Arquivo para o monstro legume do espaço

Catálogo Canibal Filmes 2012

Posted in Arte e Cultura, Camisetas, Nossa Arte, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 20, 2012 by canibuk

CAMISAS

Canibal FilmesSomente na cor preta, tamanho M, G ou GG. Preço: R$ 30.00 – É a camisa oficial da mais antiga produtora independente brasileira, responsável por clássicos sangrentos (como “O Monstro Legume do Espaço” (1995), “Eles Comem Sua Carne” (1996), “Blerghhh!!!” (1996), “Zombio” (1999) e “Raiva” (2001), entre outros), histéricos (como “Super Chacrinha e seu amigo Ultra-Shit em Crise Vs. Deus e o Diabo na Terra de Glauber Rocha” (1997), “Gore Gore Gays” (1998), “Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos” (1998), entre outros), divertidos (como “Criaturas Hediondas” (1993), “Caquinha Superstar a Go-Go” (1996), “Cerveja Atômica” (2003), “Ninguém Deve Morrer” (2009), entre outros) e momentos da mais pura experimentação radical (como “Chapado” (1997), “Bondage 2 – Amarre-me Gordo Escroto” (1997), “Não há Encenação Hoje” (2002), “Palhaço Triste” (2005), “A Curtição do Avacalho” (2006) ou “Vadias do Sexo Sangrento” (2008), e mais inúmeros outros. É a produtora que deu ao Brasil o legado de filmes como “Vai Tomar no Orifício Pomposo” (2004), “Arrombada – Vou Mijar na Porra de Seu Túmulo!!!” (2007), “Que Buceta do Caralho, Pobre só se Fode!!!” (2007) e “O Doce Avanço da Faca” (2010). Ao comprar e andar vestido com a camisa oficial da Canibal Filmes, todos seus amigos saberão que você apoia e investe na produção de filmes independentes.

O Doce Avanço da FacaSomente na cor preta, tamanho M, G ou GG. Preço: R$ 25.00 – Essa é a camisa oficial, de tiragem limitada e que não voltará mais para nosso estoque, do média-metragem gore feminista “O Doce Avanço da Faca”. Neste pequeno filme Petter Baiestorf e sua equipe de dementes voltaram seus olhos ao controle que os evangélicos tentam impôr à vida de todos. É um dos filmes brasileiros mais censurados de todos os tempos (perde somente para outras obras da própria Canibal Filmes, como “Deus – O Matador de Sementinhas” (1997), “Gore Gore Gays” (1998), “Boi Bom” (1998) ou “Arrombada – Vou Mijar na Porra do Seu Túmulo!!!” (2007), outras obras polêmicas dos Canibais do Sul do Brasil). Ao usar a camisa de “O Doce Avanço da Faca” você estará deixando bem claro que você não faz parte do rebanho, que você é um homem de espírito rebelde que clama pela liberdade individual, e livre arbítrio, de cada homem que vive neste planeta, com todos respeitando as diferenças e se fortalecendo com o apoio mútuo. Na foto ao lado Leyla Buk dá uma mostra de como as meninas podem costumizar suas camisas no conforto de seus próprios lares e deixar as camisas da Canibal Filmes ainda mais sexys.

Vadias do Sexo SangrentoSomente na cor preta, somente tamanho G. Preço: R$ 25.00 – Essa é a camisa comemorativa do clássico underground transgressor “Vadias do Sexo Sangrento”, filme de humor negro da Canibal Filmes onde o elenco inteiro interpreta nú a mais incrível sucessão de cenas de bom gosto do cinema brasileiro. Poucas peças dela no estoque e não será mais feita nenhuma. Se você ver alguém usando essa camisa vai saber na hora que é um dos poucos felizardos do mundo a ter essa magnífica camisa que atraí olhares por onde quer que passe, ou melhor, se você comprar agora uma das últimas peças será, com certeza, a pessoa mais descolada da festa, a pessoa cujo todos olhares serão direcionados e que chamará toda atenção. “Vadias do Sexo Sangrento” é um cult da Canibal Filmes que deixa todos molhadinhos!

ZombioSomente na cor preta, tamanho M, G ou GG. Preço: R$ 30.00 – “Zombio” (1999) é o primeiro filme autenticamente brasileiro a mostrar zumbis na tela, é um dos grandes clássicos sangrentos e alucinados do cinema brasileiro, é o filme de zumbi onde moscas perseguem a carne putrefacta dos zumbis e mostra o que seria a realidade fedida de um verdadeiro holocausto zumbi. “Zombio” se tornou uma peça cult na filmografia brasileira, um filme barato cheio de cenas hilárias (como o herói fazendo embaixadinhas com uma cabeça decepada) e que continua extremamente jovem e sempre conquistando novos fãs. É a camisa ideal para você comprar, vestir e sair por aí fazendo mais amigos! Vestindo uma camisa do filme “Zombio” todos saberão que você tem um senso de humor sádio, uma pessoa divertida capaz de rir das piadas mais politicamente incorretas,  uma pessoa que realmente vale a pena conhecer e se relacionar!

CanibukSomente na cor preta, tamanho M, G ou GG. Preço: R$ 30.00 – Essa é a camisa oficial do blog Canibuk que tem os leitores mais especiais do mundo. Canibuk foi criado por Petter Baiestorf e Leyla Buk em 2010 para a divulgação de cultura obscura e desde então se tornou uma marca da verdadeira cultura outsider, ponto de encontro de pensadores transgressores e leitores sedentos por informações do maravilhoso mundo da cultura independente. Canibuk está entrando no seu terceiro ano e criou essa linda camisa, com arte original de Leyla Buk, para que os leitores do blog possam passar a vestir a camisa do blog. A escolha de um punk prá ilustrar a camisa tem tudo haver com o blog que explora o faça você mesmo dos anos 1970 e 1980. Petter e Leyla, mesmo editando um blog, são eternos zineiros! Vista a camisa do Canibuk!!!

Accion MutanteSomente na cor preta, somente tamanho G. Preço: R$ 30.00 – Este filme não é uma produção da Canibal Filmes, mas é um dos filmes preferidos de Petter Baiestorf que, na falta de uma camisa oficial deste lindo filme, quis homenagear os 20 anos da produção de Álex de la Iglesia com uma camisa deste inacreditável clássico do cinema de humor negro. Foram feitas somente 10 peças desta camisa e assim que todas as peças serem vendidas não será mais colocada de volta ao estoque. Se você ainda não assistiu este filme saiba que está perdendo um dos maiores filmes de sci-fi gore do cinema mundial, é o filme que marca a estréia como diretor do genial Iglesia e trás participação de Santiago Segura em pequeno papel. Imperdível!!!

FILMES:

A Curtição do Avacalho (2006, 73 min.) de Petter Baiestorf. DVD simples – R$ 10.00.

Refilmagem livre de “O Incrível Homem Que Derreteu” (“The Incredible Melting Man“) transformada em história ateísta de histeria-pop com fundos de comédia anarquista na melhor tradição do cinema udigrudi brasileiro dos anos 60/70. Mais do que uma simples homenagem, “A Curtição do Avacalho” prova que é possível dar continuidade às experimentações do cinema Marginal adicionando um caldo gore-transgressor. O DVD ainda inclui os fantásticos extras: galeria de fotos da produção, roteiro, cenas deletadas, erros de gravação, trailer de produções independentes, o documentário “Baiestorf: Filmes de Sangueira e Mulher Pelada” (2004) de Christian Caselli e o mais genial menu-pegadinha de todos os tempos.

O Monstro Legume do Espaço (1995, 77 min.) de Petter Baiestorf. DVD simples. R$ 12.00.

Clássico do cinema underground brasileiro precursor de todas as produções do gênero que ganharam lançamento independente após “O Monstro Legume do Espaço” tomar de assalto a grande mídia nos anos 90 provando que era possível realizar o sonho do cinema com pouquíssimos recursos. Aqui um alienígena constituído de fibras vegetais chega ao planeta Terra e é aprisionado por um cientista. Com ajuda do coprofago Caquinha ele consegue escapar e promove um banho de sangue carregado de vísceras humanas. O DVD é um programa duplo que trás as duas primeiras partes de “O Monstro Legume do Espaço” (a original de 1995 e a segunda parte de 2006), com legendas em inglês, making off, erros de gravação, vídeo-clips, galerias de fotos e trailers de outras produções independentes.

Arrombada – Vou Mijar na Porra do seu Túmulo!!! (2007, 38 min.) de Petter Baiestorf. DVD simples. R$ 12.00.

Um traficante condenado é obrigado por um juiz de direito eleito senador duas vezes pelo voto popular à seqüestrar uma menina para saciar seus mais baixos instintos bestiais na companhia de seu médico particular punheteiro e seu padre amado. Muita putaria e violência no retorno de Baiestorf aos filmes de sexploitation carregados de críticas sociais. Masturbe-se e goze gostoso com este festival de estupros e o peculiar humor bizarro da Canibal Filmes. Por ser um média-metragem, o fantástico DVD de “Arrombada” ainda traz os curtas: “Que Buceta do caralho, Pobre só se Fode!!!” (2007, de Baiestorf), “Manifesto Canibal – O Filme” (2007, de Baiestorf e Souza), “O Nobre Deputado Sanguessuga” (2007, de Baiestorf), “Amigo Imaginário” (2007, de Baiestorf e Gurcius), “Dark Angel” (2007), “O Manjar dos Deuses” (2007, de Gustavo Insekto), “Apagogia” (2007, de Moacir Siso) e “Tudo Começou Quando Mamãe Conheceu Papai” (2007, de Gurcius Gewdner). Mais os maravilhosos extras com legendas em inglês, trailers, making offs, erros de gravação, entrevistas com Baiestorf, faixas de comentário em áudio com Baiestorf, Coffin Souza e Gurcius Gewdner e o documentário “Um Arrombado na Estrada”.

Zombio/Eles Comem Sua Carne (1999-1996, 45 min.-73 min.) de Petter Baiestorf. DVD simples. R$ 12.00.

Incrível double feature com dois clássicos do cinema gore brasileiro. “Zombio” é o primeiro filme com zumbis produzido no Brasil, conta a história de um casal de playboys ecologistas que vai namorar numa ilha deserta e encontra uma horda de zumbis canibais. “Eles Comem Sua Carne” mostra a hilária história de vida de um grupo de canibais anti-sistema que vive em harmonia devorando fiscais da prefeitura de Palmitos que vão cobrar o IPTU atrasado. Traz de extra os curtas “Zumbis do Espaço de Lá” (2008, de Larissa Anzoategui), “Colt Romero” (2008, de Cristian Verardi), o documentário “Andy – Chegando ao Zombio”, documentário “Revisitando o Set de Zombio 10 Anos Depois”, faixas de comentário em áudio, trailers, testes de FX e making off de Eles Comem Sua Carne.

Vadias do Sexo Sangrento (2008, 31 min.) de Petter Baiestorf. DVD duplo – R$ 17.00.

Como todo bom macho que pensa com a cabeça do pau, Russ começa a perseguir sua ex-namorada Mirza que o trocou por Tura, uma lésbica boa de língua e de bunda. Muita sangueira e sadismo na comédia romantica onde Baiestorf discute o relacionamento amoroso em nossa sociedade de forma quase adulta debochando dos clichês do gênero. “Vadias do Sexo Sangrento” é experimentalismo radical que dá seqüência as teorias do livro “Manifesto Canibal” (de Baiestorf e Coffin Souza), grande bíblia profana do cinema underground brasileiro. O DVD duplo traz ainda os curtas “Rottina” (2008, de Rodrigo Pedroso), “Palhaço Triste” (2005, de Baiestorf), “Dia de Ano” (2005, de Gurcius Gewdner), “Dominação Bizarra” (2004, de Zé Colmeia), o documentário “Vadias no Cinehorror 3”, legendas em inglês, dublagem em inglês, making off, erros de gravação, faixas de comentário em áudio de Baiestorf e Coffin Souza e entrevistas com Carli Bortolanza, Lane ABC, Ljana Carrion, Elio Copini, Everson Schütz, PC e Petter Baiestorf.

Triunvirato (2004, 55 min.) de Gurcius Gewdner – DVD simples – R$ 10.00

O dramático documentário sobre o processo de criação de Gurcius Gewdner como diretor e com o conjunto musical Os Legais. Mostrando as duras verdades da vida, causou comoção e ódio em todos os cantos do planeta onde foi exibido. Sinta o sabor da dor e da verdade neste documento chocante, revelador e repleto de suspense, que irá embelezar o vazio de sua vida. Um filme que ensina de maneira soberba a arte de ser picareta, as lições estão aqui, é só você destilar tudo, ruminar, aplicar na sua vida e ficar famoso. Extras: Legendas em inglês, galeria de fotos, trailers, jogo dos sete erros, making off, discografia de Os Legais e Os Legais em estúdio.

Mamilos em Chamas (2007, 80 min.) de Gurcius Gewdner – DVD simples – R$ 10.00

A saga do homem que trocou o ritmo alucinante da noite latejante pelas alegrias iluminadas do amor. Um filme que fará seu corpo e toda sua família explodir em prazer com as mais excitantes cenas de sexo e ação já gravadas no cinema brasileiro. É a emocionante história de um coelho perversamente dividido entre as delícias sem fim do prazer pulsante, a dura realidade do trabalho assalariado e a mais completa bestialidade, tudo isso em conflito com a descoberta do amor resplandecente. Poderá este homem aceitar o passado negro de sua amada e ajudá-la a recuperar seu pobre filho das mãos de malignos malfeitores? Erótico! Dramático! Místico! Relaxante! Romântico! Frenético! Assustador! Sem extras!

Confinópolis (2012, 15 min.) de Raphael Araújo. DVD simples. R$ 15.00

“Confinópolis” é um curta de Raphael Araújo com base em uma HQ dele mesmo que havia sido publicada na revista Prego anos atrás. A HQ virou um filme político de primeira grandeza, teorizando sobre um povo que se deixa governar por um tirano (que pode ser qualquer político, mesmo os políticos “bonzinhos”). Aqui vemos um lugar fictício onde as criaturas possuem uma fechadura no lugar do rosto e todos tem a esperança de que a salvação virá na figura de uma chave. Essa é a pequena deixa para que Araújo teorize sobre a manipulação política, sobre a televisão (um lindo flashback em animação – cortesia do artista Felipe Mecenas – explica como a sociedade ficou hipnotizada por milhares de caixas de luz hipnótica) e sobre como ações individuais podem fazer a diferença em uma sociedade. Quem fica em silêncio concorda com as atrocidades cometidas por políticos, religiosos, militares e imprensa, que sempre caminham de mãos dadas pelo jardim da tirania. Leia mais sobre este ótimo curta em “Confinópolis – A Terra dos Sem Chave“.

