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Do Sudeste ao Sul Vivendo na Estrada Selvagem do Rock

Posted in Literatura, Livro with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on setembro 2, 2013 by canibuk

“Do Sudeste ao Sul – Na Estrada Selvagem do Rock” (2013, 200 páginas, Editora VirtualBooks), escrito por Roger Pixixo.

Este ano de 2013 está sendo repleto de boas surpresas no que diz respeito ao lançamento de livros e álbuns em quadrinhos de amigos. A mais nova surpresa é este livro maravilhoso e de alto astral escrito pelo Roger Pixixo, mineiro que conheci no início dos anos 2000.

Do Sudeste ao SulEm 200 páginas Pixixo realiza uma maravilhosa viagem de volta aos bons tempos do underground dos fanzines, trocas de fitas k-7 com sons de bandas obscuras, correspondências com cartas via correio, viagens intermináveis de ônibus para ver bandas em outros estados e muito mais aventuras que contam a história do, principalmente, Psychobilly nacional e sua festa máxima, o Psycho Carnival. Quem nasceu entre a década de 1970 e 1980, com certeza vai se emocionar com este livro que conta muito da história underground de Belo Horizonte e relembra o surgimento de inúmeras bandas do cenário metal mineiro (por conta do sucesso que bandas como Sepultura e Sarcófago) levantando a questão do radicalismo que havia no cenário nacional dos anos 80/90; relembra também os primeiros psychos de BH e suas dificuldades em conseguir material e até amigos para beber uma cervejinha conversando sobre bandas bagaceiras. Em linguagem simples e direta Pixixo consegue nos fazer relembrar da gostosa adrenalina que é descobrir uma boa banda nova, da felicidade de compartilhar descobertas com os amigos e da maravilha que é gostar de uma cultura obscura, algo que nos torna tão especial diante da grande massa humana medíocre que vegeta no marasmo do lugar comum.

roger pixixoQuem é Roger Pixixo?… Conheci o Pixixo no início do ano 2000, na época que ele era editor de fanzines e até chegou a elaborar o primeiro site da minha produtora Canibal Filmes (que ficou no ar por alguns anos). Aliás, nesta época ele se chamava Roger Psycho (no livro conta a história de como ele ganhou o ótimo apelido de Pixixo). Metaleiro nascido e criado em Belo Horizonte, conheceu The Cramps e Ramones e partiu com tudo pro divertido cenário apolítico do Psychobilly e Rockabilly (que não tem aquele povo xarope vomitando regrinhas como nas cenas do Metal e do Punk, por exemplo), comprou um baixo e tocou em inúmeras bandas de BH, como “Osmose”, “Rock Mountain Fever”, “Scary Scums”, “Marrones”, entre outras. Também, após entrar para a Gang da Caveira Rock’n’Roll Club, começou a organizar eventos em Belo Horizonte, como o “BH Rumble”. Ou seja, Pixixo é um cara que faz a cena acontecer, não se limitando apenas a curtir sons e cervejinhas com amigos.

Segue uma pequena entrevista que realizei com Pixixo sobre seu empolgante livro.

Petter Baiestorf: Pixixo, obrigado por este lançamento , voltei a me sentir adolescente ao ler “Do Sudeste ao Sul – Na Estrada Selvagem do Rock”, relembrando muita coisa divertida do underground nacional antes dos anos 2000, época que para se conseguir material obscuro cara tinha que apelar para trocas via correio. Teu livro fala justamente desta época de transição no meio alternativo onde a Internet começou a aparecer e a mudar a forma como o pessoal conseguia material. O que você constata daquela época em relação aos dias de hoje, que basta saber o nome de alguma banda e baixar seus discos?

Roger Pixixo: Naquela época além dos correios para se conseguir material das bandas e mesmos filmes, a gente tinha também que ir aos shows. Você conhecia as bandas através dos shows e também conhecia gente desta maneira. Naquela época foi assim que conseguir angariar muita informação e conhecer gente interessante. Hoje em dia é tudo muito fácil. O cara baixa a discografia inteira de qualquer banda, baixa filmes… o HD do cara tem lá não sei quantos mil Giga de material e o cara acaba que não consegue ouvir tudo e nem assistir nada. Resultado, não assimila nada e pra mim não passa de um colecionar de mídia. O cara senta a bunda na cadeira em frente ao computador e não sai para ver shows undergrounds porque de alguma forma o cara vê isso no youtube e prefere ficar ali no conforto do lar.   

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Baiestorf: Seu livro está muito bem escrito e é diversão certeira. Como surgiu a idéia de escrever e lançar o “Do Sudeste ao Sul – Na Estrada Selvagem do Rock”?

Pixixo: Sempre gostei de escrever. Mas mantinha as coisas pra mim… resenhas de shows, filmes ou mesmo lembranças de casos e tudo mais. Eu tinha muito material e resolvi montar um quebra cabeça com elas de forma cronológica meio que na brincadeira e percebi que podia fazer um livro com tudo. Algo biográfico e também uma pequena pesquisa histórica da cena underground da qual participei como músico, observador e produtor. Me achei no direito de contar minha história, da cena e dos meus amigos. O original para você ter uma ideia tinha quase 300 páginas mas fui cortando algumas coisas e cheguei com este formato de 200 páginas que ficou bem bacana, fácil de ler e que prende o leitor. Estou tendo um feedback bem bacana do livro e estou muito feliz por ele.  

Baiestorf: Iniciativas assim são ótimas para a cena underground brasileira, seu livro é um registro histórico imperdível para quem se interessa pela cultura alternativa de BH e, também, do Psychobilly brasileiro. Como anda a cena atual em BH? E pelo Brasil?

Pixixo: Em BH o Psychobilly nunca teve uma força considerável seja por bandas ou público. O Baratas Tontas foi a primeira, depois de muitos anos fundei o Scary Scums, logo depois o Dead Goblins que teve vida curtíssima e hoje temos o Drunk Demons que mantêm o Psychobilly ainda vivo por aqui.  Aliás, BH neste quesito sempre foi forte e reconhecido pela cena Metal desde o inicio dos anos 80 e até hoje é forte tendo shows constantes e ainda com uma gama enorme de bandas e de muita qualidade, e o público também é imenso e fiel. Aqui se gosta de tudo e se mistura tudo, tirando o Metal, as outras vertentes andam juntas, por isso sempre fizemos os festivais e shows misturando tudo, Psychobilly, Surfe, Garage Rock e Rockabilly e sempre deu certo. Pelo Brasil a nata do Psychobilly ainda é o Sul, mais especificamente em Curitiba que sempre foi o polo do estilo no Brasil e com grandes festivais e as melhores bandas sempre saíram de lá. Em São Paulo também há muito do estilo mas nunca um festival emplacou por lá.

Baiestorf: Quem quiser conhecer as suas bandas, tanto antigas quanto novas, como faz?

Pixixo: Pode entrar em contato comigo direto pelo Facebook ou me mandar um e-mail no rogerpixixo@gmail.com porque eu tenho material de todas disponível para passar para o pessoal.

Baiestorf: Para o lançamento do livro você organizou o “Pixploitation”. Tu pode nos resumir como foi essa festança? Quais bandas tocaram?

Pixixo: E foi uma festança mesmo ! A casa tava lotada e o pessoal se divertiu muito… até eu que tive trabalho pra caramba durante todo o dia. Para dar um charme a mais eu passei em primeira mão em BH o Zombio 2 : Chimarão Zombies. A casa ainda tava meio vazia mas quem esteve lá aplaudiu o filme. Ele passou no telão na área dos shows, mas nas TV’s que tem ao longo da casa o pessoal que não tava vendo pelo telão pode ver nelas e como o som estava em toda a casa deu pra acompanhar tudo. Eu divulguei que para frescos e pudicos o filme não servia e felizmente não tinha gente assim lá. No decorrer da noite inteira o filme continuou a passar no telão. O dono da casa, o Edmundo pirou com o filme e quer que eu mantenha esta tradição lá. Estou até estudando uma noite especial com filmes da Cannibal por lá. Eu convidei para a festa as bandas Drunk Demons de Psychobilly, o Vô Diddley que é um Duo muito Louco que toca versões sujas e podres de Bo Diddley e The Cramps, o Drákula que é uma banda de malucos de Campinas oriundos de bandas como Muzzarelas, Calibre 12 dentro outras que toca um mescla de Surfe com Garage e Punk muito barulhento e pesada. Foi um show fodástico. Pra fechar a noite teve As Múmmias do Agito que é uma banda picareta de gente picareta que toca clássicos da Surfe como Link Wray, Ventures, Dick Dale, dentre outras, de forma como não se deve tocar ou ter uma banda. Mas foda-se, é divertido e sempre é sucesso, se a gente ensaiar perde o foco e o charme da coisa. No decorrer do show quando não se dá pra tocar mais músicas porque a gente não sabe, não se lembra ou por estarmos muito bêbados, tocamos “Comanche” o resto do show… nesse acho que ficamos tocando ela por uns 15 minutos. De surpresa eu acabei tocando com o Marrones lá também porque tava todo mundo da banda lá e usamos o pequeno tempo para mostrar em primeira mão algumas de nossas músicas próprias. Começamos a banda tocando só Ramones mas gradativamente vamos tocar só sons próprios. Vou manter a “Pixploitation!”, algo a rolar sempre de dois em dois meses. Deu muito certo. Foi muito divertido !

Pixploitation_Exibição do zombio 2

Baiestorf: Quando custa o livro e como o pessoal pode encomendar seu exemplar? Aliás, como anda as vendas?

Pixixo: O livro custa R$30,00, para quem é fora de BH custa R$35,00 devido ao custo com os Correios e para encomendar é só depositar a grana na seguinte conta :

 Banco Itaú

Agência 3158

Conta Corrente 79872-2

Rogério Andrade de Souza

Tem a página no Facebook também : https://www.facebook.com/estradaselvagemdorock

As vendas e o feedback tem sido bons. Na Pixploitaton! eu vendi todos os exemplares do livro que carreguei pra lá ! Melhor impossível. Espero mais encomendas !

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Baiestorf: O que podemos esperar de novos projetos do Pixixo?

Pixixo: Eu estou preparando um outro livro com sobras de histórias que não entraram neste e acréscimo de outras. Coisas que escrevi para o Zine Horror Gore que fazia muitos anos atrás. Algumas histórias sujas que ando escrevendo, tendo como referencia, o velho Buk. Tá divertido fazer esta compilação e será um lance não cronológico ou especifico. Até o fim do ano sai. Estamos eu e a TrashCan Records que também está por trás no lançamento do livro impresso trabalhando também na versão estendida e on line do livro com vídeos e depoimentos que pretendemos colocar no ar até o fim do ano também. Na área da música estou focado no trabalho com o Marrones que estamos preparando algo especial para o fim do ano com lançamento de um EP. Continuo como produtor de shows… minha cabeça fica o tempo todo cheio de ideias e tenho muitos projetos pra dar vida.

Baiestorf: Pixixo, mais uma vez obrigadão por este livro, eu realmente me diverti muito lendo ele (li tudo de uma sentada só). Fica o espaço aqui do Canibuk para você falar o que quiser sobre o livro e a cena underground brasileira:

Pixixo: O livro serve muito para todo mundo que tem o que falar e mostrar do que vê e viu de alguma coisa. Eu não sou escritor e nem tenho a ambição de me tornar um, é apenas um relato de histórias que coloquei no papel e que todo mundo também pode fazer. E isso é direcionado para música também e produção de shows. Tem muito mimimi e pouca gente fazendo algo. Faça… que seja uma bosta, um lixo… foda-se, o lance é colocar a cara pra bater mesmo e sempre fazer e produzir algo.  Meu livro conta sobre isso e espero ver iniciativas parecidas por aí.

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Miooooloosss!!!!

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“The Return of the Living Dead” (“A Volta dos Mortos Vivos”, 1985, 91 min.) de Dan O’Bannon. Com: Clu Gulager, James Karen, Don Calfa, Linnea Quigley e Jewel Shepard. Roteiro de Dan O’Bannon, com ajuda de Rudy Ricci e Russell Streiner, baseado em livro de John Russo. Efeitos e Maquiagens de Allan A. Apone e Tony Gardner.

Este talvez seja, ao lado do trio “Re-Animator” (1985, Stuart Gordon), “Evil Dead 2” (1987, Sam Raimi) e “Braindead/Fome Animal” (1993, Peter Jackson), o mais famoso splatstick do cinema mundial. Mas o que é um splatstick? Splatstick é uma palavra derivada de splatter (para sangue) e splastick (para comédia física), ou seja, splatstick é um filme gore com altas doses de comédia pastelão. Aqui no Brasil o principal representante dos splatstick talvez seja eu mesmo e minha Canibal Filmes, várias de minhas produções tentam combinar violência explícita com comédia sem noção, como “Eles Comem Sua Carne” (1996), “Blerghhh!!!” (1996) ou “Zombio” (1999). Outros representantes do sub-gênero no Brasil são os cineastas Fernando Rick, dos ótimos “Rubão – O Canibal” (2002) e “Feto Morto” (2003) e Felipe Guerra de filmes como “Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado” (2001) e “Canibais e Solidão” (2008).

“The Return of the Living Dead” já nasceu clássico. A História começa com um punk conseguindo emprego num armazém de abastecimento de produtos médicos onde Frank (James Karen) tenta impressioná-lo mostrando cilindros que estão no porão do armazém e que conteriam os mortos-vivos que teriam dado origem ao filme “The Night of the Living Dead/A Noite dos Mortos Vivos” (1968) de George A. Romero. Claro que ao mexer no cilindro a dupla libera o gás e reanima um corpo morto (e borboletas empalhadas e um meio-cachorro também) que eles não conseguem matar nem com uma picaretada no cérebro. Burt (Clu Gulager) conhece Ernie (Don Calfa), o agente funerário que trabalha no cemitério ao lado, e resolvem picar o corpo do morto-vivo para queimá-lo no forno crematório e isso faz com que o gás, através da fumaça, se misture as nuvens de uma tempestade que cria uma chuva ácida que levanta todos os mortos do cemitério. Um grupo de punks se junta ao grupo do necrotério em sua luta contra os zumbis – mais espertos que os vivos – e está reunido os ingredientes para um splatstick genial.

Em “The Return of the Living Dead” tudo funciona maravilhosamente bem. Figurinos, cenários, maquiagens, trilha sonora, atores, piadas e a direção de O’Bannon concilia tudo de uma maneira a deixar o filme um perfeito passatempo para os jovens da minha idade (não faço idéia do que essa geração apática de agora pode achar deste filme, certamente dirão: “É podre!!!”, sem conseguir esboçar mais palavras sobre a produção). Aqui os zumbis são mais inteligentes do que os vivos, em uma cena um morto vivo pega o rádio da ambulância e chama mais médicos para o suprimento de cérebros continuar fresquinho! Os zumbis aqui também são mais ágeis do que os mortos vivos do Romero e quando a Trash (Linnea Quigley) é transformada em zumbi, para nosso deleite, a temos peladinha em busca de cérebros. Impensável para o puritano cinema de horror dos dias de hoje.

Inicialmente “The Return of the Living Dead” era para ter sido dirigido por Tobe Hooper (que acabou abandonando o projeto para se dedicar ao “Lifeforce/Força Sinistra”, também com roteiro de Dan O’Bannon). Sem diretor para seu filme o produtor Tom Fox ofereceu a função ao roteirista O’Bannon que aceitou com a condição de que poderia diferenciá-lo dos filmes de George A. Romero. Como a essa altura o autor original, John Russo, já havia caído fora do projeto, Dan adicionou humor e nudez, uma combinação que sempre deixa os filmes violentos melhores e finalizou seu filme em tempo de lançá-lo junto da produção “Day of the Dead/Dia dos Mortos” (1985) de George A. Romero. O splatstick alucinado de O’Bannon fez muito sucesso, deixando o sombrio filme de Romero sem público, que naquele período dos anos de 1980 estava mais interessado em produções carregadas de humor incorreto e nudez. O filme teve quatro seqüências desnecessárias até agora: “Return of the Living Dead 2” (1988) de Ken Wiederhorn; “Return of the Living Dead 3” (1993) de Brian Yuzna; “Return of the Living Dead: Necropolis” (2005) e “Return of the Living Dead: Rave to the Grave” (2005), estes dois últimos filmados simultaneamente por Ellory Elkayem. Como curiosidade: A personagem de James Karen era para ter se tornado um zumbi e se juntado a multidão de mortos-vivos, mas James não queria filmar na chuva fria e sugeriu que sua personagem se matasse antes da transformação ser concluída. Como O’Bannon adorou a sugestão a incluiu no roteiro e criou um dos mais belos momentos do filme, tudo embalado com a canção “Burn the Flames” de Roky Erickson.

Aliás, a trilha sonora de “The Return of the Living Dead” é um achado. Além da música de Roky Erickson, trazia ainda bandas maravilhosas como The Cramps, 45 Grave, TSOL, The Fleshtones, The Damned, Tall Boys, The Jet Black Berries e SSQ, numa mistura de punk rock com deathrocks que foram a cara dos anos de 1980. Assisti este filme em 1988 quando tinha 14 anos e foi delírio puro. Punkrock, gostosa pelada dançando sobre túmulos, zumbis podrões com senso de humor parecido com meu próprio senso de humor, sangue jorrando, corpos desmembrados, diálogos hilários e um final provocadoramente anárquico. Era puro rock’n’roll! A música original do filme foi composta por Matt Clifford que trabalhou mais em teatro do que cinema. Clifford também foi responsável pela música do curta “The Basket Case” (2007) de Owen O’Neill (não confundir com “Basket Case” de Frank Henenlotter).

John Russo, para quem não sabe, foi o roteirista de “The Night of the Living Dead” e viveu a sombra deste trabalho. Logo após o lançamento do grande clássico do cinema zumbi, em 1968, a dupla Romero-Russo se separou (Russo ainda produziu “There’s Always Vanilla”, 1971, de Romero) com Romero tendo os direitos de produzir as seqüências do filme original e Russo ficou detentor do título “Living Dead” (por isso os filmes de Romero nunca puderam usar “Living Dead” em seus títulos). Russo produziu filmes como “Night of the Living Dead” (1990) de Tom Savini e “Children of the Living Dead” (2001) de Tor Ramsey; escreveu coisas como “The Majorettes/Retratos da Morte” (1987) de S. William Hinzman (que em 1968 foi um zumbi no clássico “The Night of the Living Dead”, usando o nome de Bill Heinzman), “Voodoo Dawn” (1991) de Steven Fierberg, “Night of the Living Dead 3D” (2006) de Jeff Broadstreet e “Another Night of the Living Dead” (2011) de Alan Smithee (provavelmente o nome Alan Smithee está sendo usado aqui para evitar brigas com Romero) e dirigiu tranqueiras como a comédia “The Booby Hatch” (1976) com co-direção de Rudy Ricci, “Midnight” (1982), “Heartstopper” (1991), “Santa Claws” (1996) e agora cuida da pré-produção de “Escape of the Living Dead”, ainda sem previsão de lançamento. John Russo é um picareta do cinema americano e parece possuir um senso de humor bem peculiar já que está sempre se auto-parodiando com seus intermináveis filmes de “living deads”.

Dan O’Bannon se revelou uma escolha perfeita para a direção de “The Return of the Living Dead”. Nascido em 1946 O’Bannon estreou no cinema ao lado de John Carpenter no divertido trash-movie “Dark Star”. Roteirista de sci-fi e horror, O’Bannon escreveu grandes filmes como “Alien” (1979) de Ridley Scott; “Dead and Buried” (1981) de Gary Sherman; alguns segmentos de “Heavy Metal” (1981) de Gerald Potterton; “Blue Thunder” (1983) de John Badham; “Invaders From Mars/Invasores de Marte” (1986) de Tobe Hopper; “Total Recall/O Vingador do Futuro” (1990) de Paul Verhoeven; “Screamers” (1995) de Christian Duguay; “Bleeders” (1997) de Peter Svatek; além dos já citados “The Return of the Living Dead” e “Lifeforce”, ambos de 1985. Também dirigiu “The Resurrected” (1992), baseado em H.P. Lovecraft, uma produção repleta de problemas oriundos de seu baixo orçamento. Dan O’Bannon morreu em 2009 deixando milhares de fãs de sci-fi/horror sem suas ótimas histórias que sempre tentavam fugir do lugar comum do gênero.

“The Return of the Living Dead” lançou a carreira do técnico em animatrônicos Tony Gardner, que foi o responsável pela criação do “meio-zumbi” que explica aos heróis do filme porque os mortos precisam comer cérebros. Depois trabalhou em filmes como “The Blob/A Bolha Assassina” (1988) de Chuck Russell; “Nightbreed” (1990) de Clive Barker; “Darkman” (1990) de Sam Raimi; “Blood Salvage/Mad Jake” (1990) de Tucker Johnston; “Army of Darkness/Uma Noite Alucinante 3” (1992) de Sam Raimi; “Freaked/Freaklândia” (1993) de Tom Stern e Alex Winter e “A Dirty Shame/Clube dos Pervertidos” (2004) de John Waters. O filme também trazia as maquiagens gore de Allan A. Apone que estreou trabalhando no falso documentário “Faces of Death/As Faces da Morte” (1978) de John Alan Schwartz. Depois trabalhou em divertidas produções como “Evilspeak/O Mensageiro de Satanás” (1981) de Eric Weston; “Galaxy of Terror” (1981) de Bruce D. Clark; “Parasite” (1982) de Charles Band, que trazia uma jovem Demi Moore no elenco; “Hospital Massacre” (1982) de Boaz Davidson; “Friday the 13th part 3/Sexta-Feira 13 – Parte 3” (1982) de Steve Miner; “Wacko” (1982) de Greydon Clark; “Return to Horror High/De Volta à Escola de Horrores” (1987) de Bill Froehlich. Na década de 1990 começou a trabalhar em grandes produções de Hollywood, geralmente super-produções sem nenhum atrativo para trashmaníacos.

Os atores escolhidos para viver as tresloucadas personagens de “The Returno f the Living Dead” estão perfeitos. Vale a pena destacar a participação dos veteranos Clu Gulager, Don Calfa e James Karen. Clu Gulager (1928) trabalhou na TV e cinema americano. Com sangue Cherokee correndo em suas veias, Clu serviu na marinha americana e logo após a Segunda Guerra Mundial estreou na série “The United States Steel Hour”. Ainda trabalhando na TV, foi em 1962 personagem no episódio “Final Vow”, com direção de Norman Lloyd, na série “The Alfred Hitchcock Hour”. Estreou no cinema pelas mãos do genial Don Siegel em “The Killers/Os Assassinos” (1964), onde contracenou com Lee Marvin, John Cassavetes e o futuro presidente Ronald Reagan. Outros filmes em que Clu Gulager trabalhou são “The Last Picture Show/A Última Sessão de Cinema” (1971) de Peter Bogdanovich; “McQ” (1974) de John Sturges; “A Force of One/Força Destruidora” (1979) de Paul Aaron, estrelado por Chuck Norris e “A Nightmare on Elm Street 2: Freddy’s Revenge/A Hora do Pesadelo 2” (1985) de Jack Sholder. Em 2012 pode ser visto no filme “Piranha 3DD/Piranha 2”, com direção de seu filho John Gulager. Don Calfa (1939) nasceu em New York e seu papel mais conhecido é o do agente funerário em “The Return of the Living Dead”. Calfa se especializou em comédias e deu as caras em vários filmes divertidos como “Shanks” (1974) do lendário Willian Castle; “New York, New York” (1977) de Martin Scorsese; “10/Mulher Nota 10” (1979) de Blake Edwards; “1941” (1979) de Steven Spielberg; “Treasure of the Moon Goddess/O Tesouro da Deusa Lua” (1987) de José Luis García Agraz, estrelado por Linnea Quigley; “Weekend at Bernie’s/Um Morto Muito Louco” (1989) de Ted Kotcheff e “Necronomicon” (1993) de Christophe Gans, Shûsuke Kaneko e Brian Yuzna. James Karen (1923) começou trabalhando no teatro, depois passou a trabalhar em séries de TV. Em 1965 foi ator, ao lado do genial comediante Buster Keaton, no curta de 20 minutos “Film” de Alan Schneider. No mesmo ano estrelou o impagável “Frankenstein Meets the Spacemonster” de Robert Gaffney e tomou gosto por filmes vagabundos, alternando-os com participações em filmes importantes. Está no elenco de coisas como “Hercules in New York” (1969) de Arthur Allan Seidelman, estrelado por um jovem Arnold Schwarzenegger em seu filme de estréia; “All the President’s Men/Todos os homens do Presidente” (1976) de Alan J. Pakula; “Capricorn One” (1977) de Peter Hyams; “The China Syndrome” (1979) de James Bridges; “Poltergeist” (1982) e “Invaders From Mars” (1986), ambos de Tobe Hooper; “Return of the Living Dead 2” (1988), entre vários outros. E atente para as participações de Linnea Quigley no papel da punk pelada e Jewel Shepard, atriz que já trabalhou em filmes adultos como “Hollywood Hot Tubs/Banhos Ardentes (1984) de Chuck Vincent e “Christina y La Reconversión Sexual” (1984) de Francisco Lara Polop.

Nos USA foi lançado em 2007 uma edição de colecionador de “The Return of the Living Dead”, com muito material extra e entrevistas com o elenco. Aqui no Brasil foi lançado em VHS pela Globo Vídeo e acabou de sair em DVD, sem extras e com qualidade de imagem meia boca, pela distribuidora Flashstar. Realmente o mercado brasileiro não sabe como tratar um clássico do splatstick cinematográfico mundial.

por Petter Baiestorf.

Assista “The Return of the Living Dead” aqui: