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As Maquiagens Gore de Alice Austríaco

Posted in Cinema, Entrevista, Ilustração, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 9, 2018 by canibuk

A história da maquiagem gore no Brasil é bem recente, tem seus primórdios no SOV da década de 1990, com artistas como Júlio Freitas, Ricardo Spencer e Carli Bortolanza em seus trabalhos em vídeo pela Canibal Filmes. Só no século XXI que o país começou a ganhar grandes artistas dos efeitos melequentos e corpos dilacerados que levaram os efeitos sangrento para outro patamar. Em 2008 Rodrigo Aragão surgiu como o principal nome com seu “Mangue Negro”, junto de artistas como Kapel Furman que, em São Paulo, já estava realizando muitas maquiagens extremas. No sul surgiu Ricardo Ghiorzi e Caroline Tedy, ambos realizando maquiagens lindas. Em Vila Velha surgiu Alexandre Brunoro, que agora também está se especializando em fazer máscaras e próteses e acabou de lançar seu último trabalho, “Você, Morto”, com direção de Raphael Araújo. No Rio de Janeiro Jorge Allen é outro nome cujos trabalhos merecem ser visto. Em Goiânia Hérick João tem realizado make-ups ótimas e tive o privilégio de dirigi-lo no curta “Beck 137” e o cara é rápido sob pressão.

Um novo nome para ficar atento é Alice Austríaco (pretendo trabalhar com ela e Alexandre Brunoro no meu próximo filme), da cidade de Contagem/MG, pertinho de Belo Horizonte. Alice é assistente social formada pela Universidade Una, área em que atuou por dois anos, até que percebeu que não precisa de um emprego formal e que poderia se dedicar em tempo integral para as artes. Formada também em artes gráficas pela Escola Saga, além de maquiadora gore, também tatua, faz ilustrações e desenha roupas.

No momento Alice está realizando as maquiagens gore de um projeto fotográfico envolvendo crianças zumbis em situações de extrema violência, que também deverá se tornar um curta-metragem. Para falar mais sobre este trabalho, entrevistei Alice Austríaco.

Alice Austríaco

Petter Baiestorf: Como surgiu seu interesse por efeitos e maquiagens gore?

Alice Austríaco: Como qualquer criança a influência dos pais foi agente principal pra construção da personalidade e dos gostos, assim a paixão pelo cinema surgiu de forma natural e praticamente imperceptível. Minha mãe admiradora dos grandes romances clássicos e, meu pai, um grande entusiasta do cinema Western, me ensinaram o valor e a importância do cinema ainda quando eu era bem nova. Era hábito alugar algumas fitas durante o final de semana e foi em um desses dias que tive meu primeiro contato com o gore, aos nove anos de idade.  Me lembro bem do “moço da locadora” (como eu o chamava) me recomendando Evil Dead (1981), não sei se com a intenção de me assustar, mas, se foi, não deu muito certo. Me apaixonei. Desde então filmes carregados de efeitos e maquiagens gore se tornaram prioridade, despertaram em mim curiosidade e o sentimento de um cinema repleto de possibilidades e sentimentos. Já mais velha, em contato com alguns filmes, incluindo O Monstro Legume do Espaço que tenho enorme apresso, desenvolvi o interesse pela parte técnica e busquei estudar e compreender o cinema atrás das câmeras, me encantando pela maquiagem. Programas como o Cinelab também fizeram parte desse processo e me mostraram alternativas baratas para o que, até então, parecia impossível.

Alice realiza seus testes de maquiagem em si própria

Baiestorf: Algo que adoro em suas maquiagens e testes gore é a pegada sujona que você imprime a elas. Quais são suas inspirações, tantos nacionais quanto internacionais?

Alice: Minhas inspirações são variadas, Lua Tiomi que é uma maquiadora sensacional e trabalha com muita delicadeza, Mimi Choi que, apesar de ser especialista em Bodypaint (que não é o meu estilo), me inspira bastante, Dick Smith e Greg Nicotero, que são grandes nomes internacionais, me inspiram e uso de referência pra muitos dos meus trabalhos. Entretanto, acredito que o aspecto “sujo” seja uma identidade própria, quase como uma assinatura que desenvolvi ao longo do tempo e tem muito da estética que eu considero bonita no gore.

Baiestorf: Efeitos e maquiagens práticas ou digitais? Ou uma harmonização entre os dois estilos usando o melhor de cada técnica?

Alice: Ainda que eu tenha me inserido no mundo do cinema tardiamente, em que os efeitos digitais já estavam mais comuns, minha preferência sempre será pelas maquiagens e efeitos práticos. Acredito que, dessa forma, toda a produção fica mais orgânica e impactante. Não abomino o uso dos efeitos digitais e sei da sua importância, mas se possível que seja usado por necessidade e não como principal ferramenta na produção. Acredito também que o efeito prático envolve o set numa atmosfera divertida, gerando um resultado final real e vívido.

Baiestorf: Você testa bastante, inclusive utilizando de materiais baratos e fáceis de encontrar. Como funciona seu processo de criação?

Alice: Testar maquiagens é uma das coisas que mais gosto de fazer no dia a dia. A necessidade de usar materiais baratos veio da intenção de produzir sem dinheiro, através desses testes aprendi que é possível usar qualquer material e conseguir um resultado interessante. Comecei usando papel higiênico de qualidade duvidosa, garrafas de plástico, guache e até tinta aquarela que eu havia guardado de um trabalho de pintura em papel. A partir daí comecei a testar farinha, café, beterraba e qualquer outra coisa que fosse possível extrair cor ou uma textura que fosse necessária no momento. Também uso material específico para maquiagem, mas sei que em qualquer situação de necessidade, após uma feira e uma ida ao mercado, consigo fazer um gore impactante e, o mais importante, gastando pouco. Já o processo de criação sempre vem de formas variadas. Quando é um trabalho que o cliente tem exatamente o que quer em mente, geralmente busco imagens reais (um ferimento, por exemplo) e, apesar de desconfortável, busco enxergar os detalhes e reproduzir de maneira fiel. Já quando tenho liberdade de criação, costumo fazer uns storyboards mal feitos, apenas pra que eu não esqueça o meu objetivo, uma vez que, quando me empolgo, começo a fazer muita coisa e me esqueço da principal intenção e o que era pra ser uma ferida pequena se transforma numa autópsia completa. Além disso, independente do que seja o trabalho eu sempre testo em mim, primeiro porque acho necessário ajustar detalhes e compreender o que pode ou não ser feito no dia da produção e segundo porque gosto de saber como o modelo/ator vai se sentir no dia e até onde posso ir sem que se torne desagradável para quem estiver sendo maquiado.

Baiestorf: Como é o espaço em MG para trabalhar com maquiagens gore e cinema de gênero? Há espaço?

Alice: Em Minas Gerais infelizmente o gore ainda é pouco explorado, existe um carinho pelo cinema documental por aqui, principalmente em Belo Horizonte. Já o gore é pouco considerado, o público além de ser muito específico não busca fomentar o gênero, assim os locais públicos que fazem mostras de cinema raramente trazem a temática e reproduzem esses filmes. Por isso não existe espaço para quem deseja trabalhar na área. O lado bom disso é que onde não tem espaço, é possível criar um, e isso tem sido um fator motivacional para prosseguir – mesmo que exista uma vontade de ir para São Paulo, ainda acredito que seja possível começar a movimentar as coisas por aqui, em MG. Outro aspecto que venho observando é que o impacto que o gore causa torna os profissionais envolvidos temerosos quanto as suas participações. Muitos ficam receosos de se envolverem com o gênero e receberem julgamentos desagradáveis, afinal, o gore pode trazer desconforto e sempre vai ter alguém para apontar e achar tudo isso um absurdo, até mesmo usar de preceitos religiosos para fazer críticas ácidas e desproporcionais, o que já aconteceu e exigiu bastante jogo de cintura para contornar a situação. Optar por trabalhar com isso em Minas Gerais é assumir riscos, passar por julgamentos e ter que buscar outras maneiras de ter uma renda minimamente aceitável, uma vez que o retorno financeiro é pouco, mas confesso que tem sido muito prazeroso esse processo e tenho conhecido pessoas sensacionais, empenhadas e dispostas.

Baiestorf: Você esteve participando do Cinelab Aprendiz. Pode contar como foram as gravações? Como foi trabalhar com o Kapel, Armando e Raphael?

Alice: O Cinelab Aprendiz foi um divisor de águas e me impulsionou a tomar decisões que vêm mudando o meu rumo profissional desde então. As gravações aconteceram em São Paulo, cidade que havia visitado uma única vez e não conhecia absolutamente nada. Foi um risco que resolvi correr e, apesar da timidez, compreendi que seria necessário enfrentar, uma vez que me enriqueceria não somente no âmbito profissional, mas também pessoal. Todos os dias de gravação foram intensos e os programas exigiam, além de conhecimento na maquiagem, uma necessidade de conhecer também um pouco de cada função desempenhada no set . Tudo isso fez com que eu aprendesse e explorasse tudo o que sabia e não sabia, aprendi muito com meus companheiros de equipe e até mesmo das equipes adversárias, existindo ali um clima de companheirismo e uma troca intensa de saberes. Conhecer os mentores, Kapel, Armando e Raphael, foi o real prêmio pra mim, uma vez que são pessoas que já nutria uma admiração absurda, não só por causa do programa, mas também por seus projetos, dos quais acompanhava muito antes de participar do reality show. Os três estavam empenhados em nos ajudar e ensinar o que fosse necessário para que pudéssemos desenvolver e aprender. Aproveito o espaço para agradecer o Raphael Borghi, que foi o meu mentor durante as gravações e me ensinou muito. Todas as dicas que me passou vêm sendo colocadas em prática constantemente, inclusive foi fundamental para que eu reafirmasse meu senso de coletividade e me mostrou a necessidade de ter sempre comigo uma equipe coesa, que acredita minimamente nas mesmas coisas que eu, de forma que qualquer trabalho seja prazeroso e respeitoso com todos os envolvidos. Contudo, saí do programa empenhada a trabalhar com cinema, desenvolver projetos e me dedicar ainda mais à maquiagem, especificamente com o gore.

Baiestorf: Algum história envolvendo os efeitos/maquiagens durante o Cinelab Aprendiz que você possa contar?

Alice: As maquiagens eram sempre feitas na pressa por causa do tempo das provas e eu sempre saía com o sentimento de que poderia ter feito melhor, mas em uma das provas a equipe resolveu se dedicar integralmente na caracterização e todos estavam focados em fazer o melhor possível. Gabriel Niemietz e eu ficamos durante toda a prova dedicando à maquiagem de extraterrestre que foi feita no Gustavo Saulle que, no final, ficou irreconhecível. Essa maquiagem foi feita com papel higiênico e látex que, com ajuda de um soprador térmico, secou a tempo para que pudéssemos pintar de verde. Fazer isso foi extremamente desgastante ao Gustavo que ficou com dificuldades de respirar em alguns momentos devido ao cheiro forte do látex, o que nos levou a improvisar um canudo que colocou na boca, a fim de aliviar e facilitar a respiração dele. Durante essa prova recebemos o desafio surpresa de realizar também um estripamento e, desesperada por causa do tempo, no momento em que fui montar o efeito cortei o microfone de lapela que estava presa ao corpo do Gustavo. Isso apenas me mostrou a importância de não deixar o desespero e a pressa me guiarem. Confesso que hoje dou risadas do episódio, mas no dia fiquei em pânico.

Alien do Cinelab realizado por Alice e companheiros de equipe.

Baiestorf: Como foi sua percepção quanto ao mercado paulista de vídeo?

Alice: Tive um choque com a diferença do mercado e do interesse das pessoas em produzir em relação à Minas Gerais. No pouco tempo que estive em São Paulo conheci pessoas maravilhosas que estavam empenhadas em colocar “a mão na massa” (ou no sangue, nesse caso) e me convidaram para participar de projetos independentes, trabalhar e manter estadia em São Paulo. Ainda acredito que seja um objetivo e sei que terei mais facilidade em me dedicar na área, mas tudo precisa de planejamento e isso requer uma atenção e cuidado, considerando que o mercado da arte (que nunca foi valorizado), tende a oscilar e decisões precisam ser tomadas visando também o futuro. A maior diferença que encontrei é o risco que as pessoas estão dispostas a correr para colocar um projeto em prática, mesmo que seja assustador ou chocante, o mercado paulista não se inibe. Talvez pelo gore ser mais explorado ou por ser uma cidade com um público diverso, de forma que sempre haverá consumidor pra qualquer gênero que seja, ainda que cause estranheza em muitos lugares.

Baiestorf: Você tem feito maquiagens em vídeo clips, pode falar deles?

Alice: Trabalhar com vídeo clips tem sido uma experiência maravilhosa. Como o mercado pro gore no cinema ainda é escasso em Belo Horizonte, os clips são uma forma de apresentar às pessoas essa possibilidade e mostrar também que o gore pode ser usado de diversas maneiras. O trabalho nesse sentido se difere de um curta, por exemplo, por ser muito rápido. Em um dia tudo tem que estar pronto e geralmente no mesmo dia que começa, termina. São trabalhos rápidos, mas que exigem muita colaboração do set e cumplicidade dos envolvidos, inclusive da banda que está focada na sua parte e precisa confiar nos demais e, principalmente, na maquiagem. Só assim o trabalho consegue ser desenvolvido de maneira fluida e resultar em algo que agrade os fãs da banda, os músicos e as demais pessoas que trabalharam na produção.

Baiestorf: Você está realizando um ensaio fotográfico, em parceria com o artista Maxwell Vilela, que envolve crianças interpretando zumbis em situações de extremo gore. Como está sendo a realização deste trabalho? Pode contar situações dos bastidores?

Alice: A ideia surgiu de uma conversa despretensiosa e foi se transformando conforme desenvolvíamos o diálogo. Trabalhar com o Max é sensacional, assim como toda a equipe presente (Cadu Passos e Éric Andrada), que são pessoas dedicadas e empenhadas. Tive muita liberdade pra desenvolver a maquiagem desse projeto, as ideias foram tomadas junto com o Max, mas toda a identidade, o sangue e a construção foram pensadas por mim, onde pude desenvolver uma maquiagem agressiva, mesmo que tenha sido feita em uma criança de 9 anos, a Ayla. A pequena modelo demonstrou muita personalidade ao abraçar a ideia e não se incomodou com o sangue ou até mesmo pelo fato de ter seu coração “arrancado” de seu corpo. A foto abaixo foi feita em um parque público e, como imaginávamos, as pessoas naturalmente se espantaram, até então era compreensível, afinal, não é sempre que você encontra uma garotinha segurando o próprio coração por aí, o incômodo real surgiu dos comentários infelizes de algumas senhoras que usaram a religião de subterfúgio para proferir comentários ácidos sobre o trabalho (como dizer que ela estava horrível, que aquilo não era de Deus e coisas mais absurdas), o que gerou um desconforto não só na equipe, mas também na Ayla, que decidiu encerrar e darmos continuidade em outro momento. Temos como objetivo chocar, causar estranheza, mas acima de tudo questionar a adultização da infância, uma vez que maquiagens pesadas em garotinhas, sexualização, privação da infância dentre outras coisas são naturalizadas e não assustam. Destruir a idealização da princesinha encantada foi um objetivo comum e, com certeza, alcançado.

Baiestorf: Quando e onde sairá este ensaio?

Alice: Todos os envolvidos são artistas multitarefas a fim de manter a subsistência, por isso as datas são incertas, precisamos terminar o que começamos e pra isso temos a necessidade de abrir mão de trabalhos rentáveis, mas temos planos para lançar isso em breve! Inclusive novas ideias surgiram nesse processo e, com certeza, esse projeto se tornará maior do que a proposta inicial. De inicio vamos expor onde nos couber, pensamos em expor uma das fotos no metrô de Belo Horizonte o que causará um impacto em quem passa diariamente por lá e as vezes fica alheio ao meio. Talvez seja o momento de sacudir e chocar um pouco.

Baiestorf: Além do ensaio será editado também um curta? Pode falar sobre isso?

Alice: O curta tem sido um exemplo do cinema de guerrilha. Sem verba, sem uma grande equipe, mas muita motivação e esforço pessoal de cada envolvido. O acordo é que manteríamos suspense, por isso só posso adiantar que vai ter muito sangue. Tem sido um processo divertido, mas sujo!

Baiestorf: Além de maquiadora você também realiza ilustrações, tatua e cria roupas. Como é conciliar tudo no seu dia a dia?

Alice: As pessoas tendem a padronizar comportamentos, profissões e até a rotina se faz necessária. Por causa dessa construção demorei a compreender que é sim possível fazer tudo o que tenho vontade, basta ter organização e paciência, já que às vezes as coisas parecem sair um pouco do controle. Contudo, trabalhar com arte requer jogo de cintura e quase te obriga a explorar novas áreas, de maneira que seja possível ter um retorno financeiro aceitável. O que torna tudo mais prazeroso e possível é que são trabalhos dos quais tenho liberdade de horários, flexibilidade de organização e remanejamento. Acredito sim na possibilidade de trabalhar com aquilo que ama e, mesmo que sejam muitas tarefas, nada é desgastante, mas sempre muito divertido. Me envolver em áreas distintas permite que eu conheça muitas pessoas e aprenda diariamente, cada conhecimento adquirido pode auxiliar em outros projetos e, desta forma, sinto que consigo estabelecer uma conexão entre todas as áreas que resolvi me envolver.

Baiestorf: Algum projeto envolvendo ilustrações?

Alice: Constantemente projeto ideias para as ilustrações, mas ironicamente elas nunca saíram do papel. Imagino mil possibilidades com as ilustrações, mas nunca consegui estruturar algo para elas, senão me auxiliar na tatuagem, encomendas ou alguns storyboards mal feitos, dos quais esboço de forma bem simplista as maquiagens que tenho que fazer. Algumas anotações que faço costumam acompanhar pequenos esboços e rabiscos, que foi uma forma que encontrei de memorizar tarefas e me organizar no dia a dia. Tenho a pretensão de desenvolver algum projeto voltado para as ilustrações, mas ainda preciso pensar a respeito.

Baiestorf: Você ainda não está trabalhando com látex e animatrônicos em seus projetos, certo? Algum plano, ou testes, nessa direção?

Alice: Os trabalhos com látex e animatrônicos tem sido o meu principal objetivo na maquiagem, venho estudando e testando as próteses de látex e glicerina, o que tem gerado bons resultados. Já sobre os animatrônicos ainda não tive oportunidade de começar a desenvolver, mas pretendo até o final do ano ter dado início aos estudos e testes, de maneira que, em 2019, eu consiga me dedicar integralmente às maquiagens.

Baiestorf: Como o pessoal faz para acompanhar seu trabalho?

Alice: Sempre publico as maquiagens nas redes sociais e venho tentado dialogar com quem acompanha. Instagram: www.instagram.com/aliceaustriaco Facebook: www.facebook.com/aliceafm

Baiestorf: Como te contratar para futuros projetos?

Alice: Sempre respondo todos através das redes sociais, mas para trabalhos e afins disponibilizo o e-mail: aliceaustriaco@gmail.com

Baiestorf: Alice, gostaria de te agradecer pela entrevista. O espaço é seu para falar sobre algo que eu não tenha perguntado.

Alice: Petter, gostaria de agradecer o espaço e a consideração por mim e pelo meu trabalho. Suas produções sempre me motivaram, principalmente em trabalhar com o gore, me mostrando que é sim possível valorizar o gênero em solo nacional. Seus trabalhos construíram parte da minha identidade dentro da maquiagem e sigo me espelhando e aprendendo constantemente com o que me oferece. É uma grande honra fazer parte disso e ter essa oportunidade. Muito obrigada!

Dica de Alice:

ingredientes para a massa:

Vaselina sólida

Pó compacto da cor desejada

Amido de Milho

para o sangue:

Glucose de milho

Corante em pó vermelho

Corante em pó marrom (ou achocolatado em pó)

Corante em pó preto

modo de preparo:

Em uma vasilha acrescente duas colheres de vaselina sólida, pó compacto em pequena quantidade (até que alcance a cor desejada) e, aos poucos, o amido de milho. A consistência final é uma massa moldável e firme.

Para o sangue basta misturar na glucose de milho, o corante vermelho e, aos poucos, acrescentar o corante marrom. As quantidades podem variar de acordo com a cor desejada pela pessoa, por isso é necessário acrescentar todos os ingredientes devagar, sempre misturando e conferindo a cor.

Espalhe a massinha e, com ajuda do dedo úmido, molde de acordo com o formato do corpo. Com um lápis ou palito úmido faça pequenos furos na massa.

Com um pincel espalhe o sangue por toda a massa de maneira desuniforme, deixando alguns pedaços sem e outros buraquinhos que foram feitos com o lápis preenchidos de vermelho. Por fim, com o auxilio de uma esponja úmida, dê pequenas batidinhas por toda a maquiagem com o corante em pó preto, até que chegue a um resultado satisfatório.

Canibuk Apresenta: A Arte de Thais Rizzolli

Posted in Arte e Cultura, Entrevista, Ilustração, Pinturas with tags , , , , , , , , , , , , , , , on março 19, 2018 by canibuk

Thais Rizzolli, 21 anos, é natural de Concórdia/SC, atualmente residindo em Chapecó/SC onde estuda publicidade. Chapecó é uma cidadezinha catarinense que tem uma gama de artistas independentes bem interessantes e, não faço ideia de quando, ainda pretendo me debruçar sobre a produção underground alternativa da cidade para registrar a riqueza de estilos.

Thais, além de ser ilustradora, pinta com tinta a óleo, flertando com surrealismo, temáticas ocultistas e inspirada pela música como forma de libertação do seu “eu” interior, responsável pela criação de suas obras.

Conheça mais de Thais e suas obras soturnas lendo a entrevista abaixo, assistindo ao ótimo vídeo-entrevista “Thais Rizzolli” e curtindo/comprando seus trabalhos.

Thais Rizzolli

Entrevista com Thais Rizzolli:

Petter Baiestorf: Gostaria que você contasse como começou seu interesse pela arte e, também, sobre seus primeiros trabalhos.

Thais Rizzolli: Desde muito pequena, foi uma coisa que a minha mãe sempre me incentivou. Ela me dava muitos materiais, como lápis, canetas, cadernos, argila. Para que eu deixasse minha imaginação trabalhar. Mas a coisa que me deixava mais curiosa, era quando ela se trancava numa despensa pra pintar panos de pratos. Eu ficava maluca pra ver ela pintar, mas ela não me deixava por conta dos níveis tóxicos do material.

Baiestorf: Sua arte sofre influências de quais artistas e escolas estéticas. Fale o que te atraí neles, se quiser falar sobre os porquês seria muito interessante.

Thais: Eu sofro uma influência muito forte do surrealismo, eu acho fantástico o trabalho estético que o Dalí realizou. A forma fascinante como trabalhava com arte, estética e ciência.  Das mais lindas pinturas pré-rafaelitas de mulheres em meio à natureza, a destruição do padrão estético, a destruição da figura. O que é beleza? Eu sofro influência muito direta do ocultismo. Os anos 60, 70… Música, muita música. Do velho Black Sabbath, Doors, a Unlce Acid… A galera que ta aqui, agora, fazendo uma sonzeira brasuca e com várias influências iguais as minhas, Macaco Bong, Monstro Amigo, Ruínas de Sade. O próprio Ars Moriendee que fez a arte deles, o Victor Bezerra.  Um outro amigo meu lá de Porto Alegre, o Leo Dias de Los Muertos, baíta escultor.

Inédito (em desenvolvimento).

Baiestorf: Com sua arte você está aberta a todo tipo de trabalho ou gostaria de se especializar somente em uma área?

Thais: Eu pinto o que eu sinto. Geralmente eu faço as coisas pra mim. Quando eu to desenhando é um momento único e de estudo pra mim, cada coisa que eu faço é diferente. Me modifica como pessoa, foi pensada e inserida em um espaço -tempo de vida minha. É a materialização do meu eu.

Baiestorf: Conte sobre suas exposições e como produtores poderiam levá-la para suas cidades/estados.

Thais: Na minha primeira exposição eu fiquei muito envergonhada. Era algo novo pra mim e realmente é se mostrar “pro mundo”, “pras pessoas”. Dê um momento intimo desenhando em casa, coisas da tua cabeça, à rua, com as pessoas olhando os teus trabalhos e interagindo contigo. É muito louco.

Baiestorf: Como é realizar trabalhos artísticos aqui no Brasil? Há reconhecimento? Oportunidades?

Thais: As pessoas gostam de arte. Mas, não tem a valorização devida. Geralmente é um perrengue. Principalmente pro pessoal do meio mais underground, muita coisa ainda assusta as pessoas. Elas não estão preparadas para receber aquilo, aquele tipo de comunicação. Mas esse choque pra mim é o mais gostoso, é realmente confrontar a pessoa, tirar ela do comodismo.

Baiestorf: Você está com trabalhos em finalização? Poderia falar sobre eles e como o público poderá acompanhá-los?

Thais: Eu to desenvolvendo um material junto com uns amigos. Estamos trabalhando no álbum de estréia da banda deles, Kosmische Ritual.

Baiestorf: E seus projetos? É possível sabermos um pouquinho deles?

Thais: Eu pretendo continuar no ramo da ilustração e pintura. Mas meu coração pende muito pra tatuagem, quem sabe um dia, vocês vão me ver tatuando ainda.

Baiestorf: Geralmente a arte no Brasil é produzida de forma independente e é difícil conseguir se manter. O que você gostaria de observar sobre isso.

Thais: Por mais difícil que seja, meus amigos, vamos continuar produzindo. Só assim, batendo na tecla que a gente vai conseguir transformar a cultura em que estamos inseridos.

Baiestorf: O espaço é seu para as considerações finais:

Thais: Eu queria agradecer ao Petter e a toda a galera que apóia e a valoriza o meio underground e a cena autoral.

Contatos de Thais Rizzolli:

E-mail: thaisrzzll@gmail.com

Celular: 55 49 999204454

Artes de Thais Rizzolli:

Canibuk Apresenta: A Arte de Pomba Claúdia

Posted in Arte e Cultura, Cinema, Entrevista, Ilustração, Pinturas, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 13, 2018 by canibuk

Conheci a Pomba tem uns 15 anos em andanças por Porto Alegre. Possivelmente nos conhecemos em algum boteco cultural. Ou em alguma mesa de bar pós-exibições de filmes transgressores onde meus filmes eram programados, não lembro. Mas uma coisa é certa, assim que comecei a conhecer o trabalho de Pomba fui ficando fã e acompanhando na butuca.

Pomba faz de tudo. Além de desenhista, já fez música (“Pedra” é um punk hilário), curtas-metragens (“Pé de Cabra” é um dos episódios de “13 Histórias Estranhas” e agora está produzindo “Monstro”, de Magnum Borini), escreve contos e poesias. E desde 2006 participa do grupo de cartunistas GRAFAR, que edita diversos livros de cartuns (sempre coletivos). Mas para viver Pomba é professora de português e literatura.

Já tem livros publicados, participa do evento de cartum Cartucho em Santa Maria e atualmente gosta de desenhar coelhos. Fiquem com a entrevista que realizei com Pomba, é fantástico poder divulgar o pensamento iconoclasta desta fantástica artista livre.

Pomba Claúdia

Petter Baiestorf: Gostaria que você contasse como começou seu interesse pela arte e, também, sobre seus primeiros trabalhos.

Pomba Claúdia: Eu acho que sempre tive uma pira por tudo fora da realidade. A realidade consistia em ver meus pais brigando, horários políticos, notícias de televisão (mesmo que fossem mentira) ou tudo que tivesse alguma relação com o chato e burocrático mundo adulto. Fui uma criança solitária, filha única, guria de apartamento, criada pela televisão. Uma menina gordinha comendo milhopã na cama bagunçada aguardando os adultos voltarem do trabalho. Mas os adultos nem sempre foram esses monstros que estou pintando. Meu pai gostava (e gosta) muito de filmes, de desenhos animados e também de videogames… Absorvi estes gostos. Aos sete ou oito anos comecei a ganhar fitas VHS dos desenhos da Disney. Ao final do desenho animado da Branca de Neve tinha o making off do filme… Eu pirei com aquilo, foi tipo a primeira paixão platônica. Era aquilo que eu queria fazer. Mas aquilo mexeu muito comigo. Revi diversas vezes. Não me interessava o príncipe, não me interessava os sete anões (isso eu já assistia no “Histórias que Nossas Babás não Contavam”). Meu primeiro trabalho surgiu nessa época, na 1ª série, quando a professora levou meu desenho inspirado na música da “Dona Aranha” para a TV Cultura local junto com o de outros colegas. Eu liguei a TV por acaso e ela estava mostrando meu desenho. Isso me deixou muito feliz, pois eu não era uma criança lá muito enturmada e me senti valorizada. Acho que aí comecei a descobrir quem eu era… Mas ao falar para os meus pais, exaustos do trabalho, de saco cheio, que eu tinha decidido ser artista/desenhista/criadora de jogos e desenhos, eles me disseram que aquilo era coisa pra gente rica e que eu não teria me sustentar com aquilo. Como toda paixão, esse foi meu primeiro soco na cara dos sonhos “oquevocêquerserquandocrescer” que eu levei (e levo até hoje… muitos ainda). Acredito que isso deva acontecer com muitas crianças, mas eu continuei recortando da realidade esses sonhos, essas piras… Meus melhores brinquedos eram os lápis de cor, minha melhor companhia eram os desenhos animados, gibis, livros ilustrados e os joguinhos da Atari. Desenhava compulsivamente. Se isso é arte? Só depois me disseram…

Baixe essas artes em alta qualidade:

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portfolio Cláudia

Baiestorf: Sua arte sofre influências de quais artistas e escolas estéticas. Fale o que te atraí neles, se quiser falar sobre os porquês seria muito interessante.

Pomba: Minha arte sofre. E sofrer influências é um dilema. Porque quando vi já estava sofrendo, roubando, parafraseando, recortando, fazendo um mosaico de coisas bonitinhas e ogras. Acredito que os melhores artistas são as crianças e os bêbados. As melhores escolas estéticas são os bares. Mas tentando organizar o grande pobre roubo de ideias, posso retomar o lance da Disney. Falem o que quiser da Disney, foi ali o pontapé inicial. Mas é claro, você cresce, vira adolescente e quer queimar todos os discos da Xuxa, quer inverter a cruz, jogar o jogo do copo, beber cachaça com gemada.  Comigo não foi diferente. Por não ter amigos, nem internet, provavelmente o que influenciou foram os filmes que passavam na Sessão da Tarde e no Cinema em Casa. Podem rir, mas a estética de filmes de Tim Burton, assim como “Elvira – A Rainha das Trevas” e “A Família Addams” podem ter me inspirado… Minhas princesas perderam os braços, ganharam chifres. Meus quadros ganharam cores escuras. Eu pintava com qualquer coisa em qualquer lugar. Era libertador… Mas tudo foi jogado fora por mamãe. Só lá por 2001 comecei a organizar minhas influências e comecei a me identificar com a arte surrealista. A seguir, meus desenhos ainda tratando de temas mórbidos, começaram a ter um teor mais zueiro. Em 2004, busquei um curso de desenho animado que serviu para que finalmente conhecesse outras pessoas que desenhavam. Até ali não conhecia ninguém. Meu amigo e ilustrador Guilherme Moojen então me apresentou em 2006 a GRAFAR, um grupo de cartunistas e grafistas aqui de Porto Alegre que se reuniam semanalmente no bar Tutti Giorni. Apesar dos meus desenhos sem muita técnica, eles me acolheram e logo me convidaram para participar de um livro, chamado “Sem Trégua” em 2006. Considero esse boteco minha escola de arte. Esses senhores, Edgar Vasques, Eugênio Neves, Ubert, Hals, Ruben, Santiago, Pedro Alice, Lancast, Moa e, posteriormente, Carla Pilla, foram os meus primeiros e melhores professores. Inspirada no trabalho desses amigos meus desenhos sombrios ganharam cor, meu traço foi ganhando e ainda ganha a cada dia mais personalidade. Cada um com seu estilo me inspira de uma forma. O traço brusco do Ruben e a segurança da linha e simplicidade humorística do Santiago. O volume através das hachuras do Eugênio Neves, as aquarelas da Carla Pilla, enfim… Todas as terças eu saía desse bar mais inspirada e feliz de ter encontrado pessoas que gostam de desenhar enquanto conversam. O meu desenho, assim como textos, manteve um humor sádico, ácido e, em alguns casos, erótico. Descobria a cada encontro novas técnicas, novos estilos e novas inspirações como as ilustrações fodas da Mariza Dias e as putarias da Melinda Gebbie.

Baiestorf: Com sua arte você está aberta a todo tipo de trabalho ou gostaria de se especializar somente em uma área? Por quê?

Pomba: Quem me conhece sabe que também curto fazer filmes, músicas, poemas, contos, produzir eventos… Além de ser professora de português (o que pode parecer chato pra caralho, mas como envolve linguagem tá valendo). Então acabo diversificando meu trabalho em outras áreas também. É um surubão de áreas. Um estilo esquizofrênico. Por isso, sou bem aberta (rará). Sendo o espaço para arte independente (que é meu caso) tão limitado financeiramente, eu curto mesmo é chutar o balde. Às vezes me sinto uma fraude. E acho que isso faz parte de mim e justifica por eu ter trabalhos tão diferentes uns dos outros… Além disso, acho uma lindeza essa coisa de misturar cheiros, gostos, texturas, barulhos… Animação, cinema, música, uma explosão sensorial. Acredito que quebrar um estereótipo artístico ajude a tirar esse bundamolismo da arte. A arte teria que ser o grito de expressão, arte é cortar a orelha e brigar no bar, arte é chorar em cima da tinta e borrar tudo… Arte teria que ser algo que te atinja individualmente, mas que também atinja os outros, seja para agradar ou para incomodar. Algumas pessoas acreditam que primeiro você aprende a técnica e depois você cria. Eu prefiro brincar com as ideias, jogá-las no papel, na tela, no caderno e depois pensar no que pode ser feito – ou não. Elevar o padrão limita a criação. Há liberdade na ignorância, assim você se inspira de forma mais inocente e inconsequente. Se eu me especializasse em uma área, creio que perderia um pouco disso.

Assista o curta-metragem Pé de Cabra:

Baiestorf: Conte sobre suas exposições e como produtores poderiam levá-la para suas cidades/estados.

Pomba: Até agora só fiz exposições coletivas. Muitas em Santa Maria, em um evento de cartunistas chamado Cartucho, organizado pelo querido Máucio Rodrigues.  Devo ter participado de pelo menos umas cinco exposições lá. Todos os anos é sorteado um tema e a gente faz cartuns sobre aquilo em 24 horas. É bem massa. Pra falar a verdade, tenho poucos desenhos para expor. Os melhores estão em cadernos pautados ao lado de anotações de aula ou em guardanapos de bar… Para uma exposição de folhas pautadas rabiscadas e guardanapos sujos com desenhos eu teria muita coisa. Mas às vezes vêm momentos de luz e faço algo a mais, um quadro com objetos colados, uma aquarela bonitinha… Daí esses guardo, reproduzo em forma de imã, zine e o que mais for… Eu romerobritizo minha arte. Mas no fundo eu sou a desenhista de bar, ou de alguma sala de aula… Faço desenho e dou de presente. Talvez eu devesse omitir essas coisas, mas acho que é um traço da essência do que faço, um desapego. Até porque, não tenho espaço para acervo, moro num apartamento de 30m²… Se alguém tiver um espaço para eu pintar grandes quadros e paredes, ficarei muito feliz. Quem quiser me chamar pruma exposição, propor um tema ou juntar meus esboços e artes existentes meu email é claudiadrb@gmail.com ou pelo telefone 55 51 992792662. Meu trabalho pode ser visto no meu site https://claudiadrb.wixsite.com/borborini/copia-inicio, na página do Facebook: https://www.facebook.com/pombadesenhos/ e alguma coisa no Instagram: @pombaclaudia

Baiestorf: Como é realizar trabalhos artísticos aqui no Brasil? Há reconhecimento? Oportunidades?

Pomba: Como eu disse, meus pais me deram o soco de realidade aos sete anos quando falei com inocência que eu gostaria de ser artista. E cresci com esse pensamento. Pra não me iludir acabei virando professora de língua portuguesa, o que também não tem reconhecimento (risos). Então o que move minhas criações não é bem o reconhecimento, mas a necessidade de criar, de me sentir parte de algo que eu goste, que me faça me sentir eu. Claro que quando ganho dinheiro com meus desenhos, meus filmes ou meus textos eu me sinto incrivelmente feliz pelo reconhecimento, ao mesmo tempo em que acho estranho, pois, como eu disse, isso não foi construído em mim. E confesso que não me orgulho de ser assim, gostaria de poder falar com firmeza o valor de um quadro e passar um orçamento convicto de uma ilustração. Ainda assim, as oportunidades não caem no colo. Vejo uma galera muito mais talentosa e empenhada do que eu, investindo, trampando muito pra poder aperfeiçoar e assim conseguir um retorno de sua arte, ainda mais quando se trata da arte impressa, tendo em vista que hoje em dia temos muita coisa pronta no computador, que é só imprimir e pendurar na parede da sala. Portanto, considero desproporcional o número de oportunidades para a arte em relação ao desejo de se investir nisso. Acaba que muitos trabalhos fodas e autorais acabam virando logos com cara de trampo de design gráfico, assim como muito filme independente fica com a maior pinta de propaganda publicitária. Por essas e outras, eu me pego vergonhosamente acreditando que pra ganhar grana com arte você já precisa ter grana. Conheço gente que só pinta com material caríssimo, eu uso guache, pinto no papelão, uso a sobra da tinta que usei pra pintar a parede da sala de casa… Acabo me inscrevendo em concursos e festivais gratuitos, catando oportunidades de graça e tentando me enfiar onde dá. Mas os reconhecimentos e oportunidades são que nem uma cova, tem que cavar para achar algo.

Zumbizinhu Inédito

Baiestorf: Você está com trabalhos em finalização? Poderia falar sobre eles e como o público poderá acompanhá-los?

Pomba: Meu próximo e mais desejável trabalho é sobre Coelhos. Não tenho como falar muito sobre ele no momento, mas vou colocar o primeiro quadro que me inspirou a desenvolver uma série sobre esse rico animalzinho.

Baiestorf: E seus projetos? É possível sabermos um pouquinho deles?

Pomba: Esse ano pretendo montar junto a outras garotas um coletivo chamado Útero Underground. É uma ideia que ainda está no útero (rá), mas que em breve será melhor desenvolvida e que consistirá não apenas nas artes visuais, mas também na elaboração de músicas, barulhos, vídeos e o que mais vier ao encontro de construir um espaço libertador e sem tantos pudores em relação ao que a gente entende por arte. Paralelo a isso, estou aguardando o contato de alguns amigos da GRAFAR para a pintura de painéis, pretendo fazer um desenho animado e uma exposição de coelhos tarados.

Baiestorf: Geralmente a arte no Brasil é produzida de forma independente e é difícil conseguir se manter. O que você gostaria de observar sobre isso.

Pomba: Cara, acho que é o que falei antes… A gente se enfia onde dá, claro, em alguns casos a gente pensa nos princípios e não vai se enfiar de cabeça quando estão envolvidas pessoas escrotas que só pensam em explorar e lucrar a custa dos outros. Fora isso, nem todo mundo tem a oportunidade de fazer uma faculdade de arte. Vou falar da de cinema também, pois sabemos que cinema é caro pra cacete. Daí a gente acaba fazendo muita coisa de graça na troca de experiência, para apoiar os amigos que também não tem grana e isso vira um grande ciclo da horripilante mágica de se fazer arte de graça sem ganhar nada em troca. Acho que essas iniciativas como o teu blog, assim como rádios online, coletivos independentes, financiamentos coletivos, formas preliminares da gente sair do limbo e começarmos a desenvolver uma estrutura que pague nossas contas. Mas não só isso. O que eu vejo e que pouca gente comenta é como o artista independente muitas vezes está alienado do povo, da galera da periferia que também faz parte da outra margem independente da arte, como é caso da pixação, grafite, stencil chamem como quiser. O perfil da galera “independente” “underground” muitas vezes é branco, classe média, universitário. E a outra área independente? Fico pensando que louco seria toda essa galera se reunindo, aprendendo uns com os outros, compartilhando cultura, técnica, fugindo dessa aprendizagem acadêmica muitas vezes elitista e enfadonha. Exposição de arte é aquele perfil de homem de coque, magrinho, segurando a taça de Salton e conversando com a garotinha esnobe que admira pra caralho Miró, ambos intrigados com a popularidade do Romero Britto, expondo algo dito independente . Enquanto do lado de fora do prédio algum garoto leva um pau da polícia por fazer um desenho em um muro. Talvez o que falte para a arte independente conseguir se manter é incomodar um pouco, ter uma voz mais ousada, mais politizada, mais envolvente e que convide diferentes grupos ditos independentes a se observarem. Enfim, é manjado, mas é isso, a união faz a força.

Boteco de Ideias

Baiestorf: O espaço é seu para as considerações finais:

Pomba: Eu gostaria de agradecer ao Petter Baiestorf por essa oportunidade de eu falar sobre minha arte. Às vezes não sei como consegui conhecer tanta gente foda e incrível, pois soa estranho pra mim ser chamada de “artista”. Sempre achei que artista fosse ou Picasso, Salvador Dalí, ou na contemporaneidade alguma Big Brother que pousou nua. Então essa palavra me deixa com uma certa crise de personalidade. Alguns lugares dão desconto se você diz que é da “classe artística” aqui em Porto Alegre. Acho isso um sarro, pois o que te faz artista? Se eu colocar meu dedo no nariz e dizer que é uma performance serei artista? É muito louco isso. Outra coisa que muitas vezes me deixa desconfortável com o termo artista é quanto ao rebuscamento da arte em relação ao gênero. Tem homens que limpam a bunda e expõem em uma parede e afirmam seguramente que é “arte”. Mulheres desenham a sujeira da unha da modelo-vivo e se questionam se a sujeira está na proporção correta ao tamanho da unha. Eu não sei as outras, mas sinto essa pressão ao perfeccionismo. Você não pode ousar dirigir, tocar guitarra, desenhar, fazer um filme se você não fizer algo incrivelmente bem. Você não pode tocar os acordes errados ou errar o local da luz em um quadro.  Confesso que isso me incomodava, pois muitas vezes deixei de fazer as coisas por não me sentir boa o bastante, por não me sentir pronta o bastante, enquanto simplesmente eu deveria ter feito e mandado todo mundo à merda com suas técnicas, medidas e manuais.

Contatos de Pomba Claúdia:

email: claudiadrb@gmail.com

Telefone: 55 51 992792662.

Site: https://claudiadrb.wixsite.com/borborini/copia-inicio

Facebook: https://www.facebook.com/pombadesenhos/

Instagram: @pombaclaudia

facebook: https://www.facebook.com/claudia.pigeon

Mais: https://claudiadrb.wixsite.com/borborini/sobre

Artes de Pomba Claúdia:

Canibuk Apresenta: A Arte de Leyla Buk

Posted in Arte e Cultura, Entrevista, Ilustração, Pinturas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on março 8, 2018 by canibuk

Hoje é o dia internacional da Mulher e a série do Canibuk não podia deixar de apresentar a arte de uma das mulheres mais fortes, criativas e completas que já tive o prazer de conhecer.

Acompanho o trabalho de Leyla Buk faz, pelo menos, uma década, e cada nova fase dela me surpreendo com a franca evolução de seus trabalhos. Leyla é inquieta, está sempre na ânsia pela busca de se superar.

Autorretrato, 2018 (inédito).

Leyla, nascida em Recife/PE, é artista autodidata e desde a infância já se interessava por desenhos e pintura. Há pelo menos 9 anos trabalha em tempo integral, de modo profissional, com sua arte, experimentando vários meios, estilos e técnicas. É uma artista curiosa e dona de uma arte fenomenal, seja como desenhista, pintora ou escultora, fazendo um Monku, ou uma Buky, personagens que criou para explorar essa técnica – o que não a impede de aceitar encomendas com seu personagem preferido. Suas esculturas já estão em inúmeros países da América – USA e Canadá – e Europa – Finlândia, Inglaterra, Suécia e outros.

Já realizou exposições por vários estados do Brasil. Também foi capista da Editora Estronho e realizou cartazes para filmes, estando sempre aberta às mais variadas encomendas.

Agora Leyla se prepara para uma importante exposição coletiva em Porto Alegre que irá acontecer no mês de Maio próximo, ao lado de importantes artistas brasileiros. Em breve divulgarei aqui essa exposição e em maio estarei lá fazendo a cobertura. Adianto que é imperdível e tem a ver com o FantasPoa 2018.

Leyla Buk

Segue a entrevista que realizei com Leyla para o Canibuk.

Petter Baiestorf: Gostaria que você contasse como começou seu interesse pela arte e, também, sobre seus primeiros trabalhos.

Leyla Buk: Me interesso por arte desde que me entendo por gente. Minhas memórias mais fortes da infância são aquelas que envolvem algum tipo de arte, em casa ou no colégio. Não lembro muito dos meus primeiro trabalhos, mas eu desenhava o tempo todo. Eu fui uma criança estranha e que não se encaixava muito nas coisas. Desenhar me libertava. A arte pra mim é e sempre foi uma necessidade, uma busca por respostas, por algum tipo de salvação. E me salva. Sempre me salvou.

Buky

Baiestorf: Sua arte sofre influências de quais artistas e escolas estéticas. Fale o que te atraí neles, se quiser falar sobre os porquês seria muito interessante.

Leyla: A lista de influência é grande, de varias escolas, varias épocas e lugares, por varias razões. Eu bebo de muitas fontes, de renascentistas à artistas pop do “momento”, todos têm uma importância e fazem ou fizeram parte de algum momento meu. Eu gosto muito dos expressionistas do começo do século XX, quanto movimento, quanto proposta, quanto resposta. Artistas como Schiele sempre me influenciaram demais, pela coragem, pelo sentimento, pela angústia, pelo peso psicológico, pelo estilo. Sempre tive na arte um lugar onde posso buscar respostas e exorcizar meus demônios. Um lugar onde me encaixo e posso ser livre. Por isso me identifico muito com artistas assim. Picasso é um cara que tem uma importância enorme pra mim, porque com ele eu aprendi que não tem problema mudar, não tem problema ter muitas fases, não tem problema ser livre nesse sentido. Que meu compromisso maior é com o que sinto e com minha verdade. E eu tenho muitas fases, quem me acompanha sabe. Talvez um dia alguém vai nomear cada uma delas como fizeram com ele? “Essa é a fase preta”, “essa é a fase ocre”, “essa é a fase niilista” e arrumar justificativas pra cada uma (risos). Apenas deixem ser. Mas pra falar mais alguns nomes cito caras como da Vinci, Rembrandt, Caravaggio, Hans Memling, Bosch, Botticelli, Klimt, Van Gogh, Modigliani, Rothko. Muitos outros. Sempre da medo de esquecer alguém muito importante. E sei que esqueci. O mundo a minha volta, as pessoas com as quais eu convivo e sempre me ensinam algo, família, amigos próximos, quem eu amo e qualquer pessoa que faça o que gosta com vontade e paixão me inspira. Pode ser o maior artista vivo ou o tiozinho da esquina que vende pipoca. Gentileza, empolgação e sonhos me motivam. Inocência idem. Cinema, literatura e música também têm forte influência sobre meu trabalho, desenhos, pinturas, esculturas… Estão presentes em absolutamente tudo. Mas eu vou parar por aqui senão não vai acabar nunca essa resposta.

Stillness, 2018

Baiestorf: Com sua arte você está aberta a todo tipo de trabalho ou gostaria de se especializar somente em uma área? Porque?

Leyla: Assim, dentro da minha área eu estou aberta a tudo, porém cada coisa no seu tempo. Eu me interesso por muitas coisas, mas eu não me vejo fazendo varias coisas de áreas diferentes, eu jamais conseguiria fazer bem todas elas. Eu sou intensa demais no que eu faço então eu gasto toda energia naquilo, não conseguiria fazer isso com varias coisas. Algo sairia mal feito ou não teria a mesma atenção e cuidado que merece e eu iria sucumbir também, certamente (risos).

Baiestorf: Conte sobre suas exposições e como produtores poderiam levá-la para suas cidades/estados.

Leyla: Acho que minha primeira exposição foi em 2010, em Maceió. Num bar que reuniu vários artistas undergrounds de vários estilos. Na época eu estava forte na fase erótica e tinha acabado de começar a pintar (olha eu já definindo minhas fases tipo Picasso – risos). Depois expus em outros lugares também, todas exposições coletivas. Todas importantes, mas lembro com muito amor da exposição na Mondo Estronho que aconteceu em 2015 em Curitiba, onde expus umas 20 peças inspiradas no cinema de horror das décadas de 20 a 50, filmes que tem grande influência na minha vida e na minha arte. Depois, em 2016, expus em alguns eventos em Porto Alegre também. Se alguém tiver interesse em promover alguma exposição com meus trabalhos pode entrar em contato comigo pelo e-mail bukleyla@gmail.com e podemos acertar todos os detalhes.

Edgar Allan Poe, 2017

Baiestorf: Como é realizar trabalhos artísticos aqui no Brasil? Há reconhecimento? Oportunidades?

Leyla: Eu me sinto privilegiada por poder trabalhar com o que eu amo em tempo integral e me dedicar apenas a isso, isso pra mim já vale por qualquer reconhecimento, fama, o que for, porque eu sei que essa não é a realidade da maioria. Eu já trabalho nisso ha algum tempo e estou incansavelmente fazendo alguma coisa. A gente tem que abraçar qualquer oportunidade que apareça. A divulgação é nossa maior amiga nisso tudo e a internet oferece muitos meios pra isso. Eu tento aproveitar cada um deles.

Baiestorf: Você está com trabalhos em finalização? Poderia falar sobre eles e como o público poderá acompanhá-los?

Leyla: Eu sempre estou com trabalhos em andamento. No momento, estou trabalhando em algumas ilustrações novas e finalizando dolls de algumas encomendas. Quem quiser obter informações ou fazer pedidos (eu aceito encomendas das BukDolls, dos Monkus, das Bukys, de pinturas e de ilustrações também) pode entrar em contato através do e-mail bukleyla@gmail.com ou pelas minhas redes sociais no Instagram @leylabuk e Facebook @LeylaBukArt.

Mary Shaw (Dead Silence), 2018

Baiestorf: E seus projetos? É possível sabermos um pouquinho deles?

Leyla: Entre os outros trampos em andamento estou trabalhando também numas peças pra uma exposição que vai acontecer em maio. Darei mais detalhes em breve.

Baiestorf: Geralmente a arte no Brasil é produzida de forma independente e é difícil conseguir se manter. O que você gostaria de observar sobre isso.

Leyla: A gente tem que aprender a lidar com os altos e baixos disso tudo. Pesa mais pra gente quando pesa pra todo mundo. Mas o amor pelo o que faço é o que me move. Eu realmente não sei se saberia fazer outra coisa da minha vida! Então fica tudo muito pequeno quando penso no prazer que é poder fazer o que faço.

Baiestorf: O espaço é seu para as considerações finais:

Leyla: Obrigada, Petter, pelo espaço e pelo apoio sempre! Isso é muito importante quando a gente faz tudo por conta própria e não tem patrono, não tem arte em grandes galerias ou não morreu ainda pra que a obra, quem sabe, passe a valer alguma coisa. Valorizem os artistas enquanto vivos! Consumam sua arte! Divulguem! Apreciem! A arte salva.

Monkus, 2016

Contatos de Leyla Buk:

Email:  bukleyla@gmail.com

Instagram: @leylabuk

Instagram: @_monku_

Facebook: @LeylaBukArt

Artes de Leyla Buk:

 

Cat, 2018

Pennywise – It, 2018

Vampira e Bride of Frankenstein, 2017

Mina (Bram Stoker’s Dracula), 2017

Vanessa Ives – Possession, 2017

Edward Scissorhands Black and White, 2017

Vampira, 2016

Posters & Capas de VHS da Canibal Filmes

Posted in Cinema, Manifesto Canibal, Posters, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on maio 16, 2017 by canibuk

Infelizmente estou sem tempo algum para atualizar o blog. Mas nessa última semana estava selecionando material que irá fazer parte do livro “Canibal Filmes – Os Bastidores da Gorechanchada” e encontrei um material referente aos nossos lançamentos em VHS (que já estão disponíveis em DVD e que você pode comprar aqui na MONDO CULT):

Posters

1995- O Monstro Legume do Espaço

1996- Blerghhh1

1996- Blerghhh2

1996- Caquinha Superstar a Go-Go1

1996- Caquinha Superstar a Go-Go2

1996- Eles Comem Sua Carne1

1996- Eles Comem Sua Carne2

1996- Eles Comem Sua Carne3

1996- Eles Comem Sua Carne4_Folder

1996- Eles Comem Sua Carne4_Folder2

1997- Bondage 2 Amarre-me Gordo Escroto

1997- Chapado

1998- Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos2

1998-Gore Gore Gays

Lombada das VHS

Lombada VHS- O Monstro Legume do Espaço (1995)

Lombada VHS- Eles Comem Sua Carne (1996)

Lombada VHS- Blerghhh (1996)

Lombada VHS- Bondage 2 Amarre-me Gordo Escroto (1997)

Lombada VHS- Raiva (2001)

Capas de VHS da Canibal Filmes:

VHS- Blerghhh (1996)

VHS- Chapado-Bondage 2 (1997)

VHS- Bondage 2 Capa 2 (1997)

VHS Bondage parte 1 - Capa 2 (1996)

VHS- Bondage parte 1 (1996)

VHS- Caquinha Superstar a Go-Go (1996)

VHS- Eles Comem Sua Carne (1996)

VHS- Festival Psicotrônico Vol 1 (1999)

VHS- Minimalismo Surreal Vol 1 (2002)

VHS- O Monstro Legume do Espaço (1995)

VHS- Raiva (2001)

VHS- Sacanagens Bestiais dos Arcanjos Fálicos

VHS- Zombio (1999)

Petter e poster GGG

Por um Punhado de Downloads

Posted in Cinema, Música, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 14, 2016 by canibuk

Atenção, muita atenção!

logo-canibal-001Você está penetrando no Mondo Trasho da Canibal Filmes, clicando em qualquer um destes links abaixo disponibilizados você adentrará num universo onde o mal feito é glorificado como o mais valioso dos objetos sagrados, onde a falta de talento é incentivada, onde até mesmo o faxineiro de um grande estúdio conseguiria virar diretor de uma produção. Aqui ninguém é excluído do sonhos de virar uma estrela de cinema. Todas a produções abaixo disponibilizadas foram realizada nos anos de 1990, quando ainda não existiam bons equipamentos de filmagem que fossem baratos e a edição era feita se utilizando de dois vídeo cassetes, o que torna estes filmes ainda mais mongoloides. Estejam avisados, estes links contem o pior do pior, se você acha que possuí bom gosto, clique somente no link da Cadaverous Cloacous Regurgitous. Os links para download estão nos títulos em letras maiúsculas.

Cadaverous Cloacous Regurgitous (1993)

cadaverous-cloacous-regurgitous

Demo-Tape

Antes de fazer um filme eu era fanático-radical por noise grind e, junto de meu amigo Toniolli, planejamos montar a banda mais suja do mundo, ou algo assim, afinal éramos apenas uns guris sem nada pra fazer. Eis que nas férias escolares de 1993 fomos para a casa dos pais de Toniolli e gravamos e mixamos a demo-tape “Ópera Indústrial” e intitulamos nossa banda de noise com o belo nome de “CADAVEROUS CLOACOUS REGURGITOUS“. Além de instrumentos tradicionais, também usamos folhas de zinco, motosserras, uma guitarra quebrada com uma corda e, no vocal, uma gravação que Toniolli tinha feito meses antes de porcos sendo castrados. Não satisfeito com essa primeira experiência envolvendo música, em 1999 – desta vez ajudado por meu amigo Carli Bortolanza – gravamos a demo-tape “Anna Falchi”, colocando pra funcionar um projeto de industrial harsh intitulado “Smelling Little Girl’s Pussy” que está junto no zip. “Smelling” não utilizou nenhum instrumento musical, todo o som é produzido com microfonias que criamos com estática de rádio, sujeira sonora e gravamos nos utilizando de uma ilha de edição de vídeo, muitos dos barulhos estranhos captados são oriundos de uma câmera de VHS apontando pra uma tela de TV.

 

Açougueiros (1994)

acougueiros

Petter Baiestorf em 1994

Logo após finalizar e lançar “Criaturas Hediondas” (1993), oficialmente minha primeira tentativa de fazer um filme, reunimos a mesma turma e fomos para uma casa abandonada (que depois foi reutilizada como cenário para as filmagens de “Eles Comem Sua Carne”) passar dois dias, tempo em que filmamos o “AÇOUGUEIROS“, sendo atacados por terríveis aranhas assassinas durante as madrugadas. Já na primeira noite percebemos que as aranhas era inteligentes e estavam a nossa espreita. Deitávamos em nossos colchonetes e, ligando as lanternas contra o chão, víamos as aranhas se aproximando de nossos corpos com suas oito patas famintas por carne humana. Não dormimos. No dia seguinte filmamos quase todas as cenas do “Açougueiros”, já montando o filme na própria câmera. Anoiteceu novamente. Com medo da volta das aranhas assassinas, todos da equipe dormimos em cima de uma mesa de sinuca. Tão logo desligamos as lanternas, já começamos a escutar os cochichos das malditas aranhas. A madrugada foi louca, com a gente correndo das aranhas pela casa e as eliminando sempre que possível. Lá pelas tantas as aranhas se tornaram mutantes com asas e vinham voando famintas contra a gente. O cozinheiro da produção foi o primeiro a tombar morto diante da fúria das aranhas malignas, tendo convulsões até desfalecer completamente sem vida. Sim, as aranhas haviam se organizado e queriam um banquete… E o banquete era nossa equipe!

 

Criaturas Hediondas 2 (1994)

criaturas-hediondas2_1994

Crianças Hediondas

Imediatamente após as filmagens de “Açougueiros”, resolvemos fazer uma continuação do primeiro filme e “CRIATURAS HEDIONDAS 2” tomou forma. As filmagens desta produção aconteceram no sítio de Walter Schilke, que entre outros, foi diretor de produção em “A Dama do Lotação” e de vários filmes de Os Trapalhões. Essas filmagens foram completamente sossegadas, com tudo dando certo e novos colaboradores aparecendo para ajudar o grupo. Após cada dia de filmagens todos retornávamos aos trailers da produção, ganhávamos massagens terapêuticas e participávamos de jantares de gala enquanto uma orquestra de querubins tocava sucessos de Beethoven. Depois de pronto foi exibido, no ano seguinte, na I HorrorCon em São Paulo com relativo sucesso. Neste mesmo ano explodiu a moda Trash no Brasil e ficamos bilionários fazendo filmes ruins.

 

2000 Anos Para Isso? (1996)

eles-comem-sua-carne_1996

Toniolli em banho de sangue

Sabe-se lá porque, até 1995 eu só pensava em fazer longas-metragens (devia ser algum problema de ego). Mas em 1995 fiz uma experiência em curta-metragem e realizei “Detritos” (curta que atualmente está perdido, mas que continuo tentando achar uma cópia para disponibilizar), gostando bastante da simplificação dos problemas que uma filmagem sempre tem. Então, logo no início de 1996 filmamos “Eles Comem Sua Carne” e um festival de curtas gore da Espanha, tendo assistido “O Monstro Legume do Espaço”, me escreveu solicitando um curta para incluir no festival. Como “Detritos” não era gore, resolvi montar algumas cenas do “Eles Comem Sua Carne” no formato de curta e, assim, surgiu este “2000 ANOS PARA ISSO?“, meu primeiro flerte com cinema experimental.

 

Assista “O Monstro Legume do Espaço” aqui:

Bondage 2 – Amarre-me, Gordo Escroto!!! (1997)

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Denise e Souza

Após as filmagens de “Blerghhh!!!” (1996), tive uma ideia fantástica que rendeu um belo punhado de reais: Fazer um filme de putaria assinado por uma diretora, então combinei com a atriz principal de “Blerghhh!!!”, Madame X, que ela iria assinar nosso próximo filme. Com orçamento mínimo escrevi um roteiro fácil de filmar (sob pseudônimo de Lady Fuck e Carla N. Toscan, afinal, melhor que uma mulher tarada, só três, não?). Fomos pra casa do Jorge Timm, nos trancamos lá durante uns quatro dias e cometemos “BONDAGE 2: AMARRE-ME, GORDO ESCROTO!!!“, com climão de filme de Boca do Lixo final dos anos 70. É uma produção extremamente simples, mas na época do lançamento alardeamos tanto que era escrito e dirigido por mulheres que todo mundo quis assistir.

jose-mojica-e-seu-livro-preferido

José Mojica Marins e seu livro preferido.

 

Fase 98 (1997-98)

Ácido (1997) – este curta filmamos durante as gravações de “Blerghhh!!!” e só montamos um ano depois. Os efeitos de cores sobre as imagens captadas foram inseridas via uma ilha de efeitos analógicos. Acredito que foi meu primeiro vídeo arte, a concepção deste vídeo foi desenvolvida em parceria com o Coffin Souza.

Deus – O Matador de Sementinhas (1997) – No ano de 1997 Carli Bortolanza e eu cuidávamos do castelo da Canibal Filmes, local onde todo o equipamento de filmagem, maquiagens, iluminação e figurinos estavam guardados. Como o tempo de tédio era muito enquanto montávamos guarda para que ninguém invadisse nosso estúdio para roubar ideias e bens materiais, começamos a filmar vários curtas experimentais inspirados em Andy Warhol e Paul Morrissey e, assim, surgiram pequenas brincadeiras como “Crise Existencial”, “O Homem Cu Comedor de Bolinhas Coloridas”, “A Despedida de Susana – Olhos e Bocas” (1998), “9.9 (nove.nove)” e este “Deus – O Matador de Sementinhas”.

“Boi Bom” (1998) – Possivelmente meu filme mais polêmico. Antes de me tornar vegetariano realizei este brutal filme sobre a figura do homem se valendo de assassinato para se alimentar em pleno século XX. Em uma bebedeira falei com Jorge Timm e Carli Bortolanza sobre minha intenção de rodar algo extremamente brutal sobre alimentação envolvendo a matança de animais, mas a ideia ficou ali. Alguns meses depois o Jorge Timm apareceu com tudo combinado, ele já tinha encontrado um abatedouro clandestino que iria nos deixar filmar desde que não identificássemos o local. Chamei o Bortolanza e o Claudio Baiestorf e fomos até o abatedouro filmar. Em tempo: a carne deste boi que aparece no filme foi vendida pra um restaurante – pelo abatedouro, não pela gente – após as filmagens, só vindo a reforçar o que acho da alimentação envolvendo assassinatos. Hoje eu não faria outro filme com este teor, mas não renego o curta, está feito, faz parte de uma fase que eu me preocupava mais em chocar. PACK ÁCIDO+DEUS+BOIBOM.

Assista “A Despedida de Susana – Olhos e Bocas” aqui:

Mantenha-se Demente!!! (2000)

mantenha-se-demente-fx

Bortolanza aplicando fx em Loures

Logo após lançar “Zombio” (1999) escrevi o roteiro insano de “Mantenha-se Demente!!!”, um longa gore que misturava a cultura da região oeste de SC com os delírios japoneses envolvendo putaria com tentáculos. Levantei uma parte do dinheiro necessário para as filmagens e chegamos até a rodar algumas cenas do filme. Mas tudo estava tão capenga e caótico que acabei abandonando o projeto para rodar o “Raiva” (2001). O material filmado acabou por se tornar o curta-metragem “FRAGMENTOS DE UMA VIDA“, montado em 2002. Particularmente, gosto bastante do resultado de surrealismo gore alcançado neste cura improvisado, o que sempre me faz pensar que poderia voltar, hora dessas, a realizar experiências nesta linha.

 

Entrevista com Petter Baiestorf no Set de Zombio 2 (2013)

Acabei de encontrar essa ENTREVISTA que o Andye Iore realizou comigo durante as filmagens de “Zombio 2” (2013). Estou visivelmente cansado mas até que bem lúcido falando sobre o caos que foram os primeiros 12 dias de filmagens de “Zombio 2”. Estou compartilhando com vocês essa entrevista de 17 minutos mais como uma curiosidade mesmo, ela deveria estar nos extras de “Zombio 2” mas por um estranho motivo foi esquecida durante a autoração do DVD oficial de “Zombio 2“. Enfim, palhaçadas de uma produtora de cinema completamente atrapalhada.

Memórias em tom de realismo fantástico de Petter Baiestorf.

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Parafusos, Zumbis, Monstros do Espaço e outros lançamentos da Veneta

Posted in Literatura, Quadrinhos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 4, 2014 by canibuk

Dangerous GlitterA editora Veneta é uma jovem editora brasileira criada por Rogério de Campos que vem se destacando por seus ótimos lançamentos de quadrinhos e livros de literatura obrigatórios. A frase “o que queremos, de fato, é que as ideias voltem a ser perigosas”, de Raoul Vaneigem, se aplica perfeitamente aos lançamentos deles (mesmo que os lançamentos mais transgressores continuem sendo obras lançadas originalmente nos anos 60 e 70). Por conta do prefácio que escrevi para o álbum “Parafusos, Zumbis & Monstros do Espaço”, lançado por eles, ganhei um pacotão de lançamentos e já me tornei fã da jovem editora, tanto que agora preciso comprar urgentemente o livro “Dangerous Glitter” de Dave Thompson, recém lançado e que conta “como David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop foram ao inferno e salvaram o Rock’n’Roll”. Como um grande fã do filme “Velvet Goldmine” (1998) de Todd Haynes, este livro se torna item obrigatório para o enriquecimento da cultura inútil tão necessária ao meu cérebro. A seguir apresentação dos livros lançados pela Veneta que devorei em poucos dias.

Parafusos Zumbis e Monstros do Espaço1“Parafusos, Zumbis & Monstros do Espaço” (115 páginas) é uma HQ de Juscelino Neco (que já foi publicado aqui no Canibuk com a HQ “A Maldição dos Sapos“) que é diversão gore pop do início ao fim. “Parafusos, Zumbis & Monstros do Espaço brinca com a estética do cinema B, cultura pop e obsessões cronenberguianas na divertida e azarada vida do herói Dolfilander que, após extraordinários acontecimentos envolvendo num parafuso, se revela um para-raios de objetos pontiagudos pontiagudos e estranhas criaturas em eventos de ultra-violência nonsense gore estreladas por gorilas com cérebros humanos, zumbis melequentos e aliens bagaceiros que nos fazem pensar sobre como a vida neste grão de areia chamado Terra, perdido nos cafundós do Universo, pode ser somente um joguinho bobo para nos livrar do tédio.”, do meu prefácio que dá uma ideia geral da delícia despretensiosa que é este incrível trabalho de Neco. Como curiosidade, quase que Neco fez parte da equipe de meu longa “Zombio 2: Chimarrão Zombies“, na qualidade de biógrafo quadrinista da produção. Junto de “Baratão 66” um dos melhores lançamentos de 2013.

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Crumb1“A Mente Suja de Robert Crumb” (230 páginas) é um álbum de luxo com seleção (por Rogério de Campos) de HQs de Robert Crumb, talvez o melhor e mais completo álbum de Crumb já lançado no Brasil. A introdução desta peça magnifica fala sobre a censura americana aos quadrinistas, que sempre foi muito forte por conta das ligas religiosas e de pais desocupados. Robert Crumb nasceu na Pensilvânia em 30 de agosto de 1943 e se tornou o quadrinista underground mais famoso da contra-cultura mundial. Uma boa pedida para saber mais sobre ele é assistir ao documentário “Crumb” (1994) de Terry Zwigoff, seu parceiro na banda R. Crumb and his Cheap Suit Serenaders, que, em virtude da amizade com o documentado, teve acesso irrestrito à vida de Crumb e seus irmãos, figuras ainda mais interessantes do que o próprio gênio. A HQ “Bundão das Cavernas” faz parte deste imperdível lançamento. A seleção de material deste álbum enfoca mais suas HQs sexuais cheias de suas carnudas mulheres em situações pervertidas, como o próprio Crumb define: “Minha obsessão por mulheres grandes interfere na maneira como algumas pessoas avaliam meu trabalho. Algumas acham interessantes, mas ver isso de novo e de novo… Eu mesmo até me sinto mal a respeito, mas assim que as coisas começam a sair, não consigo parar”. Um lançamento fabuloso e obrigatório na coleção de qualquer fã de quadrinhos.

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O Livro dos Santos1“O Livro dos Santos” (368 páginas), do poderoso chefão da Veneta, Rogério de Campos, se tornou minha leitura preferida do final de 2013. Enquanto cristãos do mundo inteiro se reuniam para festejar sua mitologia repleta de contos fantásticos, milagres duvidosos e lenga-lenga pseudo moralista, eu me divertia com essa incrível seleção histórica de barbaridades inacreditavelmente absurdas perpetuadas por cristãos em todos os períodos de sua, ainda, curta história. Neste livro ficamos por dentro do pensamento cristão sobre mulheres (que os santos católicos consideram seres perversos), milagres criados pela igreja, virtudes dos machos, guerras cristãs para conquistar e subjugar outros povos, justiça cristã (que é extremamente vingativa, principalmente se você for pobre), as delícias das dores e do sofrimento e o medo que os santos possuíam das mulheres, à quem eles claramente não entendiam. Sério, se você é cristão, você precisa ler este livro. Um exemplo da bondade cristã: “O Languedoc, no sudoeste da França, era, no século XII e XIII, uma região próspera, relativamente tranquila e com uma cultura muito viva. O nível de igualdade entre homens e mulheres era mais alto que no resto da cristandade. E os troubadours e as trobairitz, com suas canções, satirizavam as autoridades políticas e religiosas, mas principalmente enalteciam o “amor fino” e o “amor cortês”. Foi lá que se inventou a palavra “romance” para descrever histórias populares de amor. Mas não foi isso o que irritou São Domingos de Gusmão quando ele chegou para uma inspeção, em 1203. O que lhe pareceu intolerável foi que o Languedoc era talvez o lugar mais tolerante do mundo cristão da época. Não só os cristãos em geral, mas até mesmo alguns padres conviviam em paz com judeus e, pior, com os hereges Cátaros, que eram pacíficos, vegetarianos e prestativos, e seus líderes cumpriam rigorosamente o voto  de pobreza e castidade. Isso em uma época em que os representantes da igreja Católica faziam questão de exibir seu poder e riqueza. O piedoso Inocêncio III não teve outra saída a não ser convocar uma cruzada contra o Languedoc. Foram mortas 20 mil pessoas, sem distinção de posição social, sexo ou idade. E, quando finalmente o Languedoc foi derrotado pelo poderio militar, veio a Inquisição com seus julgamentos, que mandaram uma boa parte dos sobreviventes para a fogueira”. Impossível se identificar com uma religião tão imbecil (aliás, qualquer religião é fruto da imbecilidade humana), primeiro sintoma da burrice crônica é quando você acha que a sociedade em que você vive é dona da verdade universal (aliás, a verdade universal está no mesmo patamar de deus, ou seja, não existe).

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Memorias de uma beatnik“Memórias de uma Beatnik” (215 páginas) de Diane di Prima é uma rara oportunidade de ler um romance beatnik narrado por uma mulher que viveu a boemia de New York dos anos de 1950 e 1960, frequentadora de clubes de jazz, cafés literários de poetas marginalizados e adepta do sexo livre. Diane di Prima nasceu em 06 de agosto de 1934 (ela ainda é viva) em berço de ouro, explico, seu avô materno foi militante anarquista, amigo de Emma Goldman, e ser educada por um anarquista vale muito mais do que todo o dinheiro do mundo. Ainda criança começou a escrever poesias e adolescente trocou correspondência com Ezra Pound e Kenneth Patchen (que a exemplo de Pound, também era poeta, só que muito mais experimental). Nos anos 50 foi para Manhattan onde tomou contato com o movimento beat. Em 1961 criou, com LeRoi Jones, a revista “Floating Bear” que publicou muita poesia transgressora, chegando a ser presa pelo FBI com acusações de obscenidade. Em 1969 escreveu este “Memórias de uma Beatnik”, um poderoso relato erótico que tem como base suas experiências com o movimento beatnik, contendo inúmeras passagens de sexo explícito falando, principalmente, do prazer feminino com as delícias do sexo sem culpa. Fãs de William Burroughs, Jack Kerouac, Allen Ginsberg e Timothy Leary irão adorar.

Diane di Prima

Diane di Prima

Stieg Larsson antes de Millennium“Stieg Larsson Antes de Millennium” (60 páginas) é uma HQ de Guillaume Lebeau e Frédéric Rébéna e conta, de maneira fragmentada, alguns episódios da vida do autor Stieg Larsson (1954-2004) que se tornou conhecido com sua trilogia de livros “Millennium” (que viraram filmes suecos que, depois, foram devidamente ruminados por Hollywood em refilmagens toscas). A HQ mostra três situações envolvendo Larsson, mas devido as poucas páginas nunca chega a empolgar e desemboca em lugar nenhum. O grande feito de Larsson em vida foi combater os fascistas em sua terra natal, a branquela Suécia, mas não há nada de especial nisso já que combater fascistas e nazistas é um dever de todos.

Enfim, longa vida a Editora Veneta que, nos moldes da finada Conrad Editora, vem com a sempre bem-vinda vontade de incomodar os acomodados.

dicas de Petter Baiestorf.