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Primeiros Trabalhos

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A internet me permitiu ter uma experiência única: consegui encontrar inúmeros trabalhos iniciantes de diretores que viraram grandes lendas do cinema mundial e realizei uma maratona com o intuito de estudar estes filmes. São filmes feitos quando eram crianças, ou filmes de faculdade, ou, em alguns casos, seus primeiros trabalhos profissionais (ou filmes nunca comentados nem por seus mais entusiasmados fãs, caso de alguns que selecionei aqui do David Cronenberg e o último filme de Russ Meyer, por exemplo). Não estou postando crítica sobre estes trabalhos, são apenas observações que quero compartilhar com os leitores do blog (e já pedir desculpas por ter abandonado o blog por tanto tempo, mas realmente não estou encontrando tempo livre para me dedicar do jeito que deve ser). Também posto aqui alguns links com os filmes para um conferida e ao final da lista, também, meu curta inicial, Detritos (realizei em vídeo em 1995).

00- Secret Weapons

Secret Weapons (1972/21’/Canada) de David Cronenberg. É um episódio da série de TV Programme X onde ficamos sabendo que em 1977 a América está vivendo uma Guerra Civil e um cientista cria uma droga que aumenta as habilidades de lutar dos soldados (e com isso a vontade de matar). Mas não espere cenas de luta, é um filme de bastidores da guerra, remetendo a resistência na Segunda Guerra Mundial (gangues de motociclistas são os rebeldes nessa guerra civil). Com uma linda abertura, este curta já dava apontamentos de que rumo a carreira de Cronenberg iria seguir. Os cenários são bem bacanas, remetendo à escombros, fábricas velhas com decorações feitas de fios elétricos e adereços indústrias. Recomendo.

 

1- Boy and Bicycle

Boy and Bicycle (1965/26’/Inglaterra) de Ridley Scott. Com: Tony Scott. Filme bem agradável. Todo feito com câmera na mão e usando os recursos disponíveis para não se gastar dinheiro (que possivelmente estava reservado pra rolos de filmes virgens, revelação e outros detalhes técnicos), assim a estrela do curta é Tony, irmão de Ridley Scott (e que depois se tornou cineasta de sucessos comerciais também), e os cenários são a cidade onde moram, seus prédios, suas praias, etc. É um filme pobre, mas visualmente bonito, já revelando um cineasta mais preocupado com o impacto das imagens do que com uma boa história.

2- Xenogenesis

Xenogenesis (1978/12’/USA) de James Cameron. Sci-fi de baixo orçamento já tentando ser uma produção grandiosa, com muitos efeitos, robôs gigantescos, máquinas (tem uma que remete as máquinas usadas no Aliens – O Resgate) e produção que não fica devendo em nada  para os filmes do Roger Corman da época. A história é bem simplória, até porque fiquei com a impressão de que era um curta só pra mostrar os efeitos especiais. Recomendo.

3- From the Drain

From the Drain (1967/13’/Canada) de David Cronenberg. Um Cronenberg embrionário, aparentemente feito sem dinheiro algum (é um dos curtas que ele realizou na faculdade). Bem amador, com atores bem limitados conversando dentro de uma banheira. É pra ser sério, mas fica parecendo uma sketch sem graça do Monty Python.

4- The Big Shave

The Big Shave (1967/5’/USA) de Martin Scorsese. Depois do filme de banheiro de Cronenberg, vamos para o filme de banheiro do Scorsese (até acho que dava pra lançar um DVD só com curtas filmado dentro de banheiros). Mas aqui a trilha sonora já dá o tom do humor ítalo americano, o que lhe confere um sabor de pastiche a la George Kuchar. Scorsese realizou um curta gore sobre o ato de se barbear. The Big Shave tem um senso de humor bizarro, culminando (literalmente) num banho de sangue. Recomendo.

5- The Heisters

The Heisters (1964/10’/USA) de Tobe Hooper. “Este cinema anuncia que a próxima atração é ridícula”, é assim que inicia este curtinha fantástico. Tobe Hooper sempre teve um senso de humor ótimo. Visualmente apurado, edição dinâmica e ritmo frenético, The Heisters é muito, mas muito idiota. 10 anos antes de filmar The Texas Chainsaw Massacre, seu grande clássico, Hooper já se revelava um cineasta com grande domínio narrativo. The Heisters é macabro, e para nossa sorte, adoravelmente idiota, uma espécie de cruza entre a Família Addams e os desenhos animados do Chuck Jones. Foi uma pena que Tobe Hooper não tenha feito mais comédias. O curta é editado, escrito, produzido e dirigido por Hooper. Recomendo.

6- Firelight

Firelight (1964/4’/USA) de Steven Spielberg. São os 03’:48” que “sobreviveram” deste curta juvenil de Spielberg que já trazia muitos efeitos especiais. Feito quando Spielberg tinha entre 15 e 16 anos, Firelight pode ser considerado o embrião de Contatos Imediatos do Terceiro Grau. É bem amador, feito em super 8 com ajuda dos amigos, mas vale pela curiosidade (e por já trazer todos os elementos que, depois, Spielberg amadureceu de modo espetacular).

7- Electronic Labyrinth thx 1138 4eb

Electronic Labyrinth THX 1138 4EB (1967/15’/USA) de George Lucas. Com este curta Lucas estava treinando para seu grande clássico (na minha opinião) THX 1138. No curta Lucas ainda não contava com um visual tão apurado quanto o longa teve, mas demonstrava ser um cineasta bastante maduro e com ambições. O curta todo é a perseguição ao cidadão 1138 (interpretado por Dan Natchsheim, também editor do curta). Recomendo.

8- The Sun Was Setting

The Sun Was Setting (1951/13’/USA) de Edward D. Wood Jr. Essa incursão de Wood ao fabuloso mundo dos curtas-metragens é um drama sério e com tudo bem correto, de interpretações a cenários (não amigos, aqui eles não balançam), por isso nunca foi celebrado pelos fãs de trasheiras. Aliás, este curta tem co-direção de um tal de Ben Brody, então sabe-se lá o quanto este cara não tenha interferido para que o curta ficasse correto e dentro dos padrões do cinema profissional da década de 1950.

9- Dorothy the Kansas City Pothead

Dorothy – The Kansas City Pothead (1968/1’/USA) de John Waters. São os 01’:15” que “sobreviveram” deste curta juvenil de Waters. Pat Moran (habitué nos filmes do Waters, é produtora dos filmes mais profissionais do Waters, como Hairspray, Cry-Baby e outros) faz o papel de Dorothy e George Figgs (figurante em vários filmes de Waters) faz o papel do Espantalho. É um curta bem amador (até para os moldes do John Waters) e não tem nenhuma bizarrice neste pouco mais de um minuto que restou do curta. Odeio quando um trabalho, por mais medíocre que seja, se perde.

10- Murder1

Murder! (1967/4’/USA) de Don Dohler. Não dá pra procurar por material inédito do cineasta número 1 de Baltimore e deixar de lado o cineasta número 2. Baltimore precisa ser estudada, deve ter algo na água de lá. Então já tratei de achar, também, curtas do Don Dohler que é um gênio das produções de sci-fi de baixo orçamento e neste curta (onde ele também dá as caras de ator) temos ele em grande forma. O roteiro é um primor do estilo EC Comics, Don coloca veneno no copo d’água de sua esposa Pam e quando vai tomar banho é assassinado a facadas por ela que, após a matança, bebe água envenenada. Dohler é ótimo! Recomendo.

11- Woton's Wake

Woton’s Wake (1962/27’/USA) de Brian de Palma. É uma produção crua e deficiente que acompanha um louco assassinando algumas pessoas. O curta tem um clima de farsa, ótimos momentos de humor nonsense típicos da década de 1960 e é o embrião do Fantasma do Paraíso que De Palma desenvolveu anos mais tarde (William Finley, que faz o Fantasma, é o Woton, personagem principal deste curta). Também tem um clima de cinema expressionista, o que não o impede de ter cenas de “torta na cara”, a exemplo do The Heisters do Hooper (na década de 1960 torta na cara ainda arrancava gargalhadas da audiência). E para finalizar, Woton’s Wake ainda tem uma deitação com O Sétimo Selo do Bergman e outra zoeira com o King Kong (os aviõezinhos de papel são muito retardados). É bem amador, mas cheio daquela energia maravilhosa que os jovens cineastas possuem.  Recomendo.

http://fr.fulltv.tv/woton-s-wake.html

12- The Girl Who Returned

The Girl Who Returned (1969/62’/USA) de Lloyd Kaufman. Um Kaufman com uma narração que lembra os filmes do John Waters, mas que no decorrer da projeção vai ficando estranho, até meio sério e artístico demais (levando-se em conta todas as grosserias que Lloyd fez depois). Gostei muito da maneira que Lloyd editou o som do filme, que lhe conferiu um tom de deboche. Não é trash, não é cinema de arte, não é experimental, Lloyd ainda não fazia idéia de que tipo de cineasta era, por isso The Girl Who Returned tem um pouquinho de cada um destes estilos, o que lhe confere um ar de peça única. O filme possuí ótimos momentos de monguices, mas aviso:  não é um filme para os fãs do Lloyd Kaufman da Troma, principalmente após Stuck on You! e The Toxic Avenger, onde ele descobriu a fórmula do sucesso. É ruim, mas é bom!

13- The Diane Linkletter Story

The Diane Linkletter Story (1969/10’/USA) de John Waters. Revisão. É um curta bem tosco e sem cuidados técnicos (como são todos os filmes da fase inicial de Waters – seu primeiro filme mais profissional foi o Desperate Living), mas extremamente divertido. Richard Kern copiou a idéia, anos depois, no seu curta You Killed me First (1985). Este curta do Waters também tenho em VHS, anos atrás saiu numa edição canadense, e a cópia VHS está melhor do que este arquivo que baixei agora. No elenco de The Diane Linkletter Story, além de Divine, está todo o resto da gang de delinqüentes do Waters, como David Lochary e Mary Vivian Pearce. Uma pena que este seja o único curta completo de Waters, os outros estão perdidos.Este curta foi realizado após o longa Mondo Trasho. Recomendo.

14- The Power

The Power (1968/7’/USA) de Don Dohler. Super 8. Dohler fez seu Scanners adolescente alguns anos do Cronenberg. Tá, tudo bem, não tem nada haver um com o outro. Aqui, após descobrir seus poderes mentais, um adolescente fica aprontando os diabos, até que materializa o próprio (a caracterização do diabo de Dohler é muito teatrinho escolar) e, como não consegue mais desfazer a confusão, danou-se.

Sponsor Card – Television Commercial (1953/4’/USA) de Edward D. Wood Jr. Ed Wood era pau pra toda obra. Aqui uma série de comerciais que realizou para o Sponsor Card. Um destes comerciais, “Magic Man”, é bem divertido, revelando os talentos de Wood para a comédia. Achei estes comerciais enquanto procurava pelo curta Boots (1953), um dos poucos de Wood que ainda não consegui ver. No início da carreira Ed Wood era bem eficiente, mas logo em seguida algo deu errado (ou, pra nossa sorte, “certo”) e todas suas produções passaram a ser muito vagabundas.

https://archive.org/details/edwoodtvads

16- Six Men Getting Sick

Six Men Getting Sick (1966/4’/Canada) de David Lynch. Revisão. É uma boa animação experimental de Lynch, com toques escatológicos. Prefiro a fase antiga de Lynch, quando ele era um cineasta mais estranho e interessante. Depois do O Homem Elefante perdi o interesse pela obra dele.

17- Amblin

Amblin (1968/25’/USA) de Steven Spielberg. Este curta é a primeira experiência profissional de Spielberg, já mais amadurecido, revelando uma narrativa cheia de elementos reutilizados depois em Encurralado. É legal ver um Spielberg com erro descarado de continuidade (num momento a mocinha está de chapéu, no take seguinte aparece sem chapéu, para logo em seguida estar novamente de chapéu), grandes diretores da indústria cinematográfica já foram humanos. Em sintonia com a década de 1960, a trilha sonora é uma delícia (não, não é do John Williams) e Spielberg até mostra os jovens protagonistas fumando maconha, nada mal pro cineasta família. Amblin tem uma história bem positiva, carregada de um senso de humor bem leve e simpático. É um romance bem bobinho e inocente que cativa, vale a pena conhecer.

18- Herakles

Herakles (1962/9’/Alemanha) de Werner Herzog. Neste curta temos o Herzog em estado bruto se exercitando num mundo em ruínas (que está se decompondo) enquanto homens cultuam seus físicos, suas aparências. Essas cenas de culto ao corpo são editadas alternadamente com cenas de acidentes reais e Herzog, que sempre teve a mão meio pesada, não tem o pudor de cortar a exposição das vítimas (até porque, creio, quisesse chocar ou chamar atenção da audiência para seu curta). É um curta bem interessante.

19- Antonijevo Razbijeno Ogledalo

Antonijevo Razbijeno Ogledalo (1957/11’/Iugoslávia) de Dusan Makavejev. 16mm, sem som. Ainda discreto na escatologia, Makavejev realizou um curta onde a realidade e fantasia se misturam, para contar a história do romance do maluco da cidade e uma manequim exposta numa vitrine. Não é maravilhoso, mas é o início da obra do cineasta que relegou ao mundo clássicos como Sweet Movie e o genial Montenegro.

20- Geometria

Geometria (1987/9’/México) de Guillermo Del Toro. Moleque que não quer reprovar em geometria invoca um demônio e faz dois pedidos: que seu pai volte dos mortos e para passar nas provas de geometria do colégio. Não é amador, mas também ainda não revela o amadurecimento que Del Toro esbanjava no Cronos, seu longa de estreia. Tem demônio, tem zumbi, tem humor cretino (o final do curta é muito bom, com o demônio dando uma importante lição de geometria no garoto), ou seja, vale uma conferida ainda hoje.

21- Attack of the Helping Hand

Attack of the Helping Hand! (1979/5’/USA) de Scott Spiegel. Com: Sam Raimi (no papel do leiteiro). Fotografia de Bruce Campbell e Sam Raimi. Uma “mão amiga” sorridente e feliz ataca uma mulher nesta produção em super 8 da turma do Raimi-Campbell. Imagino que foi deste curta que Raimi tirou toda a ideia para a mão decepada de Evil Dead 2, já está toda a situação presente (de maneira bem amadora) neste curta. Aliás, Raimi está muito bem na ponta como o leiteiro imbecil e tem uma morte dignamente canastrona.

22- Bedhead

Bedhead (1991/9’/México) de Robert Rodrigues. Estrelado pela família Rodrigues: Rebecca Rodrigues, David Rodrigues (também co-autor do roteiro), Mari Carmen Rodrigues e Elizabeth Rodrigues. A animação que dá origem aos créditos iniciais é ótima, revelando toda a energia que Rodrigues sempre demonstra ao realizar um filme. De ritmo frenético (várias ideias ele viria a reaproveitar logo em seguida no El Mariachi), este curta amador estrelado por crianças é um exercício de montagem e estilo.

23- Die Ungenierten Kommen

Die Ungenierten Kommen – What Happened to Magdalena June? (1983/13’/Alemanha) de Cristoph Schlingensief. É uma produção feita no tempo em que estava na faculdade, mas que já revela um Schlingensief tentando ser histérico, buscando um jeito de despejar inúmeras informações a cada frame projetado. Ainda não estava conseguindo aquele ritmo perfeito que conseguiu em filmes posteriores (como no clássico United Trash de 1995), mas o experimentador, o inventor, o abusado Schlingensief já está aqui sem medo de experimentar. É errando que se acerta. Em tempo: conta a história de uma garota que pode voar.

24- Ubiytsy

Ubiytsy (1956/21’/Russia) de Andrei Tarkovsky. The Killers é o primeiro filme de Tarkovsky, foi feito quando estava na faculdade e, por conta da faculdade não ter equipamento para todos os alunos, teve co-direção de Alexander Gordon e Marika Beiku. Recomendo que você pesquise aí a história do filme que é bacana. O que posso dizer? Tarkovsky já nasceu maduro e este seu primeiro trabalho já tem um domínio de linguagem que só evoluiu com o passar dos anos. Recomendo.

25- Love Letter to Edie

Love Letter to Edie (1975/4’/USA) de Robert Maier. Com: Edith Massey.  Edie é uma mulher adorável e este é um curta-documentário sobre ela. Aqui ela se apresenta como atriz dos filmes de John Waters, seguido de um número de dança numa casa noturna e, em cenas simuladas, sofre com o preconceito de peruas frescas. Edith Massey foi uma mulher extremamente interessante, além dos filmes de Waters, também foi vocalista da banda punk Edie and the Eggs. Só consegui, por enquanto, essa versão de 4 minutos (o curta tem uma duração maior). Recomendo.

26- Nicky's Film

Nicky’s Film (1971/6’/USA) de Abel Ferrara. Primeiro curta de Ferrara, bem amador, mas que serviu pra ele conseguir dirigir seu primeiro longa, o pornô 9 Lives of a Wet Pussy, do qual gosto bastante. Este arquivo que encontrei para assistir está sem o som, o que prejudica bastante o prazer de ver este filme.

27- Parada

Parada (1962/10’/Iugoslávia) de Dusan Makavejev. Neste curta Makavejev mostra os preparativos pro desfile de primeiro de maio. É quase um documentário daquele dia. Vi porque vejo tudo.

28- Crossroad Avenger

Crossroad Avenger: The Adventures of the Tucson Kid (1953/24’/USA) de Edward D. Wood Jr. Aqui as coisas começaram a dar errado para Ed Wood. Tucson Kid é um western que parece ter sido filmado numa região rural dos Estados Unidos dos anos de 1950. Esperem! Tucson Kid é realmente um western bagunçado filmado na década de 1950, onde nada parece funcionar direito. Exemplo: As construções nos cenários remetem diretamente há um tempo após o western americano ter acontecido. Obrigatório (mas não esperem tantas asneiras quanto no Plan 9, lógico).

https://archive.org/details/crossroadsavengeredwood

29- My Best Fried's Birthday

My Best Fried’s Birthday (1987/36’/USA) de Quentin Tarantino. Este trabalho inicial, amador, de Tarantino já traz seus diálogos metidos a “cool”, mas o bando de atores ruins destrói com todas as possibilidades de se funcionar (quem se sai melhor é o próprio Tarantino, que também está no elenco). A fotografia, a edição, locações, cenários e figurinos não funcionam, o próprio roteiro é bem ruinzinho. Não é uma produção inventiva, mas também não é de todo desprezível (ainda mais porque lá pela metade em diante tudo fica mais dinâmico e funciona bem melhor). Curioso.

30- rozbijemy zabawe

Rozbijemy Zabawe (1957/7’/Polônia) de Roman Polanski. Uma festa de arromba é invadida por penetras e tudo termina numa grande briga. Polanski já tinha um grande domínio técnico em seus curtas iniciais (pelo menos gostei de todos que já vi). Recomendo.

31- Spatiodynamisme

Spatiodynamisme (1958/6’/Itália) de Tinto Brass. Antes de se tornar uma lenda mundial do cinema erótico, Tinto Brass pertencia ao movimento contra cultural italiano. Spatiodynamisme pertence, ainda, a outra fase que Brass teve em sua carreira, é experimental radical, quase numa linha Stan Brakhage. Aqui ele experimenta com formas e espaços. Não rola explicar aqui, assista pra compreender. Recomendo.

32- Spectator

Spectator (1970/10’/Holanda) de Frans Zwartjes. Não conheço nada do cinema de Zwartjes e vou começar a colocar em dia essa deficiência. Este curta é uma experimentação sobre voyeurismo e o desejo carnal. Achei curioso.

33- The Lift

The Lift (1972/7’/USA) de Robert Zemeckis. É o primeiro curta de estudante de Zemeckis que sempre foi um diretor com grande apuro técnico. A história tem uma pegada de humor negro bem bacana. Simples e eficiente.

34- Story Time

Story Time (1968/8’/Inglaterra) de Terry Gilliam. As animações de Gilliam sempre são fantásticas e aqui ele conta a história de uma barata, ou seja, pode assistir que não tem erro. Mas claro que a história pode não ser essa. Ou não. E agora, para algo completamente diferente!

35- Thanatopsis

Thanatopsis (1962/5’/USA) de Ed Emshwiller. Ed é um experimentador em busca de novas sensações para o espectador. Gostei bastante de Thanatopsis. Assista porque não há o que descrever, tua sensação não será minha sensação.

36- O Colírio de Corman

O Colírio do Corman (2017/19’/Brasil) de Ivan Cardoso. Poesia concreta estrelada por Roger Corman, Glauber Rocha, José Mojica Marins, Hélio Oiticica e Ivan Cardoso numa animação feita com riscos de estiletes diretamente na película. Ivan Cardoso é genial e este projeto é fantástico. Não sei que duração este filme terá ao final, essa parte que vi é a inicial do filme que, também, não sei quando ficará pronto e, se, será lançado. Brasil é pequeno demais pra arte do Ivan Cardoso. Recomendo.

37- Torro Torro Torro

Torro, Torro, Torro! (1981/7’/USA) de Josh Becker e Scott Spiegel. É uma comédia bem inventiva com piadas inocentes, bem naquele clima positivo dos vídeos caseiro de Raimi-Spiegel, embora este não seja mais uma produção amadora. Com edição ágil, Torro conta a história de um cortador de grama que apronta as mais altas confusões numa vizinhança do barulho. Tem torta na cara, como não? A produção é de Bruce Campbell. E no elenco dá as caras Scott Spiegel, Bruce Campbell, Ted Raimi, Robert Tapert (produtor do Evil Dead), Josh Becker e Pam Becker. Recomendo.

38- Cigarettes and Coffee

Cigarettes and Coffee (1993/23’?USA) de Paul Thomas Anderson. Dramalhão indie típico da década de 1990, com a parte técnica bem feita, mas aquela chatice de bestas intermináveis. Bem chatinho.

39- Flying Padre

Flying Padre (1951/8’/USA) de Stanley Kubrick. Revisão. Ainda não perfeito, mas profissional, Kubrick fez este dinâmico pequeno documentário sobre as aventuras de um padre voador. Com a narração típica da época o filme acabou ganhando um tom de deboche (não sei se foi proposital, acredito que é coisa da minha cabeça pervertida).

40- Foutaises

Foutaises (1989/7’/França) de Jean Pierre Jeunet. Já com produção profissional, este Foutaises tem vários elementos que, depois, Jeunet reutilizou em longas como Delicatessen e Amélie Poulain. Este curta tem uma decupagem fantástica, texto ótimo e edição bem feita. E Dominique Pinon está no elenco. Recomendo.

41- Phantasus Muss Anders Werden

Phantasus Muss Anders Werden (1983/9’/Alemanha) de Christoph Schlingensief. Como o “alemão da ópera” era hiperativo, este é outro de seus filmes da época de estudante. Inclusive neste filme ele aparece gritando, vestido com uma ridícula camiseta amarela, com um buque de flores nas mãos. Não consegui entender muito bem porque o filme é falado em alemão e consegui legendas em inglês (ou espanhol) para ele. Schlingensief virou um cineasta genial na década de 1990.

42- Piesn Triumfujacej Milosci

Piesn Triumfujaces Milosci (1969/26’/Polônia) de Andrzej Zulawski. Assim como Tarkovsky, Zulawski é outro cineasta que parece já ter nascido pronto. Eu não gostei deste curta, uma produção para a TV infelizmente com linguagem clássica quadradinha (eu esperava algo mais viril e estranho e maluco). Mas assista porque quem curta o formato linear no cinema, e estiver acostumado com novelas, pode gostar.

43- The Sound of Bells

The Sound of Bells (1952/25’/USA) de Robert Altman. Um filme natalino do Altman ainda sem aquela pegada de humor ácido que deixa seus filmes únicos. Chatinho e longo demais.

44- Valley

Valley (1985/4’/Italia) de Michele Soavi. É um vídeo clip para a música de Bill Wyman presente na trilha sonora de Phenomena de Dario Argento. Soavi misturou imagens de Phenomena, e do making off de Phenomena, com imagens que gravou para o vídeo clip, conseguindo um ótimo resultado graças a edição espirituosa.

45- Within the Woods

Within the Wood (1978/31’/USA) de Sam Raimi. Com: Bruce Campbell e Ellen Sandweiss. Revisão. Este curta é genial (em minha opinião, inclusive, deveria estar sempre como material extra nos lançamentos do primeiro Evil Dead). Foi filmado em super 8 e este curta deu alguma visibilidade para a turma do Raimi-Campbell-Tapert junto à investidores e distribuidores de cinema. Evil Dead é o clássico que é por dois motivos, principalmente: 1) este Within the Woods funcionou como um laboratório para eles experimentarem o que funcionava ou não; 2) A edição (de Edna Ruth Paul), que em Evil Dead imprimiu um ritmo profissional que Within ainda não tinha. Mas Within the Woods está cheio de bons momentos, é um trabalho obrigatório para os fãs da série Evil Dead. Scott Spiegel também está no elenco. E na equipe-técnica Tom Sullivan faz os efeitos e o Ted Raimi também dá alguns pitacos. Recomendo.

46- Bife Titanik

Bife Titanik (1979/61’/Iugoslávia) de Emir Kusturica. Os primeiros filmes do Kusturica eram uns dramalhões com narrativa e situações bem normais. Sou mais da fase de realismo fantástico dele com obras primas como Underground. Achei ok este aqui, nada mais do que isso.

47- O Candinho

O Candinho (1976/33’/Brasil) de Ozualdo Candeias. O cinema nacional precisa urgente de um trabalho de restauração a partir dos negativos originais, e afirmo isso pensando em toda a produção nacional, não só meia dúzia de abençoados pelas panelinhas. Candeias é um dos meus cineastas preferidos aqui do Brasil, Zézero (1974) é genial (este Candinho me parece uma variação do Zézero), A Margem idem, meu Nome é Tonho também e assim por diante. Candeias é um cineasta único, então qualquer filme dele merece atenção (sem contar que ele não era um playboy se aventurando no cinema como 99% dos outros cineastas nacionais que são tudo classe média alta). Aqui um homem com problemas mentais vai do campo para a cidade grande em busca de um cabeludo barbudo. Quando acha o tal cabeludo barbudo, a decepção. Visceral como toda a obra de Candeias. Recomendo.

48- A Cidade de Salvador - Petróleo Jorrou na Bahia

A Cidade de Salvador (Petróleo Jorrou na Bahia) (1981/9’/Brasil) de Rogério Sganzerla. Curta institucional com uma narração pontuada de uma maneira que fica parecendo um discreto deboche. Ou não. Talvez só eu que quero acreditar que estes caras do cinema marginal eram fodões, quando na verdade só estavam atrás de dinheiro como todo mundo. É ruim, mas acaba sendo um curioso panorama cultural da Salvador da década de 1970.

49- Carta a uma Jovem Cineasta

Carta a uma Jovem Cineasta (2014/24’/Brasil) de Luiz Rosemberg Filho. Experimentação a La Rosemberg, ou você ama ou você odeia.

50- The Flicker

The Flicker (1966/28’/USA) de Tony Conrad. Revisão. Experimentalismo. Este trabalho alterna frames brancos e escuros criando um efeito estroboscópio. Veja no escuro que o efeito fica mais legal e quem sabe você consiga ter um ataque epilético, eu só acho agradável este efeito. Recomendo a experiência.

51- Hold me While i'm Naked

Hold me While i’m Naked (1966/14’/USA) de George Kuchar. Revisão.Talvez seja o grande clássico de George. Tenho adoração pelo clima de pastiche que este curta possui e recomendo porque vai lhe dar uma sensação reconfortante.

51- Geek Maggot Bingo

Geek Maggot Bingo (1983/73’/USA) de Nick Zedd. Com: Zacherle e Richard Hell. Revisão. Um dos poucos longas de Zedd, o principal nome do cinema transgressor nova iorquino da década de 1980. É uma desconstrução do gênero de horror. É cinema de invenção. É ruim, mas é bom.

53- The Cattle Mutilations

The Cattle Mutilations (1983/23’/USA) de George Kuchar. Neste The Cattle Mutilations George desconstrói a sci-fi em uma história vibrante de metalinguagem. Kuchar é genial.

54- The Italian Machine

The Italian Machine (1976/24’/Canada) de David Cronenberg. Episódio para a série de TV Teleplay onde Cronenberg explora a relação do homem com as máquinas automobilísticas, aqui na forma de uma moto italiana – por isso este título. Cronenberg voltou a este tema em Fast Company (1979) e depois, de forma mais radical, em Crash (1996).

55- John Carpenter super 8

John Carpenter Silent Comedy ( ? /2’/USA) de John Carpenter ? Aparentemente é pra ser um curta metragem de comédia (ou o que restou dele) feito por um John Carpenter adolescente – muito antes de Dark Star o Carpenter fez, pelo menos, 6 curtas amadores, estou atrás destes trabalhos. Alguém?

56- O Rei do Cagaço

O Rei do Cagaço (1977/10’/Brasil) de Edgar Navarro. Revisão. Navarro é o John Waters brasileiro. Seus filmes são cheios de uma energia punk autêntica, com senso de humor doentio e muita inteligência. Este é o famoso curta que tem um cu, em close, cagando. É um curta excremental. Neste filme Navarro ensina que, se você já se fodeu socialmente, pode cagar num jornal, embrulhar e atirar sua merda dentro dos carros dos riquinhos de sua cidade. Terrorismo urbano para mendigos. Assim deve ser o cinema: Criminoso.

57- Peepshow

Peepshow (1956/21’/Inglaterra) de Ken Russell. Este primeiro curta de Ken Russell é bem amador, mas inventivo e cheio de boas idéias, já com ritmo bem anárquico e barulhento (apesar de mudo). Não à toa, depois, fez tanto clássicos do cinema mundial: The Devils (1971), Mahler (1974), Tommy (1975), Lisztomania (1975), Altered States (1980), Gothic (1986), entre outros. O mais legal é perceber que o senso de humor de Russell já está presente, intacto.

58- The Resurrection of Broncho Billy

The Resurrection of Broncho Billy (1970/21’/USA) de James R. Rokos. John Carpenter é um dos roteiristas deste premiado curta metragem. O roteiro é uma grande homenagem ao gênero western, aqui visto com nostalgia por Rokos, ao contar a história de um jovem da década de 1960 fanático por histórias do velho oeste. É um filme triste, sobre estar deslocado no tempo (me sinto um pouco assim em relação à tecnologia, gostaria muito de estar vivendo numa época sem internet – apesar de que, olha a gostosa contradição, foi a internet quem me possibilitou essa incrível maratona deste final de semana). Além do roteiro, Carpenter também editou e compôs da trilha sonora. Nick Castle foi o diretor de fotografia. Recomendo.

59- Freiheit

Freiheit (1966/3’/USA) de George Lucas. Curta profissional sobre fronteiras. É um filme político com mensagem bem forte e direta. Sempre achei o George Lucas um artista mais interessante antes de fazer a interminável saga do Star Wars (gosto bem mais de THX 1138 e de American Graffiti do que todos os Star Wars juntos). A curiosidade maior fica por conta do futuro diretor Randal Kleiser no elenco (ele é a personagem principal), que vários anos depois seria o responsável por grandes sucessos de bilheteria, como Grease e A Lagoa Azul. Recomendo.

60- This is my Railroad

This is my Railroad (1946/17’/USA) de Gene K. Walker. É um filme institucional que quis ver porque é o primeiro trabalho de Russ Meyer como câmera no pós-guerra. E o trabalho de fotografia é primoroso, com enquadramentos típicos do genial Russ Meyer. O legal é que ele treinou sua técnica neste tipo de filme e quando começou a produzir seus próprios trabalhos estava maduro e sabendo o que fazer. Em tempo: não tem nudez.

61- Knights on Bikes

Knights on Bikes (1956/4’/Inglaterra) de Ken Russell. Um filme de época surreal com toques de humor nonsense. Tem bicicletas e cadeiras de rodas. Russell sempre acerta em cheio. Recomendo.

62- Superoutro

Superoutro (1989/45’/Brasil) de Edgar Navarro. Revisão. “Acorda humanidade!” que este filme é fantástico, arisco dizer que é um dos melhores já lançado no Brasil. Provocação com a sociedade, com a religião, com a polícia, com todo mundo. Cinema anarquista por excelência. A Bahia produz o melhor cinema brasileiro tem anos. Neste filme Navarro repete uma idéia do curta O Rei do Cagaço: Cague num jornal, embrulhe a merda e atire dentro do carro de um riquinho qualquer. Perto do final tem um discurso do “nosso herói” travestido de superman, que é interrompido por uma fanática religiosa com seu discurso absurdo sobre anjos, que é interrompido pelo discurso de um militante de esquerda, criando um momento hilário monty pythiano. “Abaixo a Gravidade!”. Recomendo.

63- Mario Banana

Mario Banana (1964/6’/USA) de Andy Warhol. Revisão. Mario come uma banana. Como provocar a sociedade com uma banana e um travesti.

64- Pandora Peaks

Pandora Peaks (2001/25’/USA) de Russ Meyer. Revisão. Em vídeo, aos moldes de seu clássico Mondo Topless, marca a despedida de Russ Meyer no cinema. Vale uma conferida pela edição. Russ Meyer é o caso do cineasta que não tem nenhum filme ruim em sua filmografia. Recomendo.

Detritos (1995/9’/Brasil) de Petter Baiestorf. Este foi o primeiro curta-metragem que realizei (os filmes anteriores à 1995 eram longas ou médias). Por muito tempo ele ficou perdido (o master foi destruído pelo tempo), até que neste ano (2017) achei uma cópia em VHS dele e Adriano de Freitas Trindade o digitalizou. Estou disponibilizando-o somente a título de curiosidade, foi uma experiência que realizei em 1995 com ajuda de Leomar Wazlawick, Marcos Braun, Claudio Baiestorf, E.B. Toniolli, Carli Bortolanza, Loures Jahnke, Onésia Liotto, Ivan Pohl e Susana Mânica.

Pesquisa, seleção e textos por Petter Baiestorf.

 

Pink Narcissus

Posted in Arte Erótica, Cinema, erótico with tags , , , , , , , , , , , , , on setembro 18, 2014 by canibuk

Pink Narcissus (1971, 64 min.) de James Bidgood. Com: Don Brooks, Bobby Kendall e Charles Ludlam.

Nesta obra-prima do baixo orçamento um garoto de programa fantasia diversas situações homoeróticas onde ele se torna a personagem principal de um mundo bem particular.
Pink Narcissus1“Pink Narcissus” é o filme obscuro por excelência, vejamos: Filmado em super 8 entre os anos de 1963 e 1970 (incríveis sete anos de produção), em sistema completamente fora da lei dentro de um loft (incluindo as cenas externas do filme) que ficava na cidade de Manhattan, conseguiu burlar a polícia novaiorquina e realizar primorosas cenas com reluzentes closes de nádegas masculinas, genitálias avantajadas e músculos bem definidos que povoam os sonhos mais molhados da comunidade gay mundial (enrustidos, “Pink Narcissus” é o sonho de consumo de vocês, não percam tempo com o medo e se deliciem com este clássico). Depois de finalizada a edição o filme foi liberado sem que seu diretor, James Bidgood, tivesse concordado com seu lançamento, motivo que o fez assinar a produção como “anônimo” (além da direção, Bidgood fez ainda o roteiro, direção de fotografia, direção de arte e produção). Inclusive, durante muitos anos pensou-se que Andy Warhol fosse o responsável pelo filme (embora tanto Warhol quanto outros diretores gays do quilate de Jack Smith, Kanneth Anger ou os irmãos Kuchar nunca tivessem tanto capricho visual em suas obras, coisa que “Pink Narcissus” deixa transbordar em cada frame), até que na década de 1990 o escritor Bruce Benderson (fã confesso do filme) foi atrás de pistas sobre os realizadores de “Pink Narcissus” e revelou, via um livro chamado “James Bidgood” (lançado pela Taschen), a verdadeira história por trás do filme maldito.

Pink Narcissus2
James Bidgood nasceu em 1933 na cidade de Madison, Wisconsin. Ao se mudar para New York se tornou artista multí-midia com interesse maior em música, fotografia e drag performances. Após “Pink Narcissus” apareceu em mais meia dúzia de filmes (a maioria documentários sobre sua arte) com destaque para a produção “Keep The Lights On/Deixe a Luz Acesa” (2012) de Ira Sachs, drama sobre um cineasta gay que se relaciona com um advogado enrustido onde Bidgood representa a si próprio.
Pink Narcissus 3Martin Jay Sadoff, o editor de “Pink Narcissus” (e motivo de Bidgood ter retirado seu nome dos créditos), seguiu carreira no cinema norte-americano. Em 1979 foi editor de efeitos visuais na super-produção “Meteor/Meteoro”, de Ronald Neame, estrelado por atores do primeiro escalão de Hollywood como Sean Connery, Natalie Wood e Henry Fonda. Nos anos 80 montou filmes como “Graduation Day/Dia de Formatura” (1981) de Herb Freed (que trazia Linnea Quigley no elenco) e “Friday the 13th part VII: The New Blood/Sexta-Feira 13 parte 7 – A Matança Continua” (1988) de John Carl Buechler; foi supervisor de 3D em filmes como “Friday the 13th part III/Sexta-Feira 13 parte 3” (1982) de Steve Miner e “Spacehunter: Adventures in the Forbidden Zone/Caçador do Espaço – Aventuras na Zona Proibida” (1983) de Lamont Johnson e ainda dirigiu o documentário “The Last of the Gladiators” (1988), sobre o lendário Evel Knievel.
Pink Narcissus4Gary Goch, o diretor musical responsável pela ótima trilha sonora do filme, veio de produções classe Z. Foi maquiador e ator no sleazy “Shanty Tramp” (1967) de Joseph P. Mawra (o diretor responsável pela série sexploitation “Olga” do produtor George Weiss, o mesmo que produziu o lendário “Glen or Glenda?” de Edward D. Wood Jr.), câmera em “The Female Bunch/Um Punhado de Fêmeas” (1971) de Al Adamson e, após “Pink Narcissus”, virou pau pra toda obra da dupla de hippies malucos Bob Clark e Alan Ormsby. Para o primeiro foi editor/produtor do clássico classe Z “Children Shouldn’t Play With Dead Things” (1973); fez o som em “Deathdream” (1972) e foi produtor associado em “Porky’s” (1982), “Porky’s 2” (1983), “A Christmas Story” (1983), “Turk 182!” (1985) e “It Runs in the Family” (1994). Para o segundo fez o som de “Deranged” (1974) e produziu o divertido “Popcorn/O Pesadelo Está de Volta” (1991), comédia de humor negro dirigida por Mark Herrier (e Ormsby não creditado).
Fato curioso: O assistente financeiro de “Pink Narcissus” (não creditado no filme) foi o ator Bill Graham, falecido em 1991. Grahan é mais conhecido por integrar o elenco de filmes como “Muscle Beach Party/Quanto Mais Músculos Melhor” (1964) de William Asher, da série de filmes de praia estralados pela dupla Frankie Avalon e Annette Funicello; “Apocalypse Now” (1979) de Francis Ford Coppola, clássico de guerra que dispensa apresentações; e “The Doors” (1991) de Oliver Stone.
“Pink Narcissus” foi lançado em DVD pela distribuidora Cult Classic.

escrito por Petter Baiestorf para seu livro “Arrepios Divertidos”.

Veja o trailer de “Pink Narcissus” aqui:

Literato Cantabile: Pílulas

Posted in Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 10, 2012 by canibuk

Pílulas do tipo deixa-o-pau-rolar.

na mesma base: deixa.

.

Primeiro passo é tomar conta do espaço.

Tem espaço a bessa e só

você sabe o que pode fazer do seu.

Antes ocupe. Depois se vire.

.

Não se esqueça de que você está

cercado, olhe em volta e dê um rolê.

Cuidado com as imitações.

.

Imagine o verão em chamas e fique

sabendo que é por isso mesmo.

A hora do crime precede a hora da

vingança, e o espetáculo continua.

cada um na sua, silêncio.

.

Acredite na realidade e procure

as brechas que ela sempre deixa.

Leia o jornal, não tenha medo de

mim, fique sabendo: drenagem, dragas

e tratores pelo pântano. Acredite.

.

Poesia. Acredite na poesia e viva.

E viva ela. Morra por ela se você

se liga, mas por favor, não traia.

O poeta que trai sua poesia é um

infeliz completo e morto.

Resista, criatura.

.

Sínteses. Painéis. Afrescos. Repor-

tagens. Sínteses. Poesia. Posições.

Planos gerais. “O Close-up é uma

questão de amor”. Amor.

.

Eu, pessoalmente, acredito em

Vampiros. O beijo frio, os dentes

quentes, um gosto de mel.

Poesia de Torquato Neto.

Torquato Pereira de Araújo Neto nasceu em Teresina/PI em 1944. Na década de 1960 mudou-se para o Rio de Janeiro/RJ dedicando-se ao curso de jornalismo. Em 1971 estrelou “Nosferatu no Brasil” de Ivan Cardoso, fazendo o papel de um hilário vampiro que andava de dia pelas praias cariocas. Se suicidou no ano seguinte deixando o bilhete que dizia: “Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar”.

Torremolinos 73

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 22, 2012 by canibuk

“Torremolinos 73” (“Da Cama Para a Fama”, 2003, 91 min.) de Pablo Berger. Com: Javier Cámara, Candela Peña e Juan Diego.

Este filme é uma bela surpresa para qualquer cinéfilo. Tinha visto ele na época de seu lançamento em DVD aqui no Brasil, com o equivocado título nacional de “Da Cama para a Fama” (coisas da distribuidora Imagem Filmes, que nunca teve grande criatividade para títulos, nem capinhas, e nunca soube muito bem como vender seus produtos para o público certo), e alguns dias atrás revi este pequeno grande filme e continuei achando empolgante e digno de indicação.

“Torremolinos 73” conta a história de Alfredo López (Javier Cámara), vendedor de enciclopédias de porta em porta, que está com problemas em casa: Não entra dinheiro e sua esposa Carmen (Candela Peña) está querendo um filho. Ao ser chamado por seu patrão para uma reunião, Alfredo teme pelo pior. Mas não, eis que surge a oportunidade dele ingressar no maravilhoso mundo do cinema com produções eróticas em Super 8 para serem encartadas numa enciclopédia audiovisual sobre a reprodução humana. Com sua esposa sendo sua atriz-musa inspiradora, nosso aspirante a cineasta começa a fazer vários curtas pornográficos e finalmente o dinheiro começa a entrar em sua vida. Estuda técnicas e iluminações possíveis para o Super 8 e de filme em filme vai evoluindo e caindo nas graças de seu patrão mercenário. Ao mesmo tempo que Alfredo se encanta com as possibilidades do cinema, Carmen fica mais frustrada por não conseguir engravidar (numa linda comparação entre cinema-filhos). É significativo a cena em que Alfredo vai se masturbar no banheiro de um hospital para colher seu esperma para exames – onde a contagem de seu esperma é zero – e ali, se masturbando solitário com uma foto da esposa, ele concebe a idéia para o roteiro de seu primeiro longa, intitulado “Torremolinos 73”.

Alfredo López é fanático pela obra de Ingmar Bergman, mas filma como se fosse Jesus Franco. Essa relação entre Bergman-Franco fica ainda mais óbvia quando a produção de “Torremolinos 73” tem início. Filmado no inverno na cidade de Torremolinos (município turístico banhado pelas água do Mediterrâneo), portanto quase uma cidade fantasma. Alfredo e sua pequena e dedicada equipe-técnica (composta de dinamarqueses que não falam espanhol) vão criando uma homenagem à “Det Sjunde Inseglet/O Sétimo Selo”, com cara de “Macumba Sexual”, que fala sobre sexo, desejo e morte, com momentos do mais puro horror acidentalmente surrealista de Franco. Arte e lixo andam de mãos dadas! Não posso revelar o final, mas basta dizer que numa seqüência chave Alfredo consegue finalizar seu filme e Carmen consegue realizar seu sonho de engravidar. Aliás, Alfredo e Carmen são Jesus e Lina!!!

Ernst Ingmar Bergman (1918-2007) nasceu na Suécia e começou a trabalhar no cinema em 1941 como roteirista. Em 1957 surpreendeu o mundo ao lançar, com apenas 10 meses de intervalo, dois clássicos do cinema mundial, “Det Sjunde Inseglet/O Sétimo Selo” e “Smultronstället/Morangos Silvestres”, filmes eternamente copiados por cineastas acadêmicos sem imaginação ou inventividade. Com uma sucessão incrível de filmes excepcionais, muitos deles explorando a fé e a existência de Deus (o pai de Bergman era um luterano fanático, simpatizante do nazismo, que foi ministro do rei da Suécia), em 1966 escreveu e dirigiu “Persona”, filme que ele considerava sua obra-prima. Em 1976 foi preso por sonegação de impostos e jurou que nunca mais faria um filme na Suécia, promessa quebrada em 1982 quando voltou ao seu país de origem para dirigir “Fanny Och Alexandre”. Bergman é adorado tanto por acadêmicos chatos quanto por trashmaníacos descolados.

Jesús Franco Manera (1930) é o principal cineasta ativo na Espanha (gente como Almodóvar, Iglesia ou Segura, me desculpem, vem depois), um gênio dos filmes de baixo-orçamento nunca reconhecido em seu próprio país. Fez filmes de tudo quanto é gênero e ganhou destaque internacional com seus filmes de horror entrelados por suas deliciosas mulheres, primeiro Soledad Miranda, depois a deusa Lina Romay. Dirigiu mais de 200 longa-metragens (neste ano de 2012, por exemplo, já lançou “La Cripta de las Condenadas” parte 1 e 2 e agora trabalha na pós-produção de “Al Pereira Vs. The Alligator Ladies” e 2012 ainda tem mais quatro meses). Você até pode odiar o cinema de Jesus Franco, mas nunca poderá fugir de suas produções. Aqui no Brasil inúmeros clássicos do mestre espanhol estão sendo laçandos em DVD pela distribuidora Vinny com o abusivo preço de R$ 40.00, em média, cada! Jesus Franco nunca foi preso por sonegação de impostos e seu pai não foi ministro do ditador generalíssimo Francisco Franco.

Pablo Berger (1963) nasceu em Bilbao, Espanha, e se tornou jornalista e, logo depois, publicitário. Em 1988 lançou o genial curta-metragem “Mamá” (que trazia como diretor artístico o cineasta Álex de la Iglesia), uma comédia de humor negro alucinada sobre um moleque fanático por cultura pop vivendo num porão com sua família histérica após os marcianos terem destruido a central Nuclear de Erandio. “Torremolinos 73” foi seu primeiro longa-metragem, onde o jovem diretor exercitou sua paixão pelo cinema com muito bom humor e uma trilha sonora carregada de fantásticos sucessos dançantes da música popular espanhola. Em setembro de 2012 deverá estreiar (na Espanha) seu novo longa, “Blancanieves”, sua versão dramática (seja lá o que isso signifique) do chatinho conto de fadas “Branca de Neves”. Pode ser uma merda, mas se tratando de um filme de Pablo Berger é bom dar uma espiadinha na produção.

Por Petter Baiestorf.

Fingered

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on março 16, 2012 by canibuk

“Fingered” (1986, 25 min.) de Richard Kern. Com Lydia Lunch.

Estranho fruto da estranha Big Apple – Cidade Apocalipse, uma das raízes do Cinema de Transgressão. Movimento underground com culhões. Richard Kern comprou uma câmera de S-8 usada por U$ 5 (cinco dólares) e seu amigo Nick Zedd – que nem isso tinha – roubou uma para ele. Toda ralé que se dignava a fazer parte da turma virou artista. Lydia Lunch, Lung Leg, Cassandra Stark, Cruella De Ville, Martin Nation, Richard Hell, Rick Strange, Annie Sprinkle (sim, a senhora xixi na cara e pau na bunda do pornô), todo mundo cheio de maconha e ácido na cabeça. Filmavam violência, colocação de piercing (na buceta), estupros, assassinatos, sexo, drogas e a little bit of rock’n’roll. Talvez mais. Cuspidas punks em celulóide. Taras & revoltas artísticas. Russ Meyer com ácido…

“Fingered”, de 1986, que John Waters chamou de “the ultimate date movie for psychos” ou “o melhor filme pornô artístico caipira punk do mundo!”, é dirigido por Kern com roteiro dele e de Lydia Lunch. A bad girl faz sexo por telefone, depois se abre toda para Martin Nation fazer fist fucking e spanking antes de enrabá-la. Na rua ela é assediada por um babaca que é degolado e o casal on the road foge, briga, trepa, provoca, estupra, rapta, trepa, briga, até… Deathtrip Film.

No festival de Berlin de 1990 Kern mandou um monte de feministas se fuder e discutiu até conseguir exibir o filme. As feministas se vingaram invadindo outro cinema que ia passar o filme, quebrando tudo e jogando tinta a óleo nos projetores. Tinta azul/blue, para chamar o filme de pornográfico. Grande merda. Só ajudou na fama de maldito da obra que é uma maravilha da revolta. E dá gosto ver a Lydiazinha tomando gostoso no rabo e atirando a esmo. Consiga o filme e mostre para a sua família tarde da noite, eles vão dormir muito mais felizes!

escrito por Coffin Souza, originalmente publicado no fanzine “Sanguelia” (2000).