Arquivo para terror

Astaroth: A Mulher Esquecida, A Identidade Negada, O Filme Independente!

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Acabei de assistir o longa Astaroth, de Larissa Anzoategui, que acompanho desde o início da carreira e admiro bastante suas produções independentes. Com inspiração nas produções de Heavy Metal Horror da década de 1980, Larissa e sua equipe criaram um pequeno clássico do Metal Horror, com direito à musa Monica Mattos no papel da demônia sexy que vem em busca de corpos humanos.

Larissa Anzoategui

Larissa lançou o longa numa edição em DVD caprichada e aproveitei o lançamento para entrevistá-la sobre Astaroth e indicar aos leitores do blog a compra para incrementar suas coleções com um SOV muito bem produzido pelo cinema independente brasileiro.

Petter Baiestorf: Como surgiu a ideia para a produção de Astaroth?

Larissa Anzoategui: Surgiu primeiro a ideia de produzir um longa no mesmo esquema independente que fizemos os nossos curtas. O Ramiro tinha um argumento e desenvolveu o roteiro para o que seria o nosso longa, o nome era Embrião Maldito. Fomos atrás das locações, convidamos alguns amigos para atuar, enfim, demos inicio à pré-produção e no meio desse processo sentimos que não iríamos conseguir algumas coisas e resolvemos mudar de plano. Para parte da equipe não se dispersar e perder o ânimo, o Ramiro em pouquíssimos dias escreveu o roteiro do Astaroth e corremos atrás da nova pré-produção.

Baiestorf: Percebe-se uma inspiração oitentista nele, quais foram os filmes que te influenciaram?

Larissa Anzoategui: Nossa equipe (eu, Ramiro Giroldo, Pedro Rosa e Renato Batarce) cresceu assistindo as produções oitentistas, inclusive aquelas que iam direto para a locadora. Quando resolvemos fazer um longa, a primeira coisa definida era: inspiração nos filmes da década de 80. Acho que essa inspiração já aparece em todos os nossos filmes. De uma maneira geral posso citar alguns diretores/produtores que são grandes influências para mim: Stuart Gordon, Brian Yuzna, Frank Henenlotter, John Carpenter, Lloyd Kaufman, Charles Band, David DeCoteau. Têm alguns filmes específicos também: Night of the Demons, A Volta dos Mortos Vivos, Natal Sangrento, A Hora do Pesadelo, Evil Dead, A Hora do Espanto, Phantasm. Mas a inspiração para o Astaroth foram os Heavy Metal Horror. Alguns dos que mais me marcaram: Hard Rock Zombies, Black Roses, Trick or Treat, The Gate. Também pensei nos filmes de ação, de artes marciais, como o Ninja III.

Baiestorf: O roteiro, escrito por Ramiro Giroldo, apresenta uma versão de Astaroth. Quais foram as fontes para a criação da história e personagens? Você poderia falar sobre Astaroth?

Larissa Anzoategui: Vou deixar essa aqui para o próprio Ramiro: “A entidade Astaroth vem, como é mencionado no filme, da divindade ‘pagã’ Astarte, que era feminina. Na Idade Média, a Igreja Católica e seus demonologistas transformaram essa figura em um demônio masculino. Achei isso curioso e tentei fazer a Astaroth essa mulher que foi esquecida, que teve sua identidade negada. Ela tenta voltar, nada contente com esse nosso mundo. Mas procurei deixar isso de fundo, priorizando a história que queria contar.”

Roteiro

Baiestorf:  O trio de atrizes principais está fantástico. Fale um pouco sobre Jacqueline Takara, que está perfeita no papel, Ju Calaf e a Monica Mattos.

Larissa Anzoategui: Essas três mulheres são a encarnação desse conceito tão usado nas redes sociais : mulherão da  porra. Donas de si, inteligentes, talentosas. Levam o trabalho a sério e no que puderem contribuir para que a produção fique o melhor possível, contribuem. A Ju esteve presente desde a primeira empreitada da Astaroth Produções (antes chamada Vade Retro Produções), o curta Limerence. Desde sempre foi muito parceira, estava na equipe como atriz, mas no que precisasse ela ajudava. Inclusive fez altos rangos maravilhosos em todos os filmes que participou.Ela é comprometida com o trabalho, atua muito bem, ajuda a levantar o astral no set. Só não está nas produções mais recentes por ter ido embora do Brasil.

Ju

A Jacque e a Monica entraram nas nossas vidas com o Red Hookers. E já foram mostrando também grande comprometimento. No primeiro dia de gravação a Jacqueline teve uma aula rápida de pole dance, o que foi suficiente para fazer a cena dançando como se fosse especialista em dança exótica. Foi surpreendente! Para o Astaroth ela encarou algumas aulas de Ninjtsu. A Monica também é super comprometida e tem a melhor noção de continuidade do Planeta Terra! Crio junto com elas, explico o que penso das personagens, elas dão o ponto de vista que formaram e a gente vai moldando.

Jacque

Baiestorf: Com a Monica você já havia trabalhado em Red Hookers, como é tê-la nas produções?

Larissa Anzoategui: É ótimo! Sempre foi muito tranquilo, apesar de ser tudo o que é – talentosa, poderosa, linda, inteligente, uma atriz premiada- ela é super de boa. Está sempre com as falas decoradas e tem bastante paciência com nosso esquema independente de produção. A considero uma ótima atriz. Hoje ela está trabalhando como tatuadora. É assim, determinada. Quer fazer, faz: acho que não tem algo impossível pra ela.

Monica

Veja o Making Off aqui:

Baiestorf: O Renato Batarce está muito divertido no papel do gordinho tímido. Vocês trabalham juntos há um bom tempo, como iniciou essa parceria?

Larissa Anzoategui: Conheci o Renato em São Paulo, em algum evento ligado ao terror, e a gente se reencontrava nas mostras e festivais que envolviam o gênero.  Fizemos o curso do Lloyd Kaufman How to make your own damn movie e acho que foi lá que começou essa conversa de produzir alguma coisa. Eu e o Pedro já estávamos há um tempo tentando desenvolver algum roteiro viável, meio na dica Robert Rodrigues: a gente vê o que tem disponível e pensa no que dá para filmar com aquilo. Nesse período eu li um texto da escritora Paula Febbe e já fui pedindo permissão para adaptar, ela foi mais generosa ainda e escreveu o roteiro de Limerence, indicou a atriz (Ju Calaf), participou da pré-produção e fez até uma ponta atuando. Com esse roteiro em mãos reuni o Pedro, o Renato, o Fábio Moreira e também o Magnum Borini. Gravamos em dois finais de semana e a partir daí o Renato quase sempre esteve presente nas produções, mas atrás das câmeras. Quando o convidei para fazer o Josias, a primeira resposta foi um “não sei” muito puxado para o “não”. Depois mudou de ideia, ainda bem! Ninguém seria melhor do que ele.

O gordinho tímido

Baiestorf: Eu gostaria de destacar o trabalho de maquiagens do filme, principalmente a caracterização da demônia Astaroth. Como foi este processo?

Larissa Anzoategui: São dois os responsáveis pela concepção da demônia: Daniel Shaman, designer. Ele criou a imagem da nossa Astaroth, fez os desenhos, a concepção final. Quem deu vida a essas ideias foi o Fritz Hyde. Os dois já tinham trabalhado com a gente no Red Hookers. Na hora de gravar mudamos um detalhe: a demônia teria um rabo, mas não ficou funcionou muito bem e aí desistimos dessa ideia.

Fritz & Criatura

Baiestorf: Outro destaque é a trilha sonora. Achei a escolha das bandas bastante interessante, principalmente porque reforçaram em muito o climão de Heavy Metal and Horror anos 80. Apresente as bandas da trilha e seus contatos.

Larissa Anzoategui: Vou começar com as bandas locais (Campo Grande –MS):

Hollywood Cowboys –Este ano estão comemorando 10 anos de formação, tocam hard rock. Começaram com covers e depois passaram a apresentar composições próprias. Em 2014 abriram o show do ex-vocalista do Iron Maiden, BlazeBailey.

https://www.facebook.com/HollywoodCowboysOfficial/

Labore Lunae – Atualmente estão dando um tempo, mas, se procurar no YouTube, tem vários vídeos da banda. Foram mais ou menos 15 anos se dedicando ao death/doom. Também começaram com covers e logo passaram a compor as músicas do repertório. Chegaram a gravar um álbum que está disponível online neste link: https://www.youtube.com/watch?v=bViNRxEL0SQ&t=630s

https://www.facebook.com/LaboreLunae/

Shadows Legacy: Fundada em 2016, a proposta do caras é tocar heavy metal tradicional. Também abriram para o Blaze Bailey, inclusive o vocalista faz participação em uma das faixas do disco  “You’re Going Straight To Hell”. Este mês lançam o segundo álbum chamado “Lost Humanity”. Gravamos já três videoclipes para eles.

https://www.facebook.com/shadowslegacy/

http://www.metalmedia.com.br/shadowslegacy/index.php

A trilha original foi composta pelo Aldo Carmine, um cara genial e muito sensível para criar o clima que o filme pedia. Ele é um grande fã de metal, inclusive teve várias bandas, mas compõe em qualquer estilo. Digo isso porque já escutei outras trilhas em que ele trabalhou.

Contato do Aldo: https://www.facebook.com/anubishomestudio/

Outra banda que colaborou com a trilha sonora foi o Disorder of Rage, de death/thrash. Com 18 anos de existência, a banda tem ep, cd e colaborações nas trilhas de outros filmes independentes como Era dos Mortos e Vadias do Sexo Sangrento.

https://disorderofrage.bandcamp.com/

https://www.facebook.com/disorderofrage/

Destaco também a inglesa Demon, banda clássica ainda em atividade com verdadeiro espírito underground. Formada em 1979, é um dos maiores nomes da New Wave of British Heavy Metal.

http://the-demon.com/

https://www.facebook.com/DemonBandOfficial/

Filmando Astaroth

Baiestorf: Também gostei muito do trabalho de som do filme. Gostaria de acrescentar algo sobre a captação, edição de som e efeitos sonoros de Astaroth?

Larissa Anzoategui: Muitas pessoas captaram o som nas gravações. Em torno de 5 pessoas diferentes, até o Batata (Renato) entrou nessa. Mas os dois principais responsáveis foram o Fábio Moreira de Carvalho e o Leonardo Copetti. A tarefa de costurar tudo, mixar e criar os efeitos sonoros ficaram também para o Leo. Maior trabalheira! Ele criou sons cortando/esmagando frutas e legumes, entre outros truques. Pensou em cada detalhe. Eu tinha uma lista de sons que estavam faltando e ele conseguiu “enxergar” vários outros.

Filmando Astaroth

Baiestorf: Quero histórias de bastidores:

Larissa Anzoategui: As gravações aconteceram em Sampa e em Campo Grande (MS), então ou eu e Ramiro íamos até São Paulo, ou o povo vinha em peso pra cá. Todas as gravações aconteceram em finais de semana espalhados, e muitos imprevistos aconteceram. O roteiro foi sendo adaptado para resolver tudo o que acontecia entre uma gravação e outra. Mas foi tudo bastante divertido, no final das contas, e todos saíram bastante satisfeitos com a experiência.

Equipe de Astaroth

Baiestorf: Como está sendo a carreira do filme por festivais e mostras?

Larissa Anzoategui: Está rolando. Até agora o filme foi selecionado, entre mostras e festivais, para ser exibido em 10 eventos, quatro deles internacionais.

Baiestorf: Fora do Brasil existe uma cena muito boa, e que valoriza as produções, para os SOVs de Horror. Como está sendo a divulgação/distribuição de seu filme fora do Brasil?

Larissa Anzoategui: Festivais e agora lançamos tanto o Astaroth quanto os outros filmes no VOD do Vimeo (https://vimeo.com/user14899326/vod_pages). O retorno está vindo de fora, a maioria do pessoal que aluga é dos Estados Unidos, Noruega e Alemanha. Os caras assistem um filme e já vão alugando os outros. Acho que é um bom sinal.

Larissa Anzoategui

Baiestorf: Preciso destacar a ótima edição em DVD de Astaroth. Quando recebi minha cópia fiquei bastante empolgado, pois é bom demais ter o filme em mídia física na coleção. Diga como foi elaborada essa edição e, também, como os leitores do Canibuk podem comprá-lo para suas coleções.

Larissa Anzoategui: A parte mais difícil na produção do DVD foi encontrar um lugar que fizesse as cópias no tal esquema prensado. Tive dor de cabeça com algumas cópias do Red Hookers que foi apenas duplicado, em um lugar profissional e tudo o mais, mesmo assim deu problema. Enfim, além de exigir que fossem DVDs prensados e dual layer para que todo o material ficasse bonitão na tela, também corremos atrás de um designer (parceiro costumeiro Daniel Shaman/Bermudas estúdio) para criar a arte da capa, da bolacha e dos menus. Falando assim, até parece que foi tudo fácil, mas demorou vários meses. Depois de ter a arte pronta, ter achado uma empresa que iria fazer as cópias, tive um perrengue com o programa de edição, não conseguia exportar um arquivo decente, no formato para DVD. Enfim, quem salvou minha vida foi uma mina que também trabalha com audiovisual aqui de Campo Grande, a Catia Santos. Obrigada, Catia!

Para adquirir o DVD: https://astarothproducoes.com.br/pt/loja/dvds/dvd-astaroth/

Caso o frete assuste (estou pesquisando um meio de adicionar uma opção mais viável) pode entrar em contato comigo e comprar por depósito bancário. Consigo enviar com um frete mais camarada. E-mail: larissa.anzo@gmail.com

Um dos demônios de Astaroth

Baiestorf: Como está a produção/edição de seu novo filme, Domina Nocturna?Pode contar um pouco dos bastidores e previsão de lançamento?

Larissa Anzoategui: Tem um primeiro corte e muitos detalhes para mexer ainda. Era para ser um curta chamado Pallidus Domina. Chamamos um amigo (Joni Lima) para montar o cenário na sala de casa, que ficou tão legal que inspirou o Ramiro a escrever outras três histórias. Quando a gente viu o projeto de curtinha virou um longa de antologia e até eu acabei atuando. Esse filme tem um clima expressionista, não há diálogos, a ação fica por conta da expressão corporal e do som (trilha, efeitos sonoros). Não vejo a hora de vê-lo finalizado, o que provavelmente  vai acontecer em algum mês de 2021.

Monica sendo transformada em Astaroth

Baiestorf: Projetos?

Larissa Anzoategui: Além do Domina Nocturna, temos outros filmes em pós-produção. No começo deste ano rolou um acampamento produtivo aqui em casa. Formamos uma equipe com pessoas daqui, de São Paulo, do Rio e de Brasília. A maioria era o pessoal que trabalhou no Astaroth, a novidade no elenco foi a multi talentosa Larissa Maxine. Em duas semanas gravamos um longa e quatro curtas. Um dos curtas está finalizado rodando os festivais: A Janela da Outra. Pretendo lançar mais um dos curtas ano que vem e o longa Abissal, em 2020. Outro projeto é lançar um DVD com os curtas: Limerence, Red Hookers e A Janela da Outra.

Ninja Girl

Baiestorf: Seus filmes são produções independentes, sem uso de dinheiro público. Como você vê as políticas para a cultura brasileira, que irão aniquilar a produção, anunciadas pelo novo governo que deverá assumir o país em 2019?

Larissa Anzoategui: Estou preocupada com os rumos que a arte e a cultura podem tomar.Talvez este governo venha ser o ápice da atitude conservadora que a gente viu aparecer no Queermuseu. Soma-se a isso a perspectiva de acabar com os fomentos e a possibilidade de censura. Boom! Será que vai tudo pelos ares? Eu sei que muita gente produz com a grana de editais, o que está certo. É um trabalho danado fazer uma produção artística! Fico revoltada com pessoas que chamam artista de vagabundo. Mas acho que a gente vai ter que dar nossos pulos para não deixar a produção morrer. Vai ter que ser produção como uma forma de resistência.

Astaroth

Baiestorf: Você é diretora de filmes de horror. Ou seja, mulher e aborda assuntos considerados satânicos pelos evangélicos. Está sofrendo algum tipo de preconceito com sua obra?

Larissa Anzoategui: Às vezes os jornais locais fazem uma nota, ou matéria sobre os filmes da Astaroth Produções. Em uma dessas, li uns comentários bem de fanático religioso, dizendo que o filme é do capeta, que só Jesus salva. Eu nem me senti ofendida, dei risada. Só que no fundo dá um certo desespero constatar a falta de conhecimento das pessoas. Parece que a Idade Média permanece. Os líderes religiosos se aproveitam dessa falta de conhecimento, ao invés de mostrar as possibilidades de interpretação da bíblia, falam só do que acham que é o certo ou do que querem convencer seus seguidores. Eu sou cristã, mas não vou em igreja nenhuma, não dá, não bate minhas ideias. Só pra começar: faz muito sentido pra mim as pessoas escolherem ser ateias. Acho que desviei o assunto… Quanto ao machismo, provavelmente tem gente que acha algum defeito nos filmes ou julgam qualquer certa incapacidade por eu ser mulher. Nunca vieram me falar nada, só que eu não duvido. O mundo é machista e ponto.O que já aconteceu foi outra mulher dizer que meu filme, no caso, o Red Hookers, é machista. Já falaram que meu olhar ali é masculino por sexualizar as mulheres. Sei lá, não posso colocar a arte em uma caixinha e dizer: – Não, esse filme é isso e só!- as pessoas trazem as reflexões e vivências delas. Mas posso me defender. Minhas influências cinematográficas são cheias de peitos femininos e eu considero o corpo da mulher algo muito poderoso, um poder que vai além dessa ideia de só objetificação. Confesso que esses comentários sobre o Red Hookers me fizeram ficar pensando nessa questão do nu e filmes de terror. Tanto que agora estou desenvolvendo uma pesquisa num programa de mestrado sobre o assunto.

Larissa conferindo a fotografia

Baiestorf: Obrigado pela entrevista Larissa e, também, por ter feito um filme tão divertido. O Espaço é seu para considerações finais:

Larissa Anzoategui: Eu que agradeço a oportunidade! Agradeço pelo apoio desde que fiz aquela bagaceira de Zumbis do Espaço de Lá. Vou deixar aqui alguns links para quem quiser saber mais sobre a Astaroth Produções, como o endereço do nosso site. Lá tem informações sobre os filmes, ensaios fotográficos lindíssimos e produtos à venda para a gente pegar essa grana e transformar em novos filmes.

https://www.facebook.com/astarothprod/

https://astarothproducoes.com.br

Invoque Astaroth

2592 Posters de Horror & Sci-Fi para Download

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Alguns meses atrás o poster da primeira sessão de cinema da história foi leiloado em Londres por 40 mil libras (mais ou menos 200 mil reais). Este primeiro poster (reprodução abaixo) foi desenhado por Henri Brispot para uma exibição especial dos primeiros curtas dos irmãos Lumière, em dezembro de 1895.

Originalmente criados para uso exclusivo dos cinemas, não demorou muito para que os posters logo virassem item de colecionadores, principalmente artes criadas para filmes exploitations, sempre com cartazes muito mais criativos do que os próprios filmes, e, também, as artes produzidas para a divulgação de produções de horror e ficção científica. Inclusive, o preço record já pago por um único cartaz pertence à sci-fi Metropolis (1926), de Fritz Lang, negociado por 690 mil dólares.

Inicialmente os posters eram feitos no tamanho dos cartazes usados para a divulgação dos shows de Vaudeville. Quem definiu o tamanho padrão foi Thomas Edison, com as medidas de 27″x41″, em folha única fixada nas fachadas e paredes dos cinemas.

Para comemorar os posters de cinema, upei um arquivo com 2.592 cartazes de cinema nos gêneros horror e Sci-Fi, a maioria com artes belíssimas e dignas de serem festejadas como pequenas obras-primas da criatividade humana.

Para fazer o download, clique em BAIXAR POSTERS.

Abaixo alguns posters que integram o arquivo disponibilizado para download:

 

 

Maldohorror – O Coletivo do Pavor

Posted in Entrevista, Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 17, 2018 by canibuk

Maldohorror é um coletivo de escritores do gênero fantástico que foi criado em 2016 pela dupla E.B. Toniolli e Carli Bortolanza, habituais colaboradores na Canibal Filmes.

O coletivo conta com quase 50 colaboradores fixos, postando uma obra inédita em seu site a cada dois dias. Em tempos tão individualistas como se tornou o mundo pós-redes sociais, dá gosto ver um trabalho coletivo de apoio mútuo como este. Para falar mais sobre o coletivo, entrevistamos a dupla de idealizadores do projeto.

Para conhecer o coletivo Maldohorror, clique na figura abaixo:

Canibuk: Conte como surgiu o Maldohorror.

E.B. Toniolli: O Maldohorror surgiu da necessidade de termos um lugar onde divulgar nossos contos e poesias e fazer experimentações. Por nós, entenda-se por mim, Peter Baiestorf e Carli Bortolanza, amigos de longa data e parceiros em produções cinematográficas. Pensamos num formato diferente, onde publicaríamos 1 obra por dia, sempre a meia-noite. A idéia é atrair outros escritores e assim criando uma comunidade, um coletivo, onde os escritores se apóiam e dessa união esperasse o surgimento de livros, e-books e produtos diversos.

Carli Bortolanza: Estava estudando numa cidade vizinha e ia uma vez por semana de ônibus pra lá, e como o Toniolli mora perto da rodoviária, passava lá e ficávamos umas 4 horas jogando conversa fora, jantávamos e ai depois pegava o ônibus, e nessas conversas, o Toniolli veio um dia com uma a idéia de criar um site para publicar nossos escritos, não lembro bem qual era o nome, mas fomos conversando daqui e dali e nisso surgiu o título Maldohorror, em homenagem ao Isidore Ducasse. Fomos conversar com o Baiestorf que também “comprou” a idéia e ai surgiu o coletivo, mas no começo éramos só em três, e todo dia um texto estava no ar, ai convida daqui e dali, e começa a surgiu o quarto, o quinto, dando um alívio, pois foi uma tarefa árdua, manter todos os dias um texto no ar em poucos escritores.

Canibuk: O que é o Maldohorror? Qual o objetivo com este coletivo literário?

Toniolli: Maldohorror é inspirado no célebre personagem Maldoror, do excelente escritor, Isidore Ducasse, vulgo Conde de Lautréamont (escritor maldito uruguaio/francês no final do século XIX). A idéia foi fazer um trocadilho e aproveitar e inserir o termo Horror, que muito define e identifica os 3 primeiros membros do coletivo e, também, norteia a maioria dos escritores que fazem parte. Maldohorror nasceu com o objetivo principal de apoiar escritores, desde iniciantes até profissionais, desde poetas líricos até desvairados sexuais e dessa mistura emergir um cenário rico para nossos leitores.

Bortolanza: De início, acho que era a pra termos onde mostrar nossos trabalhos, mas não só nós, nós enquanto pessoas que escrevem e não tem onde publicar, e com o site, buscar encontrar essas pessoas como nós que temos muitos textos nas gavetas de casa e unirmos para demonstrar que mesmo no mundo dos sonhos, ninguém está sozinho.

Canibuk: Como fazer parte do coletivo?

Bortolanza: É muito fácil, basta escrever sobre fantasia ou textos malditos, que criticam as religiões, as políticas e esse sistema pobre em que vivemos. Com pelo menos 5 textos nesse estilo, encaminhar para o e-mail contato@maldohorror.com.br e alguém do grupo vai receber e encaminhar para um dos membros que é responsável pelas novas aprovações.

Toniolli: Temos uma comissão, que troca de tempos em tempos, que analisa as obras e aprova a entrada ou responde com críticas positivas para a melhoria das obras. Temos uma posição forte contra qualquer tipo de racismo, sexismo, etc, por que consideramos que a cultura serve pra unir e construir uma sociedade melhor

Canibuk: Como funciona o site? As obras inéditas são lançadas de quanto em quanto tempo?

Toniolli: Hoje, as publicações no Maldohorror são feitas de 2 em 2 dias, através de ciclos. Por ciclo entenda-se repassar todas as obras de nossos autores em ordem alfabética inversa. Os autores enviam suas obras para o editor, atualmente o Carli Bortolanza, que analisa e repassa para uma equipe de revisores. Em seguidas as obras são enviadas para a equipe de publicação, que faz a postagem no site e a divulgação nas redes sociais. Dessa forma vamos executando as atividades de forma coletiva, que é a essência do Maldohorror.

Bortolanza: No começo do site era lançados um texto por dia, todos os dias, embora tenhamos muitos escritores hoje, os textos estão sendo lançados a cada dois dias, para que cada um dos autores possa escrever com mais calma e cada vez melhor e também ter um tempo maior para estar divulgando.

para ler o conto coletivo, basta clicar na imagem abaixo:

Canibuk: Maldohorror funciona como um laboratório aos escritores?

Toniolli: Na minha maneira de ver, sim! Todos os envolvidos estão ligados a arte e arte é experimentação e nada melhor do que uma ferramenta online para testar e já receber feedbacks.

Bortolanza: Alguns escritores já são profissionais, digo, escrevem muito bem e muito, com livros publicados. Mas também tem autores que suas primeiras publicações foram no Maldohorror, e que nesse convívio de escritores, nos grupos sociais, estão se aperfeiçoando, pois no coletivo, um ajuda o outro e não só na escrita, mas também em parcerias. Tive participação em duas coletânea , uma de poesias “Sociedade dos poetas vivos” e outra de contos “O Mundo fantástico de R.F. Lucchetti” lançado esse ano na Bienal em SP, pela editora Coerência, organizado pela Camila, que está no grupo  e me convidou. Outras pessoas do grupo também foram convidadas, assim como surge convite para outras participações aqui e ali, pra esse ou pra aquele participante do grupo. Uma forma de “quem é visto é lembrado”. Também alguns que acabaram se conhecendo pessoalmente.

Canibuk: Quais os e-books lançados pelo Maldohorror e como comprar?

Bortolanza: Lançamos três até agora, um de contos e um de poesias que foram publicados no site, e um terceiro com obras inéditas, sobre final de ano e que esses dias inclusive, em comemoração aos 2 anos do lançamento do site, disponibilizamos os 3 de forma gratuita. Mas podem acessar: Entrando no site da amazona: https://www.amazon.com.br/ só digitar Maldohorror que aparecerá os 03 livros, a 1,99 cada.

Canibuk: E o livro físico? Planos?

Toniolli: Pra 2019 estará saindo o livro físico. Está sob organização de Petter Baiestorf e vai ser lançado em março de 2019. Estamos na fase de seleção do pessoal, orçamentos, etc…

Bortolanza: Desde o início, a idéia era publicar um livro físico por ano, e em cada espelho do livro uma letra do Maldohorror, para que quando o projeto termina-se (projeto inicial é de 11 anos) teríamos 11 livros na estante e que pudéssemos ler a palavra inteira. Mas as mudanças são necessárias e até pelo fato de sempre estarmos em movimento, e não sermos uma coisa fechada. A idéia é publicar o primeiro livro físico no primeiro semestre do ano que vem, e depois pensaremos, como será feito os demais, mas certamente não será só um. Inclusive pessoalmente estou pensando daqui a 9 anos, fazer um meu, com todos os meus textos publicados no site, em ordem de publicação (já tenho esse controle e que até agora, foram 62 textos publicados) como uma forma de registrar fisicamente o projeto.

Canibuk: Como tem sido a recepção do público para com o coletivo?

Toniolli: Temos uma recepção boa com o público. Não temos a intenção de provocar uma nova onda transformadora da cultura brasileira, mas sim servir de canal para a divulgação das obras dos autores. Como a totalidade de nossos escritores escrevem temáticas malditas ou fantásticas, temos um público bastante fiel, apesar de restrito.

Bortolanza: A primeira maravilha é que estamos espalhados por quase todo o Brasil, e talvez o que falta é compartilharmos essas receptividades entre o grupo, comigo, está sendo muito bom, uns me mandam e-mail, mensagens pelo watts, me encontram e me pedem, como “inventam isso”, ou “me deu nojo” “não dormi a noite”. Assim como já fui também convidado pra falar do Maldohorror em sala de aula na universidade, em evento do Sesc (grande parceiro da artes independentes em Chapecó – SC). No trabalho volta e meia um colega diz, “Hó, o cara do bebê que sobe em árvore!”, referindo-se ao texto “Assim Nasce o Cantos dos Tubarões de Ducasse“.

Canibuk: Que observações gostariam de fazer sobre o cenário da literatura fantástica no Brasil?

Toniolli: Nossa barreira inicial é a concorrência com grandes nomes da literatura brasileira e mundial. É o mesmo que acontece com a música: bandas novas concorrem com nomes já consagrados. Mas esse é o cenário é a persistência sempre dá resultados.

Bortolanza: Ao mesmo tempo em que vejo uma expansão, vejo também uma “limitação”. Muitos, embora tenham um ótimo domínio da escrita, parece que falta criatividade para escrever, li algumas coletâneas e é um e outro texto que se destaca, na grande maioria, se descobre todo o enredo já no começo. Teve um em especial, que achei que era o mesmo texto escrito por vários autores, sem nada de novo, parodiando, sexta feira 13 parte 01, 02, 03… Acho que o que falta é o transbordar, viajar, pegar uma bacia com letras e espalhar no ventilador. E pela qualidade dos escritores, sei que todos podem colocar uma nave espacial no meio do nada ou um mostro que se tele transporta e entra em cena surpreendendo o leitor.

Se você está gostando dessa entrevista, entre na página do Maldohorror no facebook e acompanhe as novidades:

Canibuk: É possível um autor seguir carreira literária no Brasil de hoje?

Toniolli: Sim. Com persistência, investimento e, principalmente, obras com identidade e criatividade. Ajuda muito se a pessoa for comunicativa e, novamente, persistente.

Bortolanza: Seguir sim, afinal há muitos espaços para expor os trabalhos, porém se manter financeiramente eu acredito que ainda não há possibilidades, mas está no caminho certo.

para comprar clique na figura abaixo:

Canibuk: Quem são os autores do coletivo? Gostaria de destacar alguns trabalhos solos de membros do grupo para que os leitores do Canibuk pudessem correr atrás?

Bortolanza: Pra fãs de filmes, tem 06 escritores, além do próprio Baiestorf, que já trabalharam em algum momento nas produções da Canibal Filmes, Eu, E.B. Toniolli, Loures Jahnke, Leomar Waslawick, Alan Cassol e César Souza (espero não ter esquecido alguém). E acredito que muitos outros não estão só ligados a literatura, mas em outras áreas culturais, música, dança… Gostaria de deixar evidenciado, apenas que o conjunto da obra é maravilhoso, se acompanhar o site, dois meses apenas, se enxaguará com textos bons, uns maravilhosos, outros surpreendentes, outros que te deixaram perdidos, outros tão corriqueiros que fará você, ao passar pelas ruas, se deparar com cenas parecidas e lembra-se do desfeche que o autor criou, outras ainda tão cruéis/ perturbadoras que gostaria de não ter lido ou lhe deixá-los-á com brilhos nos olhos de felicidades.

Toniolli: Não gostaria de citar nenhum autor especificamente por que temos quase 50 escritores e todos tem uma maneira de escrever, temáticas próprias. Temos escritores em níveis diferentes: alguns mais viscerais, com uma escrita coloquial e outros estudiosos da língua e que a tratam uma argila a ser moldada. Acho que cada escritor merece uma lida com atenção.

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Canibuk: Qual a importância do Maldohorror dentro do cenário literário nacional?

Bortolanza: Acredito que seja uma porta de entrada e uma maneira de estar no meio de escritores e poder respirar literatura. Também uma maneira de poder crescer na arte de escrever e trocar experiências e amadurecer cada vez mais, evitando os erros que outrem já realizaram.

Toniolli: Eu vejo o Maldohorror como um coletivo de fomento de obras e de experimentações. Nosso editor está sempre cobrando novas obras dos autores e isso acaba incentivando a produção. Fizemos alguns testes com obras compostas coletivamente e esses experimentos são uma oportunidade ímpar de aprendizado e interação. Vale salientar que temos uma comunidade ativa, conversamos, trocamos idéias, fomentamos outros projetos solos dos autores, divulgação de música, cinema e dessa forma vamos criando um cenário e propenso a ebulição de novos projetos.

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Canibuk: Considerações finais:

Toniolli: Obrigado pelo espaço. Fico muito feliz pelo apoio que você dá pras ações e projetos undergound e é disso que precisamos: união. Separados somos fracos e podemos fazer poucos, mas unidos em prol de uma ideal em comum podemos alcançar resultados extraordinário. E é muito legal acessar o site e ver que em 2 anos temos mais de 800 obras pros nossos leitores curtirem. E tem muita coisa que vai surpreender aos leitores do Canibuk. Estamos de página abertas esperando vocês.

Bortolanza: Tem muitos textos que é só adaptar e o roteiro de um filme está pronto, ou um novo enredo nos holofotes do palco teatral ou na sinfonia das guitarras e dos contra baixos.

Clique na imagem abaixo e vá para o Maldohorror:

Uma Gostosa Loucura Sangrenta

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 29, 2018 by canibuk

Frightmare (Loucura Sangrenta, 1974, 95 min.) de Pete Walker. Com: Rupert Davies, Sheila Keith e Kim Butcher.

“Loucura Sangrenta” é um dos mais notáveis trabalhos do diretor Pete Walker, que aqui narra a história de um casal cuja esposa, Dorothy, é uma canibal que conta com a ajuda do marido para manter sua peculiar dieta de guloseimas humanas. Após um tempo presos num hospício, o casal é solto e Dorothy tem uma recaída em seus desejos culinários, ao mesmo tempo que uma de suas filhas começa a se descobrir atraída pelas deliciosas receitas de sua mamãe.

Veja o Trailer:

O inglês Pete Walker, nascido em 1939, é filho do comediante Syd Walker. Começou cedo sua carreira de stand-Up, possivelmente influenciado pelo pai, em clubes de strip-tease, já revelando muito de sua personalidade anti-autoridades de qualquer tipo (em seus filmes geralmente as autoridades são figuras sádicas e/ou fascistas). Iniciou sua carreira cinematográfica realizando inúmeros curtas em super 8 até conseguir financiamento para “The Big Switch” (1968), seu primeiro longa, que contava uma história de crimes no submundo pornô de Londres. Após algumas comédias sexuais adolescentes para o mercado alemão, Pete emplacou com o filme de horror “The Flesh and Blood Show” (1972), onde um sanguinário maníaco matava atores com requintes de crueldade. Em 1974, ainda colhendo frutos de seu sucesso, Pete comandou dois pequenos clássicos do gênero horror: “House of Whipcord”, uma bem-vinda variação de W.I.P. (women in prison) com horror; e este “Frightmare” que você tem em mãos. Em seguida realizou “Schizo” (1976), produção onde mais uma vez investigava distúrbios mentais sob uma ótica bem demente. Seu último filme, “House of the Long Shadows”, conhecido aqui no Brasil pelo título “A Mansão da Meia-Noite”, é seu filme de maior destaque por conta de reunir no elenco os atores Vincent Price, Christopher Lee, Peter Cushing e John Carradine. Após essa produção Pete Walker abandonou sua carreira de cineasta para se dedicar ao ramo imobiliário, mais lucrativo.

O papel de Dorothy Yates é interpretado por Sheila Keith, uma atriz de confiança de Pete – ela também está em vários outros filmes dele, como “House of Whipcord”, “House of Mortal Sin” e “House of the Long Shadows”. Sheila fez carreira televisiva em séries da TV inglesa.

Rupert Davies, que interpreta Edmund Yates, também era ator de séries de TV. Em 1965 fez parte do elenco do clássico “The Spy Who Came in from the Cold”, de Martin Ritt e estrelado pelo lendário Richard Burton. Alguns anos depois, em 1968, se destacou no gênero horror ao fazer parte do elenco de três clássicos no mesmo ano: “Witchfinder General”, de Michael Reeves, estrelado por Vincent Price; “Dracula Has Risen from the Grave”, de Freddie Francis, estrelado por Christopher Lee; e “Curse of the Crimson Altar”, de Vernon Sewell, novamente estrelado por Lee, só que agora acompanhado pela lenda viva Boris Karloff em final de carreira.

David McGillivray, co-roteirista de “Loucura Sangrenta”, era um especialista no gênero horror de baixo orçamento. São dele também os roteiros de “House of Whipcord” e “House of Mortal Sin”, ambos de Pete Walker; “Satan’s Slave” (1976), que se aproveitava da temática satanista que assolou o cinema mundial no final dos anos 70, e “Terror/O Ente Diabólico” (1978), exploitation envolvendo bruxarias pesadas, ambos os filmes dirigidos pelo picareta Norman J. Warren, numa tentativa de capitalizar com bruxaria e satanismo com o público de drive-ins e pulgueiros de calçadas.

“Frightmate/Loucura Sangrenta” foi lançado em DVD no Brasil pela distribuidora Vinyx Media (London/Dark Side/Brook Films/Empire Filmes/entre outros nomes) na coleção Dark Side Horror Collection, sendo o oitavo volume da coleção e fazendo parceria com o cult “Parents/O Que Há Para o Jantar?”, formando uma ótima dupla de filmes sobre o canibalismo.

por Petter Baiestorf.

Assista o filme aqui:

Arrepios Sangrentos do Cinema (1960-1980)

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 8, 2018 by canibuk

O cinema sempre foi terreno fértil para a exploração do corpo. Se nas décadas de 1950 e 1960 o cinema era mais sugestivo do que apelativo (mas com a sci-fi e seus monstros e aliens deformados já apontando os rumos que a nova audiência exigia), foi na ressaca da contracultura, nos anos de 1970, que o cinema foi tratando de ficar mais explícito e cínico, culminando numa explosão de corpos monstruosos/pegajosos nas telas do cinema da década de 1980, onde a crítica social-niilista-pessimista da década anterior cedeu lugar à auto paródia do terrir.

Podemos afirmar que a auto paródia que o cinema dos anos de 1980 viveu, principalmente o americano, tem suas raízes nos filmes da dupla H. G. Lewis e David F. Friedman, principalmente na trinca de goremovies “Banquete de Sangue” (Blood Feast, 1963), “2000 Maníacos” (2000 Maniacs, 1964) e “Color Me Blood Red” (1965), que aproveitaram para extrapolar, para deleite do jovem público de drive-ins, o bom gosto estético, aproveitando até mesmo idéias de mortes exageradas dadas por seus filhos pré-adolescentes. O corpo humano deixava de ser um templo sagrado e, agora, estava disponível para todo o tipo de mutilações que os técnicos de efeitos especiais conseguissem elaborar. E mais, agora o tabu do canibalismo também caia por terra e o corpo humano servia de alimento às sádicas personagens.

No final dos anos de 1950 e início dos anos de 1960, a cinematografia gore ainda foi discreta, com obras como “First Man Into Space (1959), de Robert Day, sobre um astronauta que começa a derreter e que foi a inspiração para a produção do clássico “O Incrível Homem Que Derreteu” (The Incredible Melting Man, 1977, de William Sachs. “Inferno” (Jigoku, 1960), de Nobuo Kakagawa, tomou como inspiração o inferno concebido por Dante e ousou mostrar, em cores, os horrores explícitos de um purgatório onde os pecadores sofriam todo tipo de violência na carne. “Six She’s and A He” (1963), de Richard S. Flink, contava a história de um astronauta feito de prisioneiro por uma tribo de lindas mulheres que costumavam realizar incríveis banquetes com os membros decepados de seus algozes. “Six She’s and A He” é uma espécie de irmão bastardo dos filmes da dupla Lewis-Friedman, já que seu roteirista é o ator William Kerwin, que atuou em “Blood Feast” e “2000 Maniacs” usando o pseudônimo de Thomas Wood. “Está Noite Encarnarei no teu Cadáver” (1967), de José Mojica Marins, à exemplo de “Jigoku”, também mostrava em cores os horrores do inferno com muitos membros decepados, sofrimentos diversos e inventivos demônios feito com parte dos corpos de seus alunos de curso de cinema.

No ano seguinte o horror ficou ainda mais explícito com duas obras seminais: Mojica realizou um banquete canibal em seu longa de episódios “O Estranho Mundo de Zé do Caixão” (1968), no episódio “Ideologia”, e o Cult “A Noite dos Mortos-Vivos” (The Night of the Living Dead, 1968), de George A. Romero, que trazia o canibalismo explícito para as telas com a virulenta modernização dos zumbis, desta vez se deliciando com tripas e toda variedade de carne humana, de crua à carbonizada, dando apontamentos do caminho que o cinema de horror viria a tomar nos anos seguintes.

Jigoku (1960)

Charles Manson e a Família haviam acordado a América de seu “American Way of Life” e os horrores do Vietnã eram televisionados nos jornais do café da manhã, toda uma geração insatisfeita queria voz. Na década de 1970 o cinema de horror ficou mais insano, pessimista e violento para com as instituições oficiais. Jovens cineastas perceberam, ensinados por H.G. Lewis e George A. Romero, que o cinema independente era o caminho natural para adentrar no mundo das produções cinematográficas, e o melhor, o horror niilista tinha público fiel ávido por “quanto pior melhor”.

Tom Savini em Dawn of the Dead (1978)

Inspirados por Charles Manson e “A Noite dos Mortos-Vivos”, no Canadá, a dupla Bob Clark e Alan Ormsby profanaram os defuntos com seu clássico “Children Shouldn’t Play With Dead Things” (1972), podreira sobre um grupo de degenerados comandados por uma espécie de guru fake a la Manson que desenterram alguns corpos num cemitério isolado e realizam um verdadeiro show de barbaridades e imaturidade. Aliás, Ormsby deve ser atraído por personalidades problemáticas, já que na seqüencia realizou o clássico “Confissões de um Necrófilo” (Deranged, 1974), co-dirigido por Jeff Gillen, inspirado na figura do psicopata Ed Gein e que, na minha opinião, é a melhor abordagem cinematográfica já feita sobre Gein, que inspirou, entre outros, também os clássicos “Psicose” (Psycho, 1960), de Alfred Hitchcock, e “O Massacre da Serra-Elétrica” (The Texas Chainsaw Massacre, 1974), a obra-prima de Tobe Hooper, realizado no mesmo ano de “Deranged” e que contava com efeitos do ex-fotografo de guerra Tom Savini, que se inspirava nos horrores reais que presenciou para criar as maquiagens mais podreiras possíveis. Os corpos dos mortos agora não eram mais sagrados, podiam alimentar psicopatas dementes ou, até, se tornarem grotescas obras de arte ou peça de happenings.

O público clamava por histórias mais adultas, além da violência explícita, o sexo também gerava curiosidade. Andy Warhol e Paul Morrissey foram para a Europa filmar, com ajuda do italiano Antonio Margherity, “Carne para Frankenstein” (Flesh for Frankenstein, 1974), uma releitura sexual-splatter de Frankenstein de Mary Shelley, com litros de sangue, referências à necrofília e abordagem erótica da história do cientista que brincava de Deus, dando especial atenção ao detalhes sórdidos e eróticos. No Canadá David Cronenberg previa as epidemias de doenças sexualmente transmissíveis ao realizar “Calafrios” (Shivers, 1975), com roteiro sério que discutia o sexo, sem deixar de incluir taras, fetiches e doenças como a pedofília em roteiro genial (o final do filme continua poderoso).

De volta à América, o cineasta underground Joel M. Reed lançou em 1976 o perturbador e doentio “Bloodsucking Freaks” (The Incredible Torture Show), com a personagem de Sardu, ajudado por um anão tarado, que raptava jovens mulheres que se tornavam deliciosas iguarias para seus banquetes explícitos onde até mesmo sanduíches de pênis era devorados. Ainda em 1976, os exageros do cinema gore se encontraram com a falta de limites do mundo da pornografia e o jovem Michael Hugo cometeu o, ainda hoje, obscuro “Hardgore”, uma carnificina envolvendo sexo explícito com todo o tipo de perversões na história de uma inocente mocinha internada numa instituição mental. “Hardgore” parecia preparar terreno para “Cannibal Holocaust” (1980), do italiano Ruggero Deodato, produção que extrapolou qualquer limite do bom gosto ao assassinar, em frente às câmeras, todo tipo de animais, incluindo a famosa cena da tartaruga, filmada com verdadeiros requintes de crueldade.

Mas um pequeno curta independente, filmado em super 8 por um grupo de amigos, anunciava que o cinema de horror voltaria a ficar mais artístico (sem assassinatos reais ou pornografia): “Within the Woods” (1978), de Sam Raimi, produzido com os amigos Robert Tapert e Bruce Campbell, era um ensaio para a produção do Cult “A Morte do Demônio” (Evil Dead, 1981), que influenciaria meio mundo nos anos de 1980 e 1990 com sua ensandecida história envolvendo jovens possessados por demônios numa cabana isolada. O cinema de horror começava a sair dos cinemas pulgueiros para tomar de assalto toda uma nova geração que descobriria os filmes malditos com o videocassete.

De certo modo “Evil Dead” preparava o público para a exploração do corpo que o cinema da década de 1980 realizou. Nunca na história da indústria cinematográfica tivemos outra época tão rica na exploração de anomalias, doenças, mutações e toda uma rica gama de deformações genéticas. Era a época da disco, da cocaína acessível e barata, do “viva rápido, morra jovem”, então… Pro inferno com a seriedade, o negócio agora era a auto paródia e o cinema de horror, principalmente o americano, soube não se levar em sério e por toda a década de 1980 cineastas como Lloyd Kaufman, Stuart Gordon, Dan O’Bannon, Fred Deker, Roger Corman, Fred Olen Ray, Jim Wynorski, entre outros, conseguiram passar através de seus filmes o clima de curtição que os anos de 1980 possuíam.

por Petter Baiestorf

Veja os trailers aqui:

Outros Posters:

The Incredible Melting Man

Posters & Capas de VHS da Canibal Filmes

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Infelizmente estou sem tempo algum para atualizar o blog. Mas nessa última semana estava selecionando material que irá fazer parte do livro “Canibal Filmes – Os Bastidores da Gorechanchada” e encontrei um material referente aos nossos lançamentos em VHS (que já estão disponíveis em DVD e que você pode comprar aqui na MONDO CULT):

Posters

1995- O Monstro Legume do Espaço

1996- Blerghhh1

1996- Blerghhh2

1996- Caquinha Superstar a Go-Go1

1996- Caquinha Superstar a Go-Go2

1996- Eles Comem Sua Carne1

1996- Eles Comem Sua Carne2

1996- Eles Comem Sua Carne3

1996- Eles Comem Sua Carne4_Folder

1996- Eles Comem Sua Carne4_Folder2

1997- Bondage 2 Amarre-me Gordo Escroto

1997- Chapado

1998- Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos2

1998-Gore Gore Gays

Lombada das VHS

Lombada VHS- O Monstro Legume do Espaço (1995)

Lombada VHS- Eles Comem Sua Carne (1996)

Lombada VHS- Blerghhh (1996)

Lombada VHS- Bondage 2 Amarre-me Gordo Escroto (1997)

Lombada VHS- Raiva (2001)

Capas de VHS da Canibal Filmes:

VHS- Blerghhh (1996)

VHS- Chapado-Bondage 2 (1997)

VHS- Bondage 2 Capa 2 (1997)

VHS Bondage parte 1 - Capa 2 (1996)

VHS- Bondage parte 1 (1996)

VHS- Caquinha Superstar a Go-Go (1996)

VHS- Eles Comem Sua Carne (1996)

VHS- Festival Psicotrônico Vol 1 (1999)

VHS- Minimalismo Surreal Vol 1 (2002)

VHS- O Monstro Legume do Espaço (1995)

VHS- Raiva (2001)

VHS- Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos

VHS- Zombio (1999)

Petter e poster GGG

Promoção Canibal Filmes

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Todo este mês de fevereiro de 2017 a Canibal Filmes estará entregando DVDs com frete grátis para todo o Brazil (para pedidos de no mínimo 03 peças). É uma ótima oportunidade para completar sua coleção de DVDs físicos (cheios de material extra) da produtora brasileira mais anárquica, sexy e selvagem, em atividade à mais de duas décadas. Se você quiser aproveitar o frete grátis entre em contato pelo e-mail baiestorf@yahoo.com.br (pagamento via depósito bancário).
Experimente e surpreenda-se!!!
 
Estão disponíveis para essa promoção os seguintes DVD:
DVD 1 – Vadias do Sexo Sangrento (2 DVDs cheio de curtas e material extra, legendas em inglês) “Vadias do Sexo Sangrento” é um filme erótico como nunca antes feito no Brasil – R$ 25,00
vadias-do-sexo-sangrento_qualidade-menor
DVD 2 – Zombio/Eles Comem Sua Carne (e muito material extra, legendas em inglês) “Zombio” é considerado o primeiro filme de zumbis brasileiro. “Eles Comem Sua Carne” é o filme mais sangrento realizado no Brasil no século XX. São dois cult imperdíveis no mesmo DVD – R$ 20,00

copia-de-zombio_grande

DVD 3 – Zombio 2: Chimarrão Zombies (e muito material extra, com legendas em inglês e espanhol) “Zombio 2: Chimarrão Zombies” é uma continuação superior à sua primeira parte, com muito sexo e cenas sangrentas acompanhamos as desventuras de um grupo de humanos egoístas em meio ao holocausto zumbi. “Zombio 2” foi selecionado em mais de 80 festivais de cinema fantástico ao redor do mundo, incluindo o Festival de Sitges, um dos mais conceituados do planeta – R$ 20,00
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DVD 4 – Arrombada – Vou Mijar na Porra do Seu Túmulo!!! (e muito material extra, legendas em inglês) “Arrombada” conta a história de um senador brasileiro que estupra meninas em festinhas regadas à drogas e bebidas em seu sítio isolado, muita putaria e sangue nesta história de arrepiar – R$ 20,00
arrombada_10-reais-5-reais-despesas-postais
DVD 5 – O Monstro Legume do Espaço parte 1 e parte 2 (e muito material extra, legendas em inflês) “O Monstro Legume do Espaço” foi o primeiro filme independente brasileiro com distribuição em todo o território brasileiro, é um cult do cinema nacional que conta com requintes de crueldade a história do alien filosófico aprisionado e torturado por humanos. No mesmo DVD a continuação deste clássico em filme mais sério sobre preconceito racial – R$ 20,00
o-monstro-legume-do-espaco_10-reais-5-reais-despesas-postais
DVD 6 – A Curtição do Avacalho (e muito material extra, incluíndo o documentário “Baiestorf: Filmes de Sangueira e Mulher Pelada” de KZL que conta toda a história sórdida do diretor Petter Baiestorf – R$ 20,00
copia-de-a_curticao_do_avacalho_capa_menor
DVD 7 – Mamilos em Chamas (Um dos longas mais agressivos da história do cinema brasileiro, inteiramente filmado com coelhos mortos reais, é uma história romântica escatológica única em toda a cinematografia nacional) – R$ 20,00
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DVD 8 – O Triunvirato (cheio de material extra) é a história de Gurcius Gewdner, uma lenda do underground brasileiro em narrativa completamente insana – R$ 20,00
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DVD 9 – Festival Psychotronic Vol. 1 (com 12 filmes e o ensandecido trailer de “Zombio 2”: “Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos” (longa pornô-gore ultrajante, talvez o filme mais insano já feito no Brasil, um filme com a espetacular cena de um militar sendo enrabado por velas acessas) + “Caquinha Superstar A Go-Go” (longa erótico com cenas de necrofília, sadismo, estupros e críticas sociais) + “Chapado”(média-metragem com um homens sendo enrabado por uma cruz gigante e muita chapação sem limites) + “Açougueiros” (média-metragem de horror) + “Boi Bom” (curta insano que mostra as maldades carnívoras que os homens podem fazer para não passarem fome) + “Deus – O Matador de Sementinhas” (curta demente sobre Deus) + “Criaturas Hediondas 2” (longa-metragem de sci-fi do início dos anos 90, um dos primeiros produzido no Brasil no sistema SOV) + “Ácido” (um curta que revela a demência de uma boa viagem de LSD) + “A Despedida de Susana: Olhos e Bocas” (curta experimental com movimentos de câmera elogiados pelo lendário diretor Carlos Reichenbach) + “Fragmentos de uma Vida” (curta ultra-gore, extremamente surreal e sangrento) + “Primitivismo Kanibaru na Lama da Tecnologia Catótica” (curta sujão, com clima primitivista nunca antes visto na história do cinema brasileiro) + “Super Chacrinha e seu Amigo Ultra-Shit em Crise Vs. Deus e o Diabo na Terra de Glauber Rocha” (longa-metragem experimental sobre alianças coorporativas, uma contundente crítica à corrupção brasileira) – R$ 20,00
dvd9_festival-psychotronic-vol-1

 

Querendo algum outro filme produzido pela Canibal Filmes (como o provocativo “Gore Gore Gays”, ou o longa gore “Raiva” ou o longa erótico “Bondage 2 – Amarre-me, Gordo Escroto!” ou ainda os médias “Blerghhh!!!”, “Cerveja Atômica”, “O Doce Avanço da Faca” ou outros, entre em contato conosco pelo e-mail baiestorf@yahoo.com.br e daremos um jeito de você consegui-los!
Se você quer encomendar apenas um título da Canibal Filmes, clique em nossa loja virtual MONDO CULT, onde é possível encomendar já com as despesas postais incluídas no preço final.
Escreva para a gente (baiestorf@yahoo.com.br) e se divirta conhecendo as produções mais insanas realizadas no Brasil!!!