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A Orgia das Graciosas Strippers Mortas

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 2, 2016 by canibuk

Orgy of the Dead (1965, 92 min.) de Stephen C. Apostolof. Roteiro de Edward D. Wood Jr. (baseado em sua novela “Orgy of the Dead”). Com: Criswell, Pat Barrington, Fawn Silver, Rene De Beau e Nadejda Klein.

orgy-of-the-deadCom uma trama praticamente inexistente “Orgy of the Dead” tenta contar a história de um casal (Pat Barrington, que no ano seguinte estaria no elenco de “Mondo Topless”, e William Bates) que, ao discutir sobre o quanto uma visita noturna a um cemitério pode ser inspiradora, se acidenta e acaba num cemitério (que é o mesmo de “Night of the Ghouls” de Ed Wood) onde encontra o todo poderoso “Imperador” (Criswell, impagável como sempre) que os aprisiona e convoca deliciosas almas penadas do além para números de dança hilários com strippers indígenas, mulheres gatos, múmia, lobisomem fajuto e toda uma fauna de curiosas personagens que dão a ideia de que o inferno é o melhor lugar do mundo.

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Fawn Silver e Criswell

Com este ponto de partida infantiloide “Orgy of the Dead” é uma grande brincadeira cinéfila involuntária com Edward D. Wood Jr. (aqui roteirista e faz tudo da produção) exercitando-se (sem querer) na metalinguagem. “Orgy” remete diretamente ao seu filme “Night of the Ghouls” (1958), um inacreditável horror sobrenatural com Criswell “interpretando” o mesmo papel. Para se ter uma ideia da precariedade de “Night of the Ghouls” basta contar que o filme foi filmado em 1958 e só lançado em 1983. Ed Wood, após filmar “Night” não tinha como pagar a conta no laboratório que revelou o filme, então os negativos ficaram apreendidos nos arquivos do laboratório até que em 1983 – depois que Wood e Criswell já estavam mortos, fazendo-me pensar que, talvez, eles nunca tenham nem assistido ao copião do filme -, quando o empresário Wade Williams pagou a conta, montou e lançou o filme que já era considerado obra perdida (à título de curiosidade, Wade foi diretor de “Terror From the Stars” (1969) e produtor associado em pérolas como “Invaders From Mars/Invasores de Marte” (1986) de Tobe Hooper e “Midnight Movie Massacre/Aconteceu à Meia Noite” (1988) da dupla Laurence Jacobs e Mark Stock). Ainda no campo da metalinguagem, o papel da personagem “Black Ghoul” foi escrito para ser interpretado pela Maila Nurmi (a Vampira de “Plan 9 From Outer Space”, que infelizmente se recusou a filmar) e acabou sendo feita pela atriz Fawn Silver, que depois esteve no elenco dos filmes “Unkissed Bride” (1966) de Jack H. Harris (isso mesmo, o produtor do Cult “The Blob/A Bolha Assassina” (1958) dirigido por Irvin S. Yeaworth) e do bagunçado “Terror in the Jungle” (1968), realização que teve três diretores (Andrew Janczak, Tom DeSimone e Alex Graton), cada um deles filmando um pedaço do filme.

 

Independente de “Orgy of the Dead” ser bom ou ruim (ele está muito além deste irrisório detalhe), é o grande marco na transição do Ed Wood da fase sci-fi/horror para o Ed Wood da pornografia. “Orgy” ainda não é pornô (nem erótico ele consegue ser), mas já não era mais uma tentativa de ser um filme de horror, flertando explicitamente com o subgênero Nudie Cutie em que qualquer mínimo enredo era mera desculpa para explorar as carnes femininas.

