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Robur – Master of the World

Posted in Cinema, Fotonovela with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 9, 2012 by canibuk

“Master of the World” (“Robur – O Conquistador do Mundo”, 1961, 102 min.) de William Witney. Com: Vincent Price, Charles Bronson, Mary Webster e Henry Hull. Roteiro de Richard Matheson, baseado em Jules Verne.

Vi este clássico quando criança na TV Globo, no início dos anos de 1980, e nunca mais consegui revê-lo. Mas é um filme tão divertido que ficou na cabeça até os dias de hoje, 30 anos depois. A história é a seguinte: Capitão Robur (Vincent Price) tem um navio voador e, após uma erupção vulcânica (causada pelo próprio Robur), traz para sua máquina voadora o agente Strock (Charles Bronson), Prudent (Henry Hull), sua filha (Mary Webster) e o noivo desta (David Frankham). Engraçado como nesta época as produções sempre traziam a filha de algum professor, ou doutor, com seu noivo sempre a tira colo. No navio o grupo descobre que Robur pretende usar seu poder militar superior para forçar a paz mundial em todo o globo terrestre, na linha do que queria o alien Klaatu no clássico “The Day The Earth Stood Still/O Dia em Que a Terra Parou” (1951) de Robert Wise. Mas Robur é um fanático religioso e essa gente não tem nada de bom na cabeça, então o agente Strock, que trabalha para o governo americano, fará de tudo para deter o megalomaníaco Robur.

“Master of the World” foi uma tentativa da American International Picture de lucrar em cima do sucesso do filme “Around the World in 80 Days/Volta ao Mundo em 80 Dias” (1956) de Michael Anderson, também baseado na literatura de Jules Verne. Assim a A.I.P. pediu para o roteirista Richard Matheson uma aventura apartir dos romances “Robur-le-Conquérant/Robur the Conqueror/Robur, O Conquistador” (1986) e sua continuação “Maître du Monde/Master of the World/Mestre do Mundo” (1904). Com William Witney (1915-2002) no comando da produção, “Master of The World” ganhou em qualidade técnica. Witney foi o responsável por mais de 140 realizações para cinema e televisão. Dirigiu vários filmes do Zorro no início de sua carreira. Em 1940 dirigiu “Drums of Fu Manchu/Os Tambores de Fu Manchu” e “Mysterious Doctor Satan”, onde apresentava mais um cientista maluco que queria dominar o mundo. Em 1956 comandou seis episódios da série de TV “The Adventures of Dr. Fu Manchu”. Em 1964 dirigiu o episódio “Final Escape” da série “The Alfred Hitchcock Hour” onde, com roteiro de John Resko baseado em história de Randall Hood, contava a macabra tentativa de fuga de um presidiário e trazia um final digno das melhores HQs da E.C. Comics. No ano seguinte dirigiu “The Girls on the Beach”, sobre as garotas da alpha beta na praia, numa clara tentativa de lucrar com o sucesso dos filmes de praia da A.I.P. estrelados pelo casal Frankie Avalon e Annette Funicello. Na década de 1960 seus filmes de 20 anos antes foram re-editados e re-lançados com novos títulos para exibição na TV americana, como “Mysterious Doctor Satan” que passou a se chamar “Dr. Satan’s Robot”. Em 1982 dirigiu seu último filme, “Showdown at Eagle Gap”, um western que foi ambientado pós guerra civil americana.

Em “Master of the World” a parceria Price-Bronson está genial, à exemplo do clássico “House of Wax/Museu de Cera” (1953) de André De Toth. Infelizmente o filme foi lançado no Brasil apenas em cinemas e televisão, com as distribuidoras de filmes em VHS/DVD/Blu-Ray ignorando-o por completo. Como curiosidade: Em 1964 a editora Ediex lançou uma versão do filme em fotonovela como o título de “O Dono do Mundo” na “Cosmos Aventuras” número 18. Digitalizei todas as páginas desta pequena raridade e publico aqui no Canibuk.

por Petter Baiestorf.

Leia aqui a fotonovela de “Master of the World”:

Nos Domínios do Amor Perverso

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 5, 2012 by canibuk

“Twice-Told Tales” (“Nos Domínios do Terror”, 1963, 120 min.) de Sidney Salkow. Com: Vincent Price, Joyce Taylor, Sebastian Cabot e Beverly Garland.

Este filme deveria se chamar “Nos Domínios do Amor Perverso”. Com três histórias baseadas em contos do escritor Nathaniel Hawthorne, “Twice-Told Tales” é um filme em episódios que explora o sadismo do amor relacionando-o ao macabro e a ciência. Roteirizado e produzido por Robert E. Kent, somos introduzidos no universo amoroso-tétrico de Hawthorne. No primeiro segmento, intitulado “A Experiência do Dr. Heidigger”, somos apresentados a dois amigos idosos que estão bebendo e relembrando o passado enquanto uma pesada tempestade castiga a noite. Ao fim da tempestade eles percebem que a tumba onde está enterrada Sylvia há 30 anos está aberta e resolvem ir lá ver se a tempestade não causou danos. Assim os dois velhos amigos descobrem que a morta está perfeitamente conservada no caixão e o ex-noivo, agora um renomado médico, desconfia que a água que pinga sobre o cadáver seja o responsável pela conservação do corpo. Após rápidos testes, onde a dupla reanima uma rosa seca, ambos bebem o precioso líquido coletado na tumba e voltam a ser jovens. Animados com o líquido milagroso, injetam no corpo da defunta que volta a vida revelando detalhes sórdidos, macabros e sujos de um triângulo amoroso mortal.

No segundo segmento, “A Filha de Rappaccini”, um pai mantém sua filha prisioneira em seu jardim, até o dia em que um jovem vizinho da casa ao lado se apaixona pela moça e descobre que ela foi vítima de experimentos de seu pai, um renomado cientista que no passado foi traído pela esposa libidinosa, e que transformou sua bela filha numa criatura radioativa que não pode encostar em nada vivo sem matá-lo horrivelmente queimado. Perdidamente apaixonado pela mortal beldade o vizinho tenta de tudo para salvar sua amada da loucura paterna (seu pai fez o que fez para evitar que a filha seguisse os passos pecadores da mãe). Ludibriado pelo cientista o jovem apaixonado é transformado em uma criatura radioativa tal como sua amada (assim nenhum dos jovens poderia trair o parceiro com relacionamentos extra-casamento) e um final explosivo, nos moldes de “Romeu e Julieta” só que mais atômico, acontece na melhor história do longa.

O terceiro segmento, e mais fracos, é “A Casa dos Sete Telhados”, sobre um picareta que volta à casa assombrada de sua família em busca de um cofre maldito que teria o dinheiro necessário para ele pagar suas dívidas de jogo. Sua esposa, que nada sabe, parece ser a resposta para a assombração que persegue aquela maldita casa à gerações. Aos poucos o expectador fica sabendo detalhes da história de amor por traz da maldição da casa dos sete telhados e de como a família do viciado em jogos conseguiu ficar com a casa (através de denúncias de bruxaria, onde o patriarca da família teria “roubado” a propriedade, traçando paralelos com a vida pessoal do escritor Hawthorne). Não sou chegado em historinhas espíritas de fantasminhas, talvez por isso eu não tenha curtido tanto este episódio final.

Vincent Price faz o papel principal (e a narração) em todos os episódios e nos lega interpretações fantásticas, se revelando em grande forma. Filmado no início dos anos de 1960, “Twice-Told Tales” tem aquele climão gótico dos filmes que Roger Corman fez baseado em contos de Edgar Allan Poe para a AIP, e assim como todos estes filmes de Corman, “Twice-Told Tales” faz excelente uso dos cenários belíssimos que são explorados de maneira bem criativa (cada episódio se passa num único cenário), aliados aos efeitos especiais, atuações, roteiro e figurinos que funcionam de modo colaborativo para que o filme seja uma grande diversão macabra do mais alto nível. O título de trabalho do filme foi “The Corpse Makers”, depois alterado para “Twice-Told Tales”, título de um livro coletânea de contos de Hawthorne (que trazia em suas páginas apenas o conto “A Experiência do Dr. Heidigger”). Nos USA o filme foi lançado em um DVD double feature com o clássico “Tales of Terror” (1962) de Roger Corman, verdadeiro objeto de orgasmo aos fãs fanáticos de Vincent Price.

Nathaniel Hawthorne (1804-1864) foi um romancista/contista descendente de John Hathorne (sem o “w”), único juiz envolvido nos julgamentos das bruxas de Salem que nunca se arrependeu de suas ações. Bom material para o escritor Hawthorne, que acrescentou o “w” em seu nome a fim de ocultar essa relação. Seu livro mais famoso, “The Scarlet Letter/A Letra Escarlate” foi publicado em 1850 depois de alguns livros que não fizeram sucesso. “A Letra Escarlate” foi um dos primeiros livros produzidos em massa nos USA e, nos primeiros dez dias após o lançamento, vendeu mais de 2500 cópias. O sucesso deu estabilidade à carreira de escritor e Hawthorne pode se dedicar a literatura, lançando na seqüência os livros “The House of the Seven Gables/A Casa dos Sete Telhados” (1851), que serviu de inspiração para o terceiro segmento de “Twice-Told Tales”, e “The Blithedale Romance” (1852), além de livros coletâneas de contos. No início da Guerra Civil Americana conheceu Abraham Lincoln e usou essas experiências políticas para compor o ensaio “Principalmente Sobre Assuntos da Guerra”, publicado em 1862. “Twice-Told Tales”, que empresta seu nome para este filme, foi lançado em 1837. Hawthorne faleceu enquanto dormia em 1864.

O diretor Sidney Salkow (1909-1998) dirigiu mais de 70 filmes e era pau prá toda obra, bem ao estilo dos diretores clássicos de Hollywood. Durante a Segunda Guerra Mundial Salkow chegou ao posto de major na marinha americana e assim que deu baixa do exército voltou a trabalhar como diretor, alternando filmes B com séries de TV. Seu primeiro filme foi o suspense “Four Days’ Wonder” (1936), seguido de vários outros filmes sem grande importância. Em 1952 chamou atenção com sua direção no filme “The Golden Hawk”, aventura estrelada por Sterling Hayden, e em 1954 dirigiu o ótimo western “Sitting Bull/Touro Sentado”. Depois de trabalhar em muitas séries de TV (coisas como “Lassie”, “Maverick” e “77 Sunset Strip”), foi contratado para dirigir “Twice-Told Tales”, um de seus melhores trabalhos. Ficou amigo de Vincent Price e o co-dirigiu novamente, em parceria com Ubaldo Ragona, no clássico “The Last Man on Earth/Mortos que Andam” (1964), com base no livro “I Am Legend” de Richard Matheson (embora o nome de Sidney Salkow não apareça creditado nas versões em italiano do filme). Depois destes dois grandes filmes do cinema fantástico Salkow realizou mais alguns westerns e se aposentou com apenas 59 anos e passou a viver de cursos de cinema que ministrava em faculdades da California.

O produtor e roteirista Robert E. Kent começou trabalhando para o lendário Sam Katzman na Columbia Pictures, até que formou, em parceria com Audie Murphy, a Admiral Productions e passou a produzir seus próprios filmes. Kent produziu alguns clássicos do horror e sci-fi como “It! The Terror from Beyonf Space” (1958), que mostrava uma expedição a Marte que era atacada por uma estranha forma de vida; “Curse of The Faceless Man” (1958), sobre uma curiosa maldição de um monstro de pedra; “Invisible Invaders” (1959), sobre aliens reanimando mortos humanos; “Beauty and the Beast” (1962), inspirado em “A Bela e a Fera”, este quatro filmes dirigidos por Edward L. Cahn, verdadeiro especialista em criar bons filmes de baixo orçamento; “Jack the Giant Killer/Jack – O Matador de Gigantes” (1962) de Nathan Juran, fantasia envolvendo dragões e princesas; “Diary of a Madman” (1963) de Reginald Le Borg, horror inspirado em história de Guy de Maupassant e estrelado por Vincent Price. Seu último filme foi “The Christine Jorgensen Story” (1970) de Irving Rapper, drama que contava a história de troca de sexo de Jorgensen (para quem não lembra, Christine Jorgensen foi a inspiração para Ed Wood escrever, produzir, dirigir e atuar em “Glen or Glenda?“).

“Twice-Told Tales” foi lançado em DVD no Brasil com o título “Nos Domínios do Terror” pela distribuidora Flashstar, a qualidade de imagem está ótima.

por Petter Baiestorf.

Veja “Twice-Told Tales” aqui:

O Corvo

Posted in Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on agosto 26, 2012 by canibuk

Foi uma vez: eu refletia, à meia-noite êrma e sombria,

a ler doutrinas de outro tempo em curiosíssimos manuais,

e, exausto, quase adormecido, ouvi de súbito um ruído,

tal qual se houvesse alguém batido à minha porta, devagar.

“É alguém” – fiquei a murmurar – “que bate à porta, devagar;

sim, é só isso e nada mais.”

.

Ah! Claramente eu o relembro! Era no gélido dezembro

e o fogo, agônico, animava o chão de sombras fantasmais.

Ansiando ver a noite finda, em vão, a ler, buscava ainda

algum remédio à amarga, infinda, atroz saudade de Lenora

– essa, mais bela do que a aurora, a quem nos céus chamam Lenora

e nome aqui já não tem mais.

.

A sêda rubra da cortina arfava em lúgubre surdina,

arrepiando-me e evocando ignotos medos sepulcrais.

De susto, em pávida arritmia, o coração veloz batia

e a sossegá-lo eu repetia: “É um visitante e pede abrigo.

Chegando tarde, algum amigo está a bater e pede abrigo.

É apenas isso e nada mais.”

.

Ergui-me após e, calmo enfim, sem hesitar, falei assim:

“Perdoai, senhora, ou meu senhor, se há muito aí fora me esperais;

mas é que estava adormecido e foi tão débil o batido,

que eu mal podia ter ouvido alguém chamar à minha porta,

assim de leve, em hora morta.” Escancarei então a porta:

– escuridão, e nada mais.

.

Sondei a noite êrma e tranqüila, olhei-a fundo, a perquiri-la,

sonhando sonhos que ninguém, ninguém ousou sonhar iguais.

Estarrecido de ânsia e medo, ante o negror imoto e quêdo,

só um nome ouvi (quase em segredo eu o dizia) e foi: “Lenora!”

E o eco, em voz evocadora, o repetiu também: “Lenora!”

Depois, silêncio e nada mais.

.

Com a alma em febre, eu novamente entrei no quarto e, de repente,

mais forte, o ruído recomeça e repercute nos vitrais.

“É na janela” – penso então. “Por que agitar-me de aflição?

Conserva a calma, coração! É na janela, onde, agourento,

o vento sopra. É só do vento esse rumor surdo e agourento.

É o vento só e nada mais”.

.

Abro a janela e eis que, em tumulto, a esvoaçar, penetra um vulto:

– é um Corvo hierático e soberbo, egresso de eras ancestrais.

Como um fidalgo passa, augusto e, sem notar sequer meu susto,

adeja e pousa sobre o busto – uma escultura de Minerva,

bem sobre a porta; e se conserva ali, no busto de Minerva,

empoleirado e nada mais.

.

Ao ver da ave austera e escura a soleníssima figura,

desperta em mim um leve riso, a distrair-me de meus ais.

“Sem crista embora, ó Corvo antigo e singular” – então lhe digo –

“não tens pavor. Fala comigo, alma da noite, espectro tôrvo,

qual é teu nome, ó nobre Corvo, o nome teu no inferno tôrvo!”

E o corvo disse: “Nunca mais”.

.

Maravilhou-me que falasse uma ave rude dessa classe,

misteriosa esfinge negra, a retorquir-me em termos tais;

pois nunca soube de vivente algum, outrora ou rio presente

que igual surpresa experimente: a de encontrar, em sua porta,

uma ave (ou fera, pouco importa, empoleirada em sua porta

e que se chama: “Nunca mais”.

.

Diversa coisa não dizia, ali pousada, a ave sombria,

com a alma inteira a se espelhar naquelas sílabas fatais.

Murmuro, então, vendo-a serena e sem mover uma só pena,

enquanto a mágoa me envenena: “Amigos… sempre vão-se embora.

Como a esperança, ao vir a aurora, ele também há de ir-se embora.”

E disse o Corvo: “Nunca mais”.

.

Vara o silêncio, com tal nexo, essa resposta que, perplexo,

julgo: “É só isso o que ele diz; duas palavras sempre iguais.

Soube-as de um dono a quem tortura uma implacável desventura

e a quem, repleto de amargura, apenas resta um ritornelo

de seu cantar; do morto anelo, um epitáfio: – o ritornelo

de “Nunca, nunca, nunca mais”.

.

Como ainda o Corvo me mudasse em um sorriso a triste face,

girei então numa poltrona, em frente ao busto, à ave, aos umbrais

e, mergulhando no coxim, pus-me a inquirir (pois, para mim,

visava a algum secreto fim) que pretendia o antigo Corvo,

com que intenções, horrendo, tôrvo, esse ominoso e antigo Corvo

grasnava sempre: “Nunca mais”.

.

Sentindo da ave, incandescente, o olhar queimar-me fixamente,

eu me abismava, absorto e mudo, em deduções conjeturais.

Cismava, a fronte reclinada, a descansar, sobre a almofada

dessa poltrona aveludada em que a luz cai suavemente,

dessa poltrona em que Ela, ausente, à luz que cai suavemente,

já não repousa, ah! nunca mais…

.

O ar pareceu-me então mais denso e perfumado, qual se incenso

ali descessem a esparzir turibulários celestiais.

“Misero!” – exclamo – “Enfim teu Deus te dá, mandando os anjos seus

esquecimento, lá dos céus, para as saudades de Lenora.

Sorve o nepentes. Sorve-o, agora! Esquece, olvida essa Lenora!”

E o Corvo disse: “Nunca mais”.

.

“Profeta!” – brado. “O’ ser do mal! Profeta sempre, ave infernal,

que o Tentador lançou do abismo, ou que arrojaram temporais,

de algum naufrágio, a esta maldita e estéril terra, a esta precita

mansão de horror, que o horror habita, – imploro, dize-mo, em verdade:

Existe um bálsamo em Galaad? Imploro! dize-mo, em verdade!”

E o Corvo disse: “Nunca mais”.

.

“Profeta!” – exclamo. “O’ ser do mal! Profeta sempre, ave infernal!

Pelo alto céu, por esse Deus que adoram todos os mortais,

fala se esta alma sob aguante atroz da dor, no Êden distante,

verá a deusa fulgurante a quem nos céus chamam Lenora,

– essa, mais bela do que a aurora, a quem nos céus chamam Lenora!”

E o corvo disse: “Nunca mais!”

.

“Seja isso a nossa despedida!” – ergo-me e grito, alma incendiada.

“Volta de novo à tempestade, aos negros antros infernais!

Nem leve pluma de ti reste aqui, que tal mentira ateste!

Deixa-me só neste êrmo agreste!” Alça teu vôo dessa porta!

Retira a garra que me corta o peito e vai-te dessa porta!

E o Corvo disse: “Nunca mais!”

.

E lá ficou! Hirto, sombrio, ainda hoje o vejo, horas a fio,

sobre o alvo busto de Minerva, inerte, sempre em meus umbrais.

No seu olhar medonho e enorme o anjo do mal, em sonhos, dorme,

e a luz da lâmpada, disforme, atira ao chão a sua sombra.

Nela, que ondula sobre a alfombra, está minha alma; e, presa à sombra,

não há de erguer-se, ai! nunca mais!.

poesia de Edgar Allan Poe.

ilustrações de Prassinos.

tradução de Oscar Mendes e Milton Amado.

As Estrelas de Freaks

Posted in Cinema, Musas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on julho 17, 2012 by canibuk

Hoje em dia é comum ver jovens saudáveis (principalmente via facebook e/ou outras redes sociais) reclamando da vida, cantando para todos, tais como rouxinóis mimados, suas depressões, suas amarguras, tudo prá chamar atenção. A maioria não passa de mancebos mimados por uma geração de pais sem voz ativa que os criou fazendo suas vontades e quando chegam à vida adulta percebem que não são o centro do mundo como sua família os fazia acreditar que eram. Inspirado por essas reclamações de mimadinhos depressivos de facebook resolvi publicar aqui uma pesquisa feita por Borja Crespo (dei uma pequena incrementada em alguns dados) sobre os atores com limitações físicas que trabalharam no filme “Freaks” (1931) de Tod Browning. Estes maravilhosos humanos cheios de problemas físicos não ficaram trancados em seus quartos choramingando, eles sairam e enfrentaram preconceitos, limitações e qualquer outro problema que se apresentava. Com vocês, as estrelas de “Freaks”, muito mais humanos do que muita gente saudável vegetando por aí na frente de alguma TV ou banco de alguma igreja dos dias de hoje!

Schlitze The Pinhead: Sua cabeça é muito pequena. Um crânio humano normal é de 1500 a 1700 centímetros cúbicos, mas alguém com microencefalia tem entre 400 e 1000. Quando realizou “Freaks” tinha aproximadamente 40 anos. Nasceu em Yucatán, México, em 1901. Seu nome real era Simon Metz (mas se apresentou a vida inteira vestido como mulher, mesmo porque vestir vestidos facilitava suas idas aos banheiros). Começou no showbizz como “Maggie, a última azteca” fazendo truques de magia e dançando em shows. Durante as filmagens de “Freaks”, ele gostava de ficar imitando o diretor Browning em tudo que ele fazia, incluíndo seus tons de voz. Era como uma criança pequena que nunca cresceu. Seu papel tem maior duração que as outras “Pinheads” do filme, Elvira e Jenny Lee Snow. Suas palavras na cena do vestido novo são díficeis de entender, mas seus gestos dizem tudo. Também participou de outros filmes, como “The Sideshow” (1928) e “Island of Lost Souls” (1932), ambos de Erle C. Kenton, “Tomorrow’s Children” (1934) de Crane Wilbur e “Meet Boston Blackie” (1941) de Robert Florey. Faleceu em 1971 com 70 anos de idade.

Peter Robinson, o Esqueleto Vivo: Nascido em 1874, falecido em 1947. Foi esqueleto vivo no circo Ringling Brothers durante muitos anos. Se casou com a mulher gorda do circo que pesava seis vezes mais do que ele. Em “Freaks” tem um filho com a mulher barbada e se mostra como um pai orgulhoso de seu rebento. “Freaks”, aparentemente, é seu único filme. Era um especialista em tocar gaitas e se casou com a artista Baby Bunny Smith, que também trabalhava em feiras nas areas rurais dos USA.

Harry e Daisy Earles: Eram irmãos (e tinha ainda mais duas irmãs anãs). Os quatro trabalharam profissionalmente em circos e espetáculos. Harry se chamava, na vida real, Kurt Schneider, nascido em 1902 na Alemanha (faleceu em 1985 na Flórida, USA). Se tornou amigo de Tod Browning quando trabalharam juntos em “The Unholy Three” (1925). Harry apareceu em 13 filmes (7 deles curtas), produções como “That’s My Baby” (1926) de William Beaudine, “Three-Ring Marriage” (1928) de Marshall Neilan, no remake sonoro de “The Unholy Three” (1930), desta vez dirigido por Jack Conway e no clássico “The Wizard of Oz/O Mágico de Oz” (1939) de Victor Fleming. Já Daisy atendia pelo nome real de Hilda E. Schneider. Nasceu em 1907, também na Alemanha e faleceu na Flórida em 1980). Geralmente trabalhando junto de seu irmão, apareceu ainda nos filmes “Three-Ring Marriage”, “The Wizard of Oz” e “The Greatest Show on Earth/O Maior Espetáculo da Terra” (1952) de Cecil B. DeMille, única produção que seu irmão não está junto.

Daisy e Violet Hilton: São irmãs siamesas unidas pela cintura com a mesma circulação sanguínea. Nasceram em Brighton, Inglaterra, em 1908, filhas de uma garçonete que as vendeu para agentes de shows bizarros explorarem elas em music-halls e feiras rurais. Ajudadas por um advogado conseguiram agendar seus próprios shows. Como não se sentiam diferentes de outras mulheres, tiveram inúmeros relacionamentos em sua vida. Também aparecem no filme “Chained for Life” (1951) de Harry L. Fraser. Após este filme as duas irmãs passaram por inúmeras dificuldades financeiras e foram encontradas, em 1969, mortas em seu apartamento.

Angelo Rossito: Nascido em 1908 e falecido em 1991, Rossito trabalhou em inúmeros filmes. Apesar de seu nome, Rossito é americano do estado de Nebraska. Fez sua estréia no cinema em “The Beloved Rogue” (1927) de Alan Crosland contracenando com John Barrymore e Conrad Veidt. Depois apareceu em mais de 80 filmes, com destaque para produções como “The Mysterious Island” (1929) de Lucien Hubbard, “Dante’s Inferno” (1935) de Larry Lachman, “A Midsummer Night’s Dream” (1935) de William Dieterle e Max Reinhardt, “The Corpse Vanishes” (1942) de Wallace Fox e estrelado por Bela Lugosi, “Mesa of the Lost Women” (1953) de Ron Ormond, “Invasion of the Saucer Man” (1957) de Edward L. Cahn, “Confessions of a Opium Eater” (1962) de Albert Zugsmith e estrelado por Vincent Price, “Dracula Vs. Frankenstein” (1971), “Brain of Blood” (1972) e “Cinderella 2000” (1977), trio de filmes com direção/produção do pior (mas muito divertido) cineasta que a indústria cinematográfica já teve: Al Adamson, “The Lord of the Rings/O Senhor dos Anéis” (1978) de Ralph Bakshi e “Galaxina” (1980) de William Sachs, entre inúmeros outros clássicos do cinema de baixo orçamento. Uma de suas últimas aparições foi em “Mad Max Beyond Thunderdome” (1985) de George Miller.

Frances O’Connor: Nasceu em 1914 no estado de Minnesota, USA, sem os braços desde o momento em que aprendeu a andar, começou a usar seus pés como mãos. Aprendeu a cozinhar, jogar bridge, se vestia, comia e fazia tudo usando apenas seus próprios pés. Sentia orgulho de conseguir fazer tudo sem ajuda de ninguém. No verão costumava trabalhar em shows, se recolhendo a sua casa em Wyoming durante o resto do ano. “Freaks” é sua única aparição cinematográfica. Frances nunca chegou a se casar, embora dizem que sua lista de admiradores não era pequena.

Koo Koo, A Garota Cega de Marte: Nasceu em 1880 com o nome de Minnie Woolsey. Quando se apresentava nos circos usava o nome Minnie Ha Ha. Também chegou a ser conhecida como “a garota de Marte” em alguma feiras. Tinha 52 anos quando participou de “Freaks” e muitos dos técnicos que trabalhavam no filme chegaram a acreditar que ela realmente era de Marte. Mas Minnie sofria da síndrome de Harper, que é uma forma de nanismo intra-uterina caracterizada por anomalias congênitas múltiplas. “Freaks” é seu único filme. Há poucos dados precisos sobre sua morte, mas fontes afirmam que ela faleceu atropelada por um automóvel em 1960 (se isso é correto ela teria vivido 80 anos).

Johnny Eck: John Eckhardt Jr. nasceu em Baltimore (terra de John Waters) em 1911, com um irmão gêmeo bem formado. Aprendeu a andar sobre suas mãos desde pequeno e era um excelente estudante, atleta e músico. Sua presença em “Freaks” é carismática e marcante, depois deste clássico apareceu em mais 3 filmes da série Tarzan: “Tarzan – The Ape Man” (1932) de W.S. Van Dyke, “Tarzan Escapes” (1936) e “Tarzan’s Secret Treasure” (1941), ambos dirigidos por Richard Thorpe. A canção “Table Top Joe” de Tom Waits é inspirada em Johnny e, desde 1990, um roteiro sobre sua vida, escrito por Caroline Thompson (“Edward Scissorhands”), circula por Hollywood sem conseguir investidores financeiros. Depois de suas aventuras pela terra do cinema, voltou para baltimore onde se tornou pintor de quadros, cujos trabalhos seguem abaixo, pós-artigo.

Prince Randian: Nasceu sem pernas, nem braços, em 1871 na Guiana Britânica e faleceu em 1934 em New York. Falava hindu, inglês, francês e alemão, foi casado e teve 5 filhos. Era capaz de escrever, acender cigarro, pintar, lavar-se e se arrumar para sair usando apenas sua boca. Dizem que possuia um grande sentido de humor e sempre viveu com a idéia de que não havia impedimentos físicos desde que dominasse sua própria mente. Sou um grande admirador de Randian, que provou ser possível fazer tudo mesmo quando a vida conspira contra você!

Pinturas de Johnny Eck:

The Tingler

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on maio 17, 2012 by canibuk

“The Tingler” (“Força Diabólica”, 1959, 82 min.) de William Castle. Com: Vincent Price, Judith Evelyn, Phillip Coolidge, Darryl Hickman e Patricia Cutts.

Um patologista (Vincent Price, hilário) descobre que, quando o ser humano sente medo extremo e não pode gritar, um parasita chamado Tingler se desenvolve na coluna vertebral. Este parasita se alimenta do medo humano, cresce e se enrola na sua coluna vertebral, podendo matar o hospedeiro. Tingler desaparece/morre se o hospedeiro gritar alto e com vontade, dando vazão ao seu medo. O dono de um cinema (Phillip Coolidge) chama o patologista depois que sua esposa surda-muda (Judith Evelyn) morre em circunstâncias misteriosas e durante a autópsia ele consegue isolar o parasita (porque um mudo não pode gritar) que se parece com uma grande centopéia alienígena de borracha. Depois de algumas revelações divertidas (que não convêm contar aqui), Tingler – o parasita sapeca – escapa e ataca dentro do cinema de Coolidge, dando abertura à uma genial seqüência de metalinguagem do cinema: O parasita entra no feixe de luz que leva as imagens para a tela de cinema e a película queima ficando tudo escuro, com a potente voz de Price pedindo aos espectadores do cinema que gritem com vontade para que o Tingler seja morto. Quando as luzes se acendem o monstrengo já era!

Após o estrondoso sucesso de “House on Haunted Hill/A Casa dos Maus Espíritos” (também de 1959), a dupla Castle-Price ganhou sinal verdeda Columbia Pictures para a produção de “The Tingler”, que além de sua história completamente nonsense, trazia uma das primeiras viagens de LSD mostrada num filme (o roteirista Robb White havia experimentado LSD na UCLA quando ainda era uma droga legalizada, lógico que a interpretação que Vincent Price dá quando chapado é de uma canastrice exemplar, nem de longe lembrando alguém que esteja “viajando”) e o uso do “Percepto!”, um gimmick de William Castle que dava choques em algumas poltronas dos cinemas onde o filme era exibido. Estes choques no público eram ativados justamente na cena onde o parasita havia escapado para o cinema (nesta cenas todas as luzes do cinema exibidor ficavam desligadas, aumentando a tensão) e o público ficava levando choques e gritando feitos loucos para “matar” tingler. Para ter uma idéias melhor da diversão que era essas exibições, veja o filme “Matinee” (1993) de Joe Dante, onde John Goodman faz o papel de um cineasta inspirado em William Castle.

William Schloss (que significa “Castle/Castelo” em alemão), nascido em 1914 e falecido em 1977, começou a dirigir filmes no início dos anos 40, foi assistente de Orson Welles em “The Lady from Shanghai” (1947). Chamou atenção do público depois que começou a utilizar gimmicks para atrair espectadores no filme “Macabre” (1958), onde um seguro de mil dólares era oferecido a cada pessoa do público em caso de mrote por medo durante o filme, além disso, enfermeiros e um carro funerário ficava estacionado na frente do cinema.  Em “13 Ghosts” (1960), filmado em “Illusion-o”, em determinados momentos o público deveria usar um apetrecho feito de celofane azul/vermelho para ver os fantasmas no filme, lógico que quem optava por não usar o apetrecho continuava vendo os fantasmas do mesmo jeito. Em “Homicidal” (1961) seu gimmick promocional era tão complicado que muitos donos de cinema se recusaram a reservar espaço para o filme. Em 1968 William Castle produziu um clássico do cinema de horror mundial, “Rosemary’s Baby/O Bebê de Rosemary”, dirigido por Roman Polanski.

Segundo o texto de John Waters que vem no encarte do DVD de “The Tingler” lançado no Brasil pela Columbia Pictures, “Percepto era um equipamento bastante caro (seu custo foi de mais de 250 mil dólares). Em cada dez poltronas, um era instalado, impulsionado por um pequeno motor, que ligados à cabine de projeção, o projecionista se guiava por pequenas marcas impressas no filme. Seguindo as instruções, um interruptor acionava uma vibração e uma pequena descarga de eletricidade nas poltronas. Decidido a testar Percepto antes da estréia de “The Tingler, Castle fez um acordo com o proprietário do cinema Van Nuys, da Califórnia, para permitir a instalação numa exibição no início da noite. A mão de algum gaiato, contudo, acionou o interruptor em um dos momentos mais trágicos de “Uma Cruz à Beira do Abismo”, filme em exibição naquele momento. As inesperadas ondas de vibração causaram pânico”.

por Petter Baiestorf

Vincent Price: O Vilão mais Carismático de todos os Tempos

Posted in Cinema, Entrevista with tags , , , , , , on maio 27, 2011 by canibuk

No dia 27 de maio de 1911 nasceu Vincent Leonard Price Jr. na família de Vincent Clarence Price, seu avô, que já tinha garantido a fortuna da família Price ao inventar o “Magic Baking Powder” (também conhecido como “Dr. Price’s Baking Powder”), o primeiro fermento em pó de creme de tártaro.

A vida acadêmica de Vincent Price foi normal e sua vida pessoal tranqüila. Acabou no cinema quando fez sua estréia no filme “Service de Luxe” (1938) de Rowland V. Lee e se firmou como ator no clássico “Laura” (1944) de Otto Preminger. Mas foi fazendo filmes de horror, sci-fi e suspense que Price se tornou uma lenda. Seu primeiro filme de horror foi ao lado de Boris Karloff e Basil Rathbone no longa “Tower of London” (1939) de Rowland V. Lee, que Roger Corman fez uma re-leitura, novamente estrelada por Vincent Price, nos anos 60.

Nos anos 50 que Vincent Price se tornou a estrela dos filmes de horror ao estrelar o remake “House of Wax” (“O Museu de Cera”, 1953) de André De Toth, uma refilmagem em 3D do filme “Mystery of the Wax Museum” (“Os Crimes do Museu”, 1933) de Michael Curtiz, que entrou no top 10 das bilheterias americanas daquele ano (a título de curiosidade: Um jovem Charles Bronson faz um de seus primeiros papéis no cinema neste “House of Wax”, como assistente de Vincent Price. Eles voltaram a contracenar em 1961 no clássico de aventura “Master of the World” (“Rubor – O Conquistador”) de William Witney). Depois de “House of Wax”, que foi lançado em DVD no Brasil pela Warner Bros., Price estrelou diversos filmes de sci-fi/horror, como “The Mad Magician” (1954) de John Brahm, “The Fly” (“A Mosca da Cabeça Branca”, 1958, Fox Filmes) de Kurt Neumann, “Return of the Fly” (1959) de Edward Bernds, “The Bat” (“A Mansão do Morcego”, 1959, London Films) de Crane Wilbur e suas parcerias hilárias com o lendário diretor/produtor William Castle: “House on Haunted Hill” (“A Casa dos Maus Espíritos”, 1959, NBO Editora) e o cult-movie “The Tingler” (“Força Diabólica”, 1959, Columbia Pictures), exibido com o novíssimo aparelho Percepto, onde a cada 10 poltronas do cinema era instalado este equipamento que era impulsionado por um pequeno motor ligado à cabine de projeção que, com o projecionista sendo guiado por pequenas marcas impressas no filme, acionava um interruptor que acionava uma vibração e uma pequena descarga elétrica nas poltronas, assustando os espectadores desavisados. “The Tingler” tem uma das primeiras (se não for a primeira) citações ao LSD no cinema. Robb White, o roteirista, tinha ouvido sobre o ácido lisérgico de Aldous Huxley e foi até a UCLA para experimentar o alucinógeno em si mesmo (antes de se tornar ilegal) e introduziu a droga no roteiro do filme. Este pequeno filme de William Castle, que custou cerca de 400 mil dólares, faturou mais de 2 milhões de dólares. Nestes filmes de Castle, ambos com um senso de humor negro delicioso, temos Vincent Price completamente a vontade em seus papéis, já dando mostras de como iria atuar nas décadas seguintes, sempre trabalhando sério mas se divertindo nas produções.

Já em 1960, Vincent Price estrelou uma série de filmes de baixo orçamento do diretor Roger Corman e da produtora American International Pictures (A.I.P.), filmes estes que resgataram Peter Lorre, Basil Rathbone, Boris Karloff e o escritor Edgar Allan Poe para uma nova geração de espectadores. O primeiro filme do pacote foi “Fall of the House of Usher” (“O Solar Maldito”, 1960) e ao seu sucesso seguiu-se “The Pit and the Pendulum” (1961, co-estrelado por Barbara Steele), “Tales of Terror” (“Muralhas do Pavor”, 1962, co-estrelado por Peter Lorre e Basil Rathbone), “The Raven” (“O Corvo”, co-estrelado por Boris Karloff, Peter Lorre, Hazel Court e o joven ator Jack Nicholson, lançado no Brasil pela Playarte), “The Haunted Palace” (“O Castelo Assombrado”, 1963, com roteiro baseado em H.P. Lovecraft, mas que entrou no pacote Poe, e co-estrelado por Lon Chaney Jr.), “The Masque of the Red Death” (“A Orgia da Morte”, 1964, co-estrelado por Hazel Court) e “The Tomb of Ligeia” (“Túmulo Sinistro”, 1964). Aliás, nos anos de 1960 Vincent Price trabalhou muito e esteve a frente do elenco em inúmeros filmes de horror que se tornaram clássicos, vale a pena relembrar/rever sempre “Tower of London” (1962) de Roger Corman, “Confessions of an Opium Eater” (1962) de Albert Zugsmith, o fantástico “The Comedy of Terrors” (“Farsa Trágica”, 1963) de Jacques Tourneur, que além de Price no elenco, ainda trazia os atros Boris Karloff, Peter Lorre, Basil Rathbone e Joe E. Brown, “The Last Man on Earth” (“Mortos que Matam”, 1964, Flashstar Vídeo) de Ubaldo Ragona, a comédia “Dr. Goldfoot and the Bikini Machine” (1965) de Norman Taurog e o sério “Witchfinder General” “O Caçador de Bruxas”, 1968) de Michael Reeves.

Na década de 1970 Vincent Price estrelou mais alguns clássicos como “Scream and Scream Again” (“Grite, Grite Outra Vez!”, 1970) de Gordon Hessler, os clássicos (e meus preferidos de toda a carreira dele) “The Abominable Dr. Phibes” (“O Abominável Dr. Phibes”, 1971) e “Dr. Phibes Rises Again” (“A Câmara de Horrores do Abominável Dr. Phibes”, 1972), ambos dirigidos por um Robert Fuest inpiradíssimo e com um elenco de apoio muito bem escolhido (na segunda parte até Peter Cushing dá as caras), verdadeiros exercícios macabros de humor negro. No mesmo clima dos filmes do Dr. Phibes, Price estrelou “Theatre of Blood” (“As Sete Máscaras da Morte”, 1973, Playarte Filmes) de Douglas Hickox.

Nos anos 80, estrelou ao lado de John Carradine e Donald Pleasence o filme “The Monster Club” (1981) de Roy Ward Baker, fez a narração do curta-metragem “Vincent” (1982) do então ainda desconhecido Tim Burton (com quem realizou também seu último papel no cinema no “Edward Scissorhands” de 1990), “House of the Long Shadows” (“A Mansão da Meia-Noite”, 1983) de Pete Walker, que merece uma espiada por conta de elenco formado, além de Price, pelas também lendas Christopher Lee, Peter Cushing e John Carradine, narrou o vídeo-clip “Thriller” (1983) de John Landis para Michael Jackson, “Bloodbath at the House of Death” (1984) de Ray Cameron, “The Offspring” (“Do Sussuro ao Grito”, 1987) do sempre incompetente Jeff Burr e o drama “The Whales of August” (“Baleias de Agosto”, 1987) de Lindsay Anderson, seu último grande papel no cinema. Seus últimos trabalhos, já nos anos 90, foram narrações para filmes produzidos diretamente para a televisão.

Vincent Price foi casado 3 vezes, era colecionador de arte (com seus cachês vivia comprando quadros e esculturas e doando dinheiro à escolas de arte), fumante inveterado e no fim da vida sofria de enfisema e da doença de Parkinson (o que fez com seu papel no “Edward Scissorhands” fosse reduzido). Morreu de câncer no pulmão em 25 de outubro de 1993.

Como Roger Corman fez vários filmes com o Vincent Price, resolvi postar aqui um trecho da entrevista que Corman concedeu aos jornalistas Charles Flynn e Todd McCarthy no dia 6 de setembro de 1973 e que foi publicada no catálogo da retrospectiva de filmes do Roger Corman realizada pela Cinemateca Portuguesa que aconteceu nos anos 80 do século passado (a edição do catálogo é de 1985).

“Gas-s-s” resume mais ou menos a sua atitude no que diz respeito aos filmes do Poe ou há algum filme da série Poe que considere como a sua opinião definitiva?

Corman: Não, nenhum em particular. Eu diria que cada um é uma tentativa para lidar com cada conto de Poe. Em nenhuma altura tentei pô-los juntos, de modo a formarem um todo. Deixo cada um falar por si. E “Gas-s-s” não era assim tão relacionado com os da série Poe. A idéia de lá por Poe foi posterior.

Você também mandou uma piada à série Poe em “The Trip” (1967).

Corman: Sim.

De fato, muitos filmes da série Poe não são para se levar completamente a sério.

Corman: Lá para o fim, sim. “The Fall of the House of Usher” (1960), “The Pit and the Pendulum” (1961), “The Masque of the Red Death” (1964), embora este fosse mais tardio, eram filmes sérios. A coisa começou com “Tales of Terror” (1962), que era um filme em episódios e que já foi feito com uma certa dose de humor. “The Raven” nós fizemo-lo para rir.

Considera-se um criador de humor negro?

Corman: Provavelmente sim. Levando-se em consedireção “A Bucket of Blood” (1959), “The Little Shop of Horrors” (1960), “Creature from the Haunted Sea” (1961) e, mais recentemente, “Gas-s-s” (1970), eu diria que eles são de humor negro. Nós os fizemos antes dol termo “humor negro” ser usado. Mas estão, de algum modo, dentro do gênero.

Os filmes da série Poe parecem visualmente muito mais elaborados do que seus filmes que vieram antes ou depois.

Corman: Acho que é verdade e há duas razões para isso. Uma era que para os filmes do Poe eu tinha um calendário de 3 semanas que foi, sem dúvida, o tempo mais longo que alguma vez tive! Tinha então muito tempo para filmar num estilo elaborado. Os filmes anteriores, “The Little Shop of Horrors” foi filmado em dois dias, “Bucket of Blood” em cinco e a maior parte dos outros entre cinco e dez dias. Não havia, portanto, tempo para um estilo cinematográfico elaborado. Eu tinha que filmar muito rápido e de maneira simples, embora tivesse por eles 0 maior interesse possível, respeitando o prazo. Com um prazo de 3 semanas para os filmes do Poe, tive um pouco mais de tempo para trabalhar a câmera. E, além disso, senti que o assunto se prestava a isso. Os filmes que vieram depois, por exemplo “The Wild Angels” (1966), eram também filmes de 3 semanas, mas eu procurava um estilo mais realista e, então, voltei deliberadamente a um movimento de câmera propositalmente mais simples.

Porque filmou os dois últimos filmes da série Poe, “The Masque of the Red Death” e “The Tomb of Ligeia”, na Inglaterra?

Corman: Simplesmente por questões econômicas. Tínhamos ofertas da Inglaterra, o plano Eddy, que era um grande subsídio  do governo inglês e por isso filmamos lá.

É verdade que usou os cenários que ficaram de “Beckett”?

Corman: Sim, para “The Masque of the Red Death” e para “Ligeia” também. Já não me lembro para qual deles foi, mais sei que utilizamos coisas pertencentes a grandes filmes ingleses e um deles foram cenários e objetos de cena do “Beckett”.

CURIOSIDADES SOBRE VINCENT PRICE

Nasceu no mesmo dia que Christopher Lee (27 de maio de 1922) e um dia antes de Peter Cushing (26 de maio de 1913).

Cozinhar era um de seus hobbies e escreveu vários livros de culinária.

Em 1951 fundou a Galeria Vincent Price no campus da East Los Angeles College para incentivar os outros a desenvolver a paixão pela arte.

Costumava ir as exibições de seus filmes trajando a roupa do personagem para atender aos pedidos dos fãs para fotos.

Possuí 2 estrelas na calçada da fama, uma referente ao seu trabalho na TV (optei por ignorar a carreira na televisão nesta postagem por ser extensa demais) e outra relacionada ao cinema.

Fez uma pequena narração na música “The Black Widow” do álbum “Welcome to My Nightmare”  (1975) de Alice Coopee, notório admirador de Vincent Price.

Interpretou o “espírito do pesadelo” no especial para TV, “Alice Cooper: The Nightmare” (1975).

Reza a lenda (possivelmente uma mentira) que quando Price e Peter Lorre  foram no funeral de Bela Lugosi em 1956 e viram o morto vestido com a capa de Drácula, Lorre teria perguntado se não deveriam enfiar uma estaca no coração, por via das dúvidas.

Participou da noite de abertura da primeira produção de Richard O’Brien, o clássico “The Rocky Horror Picture Show” (a peça, não o filme).

Nas filmagens de “The Raven” o ator Peter Lorre improvisou muitas de suas linhas de humor no filme, freqüentemente pegando os sempre sérios Price e Karloff desprevenidos.

TRAILERS DOS FILMES IMPERDÍVEIS DE VINCENT PRICE

UMA ENTREVISTA COM VINCENT PRICE

James Plath: Como você caracterizaria a arte americana? Você disse que nós apenas começamos a encontrar uma identidade?

Vincent Price: Sabe, na minha profissão, quando eles removeram a censura dos filmes, ficou apenas sexo e violência, o que é lamentável. Porque enquanto alguns dos filmes são tecnicamente maravilhosos, eles se tornam aborrecidamente realistas. E há um tipo de coisa maior no drama – Ibsen e os realistas – onde há um formulário que é brilhante, artístico, e ainda de alguma forma maior que a vida. Parece-me que um dos nossos problemas como os artistas americanos é que nós estávamos tocando para o menor denominador comum. A televisão é o principal exemplo disso. Para mim, arte é tudo. Tudo que o homem faz, conforme discriminado a partir das obras da natureza. A expressão máxima do homem é a arte.

Plath: Você esteve envolvido em um bom número de produçõies baseadas em Edgar Allan Poe (na série do Roger Corman e A.I.P.), penso que apenas “The Fall of House of Usher” e “The Masque of the Red Death” foram fiéis aos contos de Poe.

Price: É realmente muito díficil transformar um conto em um filme (risos).

Plath: Como no “The Pit and the Pendulum” que tem uma cena só do livro e o resto foi esticado ao máximo para se ter o filme.

Price: Exatamente. Você tem que explicar como chegou lá! Igual o “Tomb of Ligeia”, era um conto sobre necrofília, mas é muito arriscado você falar só de necrofília num filme. Tinha que ser apenas sugerido. Mas acho os melhores filmes aqueles que fiz que zombavam de si mesmos.

Plath: Porque?

Price: (risos) Porque ele não se levan à sério. Porque Roger Corman não se leva à sério. Quando fizemos “The Raven” pegamos apenas o título do poema do Poe, porque é impossível fazer um filme daquele poema!

Enxertos da entrevista realizada com Vincent Price por James Plath, 1985, para o fanzine “Clockwatch Review”.

E para finalizar este post em homenagem ao aniversário do Vincent Price, um ator que tenho verdadeira adoração/veneração, segue três entrevistas com ele:

Classic Collection da Flashstar

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , on março 23, 2011 by canibuk

A distribuidora flashstar está lançando alguns clássicos do cinema “B” e do cinema trash em versões colorizadas digitalmente, as cópias estão lindas e os filmes até agora parecem escolhidos à dedo. Nos DVDs rola até alguns extras e trazem, sempre, a versão colorida e a versão original em preto e branco no DVD (mas os cuidados com essa coleção poderiam ser ainda maiores, “Zaroff”, por exemplo, veio com o rótulo todo errado, como comentarei mais abaixo). Neste mês abre a pré-venda de “Phanton From Space”  (1953) de W. Lee Wilder  e “Phantom Planet”  (1961) de William Marshall. Testei os seguintes DVDs:

“The Last Man On Earth” (“Mortos Que Matam”, 1964, 86 min.) de Ubaldo Ragona. Com: Vincent Price, Franca Bettoia e Emma Danieli. O roteiro deste filme é baseado no livro “I Am Legend” de Richard Matheson e mostra a humanidade sendo dizimada por um vírus que transforma os humanos numa espécie de vampiros zumbificados (acho este filme uma delícia, mas faltou os zumbis dele serem perigosos como foram os zumbis do George A. Romero em 1968, no clássico “The Night of the Living Dead”). Vincent Price é um cientista que não é infectado e acredita ser o último homem no planeta Terra. Existem várias outras versões prá essa história, sendo a melhor de todas a produção “The Omega Man” (1971), de Boris Sagal, estrelado pelo Charlton Heston. Nos extras do DVD temos Vincent Price apresentando um episódio da cine-série “Aconteceu em Hollywood”, sobre filmes de faroeste.

“The Devil Bat” (“O Morcego Diabólico”, 1940, 68 min.) de Jean Yarbrough. Com: Bela Lugosi e Suzane Kaaren. Lugosi é um cientista enlouquecido por seus patrões gananciosos e busca vingança criando uma raça de morcegos diabólicos. Um intrépido repórter investiga as mortes e começa a suspeitar de uma misteriosa loção pós-barba que está sendo utilizada em toda a cidade e que pode ter relação com os tais morcegos. Este filme foi produzido praticamente sem dinheiro pela Producers Releasing Corporations e em 1990 foi restaurado em 35mm por Bob Furmanek. O diretor Jean Yarbrough também dirigiu o “She-Wolf of London” (1946) e alguns filmes da dupla Abbott & Costello.

“Reefer Madness” (“A Erva Maldita”, 1936, 65 min.) de Louis J. Gasnier. Com: Dave O’Brien, Dorothy Short, Carleton Young, Thelma White e Kenneth Craig. Este clássico anti-maconha também era conhecido pelo título “Tell You Children” na época que foi lançado e sobreviveu ao tempo graças ao culto de maconheiros cinéfilos que rolam de rir com os absurdos mostrados nesta produção hilária. Acompanhamos um traficante de maconha que vicia as crianças da sociedade americana com apenas uma simples tragada num inocente baseadinho e ficamos sabendo de casos de usuários de maconha, como o garoto de 16 anos, que “fumou a terrível droga e matou toda a família com um machado” ou a garota de 17 anos que após fumar “se deixou ser seduzida por cinco homens mais velhos ao mesmo tempo”. A versão colorizada digitalmente mostra a fumaça dos baseados coloridos, variando de fumaça verde até rosinha. Genial!!! Esse filme é uma diversão, em 2005 Andy Fickman refilmou “Reefer Madness” como um musical, mais demente, mais engraçado, com cenas gores, zoações com religião e até zumbis (foi lançado aqui no Brasil em DVD pela distribuidora Imagem Filmes com o título de “A Loucura de Mary Juana”, pode sair atrás dele que é ótimo). Nos extras deste lançado pela Flashstar há o divertido curta documentário “Grandpa’s Marijuana Handbook” onde um velho de quase 80 anos explica as virtudes de se fumar maconha.

“The Giant Gila Monster” (“O Gigante Monstro Gila”, 1959, 75 min.) de Ray Kellogg. Com: Bob Thompson, Lisa Simone, Shug Fisher e Don Sullivan. Um lagarto gigante (na verdade um lagarto comum andando sem rumo por entre carros em miniatura bem vagabundos) começa a atacar uma região dos Estados Unidos e o xerife da localidade precisa pedir a ajuda de um mecânico adolescente bom moço, tão bom moço que chega a irritar. Os efeitos deste filme são hilários, como quando o lagarto é empurado por algum desalmado da equipe técnica para arrebentar uma parede de isopor. As miniaturas feitas para este filme são muito vagabundas, por isso mesmo, o filme virou um cult e merece ser revisto sempre. Em tempo: a trilha sonora deste filme é uma delícia.

“The Killer Shrews” (“O Ataque dos Roedores”, 1959, 68 min.) de Ray Kellogg. Com: James Best, Ingrid Goude, Ken Curtis e Gordon McLendon. Eis que Ray Kellog ataca novamente com outro clássico de orçamento extremamente baixo, também filmado no Texas. Aqui um capitão de navião chega até uma remota ilha deserta onde um grupo de cientista está realizando experiências biológicas secretas e descobre que a ilha está dominada por roedores (os terríveis Musaranhos aqui no filme são cães maquiados para parecerem roedores gigantes, inacreditável a cara de pau de Kellogg) que precisam ser exterminados. A seqüência final com o capitão, mais a mocinha do filme e seu pai cientista, fugindo dos roedores dentro de tonéis de lata é uma das coisas mais divertidas já filmada em todos os tempos. Nos extras do DVD há um documentário chamado “Saiba mais sobre os Musaranhos”, mas é sobre esquilos, o que me fez rolar de rir histérico.

“Bride of the Monster” (“A Noiva do Monstro”, 1955, 69 min.) de Edward D. Wood Jr. Com: Bela Lugosi, Tor Johnson, Tony McCoy e Loretta King. Bela Lugosi, mais canastrão que habitualmente, interpreta o Dr. Vornoff, um cientista que pretende criar uma raça de super-homens atômicos para dominar o planeta Terra e é auxiliado pelo gigante Lobo (Tor Johnson em seu melhor momento no cinema). Ed Wood estava inspirado quando filmou este longa com orçamento zero, prá quem se interessa pelos bastidores dos filmes, recomendo o longa “Ed Wood” (1994) de Tim Burton, que mostra um pouco do que foi as filmagens deste clássico cult. “Night of the Ghouls” (1959), também de Wood, é a seqüência deste filme e, após ter sido finalizado, passou década sem ser exibido em lugar algum. Nos extras do DVD uma entrevista com Bela Lugosi.

“Missile to the Moon” (“Míssil Para A Lua”, 1958, 78 min.) de Richard E. Cunha. Com: Richard Travis, Cathy Downs e K.T. Stevens. O governo americano cancela o projeto científico da viagem para a Lua e o cientista Dirk Vert resolve ir por conta própria para nosso satélite com dois presidiários escondidos na nave espacial. Chegando na Lua, eles precisam ficar apenas nas regiões de sombras (para não serem queimados pelos raios solares) e descobrem que nessas sombras se escondem monstros lunares, mulheres e gigantescas aranhas malignas. “Missile to the Moon” é uma refilmagem do “Cat-Women of the Moon” (1953) de Arthur Hilton. Reparem nas aranhas gigantes sendo controladas por fios indiscretos e na paisagem lunar que se assemelha muito à região de Vasquez Rocks, pertinho de Los Angeles.

“The Most Dangerous Game” (“Zaroff – O Caçador de Vidas”, 1932, 63 min.) de Irving Pichel & Ernest B. Schoedsack. Com: Joel McCrea, Fay Wray, Leslie Banks e Robert Armstrong. O roteiro foi adaptado do livro “The Most Dangerous Game” de Richard Connell sobre um grande caçador que resolve começar a caçar humanos como esporte. “Zaroff” foi co-digirido pelo co-diretor de “King Kong” (1933) e, como custou muito pouco sua realização, deu muito mais lucro que a super-produção “King Kong”. A capinha feita pela Flashstar está toda errada, na frente a produção é atribuída ao genial Ray Harryhausen (que nasceu em 1920, ou seja, na época do lançamento deste filme Harryhausen tinha apenas 12 anos) e na parte de trás temos a sinópse do “Bride of the Monster” (ambos os filmes foram entregues no pacote de Março da Flashstar) com a equipe-técnica do “Zaroff”. Em tempo: Fay Wray é a mesma garota por quem o Kong se apaixonou no ano seguinte à essa produção. Abaixo os erros na parte traseira da capinha (mais atenção senhores da Flashstar, por favor!!!).