Arquivo para sleaze

Humanoides Tarados das Profundezas do Mar Azul

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 6, 2015 by canibuk

Humanoids From the Deep (“Criaturas das Profundezas”, 1980, 80 min.) de Barbara Peeters. Com: Vic Morrow, Doug McClure, Ann Turkel e Rob Bottin como uma das criaturas.
POSTER - HUMANOIDS FROM THE DEEP (2) - BELGIANNuma pequena comunidade de pescadores o trabalho vai mal, aparentemente os peixes estão todos sumindo. A esperança de emprego para os pescadores parece ser uma fábrica de conservas que está sendo construída na comunidade e que, sem que ninguém saiba, estão realizando experiências com hormônios de crescimento – o que faz com que algumas criaturas das profundezas do oceano evoluam e se tornem humanoides em busca de fêmeas humanas para a procriação. Levantando o problema ecológico temos um índio que luta contra o dono da fábrica, desviando a atenção das criaturas num primeiro instante, até que homens começam a serem mutilados e as mulheres estupradas. E claro que, por ser um filme de baixo orçamento que tenta lucrar com o sucesso de produções como “Jaws/Tubarão” (1975) de Steven Spielberg e “Piranha” (1978) de Joe Dante, “Humanoids” nos reserva um festival (assim como nos dois filmes citados) para as cenas finais onde as criaturas das profundezas realizam seu banquete/orgia em um divertido ataque em massa aos humanos, o que nos leva ao perturbador final do filme com ecos de chupação de “Alien” (1979) de Ridley Scott.
Humanoids1“Humanoids from the Deep” tem tudo que faz a alegria de um fã de filme vagabundo: monstros, cientistas, peitinhos, ataques brutais, cidadezinha isolada, história ágil, putaria, depravação, bestialismo e um monte de cenas memoráveis. Uma cortesia de Roger Corman, que não contente com as cenas de violência filmadas pela diretora Barbara Peeters (originalmente Corman queria que Joe Dante dirigisse), chamou James Sbardellati (que depois realizou a trasheira “Deathstalker” em 1983 e foi assistente de direção em filmes como “The Island of Dr. Moreau/A Ilha do Dr. Moreau” (1996), uma bagunça cinematográfica da dupla Richard Stanley/John Frankenheimer) para filmar os estupros de uma maneira mais brutal/explícita, fato que fez com que muitos dos atores e técnicos do filme passassem a odiar a produção. Aliás, notem como “Humanoids from the Deep” se parece com “The Horror of Party Beach” (1964) de Del Tenney.
humanoids-3Roger Corman foi o produtor executivo de “Humanoids” e para falar da carreira deste mestre do cinema moderno seria preciso um adendo que daria um segundo post. Corman iniciou sua carreira dirigindo filmes para a American International Pictures dos sócios James H. Nicholson e Samuel Z. Arkoff, que são os responsáveis pelos filmes mais divertidos da história do cinema. Do western “Five Guns West/Cinco Revólveres Mercenários” (1955) até “Roger Corman’s Frankenstein Unbound/Frankenstein – O Monstro das Trevas” (1990) foram 56 filmes dirigidos. Corman é um dos produtores mais espertos do cinema mundial, sendo o responsável por mais de 400 produções, de “Highway Dragnet/Consciência Culpada” (1954), de Nathan Juran, até os dias de hoje (sim, Corman continua na ativa, tanto que em 2014 esteve em Curitiba, à convite da produtora Diana Moro, ministrando uma master class), com produções como “CobraGator” (2015) de Jim Wynorski. Corman foi o responsável pela primeira chance de milhares de cineastas americanos, o início de carreira de gente como Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Ron Howard, Peter Bogdanovich, Paul Bartel, Jonathan Demme, Joe Dante, James Cameron, John Sayles, Monte Hellman, entre muitos outros, foram em produções de Roger Corman.
Humanoids-from-the-Deep-FrLC1Barbara Peeters, a diretora de “Humanoids”, começou na indústria cinematográfica fazendo de tudo um pouco. Foi atriz em “The Gun Runner” (1969) e supervisora de roteiro no biker movie “Angels Die Hard/Motoqueiros Selvagens” (1970), ambos de Richard Compton; gerente de produção em “Night Call Nurses” (1972) de Jonathan Kaplan, e até coordenadora de dublês em “Moving Violation” (1976) de Charles S. Dubin. Estreou na direção em 1970 com o drama exploitation “The Dark Side of Tomorrow”, co-dirigido por Jack Deerson. Foi contratada por Roger Corman para realizar filmes pela New World Picture, o que fez com que sua carreira ganhasse um novo gás. “Humanoids from the Deep” (1980) foi seu último trabalho para Corman, logo após ele encomendar cenas de estupro mais brutais para o filme, Peeters pediu para que seu nome fosse retirado dos créditos, como Corman ignorou o apelo ela se demitiu e passou a dirigir produções para a televisão. Na década de 1990 fundou sua própria produtora, Silver Foxx Films, e desde então passou a realizar comerciais de televisão. Uma pena, já que seus filmes para o cinema sempre eram bem curiosos.
POSTER - HUMANOIDS FROM THE DEEPRob Bottin, o gênio da maquiagem por trás do clássico “The Thing/O Enigma de Outro Mundo” (1982) de John Carpenter, foi o responsável pela criação dos humanóides tarados deste filme (outras de suas criações inesquecíveis foram os lobisomens de “The Howling/Grito de Horror” (1981) de Joe Dante; o policial robô de “Robocop/O Policial do Futuro” (1987) de Paul Verhoeven, e o design dos lagartos em “Fear and Loathing in Las Vegas/Medo e Delírio” (1998) de Terry Gilliam). Em “Humanoids” Bottin interpretou uma das criaturas e foi ajudado pelos assistentes de maquiagens Steve Johnson (que depois fez as maquiagens em produções como “Big Trouble in Little China/Os Aventureiros do Bairro Proibido” (1986) de John Carpenter e “Night of the Demons/A Noite dos Demônios” (1988) de Kevin Tenney), Shawn McEnrou (que trabalhou em filmes como “Night of the Creeps/A Noite dos Arrepios” (1986) de Fred Dekker e “The Texas Chainsaw Massacre 2/O Massacre da Serra-Elétrica 2” (1986) de Tobe Hooper) e Kenny Myers (que fez as maquiagens no trashão “Metalstorm” (1983) de Charles Band e na comédia “Return of the Living Dead 2/A Volta dos Mortos-Vivos 2” (1988) de Ken Wiederhorn). Os efeitos especiais foram do veterano Roger George (que começou lá em 1959 em “Invisible Invaders/Invasores Invisíveis”, de Edward L. Cahn, e na década de 1980 comandou a função em filmes importantes como “The Terminator/O Exterminador do Futuro” (1984) de James Cameron) com ajuda do jovem Chris Wallas que, depois, se tornou diretor em “The Fly/A Mosca 2” (1989).

humanoids2
Alguns dos técnicos que também trabalharam em “Humanoids” foram Jimmy T. Murakami, que dirigiu algumas cenas e, no mesmo ano, dirigiu o pequeno clássico “Battle Beyond the Stars/Mercenários das Galáxias”; Martin B. Cohen foi produtor/roteirista (ele foi diretor do biker movie “The Rebel Rousers” (1970), estrelado por Jack Nicholson, e produtor executivo do lixo Cult “Blood of Dracula’s Castle” (1969) do sempre ruim Al Adamson) ao lado de Hunt Lowry (que depois se tornou produtor dos filmes de comédia do amalucado trio David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker e, também, foi produtor executivo do Cult movie para jovens moderninhos “Donnie Darko” (2001) de Richard Kelly). Mark Goldblatt foi o editor (antes já havia montado o “Piranha” e depois montou “The Terminator”) e Gale Anne Hurd, que depois viria a se tornar uma das mais importantes produtoras das décadas de 1980/1990, foi assistente de produção neste pequeno clássico do Corman.
“Humanoids from the Deep”, que na Europa é conhecido pelo título “Monster” (não confundir com a produção de Kenneth Hartford, também de 1980), é uma exemplar sci-fi de horror típica de uma época em que o cinema tinha como obrigação ser despretensioso e muito eficiente na arte de, simplesmente, entreter o público.

por Petter Baiestorf para o livro “Arrepios Divertidos”.

veja o trailer de “Humanoids from the Deep” aqui:

Tarzann, o Bonitão Sexy na Cola do Playboy Maldito

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 13, 2013 by canibuk

Terra das SacanagensNudie-Cuties foram variações dos Nudist Films (que eram produções com a nudez tratada de forma natural, explorada em filmes como “This Naked Age/This Nude World” (1932) de Jan Gay; “Elysia, Valley of the Nude” (1933) de Bryan Foy, ou o clássico “Garden of Eden/Paraíso dos Nudistas” (1954) de Max Nosseck), onde a nudez natural e saudável das personagens ganharam histórias mais complexas (mas não tão complexas, já que eram filmes feitos para divertir de forma escapista os espectadores) nas mãos de diretores gaiatos como a dupla H.G. Lewis/David F. Friedman, em sua fase anterior ao gore sem limites iniciada com o clássico “Blood Feast” (1963), e a rainha dos filmes nudistas, Doris Wishman, que realizou belezuras como “Hideout in the Sun” (1960); “Nude on the Moon” (1961), inacreditável bobagem sobre astronautas americanos que vão pra Lua e descobrem que lá as pessoas vivem como que num grande campo nudista lunar; e “Blaze Starr Goes Nudist” (1962), estrelado pela stripper real Blaze Starr. Este maravilhoso subgênero cinematográfico lelo pelo menos um grande cineasta gênio ao mundo: Russ Meyer, que estreou na direção de longas com “The Immoral Mr. Teas” (1959) e foi o responsável pelos populares Nudie-Cuties que surgiram no rastro de seu pequeno clássico.

Aqui no Brasil, provavelmente de forma inconsciente e bem atrasado em relação ao seus irmãos pervertidos americanos/europeus, Nilo Machado seguiu os passos dos Nudies-Cuties (flertando muito com o cinema nudista) quando produziu a obra-prima “Tarzann, O Bonitão Sexy” (1977, 51 minutos, direção de Nilo Machado), que contava a história de um grupo de exploradores amadores que vai para a floresta atrás de um avião carregado de ouro que caiu na região onde Tarzann vive com sua esposa Jane e um preguiçoso cachorrinho de madame.

Tarzann1Não espere nenhuma história. Assim que o destemido grupo de aventureiros chega à floresta começam a se banhar num lago, cantar pelados em rodas de acampamento e esperar pelo encontro com o misterioso Tarzann (que, ao aparecer no final do filme, revela todo o bom humor cafajeste de Nilo Machado). Em todo o decorrer do filme as mulheres ficam de topless, sem ter o que fazer na trama, só restando a elas exibirem seus corpos naturais nús. Aliás, percebe-se nitidamente que o elenco de desconhecidos do filme se divertiu muito filmando essa pequena peça obscura do nosso glorioso cinema nacional.

Tarzann2Sempre tive curiosidade em saber como eram os detalhes técnicos dos filmes de Nilo Machado e pude constatar que ele não deve em nada ao cinema americano produzido sem orçamento no início dos anos de 1960, confesso que eu até esperava uma produção mais capenga e improvisada. Neste “Tarzann, O Bonitão Sexy”, temos também uma ótima trilha sonora composta por um grupo que incluía Nilo Machado, Perez Gonzaga, Luiz Nunes, Jair Lemos e J. Wilson, também compositores de ótimas canções como “Vamos Para a Selva”, “Hoje Estou Feliz” e “Não Facilita Nega Se Não”, presentes no filme que foi quase que inteiramente filmado nos estúdios Adelana, no Rio de Janeiro.

Outro filme com produção/direção de Nilo Machado que tive o privilégio de assistir foi “Playboy Maldito” (1973, 50 minutos, direção de Nilo Machado) que, aos moldes dos dramas tragicômicos debochados de George Kuchar, prima pelo exagero das situações dramáticas corriqueiras da vida mundana dos estudantes.

Playboy Maldito

Playboy2A história de “Playboy Maldito” não poderia deixar de ser mais brasileira: Rapaz de família rica vai estudar no Rio de Janeiro e usa sua mesada para viver fazendo festas na noite carioca. O “Playboy Maldito” não perdoa ninguém e de noitada em noitada, orgia em orgia, vai comendo todas as menininhas da cidade, fazendo com que até o comendador Vitorio Palestrina (“Estupro”, 1979, de José Mojica Marins) pareça um santinho. De sacanagem em sacanagem Nilo Machado conduz o espectador à um hilário dramático desfecho carregado de uma moral às avessas. Acho muito bonito quando pervertidos tentam dar lições de moral.

Playboy3Nilo Machado, à exemplo do já citado José Mojica Marins, mostra os ricos como verdadeiros monstros sem moral, todos eles vestidos com figurinos pobres feitos de roupas de segunda e objetos de cena cafonas, como os copos floreados presentes em várias cenas deste “Playboy Maldito”, o que confere à essas produções um sabor brejeiro único. Nilo liga a (pouca) história do filme com muito striptease de mulheres feias e uma trilha sonora simplesmente maravilhosa de Lafayete e seu Conjunto (segundo os créditos do filme), com algumas canções escritas/compostas pela dupla Nilo Machado e Marcus José, como “Noite Vazia” (interpretada por Carmem Silvania); “Logo Mais Você Vem” (interpretada por Ubirajara) e “Noite Sem Luar” (interpretada por Marcus José). Essas trilhas sonoras dos filmes de Nilo Machado deveriam ser lançadas em vinil para o completo deleite dos colecionadores da boa música nacional. Foi uma pena Nilo Machado não ter seguido uma carreira musical em paralelo à sua vida dedicada ao cinema.

Tarzann3

Os filmes de diretores como Nilo Machado são repletos de defeitos técnicos e limitações orçamentárias, mas pulsam cheios de vida e um estilo único de fazer/viver cinema. Estes pequenos grandes clássicos obscuros do cinema nacional precisam ser resgatados e salvos, são uma parte muito importante da arte e história da sociedade brasileira para continuarem perdidos. Espero que o documentário que Nelson Hoineff está fazendo sobre o cinema de Nilo Machado saia o quanto antes.

por Petter Baiestorf.

Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitation

Posted in Cinema, Literatura, Livro with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 21, 2013 by canibuk

“Cemitério Perdido dos Filmes B: Exploitation” (2013, 220 páginas). Organizado por César Almeida. Editora Estronho.

Exploitation 1Concebido como uma continuação ao soberbo “Cemitério Perdido dos Filmes B” (2010) de César Almeida, este “Exploitation” se aprofunda ainda mais no cinema obscuro mundial (senti falta de tranqueiras da filmografia Indiana, Turca, Nigeriana, Filipina, mas isso deve ficar para um terceiro volume do “Cemitério Perdido dos Filmes B”). Neste volume César Almeida contou com a ajuda de outros aficionados ao escrever as resenhas, gente boa como: Carlos Thomaz Albornoz (jornalista), Laura Cánepa (jornalista), Leandro Caraça (crítico de cinema), Marco Freitas (publicitário), Ana Galvan (estudante), Osvaldo Neto (pesquisador e divulgador de cinema), Otávio Pereira (administração e sistema de informação), Ismael Schonhorst (humorista fracassado), Leopoldo Tauffenbach (doutor em artes visuais), Cristian Verardi (crítico de cinema) e Ronald Perrone (pesquisador de cinema), que se revezam nas resenhas de filmes divididos em capítulo sobre cinema splatter, artes marciais/chambara, giallo, policial exploitation, blaxploitation, nazisploitation/w.i.p./nunsploitation, sexploitation e exploitation regional (em dois capítulos, um sobre produções vagabundas da América Latina e outro sobre o apelativo cinema da Austrália e Canadá), tornando este livro uma bela introdução aos leigos que queiram conhecer o universo sem vergonha do cinema de exploração.

Exploitation 2Mas atenção, fanáticos por exploitation: Vocês sentirão falta de filmes mais obscuros. Entre os filmes resenhados (são 140 filmes analisados) estão pérolas como os divertidos “Ta Paidia Tou Diavolou/A Ilha da Morte” (1977, Nico Mastorakis); “Dawn of the Mummy” (1981, Frank Agrama); “L’Iguana dalla Lingua di Fuoco” (1971, Riccardo Freda); “Joë Caligula” (1966, José Bénazéraf); “Anita – Ur en Tonarsflickas” (1973, Torgny Wickman); “Emmanuelle Tropical” (1977, J. Marreco) e muitos outros filmes clássicos do gênero como “Cani Arrabbiati” (1974, Mario Bava); “Rabid” (1977, David Cronenberg); “Blood Feast” (1963, H.G. Lewis); “The Last House on the Left” (1972, Wes Craven); “Bloodsucking Freaks” (1976, Joel M. Reed); “La Montagna Del Dio Cannibale” (1978, Sergio Martino) e vários outros do ciclo de canibalismo italiano, bem como resenha de vários filmes de Lucio Fulci, Mario Bava, Dario Argento, Jack Hill, Bruce Lee, Pam Grier, etc (fez falta resenhas de produções de David F. Friedman – um dos reis do exploitation americano -, bem como produções distribuídas pelo lendário Harry Novak, Doris Wishman, Ted V. Mikels, Tsui Hark, Frank Henenlotter (o responsável por eu ter virado um fanático pelo gênero exploitation), entre outras lendas do cinema alucinado de exploração, mas 200 páginas realmente é pouco espaço para um apanhado mais profundo englobando também, por exemplo, westerns como “Viva Cangaceiro” (1971, Giovanni Fago) ou “Condenados a Vivir/Cut-Throats Nine” (1972, Joaquín Luis Romero Marchent), entre outros subgêneros).

Assim como o primeiro volume do “Cemitério Perdido dos Filmes B”, este é item obrigatório na estante dos fãs de um cinema mais selvagem e cru de uma época fantástica da sétima arte que sobrevive graças ao vídeo (hoje downloads) e a inúmeros cineastas independentes do mundo inteiro que continuam investindo dinheiro do próprio bolso para que essa tradição do alucinado cinema Exploitation continue infectando incautos telespectadores.

De ponto negativo no livro (e única coisa que achei desnecessária) são as infinitas citações à Tarantino, dando a falsa ideia de que os autores só conheceram o cinema exploitation a partir do cineasta americano (o que não é verdade, creio).  Meus sinceros parabéns ao César Almeida pela organização deste segundo volume de “Cemitério Perdido dos Filmes B”, a editora Estronho pelo lançamento e aos co-autores desta pequena maravilha. E que venham os próximos volumes o quanto antes.

Petter Baiestorf.

Storyboard de uma cena de Zombio 2: Chimarrão Zombies

Posted in Nossa Arte, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 21, 2012 by canibuk

Em primeiro lugar quero pedir desculpas aos leitores do Canibuk pela falta de atualizações (colaborações de qualidade são bem vindas e serão publicadas), mas como todos sabem estou trabalhando na pré-produção do meu novo longa-metragem e o tempo livre pro blog tem sido nulo. Acho que após abril (que é quando quero editar o filme com o Gurcius Gewdner) tudo voltará ao normal aqui. Mesmo assim, em breve, publicarei pequenos artigos sobre filmes independentes (filmes como “Psicofaca – O Maníaco das Facas”, filmado em Iraí/RS, “Punhos em Ação” e “No Rastro da Gang”, de José Sawlo, cineasta de Queimadas/PB) e algumas HQs, como “Transação Macabra”, a pedidos).

Chibamar Bronx.

Chibamar Bronx.

A pré-produção do “Zombio 2: Chimarrão Zombies” segue com Coffin Souza elaborando os efeitos de maquiagens gores (nas filmagens contaremos com o maquiador Alexandre Brunoro, do “Confinópolis“, nos ajudando), Leyla Buk desenhando os figurinos e storyboard de algumas seqüências do filme e eu, Gisele Ferran e Elio Copini correndo atrás de outros detalhes.

Yoko.

Yoko.

A produção de “Zombio 2” é um pouco maior do que dos meus filmes anteriores, estou atrás de dinheiro que nos ajude a fazer este filme com maiores cuidados, se você tem interesse em nos ajudar, leia “Como Investir no Zombio 2” e entre em contato comigo no e-mail baiestorf@yahoo.com.br

Klaus.

Klaus.

As possibilidades de se fazer um filme ultra gore, divertido e cheio de referências a cultura underground são infinitas e “Zombio 2” vai seguir nesta linha! Para o elenco já temos confirmado Airton Bratz repetindo o papel do detetive Chibamar Bronx, Miyuki Tachibana no papel da viúva negra Yoko, Coffin Souza no papel do mendigo debochado Klaus, Elio Copini no papel do faconeiro Américo Giallo e Gisele Ferran no papel da sexy Nilda Furacão. Como diretor de fotografia teremos o genial Leo Pyrata que já fez inúmeros filmes de arte lindos. E o filme contará ainda com inúmeras participações especiais que vou divulgando em postagens futuras.

Nilda Furacão.

Nilda Furacão.

Segue o storyboard da seqüência 24 desenhado pela Leyla Buk, ansioso por começar as filmagens de mais este pequeno filme de guerrilha repleto de vísceras, humor cafajeste e nudez gratuita para as comemorações de 20 anos de produções da Canibal Filmes.

Por Petter Baiestorf.
Ilustrações e Storyboard de Leyla Buk.

Seq. 24_1

Seq. 24_2

Seq. 24_3

Seq. 24_4

O Vingador Tóxico e sua Tromette Cega

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“The Toxic Avenger” (“O Vingador Tóxico”, 1984, 87 min.) de Lloyd Kaufman e Michael Herz. Com: Mitch Cohen, Mark Torgl, Andree Maranda e Marisa Tomei.

Tem alguns filmes que se tornam produções de estimação para nós. Não lembro exatamente quando assisti ao desbotado VHS com “The Toxic Avenger” (gravado em EP), mas quando botei meus olhos neste filme eu já era um trashmaníaco profissional e lembro que delirei com as aventuras do monstro tóxico herói que matava traficantes, bandidos filhos da puta, policiais corruptos (aqui no Brasil ele teria trabalho prá caralho) e namorava uma menina cega (interpretada pela gata Andree Maranda que, infelizmente, não seguiu carreira no cinema). Nas décadas de 1980, até meados de 1990, era muito difícil conseguir as produções da Troma aqui no Brasil. Na época já tinha ouvido falar da produtora nova iorquina (através de fanzines, lógico, porque nossa imprensa oficial é aquela piada desde sempre) e estava atrás de filmes deles como um doido. Logo consegui cópia de produções como “The Toxic Avenger”; “Monster in the Closet/O Monstro do Armário” (1986) de Bob Dahlin, com produção de Lloyd Kaufman e Michael Herz e “Street Trash” (1986) de Jim Muro (este somente distribuido pela Troma) e estes filmes eram o tipo de cinema pelo qual eu procurava: violentos, carregados no humor negro, debochavam do sistema e, além de divertidos, eram produções com muito sangue e gosmas diversas, sujos e alucinados, como o bom cinema precisa sempre ser.

Um pequeno grande clássico do cinema de baixo orçamento, “The Toxic Avenger” conta a história de Melvin (Mark Torgl) que trabalha como zelador no Health Club da fictícia Tromaville. Os jovens “saúde” que frequentam o clube (que são uma espécie de saradões fascistas) odeiam o feioso Melvin e resolvem pregar uma peça no nerd loser, que ao ser flagrado beijando uma ovelha sai correndo e se atira por uma janela pousando dentro de um tambor de lixo tóxico que estava por ali (num caminhão cujo motorista havia parado para dar umas cheiradinhas de pó). Melvin pega fogo e se transforma em Toxie (Mitch Cohen), um monstrengo nuclear deformado extremamente forte e de bom coração. Uma das primeiras ações de Toxie é salvar um policial honesto que estava a ponto de ser linchado por uma gangue de traficantes. Logo camisas com o rosto do bondoso monstro aparecem entre as crianças de Tromaville e o herói faz o trabalho da inapta polícia, mais ou menos como um Charles Bronson do clássico “Death Wish“, só que com voz de galã. O prefeito (Pat Ryan Jr.) da pequena cidade, chefão dos criminosos locais, chama a guarda nacional americana para ajudá-lo a exterminar o monstro herói e o exército aparece com seus tanques de guerra e vão até a barraca de Toxie para matá-lo, em um hilário final envolvendo centenas de extras recrutados no bairro onde está sediada a Troma Entertainment.

Eu & Lloyd Kaufman perdidos em São Paulo em busca de comida vegetariana.

Antes de “The Toxic Avenger”, Lloyd Kaufman e seu sócio Michael Herz produziam/distribuiam comédias sexuais. Lloyd Kaufman (1945) se formou na Universidade de Yale (entre seus colegas estavam gentinhas como Oliver Stone e George W. Bush). Influenciado por cineastas como Kenji Mizoguchi, Lubitsch, Stan Brakhage e o grupo Monty Python, em 1969 lançou seu primeiro filme, a comédia “The Girl Who Returned”, produção de baixo orçamento que trazia seu futuro sócio Herz no elenco. Kaufman acabou conhecendo John G. Avildsen (“Rocky”) e trabalhou em alguns de seus filmes, como “Joe” (1970) e “Cry Uncle!” (1971), ambas comédias, onde atuou de gerente de produção. Muitas vezes usando os pseudônimos Samuel Weil, Louis Su ou H.V. Spider, trabalhou em inúmeras produções, incluíndo os pornôs “Exploring Young Girls” (1977) de David Stitt, estrelado por Vanessa Del Rio, Sharon Mitchell e Erica Havens e “The Secret Dreams of Mona Q.” (1977) de Charles Kaufman (diretor de “Mother’s Day”, 1980), onde fez a direção de fotografia. Suas direções neste período incluiam comédias de mau gosto como “The Battle of Love’s Return” (1971) e os pornôs “The New Comers” (1973), com Harry Reems; “Sweet and Sour” (1974) e “The Divine Obsession” (1976), estrelado por Terri Hall. Em 1974 Kaufman e Herz fundaram a Troma Entertainment filmando lucrativas comédias de baixo orçamento como “Squeeze Play” (1979), e, agora com os dois sócios repartindo a função da direção, “Waitress!” (1981), comédia sobre garçonetes; “Stuck on You!” (1982), hilária comédia escatológica sobre um casal briguento que chegou a ser lançada no Brasil em VHS pela Look Vídeo; e “The First Turn-On!!” (1983), sobre as primeiras experiências sexuais de uma turma de praia. Aí rodaram “The Toxic Avenger”, visão pessoal de Kaufman sobre como realizar um filme de horror, e a Troma moderna, mais alucinada e debochada, teve início.

Lloyd Kaufman, eu e Gurcius Gewdner em almoço patrocinado pelo lendário Fernando Rick.

O primeiro filme pós “The Toxic Avenger” foi o cult “Class of Nuke’Em High” (1986), de Lloyd Kaufman, co-dirigido por Richard W. Haines (editor de “The Toxic Avenger”), sobre os alunos de uma escola que fica próxima a uma usina nuclear que começam a se comportar estranhamente; seguido do fracasso de bilheteria, possivelmente por causa dos cortes que sofreu pela MPAA, “Troma’s War” (1988), novamente com co-direção de Michael Herz, divertida e violenta paródia aos filmes de guerra estrelados por Chuck Norris e outros brucutus bobocas dos anos de 1980. Precisando de uma grana a dupla realizou simultaneamente “The Toxic Avenger 2” (1989) e “The Toxic Avenger 3: The Last Temptation of Toxie” (1989), continuações da saga heróica de Toxie. Como a Troma sempre foi bastante popular no Japão, em 1990 filmaram “Sgt. Kabukiman N.Y.P.D.”, hilária aventura do policial de New York que é possuído pelo espírito de um mestre kabuki. Em 1996 lançaram o grande clássico “Tromeu and Juliet”, uma avacalhada adaptação punk do chato “Romeu and Juliet” do ultra-gay Shakespeare, filme que foi lançado em VHS aqui no Brasil pela distribuidora Reserva Especial, o que fez com que a Troma ficasse um pouco mais conhecida por aqui. Na seqüência Kaufman dirigiu outro clássico insuperável, “Terror Firmer” (1999), sobre um psicopata fã de cinemão que ataca o pessoal da Troma comandada pelo diretor cego Larry Benjamin (interpretado pelo próprio Kaufman). Para marcar sua entrada no novo milênio, nada como lançar “Citizen Toxie: The Toxic Avenger 4” (2000), outro filmaço com o vingador tóxico e o capítulo mais alucinado e incorreto da série. Uma quinta parte de “The Toxic Avenger” chegou a ser anunciada, mas acho que não entrou em produção ainda. Depois de uma série de documentários produzidos em vídeo, Kaufman lançou o espetacular “Poultrygeist: Night of the Chicken Dead” (2006), onde galinhas zumbis atacam uma lanchonete e caras como Ron Jeremy e o próprio Lloyd Kaufman parecem se divertir horrores com cenas envolvendo merda, tripas e até dedadas no cu de figurantes. Genial!!! Após mais uma série de documentários picaretas em vídeo, coisas como “Direct Your Own Damn Movie!” (2009); “Diary-Ahh of a Mad Independent Filmmaker” (2009) e “Produce Your Own Damn Movie!” (2011), deve ser lançado em 2013 “Return to the Class of Nuke’Em High”, atualmente em pós-produção. Conheci Lloyd Kaufman em São Paulo alguns anos atrás e foi divertido demais, ele é exatamente igual quando aparece em seus filmes, ou seja, hiperativo, um alucinado debochado dono de uma energia fantástica.

Eu, esposa de Lloyd Kaufman e o debochado criador de Toxie.

Michael Herz conheceu Lloyd Kaufman na Universidade de Yale e parece que não se davam muito bem. Herz se tornou advogado, mas secretamente nutria o desejo de se tornar roteirista. A namorada (e futura esposa) de Herz era amiga de Kaufman e fez com que os dois se re-aproximassem e, juntos, acabaram fundando a Troma Entertainment e criando os clássicos que tanto admiramos. Em 1980 os dois produziram o pequeno clássico “Mother’s Day” (1980) de Charles Kaufman e uma série de comédias idiotas co-dirigidas por ambos. Em 1984 produziram “Combat Shock” de Buddy Giovinazzo, sobre um veterano do Vietnã perturbado que também se tornou clássico. Outras produções da dupla são filmes como “The Dark Side of Midnight” (1984) de Wes Olsen, sobre uma pequena cidade aterrorizada por um maníaco; “Screamplay” (1985) de Rufus Butler Seder, sobre um detetive investigando assassinatos descritos por um roteirista em seu script, estrelado pela lenda underground George Kuchar; “Igor and the Lunatics” (1985) de W.J. Parolini, sobre um lunático e sua gangue se vingando de uma cidadezinha, entre outras produções que foram mantendo a Troma em evidência no underground do cinema americano por toda a década de 1980. O último longa de Herz como co-diretor foi o clássico “Sgt. Kabukiman N.Y.P.D.” (se excluirmos o curta-metragem “The Troma System” que ele co-dirigiu em 1993). Desde então tem cuidado dos negócios burocráticos da Troma, deixando que o carismático Lloyd Kaufman seja o rosto público da produtora. Quando Herz precisa fazer alguma aparição pública ele sempre manda em seu lugar o ator de 200 quilos Joe Fleishaker.

O roteirista de “The Toxic Avenger” é Joe Ritter, um técnico mais conhecido por seu trabalho no departamento elétrico e como operador de steadicam em grandes produções como “Barton Fink/Delírios de Hollywood” (1991) de Joel e Eathan Coen; “Dracula” (1992) de Francis Ford Coppola; “Wayne’s World 2/Quanto Mais Idiota Melhor 2” (1993) de Stephen Surjik; “Pulp Fiction/Tempo de Violência” (1994) de Quentin Tarantino ou “Starship Troopers/Tropas Estelares” (1997) de Paul Verhoeven. Ritter dirigiu alguns filmes de baixo orçamento como “The New Gladiators” (1988), sobre gangues de rua numa Los Angeles pós-holocausto nuclear do anos 2010 e “Beach Balls” (1988), sobre um mané que sonha se tornar rockstar, ambos filmados simultaneamente com produção do lendário Roger Corman. O drama “Hero, Lover, Fool” (1996), com Ron Jeremy no elenco, também tem direção sua. Melvin, o nerd que se torna Toxie, é interpretado pelo ator Mark Torgl que já estava no elenco da comédia juvenil “The First Turn-On!!” (1983), filme anterior da dupla Kaufman-Herz. Em “Citizen Toxie: The Toxic Avenger 4” (2000) Mark voltou a participar da série no papel de Evil Melvin. Em 2005 apareceu no vídeo de horror “Beast” de Gary T. Levinson, mas na realidade ele ganha a vida como editor de seriados para a TV americana trabalhando em coisas como “World’s Most Amazing Videos” e “Inspector America”. Mitch Cohen é o ator que interpreta Toxie e também retornou na parte 4 da série (no papel de Lucifer). Em 1994 Mitch fez um pequeno papel no filme de estréia de Kevin Smith, “Clerks/O Balconista”, e, em 1995, produziu o curta-metragem “The Fan” de Brent Carpenter. O gorducho Pat Ryan Jr., que interpreta o corrupto prefeito de Tromaville, fez participações em filmes como “Birdy/Asas da Liberdade” (1984) de Alan Parker; “Invasion USA” (1985) de Joseph Zito e estrelado por Chuck Norris; “Street Trash” (1986) de Jim Muro e “Eat and Run/O Comilão de Outro Mundo” (1987) de Christopher Hart. Ryan morreu de ataque cardíaco em 1991, aos 44 anos. Como curiosidade, “The Toxic Avenger” é o primeiro filme onde a oscarizada Marisa Tomei deu as caras, ela faz parte dos figurantes do Health Club, não tendo sido creditada no filme.

Lloyd Kaufman e o emocionado fã brasileiro Gabriel Zumbi, muito a vontade com a lenda do cinema underground.

“The Toxic Avenger” foi lançado em VHS no Brasil pela distribuidora Play Filmes e continua inédito em DVD/Blu-Ray. Um remake versão família e censura livre deve ser lançado em breve deste primeiro filme. Em 2011 Lloyd Kaufman esteve aqui no Brasil realizando sua hilária “Master Class” onde ensinou como realizar filmes independentes. Quem perdeu é um mané!!!

por Petter Baiestorf.

Capa do meu VHS de “Stuck on You!” devidamente autografado por Lloyd Kaufman que fico impressionado ao ver alguém com este filme aqui no Brasil.

Basket Case

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 16, 2012 by canibuk

“Basket Case” (1982, 91 min.) de Frank Henenlotter. Com: Kevin Van Hentenryck, Terri Susan Smith e Beverly Bonner.

Este cult movie, que marca a estréia de Frank Henenlotter como diretor de longas, conta a história de Duane Bradley (Kevin Van Hentenryck) que se hospeda em hotel fuleiro de New York cheio da grana e com um misterioso cesto sempre nas mãos. Logo ficamos sabendo que dentro do cesto está Belial, gêmeo siamês de Duane que nada mais é do que um monstruoso torso. Duane e Belial foram separados quando tinham uns 12 anos de idade via uma sangrenta e traumatizante operação realizada a pedido do pai deles que não aceitava o monstrengo Belial grudado em Duane. Matando um a um os médicos veterinários que realizaram a operação, Duane encontra tempo para tecer amizade com uma puta acabadaça que reside no hotel e se apaixonar por uma jovem secretária, loirinha e tontinha, cuja relação desperta os ciúmes de Belial que mutila e estupra a jovem numa bela e rápida cena de necrofilia gore, desencadeando uma luta mortal com seu irmão.

Com efeitos especiais de stop motion Henenlotter deu vida à Belial, o mais divertido psicopata deformado da história do cinema. Belial era um mix de fantoche com outro boneco em tamanho grande onde um ator era metido dentro para os closes de seus olhos vermelhos (e todas as vezes que aparece a mão de Belial, é o braço do próprio Henenlotter dentro da prótese). Para dar vida ao Belial o diretor chamou os técnicos John Caglione Jr. (que havia sido assistente de maquiagens em “Friday The 13th Part 2/Sexta-feira 13 – Parte 2” (1981) de Steve Miner), Kevin Haney e Ugis Nigals, que estreiaram profissionalmente em “Basket Case” (Haney viria a fazer os animatrônicos do clássico “C.H.U.D.” (1984) de Douglas Cheek). Mesmo com uma produção de orçamento extremamente baixo, Henenlotter era um profundo conhecedor do cinema vagabundo e soube contornar todos os problemas ao conceber um divertido filme que foi lançado nos cinemas de New York em sessões da meia-noite, passando meio desapercebido, até ser descoberto e cultuado quando lançado em VHS.

Frank Henenlotter (1950) é um diretor independente que começou a fazer cinema inspirado pelos exploitations que eram exibidos nos cinemas da 42nd Street (que eram as verdadeiras grindhouses, termo popularizado e banalizado após Tarantino/Rodrigues terem feito seu “Grindhouse“). Começou fazendo filmes em super 8 quando adolescente e seu primeiro curta em 16mm, “Slash of the Knife”, foi exibido em sessão com o cult “Pink Flamingos” de John Waters. Ainda fez outros curtas, como “Son of Psycho” e “Lurid Women”, antes de estrear profissionalmente com “Basket Case” em 1982. Em 1988 realizou outro clássico do cinema sleaze, o também cult “Brain Damage”, uma interessante alegoria sobre a dependência das drogas. Na seqüência filmou três novos filmes, “Basket Case 2” (1990), continuação ainda mais debochada de seu grande clássico, filmado simultaneamente com “Frankenhooker” (1990), versão podreira da história de Frankenstein que mostrava como um nerd reanima o corpo de sua noiva, despedaçada por um cortador de grama, utilizando-se de pedaços de corpos de prostitutas, e “Basket Case 3” (1992), encerrando assim a saga do simpático monstrengo Belial. Depois de anos sem filmar, em 2008 Henenlotter lançou “Bad Biology”, sobre um homem e uma mulher que procuram a satisfação sexual e quando se encontram sua ligação sexual se revelará uma explosiva experiência. Em 2010 co-dirigiu, com Jimmy Maslon, o documentário “Herschell Gordon Lewis: The Godfather of Gore” que, além de H.G. Lewis, trazia ainda depoimentos de gênios como David F. Friedman e John Waters. Aliás, como curiosidade, “Basket Case” é dedicado ao avacalhado Lewis.

Frank Henenlotter renega que faz filmes de horror, em suas palavras, “Faço exploitation movies que tem uma atitude que você não vai encontrar nas produções de Hollywood. Meus filmes são rudes, provocadores, eles falam sobre assuntos que as pessoas costumam ignorar!”. Henenlotter até pode filmar pouco, mas é louvável sua postura de se manter a margem da indústria cinematográfica americana. “Basket Case” foi lançado em VHS em Portugal com o título de “O Mistério do Cesto” e via essa fita VHS que pude assistí-lo pela primeira vez no início dos anos de 1990. Aqui no Brasil continua inédito.

por Petter Baiestorf.

Assista “Basket Case” aqui:

Capa do VHS lançado em Portugal.

Como era Gostoso o meu Chinês: As Sacanagens de Fu Manchu e Jess Franco no Rio Babilônia

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 7, 2012 by canibuk

A mais diabólica personificação do perigo amarelo!

O Dr. Fu Manchu, o gênio do mal criado pelo escritor inglês Sax Rohmer – exótico pseudônimo adotado por Arthur Henry Sarsfield Ward – fez uma rápida transição das páginas para as telas. A estreia cinematográfica oficial do legítimo representante dos medos e paranoias de toda uma geração de ocidentais – um amálgama de vários estereótipos atribuídos especialmente aos chineses – data de 1923, quando foi interpretado por Harry Agar-Lyons em dois seriados mudos, dez anos após o lançamento de sua primeira aventura na Inglaterra, The mistery of Dr. Fu Manchu (The insidious Dr. Fu Manchu, nos EUA), em 1913.

Apesar da notável diferença com a descrição física do personagem (“um homem alto, magro e felino, de ombros elevados, testa ampla como a de Shakespeare, rosto satânico, crânio raspado, olhos oblíquos, magnéticos, de pupilas verdadeiramente verde-gato”), o gorducho Warner Oland – o mais popular Charlie Chan do cinema – herdou o personagem de Lyons, estrelando três filmes para a Paramount e inaugurando a fase sonora do vilão. Em seguida, a MGM investiu pesado em A máscara de Fu Manchu (The mask of Fu Manchu, 1932), trazendo Boris Karloff na pele do temível doutor. Na década de 1940, foi a vez de Henry Brandon, que não fez feio no excelente seriado da Republic Pictures, Os tambores de Fu Manchu (The drums of Fu Manchu, 1940) e do espanhol Manuel Requena, astro do obscuro El otro Fu-Man-Chú, dirigido por Ramón Barreiro em 1946. Após a incursão espanhola, o personagem foi esquecido pelos produtores e apenas duas versões televisivas de Fu Manchu aparecem nos anos 1950: a primeira com John Carradine – em apenas um episódio piloto não aproveitado pela emissora NBC, The zayat kiss – e a segunda, de baixíssimo orçamento, com o caricato Glen Gordon no papel do vilão.

Fu Manchu só voltaria às telas de cinema quase vinte anos depois, quando o produtor Harry Alan Towers (1920-2009) – até então responsável por alguns filmes e seriados para a TV inglesa – ressuscita o gênio do crime em grande estilo. Towers, um fã confesso de Rohmer e de literatura pulp, observando o sucesso estrondoso da série 007 e seus exóticos vilões, decide investir pesado – algo atípico para sua carreira – numa nova aventura do perigo amarelo. Além da campanha publicitária agressiva, Towers contrata profissionais competentes, como o talentoso artesão Don Sharp (de O beijo do vampiro, produção da Hammer) e um elenco de peso – que incluía Nigel Green e Howard Marion-Crawford, além de atores alemães veteranos dos krimis como Karin Dor e Joachim Fuchsberger – capitaneado por Christopher Lee no papel de Fu Manchu.

O resultado, A face de Fu Manchu (The face of Fu Manchu, 1965), uma mistura de Rohmer e Ian Fleming, escrito por “Peter Welbeck” (pseudônimo tradicional do próprio Towers), mostrou-se lucrativo o suficiente para dar origem a quatro sequências. A primeira, As 13 noivas de Fu Manchu (The brides of Fu Manchu, 1966), também dirigida por Sharp, traz Douglas Wilmer substituindo Green no papel do arquiinimigo de Fu Manchu, o Dr. Nayland Smith. Wilmer repetiria o papel no terceiro filme da série, A filha diabólica de Fu Manchu (The vengeance of Fu Manchu, 1967), de Jeremy Summers.

Os tempos mudavam e, na efervescência do final dos anos 1960, a série já dava sinais de cansaço. O retorno nas bilheterias diminuía e Towers não dispunha mais de orçamentos tão generosos quanto o de A face de Fu Manchu. Com menos tempo e menos dinheiro para filmar, que outro diretor se adequaria tão bem quanto o espanhol Jesús Franco Manera, mais conhecido como “Jess Franco“?

Em Franco, Towers encontra seu parceiro ideal: gourmet, músico de jazz e bon vivant, o espanhol é o autor de centenas de filmes – dentre os quais dezenas de versões alternativas de um mesmo filme, o que torna a compilação de sua filmografia uma missão quase impossível. Os resultados iam do puro lixo a obras primas incontestáveis. Com sua rapidez e economia, Franco surpreendia produtores – como o suíço Erwin C. Dietrich, com quem manteve uma duradoura parceria – ao ser contratado para fazer um filme e entregar dois, usando a mesma equipe e locações, sem qualquer tipo de acréscimo no orçamento ou no cronograma de filmagens!

A parceria Towers-Franco dá origem ao quarto filme da série, Fu Manchu e o beijo da morte (1968), que, para desgosto de Lee, baseia-se novamente num roteiro original do próprio Towers, consideravelmente distante dos textos originais de Rohmer. Nele, os obstinados Fu Manchu (Lee) e sua filha Lin Tang (Tsai Chin, presença assídua desde o primeiro filme da série de Towers) montam sua base de operações em uma caverna na América do Sul, de onde pretendem, mais uma vez, dominar o mundo. O plano é engenhoso: dez belas mulheres são sequestradas e infectadas com o poderoso veneno da “cobra negra”, sendo posteriormente enviadas para diversas capitais para administrar o “beijo da morte” em personalidades de renome mundial. Um dos escolhidos é o incansável arquiinimigo de Fu, Nayland Smith (Richard Greene, substituindo Douglas Wilmer), que após ser beijado por Celeste (Loni Von Friedl), percebe que sua única chance de cura é localizar o esconderijo de seu velho rival. Cego e debilitado, Smith e seu fiel assistente Dr. Petrie (Howard Marion Crawford, em sua quarta aparição na série) são ajudados na difícil missão pela enfermeira Ursula (Maria Rohm, esposa de Towers) e pelo arqueólogo Carl Jansen (Götz George) e enfrentam os inúmeros perigos das florestas sul americanas, como o bando de Sancho Lopez (o espanhol Ricardo Palacios, usando chapéu de cangaceiro).

Certamente o mais fraco exemplar da série, Fu Manchu e o beijo da morte mostra um Franco contido e discreto, muito distante de seus trabalhos mais autorais. Ainda que a trama permitisse que Franco, um fã confesso da obra de Rohmer, chafurdasse em suas obsessões com sexo, sadismo e morte – a ideia do exército de garotas hipnotizadas distribuindo beijos da morte pelo mundo remete a outros filmes do espanhol -, o resultado é curiosamente impessoal.

Os fãs de Franco sabem que o diretor nunca foi afeito a sequências de ação e as deste filme, canhestras em sua maioria, provam isso. O final, quando o esconderijo de Fu Manchu é destruído, é especialmente insatisfatório, tamanha a facilidade com que Nayland Smith elimina o gênio do mal.

Mas o filme guarda alguns atrativos, especialmente para os fãs brasileiros. Apesar de a ação se passar na fronteira imaginária entre “Melia” e “Santa Cristabel” (em determinado momento, Smith diz que Fu Manchu está escondido “em uma determinada região da América do Sul, protegido de um lado pelos Andes e do outro pelo Mato Grosso”), Franco e sua equipe desembarcaram no Rio de Janeiro, onde o filme foi praticamente todo rodado.

Segundo a atriz, produtora e musa da pornochanchada carioca Olívia Pineschi (que aparece como uma cigana nas sequências onde “Melia” é invadida pelo bando de Sancho Lopez) Franco estava “impossível” em sua passagem pelo Rio. Encantado com a anatomia das brasileiras, o erudito Jesus chegou a convidar algumas das atrizes a acompanhá-lo em sua volta para a Espanha. Além da Floresta da Tijuca, que serviu como lar para Fu Manchu, a produção utilizou o Parque Lage (o “Palácio do Governador” de “Santa Cristabel”) e os estúdios da Atlântida, onde foram filmados alguns dos interiores da caverna do perigo amarelo, com suas masmorras mal iluminadas.

O ambiente quente e úmido certamente não foi dos mais agradáveis para Lee. Ainda segundo Olívia, Lee, apesar de muito simpático, reclamava bastante da pesada maquiagem, que praticamente o impedia de movimentar os olhos. Mesmo com o cansaço em virtude das limitações e do roteiro de Towers, que pouco lhe dá para fazer, Lee se sai maravilhosamente bem no papel, transformando cada linha de diálogo numa ameaça para seus adversários.

O personagem mais curioso do filme é o bandido Sancho Lopez, vivido por Ricardo Palacios, veterano de dezenas de western spaghetti. Palacios, o mais entusiasmado de todos os atores, é um misto de bandolero e cangaceiro e parece ter saído do set de um de seus westerns.

Franco nunca demonstrou muito apreço pelos mocinhos de seus filmes e Fu Manchu e o beijo da morte não é exceção. O Nayland Smith de Greene (de Contos do Além, de Freddie Francis) passa a maior parte do filme deitado e imóvel. George, no papel do obrigatório “herói ocidental”, o arqueólogo Carl Jansen, ao menos se sai bem nas cenas de ação. O maior destaque é Marion-Crawford, novamente o comic relief da narrativa. Na pele do Dr. Petrie, Crawford tem as melhores frases do filme, à custa de imortais hábitos britânicos, como a sua constante irritação com a falta de chá quente na selva.

Quanto ao elenco brasileiro, Frances Kahn (de Os paqueras) e Isaura de Oliveira são as únicas a receberem crédito. Kahn é Carmen e Isaura é Yuma, integrantes do grupo de dez mulheres selecionadas por Fu Manchu para dominar o mundo. Isaura recebe atenção especial de Franco em uma longa sequência na qual tenta seduzir Sancho Lopez. Dentre os atores não creditados, além de Olívia – que ao longo de sua extensa carreira também atuou em outras produções estrangeiras como Love in the Pacific (1970), de Zygmunt Sulistrowski e 99 mulheres (99 women, 1969), outro filme de Franco com cenas rodadas no Rio -, aparecem Oswaldo Loureiro, como o chefe dos capangas de Fu Manchu (usando bandana vermelha e trajando um roupão preto) e o veterano Rodolfo Arena, como uma autoridade de “Melia” rapidamente despachada pelo bando de Lopez.

O filme, uma eterna vítima de versões cortadas e em full screen, que destruíam alguns dos seus poucos charmes, está disponível em DVD norte-americano (Blue Underground), com imagem cristalina em widescreen anamórfico (1:66:1), realçando o colorido das locações cariocas e os belos enquadramentos do fotógrafo Manuel Merino; o som é alto e claro, evidenciando a inadequada trilha do parceiro habitual de Franco, Daniel White. Os extras contidos no DVD são igualmente impecáveis e contém entrevistas de Franco, Towers, Lee, Chin e Shirley Eaton. Franco diz que vir ao Brasil foi como realizar um sonho, enquanto Lee confirma sua irritação com a maquiagem e com as liberdades tomadas por Towers ao adaptar os originais de Rohmer. Já Eaton (a bond girl que morre asfixiada ao ter o corpo banhado por ouro em 007 contra Goldfinger), não queria ver Towers nem pintado a ouro. Apesar de receber crédito proeminente, Eaton aparece em uma única e rápida cena de Fu Manchu e o beijo da morte, roubada de A mulher do Rio (The girl from Rio, 1969), outra parceria Towers-Franco rodada simultaneamente a Beijo da morte no Rio de Janeiro! Em A mulher do Rio, Eaton reprisa o papel de Sumuru, uma espécie de Fu Manchu de saias, (também criado por Rohmer), que já havia interpretado em O milhão de olhos de Sumuru (The million eyes of Su-muru, 1967), de Lindsay Shonteff. Assim, Eaton virou estrela de um filme no qual não atuou e pelo qual não foi paga!

Para o quinto e último filme da série, The castle of Fu Manchu (1969), rodado logo em seguida a Fu Manchu e o beijo da morte, Towers e Franco trocaram o ensolarado Rio de Janeiro por Istambul e Barcelona. Novamente baseado num roteiro original de Towers, Castle é superior a seu antecessor, ainda que o produtor tenha obrigado Franco a trabalhar com um orçamento espartano; a pobreza é tamanha que faz o filme anterior parecer uma superprodução hollywoodiana.

Desta vez, Fu Manchu (Lee) e sua filha Lin Tang (Tsai Chin), renascidos das cinzas, pretendem dominar o mundo através de um bizarro plano que consiste no congelamento da água, em qualquer temperatura, quando misturada a cristais de ópio! Na sequencia pré-créditos, Fu Manchu dá a primeira demonstração de poder, destruindo um luxuoso transatlântico nos mares do Caribe. Mas como realizar uma sequência desse porte em meio a mais absoluta escassez de recursos? Simples: roube todas as cenas do naufrágio de Somente Deus por testemunha (A night to remember, 1958), clássico de Roy Ward Baker sobre o desastre do Titanic!

Pai e filha invadem o castelo do governo em Istambul (um imenso estoque de ópio) com o auxílio dos homens de Omar Pasha (José Manuel Martín), para logo depois traí-los, mantendo o braço direito de Pasha, a bela Lisa (Rosalba Neri), como refém. Apesar do diabólico plano já ter se mostrado eficiente, Fu Manchu e Lin Tang sequestram o Professor Heracles (Gustavo Re) a fim de aperfeiçoá-lo, sem se dar conta de que o cientista está à beira da morte, devido a um sério problema cardíaco. Para curá-lo, eles ordenam a captura do médico do professor, Dr. Kessler (Günther Stoll) e da enfermeira Ingrid (Maria Perschy), que são obrigados a realizar um transplante de coração. Para azar de Fu, Kessler era amigo de Nayland Smith (Richard Greene), que desconfiado, parte para Istambul. Com a ajuda do Dr. Petrie (o impagável Howard Marion-Crawford), de Pasha e do General Hamid (o próprio Franco), Nayland irá novamente por fim as terríveis maquinações do perigo amarelo.

Um filme que esnoba suas personagens femininas e no qual não há nenhuma temática sexual evidente não pode ser considerado como um verdadeiro filme de Franco, novamente atuando como um hired gun de Towers. É curioso ver como o roteiro ignora a personagem de Rosalba Neri, musa do cinema italiano, após sua captura por Fu Manchu: seu papel, Lisa, uma criminosa obviamente lésbica, parece feito sob medida para Franco, mas não é aproveitado. Mas se Castle of Fu Manchu ainda está distante de obras autorais do diretor como Doriana Grey (1976), ao menos Franco se mostra muito mais à vontade do que em Fu Manchu e o beijo da morte, quando realizou um filme de ação mais convencional. Provavelmente, a maior liberdade foi consequência não só do minúsculo orçamento, mas também do fato de Franco filmar em Istambul, cidade com a qual já estava familiarizado e que serviu de cenário para vários de seus filmes (ainda que o castelo turco de Fu Manchu tenha sido rodado no Parque Güell, em Barcelona). É fácil observar como Franco e seu fotógrafo Manuel Merino fazem melhor proveito das paisagens turcas do que das locações cariocas vistas no quarto filme da série. Nada mais apropriado: um lar oriental para um vilão oriental.

Castle, um delicioso “samba do crioulo doido” cinematográfico, mistura ingredientes de histórias em quadrinhos com literatura pulp e todos os clichês possíveis e imagináveis do cinema de horror B. Não bastasse o inacreditável plano de Fu Manchu e as cenas roubadas de outros filmes, os “laboratórios” de pesquisa são equipados com meia dúzia de balões volumétricos e tubos de ensaio com substâncias coloridas borbulhantes, personagens são congelados e sequestrados em caixões e o (bem sucedido!) transplante de coração parece saído de um filme de terror mexicano de René Cardona Jr., tamanha a simplicidade do “centro cirúrgico” no qual é realizado (ainda que Franco consiga minimizar os óbvios cortes nos gastos com cenografia com uma espertíssima montagem). As masmorras do castelo de Fu Manchu são iluminadas de forma quase monocromática, banhadas alternadamente nas cores mais vibrantes já vistas desde um filme de Mario Bava, com Franco e Merino dando preferência para o verde e o lilás, conferindo um clima de pura psicodelia.

O final é, novamente, pouco convincente, mas a essa altura, o leitor/espectador provavelmente já captou o espírito do filme. Apenas relaxe e aproveite a oportunidade de assistir a última atuação de Lee no papel do perigo amarelo.

Tal como Fu Manchu e o beijo da morte, Castle of Fu Manchu foi lançado em DVD nos EUA pela Blue Underground, companhia do cineasta William Lustig. A versão apresentada não tem cortes (versões anteriores faziam menos sentido que a versão integral, devido a múltiplos cortes) e qualidade de imagem e som impecáveis.

A promessa de volta feita por Fu Manchu ao final de cada filme não se concretizou, já que, após Castle, o personagem simplesmente desapareceu das telas. Em 1980, Peter Sellers, em seu último papel, encarnou tanto Fu quanto Nayland Smith na comédia O diabólico Fu Manchu (The fiendish plot of Dr. Fu Manchu), de Piers Haggard, enquanto o espanhol Alex de da Iglesia alimentou durante algum tempo a esperança de fazer uma nova versão cinematográfica das aventuras do vilão (que, infelizmente, nunca se materializou). Franco escalou sua mulher, Lina Romay (falecida em 2012), na pele da filha de Fu Manchu em Esclavas del crimen de 1986. O lendário astro do horror espanhol, Paul Naschy (Jacinto Molina) apareceu brevemente como Fu Manchu em El aullido del diablo (1988), no qual interpreta diversos monstros e vilões clássicos do cinema e no curta metragem La hija de Fu ManChu’72 (1990), uma bem humorada homenagem ao personagem e aos filmes de Lee. Recentemente, Nicolas Cage interpretou o perigo amarelo num dos trailers – para longas fictícios – em Grindhouse (2007), a reunião de dois longas de Robert Rodriguez (Planeta terror) e Quentin Tarantino (À prova de morte). O trailer no qual Cage é Fu Manchu, Werewolf women of the SS, foi dirigido pelo músico e cineasta Rob Zombie.

Enquanto uma nova produção não surge, o perigo amarelo provavelmente espera nas sombras, bolando seu mais novo plano… “The world shall hear from me again!”

por Fábio Vellozo.

* obrigado ao Coffin Souza pelo material gráfico!