Arquivo para rock nacional

Novos Velhos

Posted in Música with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on maio 13, 2012 by canibuk

Novos Velhos é uma banda catarinense de rock’n’roll que merece ser conhecida por seu talento instrumental e como letristas de qualidade. Os caras executam extremamente bem a proposta da banda que é dar continuidade ao rock nacional com letras que digam algo interessante (algo que se perdeu no Brasil depois dos anos 90).

A banda foi formada por Anderson Kreutz, Michel Petry e Diogo Graff em 2009 e, sempre independentes, foram fazendo shows por Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná até gravarem o CD “Velha Idéia Novos Tempos” que é uma delícia. Este CD foi lançado em 2011 e demorei um pouco para descobri-lo porque não sou um perseguidor de bandas novas (escuto muito grindcore dos anos 90 ou bandas desconhecidas dos ano 60/70/80), então acabo sempre levando um tempinho até conhecer novas bandas que estão surgindo.

O CD “Velha Idéia Novos Tempos” tem 10 sons onde destaco a maravilhosa “Mundo Quadrado”, que tem uma pegada anos 70 ótima e que me apaixonei por este som; “Que Seja Feita a Nossa História”, um desabafo da banda com um instrumental bem elaborado e “Vice-Versa”, um blues rock sobre “cabeludos maus” com letra hilária. Na faixa “Apenas um Vira Lata” rola uma participação de Paulão do Velhas Virgens, o que deixa o som parecendo uma música do Velhas Virgens. Aliás, a faixa “Briefs Blues” também tem uma influência bem forte de Velhas Virgens.

Para ouvir várias das canções deste CD e fazer contato com a banda (recomendo que o show deles seja levado prá capitais como Porto Alegre, Curitiba e São Paulo que é muito bom, vi eles tocando com Tor Tauil do Zumbis do Espaço e superou minhas expectativas, ao vivo os caras são melhores ainda), visite o My Space de Novos Velhos.

Dica de Petter Baiestorf.

Segue alguns vídeos dos Novos Velhos:

MUNDO QUADRADO

Acreditar que o mundo não é redondo

Olhar para as estrelas e ver um urso polar

Ter um milhão de sonhos, diferente dos normais

Contar as histórias, do que ficou para trás.

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São coisas da vida

São coisas da vida

E você ainda duvida.

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Dizem que a vida é curta

Mas eu acho que é só para or normais

Os escravos do tempo

Que trabalham e só pensam

No dia do aposento.

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São coisas da vida

São coisas da vida

E você ainda duvida.

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Trabalhar é necessário eu sei

Trabalhar é necessário e é vital

Mas é preciso lembrar , que daqui nada levará

Só seus ossos vão ficar.

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São coisas da vida

São coisas da vida

E você ainda duvida.

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Quanto tempo vai durar essa loucura?

Qual a distância entre o céu e o inferno?

Quanto tempo ainda temos?

Por quanto tempo que você estará por perto.

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São coisas da vida

São coisas da vida

É isso que eu queria te falar…

por Anderson Kreutz.

Tyto Livi: Memórias de um Certo Louco

Posted in Música with tags , , , , , , , on novembro 20, 2011 by canibuk

Em 1977 Tyto Livi (Ortenilo Azolini) lançou o primeiro disco independente do rock catarinense (e provavelmente um dos primeiros do Brasil). Tyto Livi nasceu em Vargeão/SC, mas logo adotou a cidade de Chapecó/SC (cidade que hoje abriga a banda Repolho que, na minha opinião, dá seqüência ao estilo de Tyto, que aliás, pesquisando agora encontrei uma boa matéria escrita pelo Demetrio Panarotto, da banda Repolho, onde tiro as dúvidas sobre influência ou não), seu compacto “Memórias de um Certo Louco” (infelizmente seu único lançamento) foi gravado em São José, grande Florianópolis, e lançado de forma independente. Conta a lenda que Tyto Livi vendia de porta em porta o disco numa tentativa de juntar dinheiro para concluir o curso universitário de direito (para nosso azar ele abandonou a música e se tornou um advogado).

As 4 músicas do compacto “Memórias de um Certo Louco” estão disponíveis na net para ouvir ou até fazer download, já que conseguir cópia do original em vynil é tarefa quase impossível. O instrumental das músicas é morno (como a maioria dos sons dos anos 70), mas as letras de Tyto são ótimas, com um fino humor sarcástico, inclusive a de “Memórias de um Certo Louco” que é pré-Falcão, como atesta os seguintes versos:

“Por ser acéfalo

Tornei-me ectiófago

Sou genicófago

É o que me dizem.”

Tyto Livi nos dias de hoje.

E na minha preferida do disco, “O Mundo não Perdoa” (que tem que estar na trilha sonora da versão longa-metragem do meu filme “Ninguém Deve Morrer”), onde a letra diz:

“Ando perdido na escuridão

Eu já perdoei o mundo

Mas o mundo não dá perdão!”

“O Mundo não Perdoa” é uma balada triste e alegre ao mesmo tempo, impossível ouvi-la sem um grande sorriso nos lábios!

Em 2007 (ou 2008) conheci uma sobrinha de Tyto Livi que trabalhava ao lado da loja Cérebro (do lendário Gurcius Gewdner), mas por ainda não ter ouvido os sons do Tyto Livi, acabei perdendo a chance de tentar marcar uma entrevista com ele. Odeio quando dou essas bobeadas! Mas fica aqui a dica para conhecer esse belíssimo compacto do rock nacional que, mesmo que você não curtir os sons, é importante por ter sido um dos primeiros lançamentos independentes.