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O Corvo

Posted in Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 26, 2012 by canibuk

Foi uma vez: eu refletia, à meia-noite êrma e sombria,

a ler doutrinas de outro tempo em curiosíssimos manuais,

e, exausto, quase adormecido, ouvi de súbito um ruído,

tal qual se houvesse alguém batido à minha porta, devagar.

“É alguém” – fiquei a murmurar – “que bate à porta, devagar;

sim, é só isso e nada mais.”

.

Ah! Claramente eu o relembro! Era no gélido dezembro

e o fogo, agônico, animava o chão de sombras fantasmais.

Ansiando ver a noite finda, em vão, a ler, buscava ainda

algum remédio à amarga, infinda, atroz saudade de Lenora

– essa, mais bela do que a aurora, a quem nos céus chamam Lenora

e nome aqui já não tem mais.

.

A sêda rubra da cortina arfava em lúgubre surdina,

arrepiando-me e evocando ignotos medos sepulcrais.

De susto, em pávida arritmia, o coração veloz batia

e a sossegá-lo eu repetia: “É um visitante e pede abrigo.

Chegando tarde, algum amigo está a bater e pede abrigo.

É apenas isso e nada mais.”

.

Ergui-me após e, calmo enfim, sem hesitar, falei assim:

“Perdoai, senhora, ou meu senhor, se há muito aí fora me esperais;

mas é que estava adormecido e foi tão débil o batido,

que eu mal podia ter ouvido alguém chamar à minha porta,

assim de leve, em hora morta.” Escancarei então a porta:

– escuridão, e nada mais.

.

Sondei a noite êrma e tranqüila, olhei-a fundo, a perquiri-la,

sonhando sonhos que ninguém, ninguém ousou sonhar iguais.

Estarrecido de ânsia e medo, ante o negror imoto e quêdo,

só um nome ouvi (quase em segredo eu o dizia) e foi: “Lenora!”

E o eco, em voz evocadora, o repetiu também: “Lenora!”

Depois, silêncio e nada mais.

.

Com a alma em febre, eu novamente entrei no quarto e, de repente,

mais forte, o ruído recomeça e repercute nos vitrais.

“É na janela” – penso então. “Por que agitar-me de aflição?

Conserva a calma, coração! É na janela, onde, agourento,

o vento sopra. É só do vento esse rumor surdo e agourento.

É o vento só e nada mais”.

.

Abro a janela e eis que, em tumulto, a esvoaçar, penetra um vulto:

– é um Corvo hierático e soberbo, egresso de eras ancestrais.

Como um fidalgo passa, augusto e, sem notar sequer meu susto,

adeja e pousa sobre o busto – uma escultura de Minerva,

bem sobre a porta; e se conserva ali, no busto de Minerva,

empoleirado e nada mais.

.

Ao ver da ave austera e escura a soleníssima figura,

desperta em mim um leve riso, a distrair-me de meus ais.

“Sem crista embora, ó Corvo antigo e singular” – então lhe digo –

“não tens pavor. Fala comigo, alma da noite, espectro tôrvo,

qual é teu nome, ó nobre Corvo, o nome teu no inferno tôrvo!”

E o corvo disse: “Nunca mais”.

.

Maravilhou-me que falasse uma ave rude dessa classe,

misteriosa esfinge negra, a retorquir-me em termos tais;

pois nunca soube de vivente algum, outrora ou rio presente

que igual surpresa experimente: a de encontrar, em sua porta,

uma ave (ou fera, pouco importa, empoleirada em sua porta

e que se chama: “Nunca mais”.

.

Diversa coisa não dizia, ali pousada, a ave sombria,

com a alma inteira a se espelhar naquelas sílabas fatais.

Murmuro, então, vendo-a serena e sem mover uma só pena,

enquanto a mágoa me envenena: “Amigos… sempre vão-se embora.

Como a esperança, ao vir a aurora, ele também há de ir-se embora.”

E disse o Corvo: “Nunca mais”.

.

Vara o silêncio, com tal nexo, essa resposta que, perplexo,

julgo: “É só isso o que ele diz; duas palavras sempre iguais.

Soube-as de um dono a quem tortura uma implacável desventura

e a quem, repleto de amargura, apenas resta um ritornelo

de seu cantar; do morto anelo, um epitáfio: – o ritornelo

de “Nunca, nunca, nunca mais”.

.

Como ainda o Corvo me mudasse em um sorriso a triste face,

girei então numa poltrona, em frente ao busto, à ave, aos umbrais

e, mergulhando no coxim, pus-me a inquirir (pois, para mim,

visava a algum secreto fim) que pretendia o antigo Corvo,

com que intenções, horrendo, tôrvo, esse ominoso e antigo Corvo

grasnava sempre: “Nunca mais”.

.

Sentindo da ave, incandescente, o olhar queimar-me fixamente,

eu me abismava, absorto e mudo, em deduções conjeturais.

Cismava, a fronte reclinada, a descansar, sobre a almofada

dessa poltrona aveludada em que a luz cai suavemente,

dessa poltrona em que Ela, ausente, à luz que cai suavemente,

já não repousa, ah! nunca mais…

.

O ar pareceu-me então mais denso e perfumado, qual se incenso

ali descessem a esparzir turibulários celestiais.

“Misero!” – exclamo – “Enfim teu Deus te dá, mandando os anjos seus

esquecimento, lá dos céus, para as saudades de Lenora.

Sorve o nepentes. Sorve-o, agora! Esquece, olvida essa Lenora!”

E o Corvo disse: “Nunca mais”.

.

“Profeta!” – brado. “O’ ser do mal! Profeta sempre, ave infernal,

que o Tentador lançou do abismo, ou que arrojaram temporais,

de algum naufrágio, a esta maldita e estéril terra, a esta precita

mansão de horror, que o horror habita, – imploro, dize-mo, em verdade:

Existe um bálsamo em Galaad? Imploro! dize-mo, em verdade!”

E o Corvo disse: “Nunca mais”.

.

“Profeta!” – exclamo. “O’ ser do mal! Profeta sempre, ave infernal!

Pelo alto céu, por esse Deus que adoram todos os mortais,

fala se esta alma sob aguante atroz da dor, no Êden distante,

verá a deusa fulgurante a quem nos céus chamam Lenora,

– essa, mais bela do que a aurora, a quem nos céus chamam Lenora!”

E o corvo disse: “Nunca mais!”

.

“Seja isso a nossa despedida!” – ergo-me e grito, alma incendiada.

“Volta de novo à tempestade, aos negros antros infernais!

Nem leve pluma de ti reste aqui, que tal mentira ateste!

Deixa-me só neste êrmo agreste!” Alça teu vôo dessa porta!

Retira a garra que me corta o peito e vai-te dessa porta!

E o Corvo disse: “Nunca mais!”

.

E lá ficou! Hirto, sombrio, ainda hoje o vejo, horas a fio,

sobre o alvo busto de Minerva, inerte, sempre em meus umbrais.

No seu olhar medonho e enorme o anjo do mal, em sonhos, dorme,

e a luz da lâmpada, disforme, atira ao chão a sua sombra.

Nela, que ondula sobre a alfombra, está minha alma; e, presa à sombra,

não há de erguer-se, ai! nunca mais!.

poesia de Edgar Allan Poe.

ilustrações de Prassinos.

tradução de Oscar Mendes e Milton Amado.

Vincent Price: O Vilão mais Carismático de todos os Tempos

Posted in Cinema, Entrevista with tags , , , , , , on maio 27, 2011 by canibuk

No dia 27 de maio de 1911 nasceu Vincent Leonard Price Jr. na família de Vincent Clarence Price, seu avô, que já tinha garantido a fortuna da família Price ao inventar o “Magic Baking Powder” (também conhecido como “Dr. Price’s Baking Powder”), o primeiro fermento em pó de creme de tártaro.

