Arquivo para raphael araújo

Aberto Catarse de Apoio ao Centro Cultural UDU

Posted in Anarquismo, Arte e Cultura, Entrevista with tags , , , , , , , , , , , , on agosto 30, 2013 by canibuk
Espaço UDU.

Espaço UDU.

“O Espaço Underground do Underground (UDU) é a materialização de uma ideia positiva de coletivos que buscam proporcionar encontros e trocas num ambiente receptivo e potencializador das criatividades locais ou de outras regiões.

Formado por 4 coletivos, Editora Intuitiva (ex-coletivo La Revancha), Camarão Filmes e Ideias Caóticas, Ethos Diálogos Visuais e pela gravadora Crimes pela Juventude. O espaço, além de ser uma sede coletiva, funcionará como centro cultural independente promovendo eventos variados e incentivando a produção, divulgação e circulação cultural independente.

Localizado no bairro de Bento Ferreira, próximo a Av. Vitória, o espaço precisa de reformas que estão acima de nossas condições financeiras, a ideia de fazer um crowdfound vem no encontro do espírito de comunidade em que nossas raízes culturais foram criadas, esbarramos em custos materiais que estão além da nossa capacidade faça-você-mesmo de resolver, mas que uma comunidade cooperativa pode facilmente resolver com pequenas contribuições.

Os valores aqui acumulados serão usados exclusivamente na compra de materiais para a reforma do Espaço UDU, localizado próximo a Av. Vitória, na rua João Balbi, ao lado do colégio Aristóbulo Barbosa Leão. A prioridade é o sistema de energia elétrica e toda a estrutura do telhado, itens básicos para a ocupação efetiva do espaço.”

Salas do Espaço UDU aguardando reforma.

Salas do Espaço UDU aguardando reforma.

Quem puder ser apoiador financeiro para as reformas deste espaço de cultura independente surgido em Vila Velha/ES, atesto aqui, a seriedade do projeto. Já tive o prazer de trabalhar com Alexandre Brunoro, da produtora Camarão Filmes & Ideias Caóticas, que foi maquiador no meu longa-metragem “Zombio 2: Chimarrão Zombies” (e que já havia falado muitas coisas boas sobre este espaço coletivo dedicado à cultura independente), um excelente profissional com quem espero trabalhar ainda em muitas oportunidades. Aliás, a produtora Camarão Filmes também nos emprestou seu equipamento de som para a captação dos diálogos de “Zombio 2”, tudo isso na camaradagem. Espaços assim, independentes da grana do estado ou municípios (para não haver politicagem) , deveriam surgir em todas as cidades brasileiras, dado sua importância. Você pode ajudá-los nas reformas apoiando-os via CATARSE DO ESPAÇO UDU (clique no link). Há inúmeros valores que você pode doar, de singelos R$ 15.00 até a importância mais substancial de R$ 1.000,00. Aliás, fica a dica para pessoal de Vila Velha/ES que tenha construtora, ou contato com alguém de construtoras, para que deem uma colaboração ao grupo que a cidade só tem a ganhar com o Espaço UDU. Apoiar espaços culturais é a melhor forma de você ajudar na educação do povo brasileiro.

Colabore na reforma do Espaço UDU.

Colabore na reforma do Espaço UDU.

“Todas as pessoas envolvidas com o projeto possuem um envolvimento e um histórico em produção cultural que vão desde de organização de shows, exposições, produção audiovisual, publicações, lançamento de discos e oficinas. Em sua maioria possuem formação ligadas ao campo das ciências humanas como Artes Visuais, Artes Plásticas, Design, História, Ciências Sociais e Filosofia. Abaixo segue uma pequena descrição de alguns grupos/coletivos que estão envolvidos com o Espaço UDU.”

Sua ajuda nas reformas do Espaço UDU fortalece o underground nacional.

Sua ajuda nas reformas do Espaço UDU ajuda a fortalecer o underground nacional.

Entrevista com o Raphael sobre o Espaço UDU:

Baiestorf: O que é o Espaço UDU?

Raphael Araújo: O espaço Underground do Underground (UDU) é a materialização de uma ideia positiva formada por 4 coletivos criativos – Editora Intuitiva (ex coletivo La Revancha), Camarão Filmes e Ideias Caóticas, Ethos Diálogos Visuais e pela gravadora Crimes Pela Juventude – um espaço que além de ser sede coletiva, funcionará como centro cultural independente promovendo eventos variados e incentivando a produção, divulgação e circulação cultural independente.

Trabalhando UDU

Baiestorf: O que vocês já tem de concreto para o funcionamento do Espaço UDU?

Raphael Araújo: O que temos de mais concreto, sem dúvida, são nossas produções individuais e coletivas. Nos últimos anos temos nos dedicado à diversas atividades criativas independentes como:  organizações de eventos como shows, exposições e oficinas, produção de vídeos, música, trabalhos de artes, design gráfico e publicações de zines, livros e textos. Estas produções são diretamente ligadas as vivências com o meio underground e principalmente com o punk. Este trazendo a filosofia do “faça você mesmo”, que é presente em tudo o que fazemos e nos impulsiona a colocar ideias criativas fora do campo das ideias.

Desde o ano passado foi criada uma revista/ fanzine virtual que se chama UDU. Funciona como um espaço virtual para divulgação e publicação de material independente, possuindo inúmeros colaboradores que vem de diversas partes do Brasil. Por enquanto ela é somente virtual, pois é um espaço acessível e gratuito. Mas já há uma mobilização para tentar uma edição impressa, levando a revista a ter uma distribuição mais efetiva. No início desse ano, começamos a articular, principalmente pela figura do Léo Prata, a ideia de ter um espaço físico (vide resposta da pergunta 1).

Este espaço possui algumas particularidades que o tornam mais acessível e potente como: área interna grande e bem distribuída, localização boa de fácil acesso, aluguel com preço abaixo do mercado (o prédio faz parte da casa do avô do Léo). Mas o prédio precisa de reforma para ser no mínimo habitável, pois ficou muitos anos fechado e abandonado.

Outro ponto digno de nota é que todos são graduados ou estudam na área de humanas como: artes, design, história, filosofia e ciências sociais.

Baiestorf: O pessoal envolvido na organização do espaço tem uma história bonita de comprometimento com a arte independente. O Espaço UDU estará direcionado principalmente a arte independente? Como funcionará tudo?

Raphael Araújo: Sim, o espaço UDU será direcionado principalmente para cultura autoral independente. A ideia do espaço é abrigar uma galeria de artes, dando todo o suporte ao artista. Ser um lugar para encontros, vivencias e trocas. Promovendo assim: lançamentos de livros, discos, filmes, workshops, palestras, sarais, intercambio com artistas e oficinas. Há uma preocupação na distribuição de materiais independentes e para isso planeja-se uma loja, que distribuirá material independente.  Tudo isso atuando em duas frentes: virtual – através de um site que ainda em planejamento e o real – espaço físico.

Trabalhando UDU1

Baiestorf: Como pessoal poderá colaborar e qual a importância desta colaboração? E o que ganhará com isso? (Já que muita gente só ajuda se ganhar algo).

Raphael Araújo: O pessoal, neste momento, pode colaborar efetuando uma doação em dinheiro pelo site do Catarse, rede de financiamento colaborativo coletivo, e/ou divulgando o projeto aos seus contatos.No site do projeto do Espaço UDU, no Catarse, há algumas cotas que variam de valor que vai desde R$ 15,00 à R$ 1.000,00. O pessoal que doa alguma quantia recebe em contrapartida, além de nossa gratidão, algum brinde que lá está descriminado. Por exemplo quem doa R$ 15,00 ganha um adesivo do espaço. Conforme esse valor vai subindo, os brindes também vão aumentando proporcionalmente em quantidade e valor agregado. Todos os produtos são feitos por pessoas que fazem parte do grupo UDU e vão de filmes, livros, trabalho de artes, máscaras e camisas.Esses são os ganhos diretos, que são trocados instantaneamente. Há ainda outros tipos de ganhos que poderão ser contabilizados no futuro, caso o projeto se realize. A UDU poderá ser um espaço que um dos colaboradores poderá utilizar para expor, para dar oficina, para lançar material, para realizar projetos, para vender seu trabalho, enfim, muitos outros retornos não palpáveis no momento.

Baiestorf: Trabalho com produção independente e sei o quanto é difícil bancar do próprio bolso essa vida de artista no Brasil e um espaço como este que vocês estão criando é importante para dar visibilidade à trabalhos que as vezes correm risco de ficarem engavetados. Como será a seleção dos artistas para exposições e shows? É aberto à artistas de qualquer parte do mundo? Espaço sem fronteiras, isso?

Raphael Araújo: A seleção dos artistas seguirá alguns critérios, mas estes ainda não foram discutidos em grupo. Há muitas variáveis aí. É obvio que trabalhos que demonstrarem qualidade, relevância, aplicabilidade e afinidade com a proposta do espaço terão preferência. Com certeza o espaço será aberto para receber pessoas variadas e de lugares diferentes. Um espaço sem fronteiras.

Os Envolvidos na Organização do Espaço:

A Camarão Filmes e Ideias Caóticas é sediada na cidade de Vila Velha surgiu em 2001 como um grupo despretensioso a fim de gravar os próprios filmes. De maneira precária, sem recursos digitais e contando apenas com uma câmera VHS fizemos alguns curtas como “O homem que caga sangue” e “Trash Master”. Após um longo período inativo o grupo voltou, em 2012, produzindo o curta “Confinópolis – a terra do sem-chave”, isso se deu à partir de projeto aprovado por lei de incentivo.

A Crimes Pela Juventude é um coletivo sediado na cidade de Vitória desde o ano de 2004 quando seus integrantes tinham uma média de idade de 15 anos. Interessada na produção cultural independente, atua de forma contínua nos mais diversas formas de expressão: organização de shows de bandas nacionais e internacionais, promoção de bandas locais, publicação de zines, produção e distribuição de discos.

Intuitiva é uma editora e distribuidora de Vitória, sua primeira publicação impressa foi com apoio de lei de incentivo, mas ultimamente encontra-se independente em busca de sua segunda publicação impressa.

A Ethos é um coletivo multimídia criado em 2011 no Espírito Santo atuando primeiramente nos meios audiovisuais para uma abordagem documental com ponto de vista artístico e etnográfico. Dentre as principais produções os documentários, “Além do mar que há entre lá e cá”.

Colabore!!!

Underground do Underground

A Vingança dos Filmes B – Parte 2

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 22, 2012 by canibuk

De 23 a 25 de novembro a Sala P. F. Gastal (3° andar da Usina do Gasômetro) recebe a segunda edição da mostra “A Vingança dos Filmes B”!

O termo “Filme B” surge durante os anos 1920 para classificar produções baratas de pequenos estúdios (westerns, suspenses, seriados de aventura), que serviam de complemento em sessões duplas para os filmes Classe A, ou seja, aqueles realizados pelos grandes estúdios com orçamentos milionários e grandes estrelas. Os “Filmes B” eram feitos a toque de corda, em poucos dias, com astros de terceira e orçamento irrisório. Existia uma área em Hollywood conhecida como Powerty Row (cinturão da pobreza), por reunir diversas produtoras independentes que forneciam filmes de baixo orçamento que eram comprados e distribuídos pelos grandes estúdios. Esse sistema funcionou até o final dos anos 1950, quando acaba a chamada “Era de Ouro de Hollywood”. Apesar da deturpação de seu contexto original, e das modificações na simbiose entre os grandes estúdios e os produtores independentes, o termo Filme B sobreviveu adquirindo conotações diferentes, mas ainda é uma boa definição para filmes de gênero realizados fora do sistema dos estúdios, com orçamento limitado, atores desconhecidos e temática fora dos padrões. Porém, hoje a tela dos cinemas é uma realidade distante para a maioria destas produções que lutam por um espaço público de exibição.

A mostra A Vingança dos Filmes B foi concebida para servir de vitrine para produções independentes que flertem com o cinema de gênero, funcionando como um espaço democrático onde coexistam os mais variados tipos de expressão cinematográfica, do horror à comédia, passando pelos filmes sci-fi e pelo cinema de ação, sem se importar com o orçamento investido (sejam produções rebuscadas ou de orçamento zero), ou com o suporte de realização. Produções em película, digital e VHS ocupando pacificamente o mesmo espaço. Um evento destinado ao resgate e a divulgação de filmes independentes, bizarros, engraçados ou assustadores, incentivando o público a dialogar com obras que dificilmente encontram espaço nas telas dos cinemas.

Chegou a hora dos independentes retomarem o seu espaço nas telas, mas não como meros coadjuvantes, e sim como atração principal! Está na hora da Vingança dos Filmes B-Parte 2!

escrito por Cristian Verardi, curador da Vingança dos Filmes B.

PROGRAMAÇÃO

A VINGANÇA DOS FILMES B – PARTE 2

(ENTRADA FRANCA / CLASSIFICAÇÃO: 16 ANOS)

 Sexta-Feira, 23 de Novembro.

19h30- Horror.Doc (72’), de Renata Heinz

(OBS: Após a sessão debate com Renata Heinz).

Sábado, 24 de novembro

15h- 20 Anos de Canibal Produções: Baiestorf – Filmes de Sangreira e Mulher Pelada (20’),Christian Caselli + Boi Bom (12’)  + Blerghhh!!! (50’). (Após a sessão debate com Petter Baiestorf)

17h30- Sessão Trash’O’Rama: Cachorro do Mato (15’), de Maurício Ribeiro + Amarga Hospedagem (60’), de Claúdio Guidugli. (OBS: Após a sessão debate com o realizador Cláudio Guidugli)

19h30- Sessão de Curtas I: O Solitário Ataque de Vorgon (6’), de Caio D’Andrea + Rango (6’), de Rodrigo Portela + Morte e Morte de Johnny Zombie (14’), de Gabriel Carneiro + Sangue e Goma (11’), de Renata Heinz + Vontade (10’), de Fabiana Servilha + Nove e Meia (20’), de Filipe Ferreira + Rigor Mortis (20’), de Fernando Mantelli e Marcello Lima. (OBS: Após a sessão debate com os realizadores)

(total: 87 minutos).

Domingo, 25 de Novembro

15h- A Noite do Chupacabras (95’), de Rodrigo Aragão

17h- Maldita Matiné: Testículos (15’), de Christian Caselli + Street Trash (1986)de Jim Muro (90’)

19h30- Sessão de Curtas II: Raquetadas Para a Glória (7’), de TV Quase + X-Paranóia (14’), de Cristian Cardoso e Felipe Moreira  + DR (10’),de Joel Caetano e Felipe Guerra + Confinópolis – A Terra dos Sem Chave (16’), de Raphael Araújo +  O Curinga (14’), de Irmãos Christofoli + Coleção de Humanos Mortos (20’), de Fernando Rick + Rackets in London- The Olympic Dream (7’), de TV Quase. (OBS: Após a sessão debate com os realizadores).

(Total: 89 minutos).

Para ler sobre os filmes que serão exibidos, acesse o blog de Verardi.

Confinópolis – A Terra dos Sem Chave

Posted in Cinema, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 2, 2012 by canibuk

“Confinópolis – A Terra dos Sem Chave” (2011, 16 min.) de Raphael Araújo. Maquiagens de Alexandre Brunoro, Projeto Gráfico de Alex Vieira, Animação de Felipe Mecenas, Narração de Daniel Boone e Fonzo Squizzo. Com: Daniel Boone, Fonzo Squizzo e Leonardo Prata. Uma produção da Camarão Filmes.

“O medo é uma droga incrível!” diz uma das personagens de “Confinópolis” a certa altura, sobre as pessoas que se deixam manipular pelos líderes, sejam políticos, religiosos ou militares (na maioria das vezes essas três racinhas desprezíveis estão em parceria nos levantes contra o povo).

“Confinópolis” é um curta de Raphael Araújo com base em uma HQ dele mesmo que havia sido publicada na revista Prego anos atrás. A HQ virou um filme político de primeira grandeza, teorizando sobre um povo que se deixa governar por um tirano (que pode ser qualquer político, mesmo os políticos “bonzinhos”). Aqui vemos um lugar fictício onde as criaturas possuem uma fechadura no lugar do rosto e todos tem a esperança de que a salvação virá na figura de uma chave. Essa é a pequena deixa para que Araújo teorize sobre a manipulação política, sobre a televisão (um lindo flashback em animação – cortesia do artista Felipe Mecenas – explica como a sociedade ficou hipnotizada por milhares de caixas de luz hipnótica) e sobre como ações individuais podem fazer a diferença em uma sociedade. Quem fica em silêncio concorda com as atrocidades cometidas por políticos, religiosos, militares e imprensa, que sempre caminham de mãos dadas pelo jardim da tirania.

“Confinópolis” é sobre o Brasil. É uma alegoria sobre nosso povo “ordeiro e pacato”. As cenas do curta onde vemos o exército na rua controlando e descendo o cacete no povo remete de forma direta aos tempos da ditadura (ou, mais recentemente, aos morros cariocas sendo tomados pela polícia para a implantação das unidades de polícia pacificadora, onde foram relatados inúmeros casos de abuso de poder por parte da polícia e, também, remete de forma direta à força repressora do estado brasileiro à casos como a desocupação de Pinheirinho). Sai o crime organizado, entra o crime ligitimizado pelo estado!

O curta contou com o apoio de muitas figurinhas de Vitória/Vila Velha (ES), como o ator e músico Fonzo Squizzo (que é figura obrigatória nos filmes do Rodrigo Aragão), Alex Vieira (editor da Revista Prego), Guido Imbroisi (músico) e o maquiador – e também músico – Alexandre Brunoro (que trabalhou no longa “A Noite do Chupacabras” (2011) de Rodrigo Aragão e faz parte da incrível I Shit on Your Face, banda de grindcore fenomenal). Toda a parte técnica e de produção do curta “Confinópolis” está muito bem executada e resolvida. Araújo conseguiu compôr, mesmo com orçamento minguado, várias seqüências grandiosas e inesquecíveis. Em tempos onde as bancadas evangélicas do congresso brasileiro pretendem até “curar” gays, recomendo este curta que é um ótimo exemplar do novo cinema independente brasileiro, pensante e com o que dizer!

Para assistir o curta você precisa da senha: semchave

Abaixo uma pequena entrevista com o maquiador Alexandre Brunoro sobre a produção de “Confinópolis”.

Petter Baiestorf: Como surgiu o convite para você fazer as maquiagens do curta?

Alexandre Brunoro: Na verdade não houve o que poderíamos chamar de convite, até porque sou um dos idealizadores do projeto também. Já tinha experiência nesse tipo de trabalho, pois além da Camarão Filmes, desenvolvo um trabalho com a Fábulas Negras também, usei bastante do que aprendi trabalhando na pré-produção e no set de filmagens de “A Noite do Chupacabras”, posso afirmar que esse conhecimento foi crucial pra que eu pudesse assumir os efeitos especiais e maquiagens de Confinópolis.

Baiestorf: Achei a parte técnica e a produção do curta bem profissional. Qual foi o orçamento? Você pode trabalhar nas maquiagens com calma e dinheiro?

Brunoro: A produção custou pouco menos de 5 mil reais. Posso dizer que tive muita calma pra fazer este trabalho, pude experimentar algumas coisas, improvisar em outras, tínhamos material suficiente pra fazer tudo e mais ou pouco, além de termos usado lixo em boa parte das cenografias, dá prá se fazer coisas incríveis usando papelão e betume.

Baiestorf: Fale sobre seu processo de criação das maquiagens.

Brunoro: Meu processo de criação começa na hora de escrever o roteiro, tudo tem que ser pensado antes de ir pro set de filmagens. De acordo com a necessidade de cada cena eu escolho o melhor mecanismo a ser usado. Quanto ao visual dos cidadãos de Confinópolis, decidimos que seria mais fácil usar máscaras de tecido, o que facilitou bastante a minha vida, pois a maquiagem só se fez necessária em cenas onde havia sangue. O design foi baseado nas máscaras mexicanas de “lucha libre”, o que mudou foi o tipo de tecido e algumas coisas no corte, pra que a máscara pudesse se adaptar em qualquer tipo de rosto e tamanho de cabeça. Em breve estaremos disponibilizando as máscaras para serem vendidas.

Baiestorf: O preto e branco deu um visual ótimo ao filme e realçou melhor tuas maquiagens. Havia a opção de se fazer o filme colorido ou o preto e branco sempre foi a opção inicial? Porque?

Brunoro: A primeira coisa que decidimos quando estávamos escrevendo o roteiro era que o filme seria todo em preto e branco, achamos mais coerente com a ambiência que queríamos imprimir no curta, além de tornar o processo muito mais simples e barato.

Baiestorf: Numa cena uma das personagens se transmuta e o ator veste uma maquiagem de corpo inteiro com um ótimo visual. Fale sobre a criação desta cena:

Brunoro: Esta cena foi a mais difícil de filmar, pois não sabíamos direito ainda como seria a montagem, filmamos a maioria de ângulos que pensamos na hora, aproveitando bastante o ator também, que sem ensaiar conseguiu criar uma movimentação ótima. A fantasia foi composta em sua grande maioria de lixo que catamos na rua e no lixo de uma fábrica de roupas, apenas a máscara foi esculpida. Esse monstro surgiu depois de algumas pesquisas que fizemos, posso te dizer que me inspirei bastante nos monstros de programas Sentai japoneses.

Baiestorf: Fale um pouco sobre a HQ original publicada na revista “Prego”. Você se baseou nela para o design de algumas maquiagens?

Brunoro: Sim, sem dúvidas o HQ original foi a maior referência que tínhamos pra compor o visual do curta. Tivemos que adaptar algumas coisas, criar outras, cortar algumas, mas no final das contas acho que adaptamos bem a história no vídeo, prás pessoas que leram o quadrinho o filme vai soar bem fiel. O curta valorizou bastante a história do HQ, além de trazer pra vida os personagens de Confinópolis, ainda tivemos a oportunidade de finalizar a história que estava faltando o último número.

Baiestorf: O curta está sendo distribuído? Está sendo exibido em festivais de cinema? Como as pessoas podem assisti-lo?

Brunoro: Ainda estamos começando esse processo, já nos inscrevemos em alguns festivais e estamos esperando a aprovação da curadoria. Será produzido um DVD em breve, onde estaremos disponibilizando na internet pra que seja comprado, copiado, pirateado e assistido.

Assistam o quanto antes o vídeo que dispobilizamos exclusivamente aqui no Canibuk, ele não deverá ficar muito tempo online!!!