Arquivo para vila velha

Viradão de Cinema Fantástico no Festival de Cinema de Vitória

Posted in Arte e Cultura with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 11, 2016 by canibuk

O cinema fantástico nacional está na moda e está ganhando visibilidade em inúmeras mostras de cinema que não tem tradição na exibição de produções neste gênero. Em 2014 já havia ganho a “Mostra Bendita” na Mostra de Cinema de Tiradentes com a exibição do longa “As Fábulas Negras” de José Mojica Marins, Rodrigo Aragão, Joel Caetano e Petter Baiestorf e a produção “Noite” de Paula Gaitán. Leia a história do Cinema Fantástico Brasileiro aqui no Canibuk.

Agora é a vez do Festival de Cinema de Vitória incluir em sua programação uma pequena mostra, intitulada “Viradão Novo Cinema de Horror“, na sua programação, atestando que finalmente os grandes festivais de cinema estão percebendo que o Cinema Fantástico brasileiro tem um grande apelo junto ao público.

No dia 19 de novembro, um sábado, com início à 01 hora da madrugada no Teatro Carlos Gomes, com previsão de acabar somente às 07 da manhã do mesmo sábado, o viradão promete uma divertida noitada aos cinéfilos que se aventurarem pelos domínios do gênero fantástico brasileiro. Acompanhe as novidades do Festival pelo site oficial: http://festivaldevitoria.com.br/23fv/

Os seguintes filmes estão programados no Viradão:

“13 Histórias Estranhas” (Ficção, 90′, SC, 2015), de Fernando Mantelli, Ricardo Ghiorzi, Cláudia Borba, Petter Baiestorf, Marcio Toson, Cesar Coffin Souza, Rafael Duarte, Taísa Ennes Marques, Gustavo Fogaça, Renato Souza, Leo Dias de los Muertos, Paulo Biscaia Filho, Felipe M. Guerra, Filipe Ferreira, Cristian Verardi. Filme coletânea. São 13 histórias curtas, onde o numeral é a base do roteiro.
13-estorias-estranhas
“A Casa de Cecília” (Ficção, 102′, RJ, 2015), de Clarissa Alpett. Cecília tem 14 anos e está sozinha em casa há duas semanas. Após dias intercalados de solidão e euforia, Lorena, uma adolescente misteriosa, surge em sua casa. Apesar da nova companhia, a casa parece ficar cada vez mais vazia e os eventos, cada vez mais peculiares.
a-casa-de-cecilia
“Encontro Às Cegas” (Ficção, 10′, RJ, 2016), de Isabela Costa. Quando um vampiro cego, em pleno 2016, atrai suas vítimas por meio de aplicativos de celular, uma surpreendente chegada muda o rumo da noite.
encontro-as-cegas
“O Diabo Mora Aqui” (Ficção, 80′, SP, 2015), de Dante Vescio e Rodrigo Gasparini. Jovens numa casa assombrada.
o-diabo-mora-aqui
“O Duplo” (Ficção, 25′, SP, 2012), de Juliana Rojas. Silvia é uma jovem professora em uma escola de ensino fundamental.  Certo dia, sua aula é interrompida quando um dos alunos vê um duplo da professora andando no outro lado da rua. Silvia tenta ignorar a aparição, mas este evento perturbador passa a impregnar seu cotidiano e alterar sua personalidade.
o-duplo
“O Segredo da Família Urso” (Ficção, 20′ SC, 2014), de Cíntia Domitt Bittar. 1970, ditadura militar brasileira. Geórgia, uma menina de 8 anos, é proibida de entrar no porão de sua casa, onde costumava brincar. Longe dos olhos dos pais e da velha babá, Geórgia encontra a porta destrancada: há alguém lá dentro.
o-segredo-da-familia-urso
Quem estiver em Vitória/ES nesta data, fica aqui a dica para aproveitar o viradão. O fantástico brasileiro é o gênero cinematográfico nacional que mais tem conseguido, por conta própria, espaço em importantes festivais pelo mundo. “Zombio 2” (Petter Baiestorf), “Mar Negro” (Rodrigo Aragão), “Cabrito” (Luciano de Azevedo), “Encosto” (Joel Caetano), “Bom Dia, Carlos!” (Gurcius Gewdner), “FantastiCozzi” (Felipe M. Guerra), “Nervo Craniano Zero” (Paulo Biscaia) são apenas alguns dos filmes brasileiros que tem sido exibidos em vários festivais importantes do gênero fantástico por todas as partes do mundo. E é muito bom ver o gênero sendo reconhecido, também, em festivais de cinema brasileiro.
Bom Viradão à todos e obrigado por prestigiarem o cinema fantástico nacional!
Assista o documentário que o Canal Brasil produziu sobre o cinema fantástico brasileiro:
https://www.youtube.com/watch?v=XiSl3sb0MTY

 

 

O Doce Avanço da Faca foi Exibido Sem Censura em Vila Velha/ES

Posted in Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 14, 2011 by canibuk

Dia 27 de julho foi exibido em Vila Velha/ES, numa sessão organizada pelo Cine Clube Central, meus dois últimos filmes: “Ninguém Deve Morrer” (2009) e “O Doce Avanço da Faca” (2010).

Resolvi fazer este post porque um dia antes da exibição fiz um post aqui no blog onde eu falava sobre a escolha deles de não exibir “O Doce Avanço da Faca”, fato que acabou NÃO ocorrendo, o filme foi exibido SEM CORTES para os espectadores adultos. Todos os leitores do blog e pessoal da imprensa só noticiou a censura, mas ninguém, depois, se interessou em noticiar que o filme foi exibido sem cortes pelo Cine Clube Central, então aproveito o espaço aqui no Canibuk para desfazer esse mal entendido todo. O Cine Clube Central, em decisão acertada, resolveu exibir o filme sem cortes como inicialmente programado.

Junto da exibição dos filmes foi distribuído um zine/cartaz do evento com uma entrevista minha, aproveito a postagem desta errata (“O Doce Avanço do Faca” NÃO  foi censurado em Vila Velha/ES) para disponibilizar aqui a entrevista na íntegra (que por falta de espaço físico, foi publicado apenas uma parte dela no zine do Cine Clube Central). A entrevista foi realizada pelo organizador da sessão, Ariel Fonseca Lacruz.

Ariel Fonseca Lacruz: O que é o manifesto canibal e a estética Kanibaru Sinema?

Petter Baiestorf: Kanibaru Sinema não pretende ser uma escola estética, nem um movimento, muito menos um amontoado de regras que as pessoas devem seguir. Kanibaru Sinema (que pode ser usado qualquer outro nome) é uma pequena mostra que é possível fazer seus filmes, seus fanzines, suas músicas como o que você tem em mãos! E depois de feito é possível largar suas produções por aí para que as pessoas assistam elas e o debate está criado! O Kanibaru Sinema é uma declaração de guerra dos que nada tem e tudo fazem contra os que tudo tem e nada fazem! Só isso!

Ariel: O que te motiva a fazer filmes?

Baiestorf: Sou hiper ativo, tenho que estar sempre fazendo alguma coisa! E fazer filmes é sempre uma aventura, nenhuma produção é igual a outra! Quando vejo os noticiários de jornais e TV tenho idéia prá filmes o tempo todo, gosto de fazer filmes sobre padres, políticos, militares e vários outros tipos de caras que usam seus empregos prá tirar proveito próprio! Mesmo fazendo filmes exagerados, eles sempre tem um fundo crítico com relação à algum assunto social, religioso ou ideológico, não creio que dá prá abrir mão disso! Claro que como filmo rápido, geralmente filmo um média-metragem em apenas 5 dias, nem sempre consigo aprofundar essas críticas nos roteiros, mas sempre tento fazer isso! Outra coisa que me motiva a continuar fazendo filmes é a possibilidade infinita de narrativas que o cinema permite explorar, por isso tenho tantos filmes surreais, absurdos, que discutem as possibilidade do cinema como instrumento de transformação, como, por exemplo, o longa-metragem “A Curtição do Avacalho”, que fiz em 2006, ou uma série de filmes metalingüísticos que fiz, com destaque aos títulos “Não há Encenação Hoje” (2002), “Palhaço Triste” (2005), “Que Buceta do Caralho, Pobre só se Fode!!!” (2007), “Vadias do Sexo Sangrento” (2008) e “Ninguém deve Morrer” (2009) que são pertencente à uma série que estou fazendo e que discute as possibilidades narrativas e estéticas do cinema.

Ariel: Quem é a “classe média”?

Baiestorf: Todos os escolarizados, que sabem interpretar um texto, sabem que é possível melhorar nosso país, mas ficam sentados na frente da TV vegetando e sonhando em ir gastar seu dinheirinho de bosta nos USA ou na Europa!

Ariel: Filmes indigestos têm mercado? Como rola a distribuição e os circuitos de exibição?

Baiestorf: Tem muito espaço, pessoal curte prá caralho! Quem produz este tipo de filme sabe que há muita gente cansada dessas mega-produções dos grandes estúdios onde tudo é tão perfeitinho que soa falso demais! A vida não é perfeita, o humano não é perfeito! Muita gente se identifica com meus filmes imperfeitos!

Ariel: Desde o primeiro filme já se passaram dezoito anos e de lá pra cá você se tornou um ícone do cinema grind. Porém o ídolo é algo incompatível com o pensamento anárquico. Como é a sua relação com os fãs?

Baiestorf: Em 2012 a Canibal Filmes vai completar 20 anos. Abri a Canibal Filmes em 1992, passei boa parte daquele ano filmando um longa chamado “Lixo Cerebral de Outro Espaço” que não consegui finalizar por uma série de fatores. Já estou começando a preparar a Pré-produção de um novo longa-metragem em homenagem aos nossos 20 anos, vai ser sangrento, delirante, crítico, debochado e tudo que o pessoal que acompanha a Canibal Filmes nestes 20 anos curte, vai ser um presente ao pessoal que gosta de nossos filmes, com pênis pulsantes balançando na frente da câmera, vaginas apetitosas, com personagens escrotas, com violência exagerada e etc… Esse negócio de ídolo é coisa que as pessoas criam, eu sou apenas um cara que fica fazendo o que tem vontade! Quando estou em mostras converso com todo mundo de igual prá igual, aliás, tenho pavor de puxa saco, gosto de conversar de igual prá igual. Faço filmes toscos, não há menor possibilidade de eu me achar superior aos outros fazendo filmes vagabundos, nem faz parte do meu perfil isso!

Ariel: No seu processo de criação, a trilha sonora é fundamental. Fale sobre a relação da música com seus filmes.

Baiestorf: Antes de escrever um filme eu gosto de saber que sons vou usar na trilha sonora. As vezes não é possível ter a trilha sonora antes de escrever o roteiro, então procuro algumas bandas/sons na linha do que tenho em mente e filmo usando algo similar e aí, antes de editar o filme, tento achar os sons que se encaixem no clima que quero passar com cada cena. Prá mim a trilha sonora é 50% do filme, sem música eu não saberia fazer nenhum filme, não sei fazer filme sem som! Já fiz 2 musicais, “Caquinha Superstar a Go-Go” (1996, que é ruim demais) e “Ninguém deve Morrer” (2009) e pretendo fazer vários outros musicais na medida do possível, eu simplesmente adoro fazer musicais. Mas tem uma coisa, não curto fazer vídeo-clips, os que fiz foram prá bandas de amigos, vivo recusando ofertas prá dirigir clips porque simplesmente não gosto do formato, meu negócio é com filmes musicais escritos por mim, musical misturado ao gore permite a mente ir ao extremo dos delírios na narrativa e visual de um filme, gosto disso!!!

Ariel: O que rola nos bastidores?

Baiestorf: Gurizada vê aquele monte de atrizes peladas nos meus filmes, aquelas cenas de putaria e acha que as filmagens são umas festas, mas é justamente ao contrário. Como filmo rápido e tentando baratear a produção de todas as maneiras possíveis, sou extremamente centrado no que estou fazendo e exijo comprometimento completo com o filme de quem está trabalhando nele. Não gosto de gente conversando bobagens no set de filmagens, não gosto de gente bebendo ou chapando durante o trabalho. As filmagens são maçantes e cansativas, não é lugar prá bobo alegre punheteiro, por exemplo!

Ariel: O que acha de filmes de terror?

Baiestorf: Olha só, não gosto de filmes de horror! Vejo os filmes, vejo praticamente tudo que sai, mas dificilmente eu gosto de algo. Gosto mais de cinema autoral, estilo George Kuchar, Jack Smith, Dusan Makavejev, Alexando Jodorowsky, Koji Wakamatsu, Christoph Schlingensief, John Waters, Russ Meyer, entre outros desta linhagem! Cinema de horror é sempre conservador, quadradinho e são poucos os filmes com algo à dizer!

Ariel: Quais os cineastas mais te perturbaram, e por que?

Baiestorf: Desculpe-me, mas nenhum cineasta me perturba. Cinema é apenas um negócio, é como construir muros de pedra ou pontes de madeira! Tu faz e as outras pessoas usam!

Ariel: Comente o doce avanço da faca:

Baiestorf: “O Doce Avanço da Faca” é meu último filme, fiz ele em 2010 e por um pequeno probleminha de distribuição continua inédito, coisa que pretendo resolver em breve. É um média-metragem sobre fanáticos religiosos perseguindo pessoas que não compartilham dos mesmos ideais que eles. Escrevi este roteiro em uns dois dias, chamei meus colaboradores habituais e filmei em apenas cinco dias com orçamento extremamente baixo, custo final dele ficou pouco mais de mil reais! Tem encontrado seu público em exibições em cine clubes, mostras e festivais, pessoal têm discutido ele, mas é claro, tendo em mente que “O Doce Avanço da Faca” é um filme debochado, exagerado e que em momento nenhum se leva tão à sério assim.