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Stephen C. Apostolof

O diretor de “Orgy” é Stephen C. Apostolof, que geralmente assinava com o pseudônimo AC Stephen, um especialista em sexploitations que pertenceu aos pioneiros do cinema adulto americano. Apostolof nasceu na Bulgária e durante a segunda guerra mundial fugiu para os USA. Seu primeiro emprego em solo americano foi como arquivista no estúdio 20th Century-Fox. Em 1957 se meteu na produção do filme “Journey to Freedon”, de Robert C. Dertano, onde conheceu o gigante Tor Johnson que trabalhava como ator e o apresentou ao Ed Wood. No início da década de 1960 Apostolof assistiu ao Nudie Cutie “The Immoral Mrs. Teas” (1959) de Russ Meyer e soube o que queria fazer de sua vida. E assim acabou produzindo/dirigindo quase 20 produções cheias da boa e sadia putaria que alegra nossa vida, vários destes filmes com roteiros escritos por seu amigo Ed Wood (além do “Orgy”, Wood também assina os roteiros de “Drop Out Wife” (1972), “The Class Reunion” (1972), “The Snow Bunnies” (1972), “The Cocktail Hostesses” (1973), “Five Loose Women” (1974, este lançado no Brasil com o título “As Fugitivas”) e “The Beach Bunnies” (1976), todos produzidos/dirigidos pelo búlgaro tarado). A parceria com Apostolof foi uma sobrevida na decadente carreira de Ed Wood, se iniciou em 1965 com este “Orgy of the Dead” e durou até 1978, ano de sua morte, com Apostolof garantindo uns poucos dólares para Wood nesta terrível fase e meio que repetindo o que o próprio Ed Wood havia feito por Bela Lugosi uma década antes. Em 2012 foi lançado um divertido documentário, “Dad Made Dirty Movies” de Jordan Todorov, sobre a  hilária e muito curiosa carreira de Apostolov.

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O elenco de “Orgy” é encabeçado por Jeron Criswell King, o lendário “The Amazing Criswell”, que foi um vidente americano famoso por suas previsões sempre imprecisas. Filho de uma família dona de funerária, Criswell possuía um caixão no lugar da tradicional cama porque achava mais confortável dormir ali (aliás, o caixão de Criswell aparece no pornô “Necromania” (1971) de Ed Wood). Também foi locutor de rádio e amigo de celebridades decadentes como Korla Pandit e Mae West, sendo que a pobre Mae usava Criswell como seu conselheiro espiritual. Em março de 1963 ele previu que John F. Kennedy não concorreria à reeleição em 1964 porque algo iria acontecer com ele em novembro de 1963. Picareta ou não, o fato é que Kennedy foi assassinado em novembro de 1963. Em seu livro “Criswell Predict from Now to the Year 2000!” (à venda na Amazon por cerca de 10 dólares), previu que a cidade de Denver seria atingida por um raio espacial e todo o metal se transformaria em borracha. Neste mesmo livro também previa que seríamos todos canibais no futuro e que o fim do mundo aconteceria em 1999. Criswell apareceu em três filmes, o clássico “Plan 9 from Outer Space”, o cômico “Night of the Ghouls”, ambos de Ed Wood, e “Orgy of the Dead” em que, contam seus colegas de produção, filmou todas as suas cenas em estado de pileque constante acompanhado de seu velho amigo, e companheiro de copo, Ed Wood.

 

Paperback Background

Livro

“Orgy of the Dead” foi realizado por uma turma de técnicos que são uma espécie de “dream Team” do melhor do pior. A trilha sonora (conforme indica o site IMDB) é do compositor Jaime Mendoza-Nava (que não está creditado no filme), responsável por musicar inúmeras produções de “fundo de quintal”. A fotografia é de Robert Caramico, em início de carreira, que depois fotografou lixos imperdíveis como “The Black Klansman” (1966) de Ted V. Mikels, “Psychedelic Sexualis” (1966) de Albert Zugsmith, “Octaman” (1971) de Harry Essex, “The Doberman Gang” (1972) de Byron Chudnow, do clássico cult “Blackenstein” (1973) de William A. Levey, entre tantos outros. Caramico ainda foi diretor do pornô satânico “Sex Ritual of the Occult” (1970) que é um filme inútil que gosto bastante. O assistente de Caramico foi Robert Maxwell (que depois virou diretor de fotografia do clássico “The Astro-Zombies” (1968) de Ted V. Mikels e do fabuloso “Sweet Sweetback’s Baadasssss Song” (1971) de Melvin Van Peebles. O som de “Orgy” foi feito por Dale Knight que tinha em seu currículo trabalhos em vários filmes de Ed Wood (“Jail Bait”, “Bride of the Monster” e “Plan 9” tiveram o som feito por ele) e em produções como “The Astounding She-Monster” (1957) de Ronald V. Ashcroft e “The Cape Canaveral Monsters” (1960), outro delírio do diretor Phil Tucker, o grande responsável pelo genial “Robot Monster” (1953). E a edição ficou a cargo do diretor/produtor Don Davis que comandou o trabalho em filmes como o dramático “For Love and Money” (1967), também com roteiro de Ed Wood, e “Swamp Girl” (1971), sobre uma loirinha que é abandonada num pântano (curiosidade: Don Davis aparece atuando no papel de um Bêbado em “Plan 9”). Ainda sobre a equipe de “Orgy of the Dead”, diz a lenda que os diretores de segunda unidade , não creditados no filme, foram Edward D. Wood Jr. e Ted V. Mikels, mas duvido que tão capenga produção tenha tido uma equipe de segunda unidade.

orgy-of-the-dead1De certo modo a explosão do mercado de cinema adulto no final dos anos de 1970, aliado a popularização dos aparelhos de VHS que permitiam ao público ver putaria explícita no conforto do lar, foram os responsáveis por sepultar a carreira de toda uma geração de produtores/diretores independentes como Apostolof (e até gênios como Russ Meyer). Depois de “Ice Hot”, filme que lançou em 1978, Apostolof nunca mais conseguiu investidores para seus filmes eróticos (que preferiam a segurança financeira de investir no cinema hardcore). Como Apostolof detinha os direitos autorais de todos os seus filmes se dedicou a lançá-los no, então, crescente mercado de vídeo doméstico se tornando o distribuidor de seus agradáveis e bem humorados lixos cinematográficos (Russ Meyer, Ted V. Mikels, David Friedman, e outros, fizeram a mesma coisa).

Escrito por Petter Baiestorf para seu livro “Arrepios Divertidos”.

Assista “Orgy of the Dead” aqui:

Midnight Movie Massacre

Posted in Cinema with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on junho 8, 2012 by canibuk

“Midnight Movie Massacre” (“Aconteceu à Meia-Noite”, 1988, 82 min.) de Mark Stock e Laurence Jacobs. Com: Robert Clarke, Ann Robinson, David Staffer e um bando de desconhecidos.

É noite de sábado numa pequena cidade americana dos anos 50 e todos vão para o cinema se divertir, paquerar e comer guloseimas. Neste cinema está sendo exibido a série “Space Patrol” que é produzida pela Republick (uma brincadeira com a Republic Pictures, inclusive com um urubu no lugar da águia original). Enquanto as pessoas se acomodam, na tela são exibidos trailers das próximas atrações: “Cat-Women of the Moon” (1953) de Arthur Hilton e “Devil Girl From Mars” (1954) de David McDonald (aqui rebatizado como “Sweater Girls From Mars” para uma piadinha com uma das personagens). Logo começa o filme dentro do filme com o tal “Space Patrol – Chapter 2 – Back From the Future”, onde um cientista inventa uma máquina do tempo e viaja ao passado para colocar seu plano maligno em prática. Assim um grupo de três cadetes precisam persegui-lo e deter seu plano viajando, também, para o passado. A máquina do tempo é uma espécie de disco-voador, operada por um cérebro, que viaja através do espaço sideral para voltar ao planeta Terra dos anos 50. Logo nossos heróis pousam numa pequena cidade e um casal de namorados e um voyeur (mais um menino de uma fazendo próxima) testemunham o pouso. Os viajantes do tempo roubam as roupas civis dos terraqüeos e logo vão para um cinema, onde está sendo exibido “Invaders From Mars” (1953) de William Cameron Menzies, pedir informações sobre Tonga, uma dançarina exótica, que seria a esposa do cientista louco. Neste meio tempo o menino que viu a máquina do tempo pousando, entra nela e conversa (como se fosse a coisa mais natural do universo) com o cérebro piloto que o manda com a missão de encontrar o comandante da missão e abortá-la. Traídos pela dançarina exótica todos os tripulantes da máquina do tempo são capturados pelo cientista louco que apresenta à todos a sua criação: Robôs ridículos operados por cérebros. O cientista ordena que seus engraçados robôs de latão matem o menino xereta (alguns dos ridículos robôs descobrindo e dançando ao som de rock’n’roll rendeu uma ótima cena) e no climax, onde o menino iria ser desmembrado por facões, o episódio chega ao fim e o narrador do seriado anuncia “Space Patrol – Chapter 3 – Up To Uranus” que será exibido na próxima semana. Será que o menino xereta escapará dos robôs ridículos?

Paralelo ao filme “Space Patrol” que é exibido pelo cinema, os espectadores aqui enfrentam um marciano violento que pousou atrás do cinema e quer comer o máximo de humanos possível. Quase ao mesmo tempo que pousou, o monstrengo do planeta vermelho já come um mendigo na rua, a vendedora de bilhetes e o gerente do cinema (que tem uma morte bem violenta e depois os restos de seu cadáver são molestados por uma criança de uns seis anos de idade que rouba seu olho e guarda-o em seu saco de bolinhas de gude e mergulha seu pirulito nas gosmas do monstro que ficaram ao redor do corpo desmembrado). Ao atacar a vendedora de doces do cinema finalmente podemos visualizar o ótimo design do alien, que é uma espécie de aranha espacial com tentáculos no lugar de braços, sua boca parece uma vagina dentadae seus olhos são também antenas. Em seguida o projecionista do filme é decepado e, quando o filme que estava sendo exibido termina, o monstro espacial ataca uma espectadora que ficou dormindo e que é salva por uma dona de casa de 135 quilos que come tudo que vê pela frente em uma referência explícita ao episódio 07 da primeira temporada do Monty Python e seu “Science Fiction Sketch”).

“Midnight Movie Massacre” (também conhecido como “Attack From Mars” ou “The Blob 2 – Le Retour du Monstre”, tentativa ridícula dos franceses de relaciona-lo ao “The Blob/A Bolha”) é um filme de baixo orçamento onde as coisas deram erradas. Originalmente Laurence Jacobs estava realizando o “Space Patrol”, mas ficou tão ruim que Mark Stock foi chamado ao projeto para transformar “Space Patrol” no filme exibido dentro de seu “Midnight Movie Massacre” e tentar fazer as coisas funcionarem. Já li muitas críticas negativas ao resultado final deste pequeno clássico da ruindade artística, mas gosto muito desta bela e sincera homenagem às sessões de cinema classe “Z” que rolavam pelo mundo inteiro antes de existir os cinemas de shopping que, na minha opinião, foram os responsáveis por destruir o cinema como eu curtia. Filmado em 1984, “Midnight Movie Massacre” só conseguiu distribuição em 1988.

Wade Williams, o produtor desta adorável tranqueira, é um milionário fanático por filmes de sci-fi que detém a maior biblioteca independente de filmes de ficção científica e distribuí seus títulos no mundo inteiro. Também, por anos, ajudava a manter revistas como “Starlog”, “Filmfax”, entre outras. Em 1964 dirigiu “Pussycat Pussycat”, um nudie movie relançado pela distribuidora Something Weird. Em 1969 escreveu, produziu e dirigiu “Terror From the Stars”, trasheira que o fez desistir de dirigir filmes (voltou a dirigir somente em 1992, quando comandou a produção de baixo orçamento “Detour”, uma homenagem ao cinema noir de hollywood dos anos 30/40). Em 1970 produziu o pseudo-documentário “The Helter Skelter Murders”, dirigido por Frank Howard, que explorava os assassinatos da Manson Family. Nos anos 80 foi o grande incentivador para que “Invaders From Mars” (1953) fosse refilmado com Tobe Hooper no comando da produção. Com roteiro de Dan O’Bannon, produção da Golan-Globus e efeitos das criaturas marcianas elaborados por Stan Winston, o remake foi extremamente mal nas bilheterias. Apaixonado por cinema fantástico, Wade Williams ainda deve aos fãs do gênero um filme bem produzido. “Midnight Movie Massacre” é divertido, mas temo que apenas trashmaníacos encontrem valor no filme.

Os diretores do filme, Laurence Jacobs e Mark Stock, pouco representam ao gênero. Jacobs ganha a vida como editor de TV (editava o “The Oprah Winfrey Show”, por exemplo), técnico de som (fez o som do clássico de horror “Tourist Trap” (1979) de David Schmoeller) e escritor. Antes de dirigir as cenas de “Space Patrol” que foram transformadas no filme assistido em “Midnight Movie Massacre”, ele havia dirigido apenas um curta-metragem chamado “Late Curtain” (1982), produção de 50 mil dólares filmada em preto e branco. Mark Stock nunca mais dirigiu filme nenhum após “Midnight Movie Massacre”. Em 1994 ele reapareceu criando o argumento do filme “Fleshstone/Instinto de Sedução” de Harry Hurwitz, thriller erótico na linha daquelas produções exibidas pelas TVs nas madrugadas. Nos anos 2000 retornou atuando em alguns filmes, como o drama familiar “Pure” (2004) de Dale Richard Howard e no curta-metragem “The Butler’s in Love” (2008), dirigido pelo ator David Arquette, onde faz o papel de um mágico.

Em “Space Patrol” temos a participação especial de dois atores cults, Robert Clarke e Ann Robinson. Clarke, nascido em 1920 e falecido em 2005, apareceu em muitos clássicos de sci-fi dos anos 50, delícias como “The Man From Planet X” (1951) de Edgar G. Ulmer, sobre um enigmático visitante espacial no planeta Terra; “Captive Women” (1952) de Stuart Gilmore, onde uma New York pós-apocalíptica é palco de batalhas de três tribos de mutantes; “The Astounding She-Monster” (1957) de Ronald V. Ashcroft, com uma bela e letal alien que caiu no planeta Terra; “The Incredible Petrified World” (1957) de Jerry Warren, sobre aventureiros descendo às profundezas do oceano e descobrindo redes de cavernas que levam à um novo mundo; “From the Earth to the Moon” (1958) de Byron Haskin, baseado em Jules Verne onde Clarke faz a narração e “The Hideous Sun Demon” (1959), dirigido pelo próprio ator em parceria com Tom Boutross, ficção sobre os efeitos trágicos da exposição à radiação. Clarke apareceu em inúmeras séries de TV como “The Lone Ranger”, “The Cisco Kid” e “Hawaii Five-O”. Trabalhou em outros filmes de Jerry Warren como “Terror of the Bloodhunters” (1962) e “Frankenstein Island” (1981). Em 2005, pouco antes de falecer, apareceu na comédia “The Naked Monster” de Wayne Berwick e Ted Newson, uma divertida homenagem aos filmes B, estrelado pela scream queen Brinke Stevens e com Ann Robinson reprisando seu papel de Sylvia Van Buren (aliás, o elenco de “The Naked Monster” é lindo, com figurinhas do cinema B como Forrest J. Ackerman, John Agar, Michelle Bauer, Bob Burns, Paul Marco, Linnea Quigley e muitos outros). Ann Robinson nasceu em 1935 e seu papel mais famoso é o de Sylvia Van Buren no clássico “The War of the Worlds” (1953) de Byron Haskin, onde pela primeira vez ela pode interpretar uma personagem principal. Trabalhou em várias séries de TV como “Rocky Jones, Space Ranger”, “Perry Mason” e “Peter Gunn”. Repetiu o papel de Sylvia Van Buren na fraca série de TV “War of the Worlds” nos anos 80 e em 2005 Steven Spielberg, ao refilmar “The War of the Worlds/Guerra dos Mundos”, lhe deu uma pequena participação especial como uma avó (mãe da personagem vivida por Tom Cruise).

“Midnight Movie Massacre” é um trash-movie esforçado que tenta divertir o espectador com suas piadas com o universo do cinema B. Aqui no Brasil foi lançado em VHS pela distribuidora FJ Lucas Vídeo com o título de “Aconteceu à Meia-Noite”. Outros 10 filmes que possuem o mesmo clima de diversão de “Midnight Movie Massacre” são: “Drive-In Massacre” (1977) de Stu Segall sobre assassinatos num drive-in; “Screamplay” (1985) de Rufus Butler Seder, sobre o louco mundo do cinema vagabundo estrelado por George Kuchar e distribuído pela Troma; “American Drive-In” (1985) de Krishna Shah, com jovens se divertindo com “Hard Rock Zombies” num drive-in; “Popcorn” (1991) de Mark Herrier, sobre uma marratona de filmes de horror num cinema fuleiro; “Matinee” (1993) de Joe Dante, inspirado em William Castle; “Ed Wood” (1994) de Tim Burton, cinebiografia sobre Edward D. Wood Jr. e sua gang de desajustados filmmakers; “Bikini Drive-In” (1995) de Fred Olen Ray, sobre um drive-in sendo re-inaugurado com as gostosas funcionárias vestindo bikinis, “Terror Firmer” (1999) de Lloyd Kaufman, delírio gore sobre o modo de vida Troma; “Cecil B. DeMented” (2000) de John Waters, sobre um grupo de cineastas transgressores realizando um filme e “Torremolinos 73/Da Cama para a Fama” (2003) de Pablo Berger, uma teoria de como seria um cineasta fã de Bergman filmando como Jesus Franco com uma super-8 e sua esposa pelada.

por Petter Baiestorf.

Assista “Midnight Movie Massacre” aqui: