Arquivo para poetas malditos

Aventura Galante e Fortuna

Posted in Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , on novembro 11, 2012 by canibuk

Eu faço o ponto, quando belo vai o dia,

Para a passante que, com satisfação,

À ponta da sombrinha me fisgaria

O piscar da pupila, a pele do coração.

.

E acho que estou feliz – um pouco- é a vida:

O mendigo distrai a fome na bebida…

.

Um belo dia – triste ofício! – eu assim, –

Ofício!… – velejava. Ela passou por mim.

-Ela quem? – A Passante! E a sombrinha também!

Lacaio de carrasco, toquei-a… – porém,

.

Contendo um sorriso, Ela espiou meus botões

E…estendeu a mão,

e… me deu uns tostões.

poesia de Tristan Corbière.

* Édouard-Joachim Corbière (1845-1875) morreu aos 29 anos de tuberculose. Seu trabalho ficou conhecido quando Paul Verlaine o incluiu no ensaio “Poetas Malditos”. A poesia de Tristan Corbière é considerada precursora do Surrealismo.

Literato Cantabile: Pílulas

Posted in Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 10, 2012 by canibuk

Pílulas do tipo deixa-o-pau-rolar.

na mesma base: deixa.

.

Primeiro passo é tomar conta do espaço.

Tem espaço a bessa e só

você sabe o que pode fazer do seu.

Antes ocupe. Depois se vire.

.

Não se esqueça de que você está

cercado, olhe em volta e dê um rolê.

Cuidado com as imitações.

.

Imagine o verão em chamas e fique

sabendo que é por isso mesmo.

A hora do crime precede a hora da

vingança, e o espetáculo continua.

cada um na sua, silêncio.

.

Acredite na realidade e procure

as brechas que ela sempre deixa.

Leia o jornal, não tenha medo de

mim, fique sabendo: drenagem, dragas

e tratores pelo pântano. Acredite.

.

Poesia. Acredite na poesia e viva.

E viva ela. Morra por ela se você

se liga, mas por favor, não traia.

O poeta que trai sua poesia é um

infeliz completo e morto.

Resista, criatura.

.

Sínteses. Painéis. Afrescos. Repor-

tagens. Sínteses. Poesia. Posições.

Planos gerais. “O Close-up é uma

questão de amor”. Amor.

.

Eu, pessoalmente, acredito em

Vampiros. O beijo frio, os dentes

quentes, um gosto de mel.

Poesia de Torquato Neto.

Torquato Pereira de Araújo Neto nasceu em Teresina/PI em 1944. Na década de 1960 mudou-se para o Rio de Janeiro/RJ dedicando-se ao curso de jornalismo. Em 1971 estrelou “Nosferatu no Brasil” de Ivan Cardoso, fazendo o papel de um hilário vampiro que andava de dia pelas praias cariocas. Se suicidou no ano seguinte deixando o bilhete que dizia: “Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar”.