A vida acadêmica de Vincent Price foi normal e sua vida pessoal tranqüila. Acabou no cinema quando fez sua estréia no filme “Service de Luxe” (1938) de Rowland V. Lee e se firmou como ator no clássico “Laura” (1944) de Otto Preminger. Mas foi fazendo filmes de horror, sci-fi e suspense que Price se tornou uma lenda. Seu primeiro filme de horror foi ao lado de Boris Karloff e Basil Rathbone no longa “Tower of London” (1939) de Rowland V. Lee, que Roger Corman fez uma re-leitura, novamente estrelada por Vincent Price, nos anos 60.

Nos anos 50 que Vincent Price se tornou a estrela dos filmes de horror ao estrelar o remake “House of Wax” (“O Museu de Cera”, 1953) de André De Toth, uma refilmagem em 3D do filme “Mystery of the Wax Museum” (“Os Crimes do Museu”, 1933) de Michael Curtiz, que entrou no top 10 das bilheterias americanas daquele ano (a título de curiosidade: Um jovem Charles Bronson faz um de seus primeiros papéis no cinema neste “House of Wax”, como assistente de Vincent Price. Eles voltaram a contracenar em 1961 no clássico de aventura “Master of the World” (“Rubor – O Conquistador”) de William Witney). Depois de “House of Wax”, que foi lançado em DVD no Brasil pela Warner Bros., Price estrelou diversos filmes de sci-fi/horror, como “The Mad Magician” (1954) de John Brahm, “The Fly” (“A Mosca da Cabeça Branca”, 1958, Fox Filmes) de Kurt Neumann, “Return of the Fly” (1959) de Edward Bernds, “The Bat” (“A Mansão do Morcego”, 1959, London Films) de Crane Wilbur e suas parcerias hilárias com o lendário diretor/produtor William Castle: “House on Haunted Hill” (“A Casa dos Maus Espíritos”, 1959, NBO Editora) e o cult-movie “The Tingler” (“Força Diabólica”, 1959, Columbia Pictures), exibido com o novíssimo aparelho Percepto, onde a cada 10 poltronas do cinema era instalado este equipamento que era impulsionado por um pequeno motor ligado à cabine de projeção que, com o projecionista sendo guiado por pequenas marcas impressas no filme, acionava um interruptor que acionava uma vibração e uma pequena descarga elétrica nas poltronas, assustando os espectadores desavisados. “The Tingler” tem uma das primeiras (se não for a primeira) citações ao LSD no cinema. Robb White, o roteirista, tinha ouvido sobre o ácido lisérgico de Aldous Huxley e foi até a UCLA para experimentar o alucinógeno em si mesmo (antes de se tornar ilegal) e introduziu a droga no roteiro do filme. Este pequeno filme de William Castle, que custou cerca de 400 mil dólares, faturou mais de 2 milhões de dólares. Nestes filmes de Castle, ambos com um senso de humor negro delicioso, temos Vincent Price completamente a vontade em seus papéis, já dando mostras de como iria atuar nas décadas seguintes, sempre trabalhando sério mas se divertindo nas produções.

Já em 1960, Vincent Price estrelou uma série de filmes de baixo orçamento do diretor Roger Corman e da produtora American International Pictures (A.I.P.), filmes estes que resgataram Peter Lorre, Basil Rathbone, Boris Karloff e o escritor Edgar Allan Poe para uma nova geração de espectadores. O primeiro filme do pacote foi “Fall of the House of Usher” (“O Solar Maldito”, 1960) e ao seu sucesso seguiu-se “The Pit and the Pendulum” (1961, co-estrelado por Barbara Steele), “Tales of Terror” (“Muralhas do Pavor”, 1962, co-estrelado por Peter Lorre e Basil Rathbone), “The Raven” (“O Corvo”, co-estrelado por Boris Karloff, Peter Lorre, Hazel Court e o joven ator Jack Nicholson, lançado no Brasil pela Playarte), “The Haunted Palace” (“O Castelo Assombrado”, 1963, com roteiro baseado em H.P. Lovecraft, mas que entrou no pacote Poe, e co-estrelado por Lon Chaney Jr.), “The Masque of the Red Death” (“A Orgia da Morte”, 1964, co-estrelado por Hazel Court) e “The Tomb of Ligeia” (“Túmulo Sinistro”, 1964). Aliás, nos anos de 1960 Vincent Price trabalhou muito e esteve a frente do elenco em inúmeros filmes de horror que se tornaram clássicos, vale a pena relembrar/rever sempre “Tower of London” (1962) de Roger Corman, “Confessions of an Opium Eater” (1962) de Albert Zugsmith, o fantástico “The Comedy of Terrors” (“Farsa Trágica”, 1963) de Jacques Tourneur, que além de Price no elenco, ainda trazia os atros Boris Karloff, Peter Lorre, Basil Rathbone e Joe E. Brown, “The Last Man on Earth” (“Mortos que Matam”, 1964, Flashstar Vídeo) de Ubaldo Ragona, a comédia “Dr. Goldfoot and the Bikini Machine” (1965) de Norman Taurog e o sério “Witchfinder General” “O Caçador de Bruxas”, 1968) de Michael Reeves.

Na década de 1970 Vincent Price estrelou mais alguns clássicos como “Scream and Scream Again” (“Grite, Grite Outra Vez!”, 1970) de Gordon Hessler, os clássicos (e meus preferidos de toda a carreira dele) “The Abominable Dr. Phibes” (“O Abominável Dr. Phibes”, 1971) e “Dr. Phibes Rises Again” (“A Câmara de Horrores do Abominável Dr. Phibes”, 1972), ambos dirigidos por um Robert Fuest inpiradíssimo e com um elenco de apoio muito bem escolhido (na segunda parte até Peter Cushing dá as caras), verdadeiros exercícios macabros de humor negro. No mesmo clima dos filmes do Dr. Phibes, Price estrelou “Theatre of Blood” (“As Sete Máscaras da Morte”, 1973, Playarte Filmes) de Douglas Hickox.

Nos anos 80, estrelou ao lado de John Carradine e Donald Pleasence o filme “The Monster Club” (1981) de Roy Ward Baker, fez a narração do curta-metragem “Vincent” (1982) do então ainda desconhecido Tim Burton (com quem realizou também seu último papel no cinema no “Edward Scissorhands” de 1990), “House of the Long Shadows” (“A Mansão da Meia-Noite”, 1983) de Pete Walker, que merece uma espiada por conta de elenco formado, além de Price, pelas também lendas Christopher Lee, Peter Cushing e John Carradine, narrou o vídeo-clip “Thriller” (1983) de John Landis para Michael Jackson, “Bloodbath at the House of Death” (1984) de Ray Cameron, “The Offspring” (“Do Sussuro ao Grito”, 1987) do sempre incompetente Jeff Burr e o drama “The Whales of August” (“Baleias de Agosto”, 1987) de Lindsay Anderson, seu último grande papel no cinema. Seus últimos trabalhos, já nos anos 90, foram narrações para filmes produzidos diretamente para a televisão.

Vincent Price foi casado 3 vezes, era colecionador de arte (com seus cachês vivia comprando quadros e esculturas e doando dinheiro à escolas de arte), fumante inveterado e no fim da vida sofria de enfisema e da doença de Parkinson (o que fez com seu papel no “Edward Scissorhands” fosse reduzido). Morreu de câncer no pulmão em 25 de outubro de 1993.

Como Roger Corman fez vários filmes com o Vincent Price, resolvi postar aqui um trecho da entrevista que Corman concedeu aos jornalistas Charles Flynn e Todd McCarthy no dia 6 de setembro de 1973 e que foi publicada no catálogo da retrospectiva de filmes do Roger Corman realizada pela Cinemateca Portuguesa que aconteceu nos anos 80 do século passado (a edição do catálogo é de 1985).

“Gas-s-s” resume mais ou menos a sua atitude no que diz respeito aos filmes do Poe ou há algum filme da série Poe que considere como a sua opinião definitiva?

Corman: Não, nenhum em particular. Eu diria que cada um é uma tentativa para lidar com cada conto de Poe. Em nenhuma altura tentei pô-los juntos, de modo a formarem um todo. Deixo cada um falar por si. E “Gas-s-s” não era assim tão relacionado com os da série Poe. A idéia de lá por Poe foi posterior.

Você também mandou uma piada à série Poe em “The Trip” (1967).

Corman: Sim.

De fato, muitos filmes da série Poe não são para se levar completamente a sério.

Corman: Lá para o fim, sim. “The Fall of the House of Usher” (1960), “The Pit and the Pendulum” (1961), “The Masque of the Red Death” (1964), embora este fosse mais tardio, eram filmes sérios. A coisa começou com “Tales of Terror” (1962), que era um filme em episódios e que já foi feito com uma certa dose de humor. “The Raven” nós fizemo-lo para rir.

Considera-se um criador de humor negro?

Corman: Provavelmente sim. Levando-se em consedireção “A Bucket of Blood” (1959), “The Little Shop of Horrors” (1960), “Creature from the Haunted Sea” (1961) e, mais recentemente, “Gas-s-s” (1970), eu diria que eles são de humor negro. Nós os fizemos antes dol termo “humor negro” ser usado. Mas estão, de algum modo, dentro do gênero.

Os filmes da série Poe parecem visualmente muito mais elaborados do que seus filmes que vieram antes ou depois.

Corman: Acho que é verdade e há duas razões para isso. Uma era que para os filmes do Poe eu tinha um calendário de 3 semanas que foi, sem dúvida, o tempo mais longo que alguma vez tive! Tinha então muito tempo para filmar num estilo elaborado. Os filmes anteriores, “The Little Shop of Horrors” foi filmado em dois dias, “Bucket of Blood” em cinco e a maior parte dos outros entre cinco e dez dias. Não havia, portanto, tempo para um estilo cinematográfico elaborado. Eu tinha que filmar muito rápido e de maneira simples, embora tivesse por eles 0 maior interesse possível, respeitando o prazo. Com um prazo de 3 semanas para os filmes do Poe, tive um pouco mais de tempo para trabalhar a câmera. E, além disso, senti que o assunto se prestava a isso. Os filmes que vieram depois, por exemplo “The Wild Angels” (1966), eram também filmes de 3 semanas, mas eu procurava um estilo mais realista e, então, voltei deliberadamente a um movimento de câmera propositalmente mais simples.

Porque filmou os dois últimos filmes da série Poe, “The Masque of the Red Death” e “The Tomb of Ligeia”, na Inglaterra?

Corman: Simplesmente por questões econômicas. Tínhamos ofertas da Inglaterra, o plano Eddy, que era um grande subsídio  do governo inglês e por isso filmamos lá.

É verdade que usou os cenários que ficaram de “Beckett”?

Corman: Sim, para “The Masque of the Red Death” e para “Ligeia” também. Já não me lembro para qual deles foi, mais sei que utilizamos coisas pertencentes a grandes filmes ingleses e um deles foram cenários e objetos de cena do “Beckett”.

CURIOSIDADES SOBRE VINCENT PRICE

Nasceu no mesmo dia que Christopher Lee (27 de maio de 1922) e um dia antes de Peter Cushing (26 de maio de 1913).

Cozinhar era um de seus hobbies e escreveu vários livros de culinária.

Em 1951 fundou a Galeria Vincent Price no campus da East Los Angeles College para incentivar os outros a desenvolver a paixão pela arte.

Costumava ir as exibições de seus filmes trajando a roupa do personagem para atender aos pedidos dos fãs para fotos.

Possuí 2 estrelas na calçada da fama, uma referente ao seu trabalho na TV (optei por ignorar a carreira na televisão nesta postagem por ser extensa demais) e outra relacionada ao cinema.

Fez uma pequena narração na música “The Black Widow” do álbum “Welcome to My Nightmare”  (1975) de Alice Coopee, notório admirador de Vincent Price.

Interpretou o “espírito do pesadelo” no especial para TV, “Alice Cooper: The Nightmare” (1975).

Reza a lenda (possivelmente uma mentira) que quando Price e Peter Lorre  foram no funeral de Bela Lugosi em 1956 e viram o morto vestido com a capa de Drácula, Lorre teria perguntado se não deveriam enfiar uma estaca no coração, por via das dúvidas.

Participou da noite de abertura da primeira produção de Richard O’Brien, o clássico “The Rocky Horror Picture Show” (a peça, não o filme).

Nas filmagens de “The Raven” o ator Peter Lorre improvisou muitas de suas linhas de humor no filme, freqüentemente pegando os sempre sérios Price e Karloff desprevenidos.

TRAILERS DOS FILMES IMPERDÍVEIS DE VINCENT PRICE

UMA ENTREVISTA COM VINCENT PRICE

James Plath: Como você caracterizaria a arte americana? Você disse que nós apenas começamos a encontrar uma identidade?

Vincent Price: Sabe, na minha profissão, quando eles removeram a censura dos filmes, ficou apenas sexo e violência, o que é lamentável. Porque enquanto alguns dos filmes são tecnicamente maravilhosos, eles se tornam aborrecidamente realistas. E há um tipo de coisa maior no drama – Ibsen e os realistas – onde há um formulário que é brilhante, artístico, e ainda de alguma forma maior que a vida. Parece-me que um dos nossos problemas como os artistas americanos é que nós estávamos tocando para o menor denominador comum. A televisão é o principal exemplo disso. Para mim, arte é tudo. Tudo que o homem faz, conforme discriminado a partir das obras da natureza. A expressão máxima do homem é a arte.

Plath: Você esteve envolvido em um bom número de produçõies baseadas em Edgar Allan Poe (na série do Roger Corman e A.I.P.), penso que apenas “The Fall of House of Usher” e “The Masque of the Red Death” foram fiéis aos contos de Poe.

Price: É realmente muito díficil transformar um conto em um filme (risos).

Plath: Como no “The Pit and the Pendulum” que tem uma cena só do livro e o resto foi esticado ao máximo para se ter o filme.

Price: Exatamente. Você tem que explicar como chegou lá! Igual o “Tomb of Ligeia”, era um conto sobre necrofília, mas é muito arriscado você falar só de necrofília num filme. Tinha que ser apenas sugerido. Mas acho os melhores filmes aqueles que fiz que zombavam de si mesmos.

Plath: Porque?

Price: (risos) Porque ele não se levan à sério. Porque Roger Corman não se leva à sério. Quando fizemos “The Raven” pegamos apenas o título do poema do Poe, porque é impossível fazer um filme daquele poema!

Enxertos da entrevista realizada com Vincent Price por James Plath, 1985, para o fanzine “Clockwatch Review”.

E para finalizar este post em homenagem ao aniversário do Vincent Price, um ator que tenho verdadeira adoração/veneração, segue três entrevistas com ele:

American International Pictures & Roger Corman

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , on fevereiro 2, 2011 by canibuk

Um ano após terem se encontrado, em 1954, o advogado Samuel Z. Arkoff (na foto com os cartazes) e James H. Nicholson formaram uma pequena companhia de distrivuição chamada American Releasing Corporation. No ano seguinte resolveram lançar-se na produção de filmes e alteraram o nome da companhia para American International Productions. A companhia não produziu impacto na indústria cinematográfica de Hollywood e possivelmente poucas pessoas se deram conta de sua existência. Os seus filmes, como títulos como “Apache Woman”, “The Beast With a Milion Eyes” e “Swamp Women”, eram de muito baixa qualidade, mas feitos tão depressa que não podiam deixar de dar lucros. A companhia cresceu rapidamente, como também cresceram os filmes feitos – de quatro em 1955 para vinte e dois em 1958. Neste mesmo ano, acharam que já estavam suficientemente fortes para terem um estúdio próprio e alugaram um espaço no velho estúdio de Charlie Chaplin em Sunset Boulevard. No ano seguinte os ventos mudaram, e para pior, e o estúdio tornou-se uma pesada responsabilidade. Assim Arkoff e Nicholson mudaram-se para a Itália onde fizeram um filme barato do tipo Hércules com Steve Reeves. Produzido com pouco dinheiro, o filme faturou mais de hum milhão de doláres nos Estados Unidos e a AIP estava de novo por cima e vinham aí melhores tempos.

Uma das grandes razões para o sucesso da AIP foi o fato de terem sido os primeiros produtores a perceberem de que os “teenagers” (os adolescentes) constituíam a maioria dos espectadores de cinema na América dos anos 50 (com o aparecimento da televisão as pessoas mais velhas tinham a tendência de ficar em casa, ao passo que os adolescentes enchiam os Drive-Ins), e assim faziam filmes diretamente centrados no mercado juvenil.”Há pessoas pouco simpáticas que dizem que nós fizemos filmes que influenciavam de maneira negativa a juventude. É uma questão de semântica. Nós fizemos filmes que agradavam à juventude e, ao fazê-lo, tínhamos uma posição diferente dos outros produtores e não procurávamos dar licões de moral!”, diz Arkoff. Filmes onde os adultos não apareciam, a não ser como vilões, agradavam claramente aos jovens dos fins dos anos 50. E filmes como “I Was a Teenage Werewolf”, “Teenage Caveman”, “Teenage Doll” e “I Was a Teenage Frankenstein” faziam muito sucesso. A AIP voltou a repetir seu êxito no mercado juvenil, nos anos 60, com seus filmes de praia e da série de biker movies.

Filmes de terror e ficção científica tinham constituído, desde o princípio da AIP, uma parte da sua produção, mas em 1960 arriscou um bocado ao gastar 300.000 dólares (um grande orçamento para os moldes da AIP) ao fazer um filme de terror gótico chamado “The Fall of the House of Usher, baseado num conto de Edgar Allan Poe. Para alívio da AIP foi um sucesso e outros filmes semelhantes se seguiram. Richard Matheson, roteirista da maioria dos roteiros deste ciclo baseado em Poe, relembra: “Não tinham, inicialmente, a idéia de fazer uma série inspirada em Poe, mas quando Usher teve tão bom acolhimento, quer financeiramente, quer por parte da crítica, agarraram-se à idéia. Foi assim que comecei a fazer mais. Eu acho que Usher foi o melhor que escrevi. Era o único que era puro Poe, sem contar “Masque of the Red Death” que foi escrito por Charles Beaumont. Os restantes apoiavam-se muito menos em Poe. “The Pit and the Pendulum” tinha uma pequena cena inspirada em Poe apartir da qual eu tinha escrito toda a história. “The Raven” era só um poema, o que não era muito para trabalhar. Nos “Tales of Terror” segui Poe de perto, mas misturando as histórias. “The Raven” foi engraçado, os patrões da AIP tinham descoberto que a parte do meio de “Tales of Terror”, feita para rir, tinha tido muito êxito e então resolveram fazer um filme que fosse, todo ele, para rir. Nunca tive nenhum interesse especial por Poe, nem mesmo o fato de trabalhar nestes filmes me provocaram interesse. Trabalhar no “Comedy of Terrors” foi, também, muito divertido. Nós tínhamos Boris Karloff, Peter Lorre, Basil Rathbone e Vincent Price (na foto ao lado com Lorre), eram todos muito simpáticos e foi uma experiência deliciosa falar com eles durante as filmagens. Adoraram fazer o “Comedy of Terrors”. Lembro-me da primeira refeição em conjunto, eles ansiavam pelo momento das filmagens. O argumento era bom mas não se conseguia transpor com facilidade, falei com a AIP para que contratassem Jacques Tourneur – eu acho que ele é um realizador maravilhoso mas com um programa de filmagens de duas semanas não se pode dispender muito tempo, seja no que for. E esse era o tempo que a AIP dispunha para cada um desses filmes, era assim que eles ganhavam dinheiro”.

Roger Corman (na foto ao lado), que produziu o primeiro filme que a AIP lançou, “Fast and Furious” (1954), desde então realizou inúmeros filmes para a companhia. Nasceu em Los Angeles dia 5 de abril de 1926 e estudou na Stanford University se formando em engenharia. Corman, após ter passado pela Marinha, foi garoto de recados na 20th Century Fox. Depois de ter conseguido chegar ao departamento de argumentos da companhia , partiu para Oxford para estudar Literatura Inglesa. De regresso à Hollywood, começou a escrever roteiros e o primeiro que vendeu foi “Highway Dragnet”, co-produzido pelo próprio Corman e dirigido por Nathan Juran. Formou então sua própria companhia e fez “The Monster from the Ocean’s Floor”, seguido por “Fast and Furious”. Corman financiou estes dois filmes, arranjando ele próprio o dinheiro, mas depois de completar o último, resolveu entrar num acordo com a récem-constituída American Releasing Corporation, quando percebeu que teria de esperar bastante tempo antes de receber o lucro do seu investimento. Na época Corman disse: “Eles queriam ficar com o meu filme e eu disse-lhes que estava de acordo se me fizessem um adiantamento sobre o lançamento do filme, deste modo eu poderia fazer filmes e receber, pelo menos, parte do custo do negativo sem ter que ficar esperando”.

Roger Corman adquiriu a reputação de fazer filmes a uma velocidade incrível e com pequenos orçamentos. A maioria de seus primeiros filmes foram realizados com prazos de filmagens entre cinco e dez dias e com custos que iam de 40.000 dólares à 100.000 dólares (“Monster from the Ocean’s Floor”, que produziu em 1954, custou 12.000 dólares). Um realizador medíocre mas competente, como é o caso, foi levado a posição de culto pela nova geração de críticos de cinema, tal como aconteceu com Terence Fisher. Como resultado disso, Corman é hoje, provavelmente, um dos mais subestimados realizadores da história do cinema. Mas Corman permanece um realizador comercial, e parece estar consciente dos perigos de se levar à sério demais, Corman disse: “Quando fizemos as pequenas comédias “Little Shop of Horrors” em dois dias e uma noite, “Bucket of Blood” em cinco dias, “Creature from the Haunted Sea” em seis, levávamos o trabalho à sério, mas não éramos esmagados por ele, mas sim pelo tempo de que dispúnhamos. Havia, nestes dias, um ambiente de camaradagem e boas relações. Eu gosto dos filmes, não são pretenciosos, são divertidos e agradáveis”.

Ao falar do trabalho dos atores veteranos como Karloff (na foto ao lado de Jack Nicholson em seu primeiro papel no cinema), Lorre e Price, Corman certa vez disse: “Todos tem essa grande capacidade de dar tudo o que pedimos. Com a maior parte dos atores tem de se estar bastante em cima deles para fazer com que nos dêem o seu melhor. Mas com esses veteranos eles dão logo tudo de uma vez!”. Karloff deu uma idéia diferente dos métodos de trabalho de Corman: “James Whale era um técnico notável com a Câmera, bem como no resto, tal como Corman. Isso é o lado mais forte de Corman. Mas creio que Whale era melhor por ser mais velho, tinha mais experiência. Corman espera que um ator se solte sozinho. Trabalhei com ele duas vezes. A primeira foi no “The Raven” e sei que tanto eu como Vincent Price e Peter Lorre, tivemos que fazer tudo por nós porque Corman não se importava com essas coisas. Ele dizia: “Vocês são atores com experiência, aproveitem-na. Eu tenho que tratar da iluminação e dos enquadramentos. Eu sei como é que vou juntar tudo isso!”. E se lhe pedissem algum conselho sobre determinada cena, respondia “Isso é contigo, continuem, estou ocupado!”

Tanto a AIP como Corman foram os que, durante muitos anos, mais deram oportunidades de trabalho para jovens realizadores e atores na indústria cinematográfica, não por razões altruístas, mas porque eram mais baratos. Alguns nomes famosos que foram ajudados pela AIP e Corman incluem gente como John Milius, Peter Bogdanovich, Francis Ford Coppola, Dennis Hopper, Jack Nicholson, Peter Fonda, Monte Hellman, entre vários outros.

escrito por John Brosnan.

abaixo trailers de alguns filmes citados neste artigo: