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Luís Renato Brescia: Como Fazer Cinema com o Ministro do Diabo

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , on junho 23, 2011 by canibuk

Luís Renato Brescia é outro produtor/diretor brasileiro completamente ignorado entre os cinéfilos brasileiros, dono de uma filmografia pequena (porém extremamente curiosa e fora dos padrões do cinema nacional), ao lado de seu filho Ettore, merece lugar de destaque no Canibuk (desde já peço desculpas pelas poucas imagens ilustrativas deste post, são raríssimas as imagens dos filmes e até mesmo dos Brescias).

raríssimo frame de "Nos Tempos de Tibério César".

Em 1921, com a intenção de montar uma fábrica de filmes virgens, Luís Renato Brescia vai a Milão (Itália) estudar cinema e química fotográfica. De volta ao Brasil realiza pequenos experimentos cinematográficos com paisagens. Na década de 1940 monta o estúdio cinematográfico Brescia onde realiza curtas que compõem a série “Mostrando Minas ao Brasil”, composto por títulos como “Lambari”, “Cambuquira”, “Cultura do Marmelo”, “Centenário de Pouso Alegre”, “Varginha”, entre outros.

Filmando apenas nos finais de semana (sua profissão na realidade era Medicina Veterinária, trabalhando como inspetor sanitário federal), inicia em 1945 a produção do faroeste “Sambruk”, nunca finalizado porque a atriz principal abandonou as filmagens. Em 1955 tentou sem sucesso filmar “O Tronco do Ipê”, baseado em José de Alencar, mas teve que abandonar o projeto devido aos altos custos da produção.

Neste meio tempo, entre os inacabados “Sambruk” e “O Tronco do Ipê”, produziu o épico romano (o único feito no Brasil até hoje, excluíndo trasheiras como “A Filha de Calígula” de Ody Fraga e “O Sobrinho do Gladiador” de Jerri Dias e Rodrigo Dubal, por exemplo) chamado “Nos Tempos de Tibério César”, dirigido e escrito por seu filho Ettore Brescia não lançado na época porque a produção vagabunda inviabilizou sua distribuição (por exemplo, as escadarias do Palácio Romano são, na realidade, as escadarias da Igreja Católica da cidade de Lambari/MG). Anos mais tarde os Brescia remontaram o filme com novo título, desta vez “Cinturiões Rivais”, mas mesmo assim não conseguiram comercializá-lo.

No “Dicionário de Filmes Brasileiros”, de Antonio Leão da Silva Neto, explica que o filme foi lançado no interior de Minas Gerais com 5 cópias, o filme foi transformado de plano para condensado (uma espécie de cinemascope chamado “Bresciacosno”). Em entrevista extraída do livro “Pioneiros do Cinema de Minas Gerais”, de Paulo Augusto Gomes, em 1978, Luís Renato Brescia diz: “Foi o patriotismo que me levou a escolher o tema. Em conversa com amigos, foi comentado que era praticamente impossível fazer um filme sobre os tempos do Império Romano fora dos USA ou a Itália, devido a problemas de locações e altos custos para a reconstituição de época. Com meu filme o Brasil passou a ser o terceiro país a fazer um filme sobre os primeiros cristãos. Tive essa glória. A produção não foi cara porque para mim o preço sempre foi menor, pois meus filmes são revelados, copiados e sonorizados em meu laboratório. Assim as despesas que tive foram com filme virgem, a condução para os atores, figurinos especiais, etc. O filme foi feito em Três Corações. Lá tive a colaboração da E.S.A., a escola de sargentos que existe na cidade. Muitos deles fizeram papéis de centuriões, ajudando na figuração do meu filme. Terminando o filme, tivemos um problema com a censura. Ela achava que nós deveríamos ter feito uma obra por motivos brasileiros, ao invés de abordar uma história de romanos. Queria que nós filmássemos casebres pobres com gente humilde, tocando viola na porta, mas não acho isso bom. Por outro lado, a cópia era muito longa: havíamos filmado material suficiente para duas fitas diferentes. Decidimos então relançar o filme com uma versão reduzida, mas objetiva, com o nome alterado para “Os Centuriões Rivais”. O prejuízo foi suavizado pela exibição pelas exibições que conseguimos pelo interior.”

Em 1961 funda as Organizações Cinematográficas Cineminas Ltda. e dirige o longa de horror “Phobus – O Ministro do Diabo”, novamente com roteiro de seu filho Ettore, uma história delirante sobre um ser maligno que pretendia dominar o mundo com inúmeros efeitos especiais bagaceiros. Sobre “Phobus – O Ministro do Diabo”, Luís Brescia diz: “Parecia uma boa maneira de ser bem sucedido na bilheteria. Enfrentei, então, o desafio, sempre filmando com meu dinheiro, sem ajuda de ninguém. O filme ficou pronto somente em 1970 por dois motivos: houve falta de dinheiro e, além do mais, só podíamos nos dedicar ao filme nos sábados e domingos. Quando finalizado o filme, procurei um distribuidor de Belo Horizonte, que ficou quatro meses com meu filme na prateleira, sem conseguir lançamento na cidade para ele. Tentei, a seguir, a Embrafilme, onde depositei a cópia censurada, na crença de que finalmente ela seria exibida em todo território nacional. O tempo foi passando e nada. Passei a procurar pessoas influentes dentro da Embrafilme, pedindo que tivessem um pouco de boa vontade para com o “Phobus”. Acabaram formando uma comissão para examinar minha fita; não sei o que pretendiam examinar, pois a censura já o fizera antes e disseram que estava tudo bem. O fato é que o certificado de censura acabou expirando e “Phobus” permaneceu inédito até mesmo para alguns atores que nele trabalharam. Estou empenhado para que, tanto “Phobus” quanto “Os Centuriões Rivais”, sejam exibidos em Belo Horizonte, só voltarei a fazer longas-metragens depois que pelo menos um deles for lançado dignamente em Minas”. Brescia nunca mais fez nenhum filme!!!

Na década de 1970, Luís Renato Brescia resolve parar de filmar. Em 1986 lança o livro auto-biográfico “Como fiz Cinema em Minas Gerais”, dois anos antes de falecer, sem ao menos ter sido descoberto pelos trashmaníacos dos anos de 1990.

Temo que não existam mais cópias em bom estado destes dois longa-metragens, mas deixo aqui meu pedido aos historiadores de cinema (como o Eugênio Puppo que, junto da Lume Filmes, é o responsável pelo resgate de vários longas do Cinema Marginal Brasileiro) que tentem resgatar essas curiosidades.

Filmografia:

1952- Nos Tempos de Tibério César/Os Centuriões Rivais (dirigido por Ettore Brescia com produção de Luíz Renato Brescia).

1965/1970- Phobus, O Ministro do Diabo (direção e produção de Luíz Renato Brescia com roteiro de Ettore Brescia).

Imagem meramente ilustrativa.

Encontrei no Blog Horror Brasileiro (www.horrorbrasileiro.blogspot.com), da historiadora Laura Cánepa, uma raríssima entrevista realizada com o Luís Renato Brescia (Entrevista feita por Paulo Augusto Gomes para o livro “Pioneiros do Cinema em Minas Gerais”, Editora Crisálida, que infelizmente não tenho cópia).

Onde e quando nasceu?
Nasci em Juiz de Fora, no dia 20 de junho de 1903.

O senhor começou filmando ainda à época do cinema mudo mas, antes disso, passou por um período de estudos em Milão. Quando foi isso e que cursos acompanhou?
Em 1921/22, matriculei-me na escola do professor Rodolfo Namias, onde me especializei em cinema e química fotográfica.

De volta a Juiz de Fora, o senhor pensou imediatamente em fazer cinema?
Não; minha intenção era montar uma fábrica de material sensível, o que não consegui. Dediquei-me, então, a filmagens experimentais; eram estudos com paisagens. Continuei por minha própria conta, mas também lendo todo livro ou revista de cinema que me caía nas mãos.

Sua primeira filmagem data de 1927. Quem a encomendou e em que consistiu essa filmagem?
Eu era jornalista e fui convidado por João Carriço, dono do cine Popular, para fazer um filme para ele. Era sobre um jogo de futebol, até muito importante, entre o Palestra Itália, de São Paulo e a Industrial Mineira, de Juiz de Fora. Ficou, modestamente, um trabalho muito bonito.

Depois dessa filmagem, o senhor continuou trabalhando para Carriço ou resolveu prosseguir por conta própria?
Nunca trabalhei para o Carriço, apenas fiz um favor a ele, um único filme pelo qual nem cobrei. Ele ficou tão animado que organizou a firma dele de jornais cinematográficos, a Carriço Film.

Em 1945, o senhor tentou fazer um longa-metragem pela primeira vez. Como foi a sua atividade em cinema até esse acontecimento?
Sempre tive o cinema como hobby; prosseguia fazendo meus pequenos filmes de estudo e lendo muito. Comecei, aos poucos, a tentar os cine-jornais e curtas-metragens culturais, sempre com o intuito de divulgar as coisas de Minas. Já mais tarde, um dos meus jornais da tela chamava-se Mostrando Minas ao Brasil. O outro era o Atividades Cineminas. Os meus filmes experimentais, eu os fazia e revelava em Juiz de Fora mesmo. Mas nenhum deles era exibido comercialmente.

Mesmo gostando tanto de cinema, o senhor acabou se formando em outra especialidade: medicina veterinária. Por que?
Ninguém vivia de cinema naquele tempo; a exibição de filmes brasileiros era problemática, difícil mesmo.

SAMBRUCK. Quero abordar sua carreira cinematográfica a partir do momento em que ela realmente sofre um impulso. Estamos em 1945 e o senhor, com uma firma recém-montada, fazendo jornais da tela, decide filmar SAMBRUK. O que o levou a abordar uma obra de ficção?
Parti para a grande metragem com o objetivo de criar uma indústria cinematográfica, uma fábrica de filmes em Minas. SAMBRUK foi, assim, uma primeira tentativa. Começamos a filmar em São Gonçalo do Sapucaí. Era uma espécie de western, uma franca imitação dos modelos americanos. SAMBRUK, no caso, era o nome da cidade na qual se desenrolava a história.

Por que o filme permaneceu inacabado?
Já havíamos chegado praticamente à metade da fita. A atriz principal, que era noiva, resolveu ir a São Paulo com o futuro marido, para um passeio. Nunca mais voltou. Procurei muito, mas não consegui encontrar quem se parecesse com ela e pudesse substituí-la. Assim, os trabalhos foram interrompidos.

O senhor não teve falta de dinheiro?
Quem é que não tem? É verdade que eu poderia ter recomeçado tudo outra vez, com outra artista no papel da moça que foi embora. Mas preferi não arriscar.

Terminado esse episódio infeliz, o senhor voltou aos cine-jornais?
Exato. Consegui distribuição para eles em todo o Brasil através da Uirapuru Filmes. Dediquei-me também, por aqueles anos, à realização de curtas-metragens sobre regiões do interior mineiro, feitos através da minha firma, o Estúdio Cinematográfico Brescia, sediada em São Gonçalo do Sapucaí.

Pode citar alguns títulos desses documentários?
Lambari, Cambuquira, Cultura do Marmelo (em Delfim Moreira), Centenário de Pouso Alegre, Congado (em São Gonçalo do Sapucaí), Camanducaia, Varginha, Três Corações, Coqueiral e seu Progresso, Paraguaçu. Foram vários, lembro-me apenas de alguns deles.

O TRONCO DO IPÊ. Sua segunda tentativa na área do longa-metragem foi em 1955: filmar O TRONCO DO IPÊ. Por que o interesse em José de Alencar?
Eu já havia saído de São Gonçalo do Sapucaí e fui morar em Três Corações. Fiquei animado, porque consegui um sócio co-produtor, que era um padre. Ele havia me dito para comprar filme virgem e tocar a produção com meu dinheiro, que ele entraria com a parte dele mais para a frente. Assim, comecei o TRONCO DO IPÊ, que é um belo romance. Só que o padre nunca chegou a colocar dinheiro algum: falhou completamente. Quando me dei conta, a produção já estava muito cara e decidi parar antes que fosse tarde.

Nesses dois filmes inacabados, SAMBRUK e O TRONCO DO IPÊ, o senhor contou somente com seus recursos? Não recebeu ajuda?
Sempre filmei às minhas custas, por amor e gosto. Nunca tive ajuda de governos, de ninguém. Ser idealista, no Brasil, significa viver constantemente numa batalha. A gente enfrenta todo tipo de coisas. Achei que, fazendo O TRONCO DO IPÊ, iria agradar a muita gente. Não tive nem essa chance.

O senhor havia fundado outra firma em Três Corações?
Eu era funcionário público; para onde era transferido, carregava o meu estúdio.

Roma em Minas: Sua terceira incursão no longa-metragem foi bem sucedida e NOS TEMPOS DE TIBÉRIO CESAR foi terminado.
Foi o patriotismo que me levou a escolher o tema. Em conversa com amigos, foi comentado que era praticamente impossível fazer um filme sobre os tempos do Império Romano fora dos Estados Unidos ou da Itália, devido a problemas de locações e altos custos para a reconstituição de época. Com meu filme, o Brasil passou a ser o terceiro país a fazer um filme sobre os primeiros cristãos. Tive essa glória.

A produção ficou cara?
Para mim, o preço sempre foi menor, pois meus filmes são revelados, copiados e sonorizados em meu laboratório. Assim, as despesas que tive foram com o filme virgem, condução para os atores, figurinos especiais, etc. Para alguém que fosse fazer um filme como esse e não dispusesse dessas facilidades, o preço certamente seria muito superior.

Onde foi feito NOS TEMPOS DE TIBÉRIO CESAR?
Em Três Corações. Lá, tive a colaboração da E.S.A., a escola de sargentos que existe na cidade. Muitos deles fizeram papéis de centuriões, ajudando na figuração do meu filme.

Como era vista sua atividade em uma cidade do interior mineiro, ainda mais querendo fazer um filme de romanos? As pessoas achavam isso natural?
Não, eu era muito criticado. O pessoal de chamava de louco. E não era apenas a mim que xingavam. Quando passava um ator com os cabelos mais compridos, surgia o comentário: – Lá vai o artista do Dr. Brescia! Durante todo o tempo, acreditava-se que eu não conseguiria terminar o filme.

Em SAMBRUK e O TRONCO DO IPÊ, a direção foi sua. Por que, em NOS TEMPOS DE TIBÉRIO CESAR, o diretor foi seu filho Ettore Brescia?
Ele foi o autor do argumento e também gostava muito de cinema. Achei que poderia encaminhá-lo na feitura de filmes. Fiquei encarregado da supervisão.

Uma vez terminado o filme, quais as providências tomadas no sentido de exibi-lo?
De início, tivemos um problema com a censura. Ela achava que nós deveríamos ter feito uma obra com motivos brasileiros, ao invés de abordar uma história de romanos. Queria que nós filmássemos casebres pobres com gente humilde, tocando viola na porta, mas não acho isso bom. O Brasil deve fazer filmes opulentos e não ficar preso a roteiros nos quais a pobreza predomina. Superado esse entrave, o filme foi exibido vez ou outra pelo interior mineiro. Não entrou nos grandes circuitos porque me recusei a assinar recibo de 50% das rendas, recebendo apenas 5%. Não preciso de dinheiro a esse ponto. Mas os distribuidores só trabalhavam assim.

O filme chegou a ser exibido em Belo Horizonte?
Não. Na capital, nem os meus jornais eram exibidos, a não ser esporadicamente no cine Paissandu, que não mais existe. Mas NOS TEMPOS DE TIBÉRIO CESAR permanece inédito na cidade, apesar da excelente repercussão obtida por ocasião de sua feitura, em jornais do Rio e São Paulo.

Por que o nome do filme foi trocado posteriormente para OS CENTURIÕES RIVAIS?
Havia expirado o prazo do certificado de censura. Por outro lado, a cópia era muito longa: havíamos filmado material suficiente para duas fitas diferentes. Decidimos, então, relançar o filme em uma versão reduzida, mais objetiva, com nome alterado. Era mais uma tentativa de lançar o filme, que também falhou. Voltei aos cine-jornais. Isso foi em 1958.

O prejuízo foi muito grande?
Ele foi suavizado pelas exibições que conseguimos pelo interior. Como disse, as minhas produções sempre saíram baratas e foi possível superar mais esse revés. Existem países na Europa que são menores em tamanho que Minas; mas lá só é exibido o cinema deles, não entra o produto de fora. Se os cinemas mineiros passassem os nossos filmes, não seria necessário buscar outras praças, seria possível conseguir lucro aqui mesmo.

Terror em Belo Horizonte. Mesmo com todos esses problemas, o senhor decidiu fazer mais um longa-metragem: PHOBUS – MINISTRO DO DIABO, já em Belo Horizonte. Quando foi isso?
Em 1961/62, mudei-me com minha família para Belo Horizonte, onde fundei a Organização Cinematográfica Cineminas Ltda., continuando na feitura de jornais da tela. Foi em 1965 que comecei a planejar PHOBUS. Acreditava que o filme pudesse se transformar em possante veículo de propaganda da capital mineira.

Por que foi escolhido o gênero terror?
Parecia uma boa maneira de ser bem sucedido na bilheteria. Enfrentei, então, o desafio, sempre filmando apenas com o meu dinheiro, sem ajuda de ninguém. Um detalhe interessante é que, em PHOBUS, trabalhou Zélia Marinho num dos principais papéis. Ela era muito famosa na tevê mineira e, quando morreu em um desastre de ônibus, os jornais comentaram que ela não havia conseguido realizar um desejo – ser artista de cinema. É que eles não sabiam que Zélia tinha sido uma das atrizes do meu filme.

PHOBUS ficou pronto por volta de 1970 e recebeu o certificado de censura em 1971. Por que tanto tempo nas filmagens?
Foram dois os motivos: houve falta de dinheiro e, além do mais, só podíamos dedicar ao filme os sábados e domingos. Todos trabalhávamos – eu era funcionário do Ministério da Agricultura e cada um dos atores também tinha seus afazeres. Cada um deles, aliás, trabalhou mais por amor à arte, pois todos receberam pagamento apenas simbólico por sua participação em PHOBUS. Alguns até nem quiseram apanhar seu dinheiro.

O filme tem algumas trucagens, o que é raro em fitas brasileiras. Numa delas, vê-se Zélia Marinho a se incendiar. Isso foi feito no Rio ou em São Paulo?
Não, as trucagens foram feitas em Belo Horizonte mesmo, no meu laboratório. Aprendi a técnica ainda na Itália, quando lá estive participando do curso de cinema de que já falei.

Uma vez obtido o certificado da censura, quais as medidas tomadas para distribuir PHOBUS?
Sempre achei que um filme mineiro deveria, em primeiro lugar, ser exibido em sua terra. Procurei, portanto, um distribuidor de Belo Horizonte, que ficou quatro meses com meu filme na prateleira, sem conseguir lançamento na cidade para ele. Tentei, a seguir, a Embrafilme, onde depositei a cópia censurada, na crença de que finalmente ela seria exibida em todo o território nacional. O tempo foi passando e nada. Passei a procurar pessoas influentes dentro da Embrafilme, pedindo que tivessem um pouco de boa vontade para com o Phobus. Acabaram formando uma comissão para examinar minha fita; não sei o que pretendiam examinar, pois a censura já o fizera antes e dissera que estava tudo bem. Entrei em contato com amigos meus, gente de influência, solicitando apoio ao meu caso. O fato é que o certificado de censura acabou expirando e Phobus permaneceu inédito, até mesmo para alguns dos atores que nele trabalharam.

O fato do filme ter sido feito em preto-e-branco não contribuiu para o seu ineditismo?
Não creio. Acho que o gênero terror só funciona em preto-e-branco: em cores, perde o sentido. Estou empenhado em que tanto PHOBUS como OS CENTURIÕES RIVAIS sejam exibidos em Belo Horizonte e no interior de Minas, pelo menos. Para isso, vou providenciar novos certificados de censura para ambos e insistir mais uma vez. Só voltarei a fazer longas-metragens depois que pelo menos um deles for lançado dignamente em Minas.

Projetos. O que o senhor está fazendo atualmente?
Já há algum tempo, encerrei minha atividade no cine-jornalismo. No momento, estou interessado em reduzir meus filmes sobre cidades mineiras para a bitola de 16 milímetros, tentando uma opção fora da exibição comercial, buscando as escolas. Gostaria de, para esse mercado paralelo, filmar as vidas de grandes brasileiros do presente e do passado. Tenho, também, um livro que me foi dado por seu autor, o Dr. Wilson Veado, de Sete Lagoas. Intitula-se Viagem ao Reino da Química e foi escrito para crianças. Gostaria de transformar cada capítulo em um pequeno filme.

Existe um outro projeto que lhe é caro: uma escola de cinema. Como anda?
Quando fiz PHOBUS, trabalhei com técnicos e atores formados na própria prática, dentro da minha firma. Se eu pudesse refazer meus estúdios em galpões, como foram construídos no tempo que passei no Sul de Minas, gostaria de franqueá-los aos interessados, para que tomassem conhecimento em detalhes das várias etapas da feitura de filmes. Tenho um fichário com 2.300 nomes relacionados. São pessoas de todos os tipos, cada uma com um interesse específico dentro do cinema. Uns querem ser atores, outros técnicos. Todos estão à espera de uma oportunidade.

Existe algum roteiro que gostaria de filmar, em especial?
Sim, O TRONCO DO IPÊ. Eu o faria em Belo Horizonte, a cores, mas só depois de ver um dos longas-metragens que já fiz lançado comercialmente na cidade.

O que significam seus 50 anos na prática do cinema mineiro?
Como cineasta, eu me sinto feliz por estar sempre fazendo cinema. Busco novas atividades e, agora, estou entusiasmado com a idéia das escolas. Mas, comercialmente, esses 50 anos foram todos perdidos.

Master Class com Lloyd Kaufman da Troma

Posted in Cinema with tags , , , , , on junho 10, 2011 by canibuk

Eu & Lloyd Kaufman

No último dia 04 de junho aconteceu no Cine Olido uma aula de cinema com o Lloyd Kaufman, presidente da Troma (empresa de cinema independente) onde ele falou com um público de 185 pessoas fanáticas pela Troma, por cerca de mais de 5 horas (nunca vi público tão quietinho e atencioso quanto aquele).

Lloyd explicando como fazer filmes...

Lloyd é extremamente humilde, divertido e direto em tudo que quer dizer. Começou a aula zuando que havia ali no recinto 3 tipos de público: 1) produtores interessados em aprender mais sobre a produção independente; 2) fãs dos filmes da Troma e; 3) pessoas (como amigos e namoradas) arrastados por pessoas que queriam produzir filmes e/ou eram fãs dos filmes da Troma.

eu com a esposa do Lloyd e ele...

Sua Master Class (uma aula teorica sobre como fazer filmes independentes) passa por todos os aspectos de uma produção, começa abordando roteiro, captação de recursos (com ótimas dicas de como conseguir grana), a importância de uma pré-produção bem realizada (para evitar problemas na hora de filmar), seleção do elenco ideal para seu filme, sua equipe-técnica escrava, pesquisa de locação e a importância dos ensaios que é quando ele decide se muda ou não algo na produção. Na seqüência o criador do Toxie fala das suas 3 regras numa produção (entre elas a mais importante de todas: a segurança de todos os membros da equipe), os problemas mais comuns numa produção onde a maioria está trabalhando de graça e sobre efeitos (onde ele exibiu um hilário vídeo sobre Chroma Key que o público curtiu demais), escolha da trilha sonora e a edição e pós-produção.

almoço com o Lloyd Kaufman um dia antes da Master Class...

O ponto mais interessante (pelo menos para mim) veio a seguir, quando Lloyd Kaufman abordou sobre a distribuição independente que, para nós brasileiros, talvez seja a maior falha do emergente mercado de filmes independentes. Foi bom constatar que a maioria das dicas que Lloyd passou eu já venho a anos testando/experimentando com a minha Canibal Filmes (que completará 20 anos de atividades agora em 2012). O Brasil ainda carece de um mercado cinematográfico sério, mas vejo que estamos criando os veículos necessários para a criação deste mercado aos poucos e com muito trabalho ainda pela frente, cinco anos atrás as coisas aqui eram muito mais desesperadoras.

Lloyd Kaufman autografando DVDs prá garotada presente...

Fica aqui meu agradecimento ao Fernando Rick e toda a Black Vomit Filmes pela oportunidade de aprender com o Lloyd Kaufman, foi uma puta aula linda demais (e ainda tive a oportunidade de pedir pro Lloyd autografar a capinha da minha fita VHS do filme “Stuck on You!”, primeiro filme dele que eu vi quando ainda era adolescente).

E logo após sua aula, Lloyd Kaufman ainda encontrou tempo para uma saudável confraternização com seus fãs mais atléticos (no almoço do dia anterior Lloyd disse ser um grande fã do cinema gay brasileiro, como a obra dos diretores Fernando Meirelles e Walter Salles).

Lloyd e Gabriel in love!!!

Lloyd Kaufman, como todo bom produtor independente, trouxe junto vários filmes, cartazes e lixos diversos prá vender pros fãs (acreditem, é deste modo que um produtor independente consegue muita grana, por exemplo, eu não podia gastar neste mês prá ir prá São Paulo participar da Master Class, então peguei e fiz uma pré-venda de meus filmes entre pessoal do facebook e vendi prá mais de 300 reais em filmes, ou seja, meus filmes vagabundos que me permitiram o luxo de assistir a Master Class e ainda comprar esses dois filmes comentados abaixo):

“Bugged!” (1997, 82 min.) de Ronald K. Armstrong. Produção executiva de Lloyd Kaufman & Michael Herz.

Como todo bom filme bagaceiro, “Bugged!” promete mais do que pode cumprir. Aqui vemos cientistas canastrões que criam uns insetos repulsivos e, lógico, escapam do controle e atacam a casa da sexy dona de casa Divine (Priscilla K. Basque) e o exterminador de insetos é chamado. Os efeitos são deliciosamente toscos, a edição dá um ritmo irregular ao filme, as atuações são pavorosas mas, acredite, o filme é uma grande diversão!!! Blaxploitation misturado com horror sci-fi produzido sem dinheiro é sempre sinônimo de diversão, ou somente eu gosto destas tralhas?

“Backroad Diner” (1999, 89 min.) de Winston I. Dunlop II. Distribuido pela Troma.

Um blaxploitation produzido praticamente sem grana alguma, uma espécie de mistura dos filmes do Spike Lee (mas sem talento nenhum) com o filme “Def By Temptation” (1990) de James Bond III. Grupo de amigos negros encontram o racismo pelas mãos de caipiras brancos. É uma tentativa de fazer um drama racial tenso e violento, mas nada aqui funciona direito por conta das atuações amadoras. Mas mesmo cheio de falhas é uma grande diversão, recomendo!!!

http://rstvideo.com/trailer/backroad-diner/

E abaixo matéria que a TV Cultura fez com Lloyd Kaufman no centro de São Paulo (participação especial de Fernando Rick no papel de Toxie Avenger):

A Semana do Presidente

Posted in Arte e Cultura, Cinema, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , on maio 30, 2011 by canibuk

Dia 31 de Maio, nesta terça-feira, começa a retrospectiva da Troma que a Black Vomit, em parceria com Cine Olido, estão bancando. É imperdível e completamente de graça e dia 04 de junho Lloyd Kaufman em pessoa estará no Cine Olido ministrando a Master Class, seu curso sobre como se tornar um produtor de filmes bagaceiros. Estarei lá retirando meu diploma!!!

Lloyd Kaufman, que não é o roteirista de “Quero ser John Malkovich” (Fernando Rick falou que teve mané se inscrevendo achando que é este roteirista que vem prá cá), é o Presidente da Troma, a produtora independente mais velha em atividade no Planeta. Os filmes daTroma são saborosos, cheio de absurdos maravilhosos e meninas gatas dementes!!!”Toxie Avenger”, “Troma Wars” (tá fazendo falta este filme na retrospectiva), “Tromeu and Juliet”, “Terror Firmer”, “Toxie Avenger 4” e “Poultrygeist” estão entre meus filmes preferidos de todos os tempos!!!

Lloyd Kaufman chega em São Paulo no dia 03 de junho. Em sua rápida micro-turnê por terras paulistas, planeja conhecer os costumes do hospitaleiro povo local: Quer beber na Rua Augusta; Comer pastel de quatro queijos na Av. Paulista; Olhar as mulatas da terra brasilis na Av. São João e não ser assaltado na Cracolândia, onde espera tirar belas fotográfias com os Zumbis Tropicais.

A retrospectiva da Troma em terras brasileiras acontece no Cine Olido que fica na Av. São João, número 473, no centro de São Paulo.

Programação da Retrospectiva:

31/05 (Terça-feira)
15h00 – Cannibal! The Musical
17h00 – Terror Firmer
19h30 – Toxic Avenger I

01/06 (Quarta-feira)
15h00 – Toxic Avenger II
17h00 – Toxic Avenger III
19h30 – Toxic Avenger IV

02/06 (Quinta-feira)
15h00 – Poultrygeist
17h00 – Tromeo and Juliet
19h30 – Tromatized: Meet Lloyd Kaufman

03/06 (Sexta-feira)
15h00 – All the Love You Cannes!
17h00 – Toxic Avenger I
19h30 – Tromeo and Juliet

04/06 (Sábado)
14h00 às 19h00 – Master Class com Lloyd Kaufman
19h30 – All the Love You Cannes!

05/06 (Domingo)
15h00 – Tromatized: Meet Lloyd Kaufman
17h00 – Troma is Spanish for Troma

Programação da Master Class

13h00 às 14h00 – Recepção dos participantes

14h00 às 16h30 – Master Class – parte 1

16h30 às 17h00 – Coffee-break

17h00 às 19h00– Master Class – parte 2

Lloyd Kaufman abordará os seguintes tópicos na Master Class:

1 – Escrevendo seu roteiro;

2 – Captando recursos para a produção;

3 – Pré-produção: elenco, contratando equipe, pesquisa de locação, ensaios;

4 – Produção: as três regras da produção e os problemas mais comuns, efeitos especiais, trilhas;

5 – Pós-produção: editando seu filme;

6 – Vendendo seu filme: escolhendo o título certo para seu filme e criando métodos para chamar a atenção da mídia;

7 – Distribuição: Participando dos circuitos de festivais e vendas de filmes, licenciando seu filme para o distribuidor X distribuindo por conta própria, divulgando seu filme sem ser preso.

VEJA AQUI RECADO DE LLOYD KAUFMAN AOS BRASILEIROS:

O Evento social mais imperdível deste ano de 2011, pelo menos para os fãs de cinema bagaceiro!!! NÃO PERCA!!!

La Nave de los Monstruos

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , on maio 7, 2011 by canibuk

Conhecido nos USA como “The Ship of Monsters”, “La Nave de los Monstruos” (1960) é uma daquelas produções de baixo orçamento onde tudo está no lugar e que se tornam um colírio para os olhos e cabeça, te conquistam a cada frame projetado. A história do filme é a seguinte: Começa em Vênus quando o último macho do planeta morreu e duas guerreiras, Gamma & Beta, recebem a missão de seqüestrar machos de toda a galáxia e trazê-los congelados para Vênus onde viverão as delícias venusianas. Quando elas estão retornando ao planeta a espaçonave quebra (a espaçonave tem motores dentro da cabine de comando o que torna a nave bem única para os padrões da época) e elas precisam pousar num planeta desconhecido até o momento (que é o nosso Planeta Terra). Aqui elas descobrem o macho terráqueo e descobrem o amor (sentimento esse que era desconhecido à todas as outras criaturas do universo) quando as duas se apaixonam por um cowboy atrapalhado que vive contando vantagens e mentiras inofensivas aos companheiros de copo. Depois de umas reviravoltas hilárias, uma das bonecas venusianas se revela uma vampira espacial e quer, com a ajuda dos monstros sequestrados, escravizar o planeta Terra e beber todo o sangue possível. O filme todo possuí um tom descarado de farsa, não há momentos mortos nele, é comédia e ação o tempo todo e os atores interpretam sempre com um sorriso no rosto, possivelmente resultado de filmagens divertidas onde todos deviam rolar de rir com os absurdos do roteiro.

“La Nave de los Monstruos” foi dirigido pelo veterano Rogelio A. González (1920-1983) que, entre outros, realizou “Dos Fantasmas y Una Muchacha” (1959), “El Esqueleto de la Señora Morales” (1960), “Conquistador de la Luna” (1960), “El Rata” (1966) e “Dr. Satán y la Magia Negra” (1968). Com cerca de 70 filmes em sua carreira, seu último filme foi a comédia de sci-fi “México 2000” (1983). Rogelio González é pai do ator Rojo Grau e passou boa parte de sua carreira dirigindo comédias rancheiras e melodramas mexicanos, foi a escolha acertada para essa paródia que misturou o roteiro de “Devil Girl From Mars” (1954, de David MacDonald) com o western musical mexicano muito popular nos anos 40 e 50 no México.

O anti-herói interpretado pelo ator, roteirista, cantor e compositor Eulalio González Ramírez, mais conhecido pelo apelido “Piporro”, torna o “herói” da trama em um mentiroso compulsivo todo atrapalhado da melhor linhagem das personagens de Jerry Lewis. Suas cenas em que “luta” contra os monstros (todos com maquiagens engraçadas, bregas e inventivas) são completamente estúpidas e as canções interpretadas pelo Piporro são de uma beleza que somente compositores mexicanos conseguem fazer. Piporro canta “Estrella del Deseo”, “Nace el Amor”, “Levanta Polvareda” e “O Embarcación” (escritas por ele) e, numa caverna tenebrosa onde os monstros estão escondidos, canta e dança em parceria com Lorena Velázquez a famosa canção “Eso es el Amor” escrita pelo argentino Pepe Iglesias.

Ana Bertha Lepe (que interpreta a “Gamma”) foi a terceira colocada no concurso Miss Universo de 1953, fato que lhe abriu as portas para o mundo do cinema tendo estrelado maravilhas como “Kid Tabaco” (1955), “El Mundo Salvaje de Barú” (1962), “Los Encapuchados del Infierno” (1962), “El Lobo Blanco” (1962), “Santo contra el Rey del Crimen” (1962), “El Terrible Gigante de las Nieves” (1963), “El Monstruo de los Volcanes” (1963), “Santo en el Hotel de la Muerte” (1963), “Santo contra el Cérebro Diabólico” (1963), “El Asesino Invisible” (1965), entre muitos outros títulos de respeito entre trashmaníacos. Sua carreira não chegou a decolar porque quase foi interrompida por uma tragédia pessoal: Seu pai assassinou seu namorado, o ator Agustín de Anda, e este fato marcou sua carreira e vida pessoal por vários anos.

Lorena Velázquez (que interpreta a gostosa e libidinosa “Beta”) também teve uma carreira cheia de títulos fantásticos. Filha do ator Victor Velázquez, foi a segunda colocada do Miss México 1958 e estrelou clássicos como “Santo contra los Zombies” (1962), “Quiero Morir en Carnaval” (1962), “Santo Vs. las Mujeres Vampiro” (1962), “Las Luchadoras contra el Médico Asesino” (1963), “Las Luchadoras contra la Momia” (1963), “Las Lobas del Ring” (1965), “El Planeta de las Mujeres Invasoras” (1967), entre vários outros.

Tor, o robô que aparece no filme, possivelmente é o mesmo (com pequenas mudanças) do filme “La Momia Azteca contra el Robot Humano” (1958) e reaparece (entre outras criaturas monstruosas) no filme “Caperucita y Pulgarcito contra los Monstruos” (1962). Bons robôs devem ser reciclados sempre!!!

Enfim, fica aqui a dica deste filme imperdível, tão delicioso quanto clássicos trash como “El Baron del Terror”, “Santa Claus Conquered the Martians” e “Horror of the Party Beach”.

Scream Queens Illustrated

Posted in Arte Erótica, Fotografia with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 6, 2011 by canibuk

Scream Queens Illustrated era uma revista editada pelo roteirista John A. Russo (que, entre outras coisas, escreveu o roteiro do clássico “The Night of the Living Dead” de George A. Romero). A primeira edição saiu em 1993 com fotos eróticas e matérias deliciosas sobre as atrizes do maravilhoso mundo das produções “B” (o cinema independente com pelinhos reluzentes) do cinema americano. Duas edições especiais, chamadas de “Beat Scream”, também foram lançadas. Segue uma seleção de beldades publicadas na revista.

Linnea Quigley.

Michelle Bauer.

Linnea Quigley & Michelle Bauer.

Monique Gabrielle.

Julie Strain.

Debbie Rochon.

Terry Lewandowski & Christine Cavalier.

Jasmin St. James.

Ghetty Chasun.

Debbie D.

Jasmine Jean.

Tonya Qualls.

Kathryn Arianoff.

Lisa Toothman.

Classic Collection da Flashstar

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , on março 23, 2011 by canibuk

A distribuidora flashstar está lançando alguns clássicos do cinema “B” e do cinema trash em versões colorizadas digitalmente, as cópias estão lindas e os filmes até agora parecem escolhidos à dedo. Nos DVDs rola até alguns extras e trazem, sempre, a versão colorida e a versão original em preto e branco no DVD (mas os cuidados com essa coleção poderiam ser ainda maiores, “Zaroff”, por exemplo, veio com o rótulo todo errado, como comentarei mais abaixo). Neste mês abre a pré-venda de “Phanton From Space”  (1953) de W. Lee Wilder  e “Phantom Planet”  (1961) de William Marshall. Testei os seguintes DVDs:

“The Last Man On Earth” (“Mortos Que Matam”, 1964, 86 min.) de Ubaldo Ragona. Com: Vincent Price, Franca Bettoia e Emma Danieli. O roteiro deste filme é baseado no livro “I Am Legend” de Richard Matheson e mostra a humanidade sendo dizimada por um vírus que transforma os humanos numa espécie de vampiros zumbificados (acho este filme uma delícia, mas faltou os zumbis dele serem perigosos como foram os zumbis do George A. Romero em 1968, no clássico “The Night of the Living Dead”). Vincent Price é um cientista que não é infectado e acredita ser o último homem no planeta Terra. Existem várias outras versões prá essa história, sendo a melhor de todas a produção “The Omega Man” (1971), de Boris Sagal, estrelado pelo Charlton Heston. Nos extras do DVD temos Vincent Price apresentando um episódio da cine-série “Aconteceu em Hollywood”, sobre filmes de faroeste.

“The Devil Bat” (“O Morcego Diabólico”, 1940, 68 min.) de Jean Yarbrough. Com: Bela Lugosi e Suzane Kaaren. Lugosi é um cientista enlouquecido por seus patrões gananciosos e busca vingança criando uma raça de morcegos diabólicos. Um intrépido repórter investiga as mortes e começa a suspeitar de uma misteriosa loção pós-barba que está sendo utilizada em toda a cidade e que pode ter relação com os tais morcegos. Este filme foi produzido praticamente sem dinheiro pela Producers Releasing Corporations e em 1990 foi restaurado em 35mm por Bob Furmanek. O diretor Jean Yarbrough também dirigiu o “She-Wolf of London” (1946) e alguns filmes da dupla Abbott & Costello.

“Reefer Madness” (“A Erva Maldita”, 1936, 65 min.) de Louis J. Gasnier. Com: Dave O’Brien, Dorothy Short, Carleton Young, Thelma White e Kenneth Craig. Este clássico anti-maconha também era conhecido pelo título “Tell You Children” na época que foi lançado e sobreviveu ao tempo graças ao culto de maconheiros cinéfilos que rolam de rir com os absurdos mostrados nesta produção hilária. Acompanhamos um traficante de maconha que vicia as crianças da sociedade americana com apenas uma simples tragada num inocente baseadinho e ficamos sabendo de casos de usuários de maconha, como o garoto de 16 anos, que “fumou a terrível droga e matou toda a família com um machado” ou a garota de 17 anos que após fumar “se deixou ser seduzida por cinco homens mais velhos ao mesmo tempo”. A versão colorizada digitalmente mostra a fumaça dos baseados coloridos, variando de fumaça verde até rosinha. Genial!!! Esse filme é uma diversão, em 2005 Andy Fickman refilmou “Reefer Madness” como um musical, mais demente, mais engraçado, com cenas gores, zoações com religião e até zumbis (foi lançado aqui no Brasil em DVD pela distribuidora Imagem Filmes com o título de “A Loucura de Mary Juana”, pode sair atrás dele que é ótimo). Nos extras deste lançado pela Flashstar há o divertido curta documentário “Grandpa’s Marijuana Handbook” onde um velho de quase 80 anos explica as virtudes de se fumar maconha.

“The Giant Gila Monster” (“O Gigante Monstro Gila”, 1959, 75 min.) de Ray Kellogg. Com: Bob Thompson, Lisa Simone, Shug Fisher e Don Sullivan. Um lagarto gigante (na verdade um lagarto comum andando sem rumo por entre carros em miniatura bem vagabundos) começa a atacar uma região dos Estados Unidos e o xerife da localidade precisa pedir a ajuda de um mecânico adolescente bom moço, tão bom moço que chega a irritar. Os efeitos deste filme são hilários, como quando o lagarto é empurado por algum desalmado da equipe técnica para arrebentar uma parede de isopor. As miniaturas feitas para este filme são muito vagabundas, por isso mesmo, o filme virou um cult e merece ser revisto sempre. Em tempo: a trilha sonora deste filme é uma delícia.

“The Killer Shrews” (“O Ataque dos Roedores”, 1959, 68 min.) de Ray Kellogg. Com: James Best, Ingrid Goude, Ken Curtis e Gordon McLendon. Eis que Ray Kellog ataca novamente com outro clássico de orçamento extremamente baixo, também filmado no Texas. Aqui um capitão de navião chega até uma remota ilha deserta onde um grupo de cientista está realizando experiências biológicas secretas e descobre que a ilha está dominada por roedores (os terríveis Musaranhos aqui no filme são cães maquiados para parecerem roedores gigantes, inacreditável a cara de pau de Kellogg) que precisam ser exterminados. A seqüência final com o capitão, mais a mocinha do filme e seu pai cientista, fugindo dos roedores dentro de tonéis de lata é uma das coisas mais divertidas já filmada em todos os tempos. Nos extras do DVD há um documentário chamado “Saiba mais sobre os Musaranhos”, mas é sobre esquilos, o que me fez rolar de rir histérico.

“Bride of the Monster” (“A Noiva do Monstro”, 1955, 69 min.) de Edward D. Wood Jr. Com: Bela Lugosi, Tor Johnson, Tony McCoy e Loretta King. Bela Lugosi, mais canastrão que habitualmente, interpreta o Dr. Vornoff, um cientista que pretende criar uma raça de super-homens atômicos para dominar o planeta Terra e é auxiliado pelo gigante Lobo (Tor Johnson em seu melhor momento no cinema). Ed Wood estava inspirado quando filmou este longa com orçamento zero, prá quem se interessa pelos bastidores dos filmes, recomendo o longa “Ed Wood” (1994) de Tim Burton, que mostra um pouco do que foi as filmagens deste clássico cult. “Night of the Ghouls” (1959), também de Wood, é a seqüência deste filme e, após ter sido finalizado, passou década sem ser exibido em lugar algum. Nos extras do DVD uma entrevista com Bela Lugosi.

“Missile to the Moon” (“Míssil Para A Lua”, 1958, 78 min.) de Richard E. Cunha. Com: Richard Travis, Cathy Downs e K.T. Stevens. O governo americano cancela o projeto científico da viagem para a Lua e o cientista Dirk Vert resolve ir por conta própria para nosso satélite com dois presidiários escondidos na nave espacial. Chegando na Lua, eles precisam ficar apenas nas regiões de sombras (para não serem queimados pelos raios solares) e descobrem que nessas sombras se escondem monstros lunares, mulheres e gigantescas aranhas malignas. “Missile to the Moon” é uma refilmagem do “Cat-Women of the Moon” (1953) de Arthur Hilton. Reparem nas aranhas gigantes sendo controladas por fios indiscretos e na paisagem lunar que se assemelha muito à região de Vasquez Rocks, pertinho de Los Angeles.

“The Most Dangerous Game” (“Zaroff – O Caçador de Vidas”, 1932, 63 min.) de Irving Pichel & Ernest B. Schoedsack. Com: Joel McCrea, Fay Wray, Leslie Banks e Robert Armstrong. O roteiro foi adaptado do livro “The Most Dangerous Game” de Richard Connell sobre um grande caçador que resolve começar a caçar humanos como esporte. “Zaroff” foi co-digirido pelo co-diretor de “King Kong” (1933) e, como custou muito pouco sua realização, deu muito mais lucro que a super-produção “King Kong”. A capinha feita pela Flashstar está toda errada, na frente a produção é atribuída ao genial Ray Harryhausen (que nasceu em 1920, ou seja, na época do lançamento deste filme Harryhausen tinha apenas 12 anos) e na parte de trás temos a sinópse do “Bride of the Monster” (ambos os filmes foram entregues no pacote de Março da Flashstar) com a equipe-técnica do “Zaroff”. Em tempo: Fay Wray é a mesma garota por quem o Kong se apaixonou no ano seguinte à essa produção. Abaixo os erros na parte traseira da capinha (mais atenção senhores da Flashstar, por favor!!!).

Propaganda de Jesus

Posted in Arte e Cultura, Cinema, Música, Soundtracks with tags , , , , on março 13, 2011 by canibuk

Encontrei num dos meus fanzines espanhóis antigos a propaganda abaixo dos lançamentos de discos e filme de Jesus Franco e quis compartilhar aqui no blog. Essa propaganda aí estava no fanzine “Subterfuge” número 21 que também era a gravadora que lançava os discos do Jesus.

Baiestorf: Filmes de Sangueira & Mulher Pelada

Posted in Nossa Arte, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , on fevereiro 10, 2011 by canibuk

“Baiestorf: Filmes de Sangueira & Mulher Pelada” (2004, 20 min.) de Cristian Caselli é um documentário de curta duração que fala sobre os filmes vagabundos que faço, desde 1992, com amigos no quintal do meu sítio. As filmagens deste documentário aconteceram durante a edição de 2004 da mostra Cine Esquema Novo que é realizado todos os anos em Porto Alegre e exibe o que de melhor é produzido no cinema experimental brasileiro (Junto da Mostra do Filme Livre, é uma das melhores mostras de cinema independente aqui do Brasil). Foi engraçado! Caselli ficou me pedindo, durante dias, prá dar entrevista prá ele mas eu tava desconfiado que aquele carioca debochado só queria me comer e fiquei fugindo dele, até uma noite que fomos encher a cara num boteco na frente do Hotel que estávamos hospedados e Caselli foi junto. Nesta noite meu pileque foi tão grande que errei o caminho pro hotel (que era só atravessar a rua) e Caselli me alertou disso, acabei dando entrevista prá ele no dia seguinte (aquelas poucas palavras que digo no quarto do hotel, no comecinho do documentário, tivemos que fazer a entrevista na noite seguinte quando eu não tava mais bêbado). Foi uma experiência diferente ser assunto num documentário. O documentário ganhou vários prêmios entre 2004 e 2006 (incluindo prêmio internacional em Portugal) e no Brasil foi lançado na forma de extra no DVD do longa-metragem “A Curtição do Avacalho” (2006, 73 min.) com direção minha.

eu, Caselli, Gurcius Gewdner e Christian Verardi durante o Cine Esquema Novo, 2004.

Abaixo os link para ver o documentário no youtube:

Em breve pretendo fazer postagem sobre os filmes do Cristian Caselli, este cara é um dos melhores cineastas da nova geração (e isso não é babação de ovo porque o cara fez documentário sobre mim).

2000 Maniacos – O Zine

Posted in Fanzines with tags , , , , , on fevereiro 10, 2011 by canibuk

“2ooo Maniacos” foi um fanzine espanhol divertidíssimo dos anos 90 (foi por ele, por exemplo, que fiquei sabendo das filmagens de “Schramm” do Jörg Buttgereit). Era editado pelo Manuel Valencia e sempre trazia ótimas e espirituosas resenhas de filmes trash dos anos 50 até sexploitation dos anos 80. No número 15, por exemplo, rolou um especial Scream Queens e trazia ótimas fotos e muita informação sobre beldades como Adrienne Barbeau, Michele Bauer, Mindy Clarke, Barbara Crampton, Sybil Danning, Monique Gabrielle, Traci Lords (da fase pós-pornôs), Caroline Munro, Linnea Quigley, Brinke Stevens e muitas outras “rainhas do grito” (sei que esses nomes podem estar soando estranhos para a nova geração, mas os fãs de trasheiras sabem de quem tô falando). Trazia ainda informações sobre diretores pouco conhecidos no Brasil, mas reis do sexploitation americano na linha dos picaretas Dave DeCoteau, Fred Olen Ray e Jim Wynorski. Bons tempos aqueles!!!

Morre Tura Satana

Posted in Cinema with tags , , , , , , on fevereiro 7, 2011 by canibuk

Quando Elvis Presley pediu ela em casamento, ela pegou o anel e mandou ele prá puta que o pariu! Assim era Tura Satana, que faleceu de insuficiência cardíaca no dia 04 de Fevereiro de 2011 em Reno, USA. Tura, filha de um ator de cinema mudo japonês e uma artista de circo, sempre teve grandes seios e por causa deles, aos 9 anos de idade, foi estuprada por 5 homens que depois do crime não foram nem julgados (de acordo com Tura eles teriam subornado o juiz do caso), fato que levou Tura à aprender as artes marciais do Aikido e Karatê e, ao longo de 15 anos, se vingar de cada um deles, bem ao modo dos papéis fortes que interpretou no cinema (Tura conta que os agressores nunca sabiam porque estavam apanhando dela, até ela contar o porque – a vida de Tura dá uma cinebiográfia no estilo “rape/revenge”). Em Los Angeles ela tentou a carreira de cantora de Blues para, como não levava jeito prá música, logo em seguida se tornar dançarina exótica no Rendevouz Club. Em 1964 ela conheceu Russ Meyer e estrelou o clássico “Faster, Pussycat! Kill! Kill!” (lançado em 1965) e passou a trabalhar principalmente com o (outro) cult-diretor Ted V. Mikels em filmes como “The Astro-Zombies” (1968), “The Doll Squad” (1974) e “Mark of the Astro-Zombies” (2002). Russ Meyer, na época do lançamento do “Faster, Pussycat! Kill! Kill!”, contou das inúmeras brigas que tinha nos sets de filmagem com a Tura, segundo ele, “Faster, Pussycat!” é tanto dele quanto fruto das idéias de Tura Satana. Meyer sempre se arrependeu de não ter usado ela em mais filmes! Tura ainda aparece em vários documentários sobre cinema bagaceiro, como “The Incredibly Strange Film Show” (1988), “Cleavage” (2003), “Strip de Velours” (2005), “Sugar Boxx” (2007) e “The Wild World of Ted V. Mikels” (2010), além de fazer a voz de “Marla” no desenho animado “The Haunted World of El Superbeasto” (2009) de Rob Zombie.

Depois da produção de “The Doll Squad”, em 1973, Tura foi baleada por um ex-amante e, depois de recuperada dos ferimentos, virou enfermeira no Firmin Deloos Hospital. Sua volta às produções cinematográficas, em 1981, foi adiada por um acidente de carro, mesmo ano que se casou com um policial aposentado com quem viveu até a morte dele em 2000. Sua filha mais velha, Kalani, faz uma participação especial no filme “Ten Violent Women” do sempre amigo Ted V. Mikels.

Segue trailers de alguns filmes com Tura Satana: