Reefer Madness – A Erva Maldita do Demônio te Espreita

“Reefer Madness” (“A Erva Maldita”, 1936, 65 min.) de Louis J. Gasnier. Com: Dorothy Short, Dave O’Brien, Thelma White e Kenneth Craig.

É engraçado constatar que, para algumas milhares de pessoas, a Maconha ainda assusta tanto quanto na década de 1930 quando este filme foi produzido por um grupo de igreja.

A história de “Reefer Madness” é hilária, fala sobre um casal que vende maconha para a juventude e com isso corrompe os jovens que não mais seguem os ensinamentos cristãos. Segundo os produtores desta pérola, fumar um baseadinho vai te tornar um viciado tarado pervertido alucinado sem moral alguma. Você vai se tornar um assassino em potencial, um verdadeiro pedaço de lixo humano insano sedento por realizar delitos para garantir seu baseadinho de todo dia. “Um rapaz de 16 anos mata a família com um machado. Uma garota de 17 anos se deixa seduzir por cinco homens mais velhos ao mesmo tempo. Tudo isso por causa do uso de narcóticos. Pensou numa crise de abstinência de crack, abuso de LSD ou overdose de ecstasy? ERROU! É tudo culpa da maconha!” – nos alerta a capa deste filme.

“Tell Your Children” (que também foi relançado com outros títulos, como “Dope Addict”, “Doped Youth”, “Love Madness” e “The Burning Question”) foi financiado por um grupo de igrejas e era destinado aos pais da américa como um conto moral para alertá-los dos riscos que a terrível Marihuana representava aos seus inocentes filhos, mas logo depois de pronto, “Tell Your Children” foi comprado pelo notório cineasta picareta Dwain Esper que remontou o filme, adicionou cenas mais picantes e mudou o título para “Reefer Madness”, mais escândaloso e comercial. Dwain Esper nasceu em 1892 e foi diretor/produtor de filmes exploitations como “Narcotic” (1933), “Modern Motherhood” (1934), “Marihuana” (1936), “How to Undress in Front of Your Husband” (“Como se Despir na Frente de seu Marido”, 1937), “How to Take a Bath” (1937) e “Will it Happen Again?” (1948, relançado anos depois com o curioso título de “The Strange Love Life of Adolf Hitler”). Esper morreu em 1982.

Em 1971 “Reefer Madness” foi redescoberto por Keith Stroup (um advogado que foi o fundador da National Organization for the Reform of Marijuana Laws) que comprou uma cópia do filme por 297 dólares e o relançou em campus universitários repletos de estudantes hippies fumadores de maconha que rolavam de rir com os valores morais do filme. Hoje em dia “Reefer Madness” é um filme cult, está em domínio público e foi relançado em uma versão colorizada por computador pela Legend Films onde a fumaça da maconha é colorida, dando-lhe um visual kitsch único. Foi lançado no Brasil em DVD pela distribuidora Flashstar.

Em 1998 um musical off-Broadway baseado no “Reefer Madness” original lotou o teatro Hudson em Los Angeles durante anos. Foi o suficiente para que o filme “Reefer Madness : The Movie Musical” (“A Loucura de Mary Juana”, 2005, 108 min.), de Andy Fickman, fosse aprovado e filmado.  A história parte do mesmo ponto que o filme de 1936, só que aqui tudo é embalado com ótimas músicas, tom debochado e um senso de humor negro apurradíssimo. Depois de fumar maconha o estudioso menino inocente desta versão se torna um demente tarado que abandona os estudos, perverte sua virginal namorada loirinha tipicamente branquela e alienada, atropela um homem sob os efeitos da maconha e tem divertidos delírios envolvendo zumbis fumadores de maconha. Nosso herói chega até a receber conselhos de um Jesus Cristão bombadão na mais infame canção do filme e quando, está prestes a ser fritado na cadeira elétrica, se arrepende de sua vida no vício e ganha o perdão presidencial ao ser salvo pelo trio América, representados aqui por Tio Sam, George Washington e a estátua da Liberdade. Tão bom quanto o filme original. Foi lançado em DVD no Brasil pela distribuidora Imagem Filmes.

por Petter Baiestorf.

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