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Blood Sabbath

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 26, 2016 by canibuk

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Blood Sabbath (1972, 86 min.) de Brianne Murphy. Com: Anthony Geary, Dyanne Thorne, Susan Damante, Sam Gilman, Steve Gravers, Kathy Hilton, Jane Tsentas e Uschi Digard.

Um veterano do Vietnã está viajando a pé pelos USA quando sofre um acidente e é encontrado por uma ninfa d’água por quem se apaixona. Alotta (Dyanne Throne), a rainha das bruxas e inimiga da ninfa d’água quer o jovem soldado para ela e, com seu clã de feiticeiras, seduz não só o soldado como, também, um padre e Lonzo, um andarilho da floresta que abrigou o soldado em sua casinha.

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Filmado em apenas 10 dias, “Blood Sabbath” é uma grande diversão que não se leva a sério em momento algum. O roteiro é todo furado, todas as atrizes ficam peladas o tempo todo, o trabalho de câmera é toscão e os diálogos nonsenses foram captados num sistema de som extremamente vagabundo, bem no clima das produções sem grana que produtores exploitations realizavam de qualquer jeito no início dos anos de 1970 para suprir a demanda por lixos cinematográficos em drive-ins e grindhouses.

blood_sabbath2“Blood Sabbath” foi dirigido pela atriz inglesa Brianne Murphy em clima de curtição (o filme parece uma grande brincadeira de amigos). Em 1960 Brianne atuou em “Teenage Zombies” de Jerry Warren e se apaixonou pela produção vagabunda americana (tendo se casado com o ator/produtor/diretor Ralph Brooke que concebeu asneiras como “Bloodlust!” de 1961). Ainda no início da década de 1960 se tornou diretora de fotografia e trabalhou em filmes de Hollywood como “Fatso” (1980) de Anne Bancroft e inúmeras séries de TV. Curiosidade: Brianne foi a primeira diretora de fotografia a trabalhar num grande estúdio de Hollywood (a função é dominada por homens).

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Ainda na equipe técnica de “Blood Sabbath” encontramos Lex Baxter assinando (como Bax) a trilha sonora do filme. Com mais de 100 trilhas nas costas, Baxter já havia trabalhado em filmes como as produções de baixo orçamento “The Bride and the Beast” (1958), de Adrian Weiss, e realizações da A.I.P., muitas dirigidas por Roger Corman, como “House of Usher/O Solar Maldito” (1960); “Tales of Terror/Muralhas do Pavor” (1962) e “The Raven/O Corvo” (1963).

blood-sabbath_frame2No elenco vemos Dyanne Thorne se divertindo horrores no papel da bruxa Alotta. Nascida em 1943 se tornou atriz e surpreendeu no softcore “Sin in the Suburbs” (1964) de Joe Sarno. Sempre adepta das produções de baixo orçamento esteve no pequeno clássico da ruindade “Wham! Bam! Thank You, Spaceman!” (1975), de William A. Levey, e entrou definitivamente para a história do cinema vagabundo ao encarnar a oficial nazista Ilsa em uma série de nazixploitations de Don Edmonds com “Ilsa: The She Wolf of the SS” (1975); “Ilsa, Harem Keeper of the Oil Sheiks” (1976) e “Ilsa the Tigress of Siberia” (1977), desta vez dirigida por Jean LaFleur (sem contar “Greta Haus Ohne Männer/Ilsa – The Wicked Warden” (1977), uma picaretagem do Jesus Franco). Sem nunca ter se livrado da personagem Ilsa, Dyanne Thorne apareceu em “House of Forbidden Secrets” (2013), produção do videomaker Todd Sheets, onde contracenou com Lloyd Kaufman da Troma. Entre as garotas peladas de “Blood Sabbath” encontramos ainda Jane Tsentas (atriz em mais de 40 sexploitations, incluindo deliciosas bobagens como “The Exotic Dreams of Casanova” (1971) de Dwayne Avery e “Terror at Orgy Castle” (1972) do especialista em satanismo retardado Zoltan G. Spencer), Kathy Hilton (atriz em mais de 60 produções, incluindo “Sex Ritual of the Cult” (1970) de Robert Caramico, um filme satânico tão imbecil quanto “Blood Sabbath”; “The Toy Box” (1971) de Ron Garcia e “Invasion of the Bee Girls/Invasão das Mulheres Abelhas” (1973) de Denis Sanders) e, segundo o site IMDB, Uschi Digard (atriz que dispensa apresentações aos fanáticos por filmes bagaceiros), que não consegui identificar na cópia ruim que tenho do inacreditável “Blood Sabbath”.

Por Petter Baiestorf para seu livro “Arrepios Divertidos”.

Assista “Blood Sabbath” aqui:

El Pantano de los Cuervos

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 13, 2016 by canibuk

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El Pantano de los Cuervos (“The Swamp of the Ravens”, 1974, 83 min.) de Manuel Caño. Com: Ramiro Oliveros, Marcia Bichette e Fernando Sancho.

el-pantano-de-los-cuervosEssa co-produção entre os países Espanha/Equador me impressionou de uma maneira bastante positiva. A muitos anos que ouvia sobre essa produção e a imaginava um daqueles filmecos apenas divertidos. Mas não, além de divertido, “El Pantano de los Cuervos” é sujão, pesado e muito eficiente no seu clima de desespero ao contar a história de um médico que dá as costas para a ética profissional da medicina e realiza experiências nada convencionais para provar que a morte é uma evolução do ser humano. Como toda boa produção exploitation o filme tenta agradar várias parcelas do público apresentando pequenas doses de deficientes físicos reais, nudez feminina, uma autopsia real (no Equador, pelo visto, é possível comprar um cadáver real para fins cinematográficos), zumbis no pântano dos corvos (que são urubus e não corvos), médicos loucos, necrofilia (mas não espere nada tão explícito quanto no alemão “Nekromantik”) e uma belíssima canção brega cantada num cabaré que fala sobre o amor a um manequim fazem deste filme um item obrigatório na coleção de qualquer cinéfilo fã de bons delírios psychotrônicos.

el-pantano-de-los-cuervos_frameManuel Caño, que assina “El Pantano de los Cuervos” com o pseudônimo Michael Cannon, havia realizado alguns dramas em parceria com Silvio F. Balbuena (“Siempre em mi Recuerdo”, 1962, e “Sonría, Por Favor”, 1964) antes de conhecer Umberto Lenzi e seu roteiro para a aventura “Tarzán em La Gruta Del Oro/Zan, O Novo Rei das Selvas” que contava a história de um prestativo Tarzan ajudando belas amazonas (com destaque à bela Kitty Swan no papel da rainha amazona) em sua luta contra gangsters que queriam roubar o ouro sagrado da tribo de beldades. O pequeno sucesso comercial desta aventura foi o suficiente para que Caño e o roteirista Santiago Moncada repetissem a dose com “Tarzán y El Arco Iris” (1972), outra aventura de Tarzan, desta vez com Peter Lee Lawrence – habitual pistoleiro em westerns – no elenco. Mas os anos de 1970 estavam a pleno vapor e o cinema de horror era barato de se produzir e com distribuição/público garantidos. Com isso em mente a dupla Caño-Moncada realizou a dobradinha “El Pantano de los Cuervos” e “Vodú Sangriento” (1974), este último uma chupação de “The Mummy/A Múmia” (1932) de Karl Freund onde um poderoso sacerdote vodu do Caribe (interpretado pelo ator Aldo Sambrell que, também, esteve no elenco dos clássicos “Per um Pugno di Dollari/Por um Punhado de Dólares” e “Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo/Três Homens em Conflito”, ambos de Sergio Leone) revive num transatlântico de luxo e decapita várias pessoas. Sem muito sucesso no horror, Caño realiza ainda a comédia “A Mí Qué me Importa Que Explote Miami” (1976) e os obscuros “Perro de Alambre” (1980) e “Carta a Nadie” (1984), filmes que ficaram restritos ao mercado espanhol.

frameSantiago Moncada nasceu em 1928 em Madrid. Foi roteirista, dramaturgo e, durantes anos, presidente da Sociedad General de Autores y Editores da Espanha. Foi autor de mais de 50 obras para o teatro e uma infinidade de roteiros para o cinema espanhol. Entre seus maiores sucessos estão filmes como “Il Rosso Segno Della Follia/O Alerta Vermelho da Loucura” (1970) de Mario Bava; “La Última Señora Anderson/A Quarta Vítima” (1970) de Eugenio Martín; “Tutti i Colori Del Buio” (1972) de Sergio Martino que trazia uma história de Moncada roteirizada por Ernesto Gastaldi; o incrivelmente genial “Condenados a Vivir/Cut-Throats Nine” (1972), western sobre a cobiça humana dirigido por Joaquín Luis Romero Marchent; “Il Bianco Il Giallo Il Nero/O Último Samurai do Oeste” (1975) de Sergio Corbucci, spaghetti western em ritmo de comédia estrelado pelo trio Giuliano Gemma – Tomas Milian – Eli Wallach; sem contar os delirantes trashes “La Esclava Blanca” (1985); “Juego Sucio em Casablanca” (1985) e “Las Últimas de Filipinas” (1986), todos com direção do mestre Jesus Franco e seu estilo “um novo filme a cada semana”.

“El Pantano de los Cuervos” continua inédito em DVD no Brasil. Nos USA saiu em Double feature com “The Thirsty Dead” (1974) de Terry Becker.

Por Petter Baiestorf para seu livro “Arrepios Divertidos”.

Assista “El Pantano de los Cuervos” aqui:

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Chapado

Posted in Cinema, download, Manifesto Canibal, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 12, 2016 by canibuk

Chapado (1997, 30 min.) Escrito, Produzido, Estrelado e Dirigido por Petter Baiestorf, Coffin Souza e Marcos Braun. Também estrelando: Jorge Timm no papel de Tor Johnson.

Sinópse: Três michês resolvem se trancar dentro de um filme e ficam se utilizando de todo tipo de drogas em loop toda vez que algum cinéfilo voyeur insiste em ficar tentando entender suas desventuras com as drogas e cinema.

chapado20 anos atrás, em meados de 1996, Coffin Souza e Marcos Braun se reuniram comigo para elaborarmos um roteiro sem começo, meio e fim que simplesmente mostrasse um grupo de amigos se chapando sem qualquer tipo de moralismo ou explicações. Então, ao invés de escrevermos um roteiro, ficamos sentindo as drogas e o álcool durante um mês e registrando sem nos preocuparmos com a narrativa e com o público. A ideia era deixar correr e, depois, ver no que ia dar.

Por motivos mais do que óbvios, não lembro direito das filmagens. Sei que ficamos uns 6 meses nesta experiência lisérgica colhendo material para montar um filme e experimentando sentimentos diversos. Filmamos no Oeste de Santa Catarina, interiorzão do RS e acabamos realizando algumas cenas em Porto Alegre.

digitalizar0027Mas as filmagens tiveram vários momentos divertidos. Antes de começar a experiência fomos até numa festa tradicional da região Oeste e vimos uma iluminação dando sopa num stand de uma concessionária de carros e resolvemos roubar pela curtição de fazer algo errado. E lá fomos Braun e eu completamente grogues de uísque roubar  a luz, só que saímos correndo com ela sem perceber que ainda estava plugada numa tomada, fazendo o maior estardalhaço, com seguranças correndo atrás de nós e o Jorge Timm bêbado com o carro, onde iríamos entrar, em zigue e zague na nossa frente. Depois que iniciamos as filmagens, quase fui atropelado ao filmar sobre a ponte do Rio Uruguai, na divisa entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A cena em questão não estava sendo gravada ainda, mas depois simulamos novamente para ter o momento no filme (essa cena simulada está no filme). Neste mesmo dia também me pendurei numa escada enferrujada – e quase soltando – que havia no meio da ponte.

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Como queríamos uma cena de impacto no filme, resolvemos invadir um cemitério e cavar uma tumba por lá (vazia, lógico, não somos tão retardados assim). Só que chegando no cemitério avistamos uma cruz gigante e então acabamos realizando uma performance festiva nesta cruz gigante – cena que está no filme – que diz muito sobre o que achamos que qualquer tipo de religião faz com o povo. Assim que terminamos de filmar essa cena apareceu um cortejo fúnebre no cemitério, foi engraçado a gente saindo de fininho com pás, enxadões e o ator se vestindo. Talvez tenhamos traumatizado aquela família que só queria enterrar um ente querido. Em tempo: Os créditos de “Chapado” foram inseridos na metade do filme, então para ver essa cena da cruz é só continuar assistindo o filme pós os créditos finais.

“Chapado” nunca foi oficialmente exibido em lugar nenhum, sabemos que não é um filme para qualquer audiência. Mas foi feito e adquiriu vida própria, então volta e meia alguém que viu ele nos tempos do VHS (ele era comercializado numa fita junto do “Bondage 2 – Amarre-me, Gordo Escroto!!!“) me comenta que curte ficar sentindo o filme enquanto fuma um. Em DVD ele faz parte do DVD “Festival Psicotrônico Vol. 1”.

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Se você quiser conhecer o filme, pode baixar clicando no nome do filme: CHAPADO. Claro que é bem possível que você venha a odiar essa produção e achar que perdeu meia hora de sua vida (caso seja um destes fãs de cinemão de Hollywood). É só um filme pra ser sentido, como se fosse uma vídeo poesia das mais feias e cretinas – porque poetas, necessariamente, não tem a obrigação de serem bonzinhos e compreensivos.

Falta de lembranças de Petter Baiestorf.

Dei sequencia a essas experiências em 2005 com o filme “Palhaço Triste” que você pode assistir online:

Chiquitas Rosas na Cauda do Cometa

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 11, 2016 by canibuk

The Pink Chiquitas (1987, 83 min.) de Anthony Currie. Com: Frank Stallone, Bruce Pirrie, Elizabeth Edwards e Claudia Udy.

pink-chiquitas-1987A década de 1980 foi um celeiro mundial de cinema nonsense com senso de humor cretino, legando para a eternidade inúmeros filmes idiotas impossíveis de serem levados a sério, como este “The Pink Chiquitas”. Aqui um meteoro rosa caí na pequena cidade de Beamsville onde Tony Mareda (Frank Stallone), o maior detetive particular do mundo, está sendo perseguido por mafiosos. Durante um tiroteio no drive-in local (que exibia o filme falso “Zombie Beach Party 3”) acabam encontrando o meteoro rosa que transforma as mulheres em ninfomaníacas. Tony Mareda, com ajuda de alguns bobos locais, começa a investigar os estranhos acontecimentos que envolvem as pacatas mulheres da cidade, agora transformadas em doidas varridas independentes que matam homens durante o sexo. Organizadas sob a liderança da bibliotecária Mary Ann (Elizabeth Edwards), vestidas com roupas rosas, armadas até os dentes (incluindo um tanque de guerra com camuflagem rosa), as novas fêmeas da cidade pretendem tornar todos os homens em verdadeiros zumbis sem energia nem vontade própria. Quando Tony Mareda é capturado pelas ninfomaníacas é escolhido pelo meteoro rosa para ser o reprodutor de uma nova raça, até que um de seus parceiros descobre que o meteoro pode ser combatido com… água! Pura bobagem oitentista imperdível!!!

the-pink-chiquitas2“The Pink Chiquitas” é o único longa do canadense Anthony Currie, curta-metragista que escreveu e dirigiu “These Foolish Things” (1977), “Sentimental Fool” (1978) e “Productivity and Performance By Alex K.” (1984), todos eles estrelados por seu amigo Bruce Pirrie. Como a maioria das produções canadenses, o filme se disfarça de norte-americano e traz Frank Stallone, irmão de Sylvester, completamente a vontade com sua simpática canastrice. Frank nasceu em New York no ano de 1950 e se tornou ator e compositor. O início de sua carreira foi como cantor de jazz e conseguiu emplacar um sucesso, “Far From Over”, música que está na trilha sonora de “Staying Alive/Os Embalos de Sábado Continuam” (1983), genial (talvez eu seja o único que acha isso) continuação de “Saturday Night Fever/Os Embalos de Sábado À Noite” (1977) dirigido por Sylvester onde, além da música, aparece fazendo um pequeno papel como guitarrista de uma banda. Tendo feito pequenos papéis nos filmes do irmão (está na série “Rocky” e em “Paradise Alley/A Taberna do Inferno”), “The Pink Chiquitas” foi sua estreia num papel principal e revelou que Frank leva muito jeito para a comédia. Em seguida Frank trabalhou em “Barfly” (1987), de Barbet Schroeder, filme escrito por Charles Bukowski; “Fear/Momentos de Terror” (1988), ação de Robert A. Ferretti e, então, começou a ser chamado para inúmeros filmes B como o horror “Masque of the Red death” (1989), de Alan Birkinshaw, com roteiro baseado em conto de Edgar Allan Poe; “The Roller Blade Seven/Patinadores do Futuro” (1991) e sua continuação “Returno f the Roller Blade Seven” (1992), ambos do divertido diretor Donald G. Jackson; o terror “Night Claws” (2013), de David A. Prior, até a comédia musical “Zero Dark Dirty” (2013) de Lex Lvovsky e Joe Walser. Nos últimos anos Frank Stallone tem aceitado papéis em vários curtas-metragens, como “ChupaCobra” (2013) de Ricky Lloyd George.

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Frank Stallone

O responsável pela trilha sonora de “The Pink Chiquitas” foi Paul Zaza, veterano compositor do cinema canadense que compôs para quase 100 filmes, incluindo aí várias produções de Bob Clark e filmes ultra divertidos como “Prom Night/A Morte Convida Para Dançar” (1980), horror de Paul Lynch; “My Bloody Valentine/Dia dos Namorados Macabro” (1981), de George Mihalka; “The Brain/O Cérebro” (1988), alucinada produção de Ed Hunt sobre um programa religioso de auto-ajuda que enlouquece a audiência; e “Flesh Gordon Meets the Cosmic Cheerleaders” (1990) de Howard Ziehm, continuação do clássico erótico “Flesh Gordon” de 1974.

the-pink-chiquitas“The Pink Chiquitas” tem um climão de farsa típico da década de 1980, muitas cenas do filme parecem saídas de uma história em quadrinhos da revista MAD, como quando Tony Mareda está pescando e é puxado por um peixe e sai esquiando no lago com duas tábuas do píer grudadas em seus pés fazendo as vezes de Sky aquático ou quando o gay da cidade tenta se passar por uma chiquita e o meteoro rosa detecta-o como homem. É uma pena que o diretor Anthony Currie não tenha conseguido rodar mais comédias nesta linha. “The Pink Chiquitas” vai agradar em cheio aos fãs de filmes como “Midnight Movie Massacre/Aconteceu à Meia-Noite” (1988) e “Lobster Man From Mars/O Fim do Planeta Marte” (1989).

Infelizmente continua inédito (e pouco conhecido) no Brasil.

Por Petter Baiestorf para seu livro “Arrepios Divertidos”.

Assista “The Pink Chiquitas” aqui:

O Primeiro Homem Incrivelmente Derretido pelo Espaço Sideral

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 8, 2016 by canibuk

The First Man Into Space (“O Primeiro Homem no Espaço”, 1959, 77 min.) de Robert Day. Com: Marshall Thompson, Marla Landi e Bill Edwards.

first-man-into-spaceO arrogante astronauta Dan Prescott (Bill Edwards) é o primeiro homem a viajar para o espaço em uma série de voos experimentais. Já em seu primeiro voo desobedece a seu comandante – e irmão – Charles Prescott (Marshall Thompson) e cria uma tensão desnecessária na missão espacial. Alguns dias depois, já em novo voo, Dan novamente desobedece ao comando espacial e acaba exposto à raios cósmicos desconhecidos que o contaminam com uma estranha substância que faz com que sua carne fique meio derretida. Após conseguir pousar no planeta Terra Dan passa a perambular deformado por fazendas em busca de sangue fresco de animais, o precioso líquido vital é sua alimentação nesta nova forma monstruosa. Como sua sede por sangue só aumenta, acaba atraído a um banco de sangue humano onde, acidentalmente, mata uma enfermeira (e nós, público, temos um primeiro vislumbre da ótima make up criada para a criatura). first-man-into-space_frame1Paralelo aos ataques do astronauta derretido (com destaque a cena onde ele mata dois policiais em plena luz do dia e podemos ver seu corpo inteiro infectado numa visão que deve ter aterrorizado as audiências da época), seu irmão Charles conduz uma investigação para tentar localizá-lo para um possível tratamento. O final deste delicioso Cult é bem atípico para as produções da época, ao invés da carnificina desenfreada o astronauta infectado, consciente de sua condição, é guiado para uma câmera atmosférica onde tentarão reverter sua estranha maldição cósmica.

Veja o trailer de “First Man Into Space” aqui:

first-man-into-space_frame2Fruto típico da época em que foi concebido (o comandante da missão, por exemplo, mexe em todas as provas contaminadas sem o uso de luvas), “First Man Into Space” é uma boa produção de baixo orçamento que conta com alguns deslizes (como o foguete que caí no planeta Terra, mas que foi largado pela produção do filme entre meio a árvores e arbustos de uma maneira que parece que ali está a muitos anos) e muitos acertos, a começar pela ótima maquiagem do astronauta derretido criado pelo artista Michael Morris, que depois viria a trabalhar nos clássicos “Quatermass and the Pit/Sepultura Para a Eternidade” (1967) de Roy Ward Baker; “The Elephant Man/O Homem Elefante” (1980) de David Lynch e “Lifeforce/Força Sinistra” (1985) de Tobe Hooper, um de seus últimos trabalhos. Para dar vida a repugnante criatura de “First Man Into Space” Morris criou um traje de corpo inteiro, com pequenos orifícios para a visão, que só permitia filmar por curtos períodos de tempo já que era muito quente e tornava a respiração do ator Bill Edwards (sim, é ele dentro do traje) extremamente difícil.

first-man-into-space1Por pouco “First Man Into Space” não teria existido. Originalmente seu roteiro se chamava “Satellite of Blood” e tinha sido rejeitado pela produtora A.I.P. da dupla Samuel Z. Arkoff e James H. Nicholson. Após a recusa Alex Gordon (que trabalhava na A.I.P. produzindo os primeiros filmes de Roger Corman, como “Apache Woman” (1955), “Day The World Ended” (1955), “The Oklahoma Woman” (1956), entre outros, incluindo também muitos filmes com direção de Edward L. Cahn) enviou o roteiro para seu irmão Richard que, junto de Charles Vetter, havia fundado a Amalgamated Productions e, após re-escrito (bebendo da influência de “The Quatermass Xperiment” (1959), um grande sucesso da Hammer Film dirigido por Val Guest), a produção do filme decolou rumo ao sempre incerto mercado do cinema vagabundo. Como a Amalgamated Productions já havia chamado atenção com dois lucrativos filmes, “Fiend Without a Face” (1958), de Arthur Crabtree, e “The Haunted Strangler” (1958, também conhecido pelo título “Grip of the Strangler”) de Robert Day e estrelado por Boris Karloff, a dupla de produtores conseguiu para “First Man Into Space” um acordo de distribuição com a MGM, fato que garantiu um orçamento mais polpudo a produção (e a bilheteria do filme não fez feio, sendo um dos filmes mais lucrativos da produtora).

first-man-into-space_cardsRichard Gordon foi produtor de inúmeras produções de baixo orçamento, com destaque para filmes como “L’Ultima Preda Del Vampiro/The Playgirls and the Vampire” (1960) de Piero Regnoli; “Curse of the Voodoo” (1965) de Lindsay Shonteff; “The Projected Man” (1966) de Ian Curteis; o genial “Island of Terror” (1966), do sempre competente Terence Fisher; “Secrets of Sex” (1970) e “Horror Hospital” (1973), ambos com direção do rebelde Antony Balch (um homem que nunca andava de carro preferindo utilizar somente motocicletas e que, durante a produção deste último filme, foi convencido pelo produtores a circular apenas em limusines); The Cat and the Canary” (1978), do ótimo diretor pornô Radley Metzger se ariscando em outro gênero, e o Cult de sci-fi/horror “Inseminoid” (1981) de Norman J. Warren. Gordon fundou, na década de 1950, a Amalgamated Productions com Charles F. Vetter que, sob pseudônimo de Lance Z. Hargreavers, escreveu roteiros de filmes como “First Man Into Space”, “Devil Doll” (1964) de Lindsay Shonteff e “Battle Beneath the Earth” (1976) de Montgomery Tully. John Croydon, um produtor já veterano do cinema britânico (ele foi produtor associado no clássico “Dead of Night/Na Solidão da Noite”, de 1945, que trazia o brasileiro Alberto Cavalcanti entre os diretores), foi chamado para organizar o set do filme e trazer paz para o diretor Robert Day, um diretor eficiente, rápido e barato que já havia trabalhado com a produtora antes dirigindo o sucesso “The Haunted Strangler” e o interessantíssimo “Corridors of Blood” (1958), um bonito drama de horror sobre os primórdios da medicina moderna estrelado por Boris Karloff e Christopher Lee. Robert Day acabou migrando para a televisão onde dirigiu vários filmes com a personagem Tarzan e outras séries de TV.

first-man-into-space2“First Man Into Space tem trilha sonora assinada por Buxton Orr, o compositor habitual da Amalgamated. Orr foi o responsável pela trilha sonora de produções como “Doctor Blood’s Coffin/O Esquife do Morto-Vivo” (1961), com direção do então jovem Sidney J. Furie e roteiro de Nathan Juran, e “The Eyes of Annie Jones” (1964) de Reginald Le Borg (outro diretor especialista em produções vagabundas que anos antes realizou o clássico “The Black Sleep/A Torre dos Monstros” (1956) com Basil Rathbone, Lon Chaney Jr., John Carradine, Bela Lugosi e Tor Johnson no elenco). O ator Marshall Thompson, que interpreta o irmão do astronauta derretido, é um habitual contratado de produções capengas, ele está no elenco de maravilhas como “Cult of the Cobra/Maldição da Serpente” (1955) de Francis D. Lyon, “Fiend Without a Face” (1958) e “It! The Terror From Beyond Space” (1958) de Edward L. Cahn.

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Para muitos, e me incluo nestes muitos, “The Incredible Melting Man/O Incrível Homen Que Derreteu” é tido como uma refilmagem de “First Man Into Space”. Todos os elementos estão lá intactos: o astronauta contaminado por algo desconhecido no espaço que volta ao planeta Terra em uma busca desesperada por comida para aplacar sua dor e, diante da incompreensão humana para com acontecimentos fantásticos, é caçado sem dó nem piedade, sendo relegado à margem da sociedade que prefere ignorar o diferente que ameaça a normalidade do belo.

Assista o trailer de “The Incredible Melting Man” aqui:

“First Man Into Space” permanece inédito em nosso mercado de vídeo, na minha opinião seria um ótimo filme para estar incluído no box “Clássicos Sci-Fi Vol. 3” da distribuidora Versátil.

Por Petter Baiestorf para seu livro “Arrepios Divertidos”.

Assista “First Man Into Space” aqui:

Baixe a Praga Zumbi aqui e Boas Festas na Alegria Gorechanchadesca

Posted in Cinema, download, Manifesto Canibal, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 6, 2016 by canibuk

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Zombio (1999) é considerado o primeiro filme autenticamente brasileiro de zumbis*, então nada mais natural do que reunir a mesma equipe 14 anos depois, acrescida de novos talentos da gorechanchada celebrada pela Canibal Filmes,e realizar a continuação daquela modesta produção fundo de quintal.

Veja trailer de “Zombio” aqui:

Zombio 2: Chimarrão Zombies” surgiu quase que por acidente. Eu vinha de projetos frustrados nos últimos 2 anos (em 2011 abortei o projeto “Páscoa Sarnenta”, longa episódico, por falta de dinheiro – mas tudo foi registrado pelo cineasta Felipe M. Guerra e pode virar um documentário ainda –  e em 2012 foi extremamente caótico, quando tentei produzir dois médias – “Rabo por Rabo” e “Psicose Tropical” – que nem saíram do papel) e dois fatores me influenciaram a produzir “Zombio 2”:

1- O lançamento em DVD de “Zombio 1” nos USA (que depois foi suspenso porque a distribuidora fechou);

2- Em 2012 fui ator no longa-metragem “Mar Negro”, de Rodrigo Aragão, e numa pausa das filmagens falei zoando que ia voltar pra Santa Catarina e produzir um longa de zumbis pra lançar no mesmo final de semana de “Mar Negro”.

zombio-2_cartazSó que fiquei matutando a ideia na cabeça e percebi que havia a possibilidade de conseguir realizar “Zombio 2” a tempo de lançar junto com “Mar Negro” durante o FantasPoa de 2013, fazendo uma espécie de dobradinha “Tropical Zombies” made in Brazil pra gringo ver. Só com a ideia na cabeça falei com os Fantaspoas (Nicolas e JP) e eles guardaram uma data pro lançamento. Então fiz um poster bagaceiro pra registrar a ideia e Leyla Buk desenhou o Storyboard de uma cena que eu iria incluir no roteiro – ainda não escrito – e comecei a reunir investidores e a equipe-técnica para 2 blocos de filmagens (que juntos representaram 23 dias de trabalhos duros). É uma tensão muito grande você ter até data de lançamento de um filme já confirmada e ainda não ter roteiro, nem dinheiro, nem equipe, nem data para iniciar as filmagens, mas foi um exercício de produção interessante.

zombio-2-pEntre dezembro de 2012 e janeiro de 2013, escrevi o roteiro, consegui 9 produtoras para me apoiarem financeiramente e com equipamentos – El Reno Fitas, Camarão Filmes e Ideias Caóticas, SuiGeneris Filmes, Bulhorgia Produções, Shunna, Fábulas Negras Produções, Necrófilos Filmes, Zumbilly e Gosma – e levantei uns 40 mil reais. Em fevereiro já estávamos filmando nossos zumbis tropicais com todas as alegres cores da morte. Entre o primeiro e o segundo bloco achei que não seria possível conseguir finalizar o longa até a data do Fantaspoa (em maio de 2013), porque tivemos que marcar o segundo bloco de filmagens pra abril de 2013. Mas os FantasPoas pediram pra manter a data. Bem, voltamos pro set e terminamos as filmagens, imediatamente após o término voei pro Rio de Janeiro e fiquei trancado com Gurcius Gewdner durante 18 dias montando o filme (ele foi todo filmado com duas câmeras, quase 1 terra de material bruto) e, faltando 3 dias pro lançamento no FantasPoa 2013, conseguimos finalizar o primeiro corte do longa. Foi uma aventura muito divertida.

Veja o trailer de “Zombio 2” aqui:

E agora estou disponibilizando para download uma cópia de “Zombio 2: Chimarrão Zombies”, em baixa qualidade, para que você possa conhecer essa produção que nasceu quase por acaso. Se você quiser o filme em maior qualidade pode comprar pela loja MONDO CULT.

Para baixar o filme, clique no título: ZOMBIO 2: CHIMARRÃO ZOMBIES. E ajude a espalhar essa praga zumbi para todos os cantos do planeta Terra.

Por Petter Baiestorf.

*tem alguns outros filmes de zumbi filmados antes de Zombio (1999), mas são produções que não saíram de suas cidades. Eu mesmo, em 1993, havia lançado “Criaturas Hediondas” onde um zumbi marciano dá as caras. Em 1996 criei um zumbi sedento por drogas no “Blerghhh!!!” (cujo diário de filmagens você pode ler clicando aqui). Mas Zombio foi o primeiro com hordas de mortos-vivos podres comendo pessoas explícitamente, como num bom filme de Lucio Fulci.

Aliens Fora da Lei

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 5, 2016 by canibuk

Alien Outlaw (1985, 90 min.) de Phil Smoot. Com: Kari Anderson, Lash La Rue e Sunset Carson.

alien-outlawSeria possível o blockbuster “Predator/Predador” (1987), de John McTiernan, ter se inspirado em um obscuro filme lançado dois anos antes? Essa é uma daquelas perguntas que talvez nunca tenhamos a resposta (e pouco importa a resposta), mas o fato é que “Alien Outlaw”, filmado em 16mm com orçamento digno de produções de fundo de quintal, trazia para as telas inúmeros elementos depois vistos em “Predador”. Vejamos: Um trio de aliens (com visual parecido, mas não tão rico quanto os aliens de seu primo milionário) caem com sua espaçonave nos arredores de uma cidadezinha e resolvem estuprar e matar todos os humanos que conseguirem. Casualmente Jesse Jamison (Kari Anderson), uma pistoleira que ganha a vida realizando shows de tiros, está tentando a sorte com seu número nesta mesma região e acaba atrapalhando os planos de diversão dos alienígenas (ao ver o filme fiquei o tempo todo me perguntando porque os aliens não tinham suas próprias armas, já que eles ficam o tempo todo tentando achar armas terrestres para sua matança desenfreada).

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Com uma trilha sonora deliciosa, que vai de balada country açucarada até som pop tipicamente dançante dos anos de 1980, figurinos bombásticos  (a roupinha sexy que a pistoleira usa boa parte do filme é um tesão) e efeitos especiais horríveis (as cenas da espaçonave, em especial, são espetaculares de tão toscas) fazem desta produção uma ótima pedida para uma sessão dupla com “The Galaxy Invader” (1985) de Don Dohler.

karin-andersonKari Anderson, que interpreta a heroína do filme, é maquiadora facial (responsável por embelezar atores e atrizes em produções como “Tasmanian Devils/Demônios da Tasmânia” (2013) de Zach Lipovsky e “Extraterrestrial” (2014) de Colin Minihan) e em “Alien Outlaw” vemos sua única tentativa de se tornar atriz, uma pena, já que esbanja carisma na tela e possuí um rosto ímpar (ela lembra Mary Woronov jovem). O filme ainda resgata os atores Lash La Rue e Sunset Carson que, na década de 1940, estiveram presentes em inúmeros westerns. La Rue se destacava por sua habilidade com o chicote, tanto que na década de 1980 foi o responsável por ensinar vários truques ao ator Harrison Ford quando este estava criando sua personagem Indiana Jones.  La Rue estrelou westerns como “Wild West” (1946) de Robert Emmett Tansey e “Fighting Vigilantes” (1947) de Ray Taylor, e também foi músico regular nas Jam sessions no Dew Drop Inn em New Orleans.Sunset Carson foi peão de rodeios no início de sua carreira, até que chamou a atenção de um produtor executivo (Lou Grey) da Republic Pictures e passou a trabalhar como ator em westerns como “Bells of Rosarita” (1945), de Frank McDonald e estrelado pelo lendário Roy Rogers e seu cavalo Trigger, e “The El Paso Kid” (1946) de Thomas Carr.

alien-outlaw1Phil Smoot só dirigiu ainda outro filme, “The Dark Power” (1985), outra produção bem modesta em 16mm que mostra espíritos indígenas azucrinando os inquilinos de uma casa, também com Lash La Rue no elenco e que foi lançado em VHS no Brasil pela Poletel com o título “Toltecs – A Maldição”. Smoot foi produtor de inúmeros filmes de baixo orçamento, à destacar “The Boneyard/A Maldição do Necrotério” (1991) de James Cummins e “Tara/Ratos Assassinos” (2003) de Leslie Small, estrelado por Ice-T. Phil Smoot iniciou sua carreira cinematográfica no departamento elétrico do filme “Hot Summer in Barefoot County” (1974) de Will Zens e que nos USA foi distribuído pela Troma.

“Alien Outlaw” é um filme ruim involuntário, daqueles que ficam na cabeça muito tempo após a sessão. Você percebe que todos os envolvidos no projeto deram o melhor de si, mas que por uma estranha combinação de forças do destino o resultado foi apenas um delicioso filme vagabundo mal feito imperdível. Sorte nossa!

Veja “Alien Outlaw” resumido em um minuto aqui: