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O Colorido Mondo da Canibal Filmes

Posted in Cinema, Posters, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 23, 2019 by canibuk

Por 20 dias fiquei fazendo novos posters para os filmes que realizei nestes últimos 30 anos. Aliás, muitos de meus curtas nem tinham posters. Acabei fazendo uns 150 novos posters (o que deu uma média de uns 7 novos por dia). Foi uma experiência fantástica. Os mais de 200 posters da Canibal Filmes estão disponíveis para download num link ao final dessa postagem (baixe, imprima e pendure na sua parede).

Então essa postagem é pra reunir todos estes novos posters (e os antigos) em apenas um lugar. Postei primeiro o poster antigo (quando havia), seguido do poster novo.

Pra dar uma incrementadinha, colo também link dos filmes que estão disponíveis na internet para download ou, pelo menos, dar uma assistida. O que não tem link é porque não disponibilizamos, ou porque ainda não está digitalizado ou porque, simplesmente, perdemos o filme com masters danificados pelo tempo.

Em tempo, se você é o marinheiro de primeira viagem nas minhas produções, preciso dizer que minha produções são SOVs – Shot On Video – (fui um dos pioneiros aqui do Brasil). Não sabe o que é SOV? Este link aqui irá ajuda-lo a saber mais sobre este subestilo de fazer cinema: Shot-on-Video e o Cinema Independente Brasileiro.

Você vai ser divertir com o histérico/alucinado mundo da Canibal Filmes, onde primamos mais pela quantidade do que a qualidade, como irão perceber no decorrer da experiência que é assistir essas obras perdidas no tempo-espaço neste milésimo de segundo do universo.

E se você gostar dessa postagem resgate/cinemateca, cole o link para seus amigos e conhecidos, a gente só sobrevive da ajuda no boca a boca.

Lixo Cerebral Vindo de Outro Espaço (1992, inacabado), de Petter Baiestorf.

Este foi minha primeira tentativa de fazer um filme. Era descaradamente inspirado no Plan 9 from Outer Space (1959), de Edward D. Wood Jr., um dos culpados por fazer eu querer elaborar roteiros cada vez mais sem sentido (o outro é o Jesus Franco). Até segunda ordem, os 20 minutos de copião deste filme, que nunca chegou a ser montado, está perdido.

Criaturas Hediondas (1993, 80 min.), de Petter Baiestorf.

Após a tentativa fracassada conheci um técnico de cinema chamado Walter Schilke (que trabalhou em filmes como A Dama do Lotação, Gaijin, vários filmes dos Trapalhões, etc) e, com apoio moral do cara, reunimos praticamente o mesmo pessoal do filme anterior e realizamos nosso primeiro longa. Este filme está salvo, mas não temos para download por enquanto. Mas você pode assistir o trailer aqui: https://www.youtube.com/watch?v=A8LMuo8MoR4

Criaturas Hediondas 2 (1994, 77 min.), de Petter Baiestorf.

Como todo mundo tinha se divertido adoidado fazendo o primeiro filme, nos pareceu extremamente óbvio pegar mais cervejas e ir fazer uma continuação do filme, explorando melhor as personagens de Dr. Rottenberg (E.B. Toniolli) e Igor (eu mesmo). Foi exibido na primeira HorrorCon, em 1995, de São Paulo. Você pode baixar aqui: http://www.mediafire.com/file/8354626gnuoxns9/Criaturas_Hediondas_2.avi/file

Açougueiros (1994-1995, 44 min.), de Petter Baiestorf.

Filmamos tudo em 36 horas, já editando na própria câmera (depois só acrescentamos a trilha sonora). Foi uma experiência experimental técnica em formato “filme de horror”. Você pode baixar aqui: http://www.mediafire.com/file/2fl7112g4mb4iuv/A%25C3%25A7ougueiros.avi/file

O Monstro Legume do Espaço (1995, 77 min.), de Petter Baiestorf.

Já nos sentido preparados para tentar fazer uma produção mais séria, escrevi o roteiro dessa sci-fi com um alien anarquista (que não saiu bem anarquista pelas inexperiências da vida) e filmamos tudo em 8 dias no Balneário de Ilha Redonda, com apoio de um Hotel (que serviu de locações e alojamento), um restaurante e toda a comunidade do local, que realmente se envolveu de cabeça no filme. Depois de pronto exibimos na HorrorCon 2 (1996), na TV Leopoldina e correu o país no formato VHS (na época vendeu mais de 1500 cópias, um número interessante para um grupo de produtores independentes). Luis Thunderbird queria exibir no seu Contos de Thunder, na MTV, mas não consigo me recordar se foi exibido. O filme continua sendo assistido, recentemente integrou a Mostra Sci-Fi da Caixa Cultural, que resgatou alguns clássicos da sci-fi brasileira e nosso SOV foi incluído por sua importância histórica. O filme pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=umaWVoNMQvI&t=908s

Detritos (1995, 9 min.), de Petter Baiestorf.

Só neste instante que percebi que devíamos fazer curta-metragens. Então invadimos um centro de idosos numa madrugada, erguemos uma cruz e crucificamos o E. B. Toniolli numa hipotética segunda vinda de Cristo. Assista aqui: https://vimeo.com/220338415

2000 Anos Para Isso? (1996, 12 min.), de Petter Baiestorf.

Já tínhamos filmado o longa Eles Comem Sua Carne, quando uns espanhóis que tinha gostado do Monstro Legume nos pediram um curta gore. Nem pensei duas vezes, montei este curta com cenas do ainda inédito longa e mandei pro festival deles. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/01igwhkl8ry4omk/2000_Anos_Para_Isso.avi/file

Eles Comem Sua Carne (1996, 73 min.), de Petter Baiestorf.

Durante 8 dias ficamos gravando um longa gore (que por mais de uma década permaneceu sendo o filme brasileiro com a maior quantidade de sangue e tripas) numa casa isolada na zona rural de Palmitos, Santa Catarina. Seu lançamento foi em São Paulo, com presença das personagens do filme caracterizadas atacando a plateia. O filme pode ser visto aqui: http://www.mediafire.com/file/qm3p5xczg6rak1e/ELES_COMEM_SUA_CARNE_1996__Canibal_FilmesTitle1.mp4/file?fbclid=IwAR1DZEN8lRSlNo_MVDb0JedvWKAqzMVIt9d4V3NefTULtjE06cDZtxVL6-w

E o trailer aqui: https://www.youtube.com/watch?v=LgjX4v-7-Jo&t=52s

Arachnoterror (1996, 11 min.), de Coffin Souza.

Num pequeno intervalo das filmagens do Eles Comem Sua Carne, Souza, Carli Bortolanza, Marcos Braun, Claudio Baiestorf (meu pai) e eu, fomos filmar essa aventura de sci-fi. Foi tudo filmado numa única noite. Este pode ser um dos que foram destruídos pela implacável ação do tempo, mas ainda estou tentando localizar uma cópia dele.

Speak English or Die – O Punheteiro Cósmico (1996, 13 min.), de Petter Baiestorf.

Carli Bortolanza, Marcos Braun e eu estávamos entediados numa noite e filmamos essa sci-fi completamente idiota. Como não gosto de renegar as burradas que faço na vida, segue link para baixar: http://www.mediafire.com/file/jbfn549xb65wf94/Speak_English_or_Die_-_O_Punheteiro_C%25C3%25B3smico.avi/file

Caquinha Superstar A Go-Go (1996, 70 min.), de Petter Baiestorf.

O Monstro Legume do Espaço estava fazendo um sucesso danado e parte deste sucesso se dava por conta da personagem escatológica Caquinha, que se delicia com fezes humanas, sangue menstrual, morcegos mortos e outros quitutes repugnantes, então me pareceu óbvio fazer um filme solo com a personagem, tentando filmar tudo em apenas 2 dias (e filmamos tudo em 2 dias, só que a qualidade ficou uma merda, lógico!). O Caquinha original era interpretado pelo Leomar Wazlawick que recém havia se desligado do grupo, então o E. B. Toniolli topou interpretá-lo e fomos filmar cenas sangrentas num clima de zero graus, para desespero dos atores. Baixe o filme aqui: http://www.mediafire.com/file/c5y7k9mtx9zb9b9/Caquinha_Superstar_a_Go_Go.avi/file

O trailer do Caquinha tem a curiosidade de trazer personagens do filme Eles Comem Sua Carne, pois o gravamos durante as filmagens do longa. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=JtvjAJ40538

E aqui: https://www.youtube.com/watch?v=vP8QZUtP9p0

A trilha sonora deste filme foi composta pela banda Trap e pode ser baixada aqui: http://www.mediafire.com/file/b1jgr3rng569fzl/Caquinha_Superstar_a_Go_Go_Soundtrack_composto_pela_banda_Trap.rar/file

Satanikus (1996, 35 min.), de Coffin Souza.

Em Porto Alegre o Coffin Souza resolveu refilmar seu curta em super 8 Satanikus. Depois de pronto acabamos filmando ainda uma cena de introdução contendo nudez pra chamar atenção pro filme. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/sj8f5856nbp9mqd/Satanikus_%25281997%2529.avi/file

Você pode ver o Satanikus original, de 1982, gravado em Super 8, baixando aqui: http://www.mediafire.com/file/qw93m3391cxwc5w/Satanikus_%25281982%2529.avi/file

Blerghhh!!! (1996, 75 min.), de Petter Baiestorf.

Blerghhh!!! Foi uma tentative de fazer um exploitation de ação. E uma tentativa de deixar os filmes cada vez mais profissionais, mas era a década de 1990, não existia equipamento bom ao nosso alcance e os técnicos eram todos de longe. Os efeitos mecânicos deste filme são do Júlio Freitas. Tem uma cabeça decepada do Ricardo Spencer, que era sobra do filme Baile Perfumado. O resto das maquiagens gore são de Coffin Souza e Carli Bortolanza. Como na época não consegui editar este filme como eu desejava, remontei tudo em 2008 com colaboração do Gurcius Gewdner e é a versão que existe. Veja aqui: https://vimeo.com/242062739

Se gostar do filme, de coração (sei de um casal que se casou após assisti-lo juntos na época), baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/gcn7zq4i053s987/Blerghhh.avi/file

Bondage (1996, 69 min.), de Petter Baiestorf.

É cine-montagem com restos de filmes nossos e loops em super 8. O filme ainda existe, só não foi digitalizado ainda. O poster novo fiz usando uma ilustração da artista Leyla Buk.

Ácido (1996-1997, 2 min.), de Petter Baiestorf.

Durante as filmagens de Blerghhh!!! teve um dia que a Denise V., Souza e eu, ficamos de bobeira e gravamos a base do que veio a ser este curta. É vídeo arte abstrata. Veja aqui: http://www.mediafire.com/file/rrok2yldl8ca4rc/Acido_BoiBom_Deus.rar/file

The Butterfly Over Sky-Brain (1992-1997, 15 min.), de Petter Baiestorf.

Em 1992 eu tinha feito uma experiência com o Leandro Dal Cero e Loures Jahnke de técnicos mais o E. B. Toniolli de ator, mas por algum motivo que não lembro, levei 5 anos para montar o curta (talvez eu não tinha gostado do material na época, mas realmente não lembro se este foi o motivo). É um drama “sério”. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/8cu5dq0vyau3sqp/The_Butterfly_Over_Sky-Brain.avi/file

Chapado (1997, 31 min.), de Petter Baiestorf, Coffin Souza e Marcos Braun.

A proposta quando elaboramos este média era uma só: Gravar somente quando estivéssemos bêbados ou chapados (meio que inspirados na escrita automática dos surrealistas) e foi o que fizemos. Como passamos uns 4 meses gravando essa joça sem roteiro, cooptando amigos bêbados que apareciam, reunimos muito material (as fitas originais se perderam, infelizmente) e, depois, ao editar, me inspirei no Chappaqua (1966), de Conrad Rooks, pra tentar fazer ter algum sentido. É nosso primeiro filme pra ser sentido, não entendido. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/ht6y53k561xnjtj/Chapado.avi/file

My Little Psycho (1997, 7 min.), de Petter Baiestorf.

Nessa época a gente tinha um estúdio num porão podreira e, numa das noites que eu estava por lá sozinho sem nada pra fazer, resolvi filmar uma ideia estúpida fazendo tudo sozinho. Infelizmente este curta se perdeu. Mas era extremamente ruim.

Vomitando Lesmas Lisérgicas (1997, 8 min.), de Petter Baiestorf.

Inutilidade que gravei com ajuda do Marcos Braun e do Claudio Baiestorf, pra aprender a desbotar/saturar as cores no VHS. O resultado dessas experiências foram aplicadas no média Bondage 2, mas este curta só existiu por experiência técnica mesmo. Ele pode ser baixado aqui: https://www.youtube.com/watch?v=BebRXLlCpV0

Bem, preciso pedir desculpas, mas este foi o momento que descobri que um blog tem limite de espaço disponível e o Canibuk acabou se ficar 100% cheio, não está mais me deixando anexar nada de imagens. Então essa é a última postagem que faço nele e deixo incompleta (como forma de protesto por ter limite de espaço). O blog irá permanecer no ar até que o wordpress resolva deleta-lo. Vai ficar como um museu virtual. Me conhecendo, daqui um tempo criarei outro blog, com outro nome, começando do zero com novo tipo de abordagem

Se você estava curtindo os posters, baixe aqui todos os que eu ia postar: http://www.mediafire.com/file/3q74i9nbb8zqzph/POSTER_CANIBAL_FILMES.rar/file

E continue a leitura. Peço desculpas por alguns comentários bem rápidos e superficiais, mas eu estava fazendo essa postagem na correria (se eu descobrir meios de liberar mais espaço, sem pagar por isso, irei finalizar essa postagem, no momento estou brocha…).

Bondage 2 (1997, 55 min.), de Petter Baiestorf.

As filmagens deste roteiro foram bem tensas, com o grupo brigando meio que o tempo inteiro. Também creditei, na época, uma de nossas atrizes como diretora e hoje ela renega tudo que fez conosco (por isso estou assumindo a paternidade deste filme tanto tempo depois, já que eu tinha dirigido ele mesmo na época). Mas agora, passados mais de 20 anos da produção, gosto bastante do resultado que alcançamos naqueles 5 dias de caos que foram as gravações. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/59k2vh9n159v59k/B%2And%2Ag%2A_2.avi/file

PVC (1997, 7 min.), de Petter Baiestorf e Cesar Souza.

Outro daqueles curtas abstratos que adoramos fazer, mesmo que saibamos q1ue ninguém quer ver. Por enquanto não foi localizado em nossos vastos arquivos desorganizados.

Gordo Enrolando (1997, 8 min.), de Jack Salls.

O diretor deste curta é outro que renega o passado conosco. Este curta foi filmado com ajuda do Carli Bortolanza e quando fomos gravar uma cena de explosão, chamuscou seriamente o ator principal. Não existe cópia.

Super Chacrinha e seu amigo Ultra-Shit em Crise Vs. Deus e o Diabo na Terra de Glauber Rocha (1997, 118 min.), de Petter Baiestorf.

Aconteceu tanta coisa durante as filmagens deste longa que não sei o que destacar. Passamos uns 6 meses filmando sem roteiro (o copião é gigantesco), inclusive gravamos uma invasão de Tor Johnson (Jorge Timm) no Festival de Gramado de 1997 e, no melhor sistema de guerrilha, acabamos com Ivan Cardoso, Lucia Rocha, Hugo Carvana, José Lewgoy e Marco Palmeira no filme. Me conta o Coffin Souza que o então desconhecido Rodrigo Santoro se ofereceu na época para ser maquiador em nossos filmes, mas eu não me recordo disso, podendo ser delírio etílico do Coffin. Este longa traz inúmeras cenas na cidade destruída de Ita, onde passamos alguns dias gravando nos escombros. É uma pena que não tivemos tempo hábil (leia-se, dinheiro) de voltar à cidade destruída para gravar uma sci-fi pós-apocalíptica. Baixe o filme aqui: http://www.mediafire.com/file/04qy03kj55w8xci/Super_Chacrinha_e_seu_Amigo_Ultra-Sh%2At_em_Crise_Vs._Deus_e_o_Diabo_na_Terra_de_Glauver_Rocha.avi/file

Como na época eu estava me divertindo horrores gravando cenas na forma de guerrilha, montei o trailer com imagens roubadas de um baile de debutantes que encontrei no antigo estúdio onde montávamos os filmes. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=FAxyrkOL9x0

Deus – O Matador de Sementinhas (1997, 4 min.), de Petter Baiestorf e Carli Bortolanza.

Nossa homenagem à estúpida ideia de deus. Baixe o curta aqui: http://www.mediafire.com/file/rrok2yldl8ca4rc/Acido_BoiBom_Deus.rar/file

O Homem-Cu Comedor de Bolinhas Coloridas (1997, 16 min.), de Petter Baiestorf.

Carli Bortolanza e eu gravamos numa madrugada de tédio, inventando o roteiro na hora. São 16 minutos de um cara vomitando e rolando sobre um miasma de gosmas estomacais. Este curta ainda existe, só não consegui localizá-lo.

Quando os Deuses Choram Sobre a Ilha (1997, 30 min.), de Petter Baiestorf.

Jorge Timm queria fazer um documentário sério sobre uma cheia do Rio Uruguai, mas Carli Bortolanza e eu, chapados de cogumelos, estragamos tudo delirando sem parar. Ficamos uns 4 dias na região completamente fora do ar, contratando ribeirinhos pra dar os depoimentos e filmando de modo irresponsável. O documentário ficou ruim por nossa culpa. Veja qqui: http://www.mediafire.com/file/b9ud97uj3ajdq57/Quando_os_deuses_choram_sobre_a_ilha_320x240.avi/file

Analconda Y Los Vampiros de Tiburón (1998, 20 min.), de Coffin Souza.

Filmado em Tubarão, SC. Não sei de muitas histórias de bastidores deste curta, só participei editando-o e depois fazendo a distribuição. Veja aqui: http://www.mediafire.com/file/qj4tgglpxyyvqca/Analconda_Y_Los_Vampiros_de_Tibur%25C3%25B3n.avi/file

Crise Existêncial (1998, 8 min.), de Petter Baiestorf.

Era pra ser, inicialmente, um drama sobre a falta de perspectivas dos jovens, mas acabou saindo isso aí. A dupla de jovens é interpretada pelo Carli Bortolanza e o Ronald Kojorowski, que na época a gente chamava de Beavis and Butt-Head. Veja o curta aqui: https://www.youtube.com/watch?v=y8KQAHFNYz0

Bagaceiradas Mexicanas em Palmitos City (1998, 96 min.), de Uzi Uschi.

Sim, este filme existe. É cine montagem com loops em super 8. Apesar de ter sido um dos montadores dele, não lembro de praticamente nada deste filme. Estou tentando localizar ele, até porque quero ver o que foi feito. Ele ainda existe, então é questão de tempo até ser resgatado e disponibilizado no colorido mundo da internet. PS- Espero não ser processado pelo John Landis por ter roubado o gorila do filme dele pro cartaz deste filme.

Gore Gore Gays (1998, 108 min.), de Petter Baiestorf.

Enquanto trabalhamos no curta Nocturnus, de Dennison Ramalho, começamos a gravar este longa, que ainda se chamava A Ninfeta Gore. Deu tanto problema gravando ele que não tenho como selecionar nenhuma história em especial (todas são divertidas e conto com detalhes sórdidos e picantes no livro ainda não lançado Canibal Filmes – Os Bastidores da Gorechanchada). Segue ele pra doenload: https://www.mediafire.com/file/yx2renw0yp8982u/GxGxG_1998__Canibal_Filmes.mp4/file

A Despedida de Susana: Olhos & Bocas (1998, 6 min.), de Petter Baiestorf.

Curta experimental que fiz quando soube que uma de minhas melhores amigas iria se mudar pra São Paulo, fala das incertezas da vida. É um curta que gosto muito, tem um significado muito forte pra mim e, também, porque o Carlos Reichenbach elogiava bastante a sequencia final. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=AlIqpUjq0qU&t=6s

Homenagem (1998, 7 min.), de Carli Bortolanza.

Não me lembro direito deste curta, mas foi uma diversão filmá-lo (fiz a fotografia e edição). Bortolanza bebia da fonte Andy Warhol e fez uma homenagem à cerveja, nosso líquido preferido, baseado numa poesia-ode que tinha escrito pra bebida maravilhosa. Não temos o curta digitalizado, mas estou na busca.

Boi Bom (1998, 12 min.), de Petter Baiestorf.

Gravamos num abatedouro clandestino. Este boi usado no curta foi, depois da porquice toda, enviado pra um restaurante, onde os carnívoros se banquetearam. Me tornei vegetariano após essas filmagens. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/rrok2yldl8ca4rc/Acido_BoiBom_Deus.rar/file

Chumbo (1998, 6 min.), de Petter Baiestorf.

Em 1998 o diretor sorocabano Cleiner Micceno veio até nosso estúdio montar uma série de curtas, então o aproveitamos e gravamos este pequeno filme ruim de dar dó. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=HMw8tyuVZTc

O Vinicultor faz o Vinho e o Vinho faz o Poeta (1998, 12 min.), de Petter Baiestorf.

Faz parte dos curtas perdidos. Acredito que quando achar este filme aqui, acharei junto uma leva de outros curtas considerados perdidos.

Fodendo meu Vitelo (1998, 5 min.), de Carli Bortolanza.

Faz parte dos curtas perdidos. Acredito que quando achar este filme aqui, acharei junto uma leva de outros curtas considerados perdidos.

Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos (1998, 80 min.), de Petter Baiestorf.

Nosso filme mais bizarro. As filmagens dele foram uma festança de vários meses fora do ar. Na época a gente tinha sido contratado por um produtor paulista pra rodar um pornô normal, na linha que a brasileirinha fazia logo depois, só que a gente misturou religião, anarquismo, críticas ao militarismo, política e surrealismo e deu num troço que era impossível conseguir distribuição naquela época. Graças ao tufo financeiro que levamos com este filme aqui que existe o Zombio. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/f6mcs9ssjc0cvzs/Sacanagens_Bestiais_dos_Arcanjos_F%25C3%25A1licos.avi/file

Zombio (1999, 45 min.), de Petter Baiestorf.

Caralho, até que enfim um filme bacana nessa interminável lista de ruindades. Zombio foi filmado em 5 dias de outubro de 1998 e é considerado , internacionalmente falando (é citado na edição original do livro Book of the Dead, de Jamie Russell), o primeiro filme de zumbis da história do cinema brasileiro. Só não é do cinema Latino porque os argentinos foram dois anos mais rápidos. Veja o filme aqui: https://www.youtube.com/watch?v=HtiY3ZUcjSE&t=69s

E veja o trailer-making of aqui: https://www.youtube.com/watch?v=wr87SgzT-50&t=1s

E se você curte mesmo este filme, veja essa deitação de sarro que Coffin Souza eu gravamos 10 anos depois nas locações dele: https://www.youtube.com/watch?v=tbDGo5ZarII

Festival Psicotrônico Vol. 1 (1999, 112 min.), de Vários diretores.

Fita VHS que reunia 13 curtas da Canibal Filmes. Nunca digitalizado.

9.9 (nove.nove) (1999, 1minutos)de Petter Baiestorf.

Continuação zoeira do Crise Existencial, novamente com Beavis and Butt-Head no elenco. Desta vez a gente fez uma abordagem mais surrealista/nonsense. Foi extremamente divertido (e inebriante) filmar essa joça. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/7y2v39cn757mwo5/9.9_%2528nove.nove%2529.avi/file

Aventuras do Dr. Cinema na Terra do VHS Vagabundo (1999, 13 min.), de Petter Baiestorf e Coffin Souza.

Uma homenagem cretina ao ator David Camargo. Não temos mais cópia deste filme, mas ele está arquivado na Cinemateca de Porto Alegre, para assistir é só chegar no Capitólio e pedir.

Pornô (1999, 3 min.), de Petter Baiestorf e Coffin Souza.

Depois de filmar Zombio e constatar que horror adolescente faz sucesso, devíamos ter ficado gravando só bosta adolescente, mas resolvemos pegar milhares de metros de película em super 8 e fazer uma animação abstrata em película riscada, e lá ficamos nós uns 20 dias, 18 horas diárias (ou mais), riscando aquelas merdas de 8mm. Perdemos o rolinho em super 8 do filme, mas estamos em busca de um VHS onde filmamos o curta diretamente da parede onde foi projetado pela primeira vez.

Andy (1999, Inacabado), de Petter Baiestorf.

Este seria o primeiro longa onde Elio Copini seria alçado a condição de astro da Canibal Filmes, mas deu tudo errado e arquivamos o filme. O copião tem uns 15 minutos de cenas e um dia será montado misturado aos outros filmes inacabados.

Raiva (Rage-O-Rama, 2001, 70 min.), de Petter Baiestorf.

Em 2000 não há filmes porque estávamos falidos. De cabeça dura filmei este longa de ação, que é nossa única produção bem cuidada de 2000 até 2007. Este filme está digitalizado, salvo, só não está disponível na internet por enquanto. As filmagens dele duraram 6 meses e deu até pra explodir carro. Desculpem pelos posters contendo apenas a mesma imagem, mas não consegui encontrar os negativos com fotos da produção (que ainda eram feitas naquelas máquinas fotográficas com película). Se você ficou curioso, existem cenas dele nessa série o Canal Brasil aqui: https://www.youtube.com/watch?v=XiSl3sb0MTY&t=1s

Relembre da Carne (2001, 20 min.), de Coffin Souza.

Cyberpunk sem orçamento. Gravamos o curta com uma animada plateia de putas de rua nos assistindo. O curta é meia boca, mas os bastidores foram geniais. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/89juea6duxow1z0/Relembre_da_Carne.avi/file

Filme Caseiro Número Um (2001, 5 min.), de Petter Baiestorf.

Cine-Montagem que realizei sozinho numa madrugada de tédio. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=AkjnFCSUoQ8&t=3s

Carniça (2001, 31 min.), de Ivan Pohl.

Ivan Pohl talvez seja o diretor mais alucinado e sem noção do SOV brasileiro. Este é seu primeiro média e é imbecil demais. Não participei das filmagens, só ajudei a distribuir o filme. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/ai0iydrfevna5bk/Carni%25C3%25A7a.avi/file

Não Há Encenação Hoje (2002, 30 min.), de Petter Baiestorf.

Após ter bancado o Raiva com grana do meu bolso (que não teve lançamento depois, e em consequência, não teve renda nenhuma), eu estava completamente falido (igual estou desde 2016, sem previsão nenhuma de melhorar a situação financeira, por isso parei de fazer filmes e não lancei o livro de bastidores da Canibal Filmes) e passei a fazer curtas/médias bobos só pra encher a cara de cachaça com amigos. Não Há Encenação Hoje fala disso, da impossibilidade de filmar. Faz parte de uma série de filmes metalinguísticos que realizei. Ele pegou seleção no Cine Esquema Novo daquele ano, sei lá como, mas pegou. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/rreel1rmglyu9r5/N%25C3%25A3o_H%25C3%25A1_Encena%25C3%25A7%25C3%25A3o_Hoje_-_Vers%25C3%25A3o_Oficial.avi/file

Demências do Putrefacto (2002, 15 min.), de Petter Baiestorf.

Minha ópera gay experimental montada diretamente na câmera VHS que gravou tudo. Não me importo se ninguém gosta dele, o fiz com amigos e adoro ele. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/4i6327ni528wfnb/Dem%25C3%25AAncias_do_Putrefacto.avi/file

Mantenha-se Demente (2002, Inacabado), de Petter Baiestorf.

Foi minha tentativa de erguer uma produção ultra gore com inspiração nos exagerados filmes japoneses de tentáculos, só que faltou dinheiro e tudo desandou. As poucas sequencias gravadas viraram o curta Fragmentos de uma Vida.

Fragmentos de uma Vida (2002, 7 min.), de Petter Baiestorf.

Com efeitos gore do Carli Bortolanza e o Jorge Timm roncando no sofá que havia no set. Baixe o curta aqui: http://www.mediafire.com/file/w0vrblo016s0wpd/Fragmentos_de_uma_Vida.mpg/file

Minimalismo Surreal Vol. 1 (2002, 120 min.), de Petter Baiestorf, Ivan Pohl e Coffin Souza.

Foi uma coletânea com seis curtas nossos, que você mesmo pode montar em casa baixando os curtas: Não Há Encenação Hoje, Filme Caseiro Número Um, Relembre da Carne, 9.9, Analconda Y Los Vampiros de Tiburón e Carniça.

Primitivismo Kanibaru na Lama da Tecnologia Catódica (2003, 12 min.), de Petter Baiestorf.

Íamos gravar outro roteiro, mas aí, indo pro set, o Carli Bortolanza achou uma TV jogada num lixão e elaborei este roteiro enquanto filmávamos. Foi exibido na sessão em homenagem ao Carlos Reichenbach, quando de sua morte. Baixei aqui: http://www.mediafire.com/file/l4x89m55sv8c7g1/Primitivismo_Kanibaru_Na_Lama_da_Tecnologia_Cat%25C3%25B3dica.avi/file

Cerveja Atômica (2003, 30 min.), de Petter Baiestorf.

Filme de zumbis bêbados com trilha sonora inteiramente composta pelas bandas Impetigo e Lymphatic Phlegm. O filme está salvo, somente não o colocamos para download.

Frade Fraude Vs. O Olho da Razão (2003, 13 min.), de Petter Baiestorf.

Baseados em Nietzsche e Bakunin, Coffin e eu gravamos este curta com ajuda do Claudio Baiestorf e, depois de finalizado, nos mandamos para um bailão dançar polka. Incrivelmente essa bomba foi comprada pela TV Brasil. Veja a bomba aqui: https://www.youtube.com/watch?v=jyoR4SXpMo4

Trinta e Um de Março para Todos os Santos de Sessenta e Quatro (2003, 7 min.), de Petter Baiestorf.

Com o surgimento dos Bolsominions filhos da puta, tenho vergonha de ter feito este curta e ser confundido com um destes bostinhas. Possivelmente meu pior filme, onde meu senso de humor estava meio estranho. Mas foi feito e tá aí. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=aGrMUuKFbhE&t=206s

Quadrantes (2004, 65 min.), de Coffin Souza.

Depois de uma sucessão de curtas pavorosos o mais sensato era fazer um… Longa pavosoro sem dinheiro nenhum. O roteiro original do Coffin Souza era genial, mas meio que estragou tudo gravar ele sem dinheiro algum e os atores amadores até para nossos padrões habituais. Jorge Timm faz o papel de Deus neste filme. O filme está salvo, apenas ainda não o colocamos para download. Mas veja o diretor falando sobre a produção aqui: https://www.youtube.com/watch?v=xu3Wjv56VmA

Ópio do Povo (2004, 3 min.), de Petter Baiestorf.

Outro daqueles filmes abstratos de vídeo arte que você odeia. Não veja. Veja aqui: http://www.mediafire.com/file/3ch8c7dgmacmtb6/%25C3%2593pio_do_Povo.avi/file

Buscando la Película Perdida (2004, 9 min.), de Petter Baiestorf, Coffin Souza e E. B. Toniolli.

Neste momento já tínhamos lançado o livro Manifesto Canibal, onde incentivávamos o vandalismo. Baseado nisso pegamos o copião do curta Buscando la Fiesta, de E. B. Toniolli, e montamos sem a autorização dele, que, logicamente, odiou e ficou vários meses sem falar conosco. Desculpa amigão! Veja o curta aqui: https://www.youtube.com/watch?v=BgePh2yJe3M&t=331s

Vai Tomar no Orifício Pomposo (2004, 14 min.), de Petter Baiestorf.

Inspirados pelo livro Hollywood, do Bukowski, escrevemos este roteiro sobre as amarguras de ser produtor de filme vagabundo no Brasil, já prevendo que o país iria encher de crentes malditos adoradores de dinheiro. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=dwkZ3NXNIAE&t=9s

Somos a Ralé (2004, 36 min.), de Coffin Souza.

Um documentário porra louca onde nossos atortes refletem sobre o caos que é filmar sem dinheiro conosco. Apesar de eu ter sido o entrevistador/montador do curta, não lembro de absolutamente nada. Está perdido, mas estou em busca dele tal qual se fosse uma arca sagrada (vai que o Monty Python tá dentro).

Olhando a Cor da Melodia de Baixo para Cima com a Cabeça Raspada Parada (2004, 7 min.), de Canibais Etílicos.

Tem um momento na vida que o homem para o que está fazendo e analisa seus feitos, é sua chance de modificar tudo que está fora dos eixos. Bem, quando gravamos este curta não foi meu momento de refletir sobre os lixos que eu estava realizando, estava numa onda “No Future” (tipo agora neste 2019 bolsonarista). Este curta é possivelmente a coisa mais inútil que já fizemos numa carreira de inutilidades. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/0ge9svuhbbdx0vr/Olhando_a_Cor_da_Melodia_de_Baixo_para_Cima_com_a_Cabe%25C3%25A7a_Raspada_Parada.avi/file

Poesia Visceral (2004, 4 min.), de Canibais Etílicos.

Você curte ver uma pessoa vomitando? Então aqui é seu lugar. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/8jg38plaxuc9z34/Poesia_Visceral.avi/file

Predadoras (2004, 21 min.), de Coffin Souza.

Um grupo de meninas devorando homens tarados. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/hh671fvhou6f4hk/Predadoras.avi/file

Duelando pelo Amor de Teresa (2004, 19 min.), de Petter Baiestorf.

Este curta até que teve uma produção um pouquinho mais bem cuidada, ainda mais se comparado diretamente com as imbecilidades que estávamos fazendo em ritmo alucinado naqueles dias do glorioso ano de 2004. Ele chegou a pegar seleção em alguns festivais e foi exibido na TV Educativa. Por algum motivo que desconheço, ele continua sem a opção download.

Por Quê?… Porquê Sou Brasileiro!!! (2004, 15 min.), de Ivan Pohl.

Ivan prevendo o Brasil de hoje. Impagável, com trilha sonora da banda do Gurcius Gewdner. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/20lum8kucdm7z8q/Porque_Porque_Sou_Brasileiro_Filme_Pol%25C3%25ADtico_Trailers.rar/file

Ora Bolas, Vá Comer um Cu!!! (2004, 9 min.), de Petter Baiestorf.

Sim pessoal, eu sei que faz mal pra imagem do artista postar uma caralhada de bosta que ele fez, mas veja aqui mais uma: http://www.mediafire.com/file/f2vyok8psazebs5/Ora_Bolas%252C_V%25C3%25A1_Comer_um_Cu%2521%2521%2521.avi/file

Terceira Festa de Boas Vindas ao Meteoro Amigo que se Espatifará no Planeta Terra no Ano de 2019 (2004, 85 min.), de Zero Yoshi.

Naquele ano a gente promoveu uma scholock fest em homenagem ao meteoro que vai cair neste ano e o Zero filmou tudo. Teve muita gente pelada fazendo asneiras e os Urtigueiros (banda dadaísta) tocando. O filme está perdido até o momento, pois como não foi distribuído só existe o máster dele, que está sumido.

Mike Guilhotina (2004, 26 min.), de Ivan Pohl.

O grupo Coffin Souza, Elio Copini, Everson Schutz e Ivan Pohl havia criado uma produtora de filmes experimentais chamada N.A.V.E., que significa Núcleo Avançado de Vídeomakers experimentais de Palmitos, e estava filmando inúmeras experimentações com cores e formatos, que acabam comigo distribuindo. Este curta faz parte do pacote, mas se encontra sumido. Foi uma homenagem do Ivan ao seu cachorrinho de estimação.

Vi$cio (2004, 15 min.), de Carli Bortolanza.

Está perdido. Bortolanza quer refilmar em 2020.

Baiestorf: Filmes de Sangueira & Mulher Pelada (2004, 20 min.), de Christian Caselli.

Não é nosso, é um documentário que o Caselli realizou sobre nossa arte. Tô colando ele junto porque acho que é necessário uma pausa para que você compreenda as motivações de tanta bosta que fizemos até o momento. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=RTbOCpNmH8A&t=89s

Palhaço Triste (2005, 32 min.), de Petter Baiestorf.

Este foi o momento que parei para refletir sobre minha existência, sobre minha carreira de filmes ruins e, então, munido de minhas ruminações, realizei meu filme mais comercial, onde abri mão de tudo o que acredito para entregar este quase blockbuster hollywoodiano. Veja aqui: https://vimeo.com/230641180

A Curtição do Avacalho (2006, 73 min.), de Petter Baiestorf.

Com as edições de Gurcius Gewdner, fui deixando os filmes mais dinâmicos do que as produções feitas em VHS na década de 1990. Este Curtição foi uma experimentação estilo Cinema Marginal, filmado em uns 3 meses. Concluímos a produção em apenas 5 pessoas. Adoro o resultado final alcançado com ele e faria tudo de novo. Só existe em DVD físico, não estando disponível na internet por enquanto. Veja este fragmento do longa: https://www.youtube.com/watch?v=R-49eSZtkoA

O Monstro Legume do Espaço 2 (2006, 61 min.), de Petter Baiestorf.

Um erro que cometi, apesar que gosto bastante deste roteiro. Ele só existe em mídia física até o momento.

Que Buceta do Caralho, Pobre Só Se Fode!!! (2007, 23 min.), de Petter Baiestorf.

Minha homenagem pessoal ao cineasta George Kuchar, que viu o filme e elogiou bastante. Em teoria ele está na internet, disponível, mas não o encontrei para linkar aqui. De todo modo você o encontra no material extra do DVD de Arrombada.

Manifesto Canibal – O Filme (2007, 9 min.), de Petter Baiestorf.

Baseado no livro Manifesto Canibal, vociferamos frases sobre como produzir sem dinheiro. Foi um estrondoso sucesso quando de seu lançamento, sendo exibido em muitas universidades e coletivos anarquistas. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/wqditv8vrieww7u/Manifesto_Canibal.avi/file

Ou assista online aqui: https://vimeo.com/242441585

O Nobre Deputado Sanguessuga (2007, 13 min.), de Petter Baiestorf.

Meu curta infantil político surrealista, pelo qual tenho grande carinho. O cara por debaixo da incomoda maquiagem de dedo é meu pai, que fez tudo muito animado, ele adorava gravar conosco (se você reparar nas fichas técnicas de todos os filme, quase sempre o Claudio Baiestorf está por lá – ele faleceu em 2009). Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=bGn2OQYDBH8

Quando Jesus Bate à Sua Porta (2006, 7 min.), de Petter Baiestorf.

Curta produzido para uma oficina de vídeo que tem a curiosidade de trazer os músicos Daniel ETE (da banda Muzzarelas) e Célia Harumi (Grease), ele no elenco, ela na produção/edição. Veja o curta aqui: https://www.youtube.com/watch?v=VRCPUzqVkwg&t=411s

Arrombada – Vou Mijar na Porra do seu Túmulo!!! (2007, 39 min.), de Petter Baiestorf.

Um de meus filmes mais populares (perdendo para as séries Zombio, Monstro Legume e o Vadias do Sexo Sangrento), que gravamos em 5 dias e foi a primeira de minhas parcerias com a Ljana Carrion. Apesar do filme parecer meio tenso, foram gravações bem alegres, com um grupo de pessoas incríveis. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/1zdilw3di117s3b/Arrombada.avi/file

Vadias do Sexo Sangrento (2008, 30 min.), de Petter Baiestorf.

Reunimos praticamente a mesma equipe do curta anterior e, com acréscimo da Lane ABC, realizamos este divertido e alto astral filme sobre o amor. Ele é uma paródia metalinguística às comédias românticas e foi meu set mais harmônico desde sempre. Toda a equipe passava a maior parte do tempo pelada, o que deixou o ambiente muito leve e divertido. Você pode baixar ele aqui: http://www.mediafire.com/file/l0vy11tr6elytrt/Vadias_do_Sexo_Sangrento.avi/file

Kanibaru Shocking Shorts (2008, 50 min.), de Petter Baiestorf.

Vários curtas em apenas um único link. Surpresa, nem eu lembro mais o que tem nessa fita: http://www.mediafire.com/file/8ee9pt6km5kmfpt/kaniraru_gore_shorts_VOL_1.mp4/file?fbclid=IwAR23B-I0sYYlT7XJbnz8n5JZ6If4ZubZV9H3lte1kOhSyk_iEj8bbdPKIME

Encarnación del Tinhoso (2009, 7 min.), de Petter Baiestorf.

Uma homenagem ao cinema de horror indiano, numa tentativa de incluir todos seus excessos, de sonoplastia até zoons e enquadramentos. Assista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=y7nzCpKgqiM

Ninguém Deve Morrer (2009, 31 min.), de Petter Baiestorf.

Sempre tive a vontade de rodar um musical. Também sempre tive vontade de rodar um faroeste, então me pareceu uma boa ideia unir as duas vontades e criar um musical western em homenagem aos filmes feitos na Boca do Lixo. Essa produção reuniu o pessoal que habitualmente trabalhava comigo até uma caralhada de músicos, zineiros e organizadores de mostras. Baixe o filme aqui: http://www.mediafire.com/file/8m235oakqfo3fyq/Ningu%25C3%25A9m_Deve_Morrer.avi/file

Sangue Marginal (2009, 77 min.), de Marco Vaz.

Outra pausa para você entender nossas motivações ao fazer um filme. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=AJpz7PbPeAM

O Doce Avanço da Faca (2010, 35 min.), de Petter Baiestorf.

Essa foi a primeira produção que realizei com a atriz Gisele Ferran. Incrivelmente, sabe-se lá o porque, não está disponível na internet e nem em mídia física. Que lástima, não? Mas fiquem com este delicioso fragmento do média: https://www.youtube.com/watch?v=BZ9l6neQc_k

A Paixão dos Mortos (2011, 8 min.), de Coffin Souza e Gisele Gerran.

Curta filmado como se fosse uma fotonovela. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=kX9ahDLlXto&t=200s

Zombio 2 – Chimarrão Zombies (2013, 83 min.), de Petter Baiestorf.

Meu Cidadão Kane. Único filme onde tive um orçamento minimamente decente (e era apenas meio terço do que eu realmente precisava). Só consegui finalizar este lona porque recebi ajuda de absolutamente todo mundo. As gravações foram durante 23 dias, mais 18 dias para montar tudo. Precisava de mais tempo pras duas coisas, mas tá feito e tá aí. Baixe aqui com legendas em inglês: http://www.mediafire.com/file/a62i2x43awdbz2x/Zombio_2_with_subtitles.mp4/file

Ou assista online aqui: https://vimeo.com/225099168

Filme Político (2013, 2 min.), de Petter Baiestorf.

Fazia parte do projeto Páscoa Sarnenta, mas só conseguimos concluir ele. Este projeto foi elaborado pelo Felipe M. Guerra, que consistia em gravar os bastidores de uma produção minha, mas inventei de filmar 4 curtas em 3 dias e deu tudo errado. Conto essa história com detalhes no livro inédito Canibal Filmes – Os Bastidores da Gorechanchada (onde inclusive há uma hilária passagem sobre Gurcius Gewdner sendo o apoio para uma mesinha onde um casal de atores trepava).

As Fábulas Negras (2014), de Zé do Caixão, Rodrigo Aragão, Joel Caetano e Petter Baiestorf.

Neste ano não tive produção própria, apenas trabalhei nessa produção da Fábulas Negras. Assista meu episódio aqui: https://www.youtube.com/watch?v=KeeQ_aNatso&t=24s

13 Histórias Estranhas (2015), de Vários diretores.

E no ano seguinte fiquei envolvido neste aqui, A Cor que Caiu do Espaço, baseado em conto de Lovecraft, onde peguei o dinheiro da produção e dei pro pessoal que trabalhava comigo e filmei tudo sem dinheiro. Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/9b96vot1sdt9t7u/A_Cor_Que_Caiu_do_Espa%25C3%25A7o_-_Master_com_Cr%25C3%25A9ditos.avi/file

Ou assista aqui: https://vimeo.com/223284510

Até Que… E Deu Merda (2017, 4 min.), de Carli Bortolanza.

Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/tbdrzpaflov0jdg/At%25C3%25A9_que…_e_deu_m%2Ard%2A%2521.avi/file

Baiestorf (2017, 20 min.), de Bruno Sant’Anna.

Última pausa para entender nossas motivações. Prometo que no próximo documentário sobre a Canibal Filmes vou desmentir tudo e mudar as referências e influências, só pra causar caos e desordem. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=7p0LAxjgEgs&t=46s

Ándale! (2017, 4 min.), de Petter Baiestorf.

Em 2015 eu havia aberto a loja Mondo Cult em Porto Alegre, mas deu tudo errado e tal empreendimento fodeu com minha vida financeira. Então, desde 2015, não estou mais conseguindo bancar meus filmes, ou seja, só estou conseguindo fazer pequenos filminhos com ajuda de velhos amigos. Este aqui rodamos sem dinheiro nenhum e acabou ganhando vários prêmios de melhor curta experimental. Veja aqui: https://vimeo.com/219401005

Beck 137 (2017, 11 min.), de Petter Baiestorf.

Curta realizado em Goiânia, com suporte da Mostra Crash, onde ministrei uma oficina sobre como fazer filmes sem orçamento com uso de celulares. O resultado ficou bem bacana, mas não tenho autorização para disponibilizar o curta aqui.

A Noiva do Turvo (2018, 4 min.), de Loures Jahnke.

Produzi este outro curta feito em celular com amigos das antigas e os filhos deles. Gosto do resultado lindão que ele ganhou e esse clima de pão caseiro que ele tem. Veja aqui: https://vimeo.com/256403432

A História Kaingang por Eles Mesmos (2018, 22 min.), de Petter Baiestorf.

Não é um documentário, é apenas um registro da tradição oral dos kófas kaingangs, onde eles resgatam a história da T.I. Guarita. Baixe o filme aqui: http://www.mediafire.com/file/e39rr2euw8542c5/Historia_Kaingang_por_eles_mesmos_-_Final_v3_-_com_legendas.mp4/file

Purgatório Axiomático (2019, 5 min.), de Fábio Ruffino.

Nem sei se eu podia compartilhar o filme aqui, mas é o primeiro filme onde assino a trilha sonora, compondo a música inteira. Depois dele assinei ainda a composição da trilha sonora de Brasil 2020, meu último curta. Baixe a trilha aqui: http://www.mediafire.com/file/dffnteluflffwrq/Demotape_Baiestorf_-_Experimenta%25C3%25A7%25C3%25A3o_do_Caos_C%25C3%25B3smico.rar/file

Brasil 2020 (2019, 7 min.), de Petter Baiestorf.

Meu último e recém lançado curta. Baixe aqui e pirateie por favor: http://www.mediafire.com/file/kcn37zc94ymom23/Brasil_2020_-_Final_FullHD.mp4/file

E se você curtiu a trilha sonora que compus pro filme, baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/dpvc0s78494829g/Brazil_2020_-_Soundtrack.rar/file

Outros que fiz posters:

A Arte da Tortura (2015, 3 min.), de Carli Bortolanza.

Baixe aqui: http://www.mediafire.com/file/d9dw4ycdos38kd5/A-Arte-da-Tortura-Final.flv/file

E mais essa série de posters para filmes que tive que abandonar por problemas com orçamento ou que fiz posters fakes. Estes filmes não existem, mas me dê dinheiro e todos se tornarão realidade!

Se você curtiu os posters, baixe todos em alta qualidade aqui NESTE LINK.

por Petter Baiestorf

Naked Things Session Vol. 1

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Naked Things Session Vol. 1 é composto de 5 EPs gravados no ano de 2019 e lançados pelo meu selo Petter Baiestorf, no Bandcamp. O estilo musical dos EPs variam entre dark ambient, space music e industrial com pegada mais eletrônica.

NAKED THINGS SESSION VOL. 1 – BAIXE CLICANDO AQUI

EP 1 – +8Gy – “Incubo sulla città contaminata” (2019, 28 minutos).

Altri Otto Gy é um projeto de Dark Ambient de inspiração no filme “Incubo sulla città contaminata” (Nightmare City, 1980), de Umberto Lenzi, tentando transformar algumas situações do filme em ondas sonoras. Contém seis músicas:

01 – Radiazioni nucleari (04′:29″)

02 – Contaminazione (05′:10″)

03 – Altri otto Gy (05′:41″)

04 – Città dei morti viventi (03′:40″)

05 – Dannato esercito (06′:07″)

06 – Sterminatore di innocenti (03′:48″)

EP 2 – Baiestorf – “Frankenstein Bipolar” (2019, 34 minutos).

O EP “Frankenstein Bipolar” é Space Music Eletrônica, conta com três músicas inéditas e uma regravação da música “Rio 80 Tiros”, que eu tinha lançado no EP anterior que você pode baixar aqui: RIO 80 TIROS. Contém quatro músicas:

01 – Frankenstein Bipolar (14′:00″)

02 – Spaceship 90-Cyr (05′:45″)

03 – Nebulosa Zghk3-c (10′:37″)

04 – Rio 80 Tiros (04′:45″)

EP 3 – Hal9000 – “Aliens” (2019, 14 minutos).

Space Music com uma pegada de industrial. O disco anterior, “Scape Odyssey” (2018), pode ser ouvido aqui: BAIXAR.

Este novo EP contém quatro músicas, quase um ensaio-experimentação para as possibilidades de músicas que poderão ser criadas para a trilha sonora do curta “Meu Amigo Barnabé“, assim como a experimentação da Robby Robot, “Forbidden Planet“. Ouça ROBBY ROBOT AQUI. O EP contém as músicas:

01 – Reator (04′:52″)

02 – Alien em Movimentação Estranha (03′:25″)

03 – Buraco Negro Sistemático (03′:22″)

04 – Dobra Espacial (02′:37″)

EP 4 – Jurassick Aliens – “Sci-fi Vision” (2019, 16 minutos).

Este EP da Jurassick Aliens dá sequencia aos discos “A. I. 3W11 Zyrgon“, do Satellite, e “Voyage to the End of the Infinite Universe“, do Spacepongo. Ouça SATELLITE AQUI. Ouça SPACEPONGO AQUI. Contém as músicas:

01 – Delícia do Espaço (03′:29″)

02 – Narcissus Moonflower (06′:42″)

03 – Banquete Cósmico (04′:30″)

04 – Tradicionalismo na Dobra Temporal (01′:47″)

EP 5 – Zaphyr Zy – “Numa Fria” (2019, 15 minutos).

Zaphyr Zy foi um EP ensaio para o disco do Pistola Édipo, “Viril Homem do Oeste“, que você pode ouvir clicando no nome PISTOLA ÉDIPO. Este EP é um eletrônico com momento de industrial harsh, incluindo a música “Busão” que foi gravada ao vivo na rodoviária de Porto Alegre, para o desespero dos transeuntes que por lá estavam. Contém cinco músicas:

01 – Numa Fria (00′:45″)

02 – No Green Card (05′:12″)

03 – Busão (03′:56″)

04 – Deadman (03′:27″)

05 – Aventura no Ranho (02′:30″)

 

FAÇA DOWNLOAD DE NAKED THINGS SESSION VOL. 1 CLICANDO AQUI

U – Projeto Industrial de Experimentações Sonoras de um Não-Músico

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Nessa semana lancei o novo EP do projeto industrial U, que se chama “Fim de Mundo” e está disponível no meu Bandcamp.

“Fim de Mundo” apresenta duas composições: “Fim de Mundo” e “E o Caos que se Segue”, dando sequencia as experimentações que realizei com theremin/sintetizador/white noise nos dois álbuns anteriores, “Involução no Terceiro Planeta” (2018) e “O Som dos Planetas” (2019).

O EP pode ser ouvido pelo bandcamp: FIM de MUNDO (EP) ou, se você realmente curtir, pode ser baixado em link direto via mediafire.

FIM DE MUNDO (EP) DOWNLOAD

U é um projeto que desenvolvo sozinho. Não sou músico (sou roteirista/escritor e produtor/diretor de vídeos de baixo orçamento), o que não me impede de fazer algumas experimentações sonoras envolvendo a exploração de ruídos, microfonias e outras sujeiras musicais para possível uso em trilhas sonoras de filmes meus ou de outros produtores, como no curta experimental “Purgatório Axiomático” (2019), de Fábio Marino, ou no curta ainda inédito “Brasil 2020”.

Purgatório Axiomático, assista aqui:

BRASIL 2020 (SOUNDTRACK) DOWNLOAD

Os álbuns da U estão disponíveis no Bandcamp e para download também. Você pode ouvi-los nos links abaixo:

Bandcamp: Involução no Terceiro Planeta (2018)

Mediafire: Involução no Terceiro Planeta (2018) – DOWNLOAD

Bandcamp: O Som dos Planetas (2019)

Mediafire: O Som dos Planetas (2019) – DOWNLOAD

O Som dos Planetas foi lançado pela gravadora Exhaust Valve Recs: O Som dos Planetas (Exhaust Valve Recs)

por Petter Baiestorf

O Shot-on-Video e o Cinema Independente Brasileiro

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Sempre existiu na história do cinema mundial a figura do cineasta miserável que dava um jeito de inventar seus recursos, independente da quantia de dinheiro disponível. A própria história da mais cara arte do planeta está cheia de exemplos. Ainda nos anos de 1920 pequenos produtores exploravam temas tabus para competir com o cinema feito pelos grandes estúdios. Nesta época era corriqueiro que milionários encomendassem pequenos filmes domésticos à cineastas despudorados que sabiam como ninguém a arte de filmar rápido/barato os assuntos mais polêmicos que não encontravam espaço nos cinemas normais. Na década de 1920 já existia cinema pornô, por exemplo. Un Chien Andalou (Um Cão Andaluz, 1929, Luis Buñuel), outro exemplo, só existe porque independentes o realizaram.

No pós-guerra, na década de 1950, houve uma explosão de produtores independentes, que encontraram uma forma de ganhar dinheiro com filmes de monstros e/ou alienígenas feitos sem grandes recursos e que encontravam público. Tanto público que os grandes estúdios se apropriaram do gênero e faturaram muito dinheiro. Considero-os a principal influência do cinema Shot On Video, o SOV, que surgiu no início dos anos de 1980, principalmente nos USA. E essa influência transou com as influências do cinema underground e deixou tudo mais divertido ainda, porque a grande sacada do SOV foi a de misturar todo tipo de influências e recriar tudo à sua maneira.

Talvez Ray Dennis Steckler seja um dos grandes precursores do cinema caseiro mundial, com filmes como Lemon Groove Kids Meet the Monsters (1965) e Rat Pfink A Boo Boo (1966) que, embora produzidos em 35 mm, tinham todos os elementos de fundo de quintal que os SOVs dos anos de 1980 popularizaram. Mesmo um cineasta autoral, e agora respeitado por sua obra, como John Waters, começou fazendo produções caseiras com ajuda de amigos e familiares, caso de Mondo Trasho (1969) ou Multiple Maniacs (1970), inspirados nos filmes caseiros que artistas como George Kuchar e Jack Smith vinham fazendo no underground americano.

Rat Pfink a Boo Boo

Com distribuidores como Harry H. Novak garantindo espaço para escoar a produção independente, o mercado viu uma verdadeira epidemia de produções baratas surgirem, onde muitas vezes o dinheiro gasto era somente na película virgem e revelação do filme. Doris Wishman, H.G. Lewis, Ted V. Mikels, Al Adamson, entre outros, são exemplos.

Com o declínio dos Drive-In Theaters e grindhouses na década de 1970, e o surgimento de formatos domésticos como Super-8, Beta Tapes, Laser Disc e, talvez, o mais importante deles, a Fita VHS – que permitia uma arte chamativa em suas enormes caixas protetoras – o cinema SOV da década de 1980 começava, timidamente, a perceber suas possibilidades concretas.

Shot-on-Video!!!

Não demorou muito para que a jovem geração, ociosa e bêbada, descobrisse que era possível realizar filmes com câmeras VHS. Inicialmente o formato não havia sido recebido com muito entusiasmo. Sua qualidade de som e imagem deixava muito a desejar e era, geralmente, usada para o registro de aniversários, casamentos, viagens e outras festividades familiares. Mas estes artistas amadores improvisados começaram a provar o valor do VHS, agora pessoas comuns estavam conseguindo produzir seus filmes com a paixão e devoção que somente os fãs possuem. Hollywood não realiza o filme dos seus sonhos? Não tem problema, faça-o você mesmo em VHS, com ajuda de seus amigos tão sem noção quanto você! Teus amigos não te ajudam? Possivelmente você está andando com as pessoas erradas!!!

Nos anos de 1980, nos USA, houve uma explosão de produções Shot on Video, mas um dos únicos destes filmes a conseguir lançamento em um Drive-In de Long Island, NY, foi o longa-metragem Boardinghouse (1983, John Wintergate), seguido de Sledgehammer (1983, David A. Prior) e Black Devil Doll from Hell (1984, Chester Novell Turner). Os três filmes eram produções bem limitadas, mas nada pior do que um freqüentador habitual de Drive-In já não tivesse visto antes, só que produzido em 35 mm.

Com as videolocadoras popularizadas nos anos de 1980, quando qualquer cidadezinha minúscula perdida no meio do nada era bem servida dos clássicos e vagabundagens do cinema, os produtores atentaram para o fato de que não era mais necessário um circuito exibidor formado de cinemas. O filme que provou ser possível chegar à um público gigante através das locadoras foi o SOV Blood Cult (1985, Christopher Lewis), que foi um estrondoso sucesso na locação de vídeo e abriu espaço para outras produções no estilo, como Blood Lake (1987, Tim Boggs) e Cannibal Campout (1988, Jon McBride e Tom Fisher). O sucesso de vendas e locações de Blood Cult se deve ao fato de que criaram uma distribuidora exclusivamente para oferecê-lo às locadoras, com material de divulgação e muita lábia – conseguiram vender como se fosse uma produção profissional. Só que o público não só assistiu, como gostou, se influenciou e também quis se divertir fazendo seus próprios filmes.

Em seguida, o agora clássico, Video Violence (1987, Gary Cohen) foi comprado pela distribuidora Camp Video. Com base em Los Angeles, a Camp Video fez uma ampla divulgação da produção de fundo de quintal – que permanece sendo o filme SOB da década de 1980 com maior venda – e conseguiu colocá-lo em locadoras dos USA inteiro. Video Violence chegou a ser indicado para o prêmio de melhor filme independente no American Film Institute daquele ano. Em tempo: Video Violence é um filme que reflete sobre o assunto “violência é boa, mas o sexo não é”, algo que constatei pessoalmente com 30 anos de produções independentes pela Canibal Filmes, onde nunca fui censurado pelas cenas de violência, mas sim, apenas e unicamente, por cenas de sexo.

A distribuidora Camp Video também foi a responsável por colocar o filme Cannibal Hookers (1987, Donald Farmer) no mapa. E seu faturamento com estes filmes foi o responsável direto pelo interesse da Troma Entertainment  por SOVs, que comprou o filme Redneck Zombies (1989, Pericles Lewnes) e constatou que era muito lucrativo lançar aqueles filminhos amadores, não abandonando-os nunca mais. Aliás, muita gente confunde os filmes distribuídos pela Troma com sua produção própria. Os filmes da Troma não são SOVs, mas inúmeros filmes distribuídos por eles são. Alguns exemplos: O inacreditavelmente ruim Space Zombie Bingo! (1993, George Ormrod); Bugged (1997, Ronald K. Armstrong); Decampitated (1998, Matt Cunningham); Parts of the Family (2003, Léon Paul de Bruyn); Pot Zombies (2005, Justin Powers); Crazy Animal (2007, John Birmingham) e Blood Oath (2007, David Buchert). Outra distribuidora que costuma lançar SOVs é a Severin Films. Fundada em 2006 por David Gregory, já disponibilizou em DVD ou Blu-Ray vagabundagens como Blackenstein (1973, William A. Levey), filmado em 35 mm, mas tão amador quanto qualquer SOV feito em VHS, e clássicos como a trinca Sledgehammer (1983), Things (1989, Andrew Jordan) e The Burning Moon (1992, Olaf Ittenbach).

Sim, as produções SOV são essencialmente de fundo de quintal, feitas por entusiastas se autointitulando cineastas, que conseguem meter seus amigos e familiares no sonho de fazer cinema. Geralmente são produções amadoras desleixadas, desfocadas, com efeitos especiais improvisados, atores canastrões, figurinos inexistentes e roteiros absurdos. Mas é essa combinação que faz com que os filmes funcionem e tenham legiões de fãs ao redor do mundo. Outra particularidade do cinema SOV: São produções locais que ultrapassam fronteiras, ou seja, um filme vagabundo produzido entre amigos num sítio em Palmitos, SC, Brasil, é perfeitamente capaz de dialogar com um entusiasta do SOV que morou a vida inteira num pequeno apartamento em Tokyo, por exemplo.

O blog Camera Viscera, na matéria “Video Violence – 13 Days of Shot on Video!”, faz outra importante observação à respeito dos SOVs: “Eles conseguiram congelar o tempo. O que quero dizer é que os sets que você vê nestes filmes não são cenários construídos, são videolocadoras e mercearias reais. As roupas que você vê não são fantasias, são roupas reais que os atores tinham em seus roupeiros. As ruas, os carros, os locais, são todos reais e intocados, e você consegue vê-los como estavam em seu estado natural em 1987. Essas jóias do “no-budget” dos anos de 1980 capturaram a essência do tempo e isso é um bem inestimável. Eles são como se suas famílias tivessem filmes caseiros dos anos 1980, exceto com mais assassinatos (ou menos, dependendo do tipo de família que você veio).”

Não existe uma produção SOV inaugural. A produção mundial é enorme. A produção em um país como a Nigéria, conhecida como Nollywood e que é considerada a terceira maior indústria cinematográfica em volume de produção – atrás apenas de Hollywood e Bollywood -, é formada quase que exclusivamente de produções SOVs. Então é praticamente impossível catalogar a totalidade dessa produção, ainda mais se levarmos em consideração que muitos títulos lançados nem saem do círculo de amizades dos produtores – países da Europa, Ásia e América Latina também tem uma produção enorme. Tentar catalogar apenas os SOVs produzidos no Japão já seria tarefa impossível, por exemplo.

Nos USA alguns diretores que se destacaram são Todd Sheets – com quem geralmente sou comparado nas reviews da imprensa especializada, e, acreditem, isso não é um elogio! -, Donald Farmer, Tim Ritter, Kevin J. Lindenmuth, Hugh Gallagher e J. R. Bookwalter. Este último, inclusive, teve seu filme em super-8 The Dead Next Door (1989) apadrinhado pelo trio de amigos Sam Raimi, Bruce Campbell e Scott Spiegel.

Na Europa alguns produtores de SOVs que tiveram destaque foram o francês Norbert Georges Mount, com Mad Mutilator (Ogrof, 1983), que tem Howard Vernon no elenco; Trepanator (1992) e o impagável Dinosaur from the Deep (1993), com Jean Rollin no elenco. E os alemães Olaf Ittenbach, que causou sensação com seu The Burning Moon (1992), mas nunca chegou a fazer sucesso como um Peter Jackson, por exemplo; Andreas Schnaas, responsável por uma série de filmes gore exagerados que são fantásticos e inventivos: Violent Shit (1989), Zombie’90: Extreme Pestilence (1991), Goblet of Gore (1996) e Anthropophagous 2000 (1999); e Andreas Bethmannn, criador de Der Todesengel (1998), Dämonenbrut (2000) e Rossa Venezia (2003), este com Jesus Franco e Lina Romay no elenco.

Uma das grandes armadilhas na produção SOV é que dificilmente os diretores/produtores conseguem romper as fronteiras do cinema independente, mas não é impossível. Evil Dead (1981), de Sam Raimi, era essencialmente uma produção SOV, mas foi realizada com tanta garra e empenho que conseguiu colocá-los na mira dos grandes estúdios. Peter Jackson quando realizou seu Bad Taste (1987) estava fazendo um autêntico SOV com amigos – embora filmado em película – e acabou que a produção lhe deu o suporte necessário para se destacar na comissão de cinema da Nova Zelândia e o resto é história. Santiago Segura, hoje um dos mais respeitados cineastas da Espanha por conta de sua série de sucesso Torrente, iniciou-se na produção com curtas feitos em vídeo. Relatos de la Medianoche (1989) e Evilio (1992) são feitos em vídeo. Perturbado (1993), curta bem acabado que realizou de maneira mais profissional, fez com que conseguisse o dinheiro para a produção do primeiro Torrente (1998), que na época de seu lançamento, na Espanha, bateu a bilheteria do Titanic (1997, James Cameron) naquele país.

Bruce Campbell & Sam Raimi em Evil Dead

Pessoas que participaram de produções cinematográficas que se tornaram filmes de culto conseguiram manter suas carreiras atrávez de produções SOV. Talvez o exemplo mais famoso seja o de John A. Russo, conhecido roteirista de The Night of the Living Dead (A Noite dos Mortos Vivos, 1968, George A. Romero), que foi diretor de produções em vídeo como Scream Queens Swimsuit Sensations (1992) ou Saloonatics (2002). Aliás, o clássico de George A. Romero legou ainda outro diretor de SOVs: Bill Hinzman (ator que interpretou o primeiro zumbi que aparece no clássico) que realizou The Majorettes (1987) e FleshEaters (1988), este último uma tranqueira imitação de The Night of the Living Dead, onde Bill repete seu papel de zumbi magrelo sedento por carne humana.

Não só isso. Antigos diretores de cinema dos anos de 1960/1970 só conseguiram manter/retormar suas carreiras após os anos 2000, quando ficaram possibilitados de voltar a produzir seus filmes em vídeo, muitos deles autênticos SOVs. Jesus Franco realizou um punhado de SOVs divertidíssimos, como Vampire Blues (1999), Snakewoman (2005) e o hilário Revenge of the Alligator Ladies (2013), finalizado por seu fiel assistente Antonio Mayans. H.G. Lewis voltou a filmar 30 anos depois de seu último filme de cinema, que havia sido The Gore Gore Girls (1972), com o quase amador Blood Feast 2: All U Can Eat (2002). Ted V. Mikels, diretor dos clássicos The Astro-Zombies (1968) e The Corpse Grinders (1971), passou por algo parecido. Impossibilitado de bancar seus filmes em película, produziu em vídeo mesmo, com ajuda de conhecidos e fãs, The Corpse Grinders 2 (2000) e Mark of the Astro-Zombies (2004), re-encontrando seu espaço na produção SOV do novo milênio, que está cada vez mais parindo filmes extremamente bem produzidos com quase nada de dinheiro.

O verdadeiro cinema independente é o SOV. Nos USA o orçamento médio de um filme chamado de independente é de 30 milhões de dólares, valor absurdamente grande quando comparado aos SOVs produzidos com uma média de 10 mil dólares.

No Brasil o orçamento médio de produções bancadas por editais é entre um e dois milhões de reais, enquanto muitos SOVs de longa-metragem foram feitos com orçamento médio de cinco mil reais, geralmente dinheiro bancado pelo bolso do próprio diretor/produtor. Sempre fiquei na dúvida se ficava orgulhoso ou ofendido, quando meus filmes de cinco mil reais eram comparados com produções de mais de 500 mil reais no orçamento. Acho bastante injusto uma produção minha ser colocada no mesmo patamar de cobranças que um filme de 500 mil reais, mas se fazem a comparação é porque meu filme está dizendo algo, não?

Equipe da Canibal Filmes filmando Criaturas Hediondas (1993)

Aqui ainda houve o agravante de que as produções SOVs surgiram exatamente junto com a moda Trash, que assolou a década de 1990. O SOV brasileiro ganhou força com a cara de pau de minha produtora, Canibal Filmes, que, por ser realizada com orçamentos tão irrisórios, também encaixavam na descrição do Trash. Aí a imprensa oficial, que geralmente é preguiçosa e não vai atrás de informações para apurar os fatos, tratou de difundir essa confusão e o SOV ficou desconhecido aqui, sendo tratado como filmes Trash. Quando estava acabando a moda Trash estes filmes passaram a ser objetos de estudo de um grupo de acadêmicos que passaram a chamá-los de Cinema de Bordas, e perdeu-se a oportunidade de categorizar o SOV Brasileiro na história do cinema amador mundial.

O Monstro Legume do Espaço, filme que produzi em 1995, foi o primeiro título SOV brasileiro a ter uma distribuição em nível nacional, provando que era possível fazer cinema amador e ter público com sua produção feita na vontade e amizade. E, após isso, o cinema Shot on Video nacional finalmente deslanchou.

Guia de SOVs Essenciais

SOVs Essenciais (para entender este peculiar estilo de se fazer cinema):

Elaborei uma lista de Shot on Videos bem básica, que servirá para introduzi-lo na arte do cinema amador (optei por destacar nessa lista básica a produção americana e brasileira). São filmes fáceis de achar na internet, então possíveis de serem assistidos.

Within the Wood (1978) de Sam Raimi. Curta SOV, produzido em super 8, que deu origem ao clássico Evil Dead (1981).

The Long Island Cannibal Massacre (1980) de Nathan Schiff. A história é uma bagunça, mas as cenas de mutilação com serras elétricas são lindas. Super 8.

Boardinghouse (1983) de John Wintergate. Pensão é reaberta após uma carnificina ter acontecido lá. Vídeo.

Sledgehammer (1983) de David A. Prior. Um jovem assassina sua mãe e amante com um martelo. Vários anos depois os assassinatos do martelo reiniciam na mesma área. David também foi diretor do terrível filme profissional amador The Lost Platoon (Pelotão Vampiro, 1990). Vídeo.

Black Devil Doll from Hell (1984) de Chester Novell Turner. Uma mulher compra uma boneca possuída e passa a ter inúmeros problemas hilários. Vídeo.

Blood Cult (1985) de Christopher Lewis. Universitárias são assassinadas e partes de seus corpos são usados em estranhos rituais. Vídeo.

The New York Centerfold Massacre (1985) de Louis Ferriol. Aspirantes à modelo são molestadas e assassinadas misteriosamente. Vídeo.

Black River Monster (1986) de John Duncan. Filme de monstro feito para a família, com um adorável Sasquatch (Pé Grande) feito de uma ridícula fantasia felpuda. Duncan dirigiu ainda o psicótico The Hackers (1988). Vídeo.

Dead Things (1986) de Todd Sheets. Caipiras matam quem se aventura pelo seu bosque. Vídeo.

Gore-Met, Zombie Chef from Hell (1986) de Don Swan. Dono de restaurante mata pessoas para servir aos clientes. Super 8.

Truth or Dare?: A Critical Madness (1986) de Tim Ritter. Após encontrar a esposa na cama com outro homem, o corno passa a matar pessoas participando de dementes jogos da “verdade ou desafio”. Vídeo.

Cannibal Hookers (1987) de Donald Farmer. Como parte de um trote de iniciação para uma irmandade, duas garotas precisam fingir serem prostitutas. Acabam se tornando zumbis que matam as pessoas da vizinhança. Vídeo.

Demon Queen (1987) de Donald Farmer. Uma vampira e suas agitadas tentativas de conseguir sangue. Vídeo.

Tales from the Quadead Zone (1987) de Chester Novell Turner. Fantasmas atormentam um casal. Vídeo.

Video Violence (1987) de Gary Cohen. Casal abre uma videolocadora e percebe que os clientes só levam filmes de horror extremamente violentos, então começam a produzir seus próprios snuff movies. Vídeo.

555 (1988) de Wally Koz. Adolescentes são mortos – das mais variadas e divertidas maneiras – por um psicopata de visual hippie. Foi produzido na época com a pretensão de ser um SOV melhor do que todos os outros que estavam sendo feitos. Vídeo.

Cannibal Campout (1988) de Jon McBride e Tom Fisher. Grupo de jovens em passeio pelo bosque se envolve com trio de psicopatas. Vídeo.

The Dead Next Door (A Morte, 1989) de J. R. Bookwalter. Uma equipe anti-zumbis é formada pelo governo. Bastante cenas gore e produção bem feita. Super 8.

Oversexed Rugsuckers from Mars (1989) de Michael Paul Girard. Aliens tarados estupram mulheres usando aspirador de pó. Muitas drogas e depravações nesta produção que está no limite entre um SOV e um filme profissional. 35mm.

Robot Ninja (1989) de J. R. Bookwalter. Desenhista de HQs se torna um super herói para combater uma gangue de estupradores. Vídeo.

Things (1989) de Andrew Jordan. Marido impotente deseja tanto o nascimento de um filho que precisa lidar com uma ninhada de criaturas que se materializam em sua casa. Vídeo.

Zombie Rampage (1989) de Todd Sheets. Um jovem que está indo encontrar seus amigos acaba cruzando com zumbis, serial killers e gangues homicidas neste clássico do SOV sangrento. Vídeo.

Fertilize the Blaspheming Bombshell! (1990) de Jeff Hathcock. Durante uma viagem, mulher é atormentada por adoradores do diabo. Vídeo.

Gorgasm (1990) de Hugh Gallagher. Garota mata os homens com quem transa. Hugh também foi editor da revista Draculina, dedicada ao cinema SOV americano. Vídeo.

Alien Beasts (1991) de Carl J. Sukenick. Alien caça humanos em assassinatos ultra gores feitos sem dinheiro, nem técnicas. É muito ruim, mas é impossível não vê-lo inteiro. Vídeo.

Nudist Colony of the Dead (1991) de Mark Pirro. Musical envolvendo zumbis numa colônia nudista. Super 8.

A Rede Maldita (1991) de Simião Martiniano. As peripécias de um grupo tentando enterrar uma pessoa. Vídeo.

Science Crazed (1991) de Ron Switzer. Cientista injeta droga experimental em uma mulher que morre ao dar a luz a um monstro já adulto. Vídeo.

O Vagabundo Faixa-Preta (1992) de Simião Martiniano. Kung Fu no sertão de Alagoas. Vídeo.

Criaturas Hediondas (1993) de Petter Baiestorf. Cientista marciano vem à Terra fazer os preparativos para a invasão re-animando alguns cadáveres terráqueos. Vídeo.

Goblin (1993) de Todd Sheets. As diabruras gores de um Goblin que chega até a perfurar os globos oculares das pobres vítimas. Vídeo.

Gorotica (1993) de Hugh Gallagher. Um ladrão morre após engolir uma jóia que havia roubado, então seu parceiro conhece uma necrófila. Vídeo.

Zombie Bloodbath (1993) de Todd Sheets. Um colapso numa usina nuclear transforma as pessoas em zumbis. Vídeo.

Acerto Final (1994) de Antonio Marcos Ferreira. Estrelado por Talício Sirino interpretando um herói em sua cruzada contra as drogas. Vídeo.

Gore Whore (1994) de Hugh Gallagher. Assistente de laboratório rouba uma fórmula que cai em mãos erradas. Vídeo.

Shatter Dead (1994) de Scooter McCrea. Drama muito bem encenado e filmado envolvendo uma mulher que quer chegar à casa de seu namorado num mundo pós-holocausto zumbi. Causou sensação quando foi lançado, mas a carreira de McCrea não decolou. Fez ainda Sixteen Tongues (1999) e foi ator em vários filmes de Kevin j. Lindenmuth. Vídeo.

Vampires and other Stereotypes (1994) de Kevin J. Lindenmuth. Dois “homens de preto” (que não estão usando preto) são encarregados de livrar o planeta dos seres sobrenaturais. Vídeo.

Addicted to Murder (1995) de Kevin J. Lindenmuth. Garoto que mantém amizade com uma vampira está disposto a alimentá-la. Vídeo.

Chuva de Lingüiça (1995) de Acir Kochmanski e Andoza Ferreira. Comédia rural ao estilo de Mazzaropi. Essa produção nacional é hilária e as piadas realmente funcionam. Um dos grandes clássicos do SOV brasileiro. Vídeo.

Creep (1995) de Tim Ritter. Psicopata escapa da prisão e vai pedir ajuda para sua irmã stripper. Vídeo.

Fronteiras sem Destino (1995) de Antonio Marcos Ferreira. Filme de ação eletrizante com Talício Sirino. Vídeo.

O Monstro Legume do Espaço (1995) de Petter Baiestorf. Alienígena constituído de tecido vegetal escapa de sua prisão e aniquila os humanos que cruzam seu caminho. Teve uma continuação em 2006, bastante inferior ao original. Vídeo.

Red Lips (1995) de Donal Farmer. Garota que doa sangue para conseguir dinheiro vira cobaia de um médico. Michelle Bauer e Ghetty Chasun estão no elenco. Vídeo.

Space Freaks from Planet Mutoid (1995) de Dionysius Zervos. Alienígenas convivem com terráqueos. Vídeo.

Blerghhh!!! (1996) de Petter Baiestorf. Grupo de terroristas não consegue se livrar de um zumbi. SOV com efeitos mecânicos e muito gore. Vídeo.

Feeders (1996) de Jon McBride, John Polonia e Mark Polonia. Aliens vem ao planeta Terra para um banquete de vísceras, atacando jovens do interior dos USA. Ótimos efeitos especiais, atores canastrões e aliens – feitos ao estilo de fantoches – que funcionam. Teve uma continuação em 1998. Vídeo.

Colony Mutation (1996) de Tom Berna. Casal vai para uma colônia de mutantes. Vídeo.

Eles Comem Sua Carne (They Eat Your Flesh, 1996) de Petter Baiestorf. Comunidade de canibais se alimenta de fiscais da prefeitura que teimam em ir cobrar o IPTU. Por anos foi o filme mais sangrento já produzido no Brasil. Vídeo.

The Bloody Ape (1997) de Keith J. Crocker. Baseado no conto “Assassinatos da Rua Morgue”, de Edgar Allan Poe. Super 8.

Fatman & Robada (1997) de Rogério Baldino. Pastiche sátira com Batman & Robin. No ano de seu lançamento foi o SOV brasileiro de melhor produção. Cult-movie. Vídeo.

The Necro Files (1997) de Matt Jaissle. Estuprador canibal volta do túmulo como um zumbi alucinado. Vídeo.

Shuín – O Grande Dragão Rosa (1997) de Cristiano Zambiasi. Gordinho lutador de kung fu entra num campeonato de artes marciais para descobrir quem está contrabandeando sorvete seco. Vídeo.

Gore Gore Gays (1998) de Petter Baiestorf. Casal de gays tenta deixar de ser gays e realiza brutais atos de violência e depravações sexuais. Vídeo.

Night of the Clown (1998) de Todd Jason Cook (sob pseudônimo de Vladimir Theobold). Milionário que quer vender sua empresa se torna alvo de um assassino. Vídeo.

Road SM (1998) de José Salles. Estranha relação sadomasoquista entre um grupo de pessoas. Vídeo.

They All Must Die! (1998) de Sean Weathers. Três bandidos torturam uma mulher. A capinha de seu lançamento vem com todos aqueles avisos do estilo “Proibido por 13 anos!”, “Cuidado!”, “Agora sem cortes!”, ou seja, pode assistir que é vagabundagem certa. Vídeo.

Dominium (1999) de Cleiner Micceno. Zumbis mongolóides atacam Sorocaba. Vídeo.

Zombio (1999) de Petter Baiestorf. Sacerdotiza Vudú reanima cadáveres. O primeiro filme de zumbis autenticamente nacional. Filmado em 1998, lançado em 1999. Vídeo.

Blood Red Planet (2000) de Jon McBride, Mark Polonia e John Polonia. Impagável sci-fi com maquetes muito bem elaboradas. A história é sobre um planetóide em direção ao planeta Terra. Vídeo.

Boni Coveiro: O Mensageiro das Trevas (2000) de Boni Coveiro. Ser satânico ataca escoteiros numa floresta. Vídeo.

Edmund Kemper – La Mort de Ma Vie (2001) de Laurent Tissier e Fred Quantin. O psicopata Kemper em sua jornada macabra. Petter Baiestorf faz participação especial em Edmund Kemper Part 4 – La Mort Vengeresse (2018, Laurent Tissier). Vídeo.

Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado (2001) de Felipe M. Guerra. Jovens que só estão a fim de festa se deparam com um atrapalhado psicopata. Vídeo.

Raiva (Rage-O-Rama, 2001) de Petter Baiestorf. Trio de ladrões rouba uma coleção das revistas Spektro e acaba numa vila de pessoas raivosas. Com cenas de carro explodindo. Vídeo.

Attack of the Cockface Killer (2002) de Jason Matherne. Serial killer com uma máscara de pinto mata de todas as maneiras possíveis as pessoas que encontra pelo caminho, incluindo com consolos improvisados de armas. Vídeo.

Rubão – O Canibal (2002) de Fernando Rick. As aventuras gore de uma família canibal. Vídeo.

Feto Morto (2003) de Fernando Rick. Por conta de uma relação incestuosa um rapaz tem um feto em sua cabeça. É o primeiro SOV nacional a ser lançado em DVD. Vídeo.

The Low Budget Time Machine (2003) de Kathe Duba-Barnett. Viajantes do tempo vão para o futuro e encontram mutantes. Vídeo.

Quadrantes (2004) de Cesar Souza. Um viajante dimensional experimenta os prazeres de vários quadrantes. Vídeo.

Eyes of the Chameleon (2005) de Ron Atkins. Serial killer ataca em Las Vegas. Vídeo.

The Stink of Flesh (2005) de Scott Phillips. Zumbis fedorentos tentando comer algumas pessoas. Boa produção. Vídeo.

Canibais & Solidão (2006) de Felipe M. Guerra. Jovens tentando perder a virgindade se metem em confusões envolvendo canibalismo. Ou não. A modelo Edna Costa está no elenco. Vídeo.

O Homem sem Lei (2006) de Seu Manoelzinho. Western capixaba remake da produção homônima de 2003. Vídeo.

Minha Esposa é um Zumbi (2006) de Joel Caetano. Ótima comédia sobre um funcionário dos laboratórios Z que transforma sua esposa em zumbi. Vídeo.

Sandman (2006) de A. Normale Jef. Uma aventura com o Mal. Vídeo.

Telecinesia (2006) de Danilo Morales. Garota que tem poder mental ajuda a policia na investigação de um desaparecimento. Vídeo.

Arrombada – Vou Mijar na Porra do seu Túmulo!!! (2007) de Petter Baiestorf. Ricaços se aproveitam de suas posições de poder para comprar pessoas e barbarizar em orgias sexuais. Ljana Carrion no elenco. Vídeo.

Mamilos em Chamas (2007) de Gurcius Gewdner. Uma história de amor encenada com fantoches feitas de coelhos mortos. Vídeo.

Rambú III – O Rapto do Jaraqui Dourado (2007) de Manoel Freitas, Júnior Castro e Adilamar Halley. Aldenir Coti, o Rambo brasileiro, é a estrela nessa produção de ação ambientada na Amazônia. Vídeo.

Satan’s Cannibal Holocaust (2007) de Jim Wayer. Jovem jornalista se envolve num culto canibal para satã. Vídeo.

Mangue Negro (2008) de Rodrigo Aragão. Zumbis atacam no mangue. Produção que se encontra no tênue limite entre SOV e filme profissional, tendo representado um ganho em qualidade ao cinema independente brasileiro. Os filmes seguintes de Aragão não são SOVs. Vídeo.

Synchronicity (2008) de Brian Hirschbine. Homem acorda coberto de sangue e não se lembra do que fez. Vídeo.

Vadias do Sexo Sangrento (2008) de Petter Baiestorf. Casal de lésbicas cruza os domínios de Esquisito, um psicopata que foi estuprado por 48 Padres quando criança. Ljana Carrion e Lane ABC no elenco. Vídeo.

Black Ice (2009) de Brian Hirschbine. Um conto de fantasia, sexo e assassinatos. Vídeo.

No Rastro da Gangue (2009) de José Sawlo. Mestre do Kung Fu baiano luta contra um bando de traficantes. Pancadarias ao estilo Jackie Chan. Vídeo.

Atomic Brain Invasion (2010) de Richard Griffin. Estranhas criaturas alienígenas atacam pequena cidadezinha do interior americano. Um exemplo perfeito de como os SOVs de hoje evoluíram e estão com uma qualidade fantástica. Griffin está construindo uma carreira de respeito, com ótimos filmes. Também é dele Splatter Disco (2007). Vídeo.

Birdemic: Shock and Terror (2010) de James Nguyen. Pássaros se rebelam contra a humanidade. A produção virou cult por ser tão ruim. Vídeo.

El Monstro del Mar! (2010) de Stuart Simpson. Três assassinas enfrentam um monstro marinho. Outro exemplo de SOV muito bem produzido. Vídeo.

Nasty Nancy (2010) de Sandi Mance. Numa escola onde os professores resolvem tudo com sexo, uma estudiosa aluna se vinga, violentamente, de uma nota baixa. Produção fantástica. Recomendo! Vídeo.

O Tormento de Mathias (2011) de Sandro Debiazzi. As confusões num hospício muito louco. Joel Caetano e Felipe M. Guerra estão no elenco. Vídeo.

Confinópolis (2012) de Raphael Araújo. Sci-fi com ótimo aproveitamento de cenários. Um ditador oprime o povo. Vídeo.

Rat Scratch Fever (2012) de Jeff Leroy. Ratos gigantes do espaço atacam Los Angeles. Com efeitos especiais fuleiros é diversão garantida. Vídeo.

Breeding Farm (2013) de Cody Knotts. Após uma noitada de festa quatro amigos acordam presos num porão, onde estranho homem tem uma fazenda humana. Vídeo.

Hi-8 (Horror Independent 8) (2013) de Ron Bonk, Donald Farmer, Marcus Koch, Tony Masiello, Tim Ritter, Chris Seaver, Todd Sheets e Brad Sykes. Longa em episódios que reúne alguns dos nomes de maior destaque na história das produções americanas de Shot on Video.

Sinister Visions (2013) de Henric Brandt, Doug Gehl, Andreas Rylander e Kim Sonderholm. Longa em episódios com trabalhos dos USA, Inglaterra, Suécia e Dinamarca. Vídeo.

Gore Short Films Anthology Part 2 (2015) de Jeff Grienier, Rob Ceus, Sam Bickle, Jim Roberts, Colin Case, Alexander Sharglaznov, Fuchi Fuchsberger, Petter Baiestorf e Esa Jussila. Coletânea de curtas com representantes do SOV mundial atual organizada por Yan Kaos para lançamento em DVD no Canadá. São curtas do Canadá, Bélgica, USA, Russia, Alemanha, Brasil e Finlândia. 2000 Anos Para Isso? (1996) é o curta representante do Brasil.

Zombio 2: Chimarrão Zombies (2013) de Petter Baiestorf. Em um holocausto zumbi os humanos são o maior problema de todos. Miyuki Tachibana e Raíssa Vitral no elenco. Vídeo.

13 Histórias Estranhas (2015) de Fernando Mantelli, Ricardo Ghiorzi, Claudia Borba, Petter Baiestorf, Marcio Toson, Cesar Souza, Taísa Ennes Marques, Rafael Duarte, Gustavo Fogaça, Renato Souza, Léo Dias, Paulo Biscaia Filho, Felipe M. Guerra, Filipe Ferreira e Cristian Verardi. Longa em episódios que reúne alguns dos principais nomes do SOV brasileiro. Vídeo.

Pazúcus – A Ilha do Desarrego (2017) de Gurcius Gewdner. Casal de lunáticos enfrenta a mãe natureza com seus cocôs mafiosos. Vídeo.

Termitator (2017) de Roxane De Koninck, Camille Monette e Keenan Poloncsak. Um mutante extermina jovens que vão passar alguns dias em cabana na floresta. Vídeo.

Astaroth (2017) de Larissa Anzoategui. A demônia Astaroth se envolve com tatuadores e rockistas para cooptar almas humanas. Vídeo.

O Mito do Silva (2018) de Fabiano Soares. Ótima produção política lançada às vésperas da eleição presidencial de 2018. Aqui Soares alerta para o crescimento do fascismo no Brasil. Vídeo.

Contos da Morte 2 (2018) de Vinicius Santos, Ana Rosenrot, Cíntia Dutra, Danilo Morales, Diego Camelo, Janderson Rodrigues, Larissa Anzoategui e Lula Magalhães. Antologia com vários episódios de horror, reunindo alguns dos principais diretores do novo SOV brasileiro. Vídeo.

Escrito por Petter Baiestorf.

Iara – A Sereia do Pantanal

Posted in Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 24, 2019 by canibuk

Reza a lenda que foi mais ou menos pra lá dos cafundós do Pantanal que você encontrou Iara, a sereia das lendas indígenas que te assombravam quando criança.

No dia em que seu marido lhe falou sobre o plano de assaltar aquele casal de fazendeiros ricaços, seu sexto sentido de mulher grávida, lhe fez coçar as orelhas. Você sabia que devia seguir sua intuição e não ir junto, afinal estava grávida de sete meses de seu primeiro filhinho. Somente isso seria motivo mais do que suficiente para que ficasse naquele grande e caro apartamento, que possuíam graças aos roubos e seqüestros.

Você sabe que seu marido a teria deixado ficar no apartamento, mas sua ganância foi maior do que a coceirinha que você sentia atrás da orelha. Na verdade, você era viciada na adrenalina dos assaltos, na sensação de poder que o empunhar de uma arma lhe proporcionava, e queria estar lá, junto, tocando o terror naquelas pobres vítimas.

E você pensava ainda que aquele casal de ricaços idosos não tinha nada que guardar tanto dinheiro em casa. Que colocassem num banco, porra! Ou que pagassem pela segurança do dinheiro, não é mesmo? Fosse o que fosse, você queria aquele dinheiro todo pra si porque queria continuar bancando sua vida de luxo e de mordomias mil.

Você se sentia especialmente poderosa na noite em que foram assaltar os velhos. Você, seu filho de sete meses se remexendo animado em seu útero, seu marido com um sexy olhar de assassino carrasco e João, o informante paspalhão que cantou tudo sobre o casal de sovinas ricaços. O informante que vocês já haviam decidido matar após estarem com o dinheiro, afinal, agora você trazia mais uma boca para alimentar e dinheiro nunca é demais.

Vocês quatro estacionaram o carro perto da fazenda, se armaram até os dentes e calmamente seguiram sob o luar até a casa grande onde os velhos viviam sós. Sozinhos e abarrotados de dinheiro e joias, muito dinheiro e muitas joias, coisa de velhos que não confiam nos outros para guardar suas riquezas.

Era muito fácil, não?

Era só entrar na casa, atirar nos velhos e procurar com toda a calma do mundo o local onde guardavam o dinheiro e as joias. Tinha tudo para ser moleza demais, não?

Como adivinhariam que, no momento de render o casal, já dentro da casa, aqueles velhos filhos da puta estariam limpando suas armas? Como adivinhariam que o velho estaria com uma doze nas mãos e a velha, com uma espingarda de caça, como se estivessem esperando os assaltantes?

Você mal assimilou qual era o objeto que o velho carregava nas mãos quando ouviu o estampido do tiro que arrancou a cabeça de seu marido, fazendo com que toda a parede atrás dele se salpicasse de carne moída triturada e esmigalhada.

Você ficou ali, parada, surpresa, vendo seu marido sem cabeça em espasmos, tombando ao chão. E, antes que pensasse em reagir, ouviu o tiro da espingarda de caça que lhe atorou o braço esquerdo fora a fora, deixando-o meio pendurado em seu corpo.

A dor que você sentia era intensa, mas quando você viu João se mandar correndo escuridão adentro, você sacou que, mesmo com seu braço dependurado junto ao corpo, mesmo com seu filho agitado dentro de sua barriga lhe chutando nervoso como quem pede para que faça a coisa certa, você também precisava se mandar dali.

E você se mandou.

Com forças sabe-se lá d’onde conseguidas, você ignorou a dor e correu em direção ao carro, mas já era tarde, agora você o via se afastar já longe, pois João era só “rodas pra que te quero” para salvar apenas seu próprio rabo.

Confusa, sem saber muito bem o que fazer, você correu o máximo que pôde para dentro dos banhados do Pantanal que circundavam a fazenda dos velhos.

E você correu por um bom tempo pântano adentro. Correu e correu muito, até não aguentar mais e desmaiar sobre seu braço dependurado por um mix retorcido de carne e ossos.

Você já não sentia mais seu filho chutando sua barriga, alucinadamente, como se pedisse sua atenção. Você simplesmente não tinha mais forças para aguentar aquela dor toda e só queria desmaiar em paz e que, de agora em diante, fosse o que o diabo tivesse lhe reservado.

Assim, você não percebeu quando aquela velha senhora centenária, completamente enrugada e de lento andar, encontrou seu corpo todo fodido e o arrastou até o casebre construído sobre palafitas num rio qualquer do pantanal.

Você não despertou de seu desmaio enquanto a velha limpou seus ferimentos com um paninho úmido. Também não acordou quando a idosa retirou toda sua roupa e ficou, por um longo tempo, contemplando sua barriga de grávida. Barriga essa que fazia a senhora do pântano abrir um tenro sorriso em seu rosto carcomido pelo tempo.

Você não acordou quando a velha imobilizou com cipós suas pernas e seu braço ainda inteiro. O outro braço, inútil, não foi necessário imobilizar.

Você só acordou quando sentiu o facão empunhado pela velha senhora lhe rasgar a barriga. Aí sim, de um único suspiro, você recobrou a consciência sentindo as mãos da velha entrando em seu útero e arrancando de seu interior quentinho seu inocente filho.

Você tentou se livrar dos cipós, mas a dor lhe impossibilitava de ter as forças necessárias para se desvencilhar das amarras bem apertadas, no estilo indígena do Pantanal.

Urrando de dor, você viu quando a velha se afastou vagarosamente carregando seu filho banhado de seus líquidos gotejantes. Você sentiu o cordão umbilical se esticar até se romper por completo.

Sem forças nem para morrer, você viu quando a velha largou seu filho prematuramente nascido sobre a mesa da simplória cozinha do casebre. Seu filho que se remexia desesperado tentando chorar ou, simplesmente, gritar, sabendo que você o meteu naquela furada.

Você ainda viu a velha começar a preparar o que parecia ser uma refeição. Viu quando ela picou uma cebola inteira, acompanhada de três dentes de alho, salsinha a gosto mais cebolinha verde, para dar o gostinho da felicidade. Você a viu pegar quatro batatas e cortar em rodelas, logo antes de triturar cinco tomates num moedor de carne manual. Pelo jeito, a velha senhora adorava um molho bem grossinho. Manjericão, folhas de louro e um punhado de coentro também foram reservados para o delicioso prato que você via tomar forma diante de seus últimos minutos de vida.

Você ainda pensou, naquele instante, que, se tivesse ficado no conforto de seu grande e caro apartamento, poderia ter proporcionado segurança ao seu pequenino rebento ainda não assado. Mas, “e se” é algo que não existe. O que foi feito é o que foi feito. E ali estavam vocês, tu e teu filho, a mercê de uma cozinheira de tão rebuscado paladar. Você nos últimos suspiros e ele pronto para entrar na panela.

Seus pensamentos voltaram-se ao momento presente, quando você viu a velha senhora colocar banha de porco numa bandeja. Não muito, lógico, somente o suficiente para não deixar as carnes de seu filho grudarem no utensílio doméstico.

Você ficou completamente aterrorizada quando viu seu filho ser colocado na bandeja junto das batatas picadas. Você gritava de pavor enquanto a velha acrescentava os temperos e seu filho chorava indefeso, tomando o cheiro e o gosto de tão deliciosas especiarias.

Você ainda viu quando a senhora abriu a pequena portinha de seu forno de barro já pré-aquecido e enfiou seu filho lá dentro, fazendo com que a choradeira da criança logo se acabasse após alguns gritinhos mais agudos de dor. Ser assado vivo em tão tenra idade não é mole não, mamãe!

Você viu! Você viu! Você viu tudo, querida mamãe!

O silêncio desolador que você sentiu naquele momento lhe amorteceu os sentidos. Embora você soubesse que deveria sentir toda a dor do mundo – e ainda ser merecedora dessa dor – você nada sentiu quando a velha serrou seu crânio com um velho serrote sem fio.

Você apenas morreu em silêncio, aterrorizada, olhando cegamente para o forno de barro onde seu filho agora assava para compor o mais fantástico dos pratos macabros.

Morta, você nada mais sentiu quando a velha retirou de sua casca sem vida seus miolos ainda fresquinhos. Você nada sentiu quando ela passou sua massa cinzenta no moedor de carne e nada viu quando ela misturou aos tomates moídos que seriam cozidos com muito alho, cebola e uma pitadinha de manjericão com coentro.

Seu corpo morto não viu quando a velha senhora retirou seu filho assado do forno de barro e acrescentou o molho de miolos à gordura de porco que borbulhava na bandeja, deixando as carnes de seu filho crocantes, mas, ainda assim, macias.

Você não viu quando o tétrico prato ficou pronto e a velha o salpicou com muita salsinha e cebolinha verde.

Não viu quando ela cheirou o prato alegrando-se com o aroma indescritível de tão rara iguaria.

Você ali, morta, não viu o prazer magnânimo que a velha sentiu em suas papilas gustativas a cada grande naco da carne bem temperada de seu filho assado, que ela devorava com apetite voraz. A velha parecia estar a vida toda sem comer. E talvez até estivesse.

Você não viu a velha comer todo o seu filho, limpando até o último pequeno ossinho nem bem formado e lambendo os dedos engordurados para então, somente então, dar-se por saciada.

Ali, morta, você nem sequer imaginou que seu filho, e seus miolos, fossem ingredientes de um satânico ritual de uma milenar lenda do Pantanal, parte de um banquete de rejuvenescimento da sereia Iara, a bruxa canibal dos rios brasileiros.

Se você tivesse agüentado viva mais alguns minutinhos, teria visto que após o banquete a velha senhora sofreria uma sanguinolenta metamorfose, em que suas flácidas carnes de idosa centenária amoleceriam fazendo que, de seu interior gosmento, uma nova Iara belíssima, com rabo de sereia e tudo, saísse lá de dentro tal como uma borboleta deixa seu casulo, voltando a ser uma encantadora mulher-peixe, que voltaria a nadar nos rios, hipnotizando ribeirinhos e devorando solitários pescadores que se aventuram pelas alucinantes noites do Pantanal.

Escrito por Petter Baiestorf.

ilustração de Marcel Bartholo.

Fevereiro de 2018.

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Experimentação do Caos Cósmico (demo-tape para download)

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Não sou músico, o que não me impede de retirar alguns dos ruídos que dançam na minha cabeça para compartilhar com você. Não sou músico, o que não me impede de parir um terceiro disco inspirado no meu guru musical, Gurcius Gewdner, que afirma: “Não saber tocar nenhum instrumento não é desculpa para não fazer!”.

Essa experimentação do caos cósmico também bebe da liberdade com que Jesus Franco fazia músicas, com seu free jazz realmente livre. O minimalismo das melodias de John Carpenter também me incentivaram na busca dos ruídos cósmicos do theremin e da sujeira do sintetizador.

Gravei essa demo-tape sem pretensão nenhuma. São testes iniciais de uma mente barulhenta que está usando estes instrumentos a 24 horas e, naquela hiper-atividade dos sem-noção, quis registrar as primeiras sonoridades arrancadas  dos desarranjos hiper nucleares espaciais.

Ouça no escuro, usando fones de ouvido, no volume máximo.

DOWNLOAD

BAIESTORF – EXPERIMENTAÇÃO DO CAOS CÓSMICO (Demo-tape)

Músicas:

1- Experiência da Desconstrução Cósmica – Você assistiu o filme Dark Star? Lembra do surfista espacial que desliza rumo ao cosmos infinito sobre os escombros da espaçonave? Pois bem, este som fala de uma canção cósmica que este surfista estelar ouve no infinito, só que aqui a imaginei com as notas batidas de forma invertida no vácuo do espaço gelado.

2- Experiência Espacial Plano 2 – Tentei compartilhar a melodia que ouço quando cavalgo a baleia espacial, seguida de corais de golfinhos, nos mais tenros rincões interestelares do passado imemorial.

3- Experiência Carvão Termo-Nuclear – Ontem teve um momento em que parei dentro de um milésimo. Sentei no milésimo e quis ficar olhando as notas do silêncio barulhento. O treco é que o chão do milésimo ondula, hora pra dentro, hora pra fora. Este ondular é mais intenso pra fora, diminuindo ao re-entrar. Musiquei este milésimo aqui.

4- Experiência Espacial Plano 4 – Às vezes o espaço-tempo tem coordenadas tão relativas restritas que o fundo do espaço faz uma dobra que dá nas fossas abissais do oceano terrestre onde vivem as sereias. Nesta faixa fiz uma reflexão na linguagem delas, que é um dialeto do baleionês.

5- Experiência Caótica do Plasma EspectralO free jazz que o Jesus Franco compôs para o seu filme Vampyros Lesbos serviu de inspiração para a composição dessa canção. Digamos assim que é uma volta aos prazeres profanos terrestres. Existe duas falhas nessa canção que não são falhas.

Baiestorf Experimentação do Caos Cósmico

Novembro de 2018

57 minutos.

Capa: Tsuneo Sanda (1991).

Theremin e Sintetizador: Petter Baiestorf.

Todas as desconstruções decompostas por Petter Baiestorf.

 

Você também pode gostar dos discos abaixo (ou não):

U – “Involução no Terceiro Planeta”

Baiestorf – “Abdução”

Baiestorf – “Stupid Stupid”

Baiestorf – “Zero”

Baiestorf – “Criaturas da Lua”

O Cu: Moleza com Sacanagem Total

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Moleza com Sacanagem Total

I.

O deserto tentou me engolir. Pulei fora e rolei em direção de uma grande e úmida circunferência. Tal circunferência possuía um odor característico fácil de ser identificado. Sim, possuía odor de cu. Era um cu gigante logo abaixo de um imenso deserto de pele e não areia como os bobos imaginaram. Tudo estava claro agora, claro como uma trepada gostosa sobre a relva e eu sempre tive razão: O cu era uma circunferência, portanto, redondo. Beijo o cu gigante feliz porque sempre estive certo e os professores é que estavam errados. O belo cu é redondo !!! Re-don-do !!! Olhando diretamente para o buraco que havia no centro de tão enorme e poderoso cu, vejo uma luz no fim do reto. Fiquei deverás curioso, pensando cá com meus ovos, louco para saber o que poderia haver no fundo do cu, se é que cu tem fundo. Será que no fundo do cu haveriam criaturas monstruosas ? Vermezinhos falantes ? Lombriguinhas dançantes ? Bactérias fecais intelectualizadas pela Globo ? Realmente estou muito curioso…

II.

O amor caiu junto da sujeira e ficou sujo. Com um pequeno esforço consegui entrar no cu ciente que se não conseguir ver as criaturinhas do cu – Culenses ? – finalmente ei de saber o que é aquela luz que brilha no interior do cu.

III.

Caminhei sempre seguindo em direção a luz que brilhava no horizonte pomposo. Meus pés afundavam na merda amolecida a cada passo. Cansado sentei num caroço sangrento que havia na tripa grossa. Parecia ser o início de uma úlcera maligna. O sangue meio coagulado, meio líquido, molhou minha bunda. Ironia ou não do destino, mas o fato é que agora havia um cu dentro de um cu, ou seja, meu cu dentro daquele enorme cu solitário no deserto de pele. Melhor um cu dentro de um cu do que um cu com cu. Porém, para minha surpresa, o tal cu gigante possuía vários cuzinhos em seu interior. Suas paredes cheias de remelas e cascas fecais secas possuíam uma imensa galeria de cus de todos os tipos e variados cheiros. E para espanto geral, aqueles cuzinhos pequeninos falavam. Porra do caralho caralhudo, um cu gigante que tem vários cuzinhos e um cuzão dentro dele. Aliás, tem dentro dele um cuzão com seu próprio cu, perplexo, olhando descaradamente para a parede de cuzinhos falantes. Bem, aproveitarei a oportunidade e farei perguntas, como todo bom curioso deve se portar.

IV.

Sentado na úlcera pergunto aos cuzinhos do cu sobre a misteriosa luz que havia a nossa frente. Eles, sempre em coro – depois descobri que todos os cuzinhos faziam parte de um único cérebro pensante e todo poderoso – me respondem que aquela luz é o centro do Universo e que dali surgiu tudo já expurgado para dentro da humanidade. E completam ainda que todos são iguais perante a luz e aqueles que são diferentes são expurgados de volta a humanidade. Pensei: “Porra, eu sou diferente !!! Sou um cuzão humano com um cu e não um cu soberano com vários cuzinhos !”. Os cuzinhos gargalham debochando de mim. A luz, o centro de todo o Universo, faz um estrondo ensurdecedor e gases me carregam para fora do enorme cu que havia no deserto de pele. Enquanto vôo para fora do todo poderoso cu que rejeita os diferentes, fico pensando: “Bem que isso tudo poderia se chamar ‘O Centro Da Humanidade É Uma Luz Sem Forma Com Pequeninos Guardiões Que Falam Toda E Qualquer Língua’ !!!” e no chão caio, batendo minha cabeça no deserto, esfolando meu queixo. Finalmente sei de toda a verdade, mas acho que não irá adiantar nada pois certamente passarei por um profeta do caos enlouquecido e a esmo deverei vagar pela eternidade.

Texto de Petter Baiestorf.

Em 2000 o desenhista Reginaldo criou a HQ “O Cu“, inspirado no texto “Moleza com Sacanagem Total“, que editei no fanzine ARGHHH #29, e versava sobre o cidadão classe média brasileiro. Segue o resgate da HQ aqui: