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Hieronymus Bosch e as Delícias das Tentações Cristãs

Posted in Arte e Cultura with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 30, 2012 by canibuk

Hieronymus Bosch era pseudônimo do pintor Jeroen Van Aeken em homenagem à sua terra natal ‘s-Hertogenbosch (que significa “A Floresta do Duque”), cidadezinha que fica a 80 km de Amsterdã. Bosch foi influênciado por pintores alemães como Martin Schongauer, Matthias Grünewald e Albrecht Dürer e, séculos mais tarde, se tornou fonte de inspiração para o movimento surrealista do século XX.

Nascido em 1450 (e falecido em 1516), sabe-se pouco sobre a vida pessoal de Bosch. Especula-se (sem provas concretas) que o pintor teria pertencido a uma das seitas que na época se dedicavam às ciências ocultas, onde teria aprendido os segredos dos sonhos e da alquimia e, em conseqüência destes estudos, teria sido perseguido pela santa Inquisição católica.

As obras de Bosch se inspiram na mitologia da religião cristã e, com refinado dom para o uso das cores, criou uma série de fantásticos quadros de ordem religiosa, com macabras imagens que perseguiam o homem medieval (e ainda perseguem, se julgarmos a força destas seitas cristãs nos dias de hoje, de católicos à evangélicos, com seus dogmas que transformam qualquer liberdade/livre pensar em pecado).

Bosch assinou somente sete de suas pinturas, o número exato de obras sobreviventes do artista é motivo de discussões em mesas de botecos desde que as mesas de boteco foram criadas. Sabe-se que a partir do séxulo XVI numerosas cópias (ou variações) de pinturas suas começaram a circular devido ao seu influente estilo e que foi amplamente imitado por seus numerosos seguidores.

Meu primeiro contato com a obra de Bosch foi quando criança, tinha meus cinco ou seis anos de idade (lá por 1979/1980) e era fascinado por uma toalha de mesa que minha vó possuía estampada com vários desenhos retirados de “O Jardim das Delícias”, sua obra mais famosa. A arte de Bosch, mesmo que numa toalha de mesa suja por migalhas de pão e respingos de café, exerceu grande influência na minha personalidade de moleque avesso às autoridades.

Filmes

“Hieronymus Bosch” (1963, 16 min.) de François Weyergans. Com: María Casares (narração).

Em seu segundo curta-metragem o diretor François Weyergans, que nos anos de 1960 escrevia para a Cahiers du Cinéma, traça uma breve biografia do genial pintor. Não consegui achar este crta para assistí-lo.

“Le Jardin desDélices de Jérôme Bosch” (1980, 34 min.) de Jean Eustache. Com: Sylvie Blim, Catherine Nadaud e Jean-Noel Picq.

Este média-metragem francês, também conhecido pelo título “Hieronymous Bosch’s Garden of Delights”, é uma comédia dramática onde o cineasta Jean Eustache reconstituí uma discussão – que ele testemunhou anos antes – do psicanalista Jean-Noel Picq com algumas pessoas. Jean Eustache não é considerado membro da Nouvelle Vague, mas seu estilo de filmar dialoga com essa escola estética. Seu filme mais famoso é “La Maman et la Putain” (1973), estrelado por Jean-Pierre Léaud, com roteiro que Bernardo Bertolucci surupiou quando realizou seu “The Dreamers” em 2004.

Se achar, veja também “Il Paradiso Perduto” (1948, 10 min.) de Luciano Emmer e Enrico Gras.

Veja aqui “Le Jardin des Délices de Jérôme Bosch” (1980):

2 Curtas

Posted in Cinema with tags , , , , on fevereiro 20, 2011 by canibuk

“Les Gros et le Maigre” (1961, 15 minutos) de Roman Polanski.

Logo após graduar-se na National Film School, Polanski realizou este hilário curta onde ele mesmo interpreta um escravo que toca flauta e bate num tambor para entreter seu mestre (enquanto sonha em fugir para Paris). Polanski foi influenciado pelo teatro do absurdo ao escrever este curta e, após essa produção, Polanski ficou internacionalmente conhecido com o longa “Knife in the Water” (1962, já lançado em DVD no Brasil pela Amazonas Filmes).

“Nobody Wants to Play With Me” (1976, 13 minutos) de Werner Herzog.

Muitos anos antes da palavra “bullying” se tornar clichê na imprensa brasileira, o visionário Herzog (dos clássicos “Fitzcarraldo”, “Cobra Verde”, “Fata Morgana” e inúmeros outros filmaços) realizou este curta educacional onde vemos uma criança que não é aceita por seus colegas de aula. Herzog encontrou tempo para realizar esse curta entre a produção do “Jeder für sich und Gott gegen alle” (“O Enigma de Kaspar Hauser”) e “Herz aus Glas” (“Coração de Cristal”), com grana do Institut für Film und Wissenschaft und Bild em Unterricht (Instituto de Cinema e Imagem na Ciência e Eduação).