A Noite do Chupacabras (2011, 105 min.) de Rodrigo Aragão. DVD simples. R$ 20.00

A história de Douglas Silva (Joel Caetano), que retorna ao seu berço familiar no interior do Espírito santo, acompanhado de sua namorada grávida (Mayra Alarcón). Mas as coisas não estão bem para sua família, a morte de vários animais, reacende um antigo conflito com seus vizinhos agressivos e rivais, os Carvalho. Um rotineiro conflito de bar, quebra a trégua na guerra familiar e entre agressões, tiros e facadas, todos vão descobrir que um mal muito maior está entre eles: uma monstruosa e faminta criatura escondida na mata. Os Silva e os Carvalho, vão se matar e serem mortos pelo monstro, e ainda encontrar no caminho a figura mítica e também perigosa do “Velho-do-Saco” (Cristian Verardi). Douglas vai ter que provar a força que não se transformou em típico rapaz covarde da cidade grande e enfrentar a fúria do Chupacabras (Walderrama dos Santos) e do perigoso e demente Ivan Carvalho (Petter Baiestorf). Novamente como em “Mangue Negro” (2008), Rodrigo Aragão assume a direção, roteiro e efeitos especiais de maquiagem com extrema competência e grande parte do elenco também se divide em múltiplas funções técnicas, típico do cinema independente e de guerrilha. Um elenco afinado (e principalmente, escolhido “a dedo”), cenários naturais e muito bem fotografados e uma trilha sonora composta por grupos regionais como Vida seca, Pé do Lixo, Manguerê e Panela de Barro, que acompanha a trama de vingança, suspense e ação, sem cair no lugar comum de músicas eletrônicas, Rock pesado ou música Clássica de arquivo . A trama se desenvolve de forma natural, e para os impacientes com a demora da entrada do personagem-título em cena, a magnífica e original maquiagem “full-body” e a performance de Walderrama dos Santos enche os olhos e mostra que apesar da trama central ser focada na guerra interiorana entre famílias, este é sim , um filme de Monstro! Um monstro nacional (ou nacionalizado) e com todas as chances de ter uma carreira internacional, como aliás já está acontecendo: devagar, sorrateiro como um ataque de um Chupacabras! Leia mais sobre “A Noite do Chupacabras” aqui. Extras: Making of, galeria de fotos, trailers.

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Adiós Amigo

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 2, 2012 by canibuk

Eram 03:25 da madrugada quando fui despertado pelo telefone. Atendi e uma voz desesperada do outro lado da linha dizia: “Nosso amigo morreu! Nosso amigo morreu!!!”. Era Simone, esposa do Jorjão – como Jorge Timm era conhecido por seus amigos pessoais – me avisando que um dos meus melhores amigos havia acabado de falecer. Fiquei em estado de choque sem saber o que fazer, de mãos amarradas, porque estava em Porto Alegre/RS (distante 380 km de Canibal City) na casa do Daniel Villaverde para pegar avião na manhã seguinte para me encontrar com a Leyla Buk no Nordeste. Pela primeira vez na minha vida encontrei-me dividido entre alegria extrema (porque iria me encontrar com a Leyla, minha cara-metade em tudo) e tristeza profunda (pela morte de meu velho companheiro de produções e festas). Sem conseguir dormir mandei mensagem para Leyla avisando-a que Timm havia falecido, mal como estava naquele momento eu precisava de algumas palavras de conforto. Leyla me ajudou a enfrentar a madrugada horrível que se seguiu com nó na garganta e lágrimas nos olhos.

Jorjão correndo contra minha filmadora durante as filmagens de “O Monstro Legume do Espaço” (1995).

Jorge Timm, além de ator em meus filmes, foi também meu primo. Em 1995 desempenhou um pequeno papel no longa-metragem “O Monstro Legume do Espaço” e nunca mais deixou de colaborar com a Canibal Filmes. Em 1996 interpretou “Elvis”, um cozinheiro canibal, no ultra-gore “Eles Comem Sua Carne”; um pastor evangélico picareta no ação-gore “Blerghhh!!!” e um caçador pervertido no “Caquinha Superstar A Go-Go”. Tomando gosto pela produção independente, foi produtor associado em filmes que produzi em parceria com Coffin Souza pela Canibal-Mabuse Produções, como “Chapado” (1997) que co-dirigi em parceria com Coffin Souza e Marcos Braun; “Bondage 2: Amarre-me Gordo Escroto!!!” (1997); “Super Chacrinha e seu Amigo Ultra-Shit em Crise Vs. Deus e o Diabo na Terra de Glauber Rocha” (1997); “Gore Gore Gays” (1998) e “Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos” (1998). Ainda em 1998 ele apareceu com o argumento do infame curta “Boi Bom” e o dirigi num banho de sangue ultra-violento realista com uma diminuta equipe-técnica que envolvia apenas, além de mim e Timm, Carli Bortolanza e meu pai, também já falecido, Claudio Baiestorf. Em 1999 fez uma participação especial em “Zombio“, primeiro filme de zumbis brasileiros que hoje é somente lembrado por essa participação de Jorjão.

Nesta época Ivan Cardoso Planejava filmar o curta-metragem “O Estrangulador de Loiras” com Timm no papel título mas não conseguiu levantar o dinheiro necessário para a produção e, infelizmente, o filme nunca saiu do papel. Um verdadeiro imã visual, Jorjão chamou atenção de vários diretores brasileiros, como Carlos Reichenbach, mas nunca foi chamado para nenhum filme profissional.

Jorge Timm e Ivan Cardoso no Festival de Gramado em 1997.

No novo milênio Jorjão estrelou meu longa “Raiva” e recebeu muitos elogios por seu papel de ladrão de revistas raras que dança um tango macabro com uma mulher misteriosa interpretada por Onésia Liotto. Depois deste filme Jorge Timm foi morar no Norte do Brasil onde ficou até 2008. Neste período produziu meus curtas “Fragmentos de uma Vida” (2002) e “Primitivismo Kanibaru na Lama da Tecnologia Catódica” (2003) e fez uma participação especial em “O Monstro Legume do Espaço 2” (2006). De volta ao Sul, retomou o trabalho de ator aparecendo em vários média-metragens que realizei com ajuda de amigos, como “Vadias do Sexo Sangrento” (2008) no papel de um pescador tarado; “Ninguém Deve Morrer” (2009), interpretando o zoófilo coronel Bajon em homenagem ao diretor Juan Bajon; e “O Doce Avanço da Faca” (2010), novamente no papel de um pastor evangélico. Em 2011 filmei o curta-metragem “Pampa’Migo” (ainda não editado porque não consegui filmar todas as seqüências do roteiro e não fiquei animado em finalizar), no papel de um bodegueiro que se encontra no meio do fogo cruzado entre pistoleiros. Essas filmagens foram registradas pelo videomaker Felipe Guerra e deverão virar um documentário sobre como não se deve filmar. Sua última participação como ator foi no “Lua Perversa – Segunda Temporada” (2012) de André Bozzetto Jr., em fase de edição.

Trabalhar com Jorge Timm sempre era divertido. Era um piadista por natureza, Jorjão nunca deixava um set ficar com aquele clima prá baixo, sua alegria de viver contagiava a todos. Além dos filmes, foi parceiro meu e de Coffin Souza para festas, bebedeiras, reuniões gastronômicas e na banda Os Ilegais (banda cover de Os Legais que só tocava músicas próprias). Uma performance de Os Ilegais poderá ser vista no documentário sobre Os Legais que o diretor Christian Caselli está produzindo, já que com a morte de Timm não retomarei este projeto musical por nada neste mundo. Caselli também é o responsável pela série “Trash” do Canal Brasil (que vai estreiar em 2013) e me confidenciou que o terceiro capítulo da série será dedicada para a dupla Jorge Timm – Carlos Reichenbach (Carlão faleceu dia 14 de junho e Jorjão dia 18 de junho).

Fazendo close em Jorjão durante filmagens de “Raiva” em cena com Elio Copini.

Agora que Jorjão faleceu percebo que ele foi muito mal aproveitado pelos cineastas independentes brasileiros, tendo aparecido quase que exclusivamente apenas nas produções da Canibal Filmes, um verdadeiro desperdício de tão singular amigo. Nos anos 2000 Jorjão bolou um roteiro cômico-caipira chamado “A Bôdega” que era prá eu roteirizar e dirigir, mas que fui enrolando e deixando sempre pro ano seguinte e nunca filmamos. Se arrependimento matasse…

Jorjão, saudades da tua risada, da tua alegria, das tuas piadas politicamente incorretas, do teu deboche otimista. Os fãs de filmes bagaceiros queriam muito mais filmes com tua gargalhada eletrizante. Tu já está fazendo falta, meu amigo!

Petter Baiestorf.

Imagens de Jorjão:

“O Monstro Legume do Espaço” (1995).

“Eles Comem Sua Carne” (1996).

“Caquinha Superstar A Go-Go” (1996).

“Blerghhh!!!” (1996).

“Chapado” (1997).

“Raiva” (2001).

“O Monstro Legume do Espaço 2” (2006).

“Vadias do Sexo Sangrento” (2008).

“Ninguém Deve Morrer” (2009).

“O Doce Avanço da Faca” (2010).

“Pampa’Migo” (2011).

Jorjão entre a zumbizada de “Lua Perversa” (2012).

The Galaxy Invader: O Pior Diretor do Mundo em Ação

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 27, 2011 by canibuk

“The Galaxy Invader” (1985, 79 min.) de Don Dohler. Com: Richard Ruxton, Faye Tilles, George Stover, Greg Dohler, Kim Dohler, Anne Frith, Richard Dyszel e Glenn Barnes no papel do Invasor Cósmico.

Baltimore é conhecida dos cinéfilos por ser o lar (e cenário dos filmes) do genial John Waters, cineasta underground que realizou vários clássicos transgressores como “Pink Flamingos” (1972), “Female Trouble” (1974) e “Desperate Living” (1977). Mas de Baltimore também vem o desconhecido cineasta Don Dohler, que em 1985 dirigiu “The Galaxy Invader” (lançado direto em vídeo e já em domínio público).

A trama de “The Galaxy Invader” pode ser descrita em poucas linhas: um objeto voador cai numa floresta e um alienígena verde ferido começa a perambular pela região do acidente, até ser descoberto por um casal que fica aterrorizado com a criatura e, então, o invasor intergaláctico passa a ser perseguido por humanos sedentos por sangue e violência. Este filme é uma espécie de avô do meu longa-metragem “O Monstro Legume do Espaço” (1995), ambos foram feitos praticamente sem recurso algum, com ajuda dos amigos e técnicos improvisados. Quando escrevi, produzi e dirigi o Monstro Legume não tinha, ainda, tomado conhecimento desta pérola da vagabundagem (só o descobri em 2007), senão seria certeza que teria incluído alguma homenagem-referência ao filme de Don Dohler.

Donald Michael Dohler (1946-2006) nasceu e viveu em Baltimore (Maryland) e, com apenas 15 anos, começou a editar um fanzine chamado “Wild” (inspirado na revista “Mad”) e entre seus colaboradores estavam artistas como Jay Lynch, Art Spiegelman e Williamson Skip. Ainda nos anos da década de 1960, Dohler começou a editar a revista “Cinemagic” que trazia matérias para jovens cineastas que queriam aprender a fazer seus próprios filmes sozinhos e inspirou vários jovens à tentar a sorte fazendo filmes (em 1979 a “Starlog” comprou a revista). A primeira produção de Dohler foi “The Alien Factor” (1976), um filme de sci-fi de baixo orçamento sobre uns aliens-insetos pegando todo mundo. Don Dohler faleceu em 2006 deixando onze longas no currículo, incluíndo “Alien Rampage” (1999, uma continuação de “The Alien Factor”) e “Harvesters” (2001, um remake de seu próprio filme “Blood Massacre”, que havia sido lançado em 1988). O documentário “Blood, Boobs and Beast” (2007) de John Paul Kinhart conta a história deste diretor de ótimos filmes ruins.

As péssimas maquiagens vagabundas do filme são cortesia do make-up man improvisado John Cosentino (que trabalhava sempre nos filmes do amigo Dohler), que criou uma roupa de corpo inteiro para dar vida ao alien verde, só que essa roupa era toda dura e sem articulações, limitando as ações do ator Glenn Barnes na interpretação da criatura. Só prá dar uma idéia, no filme há uma cena onde o alien está deitado no chão e faz de conta que vai levantar, corta para o rosto sem expressão de uma atriz, e quando volta para o alien ele já está em pé, porque o simples ato de levantar era impossível com a roupa alienígena. Vale uma espiadinha!

Por Petter Baiestorf.