Arquivo para sexy

Aliens Fora da Lei

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 5, 2016 by canibuk

Alien Outlaw (1985, 90 min.) de Phil Smoot. Com: Kari Anderson, Lash La Rue e Sunset Carson.

alien-outlawSeria possível o blockbuster “Predator/Predador” (1987), de John McTiernan, ter se inspirado em um obscuro filme lançado dois anos antes? Essa é uma daquelas perguntas que talvez nunca tenhamos a resposta (e pouco importa a resposta), mas o fato é que “Alien Outlaw”, filmado em 16mm com orçamento digno de produções de fundo de quintal, trazia para as telas inúmeros elementos depois vistos em “Predador”. Vejamos: Um trio de aliens (com visual parecido, mas não tão rico quanto os aliens de seu primo milionário) caem com sua espaçonave nos arredores de uma cidadezinha e resolvem estuprar e matar todos os humanos que conseguirem. Casualmente Jesse Jamison (Kari Anderson), uma pistoleira que ganha a vida realizando shows de tiros, está tentando a sorte com seu número nesta mesma região e acaba atrapalhando os planos de diversão dos alienígenas (ao ver o filme fiquei o tempo todo me perguntando porque os aliens não tinham suas próprias armas, já que eles ficam o tempo todo tentando achar armas terrestres para sua matança desenfreada).

alien-de-alien-outlaw

Com uma trilha sonora deliciosa, que vai de balada country açucarada até som pop tipicamente dançante dos anos de 1980, figurinos bombásticos  (a roupinha sexy que a pistoleira usa boa parte do filme é um tesão) e efeitos especiais horríveis (as cenas da espaçonave, em especial, são espetaculares de tão toscas) fazem desta produção uma ótima pedida para uma sessão dupla com “The Galaxy Invader” (1985) de Don Dohler.

karin-andersonKari Anderson, que interpreta a heroína do filme, é maquiadora facial (responsável por embelezar atores e atrizes em produções como “Tasmanian Devils/Demônios da Tasmânia” (2013) de Zach Lipovsky e “Extraterrestrial” (2014) de Colin Minihan) e em “Alien Outlaw” vemos sua única tentativa de se tornar atriz, uma pena, já que esbanja carisma na tela e possuí um rosto ímpar (ela lembra Mary Woronov jovem). O filme ainda resgata os atores Lash La Rue e Sunset Carson que, na década de 1940, estiveram presentes em inúmeros westerns. La Rue se destacava por sua habilidade com o chicote, tanto que na década de 1980 foi o responsável por ensinar vários truques ao ator Harrison Ford quando este estava criando sua personagem Indiana Jones.  La Rue estrelou westerns como “Wild West” (1946) de Robert Emmett Tansey e “Fighting Vigilantes” (1947) de Ray Taylor, e também foi músico regular nas Jam sessions no Dew Drop Inn em New Orleans.Sunset Carson foi peão de rodeios no início de sua carreira, até que chamou a atenção de um produtor executivo (Lou Grey) da Republic Pictures e passou a trabalhar como ator em westerns como “Bells of Rosarita” (1945), de Frank McDonald e estrelado pelo lendário Roy Rogers e seu cavalo Trigger, e “The El Paso Kid” (1946) de Thomas Carr.

alien-outlaw1Phil Smoot só dirigiu ainda outro filme, “The Dark Power” (1985), outra produção bem modesta em 16mm que mostra espíritos indígenas azucrinando os inquilinos de uma casa, também com Lash La Rue no elenco e que foi lançado em VHS no Brasil pela Poletel com o título “Toltecs – A Maldição”. Smoot foi produtor de inúmeros filmes de baixo orçamento, à destacar “The Boneyard/A Maldição do Necrotério” (1991) de James Cummins e “Tara/Ratos Assassinos” (2003) de Leslie Small, estrelado por Ice-T. Phil Smoot iniciou sua carreira cinematográfica no departamento elétrico do filme “Hot Summer in Barefoot County” (1974) de Will Zens e que nos USA foi distribuído pela Troma.

“Alien Outlaw” é um filme ruim involuntário, daqueles que ficam na cabeça muito tempo após a sessão. Você percebe que todos os envolvidos no projeto deram o melhor de si, mas que por uma estranha combinação de forças do destino o resultado foi apenas um delicioso filme vagabundo mal feito imperdível. Sorte nossa!

Veja “Alien Outlaw” resumido em um minuto aqui:

Remake, Remix, Rip-Off: Cem Kaya fala sobre o Inspirador Cinema Popular Turco

Posted in Cinema, Entrevista with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 3, 2016 by canibuk

“Remake, Remix, Rip-Off: About Copy Culture & Turkish Pop Cinema” (2014, 96 min.), de Cem Kaya, ganha exibição neste dia 04 de outubro no Interzona Cineclube (Cine Odeon, Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro, no Rio de Janeiro), às 20:30 com ingresso online sendo vendido aqui no CCLSR.

interzona

 

“Remake, Remix, Rip-Off” conta a história do Cinema Turco entre as décadas de 1960 e 1970, quando a  Turquia ostentava o título de um dos maiores polos produtores de cinema do mundo, apesar de sua indústria de cinema sofrer de um déficit criativo crônico: a falta de roteiristas. A fim de manter o fluxo de filmagens, produtores turcos copiavam roteiros e argumentos de produções internacionais. Assim, para qualquer título de sucesso, como Tarzan, Drácula ou Star Trek, passou a existir uma versão turca. Este documentário nos apresenta a época de ouro do cinema popular turco, quando os diretores deviam ser rápidos e os atores resistentes.

Aproveitando essa exibição no Rio de Janeiro entrei em contato com o diretor Cem Kaya e solicitei uma entrevista sobre seu documentário e a indústria cinematográfica turca e fui prontamente atendido. Cem Kaya é extremamente simpático e seu filme, “Remake, Remix, Rip-Off” um dos mais divertidos e inspiradores documentários que tive o prazer de assistir nos últimos tempos. O cinema Turco e o cinema brasileiro são irmãos bastardos e possuem muitas coisas em comuns, como Kaya atesta na entrevista.

cem-kaya

Cem Kaya

Baiestorf: Sou um grande fã do cinema realizado na Turquia entre os anos 60 e 80 e seu documentário expandiu ainda mais  meus horizontes de cinéfilo. Como surgiu a idéia de documentar este período do cinema de seu país?

Cem Kaya: Eu nasci na Alemanha, em uma comunidade de trabalhadores expatriados turcos na década de 70. Então, não assisti os Yesilçam movies nos cinemas da Turquia e sim em VHSs lançados na Alemanha. Por falta de conteúdo turco na TV alemã, o surgimento dos aparelhos de VHS abriu um imenso mercado para distribuidores de filmes turcos. Vídeo clubes surgiram em todos os lugares. Meu padrasto, que tinha uma mercearia, possuía num cantinho uma sessão de vídeos turcos. Então tive acesso imediato a estes filmes. Nestas lojas não havia somente filmes turcos, mas também muitas produções de Bollywood e Hong Kong dubladas em turco. Os filmes turcos eram de todos os tipos, de melodramas em preto e branco dos anos 60, passando por comédias sexuais dos anos 70, ultra brutais filmes de vingança tipo os dirigidos por Çetin Inanç nos anos 80, até filmes de arte de diretores como Yilmaz Güney. Anos mais tarde, na faculdade, escrevi minha tese de mestrado sobre remakes turcos e, a partir de minha pesquisa acadêmica, desenvolvi o roteiro de “Remake, Remix, Rip-Off”.

Baiestorf: Parece-me que há muitas produções deste período ainda esperando parar serem descobertas pelo resto do mundo.

 

movie

Íntíkamci

Kaya: O Turkploitation é conhecido por seus notórios remakes, ou reinterpretações como “3 Dev Adam”, “Star Wars Turco” ou o “Turkish Exorcist”. Mas há muito mais remakes ou re-imaginações turcas do que se pode imaginar, porque os roteiristas trabalhavam muito remodelando as histórias. As vezes, assistindo um filme, eu acho que sei para onde a história vai ir, mas, em certo ponto, há uma torção e, de repente, estou numa nova história. Além disso há alguns diretores, não tão cultuados quanto Çetin Inaç ou Yilmaz Atadeniz (que nós amamos), que devemos assistir duas vezes. Um deles é Yilmaz Duru que realmente tinha estilo próprio, outro é Cevat Okçugil (e seu irmão Nejat Okçugil) e meu diretor favorito no cinema turco, Aykut Düz. Por exemplo, há um filme de Aykut Düz chamado “Muhtesem Serseri” (“O Maladro Grandioso”) que nada mais é do que um remake de “3:10 to Yuma” (“Galante e Sanguinário”, 1957) misturado com “Midnight Run” (“Fuga À Meia-Noite”, 1988) que foi lançado no mesmo ano. Ele se desenvolve na Turquia contemporânea  e é engraçadíssimo porque a dupla de atores do filme ((Cüneyt Arkin e o próprio Aykut Düz) e comportam como Terence Hill e Bud Spencer. Os diálogos são hilários e as filmagens beiram o documentário, retratando fielmente os distritos de Luz Vermelha em Istanbul. Você não encontra este filme nas listas de remakes turcos.

 

Baiestorf: Foi fácil encontrar e convencer os velhos cineastas à darem depoimentos? Aqui no Brasil a velha geração de cineastas fica desconfiada quando novos cineastas tentam entrevista-los.

Kaya: A maioria dos cineastas foram bastante amigáveis e estavam prontos para contar suas histórias. O Yesilçam Cinema é considerado cinema industrial convencional sem valor artístico. Então, quando um cara vem da Alemanha e está seriamente interessado em registrar este cinema, mesmo os céticos ficam lisonjeados e aceitam dar entrevista. Fizemos uma centena de entrevistas, das quais cerca de cinquenta estão no filme. Talvez no Brasil também tenha que vir alguém de fora registrar o cinema popular brasileiro.

turkish-candies

Baiestorf: É possível você apresentar um pouco da indústria cinematográfica turca para os cinéfilos do Brasil.

Kaya: Mesmo com o atraso em vários aspectos culturais do Império Otomano, os equipamentos cinematográficos chegaram cedo ao país através de um empresário chamado Sigmund Weinberg  . Mas infelizmente o cinema não se desenvolveu completamente até a década de 1950. Escolas de cinema não existiram até meados de 1970, ironicamente, surgiram num momento em que o Yesilçam Cinema entrou em crise. Aprender a fazer cinema só era possível artesanalmente ou assistindo a produções estrangeiras que eram exibidas dubladas nos cinemas das grandes cidades. Na década de 30 existiu apenas um diretor, Muhsin Ertugrul, que teve alguma educação sobre cinema no exterior. Na década de 40 alguns novos cineastas surgiram, como Baha Gelenbevi e Faruk Kenç, mas estes tiveram que lidar com os efeitos econômicos da segunda guerra mundial que tiveram um grande impacto na Turquia. Existem três razões principais pelas quais uma indústria cinematográfica como a de Yeşilçam possa surgir do nada:

1- Em 1948 o imposto de entretenimento foi reduzido para os filmes turcos, mas não para os filmes estrangeiros. Então a produção de filmes tornou-se lucrativa;

2- O governo do Partido Democrático (eles não eram democráticos em tudo), na década de 1950, estimulou a economia e levou eletricidade para muitas regiões da Anatólia, onde, em seguida, vários cinemas surgiram;

3- Os importadores de cinema estrangeiro não tinham redes de distribuição na Anatólia.

kilink

Kilink Istanbul’da

Essas circunstâncias criaram um mercado no interior da Anatólia. Assim, de repente, cineastas turcos tinham de produzir centenas de filmes para o público rural com fome de histórias nacionais. Para ser capaz de alimentar o mercado, o cinema de Yesilçam (que é o nome de uma rua em Istanbul onde as empresas tiveram seus escritórios, comparável a Boca do Lixo paulista) teve de produzir histórias rápidas e baratas, sob medida para o gosto de seu público rural. Devido a falta de pessoal competente, roteiristas muitas vezes adaptavam histórias que tinham visto em faroestes. Devido a falta de leis e acordos internacionais de direitos autorais, a indústria local estava “autorizada a emprestar” roteiros, trilhas sonoras e, muitas vezes, até mesmo trechos de filmes ocidentais de sucesso que foram, elegantemente, editados com o material filmado pelos cineastas. Quando, por exemplo, tinham de mostrar terremotos, perseguições de carros ou um combate espacial, filmes de sucesso forneciam o material de arquivo. Mas muitos cineastas turcos também fizeram filmes importantes, cineastas como Metin Erksan ou o curdo Yilmaz Güney, produziram filmes de ação baratos e melodramas de doenças terminais para as massas, mas também cinema sério sobre temas socialmente relevantes, a maioria dos quais hoje clássicos do cinema turco. O cinema de Yesilçam teve seu auge na década de 70 com suas comédias sexuais, muito semelhantes à pornochanchada realizada na Boca do Lixo paulista. Dois golpes militares (1971 e 1980), censura severa e, finalmente, com o advento da televisão no final dos anos 60, o cinema foi perdendo força. 1989/1990 são considerados os últimos anos do cinema de Yesilçam. Com o surgimento da TV a cabo uma nova forma de entretenimento apareceu: Os seriados de TV. Turquia, assim como o Brasil, é um dos maiores produtores de novela do mundo.

 

Baiestorf: Assistindo seu documentário temos uma ideia de como os cineastas sofriam com a censura. E nos dias de hoje? Como funciona a censura, há mais liberdade para se fazer filmes?

Kaya: Desde seu início o cinema turco sofreu com a censura. O conselho de censura que foi fundado nos anos 30 tinha de liberar os roteiros e depois conferir os filmes produzidos. Os membros do conselho eram representantes da polícia, militares, o ministério da educação e assim por diante. Assim, os cineastas precisavam pensar em roteiros que fossem aprovados pelo conselho, desnecessário dizer que eles não eram muito corajosos. Eles tinham que ter muito cuidado para não colocar assuntos sociais ou políticos em seus filmes. Nada contra o sistema político poderia aparecer, sob risco de serem considerados propaganda esquerdista e, portanto, proibidos. Muitos filmes estavam autorizados a serem exibidos apenas na Turquia porque o governo temia que eles poderiam denegrir a imagem do país no exterior. Muitos filmes só puderem ser exibidos após terem ganhado processos contra o conselho de censura na suprema corte. A censura hoje é muito pior do que nos tempos do cinema de Yesilçam. Estamos vivendo sob uma ditadura muçulmano radical com agenda neo liberal na Turquia. Todas as formas de cultura (cinema, imprensa, teatro, artes, literatura, até a vida social) estão sofrendo muito com a censura cada vez mais forte. Isso incluí o cinema, do financiamento até a distribuição. É muito triste.

Baiestorf: Você pode contar algo que não está no documentário? Talvez sobre o filme “Dünyayi Kurtaran Adam” (“Star Wars Turco”), que acredito que seja o filme de seu país mais conhecido aqui no Brasil.

tarzan-istanbuldaKaya: “Dünyayi Kurtaran Adam” foi filmado no rescaldo do golpe militar de 12 de Setembro de 1980, quando a Turquia ainda era governada sob lei marcial, assim como nos dias de hoje. Çetin Inanç e sua equipe, no entanto, estavam filmando em Cappadocia que tem uma geografia muito peculiar para se parecer com outro planeta. Nas cenas dentro das cavernas necessitava-se iluminação, mas eles não podia colocar lá a iluminação porque o gerador não funcionava devido a umidade. Então eles decidiram construir um sistema de espelhos que trazia a luz para dentro das cavernas. Você pode perceber, claramente, alguns pontos de luzes em algumas cenas. Çetin Inanç havia construído um cenário para as cenas de efeitos especiais no espaço, mas elas foram destruídas com um vendaval. Após a destruição de seu cenário que ele decidiu usar cenas de “Star Wars” em sua produção. O cérebro por trás das cenas de found footage era Kunt Tulgar, dono de um estúdio de dublagem e diretor de “Supermen Dönüyor” (“Superman Returns”, 1979). Seu pai, Sabahattin Tulgar, era importador de filmes estrangeiros e foi diretor de “Tarzan Intanbulda” (“Tarzan in Istanbul”, 1952). Em seu porão ele tinha os rolos de todos os filmes que importou, um grande tesouro na era não-digital. Desta forma, além de “Star Wars”, eles puderam pegar trechos de “Black Hole” da Disney, “The Magic Sword” (1962) de Bert I. Gordon, alguns italianos de sci-fi menos conhecidos e, até, filmagens da NASA que encontraram em documentários. As fantasias e monstros foram inspiradas pelo filme de Hong Kong “Inframan” (“Zhong Guo Chao Ren”, 1975) de Shan Hua. Conheci o designer do cartaz do filme em Istanbul que me contou que a promoção para o filme era maior do que o habitual. Havia dois cartazes diferentes, um em inglês, o que significa que desde o início eles já planejavam vender para o exterior e, outro, em turco. O filme também teve uma quantidade maior de lobby cards.

Baiestorf: Ao assistir “Remake, Remix, Rip-Off” me dei conta de que a indústria cinematográfica turca e a brasileira são muito parecidas. Como está a produção de filmes hoje? Você poderia indicar ao público brasileiro alguns divertidos filmes atuais?

Kaya: Hoje temos uma produção de filmes de arte, bem diferentes do cinema de Yesilçam. Estes diretores vem de uma tradição que negligencia o cinema de Yesilçam por suas próprias razões. Muitos dos cineastas de cinema de arte de hoje foram inspirados pelos pioneiros do cinema turco independente dos anos 80, como o já mencionado Yilmaz Güney e Ömer Kavur ou, cineastas dos anos 90 como Yesim Ustaoglu e Zeki Demirkubuz. Eles realizaram filmes com pouco dinheiro e equipe reduzida e, mesmo assim, tiveram reconhecimento internacional em festivais de todo o mundo. Os anos 90 foram uma época difícil para os cineastas curdos. Após a implantação da política Islã com o governo islâmico radical AKP no poder, fazer cinema independente está se tornando cada vez mais difícil. Além disso, o cinema comercial e a TV comercial estão florescendo. Diz-se que há mais câmeras Arri em Istanbul do que em toda a Europa. No cinema de gênero “Baskin” (2015), o filme de estreia de Can Evrenol, foi uma verdadeira surpresa. É um filme de horror que atraiu público no mundo todo. O próprio diretor é um fã dedicado do cinema fantástico turco. Outro filme bem divertido que gosto bastante é “Vavien” (2009) dos irmãos Taylan, sobre um cara que quer matar sua esposa com uma abordagem Coen Brothers para a história. Dos documentários turcos gosto de “Bakur” (2015), sobre combatentes do PKK curdo nas montanhas de Kandil ou “Iki Dil Bir Bavul” (2008), sobre um professor de escola primária turca que tenta ensinar a língua turca para crianças curdas, estão entre os dez melhores documentários turcos para se assistir. Outro filme importante é “Tepecik Hayal Okulu” (2015), documentário sobre o diretor Ahmet Uluçay, recentemente falecido, um cineasta único que tem minha simpatia por ser um visionário e possuir uma maneira única de narrar suas histórias. Seu filme de ficção “Karpuz Kabugundan Gemiler Yapmak” (“Boats of Watermelon Rinds”, 2004) é uma ode ao cinema DIY (do it yourself).

Baiestorf: Como está sendo a carreira comercial de seu documentário? Ele foi lançado em muitos países? Sei que foi sensação em várias mostras de cinema pelo mundo.

Kaya: “Remake, Remix, Rip-Off” foi exibido em cerca de cem festivais em todo o mundo, incluindo Locarno, Rotterdam e o Festival de Berlin. Também foi exibido em muitos festivais de cinema de gênero, como Fantastic Fest, Fantasia e Sitges.  No Brasil estávamos no Festival do Rio e outros dois que esqueci o nome (shame on me!). O lugar mais longe em que foi exibido foi no Hawaii e o mais perto (de onde vivo) Munique. Ele também tem uma versão mais curtas exibida na TV alemã ZDF, que também financiou uma grande parte do filme. No momento estamos trabalhando para o lançamento em DVD e, também, lançamentos nas plataformas de VOD.

Baiestorf: Assisti seu filme no festival A Vingança dos Filmes B, em Porto Alegre. Sessão lotada e o público rolando de rir. Foi uma ótima sessão, com o público muito feliz e inspirado ao final da sessão. Cem, obrigado pela entrevista e, mais importante, obrigado por ter feito este documentário tão divertido e informativo.

Kaya: Muito obrigado pra ter a chance falar sobre o meu filme.

Veja o trailer de “Remake, Remix, Rip-Off” aqui:

Quando: dia 04/10, as 20:30 no Odeon.

Interzona Cineclube e Cine Odeon – Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro apresentam a sessão de Remake Remix Rip-Off – O fantástico cinema popular turco!, o sensacional documentário dirigido por Cem Kaya sobre umas das filmografias mais divertidas e ensandecidas do planeta: o cinema popular turco!!

Cultuado por colecionadores e pesquisadores de filme B, é difícil pensar nos turcos sem lembrar em cinema de gênero, especialmente no gênero fantástico. Com poucos recursos, mas ricos em criatividade, nada era impossível para os realizadores destes filmes. Donos de um fazer cinema orquestrado por profissionais apaixonados, acostumaram a trabalhar rápido, com baixo orçamento, muito improviso e em escala industrial.

Nesse liquidificador cultural entrava de tudo: quadrinhos, westerns italianos, novelas pulp, naves espaciais, cientistas malucos, robôs, monstros, super heróis, vilões, vikings, fadas, cowboys, justiceiros, gangsters, dramalhão, muito nonsense e soluções inusitadas devido ao pouco tempo e dinheiro. O resultado desta mistura maluca é a mais pura diversão e inventividade.

A sessão contará com apresentação do pesquisador Fábio Vellozo e um debate após a sessão: “As delicias do maravilhoso cinema popular turco” contando com Fábio Vellozo, Christian Caselli e Gurcius Gewdner, 3 fanáticos pelo mundo maluco e divertido dos cineastas turcos.

Caquinha Superstar A Go Go

Posted in Cinema, download, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 30, 2016 by canibuk

caquinha-001Se eu tivesse que escolher o pior filme que já produzi , acredito que este “Caquinha Superstar a Go-Go” seria o escolhido (e olha que já produzi muita porcaria nestes meus 25 anos de produtor gorechanchadeiro). Tenho lembranças maravilhosas desta produção, mas simplesmente nada funciona com nada na tela. Não tem ritmo, não tem história, não tem produção. Mas assumo toda a culpa, ou pelo menos metade de toda a culpa, com certo orgulho. Metade porque o filme foi co-produzido pelo Coffin Souza e sei que ele também tem boas lembranças desta produção, já se gosta do filme nunca perguntei.

renomear-052

Caquinha meditando

Em 1996 eu tinha produzido apenas o “Eles Comem Sua Carne” com o Souza dividindo a função (no “O Monstro Legume do Espaço” ele tinha sido apenas ator) e como o filme teve uma boa aceitação no mercado underground, resolvemos produzir o “Caquinha Superstar a Go-Go” que seria continuação simultânea do Monstro Legume e do Eles Comem (temos cenas filmadas com o Caquinha interagindo com as personagens do Eles Comem, mas resolvi não incluir no filme sei lá porque). E mais, na época também queríamos filmar mais rápido do que o Roger Corman, então tivemos a brilhante ideia de jerico de montar um cronograma de apenas duas noite e um dia de filmagens (até porque o orçamento disponível pro filme não teria permitido muitos dias a mais). Como se isso não bastasse, o filme ainda era um musical e eu não tinha experiência nenhuma com o gênero além de ser fã. E, também, havia discordâncias minhas com Souza de como filmar aquele roteiro ruim. Então o desastre já se anunciava muito antes das filmagens terem início.

digitalizar0026

Caquinha e Tracy

Mas quando você tem um desastre anunciado na mão o que tu faz?… Vai com tudo de cabeça, certo?… E foi o que fizemos. Chamamos o E.B. Toniolli para interpretar o Caquinha, reunimos os outros desajustados que nos acompanhavam na época e filmamos na correria, sem cuidados técnicos, sem estrutura alguma e, o pior, discutindo o tempo inteiro. Foi uma experiência boa porque no filme seguinte que produzimos em parceria, “Blerghhh!!!” (também de 1996), Souza e eu nos acertamos quanto ao que cada um fazia na produção e tudo passou a funcionar melhor… Bem, melhor daquele jeito Canibal Filmes, lógico!

digitalizar0002

Jorge Timm e Coffin Souza

Não existem muitas histórias divertidas durante os dois dias de filmagens, até porque a gente trabalhou essas 48 horas sem parar (não lembro de ter dormido durante estes dois dias). Talvez o fato mais divertido caótico era o descontentamento do elenco com a produção, agravado pelo fato de que escrevi o filme se passando no verão mas filmei em pleno inverno do sul do Brasil e naqueles dois dias a temperatura estava numa média de zero graus, tendo sido um dos invernos mais rigorosos que o sul já teve notícia. Naquelas cenas em que as meninas de bikini encontram Caquinha, quase no fim do filme, o frio era tão intenso que as meninas tremiam sem parar sob minhas ordens que incluíam a cada minuto a frase: “ânimo meninas, é verão! É Verãoooo!”. Para as cenas internas da casa de Caquinha (filmamos numa casa abandonada que não tinha nem energia elétrica, nosso eletricista – Claudio Baiestorf – realizou um “gato” na rede pública) o frio era tanto nas madrugadas que cortamos um latão e mantivemos carvões queimando o tempo todo para esquentar o ambiente.

cdtrilhasonoracaquinhaNa época o melhor produto relacionado ao filme foi a trilha sonora composta pela banda paulista Trap. Enquanto passávamos frio os paulistas estavam compondo músicas maravilhosas para o filme, até hoje lamento não ter conseguido fazer um filme à altura da fantástica trilha sonora que Johnny e companhia nos entregaram. Essa trilha sonora foi lançada em CD no ano seguinte, 1997, numa prensagem feita no Canadá e contrabandeada para dentro do Brasil para burlar os impostos. Não é fácil a vida de produtor vagabundo, tu acaba virando uma espécie de mafioso da cultura. Como este CD esgotou anos atrás, você pode ouvi-lo baixando no link a seguir: TRILHA SONORA DE CAQUINHA SUPERSTAR A GO-GO.

“Caquinha Superstar a Go-G0” teve seu lançamento feito num bar de Porto Alegre com direito a presença de toda a equipe, elenco e a banda Trap animando o público com a trilha sonora. Enquanto o filme era exibido botamos um ator fantasiado de gorila arrancando as roupas de algumas atrizes contratadas para o lançamento. O público delirava com o que via, era interação completa entre o filme e a plateia. É uma lei obrigatória para produtores de filmes vagabundos: Se você tem um filme ruim trate de animar o público de alguma maneira!

Você pode conhecer este adorável filme extremamente ruim baixando aqui: CAQUINHA SUPERSTAR A GO-GO.

Petter Baiestorf.

caquinha-002

 

Dangerous Glitter

Posted in Livro, Música with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 26, 2014 by canibuk

“Dangerous Glitter – Como David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop foram ao Inferno e Salvaram o Rock’n’Roll” (2009, 400 páginas, editora Veneta) de Dave Thompson.

Dangerous GlitterNovamente a editora Veneta surpreende com um lançamento imperdível aos amantes da boa música (e suas histórias inacreditavelmente hilárias). “Dangerous Glitter” conta a história de “quando Lou Reed e Iggy Pop se encontraram pela primeira vez com David Bowie no final de 1971, (quando) Bowie era apenas mais um músico inglês passando por New York, Lou ainda estava se recuperando do colapso do Velvet Underground e Iggy já estava classificado como um perdedor.”

BowieAos moldes do “Mate-me, Por Favor”, de Larry McNeil e Gilliam McCain, “Dangerous Glitter” destaca a importância do artista plástico Andy Warhol para a cena underground nova-iorquina (e mundial, já que todo mundo imita New York) e a influência de Nico sobre as personalidades dos três menininhos assustados (apesar do livro não ser sobre Nico fica bem claro o quanto ela foi importante para Bowie, Reed e Pop). No livro somos apresentados à três artistas tímidos que se tornaram (a base de muita grana investida em suas imagens) as lendas conhecidas de hoje, desmitificados pelo autor Dave Thompson (todo mito não passa de um humano normal cheio de medos e inseguranças). É um mergulho alucinante pelo mundo dos anos de 1960/1970 quando a cena musical mundial produzia obras ricas em criatividade e ousadia.

LouEntre inúmeras histórias saborosas ficamos sabendo como David Bowie gastou 400 mil dólares na sua primeira turnê americana (e arrecadou míseros 100 mil dólares), como Iggy Pop se tornou o enfurecido vocalista com toques de escatologia que impressionaram muitos moleques do mundo a fora (GG Allin estava entre eles, com certeza), como Lou Reed quase abandonou sua vida de rockstar após sair do Velvel Underground, como Nico afundou sua carreira nas drogas e Tony Defries, o advogado rockstar, se tornou uma espécie de Allen Klein do rock’n’roll e criou David Bowie como os fãs do camaleão o conhecem hoje.

IggyDave Thompson, o autor, já escreveu mais de 100 livros que, geralmente, lidam com música pop, rock’n’roll, cinema ou erotismo. Nasceu em Devon (Devonshire, Inglaterra) e iniciou sua carreira jornalística editando um fanzine sobre a cena punk londrina dos anos de 1970, o que lhe valeu convites para escrever em revistas como “Melody Maker”, “Rolling Stone”, Mojo, entre outras. Outros livros de Thompson sobre David Bowie incluem “Moonage Daydream” (1987) e “Hallo Spaceboy” (2006).

Fica a dica deste ótimo livro que a editora Veneta acabou de lançar. “Dangerous Glitter” custa R$ 79.90 e pode ser adquirido em lojas virtuais como Saraiva ou Livraria Cultural.

Petter Baiestorf.

Filmes com David Bowie (veja alguns trailers):

Filmes com Iggy Pop (veja alguns trailers):

Filmes com Lou Reed (veja alguns trailers):

Baratão 66 e outros Lançamentos da Pitomba

Posted in Fotografia, Fotonovela, Literatura, Livro, Quadrinhos, revistas independentes brasileiras with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 10, 2014 by canibuk

O final de 2013 trouxe para o público de quadrinhos brasileiros várias ótimas obras. E a editora Pitomba, em parceria com a revista Beleléu, se encarregaram de pelo menos um lançamento obrigatório, “Baratão 66”, fruto de uma bem-vinda parceria entre Bruno Azevêdo e Luciano Irthum. Pitomba surgiu em 2009 e se tornou a editora marginal mais ativa de São Luís/MA. E a Beleléu é um selo do Rio de Janeiro/RJ.

Baratão1“Baratão 66” (180 páginas), de Bruno Azevêdo e Luciano Irrthum. Este trabalho da dupla Bruno/Luciano (dois apaixonados por personagens marginalizadas) é um mergulho pela difícil vida fácil das putas de cidadezinhas brasileiras onde, invariavelmente, políticos, policiais, padres, pastores, empresários, fazendeiros e outros coronéis de todos os calibres orquestram arranjos em prol da saúde de seus próprios bolsos, mostrando o quanto as putas podem interferir na política local (o que nunca é uma má interferência, já que puta são muito mais humanas do que essa corja de bandidos engravatados-fardados-fantasiados). Aliás, puteiros fazem parte da cultura nacional tanto quanto samba e bunda (o que não é ruim, antes um povo com a cultura da bunda do que das armas, por exemplo), é muito comum os poderosos locais terem uma amante por pura questão de status, uma espécie de troféu para mostrar aos amiguinhos. E putas são compreensivas, são mulheres sofridas que entendem (e perdoam) qualquer falha de caráter que prefeitos, delegados, padres, seu vizinho (eu e você) possam ter. Como fã de cinema, ao ler o saboroso “Baratão 66” me deleitei com os paralelos do roteiro de Bruno com o filme “Amor Estranho Amor” (1982) de Walter Hugo Khouri (sim, “Amor Estranho Amor” é o famoso pornô da Xuxa , que de pornô não tem nada, já que sua história gira em torno de um bordel de luxo que atende os desejos mais molhados da elite política brasileira para falar de política brasileira). Claro que, para nossa sorte e tendo em mente que Bruno e Luciano são crias do underground, aqui é tudo mais debochado e divertido do que o intelectualizado Khouri. Me foi impossível saborear do “Baratão” sem imaginá-lo como um storyboard já pronto para ser filmado. “Baratão” ainda fala sobre os produtores picaretas de cultura que acham que suas “obras-primas” devem ser bancadas pelo governo (porque mamar todo mundo quer e um grande viva a quem consegue). E a exemplo da política nacional, “Baratão 66” tem uma linda história de amor cafajeste onde tudo acaba bem, com suas transviadas personagens encontrando a tão sonhada liberdade (nem que para isso seja necessário derramar algumas lágrimas, sangue e gasolina). “Baratão” é cu e buceta, ou seja, diversão total. Tive o privilégio de escrever o posfácio deste álbum, que custa R$ 30.00 e pode ser adquirido pelo site http://www.pitomba.iluria.com ou comigo pelo e-mail baiestorf@yahoo.com.br.

Baratão2

Intrusa“A Intrusa” (165 páginas) de Bruno Azevêdo. Segundo Xico Sá, “Um folhetim em chamas capaz de tostar raparigas em flor. Um erotismo de banca capaz de reverter a mais enjoada das menopausas de todos os caritós. A Intrusa é fogo en las entranhas da frígida e solene literatura contemporaneazinha. O Monstro Bruno Azevêdo , este papaléguas, alcança, com este volume que ora lateja nas mãos da mulher moderna, a condição do nosso melhor escritor pícaro-mexicano. Que outro seria capaz de erotizar o tilintar dos duralex? A pia de louça por testemunha de um tórrido amor engordurado. “Temperamento latino é fuego”, já dizia, na subida do morro, o velho Morengueira”. “A Intrusa” traz ainda ilustrações de Eduardo Arruda, um dos criadores da revista Beleléu, e a capa do livro é de autoria de Frédéric Boilét, autor de “Garotas de Tokyo”. Apesar de estar com o livro aqui em casa, em virtude das milhares de coisas que faço tudo ao mesmo tempo, ainda não consegui tirar um tempo para lê-lo com calma.

Isabel“Isabel Comics!” (Ano 2, 56 páginas) de Bruno Azevêdo e Karla Freire. Este trabalho do casal Bruno e Karla é de extrema importância para sua pequena filha Isabel, que quando crescer vai ter um registro incondicional do amor de seus pais ao poder se “ver” com dois anos de idade, se divertindo em família. Achei o registro uma ideia fantástica, daquele tipo que outros pais apaixonados por seus filhos irão adorar e se identificar. Em fotos e textos dos criativos papais ficamos sabendo da movimentada vida de criança da filhinha Isabel em uma agitada fotonovela. Confesso que não sou o público certo para este pequeno livrinho, mas quem é pai/mãe, ou quer ser pai/mãe, creio que vai amar esta linda declaração de amor. Este livrinho, assim como “A Intrusa”, podem ser adquiridos no site http://www.pitomba.iluria.com.

dicas de Petter Baiestorf.

Tarzann, o Bonitão Sexy na Cola do Playboy Maldito

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 13, 2013 by canibuk

Terra das SacanagensNudie-Cuties foram variações dos Nudist Films (que eram produções com a nudez tratada de forma natural, explorada em filmes como “This Naked Age/This Nude World” (1932) de Jan Gay; “Elysia, Valley of the Nude” (1933) de Bryan Foy, ou o clássico “Garden of Eden/Paraíso dos Nudistas” (1954) de Max Nosseck), onde a nudez natural e saudável das personagens ganharam histórias mais complexas (mas não tão complexas, já que eram filmes feitos para divertir de forma escapista os espectadores) nas mãos de diretores gaiatos como a dupla H.G. Lewis/David F. Friedman, em sua fase anterior ao gore sem limites iniciada com o clássico “Blood Feast” (1963), e a rainha dos filmes nudistas, Doris Wishman, que realizou belezuras como “Hideout in the Sun” (1960); “Nude on the Moon” (1961), inacreditável bobagem sobre astronautas americanos que vão pra Lua e descobrem que lá as pessoas vivem como que num grande campo nudista lunar; e “Blaze Starr Goes Nudist” (1962), estrelado pela stripper real Blaze Starr. Este maravilhoso subgênero cinematográfico lelo pelo menos um grande cineasta gênio ao mundo: Russ Meyer, que estreou na direção de longas com “The Immoral Mr. Teas” (1959) e foi o responsável pelos populares Nudie-Cuties que surgiram no rastro de seu pequeno clássico.

Aqui no Brasil, provavelmente de forma inconsciente e bem atrasado em relação ao seus irmãos pervertidos americanos/europeus, Nilo Machado seguiu os passos dos Nudies-Cuties (flertando muito com o cinema nudista) quando produziu a obra-prima “Tarzann, O Bonitão Sexy” (1977, 51 minutos, direção de Nilo Machado), que contava a história de um grupo de exploradores amadores que vai para a floresta atrás de um avião carregado de ouro que caiu na região onde Tarzann vive com sua esposa Jane e um preguiçoso cachorrinho de madame.

Tarzann1Não espere nenhuma história. Assim que o destemido grupo de aventureiros chega à floresta começam a se banhar num lago, cantar pelados em rodas de acampamento e esperar pelo encontro com o misterioso Tarzann (que, ao aparecer no final do filme, revela todo o bom humor cafajeste de Nilo Machado). Em todo o decorrer do filme as mulheres ficam de topless, sem ter o que fazer na trama, só restando a elas exibirem seus corpos naturais nús. Aliás, percebe-se nitidamente que o elenco de desconhecidos do filme se divertiu muito filmando essa pequena peça obscura do nosso glorioso cinema nacional.

Tarzann2Sempre tive curiosidade em saber como eram os detalhes técnicos dos filmes de Nilo Machado e pude constatar que ele não deve em nada ao cinema americano produzido sem orçamento no início dos anos de 1960, confesso que eu até esperava uma produção mais capenga e improvisada. Neste “Tarzann, O Bonitão Sexy”, temos também uma ótima trilha sonora composta por um grupo que incluía Nilo Machado, Perez Gonzaga, Luiz Nunes, Jair Lemos e J. Wilson, também compositores de ótimas canções como “Vamos Para a Selva”, “Hoje Estou Feliz” e “Não Facilita Nega Se Não”, presentes no filme que foi quase que inteiramente filmado nos estúdios Adelana, no Rio de Janeiro.

Outro filme com produção/direção de Nilo Machado que tive o privilégio de assistir foi “Playboy Maldito” (1973, 50 minutos, direção de Nilo Machado) que, aos moldes dos dramas tragicômicos debochados de George Kuchar, prima pelo exagero das situações dramáticas corriqueiras da vida mundana dos estudantes.

Playboy Maldito

Playboy2A história de “Playboy Maldito” não poderia deixar de ser mais brasileira: Rapaz de família rica vai estudar no Rio de Janeiro e usa sua mesada para viver fazendo festas na noite carioca. O “Playboy Maldito” não perdoa ninguém e de noitada em noitada, orgia em orgia, vai comendo todas as menininhas da cidade, fazendo com que até o comendador Vitorio Palestrina (“Estupro”, 1979, de José Mojica Marins) pareça um santinho. De sacanagem em sacanagem Nilo Machado conduz o espectador à um hilário dramático desfecho carregado de uma moral às avessas. Acho muito bonito quando pervertidos tentam dar lições de moral.

Playboy3Nilo Machado, à exemplo do já citado José Mojica Marins, mostra os ricos como verdadeiros monstros sem moral, todos eles vestidos com figurinos pobres feitos de roupas de segunda e objetos de cena cafonas, como os copos floreados presentes em várias cenas deste “Playboy Maldito”, o que confere à essas produções um sabor brejeiro único. Nilo liga a (pouca) história do filme com muito striptease de mulheres feias e uma trilha sonora simplesmente maravilhosa de Lafayete e seu Conjunto (segundo os créditos do filme), com algumas canções escritas/compostas pela dupla Nilo Machado e Marcus José, como “Noite Vazia” (interpretada por Carmem Silvania); “Logo Mais Você Vem” (interpretada por Ubirajara) e “Noite Sem Luar” (interpretada por Marcus José). Essas trilhas sonoras dos filmes de Nilo Machado deveriam ser lançadas em vinil para o completo deleite dos colecionadores da boa música nacional. Foi uma pena Nilo Machado não ter seguido uma carreira musical em paralelo à sua vida dedicada ao cinema.

Tarzann3

Os filmes de diretores como Nilo Machado são repletos de defeitos técnicos e limitações orçamentárias, mas pulsam cheios de vida e um estilo único de fazer/viver cinema. Estes pequenos grandes clássicos obscuros do cinema nacional precisam ser resgatados e salvos, são uma parte muito importante da arte e história da sociedade brasileira para continuarem perdidos. Espero que o documentário que Nelson Hoineff está fazendo sobre o cinema de Nilo Machado saia o quanto antes.

por Petter Baiestorf.

Catálogo Canibal Filmes 2012

Posted in Arte e Cultura, Camisetas, Nossa Arte, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 20, 2012 by canibuk

CAMISAS

Canibal FilmesSomente na cor preta, tamanho M, G ou GG. Preço: R$ 30.00 – É a camisa oficial da mais antiga produtora independente brasileira, responsável por clássicos sangrentos (como “O Monstro Legume do Espaço” (1995), “Eles Comem Sua Carne” (1996), “Blerghhh!!!” (1996), “Zombio” (1999) e “Raiva” (2001), entre outros), histéricos (como “Super Chacrinha e seu amigo Ultra-Shit em Crise Vs. Deus e o Diabo na Terra de Glauber Rocha” (1997), “Gore Gore Gays” (1998), “Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos” (1998), entre outros), divertidos (como “Criaturas Hediondas” (1993), “Caquinha Superstar a Go-Go” (1996), “Cerveja Atômica” (2003), “Ninguém Deve Morrer” (2009), entre outros) e momentos da mais pura experimentação radical (como “Chapado” (1997), “Bondage 2 – Amarre-me Gordo Escroto” (1997), “Não há Encenação Hoje” (2002), “Palhaço Triste” (2005), “A Curtição do Avacalho” (2006) ou “Vadias do Sexo Sangrento” (2008), e mais inúmeros outros. É a produtora que deu ao Brasil o legado de filmes como “Vai Tomar no Orifício Pomposo” (2004), “Arrombada – Vou Mijar na Porra de Seu Túmulo!!!” (2007), “Que Buceta do Caralho, Pobre só se Fode!!!” (2007) e “O Doce Avanço da Faca” (2010). Ao comprar e andar vestido com a camisa oficial da Canibal Filmes, todos seus amigos saberão que você apoia e investe na produção de filmes independentes.

O Doce Avanço da FacaSomente na cor preta, tamanho M, G ou GG. Preço: R$ 25.00 – Essa é a camisa oficial, de tiragem limitada e que não voltará mais para nosso estoque, do média-metragem gore feminista “O Doce Avanço da Faca”. Neste pequeno filme Petter Baiestorf e sua equipe de dementes voltaram seus olhos ao controle que os evangélicos tentam impôr à vida de todos. É um dos filmes brasileiros mais censurados de todos os tempos (perde somente para outras obras da própria Canibal Filmes, como “Deus – O Matador de Sementinhas” (1997), “Gore Gore Gays” (1998), “Boi Bom” (1998) ou “Arrombada – Vou Mijar na Porra do Seu Túmulo!!!” (2007), outras obras polêmicas dos Canibais do Sul do Brasil). Ao usar a camisa de “O Doce Avanço da Faca” você estará deixando bem claro que você não faz parte do rebanho, que você é um homem de espírito rebelde que clama pela liberdade individual, e livre arbítrio, de cada homem que vive neste planeta, com todos respeitando as diferenças e se fortalecendo com o apoio mútuo. Na foto ao lado Leyla Buk dá uma mostra de como as meninas podem costumizar suas camisas no conforto de seus próprios lares e deixar as camisas da Canibal Filmes ainda mais sexys.

Vadias do Sexo SangrentoSomente na cor preta, somente tamanho G. Preço: R$ 25.00 – Essa é a camisa comemorativa do clássico underground transgressor “Vadias do Sexo Sangrento”, filme de humor negro da Canibal Filmes onde o elenco inteiro interpreta nú a mais incrível sucessão de cenas de bom gosto do cinema brasileiro. Poucas peças dela no estoque e não será mais feita nenhuma. Se você ver alguém usando essa camisa vai saber na hora que é um dos poucos felizardos do mundo a ter essa magnífica camisa que atraí olhares por onde quer que passe, ou melhor, se você comprar agora uma das últimas peças será, com certeza, a pessoa mais descolada da festa, a pessoa cujo todos olhares serão direcionados e que chamará toda atenção. “Vadias do Sexo Sangrento” é um cult da Canibal Filmes que deixa todos molhadinhos!

ZombioSomente na cor preta, tamanho M, G ou GG. Preço: R$ 30.00 – “Zombio” (1999) é o primeiro filme autenticamente brasileiro a mostrar zumbis na tela, é um dos grandes clássicos sangrentos e alucinados do cinema brasileiro, é o filme de zumbi onde moscas perseguem a carne putrefacta dos zumbis e mostra o que seria a realidade fedida de um verdadeiro holocausto zumbi. “Zombio” se tornou uma peça cult na filmografia brasileira, um filme barato cheio de cenas hilárias (como o herói fazendo embaixadinhas com uma cabeça decepada) e que continua extremamente jovem e sempre conquistando novos fãs. É a camisa ideal para você comprar, vestir e sair por aí fazendo mais amigos! Vestindo uma camisa do filme “Zombio” todos saberão que você tem um senso de humor sádio, uma pessoa divertida capaz de rir das piadas mais politicamente incorretas,  uma pessoa que realmente vale a pena conhecer e se relacionar!

CanibukSomente na cor preta, tamanho M, G ou GG. Preço: R$ 30.00 – Essa é a camisa oficial do blog Canibuk que tem os leitores mais especiais do mundo. Canibuk foi criado por Petter Baiestorf e Leyla Buk em 2010 para a divulgação de cultura obscura e desde então se tornou uma marca da verdadeira cultura outsider, ponto de encontro de pensadores transgressores e leitores sedentos por informações do maravilhoso mundo da cultura independente. Canibuk está entrando no seu terceiro ano e criou essa linda camisa, com arte original de Leyla Buk, para que os leitores do blog possam passar a vestir a camisa do blog. A escolha de um punk prá ilustrar a camisa tem tudo haver com o blog que explora o faça você mesmo dos anos 1970 e 1980. Petter e Leyla, mesmo editando um blog, são eternos zineiros! Vista a camisa do Canibuk!!!

Accion MutanteSomente na cor preta, somente tamanho G. Preço: R$ 30.00 – Este filme não é uma produção da Canibal Filmes, mas é um dos filmes preferidos de Petter Baiestorf que, na falta de uma camisa oficial deste lindo filme, quis homenagear os 20 anos da produção de Álex de la Iglesia com uma camisa deste inacreditável clássico do cinema de humor negro. Foram feitas somente 10 peças desta camisa e assim que todas as peças serem vendidas não será mais colocada de volta ao estoque. Se você ainda não assistiu este filme saiba que está perdendo um dos maiores filmes de sci-fi gore do cinema mundial, é o filme que marca a estréia como diretor do genial Iglesia e trás participação de Santiago Segura em pequeno papel. Imperdível!!!

FILMES:

A Curtição do Avacalho (2006, 73 min.) de Petter Baiestorf. DVD simples – R$ 10.00.

Refilmagem livre de “O Incrível Homem Que Derreteu” (“The Incredible Melting Man“) transformada em história ateísta de histeria-pop com fundos de comédia anarquista na melhor tradição do cinema udigrudi brasileiro dos anos 60/70. Mais do que uma simples homenagem, “A Curtição do Avacalho” prova que é possível dar continuidade às experimentações do cinema Marginal adicionando um caldo gore-transgressor. O DVD ainda inclui os fantásticos extras: galeria de fotos da produção, roteiro, cenas deletadas, erros de gravação, trailer de produções independentes, o documentário “Baiestorf: Filmes de Sangueira e Mulher Pelada” (2004) de Christian Caselli e o mais genial menu-pegadinha de todos os tempos.

O Monstro Legume do Espaço (1995, 77 min.) de Petter Baiestorf. DVD simples. R$ 12.00.

Clássico do cinema underground brasileiro precursor de todas as produções do gênero que ganharam lançamento independente após “O Monstro Legume do Espaço” tomar de assalto a grande mídia nos anos 90 provando que era possível realizar o sonho do cinema com pouquíssimos recursos. Aqui um alienígena constituído de fibras vegetais chega ao planeta Terra e é aprisionado por um cientista. Com ajuda do coprofago Caquinha ele consegue escapar e promove um banho de sangue carregado de vísceras humanas. O DVD é um programa duplo que trás as duas primeiras partes de “O Monstro Legume do Espaço” (a original de 1995 e a segunda parte de 2006), com legendas em inglês, making off, erros de gravação, vídeo-clips, galerias de fotos e trailers de outras produções independentes.

Arrombada – Vou Mijar na Porra do seu Túmulo!!! (2007, 38 min.) de Petter Baiestorf. DVD simples. R$ 12.00.

Um traficante condenado é obrigado por um juiz de direito eleito senador duas vezes pelo voto popular à seqüestrar uma menina para saciar seus mais baixos instintos bestiais na companhia de seu médico particular punheteiro e seu padre amado. Muita putaria e violência no retorno de Baiestorf aos filmes de sexploitation carregados de críticas sociais. Masturbe-se e goze gostoso com este festival de estupros e o peculiar humor bizarro da Canibal Filmes. Por ser um média-metragem, o fantástico DVD de “Arrombada” ainda traz os curtas: “Que Buceta do caralho, Pobre só se Fode!!!” (2007, de Baiestorf), “Manifesto Canibal – O Filme” (2007, de Baiestorf e Souza), “O Nobre Deputado Sanguessuga” (2007, de Baiestorf), “Amigo Imaginário” (2007, de Baiestorf e Gurcius), “Dark Angel” (2007), “O Manjar dos Deuses” (2007, de Gustavo Insekto), “Apagogia” (2007, de Moacir Siso) e “Tudo Começou Quando Mamãe Conheceu Papai” (2007, de Gurcius Gewdner). Mais os maravilhosos extras com legendas em inglês, trailers, making offs, erros de gravação, entrevistas com Baiestorf, faixas de comentário em áudio com Baiestorf, Coffin Souza e Gurcius Gewdner e o documentário “Um Arrombado na Estrada”.

Zombio/Eles Comem Sua Carne (1999-1996, 45 min.-73 min.) de Petter Baiestorf. DVD simples. R$ 12.00.

Incrível double feature com dois clássicos do cinema gore brasileiro. “Zombio” é o primeiro filme com zumbis produzido no Brasil, conta a história de um casal de playboys ecologistas que vai namorar numa ilha deserta e encontra uma horda de zumbis canibais. “Eles Comem Sua Carne” mostra a hilária história de vida de um grupo de canibais anti-sistema que vive em harmonia devorando fiscais da prefeitura de Palmitos que vão cobrar o IPTU atrasado. Traz de extra os curtas “Zumbis do Espaço de Lá” (2008, de Larissa Anzoategui), “Colt Romero” (2008, de Cristian Verardi), o documentário “Andy – Chegando ao Zombio”, documentário “Revisitando o Set de Zombio 10 Anos Depois”, faixas de comentário em áudio, trailers, testes de FX e making off de Eles Comem Sua Carne.

Vadias do Sexo Sangrento (2008, 31 min.) de Petter Baiestorf. DVD duplo – R$ 17.00.

Como todo bom macho que pensa com a cabeça do pau, Russ começa a perseguir sua ex-namorada Mirza que o trocou por Tura, uma lésbica boa de língua e de bunda. Muita sangueira e sadismo na comédia romantica onde Baiestorf discute o relacionamento amoroso em nossa sociedade de forma quase adulta debochando dos clichês do gênero. “Vadias do Sexo Sangrento” é experimentalismo radical que dá seqüência as teorias do livro “Manifesto Canibal” (de Baiestorf e Coffin Souza), grande bíblia profana do cinema underground brasileiro. O DVD duplo traz ainda os curtas “Rottina” (2008, de Rodrigo Pedroso), “Palhaço Triste” (2005, de Baiestorf), “Dia de Ano” (2005, de Gurcius Gewdner), “Dominação Bizarra” (2004, de Zé Colmeia), o documentário “Vadias no Cinehorror 3”, legendas em inglês, dublagem em inglês, making off, erros de gravação, faixas de comentário em áudio de Baiestorf e Coffin Souza e entrevistas com Carli Bortolanza, Lane ABC, Ljana Carrion, Elio Copini, Everson Schütz, PC e Petter Baiestorf.

Triunvirato (2004, 55 min.) de Gurcius Gewdner – DVD simples – R$ 10.00

O dramático documentário sobre o processo de criação de Gurcius Gewdner como diretor e com o conjunto musical Os Legais. Mostrando as duras verdades da vida, causou comoção e ódio em todos os cantos do planeta onde foi exibido. Sinta o sabor da dor e da verdade neste documento chocante, revelador e repleto de suspense, que irá embelezar o vazio de sua vida. Um filme que ensina de maneira soberba a arte de ser picareta, as lições estão aqui, é só você destilar tudo, ruminar, aplicar na sua vida e ficar famoso. Extras: Legendas em inglês, galeria de fotos, trailers, jogo dos sete erros, making off, discografia de Os Legais e Os Legais em estúdio.

Mamilos em Chamas (2007, 80 min.) de Gurcius Gewdner – DVD simples – R$ 10.00

A saga do homem que trocou o ritmo alucinante da noite latejante pelas alegrias iluminadas do amor. Um filme que fará seu corpo e toda sua família explodir em prazer com as mais excitantes cenas de sexo e ação já gravadas no cinema brasileiro. É a emocionante história de um coelho perversamente dividido entre as delícias sem fim do prazer pulsante, a dura realidade do trabalho assalariado e a mais completa bestialidade, tudo isso em conflito com a descoberta do amor resplandecente. Poderá este homem aceitar o passado negro de sua amada e ajudá-la a recuperar seu pobre filho das mãos de malignos malfeitores? Erótico! Dramático! Místico! Relaxante! Romântico! Frenético! Assustador! Sem extras!

Confinópolis (2012, 15 min.) de Raphael Araújo. DVD simples. R$ 15.00

“Confinópolis” é um curta de Raphael Araújo com base em uma HQ dele mesmo que havia sido publicada na revista Prego anos atrás. A HQ virou um filme político de primeira grandeza, teorizando sobre um povo que se deixa governar por um tirano (que pode ser qualquer político, mesmo os políticos “bonzinhos”). Aqui vemos um lugar fictício onde as criaturas possuem uma fechadura no lugar do rosto e todos tem a esperança de que a salvação virá na figura de uma chave. Essa é a pequena deixa para que Araújo teorize sobre a manipulação política, sobre a televisão (um lindo flashback em animação – cortesia do artista Felipe Mecenas – explica como a sociedade ficou hipnotizada por milhares de caixas de luz hipnótica) e sobre como ações individuais podem fazer a diferença em uma sociedade. Quem fica em silêncio concorda com as atrocidades cometidas por políticos, religiosos, militares e imprensa, que sempre caminham de mãos dadas pelo jardim da tirania. Leia mais sobre este ótimo curta em “Confinópolis – A Terra dos Sem Chave“.

A Noite do Chupacabras (2011, 105 min.) de Rodrigo Aragão. DVD simples. R$ 20.00

A história de Douglas Silva (Joel Caetano), que retorna ao seu berço familiar no interior do Espírito santo, acompanhado de sua namorada grávida (Mayra Alarcón). Mas as coisas não estão bem para sua família, a morte de vários animais, reacende um antigo conflito com seus vizinhos agressivos e rivais, os Carvalho. Um rotineiro conflito de bar, quebra a trégua na guerra familiar e entre agressões, tiros e facadas, todos vão descobrir que um mal muito maior está entre eles: uma monstruosa e faminta criatura escondida na mata. Os Silva e os Carvalho, vão se matar e serem mortos pelo monstro, e ainda encontrar no caminho a figura mítica e também perigosa do “Velho-do-Saco” (Cristian Verardi). Douglas vai ter que provar a força que não se transformou em típico rapaz covarde da cidade grande e enfrentar a fúria do Chupacabras (Walderrama dos Santos) e do perigoso e demente Ivan Carvalho (Petter Baiestorf). Novamente como em “Mangue Negro” (2008), Rodrigo Aragão assume a direção, roteiro e efeitos especiais de maquiagem com extrema competência e grande parte do elenco também se divide em múltiplas funções técnicas, típico do cinema independente e de guerrilha. Um elenco afinado (e principalmente, escolhido “a dedo”), cenários naturais e muito bem fotografados e uma trilha sonora composta por grupos regionais como Vida seca, Pé do Lixo, Manguerê e Panela de Barro, que acompanha a trama de vingança, suspense e ação, sem cair no lugar comum de músicas eletrônicas, Rock pesado ou música Clássica de arquivo . A trama se desenvolve de forma natural, e para os impacientes com a demora da entrada do personagem-título em cena, a magnífica e original maquiagem “full-body” e a performance de Walderrama dos Santos enche os olhos e mostra que apesar da trama central ser focada na guerra interiorana entre famílias, este é sim , um filme de Monstro! Um monstro nacional (ou nacionalizado) e com todas as chances de ter uma carreira internacional, como aliás já está acontecendo: devagar, sorrateiro como um ataque de um Chupacabras! Leia mais sobre “A Noite do Chupacabras” aqui. Extras: Making of, galeria de fotos, trailers.

Se você se interessou em algum DVD, deposite o dinheiro na conta

BANCO DO BRASIL

Ag. 0736-6

Conta 16.625-1

Em nome de Iara Beatriz Padilha Dreher

Para maior agilidade, mande comprovante de depósito pro e-mail baiestorf@yahoo.com.br (no caso de não enviar comprovante em anexo ao pedido, levamos até 10 dias úteis para confirmar depósito).

Tendo feito pedido, não esqueça de enviar seu endereço postal para entrega dos DVDs para o e-mail baiestorf@yahoo.com.br

ENTRE EM CONTATO PARA CALCULARMOS O VALOR DAS DESPESAS POSTAIS. COMPRAS ACIMA DE R$ 100.00 O CORREIO É POR NOSSA CONTA.

Qualquer dúvida escreva solicitando informações para o e-mail baiestorf@yahoo.com.br

Cereja do Bolo

Posted in Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 14, 2012 by canibuk

Nosso amor de banco detrás do carro

onde transavamos alegremente…

.

Frequentamos todos os escuros da cidade.

A melhor hora do dia: foder

no banco detrás.

.

Também me apertava pra levá-la ao motel duas vezes por mês.

E eu fazia tudo pra que nos variássemos,

inventava tanta coisa pra que não se estafasse.

.

Jamais esporrei-a com desdém.

O sêmen corria-lhe viscoso por suas coxas, seios, rosto…

Escorria volumoso e era um outro afago,

forte, em sua pele.

Parecia dizer-lhe “estou aqui! Me derramo em você!”.

.

“Quentinho…”, ela respondia.

Era nosso amor.

.

Quanto quis comer aquele cu e me segurei!

O que veria em dar-me o cu?

.

Eu olhava aquele cuzinho lindo

e o amava como

amo

a cereja do bolo que deixei pro final.

.

Depois de mil fodas acrescentei

mil brigas, ciumes e traições

ao nosso amor.

Assim não nos entediávamos.

.

E ela foi embora

com seu cuzinho quase

quase intacto.

.

Como é triste

e é sem sentido

o amor.

Poesia de Elias F. Pacheco.

Ensaios de Annette Schwarz

Posted in Arte Erótica with tags , , , , on fevereiro 17, 2011 by canibuk

Annette, em seu site oficial, se apresenta assim: “Meu nome é Annette Schwarz e nasci em 1984 numa pequena aldeia alemã na fronteira com a França. Já na minha adolescência eu sonhava em ser famosa, então, me mudei para Munique e comecei a trabalhar como enfermeira, o que me deu a possibilidade de me tornar independentes de meus pais e ter minha primeira experiência sexual. Mas ainda sentia falta de uma coisa: SEXO!!! Sexo tanto quanto possível, sexo com homens e mulheres, sexo 24 horas por dia, sexo suficiente para mil vidas. Então, no meu aniversário de 18 anos, fiz meu primeiro contrato com uma famosa produtora de filmes adultos. Como sempre fui diferente das garotas da minha idade, não foi o dinheiro, mas o puro prazer que me atraiu para a pornografia.”

Fiz uma pequena seleção usando como base 5 ensaios fotográficos da Annette (que ela realizou para a Juliland) que achei belíssimos. Boa diversão!!!