Arquivo para urtiga

Vogais Vulgares

Posted in Arte e Cultura, Literatura with tags , , , , , on junho 6, 2012 by canibuk

Antevendo a alvorada, admiro archotes ardentes alumiando arcadas antigas, antecâmaras arqueológicas. Anfiteatro aonde ambiciosos atores-arlequins anêmicos atuam aritméticamente arrojados, aspirando ascender à amplitudes artísticas. Assisto atenciosamente alguém atarefado administrando alopéias alucinóginas à alguns anciões angustiados. Acadêmicos abastados achincalhando alunos analfabetos, apunhalando andarilhos andrajosos. Arquibancadas acomodadas aplaudindo automóveis atropelando assalariados asmáticos. Arcebispos atléticos açoitando altruístas autênticos, aniquilando atitudes avessas à avareza aristocrática ancestral. Adolecentes atônitos adorando arcanos arcaicos, amuletos alquímicos, altares absurdos, anjos ardilosos. Autênticas armadilhas autoritárias arquitetadas antigamente ansiando atrasar ações anarquistas. Asfixiante alienação… Ah! Ah! Ah!… Alegrias artificiais ameaçadoras, Assombrosas alucinações apoteóticamente apocalípticas.

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Esquifes equilibristas… Espelhos enlouquecidos em ebulição… Epitáfeos etéreos entalhados em ébano… Escrevo estas esquisitices esperando esquece-la, enquanto elaboro equações estúpidas, elementos efêmeros, embustes ébrios.

Estou excitado, esgotado, efervecente, esquecido e esfomeado.

Entardece…

Estanco esta enxurrada experimental egocêntrica enxergando espirais explosivas, engrenagens esdrúxulas, esferas elementais esfarelando-se e escadarias estelares eqüidistantes…

Elucido este enigma: Esta erva estrangeira era excelente…

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Isolado iniciei incontáveis indagações interiores.

Implacavelmente interpretei-me:

Incontrolavelmente impreciso, indigesto, incômodo, imaturo,

indiferente, incivilizado, incoerente, indefeso, infeliz.

Ideológicamente incrédulo, indignado, incendiário, impaciente,

impulsivo, incompatível, indiciplinado, inflexível, independente.

Intelectualmente ignorante, iletrado, ignóbil, inocente.

Industrialmente improdutível, imprestável, inapto, imprudente.

Indefensivelmente impopular, impontual, ilegal, impotente.

Impossivelmente imparcial, impassível, infalível, inponente!

Imperfeições indiscretas!

Interrompi-me, indignado inventei invólucros invisíveis,

insônias infinitas, intimidades irreais…

Internei-me… Inacessível… Incomunicável…

Infinita ironia imutável…

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Ontem observei o orvalho outonal

ostentando organismos obtusos.

Obeliscos ofuscantes obstruíam o

oceano.

Odores odiosos originavam oxigênio ordinário,

orquídeas ofegantes.

óbitos.

Ouvi obscenidades:

Orgãos opressores, oficiais orgulhosos,

obuses, ogivas.

Ortodoxias onipresentes ornamentavam o oratório

ocidental opulento,

oportunamente ocioso.

O obreiro onisciente,

obscura obra ocasionando o ômega, o ocaso…

O opositor onírico,

Otimista? Obstinado? Ousado?

Obra-prima obscurantista:

Obstáculo obliterado

Obviamente oculto,

obedientemente omisso,

objetivamente obsoleto.

Ocasionais obsessões outorais…

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Urbe: uma úlcera uterina umbilicalmente usufruída…

Uniformes urbanos, umbrais ufanistas, usinas urgentes!

Uivo ultrajado!

Uísque: ungüento único…

Urro!… Utilizando umas últimas utopias universais ultrapassadas.

Poesia de Coffin Souza (para “Urtiga”, folheto poético editado por Elio Copini e Petter Baiestorf, 2004-2005).

Leia mais textos de Coffin Souza clicando em “O Evangelista de Sodoma“, “Cultura: Vide Bula” e “Poesias de Coffin Souza“.

O poeta Coffin Souza.

Cultura: Vide Bula

Posted in Anarquismo, Arte e Cultura, Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on maio 6, 2012 by canibuk

CULTURA

Uso Geral.

COMPOSIÇÃO:

Cada dose de Cultura pode conter:

Leituras Diversas e Instigantes………………………………………..500mg

Música, Cinema, Vídeo, Teatro, Folclore, Artes em geral………250mg

Excipientes: Criatividade, Informação, Dúvidas, Pesquisas, Ceticismo, Auto-Crítica, Subversão, Contestação, Conversas Produtivas e Diversão.

INFORMAÇÕES AO PACIENTE:

Cultura é uma formulação antiemburrecedora, antiidiótica e analgésica para uso geral e indiscriminado, a eficácia da terapêutica depende da regularidade do uso e dosagens do medicamento.

CUIDADOS DE ARMAZENAGEM:

Conserve o produto em local público e de fácil acesso, evitando no entanto sua manipulação pelos poderes constituídos, capital exploratório, organismos religiosos e militares. Somente o calor das idéias não é excessivo.

PRAZO DE VALIDADE:

Não existe prazo de validade para Cultura.

REAÇÕES ADVERSAS:

De um modo geral, Cultura é muito bem absorvido e tolerado e as reações são leves não representando problemas. As mais comumente observadas são: Insatisfação, Isolamento, Febre de Idéias, Hiperatividade Intelectual, Anticonvencionalismo, Transgressão, Anarquismo e Humor Mordaz.

ESTE MEDICAMENTO DEVE SER MANTIDO AO ALCANCE DAS CRIANÇAS.

Cultura é indicado para: Tratamento dos sinais e sintomas da burreortrite e idiotite mongolóide; alívio da dor aguda da falta de criatividade; alívio dos sintomas de incompetência intelectualóide; também indicado na redução do ócio mental, preguiça cerebral e danos causados pela falta de leituras e informações precoces. Combate também com resultados satisfatórios a infobatização internetal aguda.

POSOLOGIA:

Adultos – Para burrice aguda e idiotice encefálica, altas doses de Cultura devem ser adaptadas para cada paciente. Estas doses podem ser administradas independentemente dos horários das refeições, lazer, sono e sexo.

Idosos – Não há necessidade de ajuste das doses.

Uso Pediátrico – É recomendada boa dose de Cultura em indivíduos abaixo de 18 anos de idade, que será bem absorvida quando empregada concomitantemente com diversão e bom humor.

SUPERDOSAGEM:

Os pacientes devem ser tratados com doses de distração, passeios aleatórios, conversas irresponsáveis, brincadeiras desopilantes e sexo puro, descomprometido e radical.

SIGA CORRETAMENTE O MODO DE USAR; OCORRENDO REAÇÕES ADVERSAS IMPREVISÍVEIS, OS AMIGOS DEVEM SER NOTIFICADOS.

NÃO DESAPARECENDO OS SINTOMAS, PROCURE ORIENTAÇÃO SOBRE EUTANÁSIA.

Dr. Coffin Souza (Farmacêutico responsável – CRF-SC 5010).

2004, para Urtiga.

Iluminados Libertos

Posted in Nossa Arte with tags , , on outubro 30, 2010 by canibuk

Um sonhador qualquer toca a lua

dos pequenos lábios

lubrificados

da rainha Caos.

Ela,

por sua vez,

banha com sua luz

os iluminados ranzinzas

que uivam animalescamente

para o nada supremo

libertos

do computador

com

vagina pingante

de líquidos cheirosos

com dentes mecânicos

de prazer agonizante

querido

por todos os escravos

do tédio absoluto,

tão magnânimo tédio

e realmente absoluto.

escrito por Petter Baiestorf (publicado originalmente do folheto poético “Urtiga número 11” (junho de 2005).