de um Hotel (que serviu de locações e alojamento), um restaurante e toda a comunidade do local, que realmente se envolveu de cabeça no filme. Depois de pronto exibimos na HorrorCon 2 (1996), na TV Leopoldina e correu o país no formato VHS (na época vendeu mais de 1500 cópias, um número interessante para um grupo de produtores independentes). Luis Thunderbird queria exibir no seu Contos de Thunder, na MTV, mas não consigo me recordar se foi exibido. O filme continua sendo assistido, recentemente integrou a Mostra Sci-Fi da Caixa Cultural, que resgatou alguns clássicos da sci-fi brasileira e nosso SOV foi incluído por sua importância histórica. O filme pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=umaWVoNMQvI&t=908s

Detritos (1995, 9 min.), de Petter Baiestorf.

Só neste instante que percebi que devíamos fazer curta-metragens. Então invadimos um centro de idosos numa madrugada, erguemos uma cruz e crucificamos o E. B. Toniolli numa hipotética segunda vinda de Cristo. Assista aqui: https://vimeo.com/220338415

2000 Anos Para Isso? (1996, 12 min.), de Petter Baiestorf.

Já tínhamos filmado o longa Eles Comem Sua Carne, quando uns espanhóis que tinha gostado do Monstro Legume nos pediram um curta gore. Nem pensei duas vezes, montei este curta com cenas do ainda inédito longa e mandei pro festival deles. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/01igwhkl8ry4omk/2000_Anos_Para_Isso.avi/file

Eles Comem Sua Carne (1996, 73 min.), de Petter Baiestorf.

Durante 8 dias ficamos gravando um longa gore (que por mais de uma década permaneceu sendo o filme brasileiro com a maior quantidade de sangue e tripas) numa casa isolada na zona rural de Palmitos, Santa Catarina. Seu lançamento foi em São Paulo, com presença das personagens do filme caracterizadas atacando a plateia. O filme pode ser visto aqui: http://www.mediafire.com/file/qm3p5xczg6rak1e/ELES_COMEM_SUA_CARNE_1996__Canibal_FilmesTitle1.mp4/file?fbclid=IwAR1DZEN8lRSlNo_MVDb0JedvWKAqzMVIt9d4V3NefTULtjE06cDZtxVL6-w

E o trailer aqui: https://www.youtube.com/watch?v=LgjX4v-7-Jo&t=52s

Arachnoterror (1996, 11 min.), de Coffin Souza.

Num pequeno intervalo das filmagens do Eles Comem Sua Carne, Souza, Carli Bortolanza, Marcos Braun, Claudio Baiestorf (meu pai) e eu, fomos filmar essa aventura de sci-fi. Foi tudo filmado numa única noite. Este pode ser um dos que foram destruídos pela implacável ação do tempo, mas ainda estou tentando localizar uma cópia dele.

Speak English or Die – O Punheteiro Cósmico (1996, 13 min.), de Petter Baiestorf.

Carli Bortolanza, Marcos Braun e eu estávamos entediados numa noite e filmamos essa sci-fi completamente idiota. Como não gosto de renegar as burradas que faço na vida, segue link para baixar: http://www.mediafire.com/file/jbfn549xb65wf94/Speak_English_or_Die_-_O_Punheteiro_C%25C3%25B3smico.avi/file

Caquinha Superstar A Go-Go (1996, 70 min.), de Petter Baiestorf.

O Monstro Legume do Espaço estava fazendo um sucesso danado e parte deste sucesso se dava por conta da personagem escatológica Caquinha, que se delicia com fezes humanas, sangue menstrual, morcegos mortos e outros quitutes repugnantes, então me pareceu óbvio fazer um filme solo com a personagem, tentando filmar tudo em apenas 2 dias (e filmamos tudo em 2 dias, só que a qualidade ficou uma merda, lógico!). O Caquinha original era interpretado pelo Leomar Wazlawick que recém havia se desligado do grupo, então o E. B. Toniolli topou interpretá-lo e fomos filmar cenas sangrentas num clima de zero graus, para desespero dos atores. Baixe o filme aqui: http://www.mediafire.com/file/c5y7k9mtx9zb9b9/Caquinha_Superstar_a_Go_Go.avi/file

O trailer do Caquinha tem a curiosidade de trazer personagens do filme Eles Comem Sua Carne, pois o gravamos durante as filmagens do longa. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=JtvjAJ40538

E aqui: https://www.youtube.com/watch?v=vP8QZUtP9p0

A trilha sonora deste filme foi composta pela banda Trap e pode ser baixada aqui: http://www.mediafire.com/file/b1jgr3rng569fzl/Caquinha_Superstar_a_Go_Go_Soundtrack_composto_pela_banda_Trap.rar/file

Satanikus (1996, 35 min.), de Coffin Souza.

Em Porto Alegre o Coffin Souza resolveu refilmar seu curta em super 8 Satanikus. Depois de pronto acabamos filmando ainda uma cena de introdução contendo nudez pra chamar atenção pro filme. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/sj8f5856nbp9mqd/Satanikus_%25281997%2529.avi/file

Você pode ver o Satanikus original, de 1982, gravado em Super 8, baixando aqui: http://www.mediafire.com/file/qw93m3391cxwc5w/Satanikus_%25281982%2529.avi/file

Blerghhh!!! (1996, 75 min.), de Petter Baiestorf.

Blerghhh!!! Foi uma tentative de fazer um exploitation de ação. E uma tentativa de deixar os filmes cada vez mais profissionais, mas era a década de 1990, não existia equipamento bom ao nosso alcance e os técnicos eram todos de longe. Os efeitos mecânicos deste filme são do Júlio Freitas. Tem uma cabeça decepada do Ricardo Spencer, que era sobra do filme Baile Perfumado. O resto das maquiagens gore são de Coffin Souza e Carli Bortolanza. Como na época não consegui editar este filme como eu desejava, remontei tudo em 2008 com colaboração do Gurcius Gewdner e é a versão que existe. Veja aqui: https://vimeo.com/242062739

Se gostar do filme, de coração (sei de um casal que se casou após assisti-lo juntos na época), baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/gcn7zq4i053s987/Blerghhh.avi/file

Bondage (1996, 69 min.), de Petter Baiestorf.

É cine-montagem com restos de filmes nossos e loops em super 8. O filme ainda existe, só não foi digitalizado ainda. O poster novo fiz usando uma ilustração da artista Leyla Buk.

Ácido (1996-1997, 2 min.), de Petter Baiestorf.

Durante as filmagens de Blerghhh!!! teve um dia que a Denise V., Souza e eu, ficamos de bobeira e gravamos a base do que veio a ser este curta. É vídeo arte abstrata. Veja aqui: http://www.mediafire.com/file/rrok2yldl8ca4rc/Acido_BoiBom_Deus.rar/file

The Butterfly Over Sky-Brain (1992-1997, 15 min.), de Petter Baiestorf.

Em 1992 eu tinha feito uma experiência com o Leandro Dal Cero e Loures Jahnke de técnicos mais o E. B. Toniolli de ator, mas por algum motivo que não lembro, levei 5 anos para montar o curta (talvez eu não tinha gostado do material na época, mas realmente não lembro se este foi o motivo). É um drama “sério”. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/8cu5dq0vyau3sqp/The_Butterfly_Over_Sky-Brain.avi/file

Chapado (1997, 31 min.), de Petter Baiestorf, Coffin Souza e Marcos Braun.

A proposta quando elaboramos este média era uma só: Gravar somente quando estivéssemos bêbados ou chapados (meio que inspirados na escrita automática dos surrealistas) e foi o que fizemos. Como passamos uns 4 meses gravando essa joça sem roteiro, cooptando amigos bêbados que apareciam, reunimos muito material (as fitas originais se perderam, infelizmente) e, depois, ao editar, me inspirei no Chappaqua (1966), de Conrad Rooks, pra tentar fazer ter algum sentido. É nosso primeiro filme pra ser sentido, não entendido. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/ht6y53k561xnjtj/Chapado.avi/file

My Little Psycho (1997, 7 min.), de Petter Baiestorf.

Nessa época a gente tinha um estúdio num porão podreira e, numa das noites que eu estava por lá sozinho sem nada pra fazer, resolvi filmar uma ideia estúpida fazendo tudo sozinho. Infelizmente este curta se perdeu. Mas era extremamente ruim.

Vomitando Lesmas Lisérgicas (1997, 8 min.), de Petter Baiestorf.

Inutilidade que gravei com ajuda do Marcos Braun e do Claudio Baiestorf, pra aprender a desbotar/saturar as cores no VHS. O resultado dessas experiências foram aplicadas no média Bondage 2, mas este curta só existiu por experiência técnica mesmo. Ele pode ser baixado aqui: https://www.youtube.com/watch?v=BebRXLlCpV0

Bem, preciso pedir desculpas, mas este foi o momento que descobri que um blog tem limite de espaço disponível e o Canibuk acabou se ficar 100% cheio, não está mais me deixando anexar nada de imagens. Então essa é a última postagem que faço nele e deixo incompleta (como forma de protesto por ter limite de espaço). O blog irá permanecer no ar até que o wordpress resolva deleta-lo. Vai ficar como um museu virtual. Me conhecendo, daqui um tempo criarei outro blog, com outro nome, começando do zero com novo tipo de abordagem

Se você estava curtindo os posters, baixe aqui todos os que eu ia postar: http://www.mediafire.com/file/3q74i9nbb8zqzph/POSTER_CANIBAL_FILMES.rar/file

E continue a leitura. Peço desculpas por alguns comentários bem rápidos e superficiais, mas eu estava fazendo essa postagem na correria (se eu descobrir meios de liberar mais espaço, sem pagar por isso, irei finalizar essa postagem, no momento estou brocha…).

Bondage 2 (1997, 55 min.), de Petter Baiestorf.

As filmagens deste roteiro foram bem tensas, com o grupo brigando meio que o tempo inteiro. Também creditei, na época, uma de nossas atrizes como diretora e hoje ela renega tudo que fez conosco (por isso estou assumindo a paternidade deste filme tanto tempo depois, já que eu tinha dirigido ele mesmo na época). Mas agora, passados mais de 20 anos da produção, gosto bastante do resultado que alcançamos naqueles 5 dias de caos que foram as gravações. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/59k2vh9n159v59k/B%2And%2Ag%2A_2.avi/file

PVC (1997, 7 min.), de Petter Baiestorf e Cesar Souza.

Outro daqueles curtas abstratos que adoramos fazer, mesmo que saibamos q1ue ninguém quer ver. Por enquanto não foi localizado em nossos vastos arquivos desorganizados.

Gordo Enrolando (1997, 8 min.), de Jack Salls.

O diretor deste curta é outro que renega o passado conosco. Este curta foi filmado com ajuda do Carli Bortolanza e quando fomos gravar uma cena de explosão, chamuscou seriamente o ator principal. Não existe cópia.

Super Chacrinha e seu amigo Ultra-Shit em Crise Vs. Deus e o Diabo na Terra de Glauber Rocha (1997, 118 min.), de Petter Baiestorf.

Aconteceu tanta coisa durante as filmagens deste longa que não sei o que destacar. Passamos uns 6 meses filmando sem roteiro (o copião é gigantesco), inclusive gravamos uma invasão de Tor Johnson (Jorge Timm) no Festival de Gramado de 1997 e, no melhor sistema de guerrilha, acabamos com Ivan Cardoso, Lucia Rocha, Hugo Carvana, José Lewgoy e Marco Palmeira no filme. Me conta o Coffin Souza que o então desconhecido Rodrigo Santoro se ofereceu na época para ser maquiador em nossos filmes, mas eu não me recordo disso, podendo ser delírio etílico do Coffin. Este longa traz inúmeras cenas na cidade destruída de Ita, onde passamos alguns dias gravando nos escombros. É uma pena que não tivemos tempo hábil (leia-se, dinheiro) de voltar à cidade destruída para gravar uma sci-fi pós-apocalíptica. Baixe o filme aqui: http://www.mediafire.com/file/04qy03kj55w8xci/Super_Chacrinha_e_seu_Amigo_Ultra-Sh%2At_em_Crise_Vs._Deus_e_o_Diabo_na_Terra_de_Glauver_Rocha.avi/file

Como na época eu estava me divertindo horrores gravando cenas na forma de guerrilha, montei o trailer com imagens roubadas de um baile de debutantes que encontrei no antigo estúdio onde montávamos os filmes. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=FAxyrkOL9x0

Deus – O Matador de Sementinhas (1997, 4 min.), de Petter Baiestorf e Carli Bortolanza.

Nossa homenagem à estúpida ideia de deus. Baixe o curta aqui: http://www.mediafire.com/file/rrok2yldl8ca4rc/Acido_BoiBom_Deus.rar/file

O Homem-Cu Comedor de Bolinhas Coloridas (1997, 16 min.), de Petter Baiestorf.

Carli Bortolanza e eu gravamos numa madrugada de tédio, inventando o roteiro na hora. São 16 minutos de um cara vomitando e rolando sobre um miasma de gosmas estomacais. Este curta ainda existe, só não consegui localizá-lo.

Quando os Deuses Choram Sobre a Ilha (1997, 30 min.), de Petter Baiestorf.

Jorge Timm queria fazer um documentário sério sobre uma cheia do Rio Uruguai, mas Carli Bortolanza e eu, chapados de cogumelos, estragamos tudo delirando sem parar. Ficamos uns 4 dias na região completamente fora do ar, contratando ribeirinhos pra dar os depoimentos e filmando de modo irresponsável. O documentário ficou ruim por nossa culpa. Veja qqui: http://www.mediafire.com/file/b9ud97uj3ajdq57/Quando_os_deuses_choram_sobre_a_ilha_320x240.avi/file

Analconda Y Los Vampiros de Tiburón (1998, 20 min.), de Coffin Souza.

Filmado em Tubarão, SC. Não sei de muitas histórias de bastidores deste curta, só participei editando-o e depois fazendo a distribuição. Veja aqui: http://www.mediafire.com/file/qj4tgglpxyyvqca/Analconda_Y_Los_Vampiros_de_Tibur%25C3%25B3n.avi/file

Crise Existêncial (1998, 8 min.), de Petter Baiestorf.

Era pra ser, inicialmente, um drama sobre a falta de perspectivas dos jovens, mas acabou saindo isso aí. A dupla de jovens é interpretada pelo Carli Bortolanza e o Ronald Kojorowski, que na época a gente chamava de Beavis and Butt-Head. Veja o curta aqui: https://www.youtube.com/watch?v=y8KQAHFNYz0

Bagaceiradas Mexicanas em Palmitos City (1998, 96 min.), de Uzi Uschi.

Sim, este filme existe. É cine montagem com loops em super 8. Apesar de ter sido um dos montadores dele, não lembro de praticamente nada deste filme. Estou tentando localizar ele, até porque quero ver o que foi feito. Ele ainda existe, então é questão de tempo até ser resgatado e disponibilizado no colorido mundo da internet. PS- Espero não ser processado pelo John Landis por ter roubado o gorila do filme dele pro cartaz deste filme.

Gore Gore Gays (1998, 108 min.), de Petter Baiestorf.

Enquanto trabalhamos no curta Nocturnus, de Dennison Ramalho, começamos a gravar este longa, que ainda se chamava A Ninfeta Gore. Deu tanto problema gravando ele que não tenho como selecionar nenhuma história em especial (todas são divertidas e conto com detalhes sórdidos e picantes no livro ainda não lançado Canibal Filmes – Os Bastidores da Gorechanchada). Segue ele pra doenload: https://www.mediafire.com/file/yx2renw0yp8982u/GxGxG_1998__Canibal_Filmes.mp4/file

A Despedida de Susana: Olhos & Bocas (1998, 6 min.), de Petter Baiestorf.

Curta experimental que fiz quando soube que uma de minhas melhores amigas iria se mudar pra São Paulo, fala das incertezas da vida. É um curta que gosto muito, tem um significado muito forte pra mim e, também, porque o Carlos Reichenbach elogiava bastante a sequencia final. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=AlIqpUjq0qU&t=6s

Homenagem (1998, 7 min.), de Carli Bortolanza.

Não me lembro direito deste curta, mas foi uma diversão filmá-lo (fiz a fotografia e edição). Bortolanza bebia da fonte Andy Warhol e fez uma homenagem à cerveja, nosso líquido preferido, baseado numa poesia-ode que tinha escrito pra bebida maravilhosa. Não temos o curta digitalizado, mas estou na busca.

Boi Bom (1998, 12 min.), de Petter Baiestorf.

Gravamos num abatedouro clandestino. Este boi usado no curta foi, depois da porquice toda, enviado pra um restaurante, onde os carnívoros se banquetearam. Me tornei vegetariano após essas filmagens. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/rrok2yldl8ca4rc/Acido_BoiBom_Deus.rar/file

Chumbo (1998, 6 min.), de Petter Baiestorf.

Em 1998 o diretor sorocabano Cleiner Micceno veio até nosso estúdio montar uma série de curtas, então o aproveitamos e gravamos este pequeno filme ruim de dar dó. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=HMw8tyuVZTc

O Vinicultor faz o Vinho e o Vinho faz o Poeta (1998, 12 min.), de Petter Baiestorf.

Faz parte dos curtas perdidos. Acredito que quando achar este filme aqui, acharei junto uma leva de outros curtas considerados perdidos.

Fodendo meu Vitelo (1998, 5 min.), de Carli Bortolanza.

Faz parte dos curtas perdidos. Acredito que quando achar este filme aqui, acharei junto uma leva de outros curtas considerados perdidos.

Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos (1998, 80 min.), de Petter Baiestorf.

Nosso filme mais bizarro. As filmagens dele foram uma festança de vários meses fora do ar. Na época a gente tinha sido contratado por um produtor paulista pra rodar um pornô normal, na linha que a brasileirinha fazia logo depois, só que a gente misturou religião, anarquismo, críticas ao militarismo, política e surrealismo e deu num troço que era impossível conseguir distribuição naquela época. Graças ao tufo financeiro que levamos com este filme aqui que existe o Zombio. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/f6mcs9ssjc0cvzs/Sacanagens_Bestiais_dos_Arcanjos_F%25C3%25A1licos.avi/file

Zombio (1999, 45 min.), de Petter Baiestorf.

Caralho, até que enfim um filme bacana nessa interminável lista de ruindades. Zombio foi filmado em 5 dias de outubro de 1998 e é considerado , internacionalmente falando (é citado na edição original do livro Book of the Dead, de Jamie Russell), o primeiro filme de zumbis da história do cinema brasileiro. Só não é do cinema Latino porque os argentinos foram dois anos mais rápidos. Veja o filme aqui: https://www.youtube.com/watch?v=HtiY3ZUcjSE&t=69s

E veja o trailer-making of aqui: https://www.youtube.com/watch?v=wr87SgzT-50&t=1s

E se você curte mesmo este filme, veja essa deitação de sarro que Coffin Souza eu gravamos 10 anos depois nas locações dele: https://www.youtube.com/watch?v=tbDGo5ZarII

Festival Psicotrônico Vol. 1 (1999, 112 min.), de Vários diretores.

Fita VHS que reunia 13 curtas da Canibal Filmes. Nunca digitalizado.

9.9 (nove.nove) (1999, 1minutos)de Petter Baiestorf.

Continuação zoeira do Crise Existencial, novamente com Beavis and Butt-Head no elenco. Desta vez a gente fez uma abordagem mais surrealista/nonsense. Foi extremamente divertido (e inebriante) filmar essa joça. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/7y2v39cn757mwo5/9.9_%2528nove.nove%2529.avi/file

Aventuras do Dr. Cinema na Terra do VHS Vagabundo (1999, 13 min.), de Petter Baiestorf e Coffin Souza.

Uma homenagem cretina ao ator David Camargo. Não temos mais cópia deste filme, mas ele está arquivado na Cinemateca de Porto Alegre, para assistir é só chegar no Capitólio e pedir.

Pornô (1999, 3 min.), de Petter Baiestorf e Coffin Souza.

Depois de filmar Zombio e constatar que horror adolescente faz sucesso, devíamos ter ficado gravando só bosta adolescente, mas resolvemos pegar milhares de metros de película em super 8 e fazer uma animação abstrata em película riscada, e lá ficamos nós uns 20 dias, 18 horas diárias (ou mais), riscando aquelas merdas de 8mm. Perdemos o rolinho em super 8 do filme, mas estamos em busca de um VHS onde filmamos o curta diretamente da parede onde foi projetado pela primeira vez.

Andy (1999, Inacabado), de Petter Baiestorf.

Este seria o primeiro longa onde Elio Copini seria alçado a condição de astro da Canibal Filmes, mas deu tudo errado e arquivamos o filme. O copião tem uns 15 minutos de cenas e um dia será montado misturado aos outros filmes inacabados.

Raiva (Rage-O-Rama, 2001, 70 min.), de Petter Baiestorf.

Em 2000 não há filmes porque estávamos falidos. De cabeça dura filmei este longa de ação, que é nossa única produção bem cuidada de 2000 até 2007. Este filme está digitalizado, salvo, só não está disponível na internet por enquanto. As filmagens dele duraram 6 meses e deu até pra explodir carro. Desculpem pelos posters contendo apenas a mesma imagem, mas não consegui encontrar os negativos com fotos da produção (que ainda eram feitas naquelas máquinas fotográficas com película). Se você ficou curioso, existem cenas dele nessa série o Canal Brasil aqui: https://www.youtube.com/watch?v=XiSl3sb0MTY&t=1s

Relembre da Carne (2001, 20 min.), de Coffin Souza.

Cyberpunk sem orçamento. Gravamos o curta com uma animada plateia de putas de rua nos assistindo. O curta é meia boca, mas os bastidores foram geniais. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/89juea6duxow1z0/Relembre_da_Carne.avi/file

Filme Caseiro Número Um (2001, 5 min.), de Petter Baiestorf.

Cine-Montagem que realizei sozinho numa madrugada de tédio. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=AkjnFCSUoQ8&t=3s

Carniça (2001, 31 min.), de Ivan Pohl.

Ivan Pohl talvez seja o diretor mais alucinado e sem noção do SOV brasileiro. Este é seu primeiro média e é imbecil demais. Não participei das filmagens, só ajudei a distribuir o filme. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/ai0iydrfevna5bk/Carni%25C3%25A7a.avi/file

Não Há Encenação Hoje (2002, 30 min.), de Petter Baiestorf.

Após ter bancado o Raiva com grana do meu bolso (que não teve lançamento depois, e em consequência, não teve renda nenhuma), eu estava completamente falido (igual estou desde 2016, sem previsão nenhuma de melhorar a situação financeira, por isso parei de fazer filmes e não lancei o livro de bastidores da Canibal Filmes) e passei a fazer curtas/médias bobos só pra encher a cara de cachaça com amigos. Não Há Encenação Hoje fala disso, da impossibilidade de filmar. Faz parte de uma série de filmes metalinguísticos que realizei. Ele pegou seleção no Cine Esquema Novo daquele ano, sei lá como, mas pegou. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/rreel1rmglyu9r5/N%25C3%25A3o_H%25C3%25A1_Encena%25C3%25A7%25C3%25A3o_Hoje_-_Vers%25C3%25A3o_Oficial.avi/file

Demências do Putrefacto (2002, 15 min.), de Petter Baiestorf.

Minha ópera gay experimental montada diretamente na câmera VHS que gravou tudo. Não me importo se ninguém gosta dele, o fiz com amigos e adoro ele. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/4i6327ni528wfnb/Dem%25C3%25AAncias_do_Putrefacto.avi/file

Mantenha-se Demente (2002, Inacabado), de Petter Baiestorf.

Foi minha tentativa de erguer uma produção ultra gore com inspiração nos exagerados filmes japoneses de tentáculos, só que faltou dinheiro e tudo desandou. As poucas sequencias gravadas viraram o curta Fragmentos de uma Vida.

Fragmentos de uma Vida (2002, 7 min.), de Petter Baiestorf.

Com efeitos gore do Carli Bortolanza e o Jorge Timm roncando no sofá que havia no set. Baixe o curta aqui: http://www.mediafire.com/file/w0vrblo016s0wpd/Fragmentos_de_uma_Vida.mpg/file

Minimalismo Surreal Vol. 1 (2002, 120 min.), de Petter Baiestorf, Ivan Pohl e Coffin Souza.

Foi uma coletânea com seis curtas nossos, que você mesmo pode montar em casa baixando os curtas: Não Há Encenação Hoje, Filme Caseiro Número Um, Relembre da Carne, 9.9, Analconda Y Los Vampiros de Tiburón e Carniça.

Primitivismo Kanibaru na Lama da Tecnologia Catódica (2003, 12 min.), de Petter Baiestorf.

Íamos gravar outro roteiro, mas aí, indo pro set, o Carli Bortolanza achou uma TV jogada num lixão e elaborei este roteiro enquanto filmávamos. Foi exibido na sessão em homenagem ao Carlos Reichenbach, quando de sua morte. Baixei aqui: http://www.mediafire.com/file/l4x89m55sv8c7g1/Primitivismo_Kanibaru_Na_Lama_da_Tecnologia_Cat%25C3%25B3dica.avi/file

Cerveja Atômica (2003, 30 min.), de Petter Baiestorf.

Filme de zumbis bêbados com trilha sonora inteiramente composta pelas bandas Impetigo e Lymphatic Phlegm. O filme está salvo, somente não o colocamos para download.

Frade Fraude Vs. O Olho da Razão (2003, 13 min.), de Petter Baiestorf.

Baseados em Nietzsche e Bakunin, Coffin e eu gravamos este curta com ajuda do Claudio Baiestorf e, depois de finalizado, nos mandamos para um bailão dançar polka. Incrivelmente essa bomba foi comprada pela TV Brasil. Veja a bomba aqui: https://www.youtube.com/watch?v=jyoR4SXpMo4

Trinta e Um de Março para Todos os Santos de Sessenta e Quatro (2003, 7 min.), de Petter Baiestorf.

Com o surgimento dos Bolsominions filhos da puta, tenho vergonha de ter feito este curta e ser confundido com um destes bostinhas. Possivelmente meu pior filme, onde meu senso de humor estava meio estranho. Mas foi feito e tá aí. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=aGrMUuKFbhE&t=206s

Quadrantes (2004, 65 min.), de Coffin Souza.

Depois de uma sucessão de curtas pavorosos o mais sensato era fazer um… Longa pavosoro sem dinheiro nenhum. O roteiro original do Coffin Souza era genial, mas meio que estragou tudo gravar ele sem dinheiro algum e os atores amadores até para nossos padrões habituais. Jorge Timm faz o papel de Deus neste filme. O filme está salvo, apenas ainda não o colocamos para download. Mas veja o diretor falando sobre a produção aqui: https://www.youtube.com/watch?v=xu3Wjv56VmA

Ópio do Povo (2004, 3 min.), de Petter Baiestorf.

Outro daqueles filmes abstratos de vídeo arte que você odeia. Não veja. Veja aqui: http://www.mediafire.com/file/3ch8c7dgmacmtb6/%25C3%2593pio_do_Povo.avi/file

Buscando la Película Perdida (2004, 9 min.), de Petter Baiestorf, Coffin Souza e E. B. Toniolli.

Neste momento já tínhamos lançado o livro Manifesto Canibal, onde incentivávamos o vandalismo. Baseado nisso pegamos o copião do curta Buscando la Fiesta, de E. B. Toniolli, e montamos sem a autorização dele, que, logicamente, odiou e ficou vários meses sem falar conosco. Desculpa amigão! Veja o curta aqui: https://www.youtube.com/watch?v=BgePh2yJe3M&t=331s

Vai Tomar no Orifício Pomposo (2004, 14 min.), de Petter Baiestorf.

Inspirados pelo livro Hollywood, do Bukowski, escrevemos este roteiro sobre as amarguras de ser produtor de filme vagabundo no Brasil, já prevendo que o país iria encher de crentes malditos adoradores de dinheiro. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=dwkZ3NXNIAE&t=9s

Somos a Ralé (2004, 36 min.), de Coffin Souza.

Um documentário porra louca onde nossos atortes refletem sobre o caos que é filmar sem dinheiro conosco. Apesar de eu ter sido o entrevistador/montador do curta, não lembro de absolutamente nada. Está perdido, mas estou em busca dele tal qual se fosse uma arca sagrada (vai que o Monty Python tá dentro).

Olhando a Cor da Melodia de Baixo para Cima com a Cabeça Raspada Parada (2004, 7 min.), de Canibais Etílicos.

Tem um momento na vida que o homem para o que está fazendo e analisa seus feitos, é sua chance de modificar tudo que está fora dos eixos. Bem, quando gravamos este curta não foi meu momento de refletir sobre os lixos que eu estava realizando, estava numa onda “No Future” (tipo agora neste 2019 bolsonarista). Este curta é possivelmente a coisa mais inútil que já fizemos numa carreira de inutilidades. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/0ge9svuhbbdx0vr/Olhando_a_Cor_da_Melodia_de_Baixo_para_Cima_com_a_Cabe%25C3%25A7a_Raspada_Parada.avi/file

Poesia Visceral (2004, 4 min.), de Canibais Etílicos.

Você curte ver uma pessoa vomitando? Então aqui é seu lugar. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/8jg38plaxuc9z34/Poesia_Visceral.avi/file

Predadoras (2004, 21 min.), de Coffin Souza.

Um grupo de meninas devorando homens tarados. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/hh671fvhou6f4hk/Predadoras.avi/file

Duelando pelo Amor de Teresa (2004, 19 min.), de Petter Baiestorf.

Este curta até que teve uma produção um pouquinho mais bem cuidada, ainda mais se comparado diretamente com as imbecilidades que estávamos fazendo em ritmo alucinado naqueles dias do glorioso ano de 2004. Ele chegou a pegar seleção em alguns festivais e foi exibido na TV Educativa. Por algum motivo que desconheço, ele continua sem a opção download.

Por Quê?… Porquê Sou Brasileiro!!! (2004, 15 min.), de Ivan Pohl.

Ivan prevendo o Brasil de hoje. Impagável, com trilha sonora da banda do Gurcius Gewdner. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/20lum8kucdm7z8q/Porque_Porque_Sou_Brasileiro_Filme_Pol%25C3%25ADtico_Trailers.rar/file

Ora Bolas, Vá Comer um Cu!!! (2004, 9 min.), de Petter Baiestorf.

Sim pessoal, eu sei que faz mal pra imagem do artista postar uma caralhada de bosta que ele fez, mas veja aqui mais uma: http://www.mediafire.com/file/f2vyok8psazebs5/Ora_Bolas%252C_V%25C3%25A1_Comer_um_Cu%2521%2521%2521.avi/file

Terceira Festa de Boas Vindas ao Meteoro Amigo que se Espatifará no Planeta Terra no Ano de 2019 (2004, 85 min.), de Zero Yoshi.

Naquele ano a gente promoveu uma scholock fest em homenagem ao meteoro que vai cair neste ano e o Zero filmou tudo. Teve muita gente pelada fazendo asneiras e os Urtigueiros (banda dadaísta) tocando. O filme está perdido até o momento, pois como não foi distribuído só existe o máster dele, que está sumido.

Mike Guilhotina (2004, 26 min.), de Ivan Pohl.

O grupo Coffin Souza, Elio Copini, Everson Schutz e Ivan Pohl havia criado uma produtora de filmes experimentais chamada N.A.V.E., que significa Núcleo Avançado de Vídeomakers experimentais de Palmitos, e estava filmando inúmeras experimentações com cores e formatos, que acabam comigo distribuindo. Este curta faz parte do pacote, mas se encontra sumido. Foi uma homenagem do Ivan ao seu cachorrinho de estimação.

Vi$cio (2004, 15 min.), de Carli Bortolanza.

Está perdido. Bortolanza quer refilmar em 2020.

Baiestorf: Filmes de Sangueira & Mulher Pelada (2004, 20 min.), de Christian Caselli.

Não é nosso, é um documentário que o Caselli realizou sobre nossa arte. Tô colando ele junto porque acho que é necessário uma pausa para que você compreenda as motivações de tanta bosta que fizemos até o momento. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=RTbOCpNmH8A&t=89s

Palhaço Triste (2005, 32 min.), de Petter Baiestorf.

Este foi o momento que parei para refletir sobre minha existência, sobre minha carreira de filmes ruins e, então, munido de minhas ruminações, realizei meu filme mais comercial, onde abri mão de tudo o que acredito para entregar este quase blockbuster hollywoodiano. Veja aqui: https://vimeo.com/230641180

A Curtição do Avacalho (2006, 73 min.), de Petter Baiestorf.

Com as edições de Gurcius Gewdner, fui deixando os filmes mais dinâmicos do que as produções feitas em VHS na década de 1990. Este Curtição foi uma experimentação estilo Cinema Marginal, filmado em uns 3 meses. Concluímos a produção em apenas 5 pessoas. Adoro o resultado final alcançado com ele e faria tudo de novo. Só existe em DVD físico, não estando disponível na internet por enquanto. Veja este fragmento do longa: https://www.youtube.com/watch?v=R-49eSZtkoA

O Monstro Legume do Espaço 2 (2006, 61 min.), de Petter Baiestorf.

Um erro que cometi, apesar que gosto bastante deste roteiro. Ele só existe em mídia física até o momento.

Que Buceta do Caralho, Pobre Só Se Fode!!! (2007, 23 min.), de Petter Baiestorf.

Minha homenagem pessoal ao cineasta George Kuchar, que viu o filme e elogiou bastante. Em teoria ele está na internet, disponível, mas não o encontrei para linkar aqui. De todo modo você o encontra no material extra do DVD de Arrombada.

Manifesto Canibal – O Filme (2007, 9 min.), de Petter Baiestorf.

Baseado no livro Manifesto Canibal, vociferamos frases sobre como produzir sem dinheiro. Foi um estrondoso sucesso quando de seu lançamento, sendo exibido em muitas universidades e coletivos anarquistas. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/wqditv8vrieww7u/Manifesto_Canibal.avi/file

Ou assista online aqui: https://vimeo.com/242441585

O Nobre Deputado Sanguessuga (2007, 13 min.), de Petter Baiestorf.

Meu curta infantil político surrealista, pelo qual tenho grande carinho. O cara por debaixo da incomoda maquiagem de dedo é meu pai, que fez tudo muito animado, ele adorava gravar conosco (se você reparar nas fichas técnicas de todos os filme, quase sempre o Claudio Baiestorf está por lá – ele faleceu em 2009). Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=bGn2OQYDBH8

Quando Jesus Bate à Sua Porta (2006, 7 min.), de Petter Baiestorf.

Curta produzido para uma oficina de vídeo que tem a curiosidade de trazer os músicos Daniel ETE (da banda Muzzarelas) e Célia Harumi (Grease), ele no elenco, ela na produção/edição. Veja o curta aqui: https://www.youtube.com/watch?v=VRCPUzqVkwg&t=411s

Arrombada – Vou Mijar na Porra do seu Túmulo!!! (2007, 39 min.), de Petter Baiestorf.

Um de meus filmes mais populares (perdendo para as séries Zombio, Monstro Legume e o Vadias do Sexo Sangrento), que gravamos em 5 dias e foi a primeira de minhas parcerias com a Ljana Carrion. Apesar do filme parecer meio tenso, foram gravações bem alegres, com um grupo de pessoas incríveis. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/1zdilw3di117s3b/Arrombada.avi/file

Vadias do Sexo Sangrento (2008, 30 min.), de Petter Baiestorf.

Reunimos praticamente a mesma equipe do curta anterior e, com acréscimo da Lane ABC, realizamos este divertido e alto astral filme sobre o amor. Ele é uma paródia metalinguística às comédias românticas e foi meu set mais harmônico desde sempre. Toda a equipe passava a maior parte do tempo pelada, o que deixou o ambiente muito leve e divertido. Você pode baixar ele aqui: http://www.mediafire.com/file/l0vy11tr6elytrt/Vadias_do_Sexo_Sangrento.avi/file

Kanibaru Shocking Shorts (2008, 50 min.), de Petter Baiestorf.

Vários curtas em apenas um único link. Surpresa, nem eu lembro mais o que tem nessa fita: http://www.mediafire.com/file/8ee9pt6km5kmfpt/kaniraru_gore_shorts_VOL_1.mp4/file?fbclid=IwAR23B-I0sYYlT7XJbnz8n5JZ6If4ZubZV9H3lte1kOhSyk_iEj8bbdPKIME

Encarnación del Tinhoso (2009, 7 min.), de Petter Baiestorf.

Uma homenagem ao cinema de horror indiano, numa tentativa de incluir todos seus excessos, de sonoplastia até zoons e enquadramentos. Assista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=y7nzCpKgqiM

Ninguém Deve Morrer (2009, 31 min.), de Petter Baiestorf.

Sempre tive a vontade de rodar um musical. Também sempre tive vontade de rodar um faroeste, então me pareceu uma boa ideia unir as duas vontades e criar um musical western em homenagem aos filmes feitos na Boca do Lixo. Essa produção reuniu o pessoal que habitualmente trabalhava comigo até uma caralhada de músicos, zineiros e organizadores de mostras. Baixe o filme aqui: http://www.mediafire.com/file/8m235oakqfo3fyq/Ningu%25C3%25A9m_Deve_Morrer.avi/file

Sangue Marginal (2009, 77 min.), de Marco Vaz.

Outra pausa para você entender nossas motivações ao fazer um filme. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=AJpz7PbPeAM

O Doce Avanço da Faca (2010, 35 min.), de Petter Baiestorf.

Essa foi a primeira produção que realizei com a atriz Gisele Ferran. Incrivelmente, sabe-se lá o porque, não está disponível na internet e nem em mídia física. Que lástima, não? Mas fiquem com este delicioso fragmento do média: https://www.youtube.com/watch?v=BZ9l6neQc_k

A Paixão dos Mortos (2011, 8 min.), de Coffin Souza e Gisele Gerran.

Curta filmado como se fosse uma fotonovela. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=kX9ahDLlXto&t=200s

Zombio 2 – Chimarrão Zombies (2013, 83 min.), de Petter Baiestorf.

Meu Cidadão Kane. Único filme onde tive um orçamento minimamente decente (e era apenas meio terço do que eu realmente precisava). Só consegui finalizar este lona porque recebi ajuda de absolutamente todo mundo. As gravações foram durante 23 dias, mais 18 dias para montar tudo. Precisava de mais tempo pras duas coisas, mas tá feito e tá aí. Baixe aqui com legendas em inglês: http://www.mediafire.com/file/a62i2x43awdbz2x/Zombio_2_with_subtitles.mp4/file

Ou assista online aqui: https://vimeo.com/225099168

Filme Político (2013, 2 min.), de Petter Baiestorf.

Fazia parte do projeto Páscoa Sarnenta, mas só conseguimos concluir ele. Este projeto foi elaborado pelo Felipe M. Guerra, que consistia em gravar os bastidores de uma produção minha, mas inventei de filmar 4 curtas em 3 dias e deu tudo errado. Conto essa história com detalhes no livro inédito Canibal Filmes – Os Bastidores da Gorechanchada (onde inclusive há uma hilária passagem sobre Gurcius Gewdner sendo o apoio para uma mesinha onde um casal de atores trepava).

As Fábulas Negras (2014), de Zé do Caixão, Rodrigo Aragão, Joel Caetano e Petter Baiestorf.

Neste ano não tive produção própria, apenas trabalhei nessa produção da Fábulas Negras. Assista meu episódio aqui: https://www.youtube.com/watch?v=KeeQ_aNatso&t=24s

13 Histórias Estranhas (2015), de Vários diretores.

E no ano seguinte fiquei envolvido neste aqui, A Cor que Caiu do Espaço, baseado em conto de Lovecraft, onde peguei o dinheiro da produção e dei pro pessoal que trabalhava comigo e filmei tudo sem dinheiro. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/9b96vot1sdt9t7u/A_Cor_Que_Caiu_do_Espa%25C3%25A7o_-_Master_com_Cr%25C3%25A9ditos.avi/file

Ou assista aqui: https://vimeo.com/223284510

Até Que… E Deu Merda (2017, 4 min.), de Carli Bortolanza.

Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/tbdrzpaflov0jdg/At%25C3%25A9_que…_e_deu_m%2Ard%2A%2521.avi/file

Baiestorf (2017, 20 min.), de Bruno Sant’Anna.

Última pausa para entender nossas motivações. Prometo que no próximo documentário sobre a Canibal Filmes vou desmentir tudo e mudar as referências e influências, só pra causar caos e desordem. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=7p0LAxjgEgs&t=46s

Ándale! (2017, 4 min.), de Petter Baiestorf.

Em 2015 eu havia aberto a loja Mondo Cult em Porto Alegre, mas deu tudo errado e tal empreendimento fodeu com minha vida financeira. Então, desde 2015, não estou mais conseguindo bancar meus filmes, ou seja, só estou conseguindo fazer pequenos filminhos com ajuda de velhos amigos. Este aqui rodamos sem dinheiro nenhum e acabou ganhando vários prêmios de melhor curta experimental. Veja aqui: https://vimeo.com/219401005

Beck 137 (2017, 11 min.), de Petter Baiestorf.

Curta realizado em Goiânia, com suporte da Mostra Crash, onde ministrei uma oficina sobre como fazer filmes sem orçamento com uso de celulares. O resultado ficou bem bacana, mas não tenho autorização para disponibilizar o curta aqui.

A Noiva do Turvo (2018, 4 min.), de Loures Jahnke.

Produzi este outro curta feito em celular com amigos das antigas e os filhos deles. Gosto do resultado lindão que ele ganhou e esse clima de pão caseiro que ele tem. Veja aqui: https://vimeo.com/256403432

A História Kaingang por Eles Mesmos (2018, 22 min.), de Petter Baiestorf.

Não é um documentário, é apenas um registro da tradição oral dos kófas kaingangs, onde eles resgatam a história da T.I. Guarita. Baixe o filme aqui: http://www.mediafire.com/file/e39rr2euw8542c5/Historia_Kaingang_por_eles_mesmos_-_Final_v3_-_com_legendas.mp4/file

Purgatório Axiomático (2019, 5 min.), de Fábio Ruffino.

Nem sei se eu podia compartilhar o filme aqui, mas é o primeiro filme onde assino a trilha sonora, compondo a música inteira. Depois dele assinei ainda a composição da trilha sonora de Brasil 2020, meu último curta. Baixe a trilha aqui: http://www.mediafire.com/file/dffnteluflffwrq/Demotape_Baiestorf_-_Experimenta%25C3%25A7%25C3%25A3o_do_Caos_C%25C3%25B3smico.rar/file

Brasil 2020 (2019, 7 min.), de Petter Baiestorf.

Meu último e recém lançado curta. Baixe aqui e pirateie por favor: http://www.mediafire.com/file/kcn37zc94ymom23/Brasil_2020_-_Final_FullHD.mp4/file

E se você curtiu a trilha sonora que compus pro filme, baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/dpvc0s78494829g/Brazil_2020_-_Soundtrack.rar/file

Outros que fiz posters:

A Arte da Tortura (2015, 3 min.), de Carli Bortolanza.

Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/d9dw4ycdos38kd5/A-Arte-da-Tortura-Final.flv/file

E mais essa série de posters para filmes que tive que abandonar por problemas com orçamento ou que fiz posters fakes. Estes filmes não existem, mas me dê dinheiro e todos se tornarão realidade!

Se você curtiu os posters, baixe todos em alta qualidade aqui NESTE LINK.

por Petter Baiestorf

Canibuk Apresenta: A Arte de Pomba Claúdia

Posted in Arte e Cultura, Cinema, Entrevista, Ilustração, Pinturas, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 13, 2018 by canibuk

Conheci a Pomba tem uns 15 anos em andanças por Porto Alegre. Possivelmente nos conhecemos em algum boteco cultural. Ou em alguma mesa de bar pós-exibições de filmes transgressores onde meus filmes eram programados, não lembro. Mas uma coisa é certa, assim que comecei a conhecer o trabalho de Pomba fui ficando fã e acompanhando na butuca.

Pomba faz de tudo. Além de desenhista, já fez música (“Pedra” é um punk hilário), curtas-metragens (“Pé de Cabra” é um dos episódios de “13 Histórias Estranhas” e agora está produzindo “Monstro”, de Magnum Borini), escreve contos e poesias. E desde 2006 participa do grupo de cartunistas GRAFAR, que edita diversos livros de cartuns (sempre coletivos). Mas para viver Pomba é professora de português e literatura.

Já tem livros publicados, participa do evento de cartum Cartucho em Santa Maria e atualmente gosta de desenhar coelhos. Fiquem com a entrevista que realizei com Pomba, é fantástico poder divulgar o pensamento iconoclasta desta fantástica artista livre.

Pomba Claúdia

Petter Baiestorf: Gostaria que você contasse como começou seu interesse pela arte e, também, sobre seus primeiros trabalhos.

Pomba Claúdia: Eu acho que sempre tive uma pira por tudo fora da realidade. A realidade consistia em ver meus pais brigando, horários políticos, notícias de televisão (mesmo que fossem mentira) ou tudo que tivesse alguma relação com o chato e burocrático mundo adulto. Fui uma criança solitária, filha única, guria de apartamento, criada pela televisão. Uma menina gordinha comendo milhopã na cama bagunçada aguardando os adultos voltarem do trabalho. Mas os adultos nem sempre foram esses monstros que estou pintando. Meu pai gostava (e gosta) muito de filmes, de desenhos animados e também de videogames… Absorvi estes gostos. Aos sete ou oito anos comecei a ganhar fitas VHS dos desenhos da Disney. Ao final do desenho animado da Branca de Neve tinha o making off do filme… Eu pirei com aquilo, foi tipo a primeira paixão platônica. Era aquilo que eu queria fazer. Mas aquilo mexeu muito comigo. Revi diversas vezes. Não me interessava o príncipe, não me interessava os sete anões (isso eu já assistia no “Histórias que Nossas Babás não Contavam”). Meu primeiro trabalho surgiu nessa época, na 1ª série, quando a professora levou meu desenho inspirado na música da “Dona Aranha” para a TV Cultura local junto com o de outros colegas. Eu liguei a TV por acaso e ela estava mostrando meu desenho. Isso me deixou muito feliz, pois eu não era uma criança lá muito enturmada e me senti valorizada. Acho que aí comecei a descobrir quem eu era… Mas ao falar para os meus pais, exaustos do trabalho, de saco cheio, que eu tinha decidido ser artista/desenhista/criadora de jogos e desenhos, eles me disseram que aquilo era coisa pra gente rica e que eu não teria me sustentar com aquilo. Como toda paixão, esse foi meu primeiro soco na cara dos sonhos “oquevocêquerserquandocrescer” que eu levei (e levo até hoje… muitos ainda). Acredito que isso deva acontecer com muitas crianças, mas eu continuei recortando da realidade esses sonhos, essas piras… Meus melhores brinquedos eram os lápis de cor, minha melhor companhia eram os desenhos animados, gibis, livros ilustrados e os joguinhos da Atari. Desenhava compulsivamente. Se isso é arte? Só depois me disseram…

Baixe essas artes em alta qualidade:

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portfolio Cláudia

Baiestorf: Sua arte sofre influências de quais artistas e escolas estéticas. Fale o que te atraí neles, se quiser falar sobre os porquês seria muito interessante.

Pomba: Minha arte sofre. E sofrer influências é um dilema. Porque quando vi já estava sofrendo, roubando, parafraseando, recortando, fazendo um mosaico de coisas bonitinhas e ogras. Acredito que os melhores artistas são as crianças e os bêbados. As melhores escolas estéticas são os bares. Mas tentando organizar o grande pobre roubo de ideias, posso retomar o lance da Disney. Falem o que quiser da Disney, foi ali o pontapé inicial. Mas é claro, você cresce, vira adolescente e quer queimar todos os discos da Xuxa, quer inverter a cruz, jogar o jogo do copo, beber cachaça com gemada.  Comigo não foi diferente. Por não ter amigos, nem internet, provavelmente o que influenciou foram os filmes que passavam na Sessão da Tarde e no Cinema em Casa. Podem rir, mas a estética de filmes de Tim Burton, assim como “Elvira – A Rainha das Trevas” e “A Família Addams” podem ter me inspirado… Minhas princesas perderam os braços, ganharam chifres. Meus quadros ganharam cores escuras. Eu pintava com qualquer coisa em qualquer lugar. Era libertador… Mas tudo foi jogado fora por mamãe. Só lá por 2001 comecei a organizar minhas influências e comecei a me identificar com a arte surrealista. A seguir, meus desenhos ainda tratando de temas mórbidos, começaram a ter um teor mais zueiro. Em 2004, busquei um curso de desenho animado que serviu para que finalmente conhecesse outras pessoas que desenhavam. Até ali não conhecia ninguém. Meu amigo e ilustrador Guilherme Moojen então me apresentou em 2006 a GRAFAR, um grupo de cartunistas e grafistas aqui de Porto Alegre que se reuniam semanalmente no bar Tutti Giorni. Apesar dos meus desenhos sem muita técnica, eles me acolheram e logo me convidaram para participar de um livro, chamado “Sem Trégua” em 2006. Considero esse boteco minha escola de arte. Esses senhores, Edgar Vasques, Eugênio Neves, Ubert, Hals, Ruben, Santiago, Pedro Alice, Lancast, Moa e, posteriormente, Carla Pilla, foram os meus primeiros e melhores professores. Inspirada no trabalho desses amigos meus desenhos sombrios ganharam cor, meu traço foi ganhando e ainda ganha a cada dia mais personalidade. Cada um com seu estilo me inspira de uma forma. O traço brusco do Ruben e a segurança da linha e simplicidade humorística do Santiago. O volume através das hachuras do Eugênio Neves, as aquarelas da Carla Pilla, enfim… Todas as terças eu saía desse bar mais inspirada e feliz de ter encontrado pessoas que gostam de desenhar enquanto conversam. O meu desenho, assim como textos, manteve um humor sádico, ácido e, em alguns casos, erótico. Descobria a cada encontro novas técnicas, novos estilos e novas inspirações como as ilustrações fodas da Mariza Dias e as putarias da Melinda Gebbie.

Baiestorf: Com sua arte você está aberta a todo tipo de trabalho ou gostaria de se especializar somente em uma área? Por quê?

Pomba: Quem me conhece sabe que também curto fazer filmes, músicas, poemas, contos, produzir eventos… Além de ser professora de português (o que pode parecer chato pra caralho, mas como envolve linguagem tá valendo). Então acabo diversificando meu trabalho em outras áreas também. É um surubão de áreas. Um estilo esquizofrênico. Por isso, sou bem aberta (rará). Sendo o espaço para arte independente (que é meu caso) tão limitado financeiramente, eu curto mesmo é chutar o balde. Às vezes me sinto uma fraude. E acho que isso faz parte de mim e justifica por eu ter trabalhos tão diferentes uns dos outros… Além disso, acho uma lindeza essa coisa de misturar cheiros, gostos, texturas, barulhos… Animação, cinema, música, uma explosão sensorial. Acredito que quebrar um estereótipo artístico ajude a tirar esse bundamolismo da arte. A arte teria que ser o grito de expressão, arte é cortar a orelha e brigar no bar, arte é chorar em cima da tinta e borrar tudo… Arte teria que ser algo que te atinja individualmente, mas que também atinja os outros, seja para agradar ou para incomodar. Algumas pessoas acreditam que primeiro você aprende a técnica e depois você cria. Eu prefiro brincar com as ideias, jogá-las no papel, na tela, no caderno e depois pensar no que pode ser feito – ou não. Elevar o padrão limita a criação. Há liberdade na ignorância, assim você se inspira de forma mais inocente e inconsequente. Se eu me especializasse em uma área, creio que perderia um pouco disso.

Assista o curta-metragem Pé de Cabra:

Baiestorf: Conte sobre suas exposições e como produtores poderiam levá-la para suas cidades/estados.

Pomba: Até agora só fiz exposições coletivas. Muitas em Santa Maria, em um evento de cartunistas chamado Cartucho, organizado pelo querido Máucio Rodrigues.  Devo ter participado de pelo menos umas cinco exposições lá. Todos os anos é sorteado um tema e a gente faz cartuns sobre aquilo em 24 horas. É bem massa. Pra falar a verdade, tenho poucos desenhos para expor. Os melhores estão em cadernos pautados ao lado de anotações de aula ou em guardanapos de bar… Para uma exposição de folhas pautadas rabiscadas e guardanapos sujos com desenhos eu teria muita coisa. Mas às vezes vêm momentos de luz e faço algo a mais, um quadro com objetos colados, uma aquarela bonitinha… Daí esses guardo, reproduzo em forma de imã, zine e o que mais for… Eu romerobritizo minha arte. Mas no fundo eu sou a desenhista de bar, ou de alguma sala de aula… Faço desenho e dou de presente. Talvez eu devesse omitir essas coisas, mas acho que é um traço da essência do que faço, um desapego. Até porque, não tenho espaço para acervo, moro num apartamento de 30m²… Se alguém tiver um espaço para eu pintar grandes quadros e paredes, ficarei muito feliz. Quem quiser me chamar pruma exposição, propor um tema ou juntar meus esboços e artes existentes meu email é claudiadrb@gmail.com ou pelo telefone 55 51 992792662. Meu trabalho pode ser visto no meu site https://claudiadrb.wixsite.com/borborini/copia-inicio, na página do Facebook: https://www.facebook.com/pombadesenhos/ e alguma coisa no Instagram: @pombaclaudia

Baiestorf: Como é realizar trabalhos artísticos aqui no Brasil? Há reconhecimento? Oportunidades?

Pomba: Como eu disse, meus pais me deram o soco de realidade aos sete anos quando falei com inocência que eu gostaria de ser artista. E cresci com esse pensamento. Pra não me iludir acabei virando professora de língua portuguesa, o que também não tem reconhecimento (risos). Então o que move minhas criações não é bem o reconhecimento, mas a necessidade de criar, de me sentir parte de algo que eu goste, que me faça me sentir eu. Claro que quando ganho dinheiro com meus desenhos, meus filmes ou meus textos eu me sinto incrivelmente feliz pelo reconhecimento, ao mesmo tempo em que acho estranho, pois, como eu disse, isso não foi construído em mim. E confesso que não me orgulho de ser assim, gostaria de poder falar com firmeza o valor de um quadro e passar um orçamento convicto de uma ilustração. Ainda assim, as oportunidades não caem no colo. Vejo uma galera muito mais talentosa e empenhada do que eu, investindo, trampando muito pra poder aperfeiçoar e assim conseguir um retorno de sua arte, ainda mais quando se trata da arte impressa, tendo em vista que hoje em dia temos muita coisa pronta no computador, que é só imprimir e pendurar na parede da sala. Portanto, considero desproporcional o número de oportunidades para a arte em relação ao desejo de se investir nisso. Acaba que muitos trabalhos fodas e autorais acabam virando logos com cara de trampo de design gráfico, assim como muito filme independente fica com a maior pinta de propaganda publicitária. Por essas e outras, eu me pego vergonhosamente acreditando que pra ganhar grana com arte você já precisa ter grana. Conheço gente que só pinta com material caríssimo, eu uso guache, pinto no papelão, uso a sobra da tinta que usei pra pintar a parede da sala de casa… Acabo me inscrevendo em concursos e festivais gratuitos, catando oportunidades de graça e tentando me enfiar onde dá. Mas os reconhecimentos e oportunidades são que nem uma cova, tem que cavar para achar algo.

Zumbizinhu Inédito

Baiestorf: Você está com trabalhos em finalização? Poderia falar sobre eles e como o público poderá acompanhá-los?

Pomba: Meu próximo e mais desejável trabalho é sobre Coelhos. Não tenho como falar muito sobre ele no momento, mas vou colocar o primeiro quadro que me inspirou a desenvolver uma série sobre esse rico animalzinho.

Baiestorf: E seus projetos? É possível sabermos um pouquinho deles?

Pomba: Esse ano pretendo montar junto a outras garotas um coletivo chamado Útero Underground. É uma ideia que ainda está no útero (rá), mas que em breve será melhor desenvolvida e que consistirá não apenas nas artes visuais, mas também na elaboração de músicas, barulhos, vídeos e o que mais vier ao encontro de construir um espaço libertador e sem tantos pudores em relação ao que a gente entende por arte. Paralelo a isso, estou aguardando o contato de alguns amigos da GRAFAR para a pintura de painéis, pretendo fazer um desenho animado e uma exposição de coelhos tarados.

Baiestorf: Geralmente a arte no Brasil é produzida de forma independente e é difícil conseguir se manter. O que você gostaria de observar sobre isso.

Pomba: Cara, acho que é o que falei antes… A gente se enfia onde dá, claro, em alguns casos a gente pensa nos princípios e não vai se enfiar de cabeça quando estão envolvidas pessoas escrotas que só pensam em explorar e lucrar a custa dos outros. Fora isso, nem todo mundo tem a oportunidade de fazer uma faculdade de arte. Vou falar da de cinema também, pois sabemos que cinema é caro pra cacete. Daí a gente acaba fazendo muita coisa de graça na troca de experiência, para apoiar os amigos que também não tem grana e isso vira um grande ciclo da horripilante mágica de se fazer arte de graça sem ganhar nada em troca. Acho que essas iniciativas como o teu blog, assim como rádios online, coletivos independentes, financiamentos coletivos, formas preliminares da gente sair do limbo e começarmos a desenvolver uma estrutura que pague nossas contas. Mas não só isso. O que eu vejo e que pouca gente comenta é como o artista independente muitas vezes está alienado do povo, da galera da periferia que também faz parte da outra margem independente da arte, como é caso da pixação, grafite, stencil chamem como quiser. O perfil da galera “independente” “underground” muitas vezes é branco, classe média, universitário. E a outra área independente? Fico pensando que louco seria toda essa galera se reunindo, aprendendo uns com os outros, compartilhando cultura, técnica, fugindo dessa aprendizagem acadêmica muitas vezes elitista e enfadonha. Exposição de arte é aquele perfil de homem de coque, magrinho, segurando a taça de Salton e conversando com a garotinha esnobe que admira pra caralho Miró, ambos intrigados com a popularidade do Romero Britto, expondo algo dito independente . Enquanto do lado de fora do prédio algum garoto leva um pau da polícia por fazer um desenho em um muro. Talvez o que falte para a arte independente conseguir se manter é incomodar um pouco, ter uma voz mais ousada, mais politizada, mais envolvente e que convide diferentes grupos ditos independentes a se observarem. Enfim, é manjado, mas é isso, a união faz a força.

Boteco de Ideias

Baiestorf: O espaço é seu para as considerações finais:

Pomba: Eu gostaria de agradecer ao Petter Baiestorf por essa oportunidade de eu falar sobre minha arte. Às vezes não sei como consegui conhecer tanta gente foda e incrível, pois soa estranho pra mim ser chamada de “artista”. Sempre achei que artista fosse ou Picasso, Salvador Dalí, ou na contemporaneidade alguma Big Brother que pousou nua. Então essa palavra me deixa com uma certa crise de personalidade. Alguns lugares dão desconto se você diz que é da “classe artística” aqui em Porto Alegre. Acho isso um sarro, pois o que te faz artista? Se eu colocar meu dedo no nariz e dizer que é uma performance serei artista? É muito louco isso. Outra coisa que muitas vezes me deixa desconfortável com o termo artista é quanto ao rebuscamento da arte em relação ao gênero. Tem homens que limpam a bunda e expõem em uma parede e afirmam seguramente que é “arte”. Mulheres desenham a sujeira da unha da modelo-vivo e se questionam se a sujeira está na proporção correta ao tamanho da unha. Eu não sei as outras, mas sinto essa pressão ao perfeccionismo. Você não pode ousar dirigir, tocar guitarra, desenhar, fazer um filme se você não fizer algo incrivelmente bem. Você não pode tocar os acordes errados ou errar o local da luz em um quadro.  Confesso que isso me incomodava, pois muitas vezes deixei de fazer as coisas por não me sentir boa o bastante, por não me sentir pronta o bastante, enquanto simplesmente eu deveria ter feito e mandado todo mundo à merda com suas técnicas, medidas e manuais.

Contatos de Pomba Claúdia:

email: claudiadrb@gmail.com

Telefone: 55 51 992792662.

Site: https://claudiadrb.wixsite.com/borborini/copia-inicio

Facebook: https://www.facebook.com/pombadesenhos/

Instagram: @pombaclaudia

facebook: https://www.facebook.com/claudia.pigeon

Mais: https://claudiadrb.wixsite.com/borborini/sobre

Artes de Pomba Claúdia:

O Monstro Nuclear de Yucca Flats

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 12, 2016 by canibuk

The Beast of Yucca Flats (1961, 54 min.) de Coleman Francis. Com: Tor Johnson, Douglas Mellor, Barbara Francis e Conrad Brooks.

the-beast-of-yucca-flats1Quando assassinos da KGB vão a Yucca Flats para matar o cientista Joseph Javorsky (Tor Johnson) mal sabiam eles que, tomado pelo desespero, Javorsky fugiria para o deserto e seria contaminado pela radiação de um teste nuclear americano que estava acontecendo no local, tornando-o a besta sanguinária de Yucca Flats num dos filmes considerado pela crítica como uma das piores sci-fi já realizadas na história do cinema (nada mal para Tor Johnson que mantêm um padrão invejável, já que também está no elenco de “Plan 9 From Outer Space”, 1959, de Edward D. Wood Jr.).

the-beast-of-yucca-flatsMas “The Beast of Yucca Flats” não é tão ruim assim, principalmente quando comparado a outros filmes analisados neste livro. Parte do seu charme brejeiro está no fato de ter sido filmado sem o som para cortar custos, tendo a narração, diálogos e alguns poucos efeitos sonoros adicionados na pós-produção e, para evitar a sincronia das falas com as bocas das personagens, todos dizem seus diálogos quando estão fora da tela ou a uma distância segura da câmera para que a falta de sincronia não seja percebida pela audiência (essa técnica foi muito utilizada pelos produtores brasileiros da Boca do Lixo anos depois).

the-beast-of-yucca-flats2Coleman C. Francis (1919-1973), o inútil responsável pela realização de “The Beast of Yucca Flats”, foi ator e, eventualmente, fazia algumas tentativas como roteirista/produtor/diretor. Além deste ainda realizou “The Skydivers” (1963), um drama que, a exemplo de seu filme anterior, também foi filmado na região de Santa Clarita (California) com um orçamento igualmente medíocre; e, “Night Train to Mundo Fine” (1966), um thriller político mais conhecido pelo título alternativo de “Red Zone Cuba”, tão ruim quanto seus outros filmes (e politicamente tão irrelevante quanto “Creature from the Haunted Sea/Criaturas do Fundo do Mar”, 1961, de Roger Corman). Como ator fez papéis não creditados em vagabundagens como “Killer From Space/Mundos Que se Chocam” (1954), uma sci-fi trash de W. Lee Wilder, e “This Island Earth/Guerra Entre Planetas” (1955) de Joseph M. Newman e Jack Arnold (não creditado). Depois de vários papéis em séries de TV, virou o narrador do filme “The Thrill Killers” (1964) de Ray Dennis Steckler, outro lendário diretor ruim, com quem ainda trabalhou em “Lemon Grove Kids Meets the Monster” (1965) e “Body Fever” (1969). Em 1965 Coleman conheceu Russ Meyer e trabalhou em “Motorpsycho!” (1965), um biker movie estrelado pela beldade Haji, e “Beyond the Valley of the Dolls/De Volta ao Vale das Bonecas” (1970), uma comédia musical sexploitation alucinada já lançada em DVD duplo no Brasil pela distribuidora Fox que acabou sendo seu último trabalho no cinema.

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tor-johnsonNo elenco de “The Beast of Yucca Flats” temos o gigante sueco Tor Johnson reprisando o mesmo papel de sempre de sua carreira. Ao contrário do que a cinebiografia “Ed Wood” (1994), de Tim Burton, deixa transparecer, não foi Edward D. Wood Jr. quem levou Johnson para as telas. Sua estreia, de acordo com o site IMDB, foi no drama “Registered Nurse/Abnegação” (1934) de Robert Florey, onde interpretava Sonnevich, o terrível búlgaro. Depois de aparecer em mais de 10 filmes sem receber créditos na tela, estrelou “Alias The Champ/Choque de Gigantes” (1949) de George Blair, onde “interpretava” o lutador The Swedish Angel, ou seja, ele mesmo. Mas seu grande papel na tela foi mesmo a personagem Lobo no hoje Cult “Bride of the Monster/A Noiva do Monstro” (1955) pelas mãos de Edward D. Wood Jr., com quem ainda fez os clássicos “Plan 9 From Outer Space” e “Night of the Ghouls/Noite das Assombrações” (1959), uma inacreditável tranqueira cinematográfica ainda mais divertida do que os filmes anteriores de Ed Wood, onde reprisou o papel de Lobo. Outros filmes imperdíveis que Johnson estrela são “The Black Sleep/A Torre dos Monstros” (1956) de Reginald Le Borg; “The Unearthly” (1957) de Boris Petroff (sob pseudônimo de Brooke L. Peters) e a comédia musical “Head/Os Monkees Estão de Volta” (1968) de Bob Rafelson. Conrad Brooks, outro ator da trupe de Ed Wood, também dá as caras em “The Beast of Yucca Flats” e o diretor/ator Titus Moede (o Boo Boo de “Rat Pfink a Boo Boo”, 1966, de Ray Dennis Steckler) foi o responsável pela mixagem do som deste incrível filme ruim.

Por Petter Baiestorf.

Assista The Beast of Yucca Flats aqui:

Zontar – A Coisa Ridícula de Vênus Ataca Humanos Canastrões

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 3, 2012 by canibuk

“Zontar – The Thing From Venus” (“O Monstro de Vênus”, 1966, 80 min.) de Larry Buchanan. Com: John Agar, Susan Bjurman e Tony Huston.

Em 1956 o diretor Roger Corman, com um roteiro de Lou Rusoff, chamou Peter Graves, Lee Van Cleef e Beverly Garland e legou ao mundo o clássico da sci-fi mundial “It Conquered the World”, que contava a história de um venusiano que queria eliminar as emoções dos humanos para assim ter a paz mundial, mas lógico que o alien queria mesmo era dominar o mundo. O filme de Roger Corman era uma produção da American International Pictures, que em 1964 foi um dos últimos estúdios de cinema a criar sua própria produtora de filmes para TV, que se chamou American International Television e que nunca fez muito sucesso, com vários dos filmes dirigidos por Larry Buchanan. “Zontar – The Thing From Venus” é o remake televisivo do clássico “It Conquered the World”.

O roteiro de ambos os filmes é muito próximo. Re-escrito por Hillman Taylor e Larry Buchanan, “Zontar” conta a história do cientista Dr. Keith (Tony Huston) que está em contato com uma criatura de Vênus com seu impagável sistema de som gigantesco. John Agar, aqui no papel do Dr. Curt Taylor, faz piadas com o colega porque a “voz” de Zontar são sinais sonoros estáticos ininteligíveis. Paralelo a isso, Zontar toma um satélite terrestre e o faz ter problemas para que seja trazido ao planeta Terra (um alien tão poderoso que não tinha nem espaçonave própria?). Uma vez no planeta Terra Zontar se instala numa confortável caverna (segundo ele, com clima próximo do planeta Vênus) e dali, sabe-se lá como, faz com que todas as máquinas humanas parem de funcionar (incluindo torneiras) e, com ajuda de seus morcegos venusianos, implanta algo na cabeça dos terrestres (principalmente funcionários do governo e policiais) que permite a ele controlar as ações das pessoas para seus propósitos malignos.

Diz a lenda que Larry Buchanan foi o único diretor da história do cinema que editou seus filmes colando-os com fita adesiva, dado seu pão-durismo. A se julgar pelos efeitos especiais amadores de “Zontar”, isso pode ser verdade. Tudo na produção é vagabundo e de terceira, o próprio monstro é extremamente mal feito, os morcegos venusianos são de borracha dura e manejados por varas de pesca (e quando atacam os humanos entra o talento dos atores em fazê-los tremer para que pareçam vivos), com cenários e figurinos simplistas que fazem a festa de quem curte um bom filme ruim. Os atores estão todos no piloto automático, na linha “filma logo que tenho que pagar meu aluguel!”.

Larry Buchanan (1923-2004) tem vários filmes nas listas de “piores filmes já feitos” por aí. Texano, foi criado num orfanato onde ficou fascinado com os filmes que eram exibidos nos finais de semana e logo soube o que iria ser quando crescesse. Assim como Russ Meyer (só que desprovido de talento), Buchanan aprendeu a lidar com as câmeras cinematográficas no exército, filmando batalhas durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1951 escreveu, produziu, dirigiu e estrelou o curta-metragem “The Cowboy”, um western sem som que posteriormente ele incluiu uma narração de Bill Free para ter mais sentido. No ano seguinte dirigiu o longa “Grubstake”, outro western. Ficou alguns anos sem dirigir até que em 1961 se encontrou ao realizar “The Naked Witch”, um horror exploitation onde começou a explorar a nudez feminina. Depois de mais alguns exploitations obscuros, em 1965, foi contratado pela American International Television para produzir e dirigir vários remakes, assim fez a comédia de horror “The Eye Creatures” (1965), sobre um alien invadindo uma pequena cidade; “Zontar – The Thing From Venus” (1966), também sobre um alien invadindo uma pequena cidade; “Curse of the Swamp Creature” (1966), horror rural ambientado nos pântanos do Texas; “Mars Needs Women” (1967), impagável comédia de sci-fi sobre marcianos e mulheres terrestres peladas que é um dos meus preferidos dos filmes realizados por ele; “In The Year 2889” (1967), sobre um grupo de sobreviventes da guerra nuclear que lutam contra mutantes canibais; “Creature of Destruction” (1967), onde um cara prevê os assassinatos de um monstro marinho; “Hell Raiders” (1968), drama de guerra e o hilário “It’s Alive!” (1969, não confundir com o filmaço de Larry Cohen de 1974), onde um monstro pré-histórico ridículo ataca fazendeiros. Como o pessoal da AIP-TV era mais sem noção do que o próprio Buchanan, parece que a ordem para a produção dos remakes veio acompanhado da seguinte nota: “Queremos os filmes baratos mas coloridos, precisam ter 80 minutos de duração, ter nomes chamativos e queremos para agora!”. Em 1981 Buchanan filmou a aventura de horror “The Loch Ness Horror”, explorando o mito do monstro marinho escocês que estava em alta. Mesmo seus filmes tendo sido produções ultra-vagabundas, Buchanan sempre teve lucro com suas produções, provando que no cinema tanto faz se seu filme é bom ou ruim, o importante é como chegar a platéia e cobrar ingressos.

O ator John Agar (1921-2002) nasceu em Chicago, foi casado com Shirley Temple e se especializou em papéis em filmes de baixo orçamento. Alcoólatra em tempo integral, Agar estrelou maravilhas da sétima arte, como “Revenge of the Creature” (1955) de Jack Arnold, continuação do clássico “Creature from the Black Lagoon” (1954); “Tarantula” (1955), também de Jack Arnold, sobre uma aranha gigante papando pessoas em seus passeios pelo deserto americano; “The Mole People” (1956) de Virgil W. Vogel, sobre um arqueólogo que descobre o terrível povo toupeira; “Daughter of Dr. Jekyll” (1957) de Edgar G. Ulmer, uma variação do livro “O Médico e o Monstro”, “The Brain from Planet Arous” (1957) de Nathan Juran, sobre o cérebro de um criminoso do planeta Arous que assume o corpo de um cientista terráqueo; “Attack of the Muppet People” (1958) de Bert I. Gordon, deliciosa sci-fi de horror do mestre BIG, como era chamado o diretor Gordon; “Invisible Invaders” (1959) de Edward L. Cahn, tranqueira trash sobre aliens invisíveis tornando os humanos em zumbis; “Curse of the Swamp Creature” (1966), outra desgraça dirigida por Buchanan; “Women of the Prehistoric Planet” (1966) de Arthur C. Pierce, sobre um foguete que cai num planeta desconhecido; e o remake de “King Kong” feito em 1976 por John Guillermin, onde Agar faz um pequeno papel. Mas qualquer filme com John Agar no elenco já merece uma conferida. No final de sua vida Agar abandonou as produções e passou a vender apólices de seguro de vida.

Tony Huston merece citação por ter aparecido como ator em vários filmes do amigo Buchanan, coisas como “The Eye Creatures”, “Curse of the Swamp Creature”, “Zontar” e “Mars Need Women”. Se aventurou também como roteirista, tendo escrito uma meia dúzia de filmes pavorosos como “Curse of the Swamp Creature” (1966), “Creature of Destruction” (1967), “Comanche Crossing” (1968), “Strawberries Need Rain” (1970) e “A Bullet for Pretty Boy” (1970), todos dirigidos pelo amigão Larry Buchanan e “The Hellcats/Gatas no Inferno” (1968), desta vez dirigido por Robert F. Slatzer. Em 1971 se aventurou na direção do drama de ação “Outlaw Riders”, que trazia no elenco o ator William Bonner (de filmaços como “Orgy of the Dead” (1965) de Stephen C. Apostolof; “Satan’s Sadists” (1969), “Hell’s Bloody Devils” (1970) e “Dracula Vs. Frankenstein” (1971), os três do mega picareta Al Adamson e “Angels Die Hard” (1970) de Richard Compton).

“Zontar – The Thing From Venus” foi lançado em DVD no Brasil pela London Films em sessão dupla com o clássico “First Spaceship on Venus/A Primeira Espaçonave em Vênus” (1960) de Kurt Maetzig, filme obrigatório aos fãs de sci-fi.

por Petter Baiestorf.

Veja “Zontar – The Thing From Venus” aqui:

Veja “It Conquered the World” aqui:

Capa do double feature com “First Spaceship on Venus” e “Zontar – The Thing From Venus” lançado no Brasil pela London Films.

Bicho Papão

Posted in Animações, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 3, 2012 by canibuk

“Bicho Papão” (2012, 5 min.) de Luciano Irrthum. Animação em stop motion.

O desenhista Luciano Irrthum parece estar se especializando em produções em stop motion, sua possibilidade real de trabalhar sozinho sem ter dores de cabeça com outras pessoas, como nos disse via e-mail: “Mexer com gente dá muita mão de obra. Falham nas filmagens, tem ressaca, não fazem algumas cenas, etc. Com bonecos eu acho melhor!”. Luciano Irrthum se tornou um dos mais cultuados desenhistas surgidos nos fanzines dos anos de 1990, lançou vários álbuns de quadrinhos geniais como a quadrinização do poema “O Corvo” de Edgar Allan Poe que saiu pela editora Peirópolis (não confundir com as duas outras versões quadrinizadas por ele nos anos 90 e editadas por mim em edições independentes que você pode conferir clicando em “O Corvo – Primeira versão” e “O Corvo – Segunda Versão“), começou a pintar quadros visualmente criativos/encantadores e, ainda, iniciou a produção de suas divertidas animações em stop motion como o hilário, e já clássico, “O Mingaú da Vovó“.

Paralelo aos seus trabalhos como desenhista (no momento Irrthum está ilustrando o livro “Baratão 66”, novo trabalho do ótimo escritor Bruno Azevedo, autor de “O Monstro Souza“), continua produzindo animações em stop motion, como seu novo curta “Bicho Papão” (não confundir com “Papão” de Edgar S. Franco) e finalmente finalizou um antigo projeto intitulado “Reciclados” (uma tentativa de filmar com pessoas reais), que estava parado a anos, e que você pode conferir agora no youtube:

Em “Bicho Papão” Luciano Irrthum brinca com os medos infantis ao nos contar a história que começa com um casal na sala de casa. O homem está pelado lendo jornal e sua esposa, também pelada, peida para chamar sua atenção. Quando ela ganha atenção dele, demonstra estar tarada, querendo sexo animalesco, e se agacha perto do pênis do marido para dar início a um delicioso boquete. Enquanto ela chupa o homem a flor, que fica num vaso em cima da mesa, dança feliz e excitada com a cena. Logo é a vez do homem se divertir chupando a mulher com sua língua procurando lubrificar o clitóris rosinha dela que se contorce de prazer inebriante. O ato sexual do casal tarado faz a casa tremer e, no quarto ao lado, o filho que dormia profundamente acorda apavorado com a porta de seu armário batendo fantasmagoricamente. O menino começa a gritar que há um monstro no armário e seu desespero broxante atrapalha a foda. Seu pai fica emputecido e vai até o quarto do moleque medroso para mostrar o que um monstro pode fazer e sua ação detona momentos hilariantes de extremo gore explícito e bestialismo sexual envolvendo sexo proibido como nunca antes mostrado em um curta brasileiro.

Com roteiro, fotografia, animação, bonecos, cenários, edição, sonorização e direção de Luciano Irrthum, ele prova de uma vez por todas que é possível fazer um excelente filme sozinho. “Bicho Papão” é um passo adiante nas experimentações de Irrthum com a técnica de stop motion e acredito que ele já está preparado para alçar vôos mais altos e complicados, talvez com um projeto de maior duração e roteiro mais complexo. Mas, por outro lado, dado a diversão de seu “Bicho Papão” que não tem receio de ser explícito, tanto no sexo quanto no gore, talvez Irrthum nem deva tentar vôos mais altos e sim continuar realizando bons curtinhas insanos e politicamente incorretos quanto este. Espero ver este fabuloso curta-metragem em inúmeros festivais de cinema brasileiro (cinema nacional é tão comportado que iniciativas insanas como essa de Irrthum são sempre bem-vindas).

por Petter Baiestorf.

100 Gatos que Mudaram a Civilização

Posted in Livro with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on março 1, 2012 by canibuk

“100 Gatos que Mudaram a Civilização” (247 páginas, editora Prumo), escrito por Sam Stall, é um livro que todos os amantes de gatos (e felinos em geral) precisam conhecer. Este livro chegou na minha mão porque a Leyla estava escolhendo um presente de aniversário prá dar para minha mãe e me perguntou qual livro ela adoraria ganhar, entre as opções que a Leyla planejava comprar, estava este ótimo livro que conta a história dos gatos mais influentes da história humana e como minha mãe é uma adoradora de felinos (e Leyla e eu também), pensei que seria lindo ela presentear minha mãe com este livro (já que eu poderia lê-lo emprestado). E este livro é muito bom, com uma linguagem simples e direta, Stall nos apresenta 100 gatos de personalidade forte que nos fazem relembrar os vários gatos que já cruzaram nossas vidas. Aqui conhecemos a história de Tibbles, o gato que, sozinho, eliminou uma espécie inteira. Ou de Ahmedabad, um gatinho siamês que despertou uma revolta por todo o Paquistão. Ou de Snowball, o gato que ajudou a condenar dezenas de assassinos e criminosos. E relembramos de outros felinos astros do cinema e televisão, como Orangey, a gata que aparece nos clássicos “This Island Earth” (1955) de Joseph M. Newman e “The Incredible Shrinking Man” (1957) de Jack Arnold (e que depois ficou famosa quando contracenou com Audrey Hepburn em “Bonequinha de Luxo”); ou da gatinha Mimsey que arremedou o leão da MGM para a produtora MTM; ou ainda o gato de rua Lucky (rebatizado com o nome de Morris) que estrelou os comerciais para a ração “9 lives” e virou celebridade. Ainda, como se não bastasse a história dos bichanos, ficamos sabendo algumas curiosidades de seus donos, como por exemplo, a inspiração que um felino dava ao Edgar Allan Poe quando ele escrevia seus contos, como Isaac Newton criou a portinha para animais por causa de seu gato mal humorado que sempre ficava entrando e saindo de casa e atrapalhando-o em seus projetos ou como Domenico Scarlatti compôs música com ajuda de sua esperta gatinha Pulcinela.

Monstro & Gojira (meus gatinhos).

“100 Gatos que Mudaram a Civilização” homenageia os felinos e suas extraordinárias contribuições à ciência, história, artes, política, religião e muito mais. Repleto de histórias reais envolvendo os gatos mais inteligentes do mundo e como eles fizeram a diferença!

Este post é dedicado para Gojira & Monstro!