Arquivo para violência

Carniça & Lama: Uma Entrevista com Rodrigo Ramos

Posted in Entrevista, Quadrinhos, revistas independentes brasileiras with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on novembro 1, 2018 by canibuk

Rodrigo Ramos é designer, especializado em Marketing Farmacêutico. Em 2016 lançou, seu primeiro livro, Medo de Palhaço, pela Generale, junto de outros membros do Boca do Inferno, o maior portal da América Latina sobre o gênero fantástico, onde atuou como responsável pela sessão de quadrinhos entre 2010 e 2017.

Em 2017 estreou na ficção com o conto Penitência para a antologia Narrativas do Medo, pela editora Autografias, e participou da antologia digital Assombrada BR com o conto Coulromania. No mesmo ano, roteirizou Carniça, sua primeira HQ, produzida ao lado do artista Marcel Bartholo. Em 2018 publicou o conto Clarice no segundo volume da antologia Narrativas do Medo, publicado pela Copa Books.

Atualmente atua como crítico e articulista para os sites 101 Horror Movies e Terra Zero, e prepara sua segunda HQ, Lama, ao lado de Marcel Bartholo.

Fonte: Guia dos Quadrinhos.
Segue uma entrevista que realizei com Rodrigo sobre seus lançamentos, projetos e rumos futuros do mercado independente brasileiro.

Petter Baiestorf: Como foi a recepção ao Carniça? Onde comprá-lo?

Rodrigo Ramos: Por ser meu primeiro trabalho como roteirista de histórias em quadrinhos, fiquei realmente satisfeito com a recepção. Todas as críticas que recebemos foram, em sua grande maioria, bastante positivas. Alguns pontos de melhoria foram apontados aqui e ali e concordamos com todos eles. Quando você trabalha tanto tempo como crítico de quadrinhos e parte para produzir o seu, você tem que estar preparado para os comentários que vão fazer sobre sua obra. Felizmente os comentários foram ótimos! Principalmente aqueles que entendem a obra de uma maneira totalmente diferente daquela que você imaginou. É muito legal ver o seu trabalho ganhando vida própria através da interpretação dos leitores. Quem quiser adquirir a sua cópia autografada pelo correio, pode entrar em contato através da nossa página no Facebook (@CarnicaHQ), ou fisicamente nas lojas Monstra, Ugra, CoffinFangStore e Quinta Capa.

Baiestorf: Lama é seu segundo trabalho com quadrinhos, novamente em parceria com Marcel. Como está sendo essa parceria?

Rodrigo Ramos: O Marcel é um monstro. O cara desenha como poucos e numa velocidade absurda. Quem o acompanha pelo Facebook sabe. Toda hora ele está fazendo um projeto novo, sem parar! Além disso rolou uma sintonia muito boa. Nossas mentes pensam de maneira criativa muito parecida e isso é ótimo quando você está trabalhando num projeto em dupla. Quase todas as ideias que temos são aceitas, um pelo outro, de imediato. São poucas as coisas que conversamos para ajeitar e chegar a um consenso. Eu não poderia ter parceiro melhor.

Baiestorf: Como está a distribuição destes trabalhos? Como acompanhar?

Rodrigo Ramos: Basicamente estamos fazendo o circuito independente de feiras e eventos de quadrinhos. Temos alguns exemplares em uma ou outra loja parceira, mas basicamente estamos fazendo a maior parte da venda e distribuição do nosso trabalho. Com esta recente crise no mercado editorial, tive algumas experiências que não se deram da melhor maneira, então abraçamos de vez o mercado independente. E estamos satisfeitos. Das 500 edições impressas de Carniça, já vendemos quase tudo, talvez se esgotando na ComicCon no final do ano. Mas pra quem quer acompanhar o nosso trabalho, é só nos seguir nas redes sociais. Sempre postamos novidades quanto aos nossos projetos e vamos dizendo onde estaremos nos próximos eventos para a galera aparecer, trocar uma ideia e conhecer nossos quadrinhos.

Capa de Lama

Baiestorf: O rompimento da barragem em Mariana foi a inspiração para Lama? Fale sobre o que te levou a escrever Lama, que é um assunto extremamente relevante.

Rodrigo Ramos: A ideia inicial de lama surgiu como um conto sobre um agricultor que encontra um monstro na sua horta. Sempre fui fã de croatiras como o Gill-man ou Monstro do Pântano, inclusive você me deu várias recomendações no Facebook sobre filmes do gênero, e queria escrever uma história com uma criatura destas, mas totalmente nacional. Durante minhas pesquisas, encontrei as lendas sobre o ipupiara, e era exatamente o que eu procurava. Bolando o background do conto, o desastre de Mariana era o cenário perfeito, já que estes monstros na ficção geralmente aparecem devido a algum desequilíbrio ambiental. Mas aí a história já estava grande demais pra continuar como um conto e apresentei a ideia pro Marcel. O cenário aqui não é exatamente Mariana, apesar das referências serem claras, mas também trouxe um pouco do cenário polarizado da nossa política pra história. Tem muita coisa da insatisfação com o que está acontecendo pelo país há algum tempo, mas ao invés de eleger um maluco, prefiro transformar essa insatisfação em arte. Mas não é um material panfletário. As ideias ficam no subtexto, nas entrelinhas, assim como os zumbis de Romero, apesar de eu não merecer a comparação. Carniça é uma releitura de Edgar Allan Poe passada no Brasil com uma forte pegada de Body-Horror e folclore, Lama é um conto lovecraftiano sobre forças da natureza ancestrais que habitam os rios brasileiros. São histórias de horror passadas no Brasil e isso reflete nosso contexto histórico como toda história já produzida pela humanidade.

Página de divulgação de Lama

Baiestorf: Você tem escrito alguns contos também, como nas antologias Narrativas do Medo Vol. 1 e 2. E também escreve sobre cinema. Literatura, quadrinhos e cinema, o que te atraí nessas artes?

Rodrigo Ramos: Eu cresci no interior de São Paulo cercado de causos que meus avós e meus tios contavam. Sempre que o verão chegava, ficávamos na varanda da casa da minha avó até tarde contando e ouvindo histórias do passado. E nessas histórias não faltavam fantasmas, lobisomens, demônios, saci, mula-sem-cabeça e toda a sorte de criaturas infernais folclóricas. Foi ali que comecei a tomar gosto por histórias de terror. Então descobri o cinema de horror e encontrei uma espécie de extensão daqueles contos que minha família contava, passei pra literatura e só depois de algum tempo, quando descobri o Monstro do Pântano do Alan Moore, pros quadrinhos. E como todo mundo que gosta muito de alguma coisa, queremos falar sobre isso o tempo todo, foi assim que acabei escrevendo artigos e críticas sobre obras do gênero, até surgir a oportunidade de produzir minha própria ficção. O horror possui muito do espírito contestador e do faça você mesmo do punk rock, e isso sempre me fascinou. Acho que o horror é muito passional, quem gosta de histórias de terror é um viciado. Talvez pela adrenalina, talvez pelo gostinho que o gênero nos dá de um mundo fantástico, sobrenatural, muito diferente desse mundo chato e perigoso em que vivemos.

Baiestorf: No site 101 Horror Movies você tem publicado alguns textos mais politizados, como um sobre a censura no gênero horror. Como tem sido a repercussão? Dá medo os rumos que nosso país tem tomado, muito em virtude de sua falta de memória coletiva, ignorância de sua história recente?

Rodrigo Ramos: O 101 Horror Movies é uma das minhas maiores alegrias dentro do gênero do horror. Desde que entrei pra equipe do site no começo do ano, sempre conversamos bastante sobre as coisas que acontecem ao nosso redor. Sobre como o mundo tá se tornando cada vez mais esquisito e como essa sensação tem gerado filmes incríveis. Nossa posição política é muito alinhada e isso sempre transparece em nossas críticas. Mas de uns tempos pra cá, quase sempre aparece alguém pra falar “nada a ver misturar política com isso ou aquilo” e isso está bem longe da verdade. O horror é talvez ao lado da ficção científica, o gênero mais político de todos. Por isso ele é tão perseguido e menosprezado. O horror tá aí desde sempre questionando o status quo, a igreja, a violência e o sistema. Romero, Carpenter, Craven… Todos eles sempre falaram muito de política em suas obras e ver uma galera nova que não entende ou não enxerga essa proximidade, reduzindo o valor do gênero a jumpscares e efeitos especiais gráficos é algo que não poderia deixar passar em branco. Daí surgiu uma trilogia de textos sobre horror e política, que, felizmente teve uma ótima repercussão. Sempre tem o maluco do meme e da hashtag que não sabe debater que vem, posta uma bobagem e some, mas no geral nossos leitores gostaram bastante e até agradecem por nos posicionarmos e nos juntarmos à luta. Algumas pessoas do meio que respeito muito também curtiram e compartilharam os textos e essas coisas deram um gás pra suportar o peso dessa eleição por saber que estamos do lado certo. O futuro do país é incerto e bastante perigoso se lermos todos os sinais e seu contexto, pelo menos nós que não somos adeptos do revisionismo histórico, do negacionismo ou das correntes de Whatsapp, mas o horror vai estar sempre aí para criticar e apontar o dedo na cara da sociedade. E a internet e os meios de auto publicação só vieram para reforçar este aspecto punk rock do horror. Se for censurado na sua editora, publique online, jogue seu curta no Youtube, mas faça sua voz ser ouvida. Não deixem suas ideias morrerem na gaveta por medo de um governo totalitário e religioso. Precisaremos do horror como nunca, daqui pra frente.

Página de divulgação de Lama

Baiestorf: Como é escrever num país que não lê?

Rodrigo Ramos: Pior do que escrever num país que não lê, é escrever no país do jeitinho. Escrever é algo que todo mundo sabe onde vai dar. Acho difícil alguém, hoje em dia, que comece nesse meio para ficar rico ou se tornar uma celebridade. As chances beiram ao zero. Mas mesmo quando você encontra alguém que aposta no seu trabalho e faz com que suas obras cheguem ao mercado, sempre vai ter alguém que vai querer ler de graça, vai pedir link pra download, vai piratear seu trabalho… Sem falar nas livrarias que estão postergando pagamentos às editoras que postergam os pagamentos dos escritores… No fundo eu acho que as pessoas estão lendo bastante hoje em dia, ainda que menos do que gostaríamos, mas tem muita coisa sendo publicada por aqui que eu nunca imaginei que veria em uma livraria. O problema é que o horror é um nicho, e o horror independente mais nicho ainda. A dificuldade é chegar nas massas e cativar um público maior.

Página de divulgação de Lama

Baiestorf: Gostaria de saber se você tem se mantido positivo em relação ao futuro do Brasil?

Rodrigo Ramos: Eu sou um pessimista por natureza. Pelo menos não acredito nessa realização apoteótica que todo mundo espera que surja na figura de um “messias” para salvar o Brasil de “tudo isso que tá aí”. Infelizmente o sistema vigente não permite que você resolva o problema de todo mundo, não sem ferir os interesses de uns de ou outros. Ou você atende a maioria, ou a minoria. Não há consenso. E se não há consenso, não há solução. Eu sempre vou estar do lado da maioria, mas enquanto a minoria estiver no comando, vai ser difícil ter alguma vitória sem antes derrubar o sistema. Como vamos fazer isso? Não faço ideia. Mas faço histórias onde tento revelar essas figuras abjetas para o maior número de pessoas possível.

Baiestorf: A arte como forma de resistência?

Rodrigo Ramos: A arte é a última trincheira na resistência contra o sistema. As pessoas não respeitam mais o professor, a religião segue interesses escusos… Então resta à arte o papel de abrir os olhos da população. Por isso a onda conservadora insiste em atacar e diminuir o que eles não consideram arte. Se você produz algo que as pessoas apreciam e colocar alguma mensagem nisso, essas pessoas vão receber essa mensagem. Se elas te respeitam como artista, talvez respeitem o que você diz, já que nem os livros de história e ciência respeitam mais.

Carniça

Baiestorf: Livros, quadrinhos e filmes que você indica para os jovens que gostariam de saber mais sobre nossa história?

Rodrigo Ramos: Por mais absurdo que isso seja, hoje em dia eu acho que a ficção pode surtir um efeito muito mais impactante na galera do que os livros de história, já que tem quem não acredite mais neles. Então de cara vou indicar um dos meus livros preferidos de todos os tempos, 1984 de George Orwell, bem como A Revolução dos Bichos, do mesmo autor; Farenheit 451 do Ray Bradbury; Nos quadrinhos Maus do Art Spiegleman; Ditadura No Ar, de Raphael Fernandes e Rafael Vasconcelos; V de Vingança, de Alan Moore e David Loyd; Teocrasília do Denis Mello; Deus Ama, O Homem Mata de Chris Claremont e Brent Anderson, Surfista Prateado – Parábola, de Stan Lee e Moebius; na TV e cinema, Além da Imaginação, a série clássica, Star Wars, Matrix, O Senhor dos Anéis… Todas essas obras de ficção possuem raízes fortíssimas na nossa história recente e servem de alerta para não repetirmos os mesmos erros.

Carniça

Baiestorf: Obrigado Rodrigo, suas considerações finais:

Rodrigo Ramos: Muito obrigado pelo espaço, espero mesmo que não tenha ficado parecendo um comício, mas eu realmente acredito que toda oportunidade que temos para falar algo sobre aquilo em que acreditamos, temos que aproveitar. Se você não pode falar em público as coisas em que acredita, ou tem algo muito errado com o entorno, ou com o que você acredita. Sigam a gente nas redes sociais onde estamos postando todo o processo de produção de Lama, que aliás fica pronta em breve e será lançado oficialmente na CCXP 2018. Passem lá na mesa G37 no Artist’sAlley para gente bater um papo! Vai ser um prazer.

Snuff – Vítimas do Prazer

Posted in Cinema, Literatura with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 26, 2017 by canibuk

snuff-livro-claudio-cunha

I – A Ideia

A linda moça banha-se alegremente no lago perdido na natureza, extasiando-se.

Do “triller” estacionado à beira da água, sai um rapaz, provavelmente seu companheiro de passeio, descascando uma laranja, aparentemente tranquilo.

A moça, da água, convida-o, brejeira, para partilhar. Ele solta a fruta, coloca a faca entre os dentes, como um Tarzan, e mergulha a seu encontro.

Felizes, riem.

Ele, com a faca.

Como numa brincadeira, a Lâmina da arma corta a alça do sutiã do biquini, fazendo saltar dois lindos e insinuantes seios.

Estranheza.

Uma transfiguração corre a expressão do moço. Tara?

A moça parece não entender. Procura fugir da água e do companheiro.

Perseguição.

Alcança.

Inicia-se uma tentativa de estupro.

A faca.

Ela grita para ser acudida. Não ouve eco.

Lábios e língua do rapaz correm desesperados pelos seios e corpo da moça, em resfôlegos.

A expressão dela diz que nunca antes tinha visto seu companheiro agir daquela forma. Desespero grande.

A expressão dele diz que não tem intenções de se acalmar. Os olhos fulminam, e a boca baba, excitada.

A faca.

As forças da menina querem ceder, mas não podem. Não podem… não podem… não podem…

Ele já a tem sob completo domínio.

A faca da laranja, ergue-se na mão do homem, e desce, implacável, ferindo um dos lindos e insinuantes seios da infeliz.

Um grito louco de dor, e a expressão de pavor.

As dores do ferimento são muitas. Insuportáveis.

Novo pedido de ajuda, agora só com os olhos. Forças faltam para a fala.

Novo golpe fez alongar a mancha de sangue que cobre o corpo feminino. Os olhos estalados,a  boca agora inerte, os últimos suspiros.

Doz rapaz. o estranho rir de quem está possuído.

Num estertor, a moça desfalece definitivamente.

Morre.

pagina-inicial-snuff-claudio-cunha

Michael caminha vagarosamente e desliga o projetor de filmes em 16mm, depois de ver correr na tela a palavra “the end”.

No outro canto da sala, visivelmente deprimido com o que acaba de ver, Bob, em silêncio. Respira e força um sorriso.

“Incrível! Nunca vi tanto realismo! Confesso que a cena me tocou as estruturas! Acho que nunca vi uma morte tão bem feita, em cinema!”

Michael, voltando o filme para o carretel que projetara.

“Então, gostou…pois vamos repetir essa cena no nosso trabalho…”

“Vamos precisar escolher a dedo, uma atriz!”

“Engano seu, meu caro Bob… Qualquer garota pode interpretar tão bem quanto esta que vimos. Aliás, nem esta era atriz…”

“Não?… Então, como? !…”

“Simples, amigo: a cena foi real. Ela morreu mesmo!”

Bob engoliu em seco. Conhecia muito bem o colega e sabia quando ele brincava e quando falava sério. Dificilmente se enganava. Seus olhos arregalaram, temerosos.

“Quer dizer que isto que vimos aconteceu de verdade?”

“Lógico!”

“E que no filme que vamos fazer, haverá uma cena como esta?… ou seja… alguém vai morrer de verdade?”

“Muito feliz, a sua dedução!”

Bob saltou da cadeira, automaticamente. Chegou-se à Michael, não querendo acreditar no que ouvia.

“Você está louco rapaz?”

“São ordens de Mr. Lorne…”

De verdade, Bob sentia vontade de esganar o cinismo do amigo. Mas era sensato, e sabia que uma ordem de Mr. Lorne não era para ser discutida, e sim cumprida. Mas queria se convencer de que aquilo era uma das raras brincadeiras de Michael. Uma interpretação muito bem feita.

A possibilidade era remota, mas tentou uma investigação:

“Onde é que você arranjou esta droga?”

“Isso eu não sei. Mas, se quer algumas informações, aqui vão: a intenção dos produtores disso aí que você viu, era filmar um estupro real, pra valer. Para isso, como sempre contrataram uma equipe mínima, e o ator arrumou uma virgem, uma menina com pretensões de fazer carreira em cinema. A cena foi ensaiada de uma forma, mas o ator havia recebido instruções para, na hora “H”, assaltá-la sexualmente. Foi dado algo para estimulá-lo. Mas a moça, assustada com a fúria do ator, reagiu violentamente, como você mesmo viu!”

“Incrível…”

“Ele havia sido pago para violentá-la de qualquer maneira. Pretendiam registrar tudo…”

Bob estava perplexo. A seriedade com que Michael discorria, começava a querer convencê-lo.

“Aí, aconteceu o imprevisto: os técnicos, contagiados pelo clima, estavam mais alucinados que o próprio ator. Tanto assim, que não perceberam que a faca de efeito havia sido trocada por uma real. Você viu o resultado…”

“Que absurdo!” caiu no sofá como se tivesse um enorme peso no corpo. Michael, inalterado:

“Foi um acidente que deu certo!”

“Ma como deu certo?”

“Quando o filme veio parar em nossas mãos, lá em Nova Iorque, não sabíamos que era real. Tentamos colocar no mercado clandestino. O sucesso foi absoluto. Nunca se pagou tão alto por uma cópia.”

“Mais que os filmes pornográficos?”

“Os filmes pornográficos se tornaram brincadeirinha de criança perto deste. Chegamos a fazer projeções especiais, cobrando mil dólares por cabeça. Lotamos o cinema.”

Bob está cada vez mais confuso.

“Mas este filme foi um acidente. Não pode ser refeito!”

pagina-final-snuff-claudio-cunha

A ideia de Bob era dissuadi-lo de tal ideia. Parecia que Michael estava hipnotizado pela possibilidade de repetir o sensacionalismo, deixando os próprios sentimentos de lado. Mas parecia cada vez mais distante pode convencê-lo do contrário.

“Mr. Lorne quer repetir o sucesso!”

Explodindo:

“Michael, isso é um crime!”

O sorriso cínico e inalterado do amigo aumentou a perplexidade de Bob.

“E a pornografia? Também não é um crime?”

Tentando contornar:

“É diferente, Michael. Os filmes pornográficos são feitos para casais entediados, ou pessoas solitárias. Gente que precisa de estímulo para o ato mais importante da vida. No fundo, sua função é até benéfica. Os médicos mesmos aconselham…”

“Isso é conversa fiada, Bob. Uma coisa não desculpa a outra.”

É, não havia mesmo jeito. Bob pensou um pouco, tentando desemaranhar a confusão que se instalara em sua cabeça. Meio minuto depois, tomou a decisão:

“Está certo. Mas eu não me meto neste negócio!”

Michael acabou de servir-se de um uísque no barzinho, e já voltou ao amigo. Mantendo o mesmo sangue frio. Antes do primeiro fole:

“Você já está metido em nossos negócios até o pescoço! Eu estou aqui para realizar um filme deste tipo, e é o que vou, ou melhor, vamos fazer!”

 

fim do primeiro capítulo de “Snuff – Vítimas do Prazer” de Claudio Cunha (editora MEK, editor Minami Keizi, 120 páginas, meados dos anos 80).

Veja o filme aqui:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Arrombada – Vou Mijar na Porra do seu Download!!!

Posted in Cinema, download, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 21, 2016 by canibuk

arrombada_final

“Arrombada – Vou Mijar na Porra do Seu Túmulo!!!” (2007, 42 min.) escrito, fotografado, produzido e dirigido por Petter Baiestorf. Maquiagens gore de Carli Bortolanza. Edição de Gurcius Gewdner. Com: Ljana Carrion, Coffin Souza, PC, Gurcius Gewdner e Vinnie Bressan.

Inspirado pelo caso do Juiz Lalau escrevi o roteiro de “Arrombada” em uns 3 dias e chamei uma equipe extremamente reduzida para filmar tudo em 4 dias. Minha ideia era realizar um sexploitation, com muitas cenas de sexo quase explícito, que fosse uma crítica ao poder, mostrar um senador (que também era juiz de direito) se aproveitando da impunidade no Brasil para cometer os mais terríveis crimes, sempre ajudado por seus cães fiéis (um religioso e um profissional liberal, não incluí um militar no bando porque queria deixar a segurança completamente de fora do filme, sem mostrar absolutamente nenhum cão fardado). O filme está cada vez mais atual diante o cenário político – e social – brasileiro, apesar de minha abordagem com toques de humor nonsense em algumas partes do filme.

01arromabada_sessao_a4

As filmagens de “Arrombada” aconteceram no inverno de 2007 e foram extremamente rápidas e sem contratempos. O único problema mais grave que aconteceu durante as filmagens foi que nossa câmera parou de funcionar numa madrugada de externas por causa da umidade, fazendo-nos perder aquela madrugada de trabalhos já que tínhamos apenas uma câmera na produção. Sim, o filme foi feito com orçamento nenhum (acredito que gastamos, ao final de tudo, R$ 1.500,00 na produção). Durante as filmagens algo engraçado era ver a agonia de Coffin Souza com aquele bigodinho Adolf Hitler Stylle, ele estava visivelmente envergonhado de estar usando o bigode daquele jeito, tanto que quando encerramos as gravações a primeira coisa que fez foi ir no banheiro retirar o tal bigodinho da vergonha. Um de nossos passatempos durante as filmagens era convidar ele pra ir até no mercadinho da vila onde estávamos filmando (ele nunca foi junto, lógico).

xxxxxoi-174

Vinnie Bressan, Gurcius, Souza (já sem o bigodinho da vergonha) e Ljana na bebedeira de encerramento das filmagens de “Arrombada”.

Por ser frio demais durante as filmagens, a equipe e elenco se aquecia bebendo vinho vagabundo. Acho que a equipe completa foi Carli Bortolanza, Ljana Carrion, Vinnie Bressan, Gurcius Gewdner, Coffin Souza, PC, Elio Copini, Claudio Baiestorf e eu. Como não rodamos making off desta produção posso estar esquecendo alguém.

cartazarrom“Arrombada” foi lançado em alguns cinemas de SC ainda em 2007, fazendo uma espécie de complemento ao longa-metragem “Mamilos em Chamas” do meu grande amigo Gurcius Gewdner, era uma sessão bastante única na história do cinema brasileiro e o público se divertia demais, nenhuma das sessões foi comportada. No lançamento de “Arrombada” botamos a banda de industrial harsh A Besta para animar o público antes e depois da sessão, também promovemos o re-lançamento de “Zombio” (1999) para essa ocasião e depois desmembramos o programa, com “Arrombada” fazendo sua bilheteria e “Zombio” tendo o re-lançamento à parte. Para as sessões na região de Palmitos/SC, mandei confeccionar um grande cartaz onde se lia “Filmado com meninas da região” e “Não ria!!! Sua irmã pode estar neste filme!!!”, claro que lotou as sessões de caras sedentos pelas garotas da região (Ljana era de Florianópolis, mas a magia do cinema exploitation deve ser mantida). Essas sessões de Palmitos realizamos, ainda, em clima de “proibição”, pessoal chegava meio que escondido nas sessões, tendo um gostinho de estar vivendo nos tempos da lei seca ou da censura militar brasileira. O público adora se sentir parte de algo secreto, é importante fazê-los acreditarem que estão participando de algo fora-da-lei. Claro que o que funcionava 10 anos atrás não quer dizer que ainda funcionará nos dias de hoje.

Para ler o roteiro de Arrombada.

Para baixar ARROMBADA – VOU MIJAR NA PORRA DO SEU TÚMULO!!!

Comprar DVD de Arrombada com extras e inúmeros curtas da Canibal Filmes de brinde, entre na loja MONDO CULT.

por Petter Baiestorf.

Veja o trailer de “Arrombada” aqui:

Algumas fotos de bastidores:

dsc07830

Gurcius experimentando o olho arrombado.

ljana-carrion-sendo-esquartejada-em-arrombada

Preparando a carne para o churrasco dos poderosos.

petter-baiestorf-dirigindo-ljana-carrion-coffin-souza

Baiestorf dirigindo Ljana e Souza.

wide-013

Ljana repensando a vida e passando frio.

wide-019

Ljana sendo maquiada por Carli Bortolanza.

xxxxxoi-007

Repassando o roteiro.

xxxxxoi-028

Elenco se diverte enquanto a equipe técnica prepara alguma tomada.

xxxxxoi-041

Ljana e Souza.

xxxxxoi-065

Baiestorf, Souza e PC.

xxxxxoi-071

Elio Copini colocando as fraldas em Carli Bortolanza.

xxxxxoi-072

Gurcius e Vinnie.

xxxxxoi-081

Erros de gravação geram risadas intermináveis.

xxxxxoi-082

Vinnie e Carli em seu momento Zatoichi.

xxxxxoi-090

Carli Bortolanza preparando o sapato do senador.

xxxxxoi-091

Como cegar um senador.

xxxxxoi-111

Claudio Baiestorf, Ljana, Vinnie e Souza se aquecendo na madrugada fria.

xxxxxoi-112

Repassando o roteiro na madrugada.

xxxxxoi-120

Bortolanza empalando Vinnie.

xxxxxoi-123

Mangueirinhas do chafariz anal.

xxxxxoi-126

Ljana e Gurcius esperando a chamada pra filmar.

xxxxxoi-128

O Chafariz anal de “Arrombada” funciona!!!

xxxxxoi-178

Vinnie e Claudio Baiestorf.

cartaz-pc-curvas

cartaz%2bpara%2bcoimbra

flyer-cine-transgressao

 

Bad Bitch

Posted in Cinema, Entrevista, Vídeo Independente with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 10, 2012 by canibuk

“Bad Bitch” (2012, curta) de Felipe Tapia. Com: Amanda Coutinho, Ana Laura Paiva e Hirina Renner. Produção de Thaís Dias Medeiros. Fotografia de Eduardo Bonatelli e Gabriel Bender. Som de Railane Moreira Mourão. Trilha Sonora de Gabriel Cozza, Júnior Vieira, Eduardo Machado e Vade Retrô.

Com inspiração em “Reservoir Dogs/Cães de Aluguel” (1992) de Quentin Tarantino e “Faster, Pussycat! Kill! Kill!” (1965) de Russ Meyer, “Bad Bitch” faz uma homenagem ao cinema exploitation ao contar a história de Savanna (Amanda Coutinho), Diana (Ana Laura Paiva) e Cristina (Hirina Renner), três amigas que decidem assaltar uma joalheria e tudo acaba dando errado.

“Bad Bitch” é uma produção independente de Pelotas/RS e foi realizado por Felipe Tapia (que já havia dirigido o filme “Do It”), Thaís Medeiros (diretora do documentário “O Caminho” e roteirista de “A Louça” de Gabriel Bender, que também trabalha neste), Eduardo Bonatelli e Railane Mourão. Algo que chama atenção é que a produção de “Bad Bitch” conseguiu ajuda da empresa de biscoitos Zezé, iniciativa louvável da indústria privada e que espero ver mais empressários jogando seus lucros em produções independentes.

Por enquanto o filme ainda não foi lançado, mas voltarei a falar dele assim que estiver disponível para o público. Por enquanto assistam o teaser de “Bad Bitch”:

E saiba mais sobre o curta nesta rápida entrevista que realizei com o diretor Felipe Tapia.

Petter Baiestorf: Conte como surgiu o projeto “Bad Bitch”:
Felipe Tapia:
O que eu mais gosto sobre o cinema é que podemos fazer coisas que na vida real não seriam legais  e transformar em algo divertido, como um assalto por exemplo. Depois que eu fiz o curta “Do It”, eu queria fazer uma trilogia de filmes no estilo grindhouse, que no fim acabariam por ser uma história só, “Do It” seria o primeiro e “Bad Bitch” o terceiro capítulo. Eu acabei desistindo da idéia e resolvi que o “Bad Bitch” seria um curta sem nenhuma ligação com o “Do It”, além da estética que é a mesma. Eu sempre quis fazer um filme sobre um trio de gurias fazendo alguma barbaridade, então eu comecei a escrever o roteiro tendo em mente que seria sobre 3 amigas e que seria sobre um assalto.Então comecei a ver as referências que eu queria dos meus filmes favoritos. Escrevi e reescrevi o roteiro umas 10 vezes, quando achei que estava pronto para ser gravado, juntamos a equipe e começamos a pré-produção.
Baiestorf: Vocês encontraram apoio financeiro para a produção! O orçamento ficou em quanto? Fale como foi isso:
Tapia: Sim, a empresa Biscoitos Zezé, patrocinou o curta, eles deram acho que uns 250 reais, não tenho certeza, nós também fizemos uma rifa de uma tequila e nossos pais contribuíram também. Eu não esperava nenhum patrocínio para o curta por causa da história, que tem consumo de drogas, violência e até blasfêmia, mas no fim deu pra fazer tudo, não precisamos cortar nada por causa de orçamento como acontece geralmente. Eu não tenho certeza, mas acho que contando com tudo isso, patrocínios, rifa, pais, coisas que compramos do nosso bolso, alimentação e transporte das atrizes, acho que ficou perto de uns mil reais ao todo. O que pra gente é muito, por que geralmente na faculdade os curtas não chegam nem perto disso.
Baiestorf: Rio Grande do Sul tem um histórico de ótimas produções independentes, como é trabalhar neste estado?
Tapia:
Bom, eu nunca sai do Rio Grande do Sul então eu não sei muito como funcionam as produções nos outros estados, mas aqui, por exemplo, em Pelotas, eu tenho a impressão, como a cidade tem um passado histórico muito cultural e aqui tem muita coisa ligada a cultura, as pessoas não estranham muito quem faz filmes, é bem tranqüilo de conseguir locações, de graça inclusive, as pessoas são bem dispostas para participar e ajudar nas produções. Temos a sorte também de ter disposição de equipamentos pela faculdade, como câmeras e tripés. Ainda não temos gruas, nem travellings, mas o essencial nós conseguimos com o curso. Claro que como em todo lugar, apresenta várias dificuldades, principalmente para nós estudantes que geralmente fazemos os curtas quase ou sem dinheiro. Também poderia contar com mais apoio da prefeitura, mas isso não é novidade nem exclusividade daqui e nem vale a pena falar dessa gente.
Baiestorf: Como foram as filmagens? Conte alguns fatos curiosos que aconteceram:
Tapia: As filmagens foram bem tranqüilas apesar de corridas, não lembro quantos dias foram, mas acho que somando foram 5 dias em mais ou menos 7 locações, nada na ordem do roteiro, inclusive. Não posso contar muito para não dar spoiler do filme, mas num dos dias, as atrizes estavam todas sujas de sangue, além de estarem com as roupas de colegial, terminamos as gravações e fomos almoçar no Subway, e elas não puderam trocas as roupas porque fomos direto pra lá, todo mundo que passava ficava olhando pra elas.
OBs: Como durante as gravações não tiveram muitos fatos curiosos, então vou compensar falando algumas curiosidades sobre o filme:
-O curta teve vários nomes antes de se chamar “Bad Bitch”, entre eles “Girls & Guns”,”Do It 2 – Bad Bitches”,”Sexy Robbery” foram alguns deles.
– Os nomes das personagens tem significados: Savanna é em homenagem à atriz pornô Savanna Samson, Diana é por causa da Mulher Maravilha, e Cristina é em homenagem à atriz Christina Lindberg.
– O roteiro gravado é o 15° tratamento.
– Quando estávamos começando a pré-produção um membro da equipe saiu por achar o roteiro pesado demais.

– Inicialmente Savanna e Diana seriam namoradas, mas achei que seria mais difícil de arranjar as atrizes, então cortei as cenas de beijo e uma paixão platônica ficou apenas sugerida.
– Muitos personagens acabaram sendo cortados da versão final do roteiro, por que o curta iria ficar muito grande, o mais divertido seria uma travesti barraqueira chamada Sarah Sheeva, amiga de Cristina e o primo de Savanna, Andrej, um traficante de drogas que fabricava bombas.
– Uma das cenas cortadas mostrava as 3 pedindo carona na estrada, onde roubavam um carro e espancavam o motorista, cortei porque não queria criar antipatia por parte das pessoas mostrando as protagonistas espancando um homem gratuitamente e também porque não condizia com a personalidade delas.
– Outra cena que foi cortada do filme mostrava quando as personagens se conheceram na escola, quando eram crianças,  onde uma menina provocava Diana e então Savanna batia na menina e ameaçava que ia furar o olho dela com um lápis.
– Eu escrevi o roteiro escutando as músicas da banda Vade Retrô, o que me ajudou muito a entrar no clima do filme enquanto escrevia, mas eu nem imaginava que eles iam liberar as músicas pro filme.
Baiestorf: Pelas fotos de produção que você me mandou notei uma grande influência de tarantino. Você não acha que isso pode tirar a originalidade de “Bad Bitch”?
Tapia: Acho que não, acho que uma das propostas do Bad Bitch é justamente ser uma homenagem a esses filmes que eu gosto tanto e ao meu diretor favorito e maior influência que é Quentin Tarantino. Acho que a originalidade se deve ao fato de não ser mais um filme Brasil-Favela ou Brasil-Pobreza, nem por mostrar uma história bonita de perseverança nem de amor, é um filme sujo, debochado e politicamente incorreto que não tem outra intenção a não ser divertir os espectadores.
Baiestorf: Quando “Bad Bitch” será lançado? E como o público terá acesso à obra?
Tapia: Estamos acertando a data e temos 3 possíveis locais de lançamento, mas ainda não definimos certo. Depois mandaremos para festivais brasileiros e de fora. Como eu nunca imaginei que teríamos divulgação fora de Pelotas, estou pensando em um jeito de todo mundo ver o filme, uma exibição online, alguma coisa, porque não poderemos postar em sites como Youtube porque alguns festivais não aceitam, então não sei ainda, mas estou pensando nas possibilidades.
Baiestorf: Você acredita que os produtores independente estão conseguindo, finalmente, criar uma mercado com público para seus filmes?
Tapia: Não é novidade que um dos maiores problemas do cinema brasileiro é a distribuição, é tudo centralizado em panelinhas, então filmes independentes acabam passando despercebidos do grande público, eu sei por experiência própria, que quase todo o (já pouco) orçamento é utilizado na produção do filme e não sobra quase nada para divulgação e tal, eu vejo aqui em Pelotas muitos curtas são feitos na faculdade e não tem lançamento, às vezes passam nos auditórios da própria faculdade, mas nunca um lançamento mesmo, isso é ruim porque poucas pessoas acabam sabendo dos filmes, mas acho que público de filmes underground é fiel e acho que com a internet tudo ficou mais fácil, divulgação, exibição, etc. Eu, por exemplo, estou conhecendo várias pessoas e vários filmes graças ao “Bad Bitch”, acho que com essas parcerias ajudam e muito as produções independentes para que nossos filmes cheguem a um público maior.
Baiestorf: Fale sobre suas influências cinemtográficas:
Tapia: Eu desde pequeno sempre gostei de filmes com personagens mulheres fortes, desde os filmes da Disney como “Pocahontas”, até o clássico da sessão da tarde “Elvira – a Rainha das Trevas”, que sempre que passava na TV eu olhava, chegava a pedir pra minha mãe pra faltar a aula pra ver. Lara Croft, Xena, Fênix e Tempestade dos “X-men”, Mulher Gato, eu sempre gostei dessas personagens. Isso sempre foi muito forte nas histórias que eu criava, sempre tinha uma “femme fatale” armada dominando tudo. Eu lembro que comecei a gostar de filmes violentos quando assisti Assassinos por Natureza, foi um dos primeiros filmes que eu vi quando comecei a assistir filmes mais adultos, eu vi quando tinha uns 12 anos e já virou um dos meus filmes favoritos. Daí conheci “Kill Bill” quando tinha uns 14, 15 anos, meu filme favorito até hoje, aí virei fã de Quentin Tarantino e comecei a acompanhar o trabalho dele, então comecei a conhecer os clássicos, “Thriller – A Cruel Picture”, “Faster, Pussycat! Kill! Kill!”, “Foxy Brown”, “Pink Flamingos”, entre outros. Então quando entrei na faculdade de cinema eu já tinha em mente a linha que eu iria seguir. Acho que mais do que diretores em particular, são esses filmes os que mais me influenciaram e me influenciam quando eu escrevo um roteiro.
Baiestorf: Novos projetos?
Tapia:
Bom, a principio, temos o curta final da faculdade pra fazer, então primeiramente será ele, não sabemos muito sobre ele ainda, mas será um filme de terror. E provavelmente no semestre que vem, a continuação de “Bad Bitch” encerrando a história.

fotos da matéria são de Thaís Medeiros.