Arquivo para mulher pelada

A Orgia das Graciosas Strippers Mortas

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 2, 2016 by canibuk

Orgy of the Dead (1965, 92 min.) de Stephen C. Apostolof. Roteiro de Edward D. Wood Jr. (baseado em sua novela “Orgy of the Dead”). Com: Criswell, Pat Barrington, Fawn Silver, Rene De Beau e Nadejda Klein.

orgy-of-the-deadCom uma trama praticamente inexistente “Orgy of the Dead” tenta contar a história de um casal (Pat Barrington, que no ano seguinte estaria no elenco de “Mondo Topless”, e William Bates) que, ao discutir sobre o quanto uma visita noturna a um cemitério pode ser inspiradora, se acidenta e acaba num cemitério (que é o mesmo de “Night of the Ghouls” de Ed Wood) onde encontra o todo poderoso “Imperador” (Criswell, impagável como sempre) que os aprisiona e convoca deliciosas almas penadas do além para números de dança hilários com strippers indígenas, mulheres gatos, múmia, lobisomem fajuto e toda uma fauna de curiosas personagens que dão a ideia de que o inferno é o melhor lugar do mundo.

black-ghoul-drunk

Fawn Silver e Criswell

Com este ponto de partida infantiloide “Orgy of the Dead” é uma grande brincadeira cinéfila involuntária com Edward D. Wood Jr. (aqui roteirista e faz tudo da produção) exercitando-se (sem querer) na metalinguagem. “Orgy” remete diretamente ao seu filme “Night of the Ghouls” (1958), um inacreditável horror sobrenatural com Criswell “interpretando” o mesmo papel. Para se ter uma ideia da precariedade de “Night of the Ghouls” basta contar que o filme foi filmado em 1958 e só lançado em 1983. Ed Wood, após filmar “Night” não tinha como pagar a conta no laboratório que revelou o filme, então os negativos ficaram apreendidos nos arquivos do laboratório até que em 1983 – depois que Wood e Criswell já estavam mortos, fazendo-me pensar que, talvez, eles nunca tenham nem assistido ao copião do filme -, quando o empresário Wade Williams pagou a conta, montou e lançou o filme que já era considerado obra perdida (à título de curiosidade, Wade foi diretor de “Terror From the Stars” (1969) e produtor associado em pérolas como “Invaders From Mars/Invasores de Marte” (1986) de Tobe Hooper e “Midnight Movie Massacre/Aconteceu à Meia Noite” (1988) da dupla Laurence Jacobs e Mark Stock). Ainda no campo da metalinguagem, o papel da personagem “Black Ghoul” foi escrito para ser interpretado pela Maila Nurmi (a Vampira de “Plan 9 From Outer Space”, que infelizmente se recusou a filmar) e acabou sendo feita pela atriz Fawn Silver, que depois esteve no elenco dos filmes “Unkissed Bride” (1966) de Jack H. Harris (isso mesmo, o produtor do Cult “The Blob/A Bolha Assassina” (1958) dirigido por Irvin S. Yeaworth) e do bagunçado “Terror in the Jungle” (1968), realização que teve três diretores (Andrew Janczak, Tom DeSimone e Alex Graton), cada um deles filmando um pedaço do filme.

 

Independente de “Orgy of the Dead” ser bom ou ruim (ele está muito além deste irrisório detalhe), é o grande marco na transição do Ed Wood da fase sci-fi/horror para o Ed Wood da pornografia. “Orgy” ainda não é pornô (nem erótico ele consegue ser), mas já não era mais uma tentativa de ser um filme de horror, flertando explicitamente com o subgênero Nudie Cutie em que qualquer mínimo enredo era mera desculpa para explorar as carnes femininas.

stephen-a-apostolov

Stephen C. Apostolof

O diretor de “Orgy” é Stephen C. Apostolof, que geralmente assinava com o pseudônimo AC Stephen, um especialista em sexploitations que pertenceu aos pioneiros do cinema adulto americano. Apostolof nasceu na Bulgária e durante a segunda guerra mundial fugiu para os USA. Seu primeiro emprego em solo americano foi como arquivista no estúdio 20th Century-Fox. Em 1957 se meteu na produção do filme “Journey to Freedon”, de Robert C. Dertano, onde conheceu o gigante Tor Johnson que trabalhava como ator e o apresentou ao Ed Wood. No início da década de 1960 Apostolof assistiu ao Nudie Cutie “The Immoral Mrs. Teas” (1959) de Russ Meyer e soube o que queria fazer de sua vida. E assim acabou produzindo/dirigindo quase 20 produções cheias da boa e sadia putaria que alegra nossa vida, vários destes filmes com roteiros escritos por seu amigo Ed Wood (além do “Orgy”, Wood também assina os roteiros de “Drop Out Wife” (1972), “The Class Reunion” (1972), “The Snow Bunnies” (1972), “The Cocktail Hostesses” (1973), “Five Loose Women” (1974, este lançado no Brasil com o título “As Fugitivas”) e “The Beach Bunnies” (1976), todos produzidos/dirigidos pelo búlgaro tarado). A parceria com Apostolof foi uma sobrevida na decadente carreira de Ed Wood, se iniciou em 1965 com este “Orgy of the Dead” e durou até 1978, ano de sua morte, com Apostolof garantindo uns poucos dólares para Wood nesta terrível fase e meio que repetindo o que o próprio Ed Wood havia feito por Bela Lugosi uma década antes. Em 2012 foi lançado um divertido documentário, “Dad Made Dirty Movies” de Jordan Todorov, sobre a  hilária e muito curiosa carreira de Apostolov.

criswell-predicts

O elenco de “Orgy” é encabeçado por Jeron Criswell King, o lendário “The Amazing Criswell”, que foi um vidente americano famoso por suas previsões sempre imprecisas. Filho de uma família dona de funerária, Criswell possuía um caixão no lugar da tradicional cama porque achava mais confortável dormir ali (aliás, o caixão de Criswell aparece no pornô “Necromania” (1971) de Ed Wood). Também foi locutor de rádio e amigo de celebridades decadentes como Korla Pandit e Mae West, sendo que a pobre Mae usava Criswell como seu conselheiro espiritual. Em março de 1963 ele previu que John F. Kennedy não concorreria à reeleição em 1964 porque algo iria acontecer com ele em novembro de 1963. Picareta ou não, o fato é que Kennedy foi assassinado em novembro de 1963. Em seu livro “Criswell Predict from Now to the Year 2000!” (à venda na Amazon por cerca de 10 dólares), previu que a cidade de Denver seria atingida por um raio espacial e todo o metal se transformaria em borracha. Neste mesmo livro também previa que seríamos todos canibais no futuro e que o fim do mundo aconteceria em 1999. Criswell apareceu em três filmes, o clássico “Plan 9 from Outer Space”, o cômico “Night of the Ghouls”, ambos de Ed Wood, e “Orgy of the Dead” em que, contam seus colegas de produção, filmou todas as suas cenas em estado de pileque constante acompanhado de seu velho amigo, e companheiro de copo, Ed Wood.

 

Paperback Background

Livro

“Orgy of the Dead” foi realizado por uma turma de técnicos que são uma espécie de “dream Team” do melhor do pior. A trilha sonora (conforme indica o site IMDB) é do compositor Jaime Mendoza-Nava (que não está creditado no filme), responsável por musicar inúmeras produções de “fundo de quintal”. A fotografia é de Robert Caramico, em início de carreira, que depois fotografou lixos imperdíveis como “The Black Klansman” (1966) de Ted V. Mikels, “Psychedelic Sexualis” (1966) de Albert Zugsmith, “Octaman” (1971) de Harry Essex, “The Doberman Gang” (1972) de Byron Chudnow, do clássico cult “Blackenstein” (1973) de William A. Levey, entre tantos outros. Caramico ainda foi diretor do pornô satânico “Sex Ritual of the Occult” (1970) que é um filme inútil que gosto bastante. O assistente de Caramico foi Robert Maxwell (que depois virou diretor de fotografia do clássico “The Astro-Zombies” (1968) de Ted V. Mikels e do fabuloso “Sweet Sweetback’s Baadasssss Song” (1971) de Melvin Van Peebles. O som de “Orgy” foi feito por Dale Knight que tinha em seu currículo trabalhos em vários filmes de Ed Wood (“Jail Bait”, “Bride of the Monster” e “Plan 9” tiveram o som feito por ele) e em produções como “The Astounding She-Monster” (1957) de Ronald V. Ashcroft e “The Cape Canaveral Monsters” (1960), outro delírio do diretor Phil Tucker, o grande responsável pelo genial “Robot Monster” (1953). E a edição ficou a cargo do diretor/produtor Don Davis que comandou o trabalho em filmes como o dramático “For Love and Money” (1967), também com roteiro de Ed Wood, e “Swamp Girl” (1971), sobre uma loirinha que é abandonada num pântano (curiosidade: Don Davis aparece atuando no papel de um Bêbado em “Plan 9”). Ainda sobre a equipe de “Orgy of the Dead”, diz a lenda que os diretores de segunda unidade , não creditados no filme, foram Edward D. Wood Jr. e Ted V. Mikels, mas duvido que tão capenga produção tenha tido uma equipe de segunda unidade.

orgy-of-the-dead1De certo modo a explosão do mercado de cinema adulto no final dos anos de 1970, aliado a popularização dos aparelhos de VHS que permitiam ao público ver putaria explícita no conforto do lar, foram os responsáveis por sepultar a carreira de toda uma geração de produtores/diretores independentes como Apostolof (e até gênios como Russ Meyer). Depois de “Ice Hot”, filme que lançou em 1978, Apostolof nunca mais conseguiu investidores para seus filmes eróticos (que preferiam a segurança financeira de investir no cinema hardcore). Como Apostolof detinha os direitos autorais de todos os seus filmes se dedicou a lançá-los no, então, crescente mercado de vídeo doméstico se tornando o distribuidor de seus agradáveis e bem humorados lixos cinematográficos (Russ Meyer, Ted V. Mikels, David Friedman, e outros, fizeram a mesma coisa).

Escrito por Petter Baiestorf para seu livro “Arrepios Divertidos”.

Assista “Orgy of the Dead” aqui:

Tarzann, o Bonitão Sexy na Cola do Playboy Maldito

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 13, 2013 by canibuk

Terra das SacanagensNudie-Cuties foram variações dos Nudist Films (que eram produções com a nudez tratada de forma natural, explorada em filmes como “This Naked Age/This Nude World” (1932) de Jan Gay; “Elysia, Valley of the Nude” (1933) de Bryan Foy, ou o clássico “Garden of Eden/Paraíso dos Nudistas” (1954) de Max Nosseck), onde a nudez natural e saudável das personagens ganharam histórias mais complexas (mas não tão complexas, já que eram filmes feitos para divertir de forma escapista os espectadores) nas mãos de diretores gaiatos como a dupla H.G. Lewis/David F. Friedman, em sua fase anterior ao gore sem limites iniciada com o clássico “Blood Feast” (1963), e a rainha dos filmes nudistas, Doris Wishman, que realizou belezuras como “Hideout in the Sun” (1960); “Nude on the Moon” (1961), inacreditável bobagem sobre astronautas americanos que vão pra Lua e descobrem que lá as pessoas vivem como que num grande campo nudista lunar; e “Blaze Starr Goes Nudist” (1962), estrelado pela stripper real Blaze Starr. Este maravilhoso subgênero cinematográfico lelo pelo menos um grande cineasta gênio ao mundo: Russ Meyer, que estreou na direção de longas com “The Immoral Mr. Teas” (1959) e foi o responsável pelos populares Nudie-Cuties que surgiram no rastro de seu pequeno clássico.

Aqui no Brasil, provavelmente de forma inconsciente e bem atrasado em relação ao seus irmãos pervertidos americanos/europeus, Nilo Machado seguiu os passos dos Nudies-Cuties (flertando muito com o cinema nudista) quando produziu a obra-prima “Tarzann, O Bonitão Sexy” (1977, 51 minutos, direção de Nilo Machado), que contava a história de um grupo de exploradores amadores que vai para a floresta atrás de um avião carregado de ouro que caiu na região onde Tarzann vive com sua esposa Jane e um preguiçoso cachorrinho de madame.

Tarzann1Não espere nenhuma história. Assim que o destemido grupo de aventureiros chega à floresta começam a se banhar num lago, cantar pelados em rodas de acampamento e esperar pelo encontro com o misterioso Tarzann (que, ao aparecer no final do filme, revela todo o bom humor cafajeste de Nilo Machado). Em todo o decorrer do filme as mulheres ficam de topless, sem ter o que fazer na trama, só restando a elas exibirem seus corpos naturais nús. Aliás, percebe-se nitidamente que o elenco de desconhecidos do filme se divertiu muito filmando essa pequena peça obscura do nosso glorioso cinema nacional.

Tarzann2Sempre tive curiosidade em saber como eram os detalhes técnicos dos filmes de Nilo Machado e pude constatar que ele não deve em nada ao cinema americano produzido sem orçamento no início dos anos de 1960, confesso que eu até esperava uma produção mais capenga e improvisada. Neste “Tarzann, O Bonitão Sexy”, temos também uma ótima trilha sonora composta por um grupo que incluía Nilo Machado, Perez Gonzaga, Luiz Nunes, Jair Lemos e J. Wilson, também compositores de ótimas canções como “Vamos Para a Selva”, “Hoje Estou Feliz” e “Não Facilita Nega Se Não”, presentes no filme que foi quase que inteiramente filmado nos estúdios Adelana, no Rio de Janeiro.

Outro filme com produção/direção de Nilo Machado que tive o privilégio de assistir foi “Playboy Maldito” (1973, 50 minutos, direção de Nilo Machado) que, aos moldes dos dramas tragicômicos debochados de George Kuchar, prima pelo exagero das situações dramáticas corriqueiras da vida mundana dos estudantes.

Playboy Maldito

Playboy2A história de “Playboy Maldito” não poderia deixar de ser mais brasileira: Rapaz de família rica vai estudar no Rio de Janeiro e usa sua mesada para viver fazendo festas na noite carioca. O “Playboy Maldito” não perdoa ninguém e de noitada em noitada, orgia em orgia, vai comendo todas as menininhas da cidade, fazendo com que até o comendador Vitorio Palestrina (“Estupro”, 1979, de José Mojica Marins) pareça um santinho. De sacanagem em sacanagem Nilo Machado conduz o espectador à um hilário dramático desfecho carregado de uma moral às avessas. Acho muito bonito quando pervertidos tentam dar lições de moral.

Playboy3Nilo Machado, à exemplo do já citado José Mojica Marins, mostra os ricos como verdadeiros monstros sem moral, todos eles vestidos com figurinos pobres feitos de roupas de segunda e objetos de cena cafonas, como os copos floreados presentes em várias cenas deste “Playboy Maldito”, o que confere à essas produções um sabor brejeiro único. Nilo liga a (pouca) história do filme com muito striptease de mulheres feias e uma trilha sonora simplesmente maravilhosa de Lafayete e seu Conjunto (segundo os créditos do filme), com algumas canções escritas/compostas pela dupla Nilo Machado e Marcus José, como “Noite Vazia” (interpretada por Carmem Silvania); “Logo Mais Você Vem” (interpretada por Ubirajara) e “Noite Sem Luar” (interpretada por Marcus José). Essas trilhas sonoras dos filmes de Nilo Machado deveriam ser lançadas em vinil para o completo deleite dos colecionadores da boa música nacional. Foi uma pena Nilo Machado não ter seguido uma carreira musical em paralelo à sua vida dedicada ao cinema.

Tarzann3

Os filmes de diretores como Nilo Machado são repletos de defeitos técnicos e limitações orçamentárias, mas pulsam cheios de vida e um estilo único de fazer/viver cinema. Estes pequenos grandes clássicos obscuros do cinema nacional precisam ser resgatados e salvos, são uma parte muito importante da arte e história da sociedade brasileira para continuarem perdidos. Espero que o documentário que Nelson Hoineff está fazendo sobre o cinema de Nilo Machado saia o quanto antes.

por Petter Baiestorf.

Zombaria!

Posted in Quadrinhos with tags , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 26, 2012 by canibuk

Cada vez que digitalizo alguma HQ me dou conta do quanto minha infância foi rica e maravilhosa. Fui criança num tempo em que você chegava numa banca de revistas e tinha uma infinidade de títulos para comprar. Hoje resolvi resgatar a HQ “Zombaria!”, com roteiro de Gilberto Britto e desenhos de Murilo Moutinho, que foi publicada na revista “Almanaque de Terror” número 1 em março de 1982 pela editora Vecchi.

Poppin Cherry – Omitto San – Episódio Final

Posted in Putaria, Quadrinhos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 3, 2012 by canibuk

Andei sentindo falta de putaria aqui no blog nos últimos tempos, culpa exclusivamente minha que sem querer fico falando apenas de cinema. Segue então a parte final da HQ “Omitto San” onde um pouquinho de sexo explícito embeleza a vida!

Para ler a primeira parte clique em “Poppin Cherry – Omitto San – Episódio 1“.

Para ler a segunda parte clique em “Poppin Cherry – Omitto San – Episódio 2“.

Catálogo Canibal Filmes 2012

Posted in Arte e Cultura, Camisetas, Nossa Arte, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 20, 2012 by canibuk

CAMISAS

Canibal FilmesSomente na cor preta, tamanho M, G ou GG. Preço: R$ 30.00 – É a camisa oficial da mais antiga produtora independente brasileira, responsável por clássicos sangrentos (como “O Monstro Legume do Espaço” (1995), “Eles Comem Sua Carne” (1996), “Blerghhh!!!” (1996), “Zombio” (1999) e “Raiva” (2001), entre outros), histéricos (como “Super Chacrinha e seu amigo Ultra-Shit em Crise Vs. Deus e o Diabo na Terra de Glauber Rocha” (1997), “Gore Gore Gays” (1998), “Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos” (1998), entre outros), divertidos (como “Criaturas Hediondas” (1993), “Caquinha Superstar a Go-Go” (1996), “Cerveja Atômica” (2003), “Ninguém Deve Morrer” (2009), entre outros) e momentos da mais pura experimentação radical (como “Chapado” (1997), “Bondage 2 – Amarre-me Gordo Escroto” (1997), “Não há Encenação Hoje” (2002), “Palhaço Triste” (2005), “A Curtição do Avacalho” (2006) ou “Vadias do Sexo Sangrento” (2008), e mais inúmeros outros. É a produtora que deu ao Brasil o legado de filmes como “Vai Tomar no Orifício Pomposo” (2004), “Arrombada – Vou Mijar na Porra de Seu Túmulo!!!” (2007), “Que Buceta do Caralho, Pobre só se Fode!!!” (2007) e “O Doce Avanço da Faca” (2010). Ao comprar e andar vestido com a camisa oficial da Canibal Filmes, todos seus amigos saberão que você apoia e investe na produção de filmes independentes.

O Doce Avanço da FacaSomente na cor preta, tamanho M, G ou GG. Preço: R$ 25.00 – Essa é a camisa oficial, de tiragem limitada e que não voltará mais para nosso estoque, do média-metragem gore feminista “O Doce Avanço da Faca”. Neste pequeno filme Petter Baiestorf e sua equipe de dementes voltaram seus olhos ao controle que os evangélicos tentam impôr à vida de todos. É um dos filmes brasileiros mais censurados de todos os tempos (perde somente para outras obras da própria Canibal Filmes, como “Deus – O Matador de Sementinhas” (1997), “Gore Gore Gays” (1998), “Boi Bom” (1998) ou “Arrombada – Vou Mijar na Porra do Seu Túmulo!!!” (2007), outras obras polêmicas dos Canibais do Sul do Brasil). Ao usar a camisa de “O Doce Avanço da Faca” você estará deixando bem claro que você não faz parte do rebanho, que você é um homem de espírito rebelde que clama pela liberdade individual, e livre arbítrio, de cada homem que vive neste planeta, com todos respeitando as diferenças e se fortalecendo com o apoio mútuo. Na foto ao lado Leyla Buk dá uma mostra de como as meninas podem costumizar suas camisas no conforto de seus próprios lares e deixar as camisas da Canibal Filmes ainda mais sexys.

Vadias do Sexo SangrentoSomente na cor preta, somente tamanho G. Preço: R$ 25.00 – Essa é a camisa comemorativa do clássico underground transgressor “Vadias do Sexo Sangrento”, filme de humor negro da Canibal Filmes onde o elenco inteiro interpreta nú a mais incrível sucessão de cenas de bom gosto do cinema brasileiro. Poucas peças dela no estoque e não será mais feita nenhuma. Se você ver alguém usando essa camisa vai saber na hora que é um dos poucos felizardos do mundo a ter essa magnífica camisa que atraí olhares por onde quer que passe, ou melhor, se você comprar agora uma das últimas peças será, com certeza, a pessoa mais descolada da festa, a pessoa cujo todos olhares serão direcionados e que chamará toda atenção. “Vadias do Sexo Sangrento” é um cult da Canibal Filmes que deixa todos molhadinhos!

ZombioSomente na cor preta, tamanho M, G ou GG. Preço: R$ 30.00 – “Zombio” (1999) é o primeiro filme autenticamente brasileiro a mostrar zumbis na tela, é um dos grandes clássicos sangrentos e alucinados do cinema brasileiro, é o filme de zumbi onde moscas perseguem a carne putrefacta dos zumbis e mostra o que seria a realidade fedida de um verdadeiro holocausto zumbi. “Zombio” se tornou uma peça cult na filmografia brasileira, um filme barato cheio de cenas hilárias (como o herói fazendo embaixadinhas com uma cabeça decepada) e que continua extremamente jovem e sempre conquistando novos fãs. É a camisa ideal para você comprar, vestir e sair por aí fazendo mais amigos! Vestindo uma camisa do filme “Zombio” todos saberão que você tem um senso de humor sádio, uma pessoa divertida capaz de rir das piadas mais politicamente incorretas,  uma pessoa que realmente vale a pena conhecer e se relacionar!

CanibukSomente na cor preta, tamanho M, G ou GG. Preço: R$ 30.00 – Essa é a camisa oficial do blog Canibuk que tem os leitores mais especiais do mundo. Canibuk foi criado por Petter Baiestorf e Leyla Buk em 2010 para a divulgação de cultura obscura e desde então se tornou uma marca da verdadeira cultura outsider, ponto de encontro de pensadores transgressores e leitores sedentos por informações do maravilhoso mundo da cultura independente. Canibuk está entrando no seu terceiro ano e criou essa linda camisa, com arte original de Leyla Buk, para que os leitores do blog possam passar a vestir a camisa do blog. A escolha de um punk prá ilustrar a camisa tem tudo haver com o blog que explora o faça você mesmo dos anos 1970 e 1980. Petter e Leyla, mesmo editando um blog, são eternos zineiros! Vista a camisa do Canibuk!!!

Accion MutanteSomente na cor preta, somente tamanho G. Preço: R$ 30.00 – Este filme não é uma produção da Canibal Filmes, mas é um dos filmes preferidos de Petter Baiestorf que, na falta de uma camisa oficial deste lindo filme, quis homenagear os 20 anos da produção de Álex de la Iglesia com uma camisa deste inacreditável clássico do cinema de humor negro. Foram feitas somente 10 peças desta camisa e assim que todas as peças serem vendidas não será mais colocada de volta ao estoque. Se você ainda não assistiu este filme saiba que está perdendo um dos maiores filmes de sci-fi gore do cinema mundial, é o filme que marca a estréia como diretor do genial Iglesia e trás participação de Santiago Segura em pequeno papel. Imperdível!!!

FILMES:

A Curtição do Avacalho (2006, 73 min.) de Petter Baiestorf. DVD simples – R$ 10.00.

Refilmagem livre de “O Incrível Homem Que Derreteu” (“The Incredible Melting Man“) transformada em história ateísta de histeria-pop com fundos de comédia anarquista na melhor tradição do cinema udigrudi brasileiro dos anos 60/70. Mais do que uma simples homenagem, “A Curtição do Avacalho” prova que é possível dar continuidade às experimentações do cinema Marginal adicionando um caldo gore-transgressor. O DVD ainda inclui os fantásticos extras: galeria de fotos da produção, roteiro, cenas deletadas, erros de gravação, trailer de produções independentes, o documentário “Baiestorf: Filmes de Sangueira e Mulher Pelada” (2004) de Christian Caselli e o mais genial menu-pegadinha de todos os tempos.

O Monstro Legume do Espaço (1995, 77 min.) de Petter Baiestorf. DVD simples. R$ 12.00.

Clássico do cinema underground brasileiro precursor de todas as produções do gênero que ganharam lançamento independente após “O Monstro Legume do Espaço” tomar de assalto a grande mídia nos anos 90 provando que era possível realizar o sonho do cinema com pouquíssimos recursos. Aqui um alienígena constituído de fibras vegetais chega ao planeta Terra e é aprisionado por um cientista. Com ajuda do coprofago Caquinha ele consegue escapar e promove um banho de sangue carregado de vísceras humanas. O DVD é um programa duplo que trás as duas primeiras partes de “O Monstro Legume do Espaço” (a original de 1995 e a segunda parte de 2006), com legendas em inglês, making off, erros de gravação, vídeo-clips, galerias de fotos e trailers de outras produções independentes.

Arrombada – Vou Mijar na Porra do seu Túmulo!!! (2007, 38 min.) de Petter Baiestorf. DVD simples. R$ 12.00.

Um traficante condenado é obrigado por um juiz de direito eleito senador duas vezes pelo voto popular à seqüestrar uma menina para saciar seus mais baixos instintos bestiais na companhia de seu médico particular punheteiro e seu padre amado. Muita putaria e violência no retorno de Baiestorf aos filmes de sexploitation carregados de críticas sociais. Masturbe-se e goze gostoso com este festival de estupros e o peculiar humor bizarro da Canibal Filmes. Por ser um média-metragem, o fantástico DVD de “Arrombada” ainda traz os curtas: “Que Buceta do caralho, Pobre só se Fode!!!” (2007, de Baiestorf), “Manifesto Canibal – O Filme” (2007, de Baiestorf e Souza), “O Nobre Deputado Sanguessuga” (2007, de Baiestorf), “Amigo Imaginário” (2007, de Baiestorf e Gurcius), “Dark Angel” (2007), “O Manjar dos Deuses” (2007, de Gustavo Insekto), “Apagogia” (2007, de Moacir Siso) e “Tudo Começou Quando Mamãe Conheceu Papai” (2007, de Gurcius Gewdner). Mais os maravilhosos extras com legendas em inglês, trailers, making offs, erros de gravação, entrevistas com Baiestorf, faixas de comentário em áudio com Baiestorf, Coffin Souza e Gurcius Gewdner e o documentário “Um Arrombado na Estrada”.

Zombio/Eles Comem Sua Carne (1999-1996, 45 min.-73 min.) de Petter Baiestorf. DVD simples. R$ 12.00.

Incrível double feature com dois clássicos do cinema gore brasileiro. “Zombio” é o primeiro filme com zumbis produzido no Brasil, conta a história de um casal de playboys ecologistas que vai namorar numa ilha deserta e encontra uma horda de zumbis canibais. “Eles Comem Sua Carne” mostra a hilária história de vida de um grupo de canibais anti-sistema que vive em harmonia devorando fiscais da prefeitura de Palmitos que vão cobrar o IPTU atrasado. Traz de extra os curtas “Zumbis do Espaço de Lá” (2008, de Larissa Anzoategui), “Colt Romero” (2008, de Cristian Verardi), o documentário “Andy – Chegando ao Zombio”, documentário “Revisitando o Set de Zombio 10 Anos Depois”, faixas de comentário em áudio, trailers, testes de FX e making off de Eles Comem Sua Carne.

Vadias do Sexo Sangrento (2008, 31 min.) de Petter Baiestorf. DVD duplo – R$ 17.00.

Como todo bom macho que pensa com a cabeça do pau, Russ começa a perseguir sua ex-namorada Mirza que o trocou por Tura, uma lésbica boa de língua e de bunda. Muita sangueira e sadismo na comédia romantica onde Baiestorf discute o relacionamento amoroso em nossa sociedade de forma quase adulta debochando dos clichês do gênero. “Vadias do Sexo Sangrento” é experimentalismo radical que dá seqüência as teorias do livro “Manifesto Canibal” (de Baiestorf e Coffin Souza), grande bíblia profana do cinema underground brasileiro. O DVD duplo traz ainda os curtas “Rottina” (2008, de Rodrigo Pedroso), “Palhaço Triste” (2005, de Baiestorf), “Dia de Ano” (2005, de Gurcius Gewdner), “Dominação Bizarra” (2004, de Zé Colmeia), o documentário “Vadias no Cinehorror 3”, legendas em inglês, dublagem em inglês, making off, erros de gravação, faixas de comentário em áudio de Baiestorf e Coffin Souza e entrevistas com Carli Bortolanza, Lane ABC, Ljana Carrion, Elio Copini, Everson Schütz, PC e Petter Baiestorf.

Triunvirato (2004, 55 min.) de Gurcius Gewdner – DVD simples – R$ 10.00

O dramático documentário sobre o processo de criação de Gurcius Gewdner como diretor e com o conjunto musical Os Legais. Mostrando as duras verdades da vida, causou comoção e ódio em todos os cantos do planeta onde foi exibido. Sinta o sabor da dor e da verdade neste documento chocante, revelador e repleto de suspense, que irá embelezar o vazio de sua vida. Um filme que ensina de maneira soberba a arte de ser picareta, as lições estão aqui, é só você destilar tudo, ruminar, aplicar na sua vida e ficar famoso. Extras: Legendas em inglês, galeria de fotos, trailers, jogo dos sete erros, making off, discografia de Os Legais e Os Legais em estúdio.

Mamilos em Chamas (2007, 80 min.) de Gurcius Gewdner – DVD simples – R$ 10.00

A saga do homem que trocou o ritmo alucinante da noite latejante pelas alegrias iluminadas do amor. Um filme que fará seu corpo e toda sua família explodir em prazer com as mais excitantes cenas de sexo e ação já gravadas no cinema brasileiro. É a emocionante história de um coelho perversamente dividido entre as delícias sem fim do prazer pulsante, a dura realidade do trabalho assalariado e a mais completa bestialidade, tudo isso em conflito com a descoberta do amor resplandecente. Poderá este homem aceitar o passado negro de sua amada e ajudá-la a recuperar seu pobre filho das mãos de malignos malfeitores? Erótico! Dramático! Místico! Relaxante! Romântico! Frenético! Assustador! Sem extras!

Confinópolis (2012, 15 min.) de Raphael Araújo. DVD simples. R$ 15.00

“Confinópolis” é um curta de Raphael Araújo com base em uma HQ dele mesmo que havia sido publicada na revista Prego anos atrás. A HQ virou um filme político de primeira grandeza, teorizando sobre um povo que se deixa governar por um tirano (que pode ser qualquer político, mesmo os políticos “bonzinhos”). Aqui vemos um lugar fictício onde as criaturas possuem uma fechadura no lugar do rosto e todos tem a esperança de que a salvação virá na figura de uma chave. Essa é a pequena deixa para que Araújo teorize sobre a manipulação política, sobre a televisão (um lindo flashback em animação – cortesia do artista Felipe Mecenas – explica como a sociedade ficou hipnotizada por milhares de caixas de luz hipnótica) e sobre como ações individuais podem fazer a diferença em uma sociedade. Quem fica em silêncio concorda com as atrocidades cometidas por políticos, religiosos, militares e imprensa, que sempre caminham de mãos dadas pelo jardim da tirania. Leia mais sobre este ótimo curta em “Confinópolis – A Terra dos Sem Chave“.

A Noite do Chupacabras (2011, 105 min.) de Rodrigo Aragão. DVD simples. R$ 20.00

A história de Douglas Silva (Joel Caetano), que retorna ao seu berço familiar no interior do Espírito santo, acompanhado de sua namorada grávida (Mayra Alarcón). Mas as coisas não estão bem para sua família, a morte de vários animais, reacende um antigo conflito com seus vizinhos agressivos e rivais, os Carvalho. Um rotineiro conflito de bar, quebra a trégua na guerra familiar e entre agressões, tiros e facadas, todos vão descobrir que um mal muito maior está entre eles: uma monstruosa e faminta criatura escondida na mata. Os Silva e os Carvalho, vão se matar e serem mortos pelo monstro, e ainda encontrar no caminho a figura mítica e também perigosa do “Velho-do-Saco” (Cristian Verardi). Douglas vai ter que provar a força que não se transformou em típico rapaz covarde da cidade grande e enfrentar a fúria do Chupacabras (Walderrama dos Santos) e do perigoso e demente Ivan Carvalho (Petter Baiestorf). Novamente como em “Mangue Negro” (2008), Rodrigo Aragão assume a direção, roteiro e efeitos especiais de maquiagem com extrema competência e grande parte do elenco também se divide em múltiplas funções técnicas, típico do cinema independente e de guerrilha. Um elenco afinado (e principalmente, escolhido “a dedo”), cenários naturais e muito bem fotografados e uma trilha sonora composta por grupos regionais como Vida seca, Pé do Lixo, Manguerê e Panela de Barro, que acompanha a trama de vingança, suspense e ação, sem cair no lugar comum de músicas eletrônicas, Rock pesado ou música Clássica de arquivo . A trama se desenvolve de forma natural, e para os impacientes com a demora da entrada do personagem-título em cena, a magnífica e original maquiagem “full-body” e a performance de Walderrama dos Santos enche os olhos e mostra que apesar da trama central ser focada na guerra interiorana entre famílias, este é sim , um filme de Monstro! Um monstro nacional (ou nacionalizado) e com todas as chances de ter uma carreira internacional, como aliás já está acontecendo: devagar, sorrateiro como um ataque de um Chupacabras! Leia mais sobre “A Noite do Chupacabras” aqui. Extras: Making of, galeria de fotos, trailers.

Se você se interessou em algum DVD, deposite o dinheiro na conta

BANCO DO BRASIL

Ag. 0736-6

Conta 16.625-1

Em nome de Iara Beatriz Padilha Dreher

Para maior agilidade, mande comprovante de depósito pro e-mail baiestorf@yahoo.com.br (no caso de não enviar comprovante em anexo ao pedido, levamos até 10 dias úteis para confirmar depósito).

Tendo feito pedido, não esqueça de enviar seu endereço postal para entrega dos DVDs para o e-mail baiestorf@yahoo.com.br

ENTRE EM CONTATO PARA CALCULARMOS O VALOR DAS DESPESAS POSTAIS. COMPRAS ACIMA DE R$ 100.00 O CORREIO É POR NOSSA CONTA.

Qualquer dúvida escreva solicitando informações para o e-mail baiestorf@yahoo.com.br

Download de Produções Canibal Filmes

Posted in Nossa Arte, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 19, 2012 by canibuk

Ontem teve uma megamobilização de net contra o projeto de lei SOPA que acabou sendo barrada pelo Obama. Não vou me adentrar aqui em discusões sobre a lei, nem sobre censura, nem nada! Só sei que qualquer meio de controle, qualquer tipo de proibição, qualquer método de fiscalização das informações me assusta (sou daqueles que pensa que a maioria dos problemas podem ser resolvidos com educação de qualidade, aprender a interpretar um texto te ajuda em muito na vida, estudar história para conhecer o futuro, etc…). Sou produtor de filmes independentes, pouco da minha produção está disponível na internet para download, mas devido a esse projeto de lei sem noção, resolvi divulgar alguns links de filmes que estão na net e podem ser baixados gratuitamente (tenho todos estes filmes em DVDs colecionáveis, se alguém quiser eles com capinha escreva para baiestorf@yahoo.com.br solicitando informações).

Segue links de alguns filmes que estão disponíveis na net para download:

Zombio (1999) – escrevi e dirigi este média-metragem em 1998, ele foi produzido pelo Coffin Souza em nossa última parceria pela Canibal-Mabuse Produções. Aqui contamos a história de um casal que vai namorar numa ilha e acabam descobrindo zumbis carniceiros. “Zombio” acabou sendo considerado o primeiro filme brasileiro com zumbis (não concordo com este título, já que em 1996 produzi/escrevi/dirigi o “Blerghhh!!!” onde já explorava a temática zumbi). Leia mais sobre isso AQUI.

DOWNLOAD de ZOMBIO

Fragmentos de uma Vida (2002) – Este curta-metragem nem era prá existir! Em 2000 escrevi o longa-metragem “Mantenha-se Demente” que comecei a filmar e não consegui concluir por falta de dinheiro. As cenas vistas neste curta foram filmadas para fazer parte do longa abortado e, como sou contra desperdiçar material, resolvi transformar num curta-metragem que acabou fazendo considerável “sucesso” em mostras de botecos e shows de grind. Em cena temos a oportunidade de acompanhar o Loures Jahnke (que fez o papel do Monstro Legume em 1995) e o PC desmembrando a Juliana (que trabalhou conosco em apenas este filme).

DOWNLOAD de FRAGMENTOS DE UMA VIDA

O Monstro Legume do Espaço 2 (2006) – Após eu ter filmado o longa-metragem porra-louca “A Curtição do Avacalho” (também de 2006) a grana em caixa na Canibal Filmes era praticamente nenhuma, mas a gente tem problemas e mesmo assim resolvemos fazer a continuação do “O Monstro Legume do Espaço” (1995). Sem dinheiro, com meia dúzia de amigos me ajudando, filmando no mais completo improvisso, finalizamos uma verdadeira porcaria completa. Aqui, um veterinário (Elio Copini) encontra o Monstro Legume (desta vez interpretado pelo Everson Schütz) ferido e o ajuda, assim a amizade entre Monstro Legume e o humano bonzinho desperta a fúria de um bando de colonos do Oeste Catarinense preconceituosos. Mesmo sendo ruim que dói, está na programação da Retrospectiva Canibal Filmes 20 Anos.

DOWNLOAD de O MONSTRO LEGUME DO ESPAÇO 2

Arrombada – Vou Mijar na Porra do seu Túmulo!!! (2007) – Esse média-metragem marca a volta da Canibal Filmes na produção de sexploitations. Escrevi este filme em 3 dias, chamei a Ljana Carrion para ser a atriz (parceria que continuamos com “Vadias do Sexo Sangrento” e “Ninguém Deve Morrer”), filmamos tudo em 4 dias com PC, Coffin Souza, Gurcius Gewdner e Vinnie Bressan, foi divertido demais a produção deste pequeno exercício de humor negro. Agora meu amigo Osvaldo Neto colocou o média prá download em comemoração ao SOPA.

DOWNLOAD do trailer de ARROMBADA

DOWNLOAD de ARROMBADA

Vadias do Sexo Sangrento (2008) – Este é o média-metragem onde mais me diverti filmando, não tive nenhum problema de produção, o orçamento era mais alto do que costumo ter na mão, não precisei mudar nenhuma cena do filme e os 5 dias de filmagens foram extremamente calmos. Tenho que agradecer aqui, publicamente, pela grande ajuda de Coffin Souza, Ljana Carrion, Lane ABC, PC, Jorge Timm, Elio Copini, Gurcius Gewdner, CB Rot e meu pai Claudio Baiestorf que deram duro para que o filme ficasse essa diversão toda. Aqui no filme duas lésbicas são perseguidas pelo ex-namorado de uma delas e acabam cruzando o caminho do psicótico Esquisito.

DOWNLOAD de VADIAS DO SEXO SANGRENTO

Estes Praticamente Estranhos Filmes de Horror Nacional

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 6, 2011 by canibuk

Com um atraso incrível (as primeiras salas de exibição brasileiras surgiram em 1896 e as primeiras produções locais logo em seguida) num país sabidamente supersticioso e com um rico folclore, nossos primeiros filmes de terror e sobrenatural só apareceram durante os anos 1960, Assim sendo, a trajetória do gênero no Brasil se confunde com a de seu maior ícone: José Mojica Marins (1931). Paulista, neto de espanhóis, criado dentro de um pequeno cinema que seu pai gerenciava na Vila Anastácio, Lapa. Desde criança, se interessou por teatro, histórias em quadrinhos e principalmente cinema. Com a colaboração da família e amigos criou uma escola de atores/produtora mambembe e depois de rodar um faroeste nacional e um melodrama infantil criou o personagem Josefel Zanatas, mais conhecido como Zé do Caixão para o clássico “A Meia Noite Levarei a sua Alma” ( 1964). O próprio diretor/roteirista assumiu o papel do coveiro sádico em sua busca insana por uma mulher perfeita que lhe daria um filho superior e a imortalidade. Julgando ter encontrado a mulher ideal, Zé violenta a namorada virgem de um amigo seu. A garota desesperada se suicida, mas antes promete voltar dos mortos para buscá-lo. A figura sinistra de longas unhas, barba, cartola e capa preta iniciaria uma longa relação simbiótica entre criador-criatura/ator-personagem, que extrapolaria a mídia e criaria raízes no imaginário popular. “A Meia Noite Levarei a Sua Alma” dividiu a crítica da época, afinal a produção era recheada de blasfêmias, sexo, violência, filosofia de botequim, diálogos hilários e cenários de papelão. O terror e o trash nasceram juntos entre nós, e o público adorou. Estreando primeiro em São Paulo e depois no Rio de Janeiro, o filme foi um grande sucesso, mas por total falta de gerenciamento da produção, Mojica ficou sem nenhum centavo das bilheterias lotadas.

Em Belo Horizonte (MG), o veterinário Luiz Renato Brescia ( 1903-1988) realizador independente de pequenos documentários, também se aventurava em gêneros pouco comuns por aqui. Tentou rodar um Western em 1945 e sete anos depois produziu um Peplum (Épico romano) “Nos Tempos de Tibério César” com direção de seu filho Ettore. Com parcos recursos começou a rodar nos fins de semana, “Phobus, Ministro do Diabo” (1965), sobre um ser nascido com a missão de espalhar o mal sobre a terra. Realizado com um elenco de amadores, equipe técnica diminuta e contando com inúmeros “defeitos especiais” óticos desenvolvidos pelo próprio diretor, a obra só ficou pronta na década seguinte e recebeu um lançamento precário em 1974, encerrando a carreira de Brescia e lhe legando um status cult/trash digno de um Ed Wood nacional.

Após transferir seus modestos estúdios para uma sinagoga abandonada (e com fama de assombrada, um ótimo marketing!), Mojica entusiasmado com o sucesso de seu primeiro filme de terror, decide dar continuidade a história. Em “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” (1966), Zé do Caixão continua sua busca insana e com a ajuda de seu fiel criado, o corcunda Bruno rapta várias jovens e as submete a torturas que envolvem aranhas caranguejeiras e um poço com serpentes (exigindo realismo e poupando nos efeitos especiais, Mojica utilizou bichos de verdade, uma tortura verdadeira para o elenco feminino e técnicos). Atormentado pela culpa de ter assassinado uma mulher grávida, Zé sonha que é arrastado para um inferno gelado e a cores (o filme assim como o anterior era em p&b, com exceção desta seqüência antológica) e no fim acaba morrendo afogado e blasfemando. A rígida censura da época, já preocupada com as ousadias do diretor, o obrigou a realizar uma re-dublagem tosca mostrando o personagem amoral e agnóstico se convertendo no último instante. Promovido pela imprensa a superstar e paparicado pelos cineastas do movimento “Cinema Marginal” (Sganzerla, Reinchenbach e outros), José Mojica ganhou um programa na TV Bandeirantes: “Além, Muito Além do Além” (1967/1968) que tinha episódios de uma hora de duração com direção sua e tendo Zé do Caixão como mestre de cerimônias. O sucesso de audiência muito se deve as histórias escritas por Rubens Francisco Lucchetti (1934), autor de centenas de livros populares de bolso, histórias em quadrinhos e roteiros para cinema e TV. Baseado nas histórias de Lucchetti para o show, o produtor Antonio P. Galante (1934), astuto empresário da “Boca do Lixo”, investiu em um filme de episódios de terror. Mojica dirigiu “Pesadelo Macabro”, sobre catalepsia e enterro prematuro, enredo bastante influenciado pelo escritor americano Edgar Allan Poe (1809-1849). Ozualdo Candeias (1922) adaptou “O Acordo”, sobre um pacto com o capeta, e Luiz Sérgio Person (1936-1976) conduziu “A Procissão dos Mortos”aonde apareciam guerrilheiros fantasmas. Apesar do filme se chamar “Trilogia de Terror” (1967), as adaptações dos outros dois cineastas nada tinham de assustador, pendendo para o experimentalismo marginal e a crítica política (com um explícito chamamento às armas, numa época onde as esquerdas estavam abaladas pela morte do líder guerrilheiro Che Guevara). Mas Mojica gostou da fórmula de um filme em episódios e tocou a produção de “O Estranho Mundo De Zé do Caixão” (1968), que ele encomendara para R.F. Lucchetti antes ainda do programa televisivo. As três histórias macabras foram rodadas em apenas  17 dias, em cenários construídos na sinagoga. Em “O Fabricante de Bonecas”, marginais invadem a casa de um  artesão para roubar e abusar de suas filhas e descobrem da pior forma  como o velho conseguia olhos realistas para seus brinquedos; em “A Tara”, um pobre corcunda vendedor de balões é apaixonado por uma bela jovem e só consegue consumar sua paixão depois que ele morre; finalmente em “A Ideologia”, Mojica apresenta seu “novo” personagem, o Professor Oaxiac Odez, que desafiado em um programa de debates na TV a provar sua tese que o instinto supera a razão, tranca um casal em sua masmorra e os submete a torturas, humilhações e canibalismo, se o nome do professor era  Zé do Caixão ao contrário, suas idéias e métodos são muito parecidos e até mais cruéis. “Trilogia do Terror” e “O Estranho Mundo De Zé do Caixão” estrearam em 1968 com uma infinidade de cortes exigidos pela censura.

O formato de longa com histórias curtas foi utilizado em 1969 em “Incrível, Fantástico, Extraordinário”, adaptação de um programa radiofônico muito popular nos anos 50/60. Realizado por Adolpho Chadler (1931), com o astro-cantor Cyll Farney (1925) num elenco que vivia 4 histórias populares de sobrenatural: “A Ajuda”, sobre um motorista que é avisado por uma mulher de um trágico acidente e ao salvar o filho dela descobre que ela já estava morta; “O Sonho”, com uma garota que pode prever mortes em sonhos, inclusive a sua; “A Volta”, onde uma viúva é atormentada pelo retrato do falecido e “O Coveiro”, sobre um ladrão de túmulos que recebe o castigo merecido.

Chadler voltaria com outra antologia “O Impossível Acontece” (1970), agora com roteiro e co-direção dos famosos Anselmo Duarte (1936) e Daniel Filho (1937) e os episódios fantásticos ”O Acidente”, “Eu, Ela e o Outro” e “O Reimplante” (com os hilários Tião Macalé & Wilza Carla) ao estilo do seriado americano “Além da Imaginação” (Twilight Zone) com um tempero nacional. Uma sátira ao gênero, com a brasileiríssima fórmula da Chanchada trouxe em 1969 “Um Sonho de Vampiros” de Iberê Cavalcante (1935), O humorista Ankito (1923) vive o Dr. Pan, um velho médico da pacata cidade de Paraíso Tropical que faz um pacto secreto com a Morte e acaba se transformando em um vampiro que ataca e transforma as principais autoridades de sua pequena cidade. Fugindo da infestação de vampiros, um jovem casal de namorados vive várias aventuras.

José Mojica apesar de ter se transformado em um artista multimídia (cinema, TV, histórias em quadrinhos, disco de carnaval, marca de cachaça e até uma linha de perfumes!) continuava não administrando sua carreira e estava falido. Com a ajuda de seus alunos, amigos do Cinema marginal e um providencial financiamento bancário, decidiu rodar um filme radical, misturando horror, violência urbana, drogas e metalinguagem seguindo a onda sessentista de filmes psicodélicos. “Ritual dos Sádicos” escrito por Lucchetti e dirigido por Mojica, contava como um psicólogo utilizava quatro cobaias humanas, fazendo-as ter alucinações envolvendo Zé do caixão através de injeções de LSD. Rodado e divulgado em 1969, foi totalmente barrado pela censura e só liberado em 1983, já com o título de “O Despertar da Besta”, tendo lançamento apenas em festivais e mostras especiais.

A década de 70 foi a mais promissora para o Horror brazuca, o movimento Udigrudi (Underground verde-amarelo, também conhecido como Cinema Marginal) e a emergente produção da chamada “Boca do Lixo” providenciaram o estufo “B” necessário. “Os Monstros de Babaloo” de Elyseu  Visconti Cavallero (1939) e “A Possuída dos Mil Demônios” de Carlos Frederico (1945), ambos de 1970, são fantasias bizarras e simbólicas que tanto podem ser vistas como variações burlescas do terror, como alucinadas críticas a sociedade. O primeiro à sociedade burguesa com um humor negro pré John Waters nas desventuras de uma família grotesca em uma ilha; e o segundo à pobreza e ignorância de nossas favelas onde afloram superstições  e loucura à lá Passolini.

“Fantasticon, Os Deuses do Sexo”, de 1971 é mais um filme em episódios. “A Curtição” de Teresa Trautman (1951) e “Os Últimos” e “Kelak, A Bruxa” de José Marreco (1946), possuem toques de psicodelia, ficção científica e sobrenatural, respectivamente, e narrativas experimentais, em uma produção de baixíssimo orçamento realizada pelo casal com equipamentos emprestados.

“O Macabro Dr. Scivano” (1971) de Raul calhado(1938) e Rosalvo caçador (?), mostrava como um político fracassado se envolvia com magia negra e em troca de riqueza e poder se transformava numa espécie de vampiro tupiniquim. No final, depois de reduzido a pó pela força de uma cruz, um psicólogo diagnostica que ele era apenas um paranóico (em um final copiado descaradamente de “Psicose” de Alfred Hithcock de 1960). Promovido na época como “O Primeiro filme brasileiro de Ficção Científica” (?!), era na verdade uma tentativa de imitar o terror de Mojica, inclusive com o ator e co-diretor Calhado fazendo aparições públicas caracterizado como o seu personagem.

O ítalo-brasileiro Raffaele Rossi (1938), escreveu, dirigiu e estrelou uma fábula de horror questionando a autoridade paterna e a negligência familiar intitulada “O Homem Lobo” (1971), onde um professor de uma cidade do interior  descobre que seu filho adotivo, que fora criado longe dele  sofre de licantropia , e nas noites de lua cheia se transforma em uma criatura que ataca as mulheres da região. Primeiro ele tenta encobrir os crimes assumiando a culpa e depois decide caçar e eliminar o lobisomem.

Rituais de magia negra e cultos jovens com líderes ao estilo do americano Charles Mason são o tópico de “O Guru Das Sete Cidades” (1972) de Carlos Binni (1940), sobre um casal de milionários em crise que se envolve com uma seita hippie que exige sacrifícios humanos. Outro casal se enreda com o capeta e seus seguidores em “O Diabo tem Mil Chifres” (1972) de Penna filho (1936). Recém casados, eles recebem uma carta de uma misteriosa “corrente” e logo aparece um artista plástico determinado a seduzir e levar a mulher. O marido recebe uma proposta do demônio para resolver toda a questão… A Licantropia, tema presente em inúmeros relatos de nosso folclore e certamente trazido da Europa por nossos colonizadores, retornou a tela em 1974 com “Lobisomem, O Demônio da Meia Noite”. A pobreza da produção, a edição caótica e os diálogos beirando o surrealismo marcam outro udigrudi típico de Eliseu Cavallero. Wilson Grey (1923-1993) em seu primeiro papel principal, é um milionário exêntrico, que mora em  um chalé próximo a uma mata e que preside um culto de bebedores de sangue, se transformando em um lobisomem (que mais parece um vampiro), até ser exterminado por uma figura mística chamada Branca Justiça.

Já “Quem Tem Medo de Lobisomem?” de Reginaldo Faria (1938), do mesmo ano, brinca com o tema e coloca dois rapazes da cidade grande em busca de suas raìzes e da lenda do “lobisomem das sete encruzilhadas” e que acabam encontrando uma família do interior que parece asombrada por fantasmas e que tem seis filhas mulheres e um caçula que seria um homem lobo. Uma mistura confusa que seu diretor/ator definiu como “um filme de terror com bom humor”.

O suceso internacional do terror-católico “O Exorcista”, de 1973, levou o produtor Aníbal Massaini Netto (1945) a investir em um similar nacional : “Exorcismo Negro”(1974) de e com… José Mojica Marins. Na trama bolada por Lucchetti, o diretor Mojica descança na casa de campo de uma família tradicional e pacata (com um elenco Global da época) e acaba enfrentando uma bruxa (Wanda Kosmo), um filho do capeta e o próprio Zé do Caixão, que é convocado pela feiticeira para cobrar uma dívida infernal. Numa produção refinada e bem acabada para os padrões de Mojica, ele acabou representando uma auto-paródia, ao ser mostrado como um intelectual de muito sucesso. Numa jogada publicitária genial, o próprio Zé do Caixão improvisava comícios na frente dos cinemas que exibiam o filme gringo e anunciava “O diabo é nosso! O diabo brasileiro é melhor!”, conclamando o público a assistir sua versão.

Ainda em 1974 tivemos o surpreendente “O Anjo da Noite” de Walter Hugo Khoury (1929-2003), um drama de suspense e terror psicológico baseado em um fato verídico vivido por uma babá brasileira nos EUA (que também inspirou o americano John Carpenter  a criar seu clássico “Halloween” em 1978). Na história, premiada no Festival de Cinema Fantástico e de Terror de Sitges (Espanha), uma jovem universitária (a linda e expressiva Selma Egrei) aceita cuidar de duas crianças durante uma noite em uma mansão isolada. Pouco a pouco ela é assustada por misteriosos telefonemas e por uma presença sinistra dentro da casa. Uma pequena obra prima densa e perturbadora. O argentino Carlos Hugo Christensen (1914-1999) também fez uso do telefone como instrumento torturador em “Enigma para Demônios” (1975), baseado no conto de Carlos Drumond de Andrade “Flor, Telefone, Moça”. Monique Lafond vive uma mulher que após perder seu filho, volta para a casa da família. Depois de retirar uma rosa depositada em um túmulo, passa a ser aterrorizada por contínuos telefonemas, em que uma voz  pergunta “onde está a rosa que você tirou da minha sepultura?”. Ela refugia-se em um sítio onde não há telefone, mas outros fatos misteriosos parecem confirmar uma trama sobrenatural. Christensen voltaria ao suspense fantástico com “A Mulher do Desejo” (1976) baseado em idéias do escritor Nathaniel Hawthorne sobre a sobrevivência do espírito e com diálogos precisos de Orígenes Lessa. Recém casados vão morar em um casarão do sec.XVIII e o homem parece possuído pelo fantasma de seu tio, adquirindo até algumas características físicas do morto, o que obriga sua esposa a procurar um exorcista. Foi filmado sob o título de “A Casa das Sombras”, utilizando atores amadores e a arquitetura peculiar de Minas Gerais. “Seduzidas pelo Demônio”(1975) foi a volta de Raffaele Rossi (que faria fortuna anos depois ao iniciar o ciclo de sexo explícito com seu “Coisas Eróticas”) ao terror misturado com conflitos familiares tendo como pano de fundo o tema da moda, a possessão diabólica. Um universitário é possuido espírito do mal e provoca a morte de várias mulheres. Seu pai adotivo vem em seu auxílio e descobre que ele fora resgatado quando criança de um grupo de adoradores do diabo. O conflito final entre os dois é inevitável, assim como o uso de uma cruz como arma contra o Tinhoso…

Uma livre adaptação da história policial “O Caso dos Dez Negrinhos” da escritora Agatha Christie, gerou o suspense “O Signo de Escorpião” de Carlos Coimbra (1928). Um grupo de doze pessoas  é covidado por um famoso astrólogo a visitar sua ilha e passam a ser assassinados  um a um, de acordo com seus signos do Zodíaco. Em meio a um elenco de atores conhecidos, a presença sinistra de Wanda Kosmo; da gostosinha Kate Lyra e do famoso na época , astrólogo televisivo Omar Cardoso. A participação especial de Cardoso era um Gimmick para atrair telespectadores e dar uma certa credibilidade a história envolvendo o horóscopo, mas ele ficou parecendo uma versão tupiniquim de Criswell nos filmes Ed Wood Jr.

O discípulo de Mojica, Marcelo Motta (1952), dirigiu seu mestre  em “A Estranha Hospedaria dos Prazeres” (1976), sobre uma pousada mal-assombrada, que seria uma espécie de purgatório gerenciado pela própria morte (Mojica, trocando a cartola por um chapéu-côco). Em uma noite de tempestade, casais adúlteros, malandros, criminosos e um grupo de engraçados hippies motoqueiros  acabam se refugiando no local e encontrando a danação eterna. A pobreza e o amadorismo da produção (Mojica enfrentava sérissimos problemas financeiros e pessoais) se repetiram em “Inferno Carnal” (1976), uma refilmagem de um episódio televisivo de sua série de 1969. Tentando acertar com um terror mais tradicional, Mojica acabou fazendo um Trash muito parecido com os melodramas sobrenaturais mexicanos dos anos 60, com uma história clichê de um cientista traído e deformado que se vinga  da esposa e sócio adúlteros. Um dos acertos do filme foi a escalação da linda Helena Ramos (1955), a futura “Rainha do cinema erótico brasileiro” no papel de uma garota sexy, mas ingênua protegida pelo cientista atormentado.

“Excitação” (1976), de Jean Garret (José Antônio N.G. Silva, 1947-1996, português de nascimento), por detrás de mais um título com chamariz sexual, é uma mistura de macumba, reencarnação  e fenômenos parapsicológicos. Uma mulher (Kate Hansen) vai morar em uma casa de praia para se recuperar de uma crise nervosa, passando a ter visões com um suicida e enlouquecendo quando aparelhos eletrodomésticos passam a funcionar sózinhos e a ameaçam. A produção paulista “A Virgem da Colina”(1977), de Celso Falcão (?) chegou a ser lançada nos Estados Unidos com o título de “The Ring of Evil”, contando o caso de um anel que pertencera a uma prostituta com poderes sobrenaturais e que divide a personalidade de uma jovem noiva (Cristina Amaral) e acaba deformando seu rosto obrigando-a a usar uma máscara.

Um curioso mix de subgêneros surgiu no argumento criado pelo produtor  Antônio  P. Galante  (1934) para “Escola Penal de Meninas Violentadas” (1977) de Antonio Meliande (1945): Garotas marginais são recolhidas para uma escola penal dirigida por um grupo de freiras. Um cadáver encontrado nas redondezas trás a tona uma série de crimes e torturas ocorridas no local. Um policial veterano descobre que a tirânica madre superiora é na verdade uma psicopata fugitiva que assassinara e tomara o lugar da religiosa, transformando a instituição num lugar infernal. Um carcereiro brutamontes e mudo, uma freira possuída pelo diabo, detentas com pouca (ou nenhuma ) roupa e a presença dos ótimos Sergio Hingst e Zilda Mayo e de uma muito jovem Nicole Puzzi no elenco, completam o coquetel.

O prolífico diretor-produtor Fauzi Mansur (1941) flertou com o gênero a primeira vez com “Belas e Corrompidas” (1977), sobre uma psicopata (Maria Izabel de Lizandra) que se diverte seduzindo homens para depois assassina-los de maneiras variadas, sempre com a ajuda de sua fiel assistente corcunda Tula (contrapartida feminina do personagem clichê “Ygor”) num suspense erótico que tinha o saudável sub-título de “Sexta-Feira as Bruxas Ficam Nuas”.

Inspirados por manchetes sensacionalistas sobre um gênero de filmes onde atores desavisados seriam mortos em frente às câmeras, Claudio Cunha e Carlos Reichenbach escreveram “Snuff – Vítimas do Prazer” (1977) dirigido por Cunha, onde uma dupla de produtores de filmes pornográficos americanos aporta em nosso país em busca de equipe e principalmente elenco feminino para ser assassinado.

A atriz Rosângela Maldonado (1928), fã de Mojica, procurou seguir seus passos. Primeiro escreveu, produziu, musicou e atuou sob a direção dele, a comédia erótica de cunho fantástico “A Mulher que põe a Pomba no Ar” (1977) sobre uma cientista traída que cria mulheres-pombas para se vingar dos homens. A maquiagem das mutantes consistia em braços com penas, asas coladas nas costas e esquisitos capacetes com bicos. O filme foi um fracasso total, mal sendo distribuido. Obstinada, ela em seguida escreveu, produziu, dirigiu, fez a cenografia, maquiagem, figurino e (ufa!) atuou em “A Deusa de Mármore – Escrava do Diabo” (1977). Uma mulher misteriosa (Maldonado) com 2000 anos de idade, conserva a juventude atravéz de um pacto com o demônio, em troca de um fluido mágico ela extrai a alma de homens durante o ato sexual, sendo constantemente cobrada pelo enviado do capeta “seu Sete Encruzilhada” (Mojica). A mistura de terror com pornochanchada teve uma mãozinha de Mojica na direção, auxiliando sua  discipula atrapalhada com as múltiplas funções. Em destaque na produção mambembe, os créditos de abertura desenhados de forma arrojada pelo artísta plástico Akira Murayama, que também faz uma ponta no filme. Segundo Horácio Higuchi, Mojica estava desapontado com a aluna: “…ela queria que eu fissesse uma espécie de diabo-gay, porque no meu inferno só tinha Homem. Eu reclamei e disse pra ela que meu personagem tinha que ter pelo menos uma assistente mulher. Ela colocou quatro diabas, mas todos os pecadores no inferno eram homens! Que porra de diabo era este, um diabo que só gosta de torturar homens?”.

O filipino Juan Bajon (1948) fez sua estréia escrevendo e dirigindo o policial de suspense “O Estripador de Mulheres” (1978), sobre um assassino psicopata procurado pela polícia e pela imprensa e que acaba condenando injustamente um funcionário de um frigorífico. No elenco, além do ótimo Ewerton de Castro, a linda gaúcha Aldine Müller (1953), que também estrelaria o primeiro filme de outro oriental radicado por aqui, o chinês John Doo (Chien Lun Tun, 1942). Trabalhando no cinema paulista desde os anos 60, em diversas atividades, Doo passou a escrever e dirigir quase sempre misturando erotismo com elementos fantásticos, revelando uma criatividade acima da média da produção da época. Em “Ninfas Diabólicas” (1978) ele coloca Úrsula (Aldine Müller) e Circe (Patricia Scalvi), duas jovens e belas estudantes que pegam uma carona com o bem comportado Rodrigo (Sérgio Hingst-1924-) e após serem levadas para uma casa na praia se revelam assustadoramente sedutoras e perigosas.

A nova incursão de Walter Hugo Khouri no terreno fantástico também é acima da média: “As Filhas do Fogo” (1978), com produção requintada, atriz estrangeira (a bela italiana Paola Morra) e roteiro intelectualizado. Numa mansão na serra gaúcha, duas amigas, após uma experiência com uma vizinha parapsicóloga, passam por estranhas situações com vozes de espíritos angustiados, estranhos rituais e um final onde a casa parece ser devorada pela vegetação local.

Absolutamente sem dinheiro para fazer um novo longa metragem, José Mojica Marins  filma 30 minutos de um drama, onde um psiquiatra é atormentado por pesadelos onde Zé do Caixão quer roubar sua esposa. Completa os outros 56 minutos com cenas extraídas de quatro filmes seus anteriores,  principalmente as que conseguira liberar da censura e tem pronto “Delírios de um Anormal” (1978), um calendoscópio de alucinações repetitivas… demencialmente trash!

O dublê de crítico e cineasta Alfredo Sternheim (1942), escreveu e dirigiu suspense erótico “A Mulher Desejada” (1978) baseado em uma epígrafe de Edgar Allan Poe. Kate Hansen  vive uma estrela de TV em crise que procura refúgio em uma casa de campo de uma amiga. Lá se envolve com Waldo (Eduardo Tornaghi) filho da caseira e acaba descobrindo que mãe e filho não são nada normais, o que a leva para um pesadelo que pode ou não ser real…

Já  “A Força dos Sentidos” (1979) de Jean Garret,  apresenta  um clima fantástico-fantasmagórico recheado de erotismo e a presença mágica de Aldine Müller ao acompanhar um escritor que vai para uma pequena praia para escrever um romance. Lá sente-se atraído por uma bela jovem surdo-muda (Aldine) e descobre um estranho ritual dos moradores locais que envolve um defunto que aparece na praia todas as noites e é levado de volta para o mar em procissão. A inspiração vem da frase de H.P. Lovecraft que abre o filme “Não está morto aquele que pode jazer, e após a eternidade até mesmo a morte pode morrer”.

Mojica em uma fase mais “realista” tivera a idéia de um filme chamado “Estupro”, sobre um industrial milionário chamado Vitorio Palestrina (Mojica!), sádico que gosta de humilhar e torturas suas conquistas (Pete Tombs, em “Mondo Macabro”,  diz que Palestrina é o que Zé do Caixão seria se ganhasse na loteria). Um dia ele estupra uma jovem e lhe arranca um mamilo a dentadas. Passa então a exibir o bico do seio guardado em um vidro como um troféu. Assim como Zé, Palestrina procura uma companheira perfeita, amoral como ele. Conhece a bela Vitória (Arlete Moreira) e se apaixona, mas durante o ato sexual ela lhe arranca os testículos, revelando ser a irmã da garota que ele mutilou. Este melodrama gore acabou sendo exibido no Festival de Cinema Fantástico de Sitges (Espanha) e foi lançado no Brasil com um título mais ameno “Perversão” (1979), exigência da censura.

Elogiado pela crítica e com sucesso de público graças a “Ninfas Diabólicas”, John Doo planeja uma segunda parte para o filme, mas aceita conduzir uma produção mais cara, com elenco orindo das telenovelas. “Uma Estranha História de Amor” (1979) com Nei Latorraca e Selma Egrei, aonde a paixão trágica de um casal sobrevive a morte, reencarnações e graças aos poderes de uma menina vidente acaba influenciando outros amantes. De volta ao sistema independente da Boca do Lixo, Doo dirige “Ninfas Insaciáveis” (1979), policial-erótico com Zilda Mayo e Alvamar Taddei e toques fantásticos; e segmentos eróticos-sobrenaturais  para “A Noite das Taras” (1980), episódio ”A Carta”; “Aqui Tarados” (1980) o gore e irônico “O Pasteleiro” (onde também atua dirigido por David Cardoso); ”Delírios Eróticos” (1981), episódio “Amor por Telepatia” e “Pornô” (1981), o exelente “O Gafanhoto”. Prolífico e criativo, John Doo ainda foi ator várias vezes e escreveu e dirigiu o terror “Excitação Diabólica” (1981), com Wanda Kosmos (a bruxa oficial do cinema nacional) como uma prostituta com poderes sobrenaturais. Maltratada por três motoqueiros metidos a machões, ela se transforma na mulher dos sonhos de cada um deles (Aldine Müller, Zaira Bueno e Silvia Gless), levando-os a loucura e a morte.

A dupla Luiz Castillini (1944) e Cláudio Cunha (1946), especialistas em sacanagem, realizaram em 1982 uma pretenciosa adaptação de um conto de Boccagio, que se chamou  “A Reencarnação do Sexo”, mas a história do espectro de uma bela mulher (Patricia Scalvi) dominado pela vontade da cabeça decepada de seu amante que exige vingança, é na verdade uma cópia erótica do argumento do clássico da Hammer Films inglesa “Frankenstein Criou a Mulher” de 1966.

“Fantasias Sexuais”(1982) seria mais um filme erótico em episódios rotineiro, mas Juan Bajon ousou e  no segmento “Os Caronistas” , três jovens são perseguidos por um psicopata tarado, e em “A Mulher Abelha”, a perturbada personagem título, ameaça suicídio e atraí homens atenciosos que acabam sendo consumidos  sexualmente por ela até a morte.

O carioca Ivan Cardoso (1952), fotógrafo, superoitista e cinéfilo inveterado, driblou todas as dificuldades para realizar de forma independente sua homenagem-paródia  aos clássicos de terror  da Universal/Hammer, com roteiro de R.F.Lucchetti,  “O Segredo da Múmia” (1982), onde o cientista louco brasileiro Expedito Vitus (Wilson Grey) descobre um soro da vida e ressucita uma múmia egípcia para ajuda-lo em uma vingança pessoal. Perfeito em sua combinação de terror com chanchada, sacanagem e deboche tem seu ponto alto no elenco recheado de atores famosos, mulheres maravilhosas, participações especiais (até José Mojica faz uma ponta no começo da história), amigos pessoais de Ivan e estreantes de muito talento,  como o advogado Felipe Falcão no papel do alucinado assistente Igor. O filme, com uma ajuda da Embrafilme na pós produção e distribuição, foi um sucesso de público e crítica e inaugurou um gênero apelidado de “Terrir”.

Nesta época, o terror era uma moda internacional e a tônica da produção brasileira era calcar nos modelos e clichês americanos com doses generosas de nudez e sexo para ajudar nas bilheterias. “Shock” (1982) de Jair Correa (1956), com as belas Aldine Müller, Claudia Alencar e Mayara Magri, era uma tentativa de realizar um suspense ao estilo “Slasher” com um maníaco (metido a bateirista!) eliminando jovens após uma festa  em uma mansão isolada. No erótico “Banquete das Taras” (1982) de Carlos Alberto Almeida (1942), um jovem escultor recebe uma visita da Transilvânia com uma missão: sossegar seu antepassado o Conde (Drácula?!) no sepulcro a mais de 500 anos, fazendo sexo e sacrificando quatro mulheres durante quatro noites. Já no “Banquete das Taras” (1982) de Julius Belvedere (?), um grupo de estudantes que se dedica a pesquisas com o sobrenatural, acaba invocando o espírito do Marquês de Sade, que possuí um deles e transforma tudo em uma orgia de sexo e violência até a intervenção de um espírito do bem que termina com a festa.

Filho de um lendário documentarista francês radicado no Brasil, Jean-Pierre Manzon se aventurou uma única vez em um filme ficcional, numa produção bem cuidada, elenco de primeira (Emílio de Biasi, Aldine Müller, Ênio Gonçalves, Selma Egrei), música original e roteiro nem tanto. “Força Estranha” (1983) reconta a velha história do casal de amantes que planeja enlouquecer a mulher dele, no caso uma jornalista, que passa a ter esquisitas aluninações com uma mulher morta e um casarão antigo. No “final surpresa” ela parece genuinamente possuída e mata os traidores afogados em uma piscina. O filme acabou sendo relançado com o título mais comercial de “Estranhos Prazeres de Uma Mulher Casada”.

Significante e premonitória é a premiação no II Festival Fotóptica de São Paulo do filme gaúcho “Beijo Ardente/Overdose” (1984) de Flávia Moraes e Hélio Alvarez, onde um vampiro entediado da vida eterna (o italiano Andrea L’Abate), auxiliado por seu mordomo sinistro (o hilário Antônio Carlos Falcão), procura um meio alternativo de saciar sua entediante necessidade de sangue humano. Divertido e melancólico, foi rodado em vídeo (Betacam), antevendo uma tendência  que quase dez anos depois seria uma forma de manter o cinema macabro em ação.

Com o domínio dos filmes pornôs importados ocupando cada sala de cinema do país, centenas  de similares  nacionais começaram a emergir rapidamente da Boca do Lixo, e mesmo produções apenas eróticas passaram a ser remontadas sofrendo inserts de cenas hardcore (como um filme de John Doo que acabou virando “A mansão do Sexo Explícito” (1984) e foi assinada por seu diretor de fotografia, Henrique Borges). “As Taras do Mini-Vampiro” (1984) de José Adalto Cardoso, colocou o anão Chumbinho (figura onipresente no gênero) como o personagem título, atacando casais em pleno ato sexual  no interior de São Paulo, provocando confusões em vez de terror e sendo perseguido por um subnutrido caçador de vampiros. O esperto  Fauzi Mansur assina como Victor Triunfo “A Seita do Sexo Profano” (1985), pornô-terror sobre uma mulher que se envolve com os praticantes de uma seita satânica. “Arrepios – O Monstro do Sexo” (1986) de Sylas Bueno e Carlos Nascimento, se servia da fórmula de terror em episódios para mostrar talvez que os maiores “monstros” nacionais foram algumas atrizes da Boca do Lixo, já que elas rivalizavam em feiúra com o mutante-aranha e o monstro da caverna (com máscara e luvas de latéx de carnaval) deste trash absurdo que foi relançado em vídeo em 1992 com o título de “Aberrações”.

O ator/diretor/produtor/roteirista Francisco Cavalcanti rodou “A Hora do Medo” (1986) como um terror-pornográfico sobre um psicopata que com a ajuda da mãe, estupra, mata e esconde os corpos de mulheres no fundo da antiga casa em que moram. Decidido a abocanhar a moda de filmes de terror da época (chamada por aqui de “Espantomania”) pediu ajuda para José Mojica Marins para subtituir as cenas de putaria explícita por mais sangue e horror. O veterano mestre nacional, aproveitou e exagerou, sendo que seus 13 minutos de gore demencial destoam completamente do resto deste sub-Psicose terceiromundista.

Caminho inverso seguiu Ivan Cardoso em seu segundo Terrir, agora o deboche respeitoso do diretor com os clichês do gênero resultaram em  uma pornochanchada noir-musical-macabra chamada “As Sete Vampiras” (1986). Uma espécie de “fantasma do cabaré” assombra o Rio de Janeiro dos anos 50, com direito a mortíferas plantas carnívoras, cientistas loucos, vampiras de mentira, mulhers gostosas nuas de verdade, detetives babacas e figuras icônicas como o Fu-Manchu de Wilson Grey. Tudo com muitas citações ao gênero, reconstituição de época e elenco classe A em um grande e afinado besteirol de sucesso.

Mais de dezesseis anos depois de ser proibido, Mojica conseguiu liberar sem cortes seu “Ritual de Sádicos”, agora “O Despertar da Besta” que foi exibido no Rio Cine Festival onde recebeu o prêmio de Melhor Ator e R.F.Luchetti o de melhor roteiro pela obra.

John Doo conseguiu em seu último esforço autoral, um co-financiamento com a então agonizante Embrafilme para terminar seu “Presença de Marisa” (1986/1988) com Joel Barcelos e Claudia Magno, um melodrama sobre crise existencial, feitiçaria e fenômenos paranormais, ou seja, seus assuntos favoritos. Apesar de um prêmio no Festival de Cinema de Brasília (melhor atriz para Claudia Magno) daquele ano, o filme ficou praticamente sem lançamento e Doo passou a trabalhar apenas como técnico ou ator eventual. O canto de cisne, ou melhor de corvo, para uma década…

Os anos 90 nos trouxeram o “presidente-bandido” Fernando Collor e uma pá de cal no que restava do cinema nacional. Mas dois fenômenos trariam o cinema macabro de volta da tumba: A internacionalização de nossos representantes,  José (agora “Coffin Joe”) Mojica Marins e Ivan (“The Terror”) Cardoso lançados em VHS nos Estados Unidos e o nascimento de uma nova geração, a dos videomakers, jovens cheios de referências via Histórias em quadrinhos, TV e vídeo cassete.

Fauzi Mansur  realizou, com vistas no mercado internacional, “Atração Satânica” (Satanic Atraction) em 1990. Uma série de assassinatos em uma cidade do litoral são motivados por um casal de gêmeos que haviam sido criados por uma seita demoníaca. Um bom Splatter com produção convincente e elenco correto, que só pecou por um roteiro previsível e por sua hilária dublagem em um inglês “caipirônico”, apesar de exibido em mais de dez países (incluindo EUA, Itália e Alemanha) foi  ignorado por aqui, graças a uma péssima distribuição. Mesmo assim, Mansur realizou “Ritual Macabro” (Ritual of Death,  1991) rodado em São Paulo e lançado no exterior com elogios da crítica especializada, mas que continua inédito no Brasil. Um grupo de teatro, durante ensaios sofre diversas mortes sangrentas, provocadas aparentemente pelo espectro de um pastor psicopata ao estilo Jim Jones que possuí o corpo de um ator/roteirista após ele consultar um antigo livro amaldiçoado para escrever uma peça de terror. Destaque para uma cena de sexo sangrenta em uma banheira, envolvendo um casal e uma… cabeça de bode decepada!

Com a impossibilidade técnica e financeira de realizarem obras em película, uma série de novos diretores/produtores passaram a utilizar suas câmeras caseiras de vídeo amigos, parentes e vizinhos como equipe técnica e elenco e filmes de terror trash pipocaram por todo o país. Em Recife, o camelô alagoano Simão Martiniano (1931) realiza “A Rede Maldita” (1992) uma história de suspense sobrenatural sobre um fazendeiro  que rouba uma botija cheia de dinheiro achada por um pobre agricultor, sem saber que a fortuna é amaldiçoada e provoca  a vingança da alma do dono que não consegue descançar. A fita, assim como toda a produção caseira de Martiniano é comercializada diretamente em sua barraca em um camelódromo, em meio a velhos discos de vinil. No Espírito Santo Seu Manoelzinho, um pedreiro, realiza longas em VHS como “O Espantalho Assassino” e “O Aluguel Assombroso”, onde o amadorismo das produções é levado às últimas conseqüências.

Petter Baiestorf & Seu Manoelzinho.

Na pequena cidade de Palmitos, oeste de Santa Catarina, um jovem sócio de uma locadora de vídeo, Petter Baiestorf (1974), reune alguns amigos e com parcos recursos e uma câmera emprestada, roda “Criaturas Hediondas” (1993), uma ficção científica de terror-trash sobre um cientista marciano transloucado que quer invadir a terra. ”Criaturas Hediondas II” (1994) mostra o dia seguinte a invasão, com óbvias influências de Ed Wood Jr., Roger Corman, seriados japoneses e filmes splatter como “O Massacre da Serra Elétrica” (1974). Inventando (assim como Martiniano) seus próprios efeitos especiais e recursos técnicos e descobrindo atores amadores com a cara do gênero, Baiestorf e sua Canibal Produções passam a regurgitar centenas de informações da cultura pop (com um grosso caldo de transgressão e deboche), tomando de assalto o circuito nacional underground de bandas de rock e fanzines. Uma onda de modismo pelos trash-movies e o aparecimento da primeira convenção nacional de horror em São Paulo aceleraram o movimento do  chamado Cinema-de-Garagem. Contando com uma equipe mais numerosa e aprimorando autodidaticamente sua técnica, Baiestorf lança “O Monstro Legume do Espaço” (1995) com as desventuras de uma criatura alienígena (Loures Jahnke) de origem vegetal e ímpetos filosóficos que é aprisionada por um cientista tupiniquim e seu assistente coprófago Caquinha (o maquiador Leomar Wazlawick). Mesmo sem um circuito de exibição e distribuição, o vídeo virou mania, influenciando novos realizadores encantados com  seu clima trash escatológico.

Em São Paulo, Diomédio Piskator adapta uma história em quadrinhos do grande desenhista Júlio Shimamoto numa produção independente em 35mm chamada “Urubuzão Humano” (1996), sobre um médico que depois de ingerir carne humana morta para sobreviver a um acidente aéreo na selva, sofre mutações e se transforma em uma criatura que come cadáveres em cemitérios. A iniciativa ousada encontra o eterno problema brasileiro de finalização e distribuição e jamais é lançada comercialmente.

Influenciado pela história verídica de dois irmãos canibais necrófilos que aterrorizaram o interior do Rio de Janeiro em 1995, Petter Baiestorf concebe “Eles Comem Sua Carne” (1996), onde um grupo de amigos antropófagos, isolados da civilização, tentam viver  em harmonia enquanto caçam  fiscais da prefeitura e estranhos incautos para servir em um banquete de casamento. Procurando misturar ainda mais os gêneros (marca de sua produção futura), Petter Baiestorf lança “Caquinha Superstar A-Go-Go: The Gore Horror Picture Show” (1996), uma tentativa de comédia musical escatológica desenvolvendo o personagem cult aparecido em “O Monstro Legume do Espaço”. Agora o pavoroso Caquinha (E.B.Toniolli) vive feliz ao lado de sua amada Lena, que aplaca seus instintos doentios. Quando ela é atacada por uma dupla de caçadores caipiras, o retardado coprófago se vê sozinho em um mundo com criaturas tão estranhas quanto ele. Contrastando com detalhes de seu lançamento, como trilha sonora original lançada em Cd, o longa rodado as pressas em apenas um fim de semana ficou abaixo das expectativas.

Mojica, que já ganhara até um clone: Antônio Firmino, o “Toninho do Diabo” (criador & criatura nos curtas “O Caçador de Almas” e “O Caçador de Falsos Profetas”) aderiu a nova “boca do lixo eletrônica”. Dirigido por Andrea Pasquini atuou em “Contos de Horror – A Filha do Pavor”(1997), em dois papéis, como um padre e como o narrador “O Cavaleiro do Medo”, da história de uma mulher estuprada e morta que volta para se vingar. O vídeo faria parte de uma pretensa série de vinte episódios realizados para a tv, mas apenas este exemplar seria lançado anos mais tarde para o mercado de videolocadoras. Outra ponta de Mojica seria no decepcionante “Babu – A Vingança Maldita” (1997) de César Nero, sobre um líder de uma seita de adoradores do diabo que é assassinado para retornar com estranhos poderes.

“Blerghhh” (1996/97) de Petter Baiestorf, contando com grande equipe/elenco e efeitos especiais mais elaborados, trás  um grupo de terroristas atrapalhados que seqüestram o filho de um milionário e sua sexy guarda costas e provocam uma série de incidentes que envolvem sexo, drogas, violência gratuita e um morto vivo (o primeiro da filmografia nacional) que se recusa a morrer mesmo quando tem a cabeça decepada. Mesmo tendo sua exibição pública proibida na terceira edição da Horrorcon (mesma convenção que ajudou a Canibal a ser conhecida  nacionalmente) e uma  edição deficiente, o vídeo obteve ótima repercussão. A chamada “fase 1998” da produtora catarinense seria marcada pela transgressão, deboche e sexualidade exacerbada. “S.B.A.F. – Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos” (1998) começou a ser rodado como um vídeo pornô sobre um psiquiatra estudando as taras de dois pacientes, mas acabou se transformando numa mistura (indigesta para grande parte do público) de violência com sexo explícito. Já “Gore Gore Gays”, do mesmo ano, tinha como protagonistas  um casal de bissexuais apaixonados e perturbados (vividos pelos realizadores Baiestorf e Coffin Souza) que embarcam em uma viagem de auto-conhecimento, mutilações e assassinados violentos. Novamente a fórmula sexo explícito + deboche + gore saí pela culatra e os produtores se vêem à beira da falência.

O rockeiro e videomaker do interior paulista Cleiner Micceno, depois de vários curtas metragens divertidos, consegue finalizar “Dominium” (1999) sobre uma invasão de mortos vivos demoníacos que traz o apocalipse sobre a terra. Zumbis também seriam o tema de “Zombio” (1999) de Petter Baiestorf, um média metragem inspirado nos filmes do italiano Lucio Fulci, com um casal em uma ilha que seria paradisíaca se não fossem um psicopata travestido e uma sacerdotiza que acorda uma legião de mortos apodrecidos famintos por carne humana.

Assim, como a praga de zumbis se alastra nos filmes impregnando inocentes transformando-os em criaturas malignas, o vírus do “faça-você-mesmo-e –se –divirta” vai tomando conta do sul do país.

Do interior gaúcho surge “Soul Crusher 2 – O Retorno do Homem Coisa” (1999) do jovem videomaníaco Cristian Verardi, um média da produtora Toque de Muerto, com influências de “Evil Dead” (1984), Spaghetti Westerns, filmes orientais, Troma Films e Canibal Filmes, com uma criatura deformada e sanguinária que procura um livro maldito (que teria sido roubado na imaginária parte 1) por ordens de um lendário demônio chamado Amazarel de Nicodemus. De Chapecó, SC, Fabiano Boni conta a origem de seu personagem Boni Coveiro (calcado nitidamente em Zé do Caixão) em “O Mensageiro das Trevas” (2000), onde o psicopata satanista se diverte matando inicentes escoteiros. Carlos Barbosa, no interior do Rio Grande do Sul, é assolada por um assassino mascarado em “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado” (2001) de Felipe M.Guerra, uma divertida homenagem satírica aos filmes de terror adolescente dos anos 90 (principalmente a série “Pânico”de Wes Craven). Boni Coveiro retorna dos mortos para se revelar “O Guardião do Inferno” (2001) dirigido e vivido novamente por Fabiano Boni, com participações especiais de Toninho do Diabo, do músico Wander Wildner e de outras personalidades sulinas.

Petter Baiestorf retoma suas atividades e filma “Raiva” (2001), uma mescla de filmes de ação (satirizando Quentin Tarantino) com terror gore, nas atividades de um bando de criminosos que são pegos de surpresa por colonos contaminados por uma droga (testada pelo governo) que libera seus instintos assassinos. Na frente da câmera, praticamente o mesmo grupo de atores/colaboradores que acompanha a Canibal Filmes a anos, por trás muito mais cuidado com a técnica e o amadurecimento da linguagem cinematográfica.

O pioneiro do gore americano H.G.Lewis (2000 Maniacs), Troma & Canibal Filmes foram a influência  para um grupo de paulistas capitaniados por Fernando Rick ao realizarem o trash debochado “Rubão – O Canibal” (2002) e inserirem sua produtora, a Black Vomit Filmes, no circuito de bares e shows de metal, principal reduto de culto a toda esta produção de terror em VHS. A mesma trupe foi (i)responsável  pelo primeiro terror-trash lançado em formato digital (DVD) por aqui: “Feto Morto” (2003), sobre um nerd (Rui Villani) que tem um feto grudado em sua cabeça (resultado de uma relação incestuosa de seu pai) e é hostilizado por uma gang. Escatologia, sexo e gore no que Fernando Rick chama de “estilo Troma de ser”.

Juntando a suas influências básicas, sua admiração pelo grupo de humor britânico Monty Python, Petter Baiestorf realiza o pastelão de terror “Cerveja Atômica” (2003), onde um cientista punk  desenvolve a fórmula da bebida mortal que transforma bêbados em zumbis alucinados e desperta a fúria da avó de Chapéuzinho Vermelho (!?) e suas colegas de chá da tarde, que armadas e perigosas resolvem se vingar.

O cenário de produção desta época começa a mudar, já não existe mais espaço para a divulgação dos vídeos toscos em VHS, os computadores caseiros passaram a substituir as prosáicas mesas de edição linear e o cinema profissional brasileiro começava a se reerguer. Curtas de horror com qualidade técnica e artística (como “Amor só de Mãe” de Denninson Ramalho; ”Sózinho”de André ZP; “Conrad : Bruxaria, Pajelança & Canibalismo” de Luciano Maciel e “Coleção de Humanos Mortos” de Fernando Rick) conseguem espaço e até reconhecimento internacional, apontando novos caminhos para o cinema fantástico nacional.

Ivan Cardoso, ausente das telas por anos, perseguindo orçamentos a altura de suas produções, consegue apoio da Diler Associados e contrata o astro de terror espanhol Paul Naschy (Jacinto Molina) para seu aguardado “Um Lobisomem na Amazônia” (ex-“Amazônia Misteriosa”) em 2005. A interferêcia dos produtores acostumados com produções de cunho televisivo-cinematográfico (leia-se Xuxa/Globo) amenizam muito suas pretenções de uma história envolvendo o personagem clássico Dr.Moreau (baseado em H.G.Wells), guerreiras Amazonas e um lobisomem latino. Remontando material antigo seu (principalmente “O Lago Maldito”de 1977, inacabado e embrião do “Segredo da Múmia”) com cine-jornais antigos e cenas novas cria depois uma obra muito superior,mas pouco vista, chamada “O Sarcófago Macabro” onde um agente americano da CIA (Carlo Mossy) descobre um dossiê sobre um cientista louco brasileiro (Expeditus Vitus, leia-se Wilson Grey, morto em 1993) que colabora com os nazistas e trás para o brasil diversos carrascos da SS, inclusive o próprio Adolf Hitler, como múmias.

Enquanto o paulista Rubens Mello divulga seu média “Lâmia, Vampiro!” (2005), sobre a ressurreição da matriarca dos sanguessugas para evitar o apocalipse planejado por seus rebentos,  Petter Baiestorf planeja uma refilmagem do clássico B “O Incrível Homem que Derreteu” (1978 ), mas o roteiro é mudado para uma história anarco-ateísta sobre a volta de Jesus Cristo como um monstro pegajoso, e finalmente é transformado em “A Curtição do Avacalho” (2006), agora uma comédia que homenageia o cinema marginal  e mistura um cientista louco, um padre fanático, um psicopata mascarado paraguaio, monstros clássicos, heróis atrapalhados, mocinha em perigo e cineastas frustados em uma grande sopa de metalinguagem e auto-referências. No mesmo ano a Canibal cometeria a tão aguardada continuação de seu clássico “O Monstro Legume do Espaço 2”, contando o dia seguinte da suposta morte da criatura, mas o orçamento zero e uma equipe abaixo do mínimo frustaram realizadores e fãs, que ainda aguardam a volta por cima do “ícone do Terror VHS” (atualmente Petter Baiestorf está correndo atrás de investidores para refilmar a primeira parte do “O Monstro Legume do Espaço” com efeitos de Rodrigo Aragão).

No cinemão, o cineasta Walter Rogério conduz o policial com toques de humor negro “Olhos de Vampa” (2006), sobre uma série de crimes que aterrorizam São Paulo com as mesmas características, mulheres  tem o sangue do corpo sugado por uma mordida na bunda e são encontradas seminuas em poses eróticas. Dois policiais que investigam descobrem um suspeito que apelidam de Vampa (o sinistro Joel Barcellos), que vive recluso e protegido por uma velha mendiga.

Um filme realizado por José Mojica e seus alunos em 1979 na bitola amadora Super 8mm é finalmente editado por Eugênio Puppo como parte das comemorações dos 50 anos de carreira do cinesta maldito. “A Praga” (1979/2007) escrita por Lucchetti conta como um homem é amaldiçoado por uma bruxa (Wanda Kosmo, é claro!) e uma misteriosa ferida em sua barriga precisa ser alimentada constantemente com  carne, mesmo que seja carne… humana. Falando em canibalismo, eclode nesta época uma verdadeira epidemia de zumbis antropófagos nacionais. Primeiro é o descolado “Era dos Mortos”(2007) média metragem do mineiro Rodrigo Brandão, com um rapaz que fica preso em um elevador e ao conseguir sair se vê em meio a uma invasão de cadáveres ambulantes e famintos; seguido do pretensioso longa “A Capital dos Mortos” (2008) de Tiago Belotti, com Brasília sendo invadida por mortos vivos como previsto em uma antiga profecia apocalíptica de um padre (com direito a uma rápida ponta de Zé do Caixão em pessoa) e chegando até o cultuado “Mangue Negro” (2008) com roteiro, direção e maquiagens de Rodrigo Aragão (1977). Em meio a um manguezal no interior do Espírito Santo, a pobre comunidade local assiste aterrorizada os mortos levantarem da lama em busca da carne dos vivos. O apavorado catador de caranguejos Luis da Machadinha (Walderrama dos Santos) precisa a todo custo proteger a lavadeira Raquel, sua amada. Maquiador profissional  e realizador de curtas de horror (“Peixe Podre”, “Peixe Podre 2” e “Chupa Cabras”), Aragão utiliza seus conhecimentos para ótimos efeitos especiais, unindo a isto um cenário exótico, um elenco afiado de profissionais e amadores e um roteiro que coloca os zumbis em um contexto verdadeiramente nacional, sendo premiado aqui e no exterior. Este “ciclo nacional” de mortos ambulantes teria ainda a participação do longa gaúcho “Porto dos Mortos” (2009) de Davi de Oliveira Pinheiro, mas não se sabe ao certo se o projeto muito comentado foi  realmente finalizado.

No oeste catarinense o “canibal-mor” Baiestorf exercita estilo e linguagem com médias metragens na linha sexploitation unindo sexo simulado e violência explícita homenageando o diretor espanhol  Jesus Franco e o cinema da Boca do Lixo com “Arrombada-Vou Mijar na Porra do Seu Túmulo” (2007) e “Vadias do Sexo Sangrento” (2008) contando com a edição precisa do músico/cineasta-experimental Gurcius Gewdner.

Depois de trinta anos de tentativas frustradas, bicos em parques de diversão, shows de rock, mestre de cerimônias de filmes vagabundos na TV e pontas em filmes alheios (inclusive pornôs), Josefel do Caixão Zanatas ressurge da tumba para completar a sua saga! Com apoio do produtor Paulo Sacramento e do fã-cineasta Dennison Ramalho, José Mojica Marins tira a poeira de seu roteiro escrito em 1966 e o adapta para os dias atuais em “Encarnação do Demônio”(2008). Depois de passar quatro décadas atrás das grades por seus crimes insanos, Zé do Caixão é posto em liberdade e escolhe novos seguidores, retomando sua busca pela mulher perfeita. No seu encalço estão um padre enlouquecido, dois policiais veteranos e os fantasmas de suas vítimas, todos sedentos de vingança. Com uma produção digna, efeitos especiais elaborados e elenco estelar (Jece Valadão, Adriano Stuart, Débora Muniz, Zé Celso, Helena Ignez e Rui Rezende), Mojica consegue mostrar a força e o horror de seu personagem imortal e é consagrado pela crítica, aparece em capa de revistas sérias e é premiado no Festival de Paulínia. O grande público não corresponde nas bilheterias, mas fãs brasileiros e estrangeiros assistem  ao filme diversas vezes no cinema e em um DVD caprichado com diversos extras.

Em Curitiba(PR), Paulo Biscaia Filho escreve e dirige “Morgue Story – Sangue, Baiacu e Quadrinhos” (2009), humor-negro sobre um estranho triângulo envolvendo Ana Argento, uma desenhista de quadrinhos, um vendedor de seguros cataléptico e um legista psicopata que dopa suas vítimas com veneno de Baiacu para estupra-las e assassina-las no necrotério. Também do Paraná, é “A Bruxa do Cemitério 2” (2009) de Semi Salomão, com um colono sendo atormentado pelo espírito de uma feiticeira que exige vingança e atraí vítimas para um local onde ela domina forças maléficas.

Enquanto o paulista João Paulo Brasile Takada escreve, dirige e edita o longa em duas partes “Fúria Alucinante” (2010), com ação e ultra-violência na história de um ex-militar que através de experiências genéticas se transforma em um super-assassino vingativo, a atriz Gisele Ferran é arregimentada para as hordas da Canibal Filmes e estrela o média “O Doce Avanço da Faca” (2010) de Petter Baiestorf, mostrando que uma mulher também pode virar uma máquina de matar ao se vingar de uma seita de crentes pela morte de seu amado.

arte de Leyla Buk para o filme "O Doce Avanço da Faca".

A nova década mostra o amadurecimento técnico e artístico do nosso cinema “de gêneros”. Felipe Guerra retoma seus personagens para a continuação de sua engraçada sátira aos filmes de terror Hollywoodino com “Entrei em Pânico ao Saber o Que Vocês Fizeram na Sexta-Feira do Verão  Passado 2 – A Hora da Volta da Vingança dos Jogos Mortais de Halloween” (2011) com os novos crimes (risadas) provocados pelo assassino interiorano Geison.

“Pólvora Negra” (2011) de Kapel Furman, é um policial de ação, suspense e muito sangue, com estilo e ótima produção. Também em São Paulo, Sandro Debiazzi finaliza (em 20 anos de filmagens) seu média-metragem “O Tormento de Mathias” (2011), estrelado por Felipe Guerra e Joel Caetano. Mas o novo marco da produção independente cabe novamente ao capixaba Rodrigo Aragão com o maravilhoso “A Noite do Chupacabras” (2011). No interior do Espírito Santo, o conflito entre duas famílias rivais é acentuado com a chegada de um casal e com a presença de uma criatura monstruosa e sanguinária que sai da mata e provoca baixas nas duas facções em guerra. Assim como em “Mangue Negro”, Aragão prova que podemos produzir maquiagens e efeitos especiais de primeira categoria e originalidade. E que monstros como o lendário Chupacabras (vivido por Walderrama dos Santos) podem ser integrados a uma realidade nacional-regional, algo só conseguido antes com o Zé do Caixão de Mojica. Significativa também é a presença de outros cineastas brasileiros em destaque no elenco, como o vilão alucinado de Petter Baiestorf, o herói apalermado de Joel Caetano (diretor de vários curtas de horror, como  “Minha Esposa é um zumbi” (2006), “O Gato” (2009) e “Estranha” de 2011) ou o “Velho-do-Saco” (outra figura mítica/sobrenatural presente na trama) de Cristian Verardi (“Colt Romero”de 2008 e outros).

Como o mundo não acabou como previsto no ano 2000 e me disseram que ainda não vai se aposentar em 2012… assim como o cinema nacional… esperamos novas, emocionantes e assustadoras surpresas, saídas de algum cemitério público, casa mal-assombrada ou principalmente das cabeças  criativas de nossos “Horror-Makers” genuinamente brasileiros, portanto teimosos, endividados e batalhadores. Uma nova geração de curta-metragistas dedicados ao gênero fantástico está surgindo, Rubens Mello (ator em filmes ótimos como “Encarnação do Demônio” de José Mojica e “Ivan” de Fernando Rick) dirigiu recentemente “Lia”, um horror psicológico; Caio D’Andrea realizou o curta “O Solitário Ataque de Vorgon” que é ótimo (além de ter co-dirigido, com o colega Rodrigo Fonseca, o western com toques fantásticos “Duas Vidas Para Antonio Espinosa”); Armando Fonseca realizou um gore movie macabro tecnicamente muito bem realizado chamado “Velho Mundo”; o músico Márcio Júnior e sua esposa Márcia Deretti filmaram “O Ogro”, baseado na obra do desenhista Júlio Y. Shimamoto e Gabriel Carneiro acabou de lançar o curta-metragem “Morte e Morte de Johnny Zombie”, estrelado por Joel Caetano… Não percam o próximo capítulo!

Escrito e pesquisado por Coffin Souza (texto original foi publicado no fanzine “Brazilian Trash Cinema” dos editores Coffin Souza e Petter Baiestorf em novembro de 2001, revisto e atualizado em novembro de 2011)

Baiestorf: Filmes de Sangueira & Mulher Pelada

Posted in Nossa Arte, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , on fevereiro 10, 2011 by canibuk

“Baiestorf: Filmes de Sangueira & Mulher Pelada” (2004, 20 min.) de Cristian Caselli é um documentário de curta duração que fala sobre os filmes vagabundos que faço, desde 1992, com amigos no quintal do meu sítio. As filmagens deste documentário aconteceram durante a edição de 2004 da mostra Cine Esquema Novo que é realizado todos os anos em Porto Alegre e exibe o que de melhor é produzido no cinema experimental brasileiro (Junto da Mostra do Filme Livre, é uma das melhores mostras de cinema independente aqui do Brasil). Foi engraçado! Caselli ficou me pedindo, durante dias, prá dar entrevista prá ele mas eu tava desconfiado que aquele carioca debochado só queria me comer e fiquei fugindo dele, até uma noite que fomos encher a cara num boteco na frente do Hotel que estávamos hospedados e Caselli foi junto. Nesta noite meu pileque foi tão grande que errei o caminho pro hotel (que era só atravessar a rua) e Caselli me alertou disso, acabei dando entrevista prá ele no dia seguinte (aquelas poucas palavras que digo no quarto do hotel, no comecinho do documentário, tivemos que fazer a entrevista na noite seguinte quando eu não tava mais bêbado). Foi uma experiência diferente ser assunto num documentário. O documentário ganhou vários prêmios entre 2004 e 2006 (incluindo prêmio internacional em Portugal) e no Brasil foi lançado na forma de extra no DVD do longa-metragem “A Curtição do Avacalho” (2006, 73 min.) com direção minha.

eu, Caselli, Gurcius Gewdner e Christian Verardi durante o Cine Esquema Novo, 2004.

Abaixo os link para ver o documentário no youtube:

Em breve pretendo fazer postagem sobre os filmes do Cristian Caselli, este cara é um dos melhores cineastas da nova geração (e isso não é babação de ovo porque o cara fez documentário sobre mim).